Witchcraft
30 The Reason You Loved Me
Kenan
– Jay? – Abri os olhos ao ouvir um barulho na porta.
– Oi meu amor? — Ele apareceu na porta do quarto com a nossa pequena enrolada numa mantinha.
– Traz ela aqui — Ele colocou a pequena Lisbeth nos meus braços e sentou-se na cama ao meu lado.
Seus olhinhos eram enormes e cor de chocolate, tinha as bochechas grandes e os poucos cabelos cor de fogo, exatamente como os meus.
– Ela é tão linda...
– Perfeita, assim como a mãe — Jay acariciou minha bochecha
– Não exagera querido.
– E é calminha feito você. — Realmente, eram raras as vezes que ela chorava — E não sei como, também ama a louca da Lizzie.
Lisbeth passava horas com a Lizzie, as vezes não queria nem mamar e nem dormir, só pra Lizzie brincar com ela e minha pequena só tem 6 meses... Imagina quando crescer.
– Falando nela, onde ela está?
– Saiu com o Corey, eles iam a um show do Metallica acho...
– Hmm sabe do que eu estou sentindo falta amor?
– Não minha linda — Cheguei mais perto dele
– De um tempo a sós com você — Sussurrei no seu ouvido.
...
Coloquei minha pequena no berço, ela dormia feito um anjinho. Voltei ao quarto e as roupas do Jay estavam espalhadas no chão. Abri a porta do banheiro e ele estava sentado na banheira, umas velas acesas e uma garrafa de vinho. Seus cabelos estavam bagunçados em volta do rosto e sua barba ainda por fazer, a espuma da banheira cobria até a sua cintura. Completamente sexy. Senti-me molhada apenas com aquela visão.
– Não vai entrar amor? — Ele sorriu de lado me deixando com as pernas bambas. Tirei minha camisola e ele arqueou uma sobrancelha ao ver meus seios expostos que estavam duas vezes maiores por causa do leite.
Soltei os meus cabelos — que agora estavam abaixo da cintura — abaixei a minha calcinha até as coxas e deixei ela cair aos meus pés. Apaguei a lâmpada, ficando apenas a luz das velas. Entrei na banheira e sentei-me no colo do Jared, com uma perna de cada lado do seu corpo.
Ele apertou o meu corpo e beijou meu pescoço, me fazendo arrepiar ao seu toque.
– Minha, minha, minha... — Ele ia distribuindo beijos pelo meu ombro enquanto dizia isso. Sua barba roçando na minha pele nua era uma sensação maravilhosa.
Passei um dos braços pelo seu pescoço acariciando sua nuca, enquanto o outro me mantinha colada nele. Senti suas mãos nos meus seios, ele os apertava sem muita força e logo suas mãos foram substituídas pela sua boca, ele mordia, sugava e lambia os meus peitos, eu gemia em resposta a suas caricias.
– Amor...
– Hmm? – Respondi com os olhos fechados, apenas sentindo.
– O celular está tocando, não vai atender? — Abri os olhos e na tela do celular aparecia ninguém mais, ninguém menos que ELIZABETH FUTURA DEFUNTA.
– O QUE É?? — Atendi
– Ei que estresse Cherry, é que eu esqueci a chave da casa, da pra abrir aqui? — Desliguei o celular e me levantei
– O que aconteceu amor?
– A bêbada esqueceu a chave da casa, da pra acreditar? Devia deixar ela dormir na rua... — Vesti um roupão com raiva e sai do banheiro.
– Relaxa amor, depois a gente termina ok? — Ele sorriu e piscou pra mim.
Elizabeth devia morrer as vezes. Só as vezes.
Elizabeth
4 anos depois
2009
– TIA LIZZIE!! Olha o que eu achei! — Lis veio com uma caixinha nas mãos.
– Lis, onde você achou isso? — Sentei-me no sofá ao lado dela, que sorria como se tivesse achado um tesouro.
Lisbeth já ia fazer cinco anos, seus cabelos de fogo já estavam longos iguaiszinhos aos da K, a pele branquinha e seu nariz e bochechas cheios de sardas...
– Ah tia, numas coisas lá no sótão — Um tempo atrás eu havia comprado o meu apartamento e Lis passava a maior parte do tempo aqui comigo.
Ela abriu a caixa e dentro tinha algumas fotos, eu e K com Jimmy no dia do parto. Eu, Matt e Brian muito bêbados e abraçados numa festa...
– Quem são eles tia? – Ela perguntou apontando seus dedinhos pequenos para Matt e Brian.
– Velhos amigos Cherrizinha – Ela começou a rir olhando uma das fotos.
– Olha tia, que cara estranho – Ela ria de uma foto do Brian, segurando uma taça de vinho e um cigarro, sentado no colo do Johnny – Qual o nome dele?
– Hmm Brian – Ah se ela soubesse... – Mas já está na hora de dormir pequena, vamos.
– Ahh não tia Lizzie – Peguei a caixa de sua mão e ela puxou, a caixinha virou no chão – Desculpa tia... – Me abaixei para pegar as fotos espalhadas no chão.
– Tia, quem é esse? – Ela colocou uma foto na minha frente e senti meu coração bater mais forte.
– Ninguém – Peguei a foto de sua mão e coloquei em cima do sofá. – Vamos dormir amor.
A peguei no colo e a levei para o quarto.
– O que quer vestir hoje? – Ela subiu na cama.
– A camisa do Pantera – Ela disse pulando na cama. Vesti a calça de estampa de zebrinha e peguei a camisa do Pantera no guarda roupa.
– Vamos, deita aqui. – Ela vestiu a camisa que ficava parecendo um vestido nela e deitou-se ao meu lado. E levantou seus pézinhos para que eu colocasse suas meias.
– Tia, não vai me dizer quem era aquele cara na foto com você? – Respirei fundo.
– Foi uma pessoa muito especial pra mim Lis... Mas já faz muito tempo, esqueça – Apaguei a luz do abajur e ela me abraçou.
– Ele era seu namorado? Ele é lindinho tia.
– Era meu namorado sim querida. Boa noite.
– Amo você. – Ela deu um beijinho na minha bochecha e se aninhou ao meu lado.
...
– Alô?? Elizabeth? – Acordei com Ken gritando na secretaria eletrônica. Desliguei a secretaria e atendi o telefone.
– Que foi ruiva? – Bocejei, ainda meio grogue.
– Precisamos ter uma conversa séria dona Lizzie. Que historia é essa da Lis andar brigando na escola? – Levantei-me devagar para não acordar a Cherrizinha e fui em direção a sala e deitei-me no sofá.
– Ah isso. Que besteira Kenan, ela só estava se defendendo da garotinha chata. – Senti uma coisa incomodando em baixo de mim.
– Quem será que ensinou isso a ela? – Dei uma gargalhada do comentário.
– Claro que fui eu e, além disso, você tem que deixar ela fazer aulas de muay thai, ruiva. Ela já tem idade e...
– Só porque você é a professora Elizabeth? Já basta você levá-la para a academia, escuta bem e vê se não desliga na minha cara que nem da outra vez. Eu não quero minha filha envolvida em artes marciais ou qualquer tipo de coisa que envolva luta, quando for para a academia, traz ela pra casa.
– Ta bom, para de reclamar. Vou desligar, beijo e te amo.
– Também te amo, irritante – Desliguei o telefone.
Puxei o que estava me incomodando, e paralisei alguns segundos. Zacky. Como se tivesse sido puxada para dentro da foto, comecei a me lembrar desse dia...
Quando eu irei te ver novamente?
Você foi embora sem dizer adeus, não foi dita uma palavra sequer,
Nem um beijo final para selar qualquer pecado.
Pisquei os olhos rápido e percebi algumas lagrimas escorrendo, passei as costas da mão no rosto para limpa-las. Depois que Lisbeth nasceu, nunca mais tocamos no nome deles, passei a enterrar essas lembranças, e elas estavam bem escondidas, até hoje...
Mas você não se lembra?
Você não se lembra?
A razão pela qual me amou antes?
Baby, por favor lembre-se de mim mais uma vez.
Fechei os olhos e deixei-me levar por aquelas sensações há um tempo esquecidas. Seus olhos verdes como esmeraldas, tentei me lembrar do seu cheiro doce misturado com tabaco e whiskey, seus lábios cheios e rosados...
Quando foi a última vez que você pensou em mim?
Ou você me apagou completamente da sua memória?
– Tia Lizzie, porque está chorando? – Abri os olhos e vi Lisbeth apenas com a cabeça para fora do quarto com um semblante preocupado. Não respondi nada e ela viu a foto na minha mão – É o seu namorado? Tio Corey sabe?
Sorri brevemente e ela veio correndo e subiu no sofá, me abraçando em seguida. Ela pegou a foto da minha mão.
– Não vou contar nada pro tio, shhh – Ela pôs o dedinho na boca fazendo sinal de silêncio e sorriu – Ele é lindo Lili, qual o nome dele? – O jeito que ela me chama de chama de Lili, me lembra a mãe dela aos 8 anos.
– Zacky – Minha voz quase não saiu.
– Você ainda gosta dele não é? Tenho certeza. – Apenas assenti levemente com a cabeça – Zacky. Mas cadê ele tia?
– Não sei meu bem, deve estar casado ou sei lá. – O telefone tocou e ela desceu do sofá e atendeu.
– Oi papai.
– Minha princesinha, já posso ir te buscar?
– Não papai.
– Porque não meu amor?
– Não posso dizer, é confidencial. – Pude ouvir a gargalhada alta do Jared.
– Ok meu amor, me ligue quando quiser ir pra casa. Te amo.
– Também te amo pai. – Ela desligou o telefone. Correu para o quarto e voltou trazendo um edredom, ela me cobriu e deitou-se ao meu lado.
– Não fica assim Lili – Lis me deu um beijo na testa e sorriu mostrando seus dentinhos brancos e pequenininhos – Eu vou cuidar de você.
Eu frequentemente penso sobre onde eu errei,
E quanto mais o faço, menos sei
Zacky
– Cala a boca Brian – Ele riu alto no meu ouvido e trancou a porta enquanto eu chamava o elevador.
– Cara, esse apartamento é demais, você devia ter comprado um no andar de cima, mas nãão preferiu comprar uma casa para sua loira oxigenada.
– Vai cuidar da sua oxigenada e me deixa em paz.
– Essa temporada em San Francisco vai ser demais, pode anotar Gordo.
O elevador chegou e abriu as portas, estava vazio exceto por uma menininha vestida de panda bem no meio do elevador. Syn riu.
– Heey garotinha, qual o seu nome?
– Lisbeth – Ela disse e sorriu, ela me era familiar, até demais.
– Esse cara aqui também gosta de pandas – Syn disse e riu da minha cara.
– Desculpa garotinha, ele está bêbado. Eu sou o Z...
– Eu sei quem vocês são – Ela estreitou os olhinhos marrons.
– Então temos uma fã do Avenged? – A pequena franziu a testa e depois de um tempo sorriu.
– Mas o que uma garotinha desse tamanho, esta fazendo sozinha por aqui?
– Esperando a minha tia chegar, ela dá aulas de muay thai, deve estar chegando daqui a pouco. – Syn arqueou a sobrancelha e sorriu.
– E ela é bonita?
– Hm, você faz o estilo dela, mas ela já é comprometida. Com licença. – As portas do elevador se abriram e ela saiu pulando.
– E perdeu Gates – Gargalhei e recebi um soco no braço em troca.
– Que garotinha atrevida – Ele resmungou. Passamos pela recepção e fomos para a área de lazer. – Muito legal aqui, não é?
– Oh claro mas temos que ir, preciso pegar a Alice no shopping. – Gates fez careta, mas começou a marchar ate a recepção.
– Um minuto Gordo. – Ele começou a conversar com o recepcionista.
Sentei-me numa das cadeiras esperando o Brian terminar. Uma Harley Davidson preta estacionou em frente ao prédio, uma mulher pilotava a moto. Ela usava um short curto de malha, suas pernas eram torneadas, tinha uma tatuagem enorme em uma das pernas. Ela tirou o capacete, deixando livres seus enormes cabelos pretos. Seus braços também eram repletos de tatuagens.
– Tiiia! – A garotinha vestida de panda correu e pulou nos braços dela.
– Vamos Gordo – Syn apareceu na minha frente e me deu uma tapa na cabeça.
– Não me bate viado. – Levantei da cadeira, olhei em volta procurando ela, mas não havia mais nenhum sinal. Daria tudo para ver aquele rosto...
Mas você não se lembra?
Você não se lembra?
A razão pela qual me amou antes?
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