Without The Love
6 Capitulo 5. 7 dias antes
Notas iniciais
Quando todos nós nos abrigamos dentro da casa foi que começaram as apresentações. Stefan foi quem carregou a minha mala até lá, o que foi no mínimo estranho, mas não tão estranho quanto antes, no carro. De qualquer forma, minha avó estava completamente e irremediavelmente apaixonada por ele. (e isso era muito irritante!)
–Oh, então esse é namorado de Elena. De quem venho ouvido muito sobre. – ela disse com um sorriso quase cínico.
–Na verdade vó...
–É um prazer conhece-la, senhora Gilbert. Sou Stefan. Stefan Salvatore. — ele caminhou até ela e segurou sua mão. – Elena e eu somos apenas amigos, senhora.
–Oh, por favor, Stefan me chame de Tessa. Todos me chamam assim. – havia um prazer iminente nela ao fazê-lo. Mas eu não dei muita bola pra isso porque STEFAN TINHA ME APRESENTADO COMO AMIGA. AMIGA DELE. Acho que até meus pais se surpreenderam, mas foi Jeremy quem riu. Claro.
–Ok, isso é lindo, mas eu estou cansada. – disse enfim. Só pra quebrar o silencio.
–Elena, minha filha, não seja mal educada. Seu avô está tomando banho no momento e eu estou terminando o jantar. Porque não mostra ao seu... amigo, o quarto de hospedes?
Suspirei e concordei. Não era uma boa hora para discussão. Ainda mais com a minha querida avó que eu não via á quase um ano. Mas me deixava irritada todos amarem Stefan sem ao menos conhecê-lo antes, era ridículo o que ele conseguia só com a boa aparência e sorriso educado. Se ela ao menos soubesse o que ele tinha na mochila... Não. Reprendi a mim mesma pelo pensamento, aquela era a chance de concertar as coisas com ele, parar com as brigas. Devo dizer que eu não estava convencida em me tornar amiga dele, mas queria muito, por meus pais, acabar com isso tudo.
Caminhei até as escadas que davam para o andar de cima. Não olhei para trás para ver se ele me seguia ou se trazia as minhas coisas com ele. Esperava que sim. Paramos em um corredor longo com 8 quartos, o meu ficava no final do corredor e o de Stefan no meio, então apenas dei dois passos em direção a porta e inclinei com a cabeça.
–Ai está.
–Obrigado. – ele disse e me entregou a minha mala.
Porque ele realmente estava fazendo isso?
–Tudo bem. O banheiro é no final do corredor. Ao lado da porta rosa.
–Que presumo ser o seu quarto. – ele disse. A curva da boca se contraindo em um quase sorriso.
–Na verdade, é o quarto dos meus pais. Mas se quiser arriscar... Boa sorte – eu disse dando de ombros.
E Stefan riu! Ele realmente, pela primeira vez, tinha rido de algo que eu disse apenas porque achou engraçado. Posso dizer que fiquei sem graça.
–Olha, sobre o que aconteceu no carro... — Ele começou.
–Não vou contar a ninguém sobre as bebidas ou as drogas SE você me prometer que A) não vai dar emprestar vender ou negociar com Jeremy B) você não vai ficar bêbado ou chapado na casa da minha avó C) vai fumar ou beber apenas de noite, de preferencia depois da meia noite.
Ele estava com as sobrancelhas arqueadas quando terminei.
–Eu prometo, Elena. Mas não era sobre isso que eu estava falando.
–Do que estava falando?- perguntei apesar de saber exatamente do que ele estava falando.
Ele ia dizer algo, é claro, mas fomos interrompidos pelo barulho da porta do banheiro se abrindo, então meu avô saiu de lá. Estava todo arrumado e perfumado. Seus cabelos grisalhos ainda molhados. Quando nos viu no corredor abriu um largo sorrido.
–Minha Elena. – ele disse com os braços arqueados em pedido de abraço.
Caminhei animadamente até ele e o abracei fortemente.
–Oi vovô. – eu disse. – Senti saudades.
–Não tanto quanto senti a sua e do seu irmão. – ele disse sorrindo. Então levantou o olhar para Stefan, ainda parado com as mãos no bolso da calça. – Quem é esse? O garoto quem falou de você...
–Vô esse é Stefan. Stefan esse é o meu avô. –fiz as apresentações.
Stefan caminhou até nós e ergueu a mão.
–É um prazer conhece-lo, senhor Gilbert.
–Hum. Fique sabendo rapazinho que se machucar minha neta mais uma vez, você vai se ver comigo, estamos entendidos?
Stefan baixou o braço e limpou a garganta. Claramente desconfortável.
–Nunca foi a minha intenção machuca-la, senhor.
–Então quer dizer que aquele maldito insulto naquele estupido site não foi você quem escreveu?
Stefan me olhou rapidamente. Ele estava quase implorando pra mim. E apesar de, claramente, eu estar adorando aquilo. Interrompi a conversa.
–Vô...
–Não senhor. Eu nunca escreveria aquilo sobre sua neta, senhor. Ela não é nada do que estava escrito naquele site. Ela merece meu respeito. – Stefan disse então.
E eu olhei surpresa para ele. Ele estava mentindo para o meu avô? Mas por quê? E porque sobre isso? Afinal, todos sabiam a verdade.
–É claro que merece. – meu avô respondeu, ainda encarando Stefan. – Eu gosto de você, rapaz. Mas não confio minha neta com você por perto. Então vamos deixar claras as coisas que, eu tenho certeza, Grayson não deixou. Nessa casa eu não permito: bebidas, drogas, festas (qualquer tipo delas), garotas que não sejam da família, e claro, o seu quarto é seu quarto, você não precisa ficar andando pelo quarto...
–VÔ! Olha, aprecio a sua preocupação. Mas isso não é relevante. Stefan não vai causar problemas. – eu disse olhando para ele. – nós já conversamos sobre isso.
xxx
Tudo depois disso foram só sorrisos. Esperei até que Stefan finalmente desistisse de conversar sobre o episodio do carro e eu pudesse tomar um banho relaxante. Parte de mim estava muito assustada com a coisa toda do sonho e das imagens que ele trazia... Outra parte estava mais ligada para a forma que Stefan estava agindo, estava sendo quase simpático comigo. O que era realmente muito estranho porque quase nunca trocávamos muitas palavras. Eu queria muito acreditar que talvez ele estivesse sendo completamente sincero e honesto comigo.
Mas obviamente não estava. Passamos os últimos 7 anos nos detestando, e agora assim, do nada, ele resolve da um trégua? A troca de que? Do cansaço? Duvidava muito sobre. Stefan Salvatore estava planejando uma. Eu tinha quase total certeza. Pensei sobre o que Katherine havia dito, Stefan iria quebrar meu coração seu deixasse, e talvez Matt estivesse certo sobre meus sentimentos. Talvez eu começasse a sentir ou pensar coisas que não deveria. Então eu estaria presa na pior das armadilhas dele. O detestável porem quase irresistível charme que ele tinha. Obviamente eu não deixaria que isso acontecesse. Não comigo.
Desci para o jantar meia hora depois, Stefan já estava lá e, para minha surpresa parecia satisfeito com uma conversa aparentemente agradável com minha avó e minha mãe. Ele estava sentado entre minha avó e Jeremy. Então me sentei ao lado do meu pai do outro lado da mesa.
–Estávamos falando de todas as brigas que tiveram ao longo dos anos, Elena. – minha avó disse.
Olhei para Stefan, que é claro, já estava olhando para mim.
–Estavam?
–Sim. Lembra quando tínhamos 12 anos e você encheu meu armário de roupa suja? Até hoje ainda não descobri como conseguiu minha senha ou as roupas...
Todos estavam rindo. Mas eu não. Aquilo não era engraçado, não para eles. Havia sido sim engraçado, claro. Mas para mim. E Bonnie e Matt.
–Sua senha era 1234 não era tão complexa assim, Stefan. E as roupas sujas eram... Não posso dizer isso.
Apesar do evidente insulto Stefan ainda estava sorrindo para mim. Aquele tipo de sorriso que seria capaz de deixar qualquer garota a flor da pele.
–Porque fazia essas coisas, Elena? Isso não me parece com o seu tipo. – minha avó disse.
–Oh, vamos lá. Elena sempre adorou pregar peças nas pessoas, não é mesmo?- meu avô comentou.
–É, mas isso... Quebrar um carro... Isso foi demais até para ela. – meu pai murmurou.
Estavam todos falando de mim comigo presente, e isso me irritava muito.
–Stefan também fez coisas ruins para mim. Não contou a eles sobre isso?
–Sobre o que?- Stefan perguntou surpreso.
–Quando colocou chiclete no meu cabelo. Quando me empurrou da escada quando tínhamos 14 anos. Eu quebrei o braço por isso.
–Ora, por favor, Elena. Erámos crianças. E além do mais, você sempre foi muito melhor do que eu em termos de vingança.
–O que quer dizer?
A essa altura todos estavam calados na mesa.
–Tínhamos 11 anos quando coloquei o chiclete no seu cabelo, o que foi estupido, mas erámos crianças e ex-amigos e eu estava com raiva de você por ter parado de falar comigo do nada.
–Awn que fofura. – minha avó exclamou.
Revirei os olhos.
–Então jogou chiclete em mim? Por isso? Porque estava “chateado”?
–Sei lá. Parecia o certo na época. Mas o que interessa? Porque você se vingou bem melhor do que eu. Lembra?
Eu queria continuar séria. Mas apenas a simples lembrança me fazia querer rir.
–Eu coloquei o máximo de chicletes possível no seu boné antes da campa bater e quando você o colocou...
–Eu quase fiquei careca por causa disso.
Eu sempre imaginei que Stefan ficaria eternamente magoado e ressentido por isso, todos sabiam que ele adorava aquele cabelo dele. E sim, ele sempre foi lindo, a cor mel destacava o rosto e os olhos, e sempre esteve bem penteado (exceto naquele momento). Mas Stefan estava rindo disso! Estava sorrindo comigo. E todos na mesa nos encaravam calados. E apesar de ter sido legal e tal não era nem um pouco confortável.
Fale com o autor