Witcher Soul - Parte 1
3 Pesadelo
Episódio 3: Pesadelo
— Mate-o... — Algo começa a sair daquela poça, lentamente vai se materializando, porém não conseguia sair daquela forma abstrata. A mão continuava no ombro de Hitori, que permanecia paralisado de medo.
— Eu preciso parar ele... Preciso que ele pare. — A voz ecoava falhando, a pessoa quem dizia parecia estar cansada, mas ainda continuava num tom assustador, uma voz feminina seca.
— Por que não consegue? Eles destruíram seu lar, só restou apenas você... — A forma abstrata feita da água daquela poça parecia estar batalhando para se materializar, porém acaba voltando para a água novamente, se misturando com o infinito.
Hitori olha para a água, sem mover nenhum músculo e sem conseguir dizer uma palavra ele permanece ali, até que a forma volta novamente, mas vai em sua direção rapidamente, assustando o garoto.
Ele grita o máximo que pode, até acabar seu fôlego, e quando abre os olhos percebe que já era outro dia, e que ainda estava na caverna.
— O que aconteceu, Hitori?! — Melias preocupado com aquela situação pergunta.
Hitori em primeiro instante abraça fortemente Melias.
— Tinha um monstro falando comigo, Melias. Eu não tava aqui, era outro lugar... — Hitori descreve resumidamente o que passou com sua voz roca, parecia que estava segurando o choro.
— Você passou por muita coisa desde que chegou, por isso está tendo tantos pesadelos. Quando chegarmos em Astarel você...
— Não foi um pesadelo! Foi tudo de verdade! Não parecia um pesadelo! — Hitori interrompe Melias, tentando provar que aquilo não era criação de sua mente.
— Hitto, não se preocupa, pra você esquecer iremos a vários lugares lá em Astarel! — Ele tenta novamente animar o garoto, como da última vez.
— Certo... — O garoto parecia triste por Melias não entender. Ele então saiu da caverna e esperou calado os dois voltarem para a caminhada.
Melias sentia que não era hora de se preocupar com aquilo, pois ainda havia assuntos muito mais urgentes — mesmo que ele soubesse perfeitamente o que Hitori estava passando — . Ele então apenas começou a longa jornada de caminhada novamente. Os dois não se falavam novamente; Melias parecia preocupado com o que aconteceu em WaterHill, e Hitori estava pensativo sobre o recente ocorrido, tentando entender o que se passava.
Enquanto ambos estavam perdidos em seus pensamentos, seus rostos eram cobertos por gotas d'água; havia começado a chover. A chuva representava bem o que os dois estavam sentindo naquele momento; ainda não haviam superado realmente a destruição de seu lar.
— Sinto falta dos meus amigos da escola, queria poder ter eles de novo. — Hitori então solta a primeira frase depois de horas de silêncio. Ele expressa o que sente.
— Queria que meus parceiros estivessem aqui também. Era sempre bom tê-los por perto. — Melias também não oculta o que sente.
— Eu acho que ainda vou ver eles de novo, eles não podem sumir, eles ainda estão por aí... Em algum lugar. — A fala de Hitori serve mais para lhe confortar do que ter certeza.
— Eu tenho esperança de que muitos estejam vivos, Hitto. Eu quero acreditar nisso e continuar seguindo. Quero ver muita gente de novo. — Melias responde o garoto.
— Estamos indo pedir ajuda para Astarel, com a ajuda deles nós vamos poder encontrar quem escapou, não é? — Hitori pergunta.
— Vamos. O reino de WaterHill não foi destruído, não com a gente aqui. Eles levaram nossas famílias, nossos amigos, mas não a gente. Quando encontrarmos quem restou, iremos reconstruir. — Melias parecia confiante do que dizia. Havia um pequeno sorriso fechado em seus lábios.
— Reconstruir... Eu quero ver tudo de novo. — Hitori fecha seus olhos e abre um sorriso.
Eles continuam a caminhar, dessa vez um pouco mais tranquilos sobre seu presente e futuro. Hitori ainda estava determinado em achar seus tios, ele tinha certeza que estavam vivos.
Algumas horas se passam, mas eles não param para descansar. A este ponto, Astarel já não estava tão longe, então logo chegariam no destino de origem.
Após caminharem pelo tempo restante de viagem, escutaram alguns barulhos de explosões vindo do reino, então correram rapidamente para a fronteira, até se depararem com uma batalha.
Pelo o que aparentava, haviam três soldados do reino de Astarel enfrentando uma maga que estava flutuando. Ela repetidas vezes lançava magias de explosões contra eles, os obrigando a se manterem distantes e na esquiva. A situação parecia crítica para os soldados.
— Fique aqui atrás deste arbusto, vou enfrentar aquela mulher junto com os guardar! — Melias ordena ao garoto, Hitori apenas obedece, já que só iria atrapalhar se fosse junto.
A garota continua lançando magia de seu cajado, ela simplesmente não para. Seu olhar era de louca, e sempre estava com um contorcido sorriso em seu rosto.
— Vocês pensam que podem derrotar a poderosa Drina? É sério?! Drina ri de vocês! — Gritaria enquanto ainda atacava os soldados. Ela se referia em terceira pessoa.
— Calada! Você só se acha boa porque tá aí voando e lançando magia de longe! Não passa de uma medrosa birrenta! — Um dos soldados já revoltados grita para Drina.
— Medrosa? Você chamou Drina de medrosa? E de birrenta?! Drina acabou de perceber que você não tem nem sequer um pingo de vontade de viver! Morra de uma vez, velho babaca! — Ela aparentava estar furiosa, tão furiosa que lança uma magia mais poderosa do que as outras; uma enorme bola mágica que iria causar uma grande explosão. Ela lança contra todos ali.
Melias junto de seu clone utilizam suas espadas para atacar a bola, com tamanha destreza e suavidade em manipular a lâmina de sua espada, conseguem devolver a bola para o lugar de onde foi lançada, acertando Drina e fazendo a mesma cair. Ela estaria repleta de queimaduras leves após ser acertada por sua magia. Não parecia estar consciente, e mesmo desmaiada, continuava sorrindo.
— Essa garota me dá medo... Que menina estranha. — Hitori fechou seus olhos e estremeceu um pouco. Ainda estava escondido pelos aburstos, mas decidiu sair quando viu que a garota havia sido derrotada.
— Você é incrivelmente forte, Melias. Mostrou pra ela quem manda! — Hitori elogia seu primo, estando bastante empolgado em suas palavras e em sua expressão corporal.
— Eu devo concordar com o pequeno garoto, Melias. Aliás, quanto tempo. — Diria uma figura misteriosa enquanto se aproxima do que está acontecendo.
— Minha princesa! — os guardas dizem quase ao mesmo tempo, então fazem reverência.
— Nicha? Nossa, faz muito tempo mesmo. — Melias reconhece facilmente a garota. Ele a responde com um sorriso no rosto, coçando sua nuca por estar meio sem jeito.
Hitori que seria tímido se esconde atrás de Melias.
— Esse garoto é seu irmão? Eu nunca soube que você tinha um irmão... — Ela pergunta, curiosa sobre Hitori, o olhando fixamente.
— É meu priminho... Trouxe ele junto comigo após... Bem, precisamos conversar em um lugar melhor. — Melias sugere, a expressão de felicidade aos poucos foi embora.
Os guardas levam Drina para a prisão, enquanto Melias, Nicha e Hitori vão para o castelo de Astarel. Melias e Nicha conversavam enquanto caminhavam juntos, Hitori estaria fascinado ao ver um reino totalmente diferente de onde veio; as duas eram feitas de ladrilhos, as casas eram de madeira, mas madeiras pintadas de branco azul, e haviam diversas torres que preenchiam a paisagem do reino.
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