Witchcraft
33 Lighters
Elizabeth
As luzes invadiram toda extensão em volta de mim, então tudo escureceu novamente, as ''estrelas'' foram se acendendo aos poucos. Mas agora as coisas estavam diferentes. Eu estava lá. As luzes eram bonitas, tinham varias cores, tentei tocar uma delas, mas quando minha mão chegou perto ela fugiu.
– Tem alguém aí? – Chamei, mas a única coisa que ouvi foi o meu eco.
Alguma coisa me chamou atenção e virei para o outro lado, e duas luzes verdes estavam próximas de mim, como os olhos de Zacky. Então elas se transformaram em cor de mel, como os olhos de Corey.
Uma luz mais forte invadiu todo o meu campo de visão, me impossibilitando de enxergar. Aos poucos minha visão foi voltando e na minha frente havia uma mulher, com aparência etérea. Uma luz lilás emanava do seu corpo, seus cabelos violeta flutuavam em volta dela.
– Elizabeth – Congelei no lugar, como assim ela sabia meu nome? De alguma forma eu também sentia que a conhecia. – É, você como ninguém sabe quem eu sou.
Seus pés tocaram no chão e ela fez as estrelinhas se aproximarem, em especial as verdes e as cor de mel.
– Não diga nada. Apenas me escute. – Ela tocou o meu rosto e as imagens de todos que eu amava passaram pela minha cabeça – Uma nova fase na sua vida vai começar. Elizabeth, apenas seja forte, nem tudo é como esperamos. Mas você tem potencial, é uma das minhas melhores sacerdotisas. Sempre poderá contar comigo.
– Mas Deusa, como? — Essas palavras não faziam sentido algum.
– Não se preocupe você compreenderá. Chegou à hora de colocar a armadura minha linda guerreira.
Acordei sentindo minha cabeça girando e um corpo junto ao meu. Os braços estavam em volta da minha cintura e soube que era Zacky, o único que tinha aquelas mãozinhas gordinhas.
– Acordou princesa?- Ele me apertou mais, trazendo seu corpo pra mais perto do meu.
– Ah Minha Deusa, eu tenho que ir – Levantei-me da cama rápido e comecei a pegar minhas roupas no chão.
– Lizzie? – Zacky estava sentado na cama atordoado com o lençol cobrindo a sua cintura. – E-Eu pensei que...
– Me desculpe preciso ir. – Terminei de vestir minhas roupas e corri pegando a minha moto na entrada da casa. Pude ver Zacky na janela do seu quarto me olhando, seus olhos estavam tristes. Minha vontade era de voltar pra ele e nunca mais ir embora. Mas isso era por nós.
Mandei uma mensagem para Corey pedindo pra ele me encontrar no meu apartamento em uma hora.
Brian
– Briiiiiian!
– Para de gritar no celular Sullivan, diz aí.
– Me encontra naquela praça perto do shopping em meia hora viado. – Levantei da cama e Victoria ainda dormia. O relógio marcava 15:00 PM.
– Ta, em meia hora estou aí. – Entrei no banheiro fazendo minha higiene matinal.
Estacionei o carro em frente à praça e pude ver Jimmy correndo atrás da Lisbeth. Esse é o meu Jimmy, eternamente uma criança.
– The Rev – Gritei e ele veio correndo na minha direção com a pequena no seu encalço.
– Meu amor – Ele pulou em mim me abraçando e dando beijos em todo meu rosto. As pessoas que estavam perto olharam estranho. Provavelmente pensando que éramos gays.
– Por que me chamou?
– Vamos sair cara, vai ter churrasco muito foda. E nós vamos claro. – Olhei pra baixo e a menininha arrumava seus cabelos bagunçados.
– E a Lisbeth, Jimmy? – Ele olhou pra ela.
– Calma, vamos deixar ela em casa e depois vamos direto pra farra Gates.
– Tio, quero sorvete – Ela puxou a calça do Jimmy e ele sorriu todo bobão.
– Gates fica com ela um pouquinho, vou comprar sorvete pra ela. – Revirei os olhos e ele saiu correndo.
– Syn? – Uma voz feminina chamou atrás de mim, eu conhecia aquela voz.
– Michelle? O que faz aqui? – Ela sorriu e me abraçou.
– Vim visitar a Val, cheguei de New York ontem, estou com saudade da minha irmã. Nossa, e essa gracinha é a sua filha? – Olhei pra Lisbeth.
– Ela? Claro que não, ela é... – Ela pegou Lis no colo.
– Como não? Ela é a sua cara. Olha só seus olhos, sua boca. Quem é a mãe dela? – Pela primeira vez desde que a vi me senti confuso. Agora que a Michelle falou, ela realmente tinha a boca igual a minha e os olhos...
– Não, o Syn não é meu pai. Meu pai se chama Jared. – Ela sorriu pra Michelle mostrando seus dentinhos brancos.
– Hmm então devo ter me enganado. Desculpe Syn, já estou indo. Espero ver você mais vezes. – Ela colocou Lis no chão e saiu apressada.
Peguei a pequena no colo e comecei a andar até o meu carro.
– Hey, pra onde estamos indo? – Ela reclamou.
– Vou te levar em casa, sabe, quero conversar com sua mãe.
– E o tio Jim? – Ela perguntou procurando ele com os olhos.
– Vamos esperar por ele. – A coloquei no banco de trás e apertei seu cinto. – Jimmy entra no carro.
Ele entrou todo sorridente e entregou o sorvete a Lis. Mas sua expressão mudou quando olhou pra mim.
– O que foi cara? – Apertei o volante com força enquanto dirigia – Gates?
– A Kenan me deve explicações. – Falei frio. Jimmy coçou a cabeça.
– Então... Sobre o que?
– Lisbeth. – Falei entre dentes. Jimmy não falou mais nada até chegarmos à casa dela.
Desci do carro e peguei Lis no banco de trás. Jimmy bateu na porta e Ken abriu.
– Boa tarde. – Disse entrando na casa coloquei a menina no sofá. – Precisamos conversar. Agora.
– J-Jimmy, fica com a Lis. Vem comigo Syn. – Ela começou a subir as escadas e entrou em um pequeno estúdio, provavelmente do Jared. Ela fechou a porta e se virou pra mim.
– Até quando ia esconder isso de mim? – Passei a mão no cabelo nervoso.
– O que? – Ela se sentou na poltrona de frente pra mim.
– Que Lisbeth é minha filha!
– Ela não é sua filha, ela é filha do Jared.
– Mentira, ele tem olhos azuis, vocês dois tem.
– Shannon tem olhos castanhos, o irmão do Jared, já ouviu falar em genética?
– Ela se parece comigo, até Michelle notou isso.
– Michelle?
– Irmã da Valary e minha ex.
– Ah me poupe. Eu acabei perdendo o nosso bebê, alguns meses depois engravidei do Jared.
– MENTIRA!
– Mesmo que fosse sua filha, você não está no direito de reclamar a paternidade.
– Como não?
– Ué, você me abusou, infelizmente acabei engravidando, quando te falei isso você falou para eu abortar, você não tem direito algum.
– Eu... Não sabia o que fazer Kenan, parecia a melhor opção...
– Melhor opção? Tirar uma vida porque você não queria responsabilidades? Desculpe-me não sou desse tipo de pessoa. – Então eu me lembrei porque tinha gostado dela. — De todo jeito, ela não é sua filha, não precisa se preocupar.
– Eu quero um teste de DNA. — Ela arregalou os olhos.
– Não.
– Ah, você não disse que Lis não é minha filha, agora está com medo de comprovar isso?
– O que é isso? — Jared entrou.
– Brian achando que Lis é filha ele, devia apresentar o Shannon a ele, ela é a cara dele.
– Infelizmente ela teve um aborto espontâneo quando estava no 2ª mês.
– Eu exijo um exame de DNA.
– Você não pode exigir nada, agora saia da minha casa, tenha um pouco de respeito. — Jared só faltou me chutar pra fora do estúdio, isso não vai ficar assim, eu tenho total certeza agora que Lisbeth é minha filha.
Elizabeth
Vesti um moletom e deitei na minha cama esperando o Corey chegar. Aquele sonho não saia da minha cabeça ''Elizabeth, apenas seja forte, nem tudo é como esperamos''. O queria dizer eu não sei, mas sentia que estava próximo.
– Lizzie? – Corey entrou no quarto e se sentou na cama ao meu lado. – O que aconteceu? Está com os olhos vermelhos.
– Corey. Me desculpa? – Pedi e ele me fitou estranho.
– Pelo que minha linda? – Ele me abraçou forte e eu me senti mal.
– Eu... Eu dormi com o Zacky. – Senti seus músculos ficarem tensos.
– Lizzie, ele é aquele cara? O que você nunca esqueceu? – Me levantei rápido olhando pra ele.
– Como? – Ele sorriu e me puxou de volta.
– Acha que eu nunca percebi? Esses seus olhinhos dizem tudo. – Ele beijou a ponta do meu nariz. – E eu desculpo você sim, porque eu também amo uma garota... E sei como é difícil.
– O que aconteceu com essa garota? – Ele acariciava meus cabelos.
– Ela nunca gostou de mim, desde o tempo da escola. Eu era um nerd, consegue imaginar? E ela era popular. Sempre me humilhava. Então eu comecei a malhar pra caramba, e as garotas se jogavam aos meus pés, inclusive ela. Mas eu não queria mais, eu sabia que ela só me queria pelo meu corpo. E eu nunca superei isso. Então quando acabou a escola, eu ia tomar o meu rumo, entrar pra faculdade.
'' Então eu e ela estávamos cara a cara de novo, e sabe Lizzie? Ela disse que era apaixonada por mim desde o colegial. Então aquele amor louco explodiu sabe? Eu não vivia sem ela, nos mudamos pra uma casinha, era tudo tão perfeito. Seis meses depois ela morreu em um acidente, ela foi atropelada por um carro...''
– Nossa. – Ele riu e beijou minha testa.
– E nosso relacionamento Lizzie, foi mais porque eu e você precisávamos de alguém que ocupasse o lugar dessas pessoas. E eu amo você e sei que você me ama. Mas não da forma que você ama esse tal de Zacky e como eu amo a Kate.
– Então o que você quer dizer com isso Cory? – Sentei de frente pra ele e ele pegou minhas mãos.
– Quero dizer que, vá ser feliz com ele. Eu te amo, e quero que você seja muito feliz pequena. E eu vou procurar a minha felicidade. Com uma condição.
– Qual? – Ele arqueou a sobrancelha.
– Não vai me esquecer hein safada. – Sorri e o abracei com força.
– Nem poderia seu puto, nossa quatro anos é muito tempo. Você é foda por ter me aguentado todo esse tempo. Eu te amo, eu te amo. – Me levantei correndo, mas voltei correndo e deu um beijo no Corey. Ele riu.
– Se cuida menina. – Ele gritou enquanto a porta do elevador fechava.
Peguei minha moto no estacionamento do edifício, coloquei meu capacete. Meu coração estava explodindo de alegria, agora eu ia poder ter o meu gordinho. O transito estava péssimo, mas minha felicidade era maior que esse transito de merda, eu só pensava em chegar o mais rápido possível na casa dele.
Estava quase chegando, faltava apenas duas quadras quando ouvi uma buzina alta atrás de mim. Era um cruzamento, fui para o lado dando espaço para o carro de trás passar. Senti uma pancada e meu corpo foi lançado pra frente.
Narrador
O corpo de Elizabeth permanecia inerte no meio do cruzamento enquanto uma multidão de pessoas se aglomerava ao redor. Sua perna esquerda sangrava e tinha muitos arranhões por todo o corpo. A ambulância chegou tirando as pessoas de cima dela, seu corpo foi colocado na maca com rapidez. Sua respiração e os batimentos cardíacos estavam estáveis.
– Mary o que aconteceu aqui? – Zacky perguntou à senhora que trabalhava na sua casa ao ver a multidão se dissipando.
– Houve um acidente, espero que não seja grave. – Ele olhou para o local do acidente onde o guincho tirava a moto do caminho. O coração de Zacky se agitou dentro do peito ao reconhecer aquela moto.
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