Without The Love
8 Capitulo 7. 5 dias antes
Notas iniciais
Nada muito romântico aconteceu depois do beijo. Basicamente, nós nos olhamos, os olhos dele tão mais irresistíveis que os meus... Então ele disse: “desculpe, não deveríamos.” E eu disse: “não deveríamos mesmo.” E ele disse: “acho que seria melhor se você entrasse agora”. E eu disse: “talvez.” E assim demos por encerrada a noite. Eu meio que entrei tremendo no meu quarto. Fiquei andando de um lado para o outro, sem saber o que fazer. Dormir foi a ultima das alternativas. Até que o céu começou a clarear e eu comecei a pegar no sono involuntariamente. Eu só queria bater com a minha cabeça na parede até toda a Elena Gilbert se esvair.
Minha mãe me acordou 3 horas depois. Eram 9:30 da manhã. Fiquei furiosa, obviamente. Mas mesmo assim tomei um banho longo e desci para tomar café. Stefan não estava lá. Ninguém estava, na verdade. Minha família costuma tomar café bastante cedo, o que foi uma tradição divertida no começo, mas estava começando a me deixar irritada.
–Você parece... Cansada. – Jeremy me disse.
Meu irmão estava sentado em uma cadeira olhando enquanto eu comia. E isso estava me deixando meio confusa porque, vamos lá, um adolescente de 16 anos não tem nada pra fazer de melhor?
–Não me enche, moleque. – respondi.
–Oh, tem alguma coisa a ver com o Stefan? Porque seu humor está péssimo também. Tanto quando sua cara.
Revirei os olhos.
–Imbecil.
–Então com certeza tem a ver com ele.
–Não tem a ver com ele. Apenas pare de me encher. – eu disse dando de ombros.
Mas Jeremy continuou me encarando. O que resultou em um resumo da noite anterior. Do beijo. Do olhar. Do poema. Da história sobre Ed e a mãe dele. Meu irmão ouvia tudo com a sobrancelha arqueada. E quando eu terminei tudo o que ele disse foi:
–Vocês ficaram?
–Não ouviu uma palavra do que eu disse?
–Elena Gilbert e Stefan Salv... — ele começou, mas eu tapei a boca dele antes.
Devia fazer 10 anos que eu não tapava a boca de alguém na vida.
–Ta querendo morrer?
Mas ele já estava rindo. E isso fez com que eu quisesse começar a chorar.
–Elena, oh, Elena, não chora. Eu não quis... — mas eu já estava chorando. É claro que eu não queria chorar, eu odiava chorar! Eu odeio! Só que naquele momento eu me senti a pessoa mais idiota desse mundo. Fiquei me vangloriando a vida inteira, achando eu nunca deixaria que garotos como Stefan me fizessem sentir desse jeito. Desse jeito, sabe, quando a garota não sabe o que fazer.
–Você é o pior irmão do mundo!- eu disse limpando as lagrimas com raiva.
Jeremy apenas sorriu para mim.
–Ok. Eis o que eu acho: Eu acho que você está exagerando quanto á achar que Stefan esta “jogando” com você. Não é para tanto, Elena. Um beijo é só um beijo.
Um beijo é só um beijo. Pensei sobre isso. Pensei tanto que comecei a não querer mais pensar na vida.
–Tem razão.- eu disse finalmente. – tem razão. Ele provavelmente nem deve estar pensando nisso.
Jeremy apenas concordou. E depois ficamos conversando e tal. Nada de muito importante aconteceu o restante do dia. Não vi Stefan até o almoço, mas quando entrei na cozinha ele não levantou os olhos pra mim, nem mesmo quando sentei ao lado dele. Não trocamos palavras e nem olhares. O restante do dia nessa mesmice irritante. Fiquei com raiva de mim por estar sentindo falta dele. Se é que eu estava.
Fiquei pensando nisso a tarde inteira, pensando que se nós fossemos apenas amigos, talvez desse certo. Pensei sobre o beijo. Pensei sobre o poema. Pensei sobre Shakespeare. Pensei sobre livros e sobre Ed. Pensei tanto que queria explodir. E cada pensamento se tornou um instrumento de tortura até o fim da tarde.
Eu estava deitada na grama quando ele apareceu com uma garrafa de vodca na mão e se deitou ao meu lado. Minha família estava na sala jogando pôquer mentiroso: você aposta, blefa e mente o quanto puder apenas uma vez por ano.
–Servida?- ele me ofereceu.
Peguei a garrafa e dei pelo menos uns 3 goles da bebida. O que não foi uma ideia muito inteligente porque eu não costumava beber muito e tal, e aquilo era o máximo do que eu podia ir. Ficamos em silencio por um tempo, até que ele me ofereceu de novo e eu recusei.
–Não faço o estilo bêbada. – eu disse.
Stefan sorriu.
–Não acho que você faça. Mas parece-me tensa.
Eu meio que virei para ele nessa hora.
–Tensa? Não estou tensa.
Então foi a vez dele de se virar para mim. E ficamos nos encarando em um silencio estranhamente confortável. Nadando nessa coisa estranha que a gente tinha no momento.
–Sinto mesmo por ontem. Eu não deveria tê-la beijado. – ele disse então.
Eu fiquei meio sem jeito quanto a isso. Não estava esperando que ele se desculpasse pela segunda vez. Mas mesmo assim dei de ombros.
–Lembra quando tínhamos 10 anos e você eu e Damon brincávamos juntos no quintal da minha casa?- ele perguntou para mim. Encarava o céu nesse momento. Havia humor no tom de voz dele, como se fosse um momento tão bom na vida dele que merecesse ser lembrado.
–Não lembro bem. – eu menti.
Mas Stefan mal percebeu.
–Jogávamos basebol. Você e Damon contra eu e Lexi. — ele disse. Lexi era a melhor amiga de Stefan, tipo, a melhor. Eu não falava muito com ela quando erámos pequenas porque a única coisa que tínhamos em comum era a amizade com os Salvatore. Então Lexi se mudou. E eu e Stefan brigamos.
–Eu me lembro disso. – confessei.
Stefan pareceu satisfeito.
–Eu tinha ciúmes porque Damon insistia em ir com você.
–Ele era ótimo jogador, eu não tinha do que reclamar.
Ele revirou os olhos.
–Eu sempre fui melhor que ele! E Lexi tinha uma queda por Damon, ela ficava distraída demais.
Sorri. Quem na face da terra não tem ou teve uma queda por Damon Salvatore?
–Tínhamos 10 anos, não se tem queda por alguém nessa idade!- protestei.
E então Stefan se virou para mim.
–Eu tinha.
Senti meu coração acelerar. Quase como um mini ataque cardíaco.
–Ora essa, que pervertido. – eu disse meio que rindo pra ele.
Então ele riu pra mim também.
–Eu tinha mesmo essa quedinha por você.
Eu estava tentando não enlouquecer, literalmente falando.
–Sinto muito ter quebrado seu coração.
Ele deu de ombros.
–Oh não, tudo bem. Só dói quando você ainda sente alguma coisa, sabe.
–Então isso não é mais um problema. – eu disse.
Stefan demorou tipo uns 5 minutos pra responder. Eu estava começando a ficar preocupada quando:
–Na verdade, continua sendo.
Fiquei pensando no que dizer á ele. Ele estava confessando que gosta de mim? É isso? Não. Não pode ser. Stefan Salvatore, ele namora Katherine Pierce. E eles são tipo, o casal mais badalado da escola, sem falar em uma coisa que a gente tinha um pelo outro chamado: ÓDIO MÚTUO. Então forcei um sorriso afetado.
–Você está fazendo piada disso?- perguntei.
Demorou ainda mais pra ele responder. Stefan sentou-se na grama, e depois levantou-se devagar. Andou até o píer, as mãos dentro da calça jeans, com a cabeça baixa, e a pele brilhando por causa da luz da lua refletida nele. Demorou um pouco até que eu tomasse impulso e o seguisse. Estava em uma distancia considerável dele quando voltei a ouvir sua voz.
–Eu menti pra você. — ele me disse.
–O que?
Silencio.
–Na verdade eu não sinto muito por te-la beijado.
Suspirei.
–Stefan...
–Eu não sinto! Eu não sei o que estou fazendo, Elena...- havia dor no tom de voz dele.
–Stefan, você está bem?- perguntei, sincera.
–Eu... Acho que continuo apaixonado por você. — um sorriso fraco apareceu no rosto dele. — E isso claramente é uma doença, porque você me odeia e...
–Stefan!
–Estou enganado?
Ele se voltou para mim. Seus olhos com o brilho da lua.
–Eu... Eu não sei, Stefan. Você acha que eu não pensei nisso? Eu não sei mais como me sinto em relação a você.
E era a verdade. Eu havia passado o dia inteiro, sem exceção, pensando sobre isso. Pensando sobre quais sentimentos eu estava criando sobre ele. Eu queria odiá-lo, queria que ele nunca tivesse gritado comigo na diretoria daquele jeito, queria que ele nunca tivesse me tocado daquela forma no carro, ou olhado pra mim daquela forma desconcertante. Eu queria que ele não tivesse me beijado. Queria que meus sentimentos não estivessem tão desorganizados dentro de mim. Tudo o que eu queria era voltar a ser quem eu era antes. Mas também queria estar ali e...
E a minha resposta claramente o deixou ferido.
–Talvez eu devesse entrar agora. — olhou pra mim por um estante. — Boa noite, Elena.
–Stefan...- Mas ele não estava mais lá. Olhei o lago por um instante, pensei em pular e me afogar, mas isso de nada adiantaria. Talvez se eu o afogasse fosse mais eficaz, mas aquela dor que sambava no meio peito de salto agulha não iria embora assim tão fácil.
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