Without The Love
5 Capitulo 4. 7 dias antes.
Notas iniciais
Stefan chegou à minha casa por volta das 16h30min, o que era relativamente cedo já que nós só sairíamos de lá ás 18h00min. Mas isso não foi infortuno nenhum para meus pais, já que ambos passaram as horas seguintes conversando sobre o campo e como o lago era bonito e em como Stefan nem notaria o tempo passar. De certa forma eles tinham razão, o lugar realmente era muito bonito, desde pequenos eu e Jeremy adorávamos a ideia de visitar nossos avós maternos e passar semanas por lá.
–Elena você já pode guardar esse celular- minha mãe disse em alguma pausa da conversa.
–Mas mãe...
–Sem “mas” Elena. Ou você guarda o celular e participa da conversa ou lê um livro.
Murmurei algo como “okay”, ciente do olhar de Stefan em mim.
Eu estava começando a ficar desconfortável com isso. Stefan tinha esse peso no olhar, como se ele estivesse calculando cada movimento meu. Era desconcertante. Mas a ideia de Stefan olhar para mim não me deixava chateada... Como posso explicar... Acho que estava incomodada por estar incomodada. De qualquer forma, depois disso voltaram a conversar e eu comecei a ler um livro de onde tinha parado umas semanas atrás.
Entramos no carro exatas 18h00min (meu pai era um homem muito pontual), e se seus cálculos estivessem certos (realmente estavam) nós chegaríamos antes das 20:00. Eu estava sentada no meio e Stefan e Jeremy nos meus dois lados (só como informação) e apesar do contato próximo não dei a mínima para ele durante boa parte da viajem, e nas poucas vezes em que me virei para olha-lo (discretamente), ele estava com fone de ouvido e a cabeça encostada na janela do carro. Lembro-me de ter pensado que Stefan estava realmente magro naquela época, não que ele fosse gordo antes ou agora, mas Stefan Salvatore tem o corpo esbelto, músculos bem definidos e o físico dos sonhos de qualquer garoto... E naquele momento, olhando tão de perto como eu estava, ele parecia cansado, a expressão do rosto vazia. O cabelo emaranhado como se não se desse o trabalho de arrumar á dias...
–Perdeu algo?- ouvi sua voz grossa sussurrar. Ele estava abrindo os olhos e virando-se para mim quando eu me voltei para frente.
–Não. – respondi cética. – Estava apenas olhando pela janela. Não posso?
Ele sorriu para mim. A curva da boca se contraindo.
–Pareceu outra coisa. — ele disse.
Olhei para ele. Seus olhos encontrando os meus. Tão perto que conseguia sentir o cheiro de álcool no hálito dele.
–Está bêbado?- perguntei o mais silenciosamente possível.
–O que? Obviamente... — ele ia começar a dizer algo, mas não importava porque eu já estava, digo isso literalmente, cheirando ele. Minha boca próxima da sua. Eu me sentiria desconfortável se a tensão no corpo dele não tivesse entregado o jogo. Ele estava realmente surpreso.
–Por favor, diga que não trouxe bebida. – perguntei afastando-me novamente. O suficiente para conseguir sussurrar e ser ouvida apenas por ele.
–Duas garrafas?
Olhei para ele. Tão firmemente que achei que Stefan fosse rir.
–Okay. Talvez algumas... Não importa, não vão me pegar. – ele disse dando de ombros.
–Você trouxa drogas?- perguntei.
–O que? Claro que não! Não seja estupida, Elena. Não traria drogas para a casa da sua vovozinha. – ele disse.
Ele estava mentindo. Foi à primeira vez que eu soube como Stefan ficava quando mentia. Começava com esse “O que?” e terminava com algo irônico. Eu protestaria até fazê-lo confessar, mas ao invés disso voltei-me novamente para frente, evitando o olhar dele.
–Ok.
–Ok?
–Dorme, Stefan. – eu disse.
Com isso Stefan me lançou um olhar surpreso e depois se voltou novamente para a janela. Sua cabeça encostada sobre ela.
Depois disso apaguei completamente. Lembro-me de ter sonhado com a casa do lago, meus avós, meus pais e Jeremy no verão de 2011, eu sabia exatamente a data porque meu cabelo ainda estava liso e sem franja. De qualquer forma, estávamos todos sentados na beira do rio. Meu pai e um homem conhecido conversavam enquanto minha mãe e minha avó chamavam por uma mulher alta e esguia do outro lado do rio. Havia uma casa lá, pequena e parecida com as dos meus avós. Cecily. Era o nome da mulher, pude reconhecer minha mãe chamando por ela com um sorriso no rosto, eram amigas desde o colegial.
Ela estava descendo a ponte com cuidado por causa das pedras que havia por ali, um pé de cada vez, até que estava pronta para mergulhar, completamente longe da pedreira. Cecily não notou nem por um segundo minha mãe gritando por ela, seu marido já estava se levantando e preparando-se para nadar, mas era tarde de mais para isso. Havia uma criança, tinha 8 anos no máximo, estava correndo atrás da mãe, e tinha a ponte e a pedreira... Muito sangue...
–Elena! Elena!- alguém sussurrava meu nome. Diversas vezes. Assim como no sonho. Ed. Ed. Elena. – Elena, acorda.
Abri meus olhos rapidamente, acho que estava suando á essa altura, olhei para os lados e me encontrei sobre Stefan. Eu estava, realmente, deitada na perna dele, ele segurava o meu braço com força e havia tensão na sua voz. Eu olhei para ele rapidamente, e tão rápido quanto, desviei e me sentei novamente. Meu rosto começando a ruborizar. Há quanto tempo eu estava naquela posição? Com ele ali segurando meu braço... Ele estava segurando meu braço? Agradeci silenciosamente por estar escuro demais para que ele pudesse me ver.
Olhei para frente e meu pai estava dirigindo ouvindo Beatles enquanto minha mãe dormia. Jeremy também estava deitado com a cabeça apoiada na janela. Ninguém exceto Stefan parecia notar minha perturbação.
–Você está bem?- ele perguntou.
Por um momento pensei ter sentido que ele realmente estava preocupado.
–Estou ótima. — disse apenas. Respirei fundo e contei até 10.
–Não. Você não está. Estava tendo um pesadelo, não?
–Não deveria ter deixado que eu... Eu estava dormindo!- sussurrei incrédula.
–Ah.
–Ah?
–É por isso que está assim?- perguntou. Havia uma naturalidade na sua voz. – Pensei que eu não tivesse poder algum sobre você.
–Não tem.
–Então porque está assim?
–Foi algo no sonho... Esqueça.
Stefan abriu a boca para protestar obviamente, mas meu pai o interrompeu.
–Chegamos.
Pela janela do carro pude ver a casa se aproximando, algumas poucas luzes iluminando o lago e a ponte. Fechei os olhos e acalmei minha respiração. Só um sonho, Elena.
–Graças a Deus. – sussurrei e pude capturar Stefan me olhando de relance.
Que diabos estava havendo?
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