Witcher Soul - Parte 1
2 O Poder de Melias
Episódio 2: O Poder de Melias
— Certo, então não machuque a criança. — este seria o pedido de Melias, enquanto o mesmo tira um de seus bens de seu bolso.
— Faça mais rápido! Se eu perder minha paciência vai morrer você e o garoto! — O homem grita, já impaciente.
Melias joga para cima sua bolsa de moedas, o saqueador acompanha a bolsa com seus olhos, e em questão de instantes recebe um golpe pela retaguarda, livrando Hitori daquela situação. O golpe teve origem do clone de Melias, que seria sua silhueta com olhos vermelhos.
Então você tem truques... Seu grande pedaço de merda, isso não é nada! — O saqueador explode de raiva, fazendo uma enorme barulheira. De suas mãos nascem gelo, então o homem começa a congelar o chão, com o objetivo de congelar os pés de Melias.
Melias pega Hitori e salta para a árvore em sua frente, enquanto isso o clone de sombra desfere diversos golpes contra o saqueador, golpes esses que vêm de direções totalmente distintas, mostrando sua alta velocidade. Após diversos golpes, o homem desmaia.
Hitori após ver a vitória de Melias pula da árvore onde estava, acaba escorregando devido ao gelo que ainda estava no chão. Já Melias pula cuidadosamente, sem sequer ameaçar que poderia escorregar ali.
— Saqueadores... Eles são comuns quando estamos fora da fronteira de algum reino, mas realmente não esperava um encontro com eles. — Melias diz com um tom desanimado.
— Ei, Meli, ainda vamos acampar aqui? Eu tô morrendo de sono mas tô com medo de dormir e sermos atacados de novo... — Hitori ainda no chão se expressa, Melias também compartilhava do mesmo receio.
— Há um vilarejo aqui próximo, deveríamos parar para descansar lá, o problema é que só chegaríamos próximo do amanhecer. — Enquanto Melias explica, o garoto levantava do chão escorregadio de uma forma dificultosa, escorregando várias vezes novamente.
— Tudo bem! Eu consigo aguentar até la! Vamos chegar neste vilarejo juntos! — Hitori diz de forma empolgada, logo depois é interrompido por um bocejo repentino.
Melias solta uma pequena risada, então os dois partem à viagem novamente. Após algum tempo, Melias estaria carregando Hitori em suas costas, enquanto o mesmo dormia profundamente. Melias também parecia cansado, mas se via na obrigação de chegar na Vila das Laranjeiras, onde seria um local seguro para ambos descansarem.
Quando Melias finalmente chega ao tal vilarejo, procura o hotel mais próximo da entrada. Após encontrar o hotel que tanto procurava, Melias alugou um quarto com duas camas, e então os dois puderam descansar um pouco.
Na manhã seguinte...
Hitori abriu os olhos e enxergou aquele teto de madeira, percebendo que está em um lugar diferente. Ele levanta seu torso e olha para o lado, vendo que a outra cama está vazia. Ele sai do quarto e caminha sobre os corredores daquele hortel, procurando o banheiro mais próximo. O Garoto vai com suas pálpebras quase fechadas, bocejando a cada minuto, seus passos naquela madeira velha faziam um barulho que irritava os outros clientes, mas Hitori não percebia.
Após encontrar o banheiro mais próximo, não consegue achar uma pia de seu tamanho, então pega um caixote cheio de roupa que também se encontrava no banheiro, joga as roupas que estavam lá dentro pela janela, o leva até a pia e usa de apoio para alcançar a torneira e finalmente poder lavar seu rosto. Secando seu rosto com sua camiseta, Hitori não vê seu reflexo no espelho, e sim uma figura extremamente macabra, que sorri enquanto encara ele. Hitori que era medroso, solta um berro estrondoso e sai correndo dali, assustando o outro homem que estava em um pequeno cômodo do banheiro tomando banho.
Hitori vai correndo pelo hotel, fazendo um escândalo e acordando todas as outras pessoas que apenas queriam descansar. Quando encontra Melias próximo ao balcão da entrada, Hitori puxa suas roupas a fim de chamar sua atenção. Ele relata o que viu com lágrimas em seus olhos, e pede ajuda para resolver aquilo.
Melias pousa um dos joelhos no chão e coloca uma de suas mãos no ombro de Hitori — Depois da batalha de ontem, com certeza você apenas teve um pesadelo, mas não precisa se preocupar. — Ele tira uma moeda de ouro de seu bolso — Nós vamos comer bastante esta manhã! — Melias diz ainda no tom calmo, mas com um sorriso e uma piscada em um de seus olhos.
— ONDE ESTÃO MINHAS ROUPAS? — Um grito pode ser ouvido por todo o hotel. Seria o homem que acabou de sair do seu banho.
Hitori rapidamente esquece o que havia passado e pensa no que vai pedir. Ele vai pensando o caminho todo, até chegar na taverna. Era uma bem simples, totalmente característica, com seus detalhes semelhantes a de qualquer outra taverna de uma vila aleatória. Hitori se senta em uma das mesas, e aguarda pacientemente com um grande sorriso no rosto. Sem precisar pedir, Melias traz sua comida favorita, peixe empanado e limões. Hitori encara seu prato com seus olhos brilhando, Melias apenas olha aquela situação com um gentil sorriso.
— Coma bem, ainda temos muito o que caminhar até Astarel. — Melias aconselha.
— Astarel é tão legal assim? Eu sei sobre ela mas nunca a vi de perto... — Hitori pergunta, curioso sobre o reino.
— Você nunca saiu de WaterHill, vai se impressionar com o tanto de reino que existe em Auroxl. — Melias acidentalmente ignora a pergunta de Hitori, mas diz algo que lhe agrada.
— Você acha? Eu tenho medo... Não sei o que vai acontecer daqui pra frente. Você é muito incrível, Melias, você tá fazendo a gente sair dessa. — O pequeno garoto se expressa. Ele aperta suas roupas e olha para baixo, estaria sentindo algo tremendamente ruim naquele momento.
— Vocês são de WaterHill?! Como conseguiram escapar?! — O homem que estava na mesa ao lado pergunta quase que gritando. Sua pergunta atraiu a atenção de todos na taverna, que lhes encheram de perguntas logo em seguida.
— Desculpem-me, mas terei que sair. — Melias deixa o dinheiro na mesa, pega na mão de Hitori e sai do estabelecimento com muita pressa.
— Não podemos perder tempo, temos que ir logo para Astarel. Chamar a atenção não irá nos ajudar. — Melias continua caminhando rapidamente, a fim de sair daquela vila o mais rápido possível, mas alguns dos interessados os seguem.
Melias começa a correr, Hitori era puxado e tentava segurar o mais firme possível o peixe que trouxe da taverna. O garoto quase flutuava sobre o chão enquanto era puxado por Melias. A trupe dos bisbilhoteiros continua correndo atrás deles, o que faz Melias entrar pelos becos da vila. Ele permanece entrando em diversos becos, até finalmente se livrar dos curiosos.
— Conseguimos. — Melias estaria meio ofegante enquanto dizia aquelas palavras.
— Tudo isso para ter mais informações... — Hitori parecia estar confuso com toda aquela situação.
Melias descansa um pouco no local, e alguns minutos depois volta para as ruas do vilarejo, até finalmente chegar à saída junto com Hitori.
Ambos caminham tranquilamente em direção à Astarel, que ainda estaria há dois dias de distância, mesmo assim ainda não os desanimava.
O dia de caminhada foi tranquilo, Hitori e Melias não conversaram tanto quanto da primeira noite, estavam cansados pelas últimas horas. Ao pôr do sol, decidiram procurar um lugar mais discreto, para não serem surpreendidos novamente por algum saqueador. Acabam por achar, e seria uma caverna entre a floresta — o lugar perfeito — onde esta noite dormiriam tranquilamente.
A noite chegou, e antes que desse meia noite os dois já começaram a dormir, preparados para a longa caminhada que o outro dia seria.
— Mate ele... Mate ele... — Hitori escuta um sussurro, era tão alto que parecia estar ao seu lado.
Quando abre seus olhos, vê que não está mais naquela caverna. O ambiente ali não tinha paisagem, o chão era uma infinita poça de água escura, o horizonte era um branco morto infinito.
— Mate ele... — O sussurro ecoa pelo ambiente, um pouco da água daquela infinita poça começa a subir, e então encosta seu ombro, se materializando em uma mão, cuja pele era gosmenta e a cor vibrava constantemente. Era assustador para o garoto, que estava paralisado de medo.
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