Wishmaster
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Notas iniciais
O homem estava preocupado com o estado de saúde — ou o que ele achava ser saúde — do moreno, que agora, devidamente aconchegado sobre seu colchão, ressonava tranquilamente. Por mais que estivesse mais relaxado com aquela situação, duas coisas ainda insistiam em perturbá-lo: o fato de seu corpo ter sofrido perigosas queimaduras apenas pelo contato com o calor que emanava do corpo de Eren, e a sua exagerada preocupação para com o rapaz. E como se não fosse o suficiente, ainda teria que esperar até que a morena lhe trouxesse os livros que havia mencionado há cerca de trinta minutos atrás. Por isso, não havia como se distrair das dores que estavam começando a incomodá-lo.
O cabo, com os braços cruzados, acomodou-se melhor sobre a poltrona que se encontrava ao lado de sua cama. Tentar entender o que estaria acontecendo com aquele garoto provavelmente o iria deixar louco, entretanto, tentar não entender também o enlouqueceria. Além do fato de não compreender as próprias ações para com o rapaz, afinal, nunca havia se importado com o estado de saúde com alguém antes. Na verdade, mostrava até mesmo indiferença quanto à isso, desde que possuísse homens em bom estado no campo de batalha. No entanto, era diferente com Eren, fato que o enfurecia, visto que conhecera o garoto a pouco mais de duas semanas. Fechou os olhos e suspirando pesadamente tentou expulsar tais devaneios, pensar nisso não era viável, comparado a atual situação.
Para a sua alegria a porta de seu quarto era bruscamente aberta, revelando uma mulher morena com três enormes livros entre seus braços. Levi reabriu os olhos, voltando-os para a amiga que adentrava aquele cômodo desajeitadamente, o que fez o cabo revirar os olhos, lembrando a mesma de fechar a porta quando se livrasse daquele material. Hanji respondeu com uma carranca, largando os pesados livros sobre a cômoda do outro lado do quarto antes de se voltar para a porta e enfim fechá-la.
– Qual o primeiro livro? Sem rodeios. — Rivaille se pronunciou impaciente, descruzando os braços enquanto a mulher de óculos voltava a se aproximar da cômoda, segurando o primeiro dos três grossos livros que ali se encontravam.
– Este aqui. — disse, abrindo um largo sorriso antes de abraçar repentinamente o material de papéis amarelados e rodopiar a caminho de onde o amigo se encontrava. — "EDDA* I", lembro que foi por causa dele que despertei minha paixão pelos titãs!
– Deixe-me ver isso. — pediu, descruzando os braços e erguendo uma das mãos, segurando o pesado material. — E me poupe de seus contos sobre os titãs.
– Ah... Você nunca entenderá como é a sensação! — explicou, erguendo ambas as mãos como se estivesse prestes a apanhar um pedaço de carne. Levi apenas ignorou tal comentário, abrindo a primeira página e torcendo o nariz ao sentir o cheiro de mofo e poeira que escapava por aquele livro. — Esse conta de uma forma bem resumida, mas pelo menos conseguimos compreender a história do aparente surgimento dos titãs.
O cabo nada comentou, apenas olhou de relance para Eren, que ainda ressonava tranquilamente, totalmente enrolado pelos lençóis brancos de Rivaille. Não saberia dizer se ficaria feliz ou não caso sua teoria estivesse correta.
Voltando os acinzentados para os papéis amarelados em seu colo, precisou fazer certo esforço para conseguir ler claramente cada palavra ali escrita, afinal, a qualidade do material fora comprometida por um possível mal armazenamento.
– An Finscéal de Chéad Tíotán? - Rivaille leu o título da primeira página em voz alta, sem entender uma palavra do que aquilo significaria. Ao correr os olhos pelo conteúdo e avistar uma imagem que aparentemente ilustrava um titã, pode julgar que seria algo relacionado àquelas anomalias.
– Significa "A Lenda do Primeiro Titã". — explicou Hanji, que havia arrastado uma cadeira simples de madeira para se sentar ao lado do cabo. — Segundo meu pai, isso é irlandês, uma língua antiga, desde muito antes da existência das muralhas.
– Tsc. O livro inteiro é nessa linguagem? — resmungou, voltando o olhar para a morena ao seu lado.
– Não, apenas algumas passagens. Leia em voz alta, caso não consiga entender algo eu posso traduzir. — sugeriu e por um momento Rivaille pensou em recusar, porém, dadas as circunstâncias, não teria outra opção.
– Os deuses sempre monitoraram os humanos, protegendo-os de males externos e internos, ao mesmo tempo em que lhes trazia conhecimento necessário para que pudessem viver em áreas remotas. A comunicação, o idioma, a matemática, a ciência, a religião, existia um deus para cada novo método de "aprendizagem" e a única coisa que estes pediam em troca era a sua crença e total devoção aos seus ideais. — Rivaille revirou os olhos, percebendo tratar-se de histórias relacionadas à religião. Assunto este que nunca o interessou. — Todavia, as forças do Demônio conseguiam ultrapassar, de tempos em tempos, a quase perfeita proteção que os deuses criavam sobre a Terra, permitindo assim que um novo mau encarnasse por entre os humanos, o que resultava em um cenário caótico. Guerras terríveis e pestes que adoeciam as pessoas eram resultado dessa intervenção do mau sobre as terras das divindades.
"Devido ao livre arbítrio concedido pelos deuses aos humanos, estes nada podiam fazer a não ser observarem suas terras, antes pacíficas, mancharem-se pelo carmesim de vidas inocentes que foram interrompidas pela tirania do Demônio e lutarem contra suas forças que insistiam em enviar outros de seus subordinados à Terra. A paz apenas era restaurada quando esta encarnação, por fim, perecia pelo tempo, visto que humanos não são imortais, e os deuses, antes de socorrerem seus preciosos humanos, encarregavam-se de enviar esta alma novamente às profundezas do Inferno.
Por milênios o mesmo cenário se repetia, desencadeando como consequência ações terríveis protagonizadas pela humanidade que haviam criado. O suicídio, a submissão, a tortura, além da concretização dos 7 Pecados Capitais, que eram estritamente proibidos de serem realizados. E o pior de todos: ver que alguns criados pela bondade divina estavam mudando sua essência, aliando-se ao lado do mau, roubando a vida de seus semelhantes."
Rivaille franziu o cenho ao pular para o próximo parágrafo, aproximando ainda mais o livro do rosto antes de perceber que este ponto em questão estava catalogado em irlandês. Voltou o olhar para Hanji, aproximando o livro da mulher que abaixou levemente o corpo para ler aquela pequena passagem.
– Agus mar sin, a bhaint amach go raibh sé aon rogha eile, chinn cur isteach. — A morena pronunciou, sorrindo levemente antes de pegar o livro das mãos de Levi. — Significa "e por isso, percebendo que não teriam outra opção, decidiram interferir", deixe-me traduzir esta parte.
– À vontade. — disse Rivaille, erguendo uma das mãos para Hanji, que soltava uma breve risada controlada, afinal, poderia acordar Eren caso elevasse demais o tom.
– E por isso, percebendo que não teriam outra opção, decidiram interferir. Como não poderiam violar as regras do livre arbítrio e castigar os humanos por fazerem as escolhas erradas, resolveram enviar a Terra três anjos encarnados: Cristal*, Índigo* e o temido Mestre dos Desejos.
"Cristal possui uma vibração diferente, uma aura clara, transparente e que não é visível pela dimensão vivida na Terra. Se estressa com facilidade e está sempre em comunicação com as vibrações à sua volta. Cristal é um anjo extremamente sensível (ao ponto de ser extremamente vulnerável), solitário e tranquilo, possui a capacidade de atrair as auras ao seu redor involuntariamente. Com sua sensibilidade, é capaz de guiar tanto Índigo quanto o Mestre dos Desejos. Quando Cristal olha para você, é como se ele estivesse penetrando em sua alma.
Índigo é questionador, procura criar caminho para novas manifestações. É sensível, amoroso, talentoso e intuitivo. Sua característica mais marcante é sua hiperatividade, por desafiar quaisquer regras que tentem impor à ele. Sua natureza explosiva e protetora é atraída pela calmaria e vulnerabilidade de Cristal, o que o instiga a protegê-lo de quaisquer males, terrenos ou divinos.
O Mestre dos Desejos ainda é um mistério, pouco se sabe sobre sua origem. Antigos relatos informavam que o Mestre dos Desejos possui uma personalidade tediosa, é facilmente manipulável e que sua vibração comparava-se à Cristal. Assim como Índigo, sente uma forte atração por Cristal que o faz quebrar quaisquer regras apenas pelo seu bem estar e segurança. O antigo livro de ECO relatava que o Mestre dos Desejos possui habilidades inimagináveis, estas que nunca foram devidamente catalogadas."
Hanji interrompia sua leitura ao voltar o olhar para Rivaille, que se movia aparentemente desconfortável sobre a poltrona. A morena ergueu uma sobrancelha, perguntando:
– Aconteceu alguma coisa? — O cabo voltou o olhar para ela, suspirando.
– Essa camisa grudada na minha pele está me incomodando muito. — respondeu direto, levando uma das mãos até a manga próxima ao seu pulso, puxando-a levemente, desistindo logo em seguida. — Dói, merda.
– Deveria ter me deixado cuidar melhor disso. — repreendeu, recebendo um olhar nem um pouco amigável do homem ao seu lado. — Vamos, depois continuamos a leitura.
– Nem pensar que irei deixar você cuidar de meu corpo, quatro olhos. — A mulher sorriu com o comentário, levando uma das mãos até a própria boca a fim de conter uma gargalhada.
– Não sabia que era masoquista, Rivaille. — brincou, recebendo um rolar de olhos como resposta.
– Não é masoquismo, é precaução. — respondeu, desferindo um tapa contra o braço da mulher ao seu lado, que ameaçava rir mais alto. — Vamos, continue logo com isso.
Hanji, ainda com um sorriso estampado nos lábios, continuou:
– Porém, por mais que esses anjos descessem à Terra, não passariam de simples humanos com personalidades peculiares e curiosas. Por isso os deuses, contra todos os seus princípios de criação, abriram uma exceção para aquelas três encarnações.
"Saggezza, deusa da sabedoria, permitiu que os três anjos, mesmo após a reencarnação, mantivessem suas essências e seus ideais. Dessa forma conseguiriam lidar com a tirania da humanidade. Cogadh, deus da guerra, permitiu que seus poderem se mantivessem inalterados mesmo após a reencarnação. E os outros três deuses, Íogaireacht, deusa da sensibilidade, Iomardú, deus da repreensão e Trua, deus da piedade, foram os responsáveis por restringir os estágios de evolução de suas auras. Dessa forma, os três anjos poderiam desfrutar do máximo de suas habilidades mesmo estando encarnados, desde que superassem obstáculos aleatórios para que seus poderem sejam liberados, assim como Íogaireacht, Iomardú e Trua decretaram.
Após os preparativos e os devidos planejamentos, os cinco deuses enviaram Índigo a Terra, aproximadamente, no ano de 2130 antes de Cristo. O anjo encarnou em um local frio, em uma noite onde uma terrível tempestade de neve assolava a região hoje conhecida como Escandinávia*. Os deuses acompanhavam ansiosos o desenvolvimento de seu anjo e sua adaptação por entre os humanos. Sempre prestativo e enérgico, Índigo era uma pessoa de boa índole, o que os encorajou a enviarem o Mestre dos Desejos quando Índigo completara quatro anos de idade terrena.
O antigo livro de ECO relatava que o Mestre dos Desejos havia encarnado em uma região ao sul da Escandinávia, em uma família importante e que sua adaptação era impressionante. No entanto, mesmo encarnado, o Mestre dos Desejos era facilmente influenciável pelos humanos ao seu redor, que foram corrompidos pela força do Demônio, fazendo com que aquele incrível anjo retrocedesse em sua escala evolutiva.
Momentaneamente, os deuses não se preocuparam em interferir, principalmente pela lei do livre arbítrio também recair sobre seus anjos. Mas precaveram-se, adiando o envio de Cristal a Terra."
Hanji interrompia a leitura mais uma vez por conta de Rivaille, que havia levantado repentinamente. O cabo estava com os olhos arregalados, olhando para um ponto em específico no qual não podia identificar, enquanto imagens perturbadoras corriam por sua mente como flashes. As imagens que estava a ver eram incrivelmente reais.
A paisagem de seu quarto impecavelmente limpo desaparecia, dando lugar à uma lamacenta. Podia ouvir o barulho das patas dos cavalos se chocando contra àquela superfície, assim como sentia as gélidas gotas de chuva que se chocavam contra sua pele como lâminas. Olhou para sua mão esquerda, onde uma lâmina ensanguentada era firmemente segurada enquanto a outra agarrava firmemente as rédeas do cavalo onde estava montado. Voltou sua atenção para o céu escuro coberto pelas grossas e negras chuvas da tempestade que assolava aquela região, ao mesmo tempo em que ouvia os gritos horrorizados de pessoas. De muitas pessoas.
– Rivaille? Rivaille, você está bem? — perguntou Hanji, largando o livro e correndo na direção de seu amigo, que caía de joelhos sobre o chão de seu quarto, com o corpo trêmulo. A morena se aproximou rapidamente, ajoelhando-se ao lado do homem e erguendo seu corpo. — Rivaille!
– Faz isso... Parar... — murmurou, levando uma das mãos à testa, esfregando-a com força. — Essas imagens... Tire-as da minha cabeça... Ah!
Levi chocou a testa contra o chão de pedra de seu quarto, soltando um gemido de dor em seguida enquanto cada vez mais imagens se formavam em sua mente. Naquela em específico, estava liderando vários homens que destruíam e saqueavam uma pequena aldeia. A chuva intensa dificultava a visibilidade, fazendo com que pisoteasse constantemente os moradores daquela região. Mas não se importava com isso, apenas queria conquistar aquelas terras, era apenas isso o que importava naquele momento. Sua atenção foi desviada, por breves momentos, à uma situação que o fizera sorrir. Dois de seus homens arrastavam uma mulher ruiva de dentro de um daqueles simples casebres de barro enquanto um adolescente de pouco mais de dezessete anos, também ruivo, tentava inutilmente salvar sua mãe. Aproximou-se então com o cavalo, passando entre aquela confusão e manuseando a espada com a mão esquerda, decaptou a mulher ruiva em um único golpe. "Vamos logo com isso, quero mostrar ao meu pai o excelente trabalho que fiz aqui." Disse, voltando o olhar para o adolescente ruivo abaixo de si, que fitava aterrorizado com seus olhos acinzentados o corpo de sua mãe, sem vida, no chão.
Rivaille gritou, erguendo o corpo repentinamente e levando ambas as mãos até seus fios negros enquanto uma dor aguda na cabeça o obrigava a fechar os olhos. Sobre sua cama, Eren acordava em um salto, sentando-se sobre a cama assustado enquanto Hanji, catatônica com aquela reação vinda de seu amigo, alternava os olhares entre o moreno e o cabo, sem saber o que fazer.
– Eren! — A mulher enfim chamou, levantando-se e correndo na direção do garoto. — É a Hanji e preciso de um grande favor seu, agora.
– Tenente? — O rapaz iria retrucar quando sentiu as mãos da mulher sobre seu pulso, puxando-o e o obrigando a levantar. — T-Tenente Hanji!
– Fique de olho no Rivaille para mim, eu já volto. — explicou, deixando o jovem Jaeger em pé, de frente para o homem que permanecia ajoelhado.
O garoto ainda tentou dizer mais alguma coisa, mas desistiu assim que escutou o barulho da porta se fechando. Suspirou pesadamente, esticando os braços e tateando o ar a procura de algo que pudesse lhe servir de apoio. Não sabia onde estava e isso era um problema, afinal, sua última lembrança antes de desmaiar foi a de ouvir a voz do cabo chamando-o no campo de treinamento. Com um movimento mais brusco do braço direito, sentiu a textura dos cabelos de Levi com a ponta dos dedos e então resolveu se abaixar, tateando levemente o topo da cabeça daquele homem, sentindo o quanto o mesmo estava trêmulo.
– Heichou? — chamou e o cabo levantou a cabeça, encontrando-se com os orbes esmeraldinos do moreno à sua frente. Permitiu-se prender a respiração por alguns momentos enquanto fitava a expressão preocupada de Eren.
– Você... — O cabo ergueu ambas as mãos, colocando-as uma de cada lado do rosto do rapaz de pele bronzeada, trazendo-a para mais perto do seu rosto. — Seus olhos... — O adolescente franziu o cenho, confuso, sentindo a leve pressão que as mãos de Rivaille faziam em seu rosto, que fitava aquela coloração tão exótica de suas íris.
Não sabia o que era o sossego desde o primeiro momento em que colocara os olhos sobre aqueles enormes faróis verdes, além disso, aquelas estranhas imagens apenas passaram a rondar por sua mente depois de conhecer o garoto e ainda teria que ponderar sobre aquela história que Hanji havia lido para si. Porém, se precisasse chegar a uma conclusão naquele momento, diria com toda a sua convicção que aquele garoto tinha alguma relação com o anjo Cristal.
Rivaille apenas saiu de seus devaneios pelo barulho da porta se abrindo, finalmente percebendo o que havia acabado de fazer e então se afastando bruscamente do garoto, voltando seus orbes acinzentados para a porta, encontrando uma Hanji levemente exaltada e um ruivo extremamente alto com os olhos arregalados.
– Elaijia? — perguntou o cabo, voltando os olhos para a tenente.
– Foi o único que encontrei mais rápido. — explicou, no entanto, o ruivo não estava nem um pouco concentrado naquele pequeno diálogo. Seus orbes acinzentados caíam sobre certo moreno de orbes verdes, ajoelhado próximo ao corpo de seu amigo.
– Não devia estar em Sina, Elaijia? — quis saber Rivaille, atraindo por breves segundos a atenção do rapaz com uma cicatriz sobre ponte do nariz.
– Fui chamado até aqui. Cheguei agora. — explicou, fechando ambas as mãos em punho enquanto tentava controlar o enorme desconforto que insistia em tomar conta de sua mente, nublando seus pensamentos.
Céus, aquele era realmente Eren Jaeger, o último Jaeger. A mente do capitão Savage, naquele momento, parecia entrar em colapso pelos mais diversos pensamentos e ideias que se passaram em sua mente. Crucificou mentalmente Irwin Smith por lhe ter tirado a maior oportunidade de sua vida, afinal, a chave de tudo seria ter aquele garoto em mãos.
Ainda com os olhos arregalados, deu um passo na direção dos dois, tentando a todo custo evitar uma expressão que condenasse seus pensamentos naquele momento, o que fez Rivaille erguer uma sobrancelha por aquela reação. No entanto, sabia muito bem como o amigo agia de maneira estranha em algumas situações, resolvendo então ignorar aquele pequeno detalhe.
– Hanji me explicou mais ou menos a situação. Deveria ter ido para a enfermaria Levi. — repreendeu Elaijia, arrancando um olhar incrédulo do cabo. O ruivo ergueu a mão, direcionando-a para o homem, que a segurou sem hesitar, assim se levantando. — Queimou as mãos?
– Tsc. Depois eu explico. — disse, levantando a cabeça, observando a face emburrada do amigo para si e por breves momentos, seus olhos arregalaram, reação que fez o capitão erguer uma sobrancelha.
– O que foi? — quis saber, esboçando um sorriso crápula em seguida. — Eu sei que sou bonito, mas, sabe, você não faz o meu tipo.
Rivaille pôde sentir uma veia saltar em sua testa com aquele comentário.
– Não é nada. Apenas lembrei de algo. — respondeu, voltando os olhos para Hanji, que observava àquilo tudo com um sorriso divertido nos lábios. — Cuide do garoto para mim quatro olhos. Nada de gracinhas.
– Falando assim parece até que não confia em mim! — A morena exclamou, levando uma das mãos ao peito, fingindo uma falsa indignação.
– E não confio. — respondeu seco, voltando sua atenção para Elaijia, que envolvia suas costas com um de seus braços para assim ajudá-lo a caminhar. — Merda, agora até minha cabeça dói.
O capitão Savage, ignorando totalmente a presença de Eren naquele quarto, começou a caminhar acompanhando o ritmo de Rivaille, que não aparentava estar em boas condições. No entanto, como um ato de reflexo, o rapaz de pele bronzeada esticou o braço e agarrou firmemente o pulso livre de Elaijia, que imediatamente parava seus passos e prendia a respiração, sentindo o corpo incrivelmente tenso com aquele toque. Precisou trincar os dentes para, enfim, controlar a vontade de golpear aquele garoto.
– D-Desculpe senhor... — começou, sentindo o braço levemente trêmulo ao fazer aquilo. — Mas... Já nos conhecemos?
Mordendo o lábio inferior, o ruivo manteve-se calado por alguns segundos, sendo curiosamente observado por Levi e por Hanji. Queria responder, queria realmente responder àquela pergunta e fazê-lo lembrar de tudo. No entanto, precisava tanto de Eren quanto de Rivaille naquela situação.
– Não. — respondeu seco, puxando o braço para se afastar do garoto o que, consequentemente, fez com que seus acinzentados pousassem sobre a pilha de livros que a tenente havia trago anteriormente. — O que esses livros fazem aqui?
– Ah, são os livros do meu pai. — A mulher respondeu, correndo até a poltrona onde o cabo estava sentado momentos atrás e pegando o livro que ali estava. — EDDA I, conta a história do primeiro titã e-
– Não devia ler essas coisas! — O ruivo repreendeu, surpreendendo os três que ali se encontravam. — São livros proibidos e que deviam estar em posse da Polícia Militar ou serem destruídos.
– Mas-
– Silêncio Hanji! — Elaijia elevou ainda mais o tom de voz, franzindo o cenho com vontade enquanto fitava aquele livro com aparente antipatia no olhar. — Esses livros serão confiscados o mais rápido possível. Agora, Levi. — Voltou-se para o cabo, que o fitava curioso. — Vamos à enfermaria, não pode ficar desse jeito.
Iria retrucar, no entando foi impedido pelo mais alto que segurava em seu pulso com força e o arrastava para fora daquele quarto, deixando Eren e Hanji a tentarem entender o que havia acontecido naquele exato momento. Ao mesmo tempo, Rivaille tentava entender o motivo de tanta irritação apenas em mencionar o nome daquele livro, automaticamente relacionando-o ao seu conteúdo.
O cabo trincou os dentes, crucificando-se mentalmente por não ter conseguido ler aquilo até o fim.
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