Episódio 1: A Destruição

No continente de Auroxl morava uma criança normal, cujo o nome atendia por "Hitori". Mais especificamente, vivia no reino de WaterHill, um das dezenas de reinos do continente.

Sua aparência era de um pequeno garoto com cabelos brancos e cheios, tendo grande parte deste cabelo encaracolado. Tinha os olhos verde esmeralda, mas o que mais de destacava era sua feição que se sempre estava meiga.

Era cuidado por seus tios desde seus três anos de idade, e ia para sua escola normalmente. Hitori não era uma criança especial ou prodígio, apenas aproveitava o agora e se divertia com os poucos amigos que tinha. Ele era tímido e inseguro, porém não triste, pois era bem tratado por todos a sua volta.

Não tinha nenhum objetivo, pelo menos não ainda. Aquilo martelava a sua pequena cabeça, que não entendia nada sobre o mundo.

Em mais um dia de seu cotidiano, ele foi à escola, e saiu dela com seus amigos de sempre, mas aquele dia foi diferente; ouvia um sussurro bem baixo, que ia aumentando com o passar do tempo. Enquanto seus amigos se divertiam e conversavam, Hitori se mantinha perplexo sobre aquela situação.

Ele olhou envolta, o colorido e vívido reino em que vivia estava cinza e morto, totalmente o oposto. Seus amigos que antes conversavam, simplesmente param de se mover, começando a derreter como se estivessem sendo engolidos por intensas chamas.

Hitori não sentia mais nada, apenas seus olhos perdendo o foco, e tudo ficando embaçado, até que cai desmaiado.

O que era aquilo? Uma ilusão? Um aviso? Quem sussurrava para ele? Essas perguntas não tinham respostas, mas naquele dia, perguntas ainda mais interessantes surgiriam.

Pois na noite daquele dia WaterHill sofreria o ataque que não recebeu durante centenas de anos.

— Estamos sendo atacados! — Um dos guardas grita, e então uma sirene de barulho estrondoso começa a ecoar por todo o reino, causando pânico em todos os civis.

Estava um caos, haviam explosões acontecendo por todo o reino. Pessoas sendo assassinadas nas ruas por invasores e guardas perdendo as batalhas contra as forças inimigas. Toda aquela noite foi repleta de desespero e destruição, e quando o outro dia amanheceu não havia mais nada, além dos restos de uma longa batalha.

Quando Hitori acordou, viu de relance os corpos de seus amigos no chão. Ele viveu com eles desde que se lembra como pessoa, então ao presenciar aquilo apenas caiu em lágrimas, sem ter forças para levantar. Quando apenas subiu seu torso, viu a tamanha destruição que o seu reino havia sofrido. As casas estavam descontruídas, as ruas com diversas crateras, corpos jogados no chão e sangue escorrendo pelas beiradas das ruas. Para uma criança de 11 anos, aquilo era pior que o inferno, ele não sabia o que fazer, então apenas se deitou novamente e tentou imaginar que fosse algum pesadelo, esperando acordar em sua cama.



"Hitori! Acorda! Ei, Hitori!" Hitori escuta este chamado enquanto acorda com sua visão e audição turvas. Não estava mais naquele lugar infernal, agora se encontrava dentro de sua casa. Quem estava o chamando era Melias, seu primo que ele tanto admirava.

— Melias? Eu fico tão feliz que você não tenha morrido... — Hitori que era uma criança chorona, cai em lágrimas quando vê que seu primo está bem. Aquilo trazia um pequeno alívio ao seu coração que se encontrava confuso e em desespero.

— Também estou muito feliz em te ver, Hitto.— Melias compartilha do mesmo sentimento de alívio que Hitori tinha naquele momento. Para aliviar ainda mais o garoto, o chamava pelo velho apelido. — Cheguei de missão hoje mais cedo, eu não acreditei no que eu vi... Todos na minha casa estão mortos... — Melias explica com um semblante triste em seu rosto, ele parecia muito abalado, mas tentava manter a calma para não deixar Hitori assustado. — Mas que bom que você está a salvo, eu estava com medo de ter acontecido alguma coisa com meu primo preferido. — Ele finaliza com um sorriso forçado. — Melias sempre foi um homem de respeito, mesmo em um momento onde perdeu tudo o que protegia com sua vida, continuou se preocupando com o pingo do que sobrou: seu primo.

Melias leva Hitori para casa, onde não lá não estava seus tios. A casa estava vazia, então Melias colocou Hitori na cama calmamente.

— Você acha mesmo que todos estão mortos? Eu quero acreditar que muitos dos nossos fugiram a salvo. — O pequeno garoto diz enquanto limpa as lágrimas com suas mãos.

— Tenho certeza que muita gente conseguiu se salvar, e ainda temos outras três pessoas que estavam fora em missões especiais. Eles escolheram justo um dia de feriado para nos atacar, significa que já estavam planejando isso há um bom tempo... — Melias fica pensativo enquanto olha para o horizonte pela janela.

— Espera! Onde estão meus tios? Não me diga que...

— Eles não estão aqui. — Melias interrompe o quase surto do garoto. — Acredito que tenham escapado, e que estão a salvo agora. — Ele explica ao garoto a sua ideia, com o objetivo de acalma-lo.

— E eles foram sem mim? Por que me deixariam? — Hitori pergunta com pequenas lágrimas em seus olhos, estava notavelmente com medo.

— Provavelmente não tiveram tempo de te procurar, ou quem sabe tentaram e não conseguiram. Mas sei que estão preocupados com você. — Melias explica enquanto pega a sua espada na mesa e a coloca em sua bainha que ficava na cintura.

— O que tá fazendo? — O garoto pergunta, curioso.

— O sistema ferroviário pra cá fechou ontem quando souberam do ataque, então vamos ao reino mais próximo caminhando. — Melias dá a mão para ajudar Hitori a se levantar.

— Astarel? — Hitori pergunta enquanto se levanta com a ajuda de Melias.

— Sim. Sou um velho amigo da princesa de lá. Tenho certeza que ela vai querer nos ajudar a encontrar os habitantes que fugiram. No momento precisamos focar em achá-los, e depois a gente vê o que pode ser feito. — Melias caminha até a porta de saída e gira a maçaneta. O brilho daquela tarde ardia nos olhos do garoto, que também limpaza as lágrimas restantes.

Melias e Hitori começaram a caminhar rumo à saída do reino, ambos pareciam tristes e cansados. Era difícil perder tudo o que tinham, ainda mais de repente.

Seriam três longos dias de viagem, com bastante tempo para os dois pensarem em sua antiga vida, e que nada daquilo voltaria novamente. O caminho até a primeira noite não teria apenas remorso, e sim muitas conversas divertidas para ambos se animarem. Hitori e Melias se davam bem desde sempre, eram além de primos melhores amigos.

Na primeira noite, acamparam fora da trilha e fizeram uma fogueira para dormirem mais tranquilos, só que antes de caírem no sono começaram a escutar barulhos vindo das moitas.

— O que tá acontecendo? Tem alguém aqui... — Hitori estaria claramente com medo. O garoto era medroso e chorão, não poderia fazer muita coisa caso alguém aparecesse.

Antes que Melias pudesse responder, um homem surgiu da escuridão da floresta e agarrou Hitori pela retaguarda, usando a criança como refém, apontando a lâmina de uma adaga na garganta do garoto.

— Quero que ouça minhas exigências com atenção... — O homem começa seu pedido com uma voz sombria. — Você vai me dar tudo o que tem de valor, senão corto a garganta dessa criança. — Ele aproxima mais ainda a lâmina na garganta de Hitori.