Without The Love

7 Capitulo 6. 6 dias antes


Notas iniciais
eai? :D

Nada de muito interessante aconteceu depois do jantar. Acho que Stefan e eu ficamos ligeiramente sem jeito pelo que houve lá, porque nenhum de nós voltou a falar o restante da noite inteira. De qualquer forma, foi minha avó quem me acordou no dia seguinte, ás 07h00min da manhã!!! Não que eu estivesse desacostumada com isso, era algo que nossa família fazia há anos. Não desperdiçar o tempo dormindo quando se pode fazer qualquer outra coisa.

–Vamos acordar, Elena. – ela disse tirando o lençol de cima de mim.

–Já estou acordada vó. Dê-me apenas cinco minutos. – gemi colocando o travesseiro encima da cabeça.

–Estamos todos lá no lago. Inclusive Stefan. –disse então.

Então eu olhei surpresa para ela. Tudo bem, eu apenas fiquei surpresa ok?

–Sério isso?

–Ele é um rapaz muito bonito, você vê.

Dei de ombros.

–Nem notei para falar a verdade.

–Notou sim. Todos notaram que você notou.

–Notaram?- argui uma sobrancelha em desafio.

–Oh claro que notaram. Sabe mais o que notaram?

–O que?

–Seus olhares ontem. Ele não tirava os olhos de você, Elena. E não era qualquer olhar.

–Ora essa, vocês não podem estar falando serio. Ele nem estava...

Mas eu sabia que estava. Porque eu também estava olhando para ele. Chegou a alguma hora da noite que eu pensei: é esse o jogo que ele joga? pois vamos ver quem joga melhor.

–Escute algo de uma velha sábia, Elena: aquele garoto ama você! E está tão confuso porque você diz odiá-lo. Vocês foram amigos antes disso tudo, lembre-se disso.

–Foi há muito tempo vovó. Não somos as mesmas pessoas agora.

Mas eu mesma não sabia se acreditava em minhas próprias palavras. Era isso que ele queria, era não era? Fazer-me questionar meus sentimentos.

–Coloque o biquíni preto. Destaca seu corpo e olhos. Não demora. – minha avó disse levantando-se.

Eu realmente não queria precisar soar na defensiva quando o assunto era Stefan. Aquilo havia me deixado acordada metade da noite e provavelmente mexeria restante do dia com meus pensamentos. Deixei que ela saísse do quarto e fui tomar banho. Parte de cima biquíni ( sim, o preto) e de baixo um short jeans velho. Amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo e olhei-me no espelho: não havia nada demais em mim, sinceramente, meus olhos castanhos e pele pálida. Nada sofisticado como Katherine ou Rebekah. Parecia uma garota comum. Tão patética quanto. Não me admirava Stefan ter tanto prazer em me arruinar.

Entrei na cozinha, coloquei café em uma xicara e fiquei olhando pela janela minha família se divertindo. Havia dois tios e suas esposas com filhos tomando banho no rio, imaginei a que horas eles haviam chegado... E ali não muito longe, mas também não tão perto para se enturmar estava Stefan. Ele lia a um livro que de longe não pude distinguir o nome. Usava camisa regata o que era um insulto, já que deixava seus músculos bem definidos de fora... Certo. Camisa regata e um short havaiano ridículo que agradeci mentalmente por estar usando: eu poderia me concentrar apenas nele. Seu cabelo estava grande e desgrenhado...

–Talvez você devesse ir falar com ele. – foi Jeremy quem disse atrás de mim.

No momento tomei um susto tão grande que quase derramei o restante do café.

–O que? Jeremy! Não sabe que não pode assustar pessoas com café quente na mão enquanto as mesmas estão... Distraídas?

–Você estava olhando pra ele. – Jeremy disse. Havia tanta convicção na sua voz que me deixou nervosa.

–Oi?

–Para Stefan. Vi o jeito que estava olhando pra ele. Como um cachorrinho abandonado.

–Oh, sem chances disso.

–Mesmo?

–Eu nem estava olhando para ele, por favor, Jeremy. Poupe-me.

Meu irmão riu. Detalhe importante: meu irmão mais novo!

–Céus Elena! Pare de ficar na defensiva.

–Não estou... Ok talvez mais ou menos.

–Então vai falar com ele...

–Ele está ocupado agora, não acha?

–Na verdade, acho que ele está esperando que você apareça.

Olhei para ele com olhos semicerrados.

–Ok. Qual é truque?

–Sem truques, Elena. Agora vai logo lá falar com ele, isso está me deixando nervoso.

Eu ia protestar é claro, mas ao invés disso caminhei até a varanda e falei com meus tios e família. Todos olhavam para mim de uma forma desconcertante. Queria que eles não estivessem pensando sobre mim e Stefan, mas estavam, é claro. De qualquer forma, no final acabei sentando na grama recém-aparada, ao lado dele. Olhei o titulo do livro. Sonho de uma noite de verão. Eu queria rir, mas sabia que isso causaria polemica. Então:

– Shakespeare. Impressionante.

Então Stefan tirou sua atenção do livro e olhou para mim. Foi então que pareceu perceber minha não tão notável presença. Seus olhos verdes esmeralda percorreram todo o meu corpo, literalmente, da cabeça aos pés. Eu queria muito me encolher, mas continue firme onde estava, sem me mover. Seus olhos estavam escuros quando encontraram os meus. Sua respiração pesada, como se estivesse se esforçando para tanto.

– Surpreendi Elena Gilbert. Por favor, alguém me dê um premio por isso.

Dei de ombros. Imaginei que ele estivesse chateado comigo por algo, então finalmente lembrei que não dava a mínima para isso.

–Trouxe esse livro umas 5 vezes para ler aqui. Tenho uma paixão por ele. Coisa de criança nerd pelo visto.

Stefan sorriu um pouco.

–O que foi?- perguntei diante do olhar incisivo dele.

–Nada. É só que você está aqui, conversando comigo sobre livro... É estanho, no mínimo.

Dei de ombros.

–Tudo bem então... — comecei a me levantar. Mas Stefan já havia agarrado meu braço. Seu contato próximo me deixando tensa.

– Eu não disse que estava incomodado com sua companhia. – me disse.

–E está?

–De forma alguma. – havia algo no sorriso dele que me deixava desconcertada.

Então finalmente voltei a sentar. E ele ficou surpreso por isso. Mas não tanto quanto eu. Porque na realidade eu queria estapear a mim mesma. Porque droga! que diabos estava havendo comigo?

Eu queria muito jogar o jogo dele, mas nunca tão boa em mentiras quanto Stefan. Então, naquele momento, quando sentei-me novamente, era porque eu realmente queria ficar.

Apresento-lhes o PRIMEIRO DIA COM ELE.

– “Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão.”- Havia satisfação na própria voz ao terminar o verso. Olhou-me e sorriu.

–Oh se acha isso impressionante precisa ouvir Bonnie. Ela pode declamar um livro inteiro. – eu disse de uma forma tão descontraída que pareceu natural.

Com isso Stefan riu. E tudo ficou bem pelas horas seguintes. Nós não conversamos muito mais que isso. Fui ajudar minha mãe na cozinha enquanto Stefan ajudava “os homens da família” no churrasco. E nós almoçamos e depois ele sumiu de vista, provavelmente foi dormir como todos haviam feito. E então no final do dia eu e Jeremy assistíamos á um filme na tv enquanto todos conversavam na varanda. Isso foi tudo até o jantar. Onde voltamos a nos ver, mas não houve nada mais do que simples olhares. Do tipo “eai?” “eai”. Mas isso não é relevante. O que realmente importa e o que vocês provavelmente querem saber é: quando voltamos a conversar.

E isso não demorou muito depois do jantar.

Stefan estava sentado na varanda. Usava uma camisa polo preta e jeans. Eu não teria ido até ele se não fosse à insistência da minha avó. Ela dizia que Stefan devia estar sentindo falta de Damon, mas eu duvidava muito quanto á isso.

–A noite está estupidamente bonita. – eu comentei sentando-me ao lado dele.

–De uma forma realmente estupida. – ele disse sem se virar.

–Já ligou para o Damon?- perguntei tentando quebrar o silêncio.

–Pela manhã.

–Ele está bem?

–Em Nova York.

–Oh.

–Tem uma garota lá. Uma garota que ele gosta muito.

Concordei apenas. Então Stefan virou-se para mim. Seus olhos aparentavam cansaço. Eu queria tanto, mas tanto perguntar a ele o porquê. Mas eu sabia que Stefan não seria nada além de ignorante se eu perguntasse, e de certa forma, eu até entendia.

–Elena. – ele pronunciou meu nome devagar.

–Sim?

Meu coração estava acelerado. Tão acelerado quanto o coração de uma estudante do colegial poderia estar.

–Posso perguntar uma coisa?

Concordei em silencio.

–No carro... Ontem. Você ficava sussurrando um nome.

–Ed. – completei para ele.

–Sim... Eu... Não quero ser intrometido...

–Ed tinha meses quando eu o conheci. – eu disse então. E percebi não havia falado sobre isso até aquele momento com mais ninguém. – Ele morava ali.

Apontei para a casa aparentemente abandonada do outro lado do lago.

–O que houve? – Stefan perguntou. Sua voz soava tão doce e delicada.

–Foi uma tarde de verão. Ele tinha 8 anos. Na época eu tinha 15. Está vendo aquela ponte ali? Do outro lado. – eu apontei e ele concordou. – estávamos todos aqui. Exatamente como hoje. E a mãe dele estava descendo a ponte devagar por causa das pedras... Ela estava vindo para esse lado do lago... Mas ele estava correndo atrás dela. E ele não sabia das pedras então ele escorregou e...

Fiz uma pausa longa. Tão longa que Stefan percebeu que eu não tinha como continuar a falar. Ele apenas encarava a ponte. Seus olhos desertos.

–Ele estava sozinho lá?- perguntou.

Suspirei. – Não. Não, ele não deveria estar sozinho lá. Eu deveria ter ficado lá com ele, foi o que a mãe dele me pediu... Mas eu tinha aquele estupido livro em mãos e... Eu não estava lá quando aconteceu e ela achava que eu estava.

Um longo silencio se seguiu. E Stefan olhou para mim. Seus olhos não mais desertos. Era mais ou menos como se ele estivesse tentando me confortar.

–Sinto muito. – ele disse.

–Tudo bem. – eu disse dando de ombros. – A mãe dele se mudou depois. Foi demais para ela ficar aqui e... De qualquer forma, eu sei que ela não me culpa. Eu sei que ninguém me culpa, mas...

–Você acha que deveria estar lá.

–Eu deveria. – olhei para ele.

E droga. Eu não deveria ter olhado para ele. Não daquela forma, não com aquela expressão desolada. Senti meu coração martelando no peito. E Stefan mal pareceu notar. Havia uma distancia considerável entre nós quando eu me sentei, mas naquele momento não havia quase nada. Estávamos tão próximos um do outro que eu podia sentir o hálito de hortelã dele.

Stefan ergueu uma das mãos e tocou meu rosto. Eu não me lembro de ter sentido coisa melhor na minha vida toda antes do toque dele. Ele acariciava a maçã do meu rosto. Seus olhos verdes escurecendo.

–”Você me atrai, como se fosse um ímã, um pedaço frio de ferro, duro como o seu coração”. – sussurrou próximo dos meus lábios. Tão próximo que imaginei qual seria o gosto do beijo dele.

–Stefan...

“Imã de coração endurecido, sou por vós atraído, mas de ferro não tenho o coração.” É assim, não é? Como pode seu coração se negar a....

–Stefan, por favor...

E Stefan Salvatore me beijou. Foi de longe o beijo mais demorado que eu já tinha recebido na vida, tão demorado que mal me lembrava de ser necessário oxigênio. O gosto do beijo dele era de hortelã e vinho tinto que tínhamos tomado no jantar. E céus. Ele era tão bom beijador! Era como se eu flutuasse em uma bola gigante pelo céu... Não. Era mais que isso, era uma sensação de segurança, porque quando Stefan colocou as duas mãos no meu pescoço e meu corpo foi obrigado a colidir com o dele, eu senti toda a tensão se esvaindo. Eu estava ali e não no céu, flutuando. Estava beijando o cara que mais odiava na vida. E não era nada como se de repente PÁ EU TE AMO STEFAN, na verdade havia muita raiva nisso tudo, e magoa e dor, e desejo. Claramente antes do carinho e amor que sentiríamos um pelo outro no futuro, aquele momento foi resumido em uma tensão sexual que vinha acontecendo entre nós desde a viajem. Ou sei lá, desde quando.

Notas finais
eu preciso comentar sobre? shueh ps: to sentindo muita falta de alguns leitores aqui :(