Wishmaster
29 Um Ato Com Consequências II
Notas iniciais
Levi sentia sua cabeça latejando por conta daquela conversa sem fundamento que apenas adiava o assunto principal, que incluía a custódia da tropa de exploração sobre Eren Jaeger em relação ao treinamento que lhe fora dado. Aquilo o preocupava de certa forma, afinal, se o garoto não se saísse bem ou não agradasse às exigências do Marechal, sua guarda seria novamente negociada, porém, apenas entre a Polícia Militar e as tropas estacionárias.
Suspirou, largando os diversos papéis sobre a mesa de Irwin antes de se voltar para o mesmo, que não mantinha uma expressão muito satisfatória ao seu ver, o cenho franzido também em preocupação. Apenas não sabia dizer se estaria pensando em Elaijia sozinho com Eren ou no fato de poder perder um soldado para o ruivo, que nem ao menos estava presente naquela reunião.
– Creio que deveríamos deixar de rodeios. — disse Rivaille, cruzando os braços e voltando os acinzentados para o Marechal, que concordou.
– De fato. — O homem respondeu. — Não viemos até aqui para discutir sobre trivialidades, afinal.
O capitão da tropa de exploração fitou Pixis assentir com aquilo.
– Estou curioso, Rivaille, pelo desempenho do jovem Jaeger. — O homem careca comentou, entrelaçando as mãos sobre o colo enquanto se acomodava melhor sobre o sofá onde Levi dormia anteriormente.
– Creio que todos estamos, comandante. — comentou Hannes, sorrindo cordial antes de se voltar para Irwin. — Faz um bom tempo desde a última vez que me encontrei com os dois, guerreiro e aprendiz, quando aqueles titãs apareceram no exterior de Maria quando voltavam do treinamento.
– Certamente. Creio que se o senhor estivesse presente naquele momento, Marechal, poderia ter concluído há mais tempo. — frisou o comandante Smith, recebendo um acenar positivo de seu superior.
– Reportaram-me sobre o feito do garoto naquela ocasião. — tornou a dizer. — São poucos os soldados que conseguem pensar rápido daquela forma, usando o dispositivo de manobras tridimensionais para distrair um titã daquela maneira. É, realmente, um diferencial de peso. — O homem recostou-se sobre a poltrona na qual estava sentado, suspirando pesadamente antes de continuar. — Além disso, também devo considerar aquele relatório do ataque em Trost. — Os olhos do Marechal Darius voltaram-se para Irwin. — Poderia me adiantar sobre aquele parágrafo em específico, comandante Smith?
O loiro fechou os olhos. Era um fato que, desde o retorno de Levi e Eren, não havia conseguido progredir naquele plano em específico que havia citado no parágrafo no qual o homem se referia por conta de suas obrigações como comandante de uma tropa tão importante e que ditava o destino da humanidade, em todos os sentidos. Todavia, não poderia simplesmente dizer que não haviam progressos, seria como um suicídio em massa.
– Estamos trabalhando nisso, senhor. — respondeu apenas, atraindo o olhar curioso de Levi para si, que se perguntava sobre o que os dois estariam falando. — No entanto, não podemos nos arriscar por conta das atuais circunstâncias. Precisaria de seu consentimento em deixar Eren Jaeger sobre nossos cuidados permanentes para que pudesse por meus homens em peso nisso.
Percebendo o que o outro queria dizer, Levi prontamente se pronunciou:
– Seria deveras arriscado, senhor, por a vida de nossos homens em risco por conta de um plano que ainda não possui um fundamento fixo. — Irwin voltou os azulados para seu subordinado, que descruzou os braços e se levantou. — O ataque em Sina e, até mesmo, aquela intervenção dos titãs antes de chegarmos em Maria causou um grande número de baixas. — O capitão da tropa de exploração se encostou sobre a parede, pouco atrás de onde Irwin estava sentado. — Mesmo com o grande número de soldados que ingressaram na tropa desde então, ainda não podemos nos arriscar à isso.
O comandante Smith ergueu uma sobrancelha ao término daquela declaração. Admitia que, caso estivessem sozinhos, aplaudiria o moreno. Afinal, mesmo não tendo conhecimento do que estaria planejando, aquilo fora suficiente para que o Marechal ponderasse seriamente, visto que o homem agora entrelaçou as mãos e fez uma longa pausa antes de responder.
– Certamente, compreendo suas preocupações. — O Marechal respondeu. — Por que não nos mostra seu progresso com os treinamentos, capitão Rivaille? Creio que poderei voltar para Sina com a resposta que tanto anseia.
O homem de baixa estatura iria responder, não fosse o barulho que o fez voltar os acinzentados para a janela da sala de Irwin, onde conseguia enxergar o clarão amarelado seguido da explosão característica da transformação dos titãs. Todos os presentes, então, levantaram, observando aflitos a imagem do tão conhecido titã encouraçado se formar à poucos metros de onde estavam.
– Irwin! — chamou Levi, ganhando em seguida a atenção do homem. — O DMT!
– Certo. — O loiro rapidamente se moveu pela sala, parando em frente à um grande armário onde alguns dos equipamentos se encontravam, logo entregando um ao seu subordinado e apressando-se em equipar-se com o seu.
O capitão da tropa de exploração voltou os olhos para os outros presentes, sentindo-se deveras aliviado por perceber que os outros, exceto o Marechal, portavam o dispositivo. Assim que terminou de se equipar, um forte tremor fez com que precisasse se apoiar sobre a parede enquanto os outros seguravam em qualquer coisa que estivesse ao alcance.
Em seguida, surgiu a segunda explosão.
Nile havia conseguido se manter de pé a tempo o suficiente para encarar novamente a janela, deparando-se com o rosto da titã fêmea a observar fixamente todos os ali presentes.
– Que merda! — pigarreou, sacando as lâminas e colocando-se em posição de ataque quando a titã se afastou apenas o suficiente para quebrar a janela com o punho. — Tirem o Marechal daqui!
Hannes prontamente assentiu e, antes de qualquer coisa, olhou para Pixis que deu sua permissão, em seguida segurando o homem velho pelo pulso e puxando-o antes de correr para os corredores.
Um outro golpe era dado contra a parede daquela sala, o que permitia que a mão daquela anomalia percorresse o local com mais facilidade. Nile rapidamente saltou para evitar um ataque, parando próximo à dupla da tropa de exploração, onde Levi ajudava Irwin a terminar de ajustar o DMT em seu corpo enquanto Pixis, movendo-se rapidamente, tentava golpear a titã, cuja mão permanecia com uma estranha coloração azulada.
– Deixe disso, Pixis. — Irwin se pronunciou, correndo na direção do outro comandante quando seu equipamento estava devidamente preso. — Não vai conseguir cortar nada enquanto ela estiver assim.
O homem careca suspirou, afastando-se quando a mão da anomalia se moveu bruscamente contra o chão próximo deles, rachando o mesmo.
– Que inferno! — O capitão Nile pigarreou do outro lado da sala. — Como eles estão conseguindo esse tipo de acesso à muralha?!
Não houve tempo para resposta, pois foram tirados de seus pensamentos por um grito muito próximo. Quando voltaram os olhos para trás, surpreenderam-se com a visão do homem mais forte da humanidade largando as espadas no chão e levando ambas as mãos à cabeça, onde seus dedos puxavam sem dó seus lisos fios negros enquanto os gritos apenas aumentavam.
– Rivaille! — Irwin exclamou, porém, não conseguiu acudir o amigo quando outro golpe contra o chão fez com que parte dele desmoronasse, obrigando-os a se apoiar nas paredes mais próximas outra vez.
Levi, mesmo que desajeitadamente, conseguiu fazer o mesmo, logo sentindo suas pernas fraquejarem e seus joelhos irem de encontro ao chão. Os olhos fechados em uma pressão absurda tentavam em vão aliviar a dor lancinante que surgira em sua cabeça naquele momento. A mesma dor que sentira quando voltava do treinamento com Eren.
O homem de baixa estatura ergueu a cabeça, abrindo minimamente os olhos apenas para perceber o quanto sua vista estava embaçada naquele momento, quando outra fisgada em sua cabeça o fez fechá-los novamente.
– Merda! — gritou, trincando os dentes em seguida e chamando a atenção de seus companheiros, que tentavam afastar aquela mão dali. — Está pior do que antes... — Irwin franziu o cenho com aquilo, no entanto, deixou para pensar sobre isso quando se livrassem daquele empecilho, concentrando-se então em como fatiar aquela titã enquanto seu amigo permanecia vulnerável logo atrás de si. — Merda...
Foi quando a terceira explosão se fez presente e, como se um choque elétrico percorresse todo o seu corpo, Rivaille se levantou de ímpeto e, mesmo com a visão ainda turva e as pernas trêmulas, começou a caminhar para fora daquela sala.
– Eren... — murmurou, parando por alguns segundos para refletir antes de balançar a cabeça algumas vezes e correr da melhor forma que podia na condição em que se encontrava. — Céus... Eu preciso encontrá-lo!
– Rivaille! — ouviu alguém chamar, ignorando por completo. A única coisa em que se concentrava no momento era em Eren, que continuava desaparecido e provavelmente na companhia de Elaijia.
Não ficaria preocupado se o moreno estivesse com o amigo de anos, porém, levando-se em consideração os acontecimentos recentes, não poderia simplesmente confiar em ações e confianças passadas.
A cabeça latejou quando outra dor aguda se fez presente, obrigando-o a parar outra vez, apoiando-se sobre a parede de pedra daquele corredor por não confiar nas pernas trêmulas. Céus, o que estava acontecendo?
Não conseguia enxergar direito quando abria os olhos, as imagens se formavam completamente embaçadas, como se estivesse submerso em uma grande quantidade de água e isso o irritava profundamente. No entanto, os acinzentados se arregalaram surpresos quando um golpe dado por um dos titãs atingia aquele corredor e, mesmo não enxergando perfeitamente, conseguia perceber poucos detalhes da carapaça que cobria o possível braço do titã encouraçado atravessar aquele lugar de um lado para o outro à poucos metros de distância de onde se encontrava, bloqueando sua passagem.
[...]
Estava completamente perdido em meio àquele cenário caótico no qual se encontrava. Conseguia ouvir com perfeição os passos que aqueles titãs davam e, não muito longe de onde se encontrava, uma terceira explosão se fez presente, o que apenas aumentou o seu pânico. Estava indefeso afinal, sem equipamentos e contando apenas com as habilidades de luta corpo a corpo que desenvolvera com o treinamento que tivera com Rivaille que, naquela situação, era o mesmo que nada.
As mãos procuraram outra vez as paredes que serviam como guia naquela situação, esperando conseguir encontrar um lugar seguro de alguma forma. Aquela ideia não lhe agradava nem um pouco, no entanto, nada poderia fazer e temia ser um estorvo para os demais soldados.
Suspirou profundamente, fechando os olhos e concentrando-se no que havia aprendido com Levi fora das muralhas. Deveria ouvir as coisas à sua volta, concentrar-se nos sons era o melhor que poderia fazer no momento. No entanto, era um trabalho deveras complicado, levando-se em consideração o misto de passos dos outros soldados que ecoavam incessantemente por aquele lugar com os estilhaços das construções próximas a se chocarem contra o chão, fazendo com que seu corpo cambaleasse algumas vezes.
Engolindo em seco, Eren forçou-se a continuar se concentrando. Ouvia vozes, muitas, gritando ordens ou pedidos de socorro. Mais à frente de onde se encontrava conseguia ouvir um burburinho dos cabos do DMT trabalhando incessantemente em conjunto com as lâminas. Aquilo o desanimava bastante, afinal, estava completamente cercado e desarmado. Era uma situação que o fazia se sentir estranho.
Todavia, foi tirado de seus pensamentos por uma voz chamando-o ao longe. O jovem Jaeger franziu o cenho, procurando ouvi-la de uma forma mais nítida e então seus esmeraldinos foram expostos mais uma vez, inicialmente pela surpresa em reconhecer e conseguir localizar aquela vez, e, agora, por perceber como o cenário a sua volta era pior do que estaria imaginando.
"Levi".
As orbes cintilavam em demasia, como um par de jóias, ao mesmo tempo em que corriam o que restava de um majestoso corredor de pedra polida. A imagem nítida a sua frente o assustava. Entretanto, logo tratou de afastar aquela distração e procurar por um caminho alternativo àquele que estava imaginando quando não enxergava. Um caminho que o levasse o mais rápido possível ao capitão. Engoliu em seco, sentindo um nó na garganta ao imaginar que poderia ter acontecido alguma coisa com seu superior, ao mesmo tempo em que as imagens que se fizeram presentes em sua mente após o encontro com Elaijia o martirizavam como lâminas.
Eren então correu, lançando-se à sorte. Era estranho vagar por aquele lugar agora que o enxergava, visto que precisou encontrar um novo método para se guiar por entre os demais corredores da base. Resolveu então segui-lo, contando em voz alta os passos que faltavam para que chegasse à sala de Irwin ao mesmo tempo em que os esmeraldinos procuravam gravar o máximo possível de informação que conseguiria naquele momento. Lembrava-se também das palavras que o ruivo havia lhe dito anteriormente, que podia controlar a sua misteriosa cegueira, prometendo a si mesmo que ao fim de tudo aquilo iria manter sua visão como sua prioridade.
Todavia, no fundo sabia que não conseguiria fazer aquilo, visto que suas prioridades haviam mudado.
[...]
Saltou outra vez, usando das lâminas de seu equipamento para manter-se equilibrado a cada esquivada. A dor não lhe abandonando uma vez sequer e a visão apenas piorando a cada segundo que se passava. Não sabia o que iria fazer quando se ela se fosse por completo, portanto, deveria sair daquela situação o mais rápido possível e, caso tivesse sorte, derrubar aquele titã o quanto antes.
Com isso em mente, aproveitou a oportunidade que outro golpe em sua direção lhe proporcionava, forçando um pouco mais as pernas trêmulas para um salto mais alto, logo ativando os cabos de seu equipamento e cravando-os na parede da sala de Irwin e usando do gás para impulsioná-lo para o alto. Daquela forma, quando a gravidade fizesse seu trabalho, poderia golpeá-lo com toda a sua força.
Como imaginava, o titã logo ergueu uma das mãos a fim de capturá-lo ainda no ar e, mesmo sabendo que seria inútil, Levi posicionou suas lâminas e movimentou o corpo, usando do gás para impulsioná-lo para baixo e desprendendo os cabos. Seu corpo girava a uma incrível velocidade, golpeando desde a mão daquela anomalia até seu braço, subindo pela nuca até chegar próximo ao rosto do mesmo, onde se apoiou com um dos pés sobre a ponte do nariz e com o outro sobre o que seria a maçã do rosto. Sabia que as lâminas estavam completamente debilitadas, se não quebradas por conta daquele ato, mas nãos hesitou em apontá-las e encravá-las com força sobre os olhos do titã encouraçado, visto que era uma das poucas partes que permaneciam expostas.
Apenas não esperava a reação que se seguiu. A anomalia rugiu alto, balançando desengonçadamente o corpo antes de golpear o próprio rosto. O capitão foi obrigado a saltar imediatamente do rosto do mesmo, de repente encontrando-se em uma queda alta demais para que os cabos pudessem se prender com segurança sobre as paredes já danificadas por aqueles ataques incessantes contra a mesma.
Resolveu então usar o gás para amortecer sua queda, não fazendo cerimônia e usando o máximo que conseguia, sentindo seu corpo ser levemente impulsionado para cima na medida em que se aproximava o chão, até se manter flutuando por completo por pouco tempo e encontrando o chão em uma velocidade imensamente menor que a inicial. Ainda conseguia ouvir os gritos do titã encouraçado há poucos metros de distância e, imaginando que o mesmo ainda estivesse se recuperando do golpe, levantou-se, aproveitando-se daquela situação para tentar encontrar Eren. No entanto, um chamado desesperado em uníssono o fez parar imediatamente.
– Não! Armin!
Levi reconhecia aquelas duas vozes que chamavam pelo loiro como ninguém e então semicerrou os olhos o máximo que pôde em uma tentativa de deixar sua visão um pouco mais nítida, deparando-se com a imagem distorcida do jovem Jaeger há poucos metros de distância, encarando fixamente uma imagem perturbadora à sua frente. Quando os acinzentados finalmente perceberam o que estava acontecendo, o capitão rapidamente de pôs a correr o máximo que conseguia, passando velozmente pelo corpo do moreno e imediatamente acionando seu DMT na direção do titã ruivo, que segurava Armin com uma das mãos.
Ao seu lado o som dos cabos de outra pessoa se faziam presentes e logo o dono da segunda voz entrava em seu campo de visão. Irwin Smith havia abandonado por completo a titã fêmea ao perceber o que estava acontecendo com seu companheiro, saltando da janela de sua sala e impulsionando seu dispositvo na direção da anomalia onde estavam naquele momento. Mesmo com a visão debilitada, Rivaille conseguiu perceber como o amigo estava preocupado. As grossas sobrancelhas franzidas e as orbes azuladas arregaladas na direção de Armin. Ao mesmo tempo imaginou a situação em que Eren se encontrava, voltando a enxergar em um momento tão delicado como aquele.
– Droga... — murmurou, usando o gás para se impulsionar. — Por que ele tinha que enxergar justo agora?
Percebeu quando Irwin, em um movimento rápido, se movimentou na direção de Armin, segurando firmemente sobre as lâminas, pronto para atacar o pulso do titã ruivo. Foi quando a coloração de seu corpo mudou, tornando-se azulado por inteiro e anulando por completo o ataque do comandante, que praguejava algumas coisas quando suas lâminas se partiram.
– Cuidado Irwin. — Resolveu alertar, aproveitando aquele momento para recolher os cabos do DMT, que o impulsionavam com força para cima. — Este é diferente dos outros. Lembre do que reportei e-
Levi se interrompeu para desviar de um ataque que a mão livre do mesmo fazia e, para sua surpresa, percebeu quando os cabos de seu equipamento era pego pelo mesmo, que o erguia até a altura de seus olhos. O homem de baixa estatura voltou os acinzentados para os mesmos, deparando-se com a imensidão também acinzentada daquele titã que olhou mais profundamente para o capitão. Logo em seguida, Rivaille foi obrigado a fechar os olhos tamanha era a dor que sentia naquele momento, o que o fez largar as lâminas para levar novamente as mãos à cabeça, gritando logo em seguida.
Aquilo chamou a atenção do comandante Smith, que tentava em vão libertar o soldado do aperto do titã ruivo, cuja pressão parecia somente aumentar a cada tentativa, o que resultava em lamúrios por parte do loiro menor. Armin imediatamente abriu os olhos ao ouvir o grito vindo de seu superior e, temendo o que poderia vir a seguir, voltou os azulados para o homem à sua frente.
– Vá ajudá-lo, Irwin. — pediu, olhando para os olhos surpresos de seu superior.
– Não posso deixá-lo assim, Armin. — retrucou, trincando os dentes ao perceber que outra lâmina se quebrava. — Merda...
– Ir... Win... — murmurou, fechando os olhos ao sentir que a pressão sobre seu corpo aumentava. — Ah... Pense direito, por favor... O heichou é... Mais útil para o senhor do que eu...
– Não diga uma coisa dessas! — exclamou, franzindo o cenho e voltando os olhos para Eren, logo abaixo dos dois, correndo de um lado para o outro a procura de alguma coisa que não sabia dizer o que era. — Como seu irmão iria ficar se eu simplesmente-
– Senhor... — Armin cortou, lançando-lhe um sorriso cordial. — Eren tem... O heichou... Faça isso, por favor.
– O que? — demandou Irwin, incrédulo.
– Por favor! — pediu novamente, dessa vez fazendo uma funda mesura desajeitada. — Eu lhe imploro! Ajude-o!
Os azulados do comandante vagaram pelo rosto jovial de Armin e saltaram para o corpo pendurado de Levi, que gritava vez ou outra ao mesmo tempo em que o titã ruivo rugia na sua direção e ameaçava devorá-lo. Em seguida seu olhar caíra sobre o corpo de Eren, que permanecia ajoelhado ao lado do corpo caído de um outro soldado. Aquela era uma escolha difícil. Não queria deixar Armin, o garoto que amava, a mercê daquela anomalia, no entanto, também não podia perder o soldado mais forte da humanidade.
Foi então que, trincando os dentes e com um enorme peso sobre as costas, resolveu se levantar. Antes de mais nada deveria pensar no bem da humanidade e, com isso em mente, deu as costas ao Arlert e saltou do braço do titã ruivo, ativando os cabos de sua DMT, que se fincavam em dois pontos aleatórios e o impulsionavam na direção de seu subordinado. Um rápido movimento com as únicas lâminas que lhe restavam foi o suficiente para cortar os cabos do dispositivo de Rivaille, libertando-o das mãos daquela anomalia e fazendo-o cair.
O capitão se surpreendeu com aquela ação repentina e, como um passe de mágica, a dor em sua cabeça se aliviara bastante assim que se afastara dos olhos daquele titã. Em ocasiões normais, poderia elaborar várias teorias enquanto pensava em como se livrar da morte iminente daquela queda, entretanto, levando-se em consideração que não estava em um bom estado mental, simplesmente fez o mesmo que antes quando caíra do corpo do titã encouraçado.
No entanto, outra surpresa: seu gás havia acabado.
[...]
Eren não suportava ser um simples espectador, queria fazer alguma coisa. Queria livrar o amigo daquela situação e, também, ajudar Levi a sair daquela situação. Sabia que o mesmo tinha potencial o suficiente para lidar com aquilo sozinho, portanto, para que não estivesse fazendo absolutamente nada, alguma coisa deveria estar acontecendo.
Correu as esmeraldinas por todo o local, movimentando-se vez ou outra a fim de ampliar seu campo de visão. Precisava de um DMT, mesmo não sabendo manuseá-la corretamente, poderia ao menos tentar evitar o pior naquele momento.
Seus olhos repousaram sobre o corpo de um soldado ali próximo e não pensou duas vezes antes de se aproximar, ajoelhando-se ao seu lado ao mesmo tempo em que analisava a maneira como as amarras que percorriam seu corpo se prendiam ao dispositivo. Em qualquer outra ocasião repudiaria o que estava prestes a fazer, no entanto, sua ética não estava falando naquele momento e a única coisa que queria era ajudar seu superior.
Suas mãos trabalharam rapidamente para remover o equipamento daquele corpo, mas atrapalharam-se algumas vezes quando precisou amarrá-los em seu corpo, demorando mais tempo para se equipar do que havia pensado. Quando finalmente terminou, fez o mesmo que Irwin fizera ao pousar no braço daquele titã, usando da base onde se encaixam as lâminas para controlar tanto o gás quanto os cabos.
O garoto suspirou pesadamente, piscando algumas vezes antes de procurar pelo melhor ponto para guiar os cabos. Entretanto, isso logo fora deixado para segundo plano ao avistar o corpo de Levi caindo velozmente. As esmeraldinas se arregalaram e então Eren correu. Sem pensar duas vezes acionou os cabos à sua própria sorte, onde se fincaram sobre uma parede ali próxima e então saltou, sendo impulsionado pelo gás que acionara há pouco, o que o levava diretamente para o corpo de Rivaille, que sentiu seu corpo ser envolvido por um par de braços finos, antes de ser aconchegado sobre o corpo daquela pessoa que conhecia bem.
– Eren? — perguntou, deixando um suspiro aliviado escapar antes de sentir outro baque sobre o corpo, visto que o garoto desviava desengonçadamente do ataque que o titã ruivo desferia contra eles com a mão livre. Deveriam sair dali o mais rápido possível. — Hey, consegue ver algum lugar seguro?
– O que? — O garoto questionou, estranhando aquela pergunta enquanto recolhia os cabos da DMT para lançá-los para outro lugar. — Heichou, o senhor...
– Responda! — pediu autoritário e então Eren encolheu levemente o corpo, correndo os esmeraldinos pelo local e semicerrando-os em seguida ao vislumbrar uma cabeleira conhecida em um local aparentemente seguro.
– À esquerda. Acho que é o... Hannes, quem está ali. — disse e então sentiu as mãos de Levi segurarem a base que controlava o dispositivo, imediatamente apertando o corpo de seu superior contra o seu para não deixá-lo cair.
Rivaille, seguindo as coordenadas que lhe eram dadas pelo moreno, acionava o mais rápido possível o equipamento. Era complicado controlá-lo quando não se enxergava, mas conseguiu, mesmo que bruscamente, adentrar o corredor que o garoto lhe havia dito, surpreendendo os dois ali presentes pela entrada repentina.
Eren imediatamente se levantou e voltou sua atenção para o titã ruivo, esquecendo-se por completo que dois superiores estavam ali presentes. Estava extremamente preocupado com Armin, precisava ajudá-lo o quanto antes. Além disso, algo chamou sua atenção quando a anomalia ruiva lançara o corpo de seu amigo no ar e a tão conhecida fumaça esbranquiçada se fazia presente. Era uma grande quantidade, deveria admitir, ao ponto de nublar a visão de qualquer um, deixando-os às cegas para o que estaria acontecendo. Contudo, o garoto semicerrou os olhos o máximo possível para visualizar algo que se assemelhava com uma longa cabeleira ruiva, próximo a região do pescoço daquele titã, que logo desaparecera.
Sua respiração travou por alguns segundos pela teoria que acabara de se formar em sua mente.
– Seria possível? — murmurou para si mesmo, arregalando os olhos mais uma vez ao perceber o corpo da titã fêmea surgir por trás daquela enorme nuvem de fumaça, deixando-o em agonia outra vez ao perceber que seu amigo estava na posse dos titãs outra vez.
Eren voltou os olhos para Levi, que havia se levantado e agora olhava para um ponto em específico que não conseguia identificar qual era. Aquilo fez com que o moreno engolisse em seco, sentindo sua garganta doer com o esforço.
– Heichou... — chamou e então a cabeça de seu superior se voltou para a sua direção. O garoto continuou em silêncio, o que foi o suficiente para que Rivaille compreendesse o que estaria tentando dizer.
– Vá. — respondeu.
Eren então assentiu e, da mesma forma desengonçada, acionou o DMT e partiu na direção da titã fêmea, onde Irwin também se encontrava lutando bravamente pela liberdade de Armin.
Quanto à Levi, este continuou de pé. As pernas já firmes e a dor de cabeça pouco presente. No entanto, sua visão ainda não havia retornado, o que o preocupava em demasia, visto que agora poderia ser considerado um...
Suspirou pesadamente antes do barulho de passos o tirar de seus devaneios, voltando então sua atenção na direção dos mesmos, que eram seguidos por uma respiração ofegante.
– Ah... Meu corpo inteiro arde! — Ouviu a voz conhecida reclamar próximo à eles.
– Por que demorou tanto, comandante Savage? — A voz do Marechal se fez presente, este que cruzou os braços. Os acinzentados de Elaijia então se voltaram para o homem velho à sua frente.
– Fiquei preso nos escombros, próximo à enfermaria. — respondeu, voltando os olhos para Levi, que olhava fixamente para um ponto em específico. — Demorei um pouco para conseguir contorná-los e vir para cá. Tentei fazer um ataque surpresa àquele titã ruivo, mas aquele maldito desapareceu e quase me cozinhou.
Aquela explicação pareceu ser suficiente para o Marechal, que voltou sua atenção para a titã fêmea e na forma como o jovem Jaeger e o comandante Smith tentavam, a todo custo, salvar um soldado em específico. Hannes fazia o mesmo, enquanto Rivaille apenas abaixava a cabeça e suspirava pesadamente, o que aguçou a curiosidade do Savage.
– Então, Levi. — chamou, sorrindo. — Vamos ajudá-los, em nome dos velhos tempos?
O capitão franziu o cenho com força, fechando ambas as mãos em punhos. Em qualquer outra ocasião não pensaria duas vezes antes de seguir com aquela provocação, ignoraria até mesmo o fato de ter desaparecido com Eren por alguns minutos e o faria, no entanto...
– Não posso. — respondeu, fechando os olhos com força enquanto aumentava a pressão na qual mantinha suas mãos fechadas. — Eu... Estou inválido.
Todos os ali presentes voltaram os olhos para o capitão da tropa de exploração naquele momento. O Marechal e Hannes atônitos enquanto Elaijia, fazendo um esforço descomunal para não abrir um sorriso naquele momento, mantinha uma expressão estranha sobre o rosto.
Entretanto, para o alívio de Rivaille, o chamado de Irwin fez com que voltassem a atenção para a titã femea uma outra vez. O homem de baixa estatura fazia o mesmo, reabrindo os olhos e enxergando apenas borrões que, para sua preocupação, pareciam estar menos nítidos do que da última vez.
– Deveríamos interferir? — perguntou Elaijia, observando aquilo com a cabeça levemente erguida.
– Não, deixemos como está. Eles não sabem que estamos observando. — O capitão respondeu, cruzando os braços atrás das costas. — Marechal, tenha isso como prova de meu desempenho como responsável por Eren Jaeger. — Os acinzentados foram voltados para o homem velho ao seu lado. — Caso ele não consiga sair dessa situação sozinho, deixo o destino dele em suas mãos. No entanto, se ele conseguir, deverá conceder sua vaga permanente como membro da tropa de exploração.
O homem velho soltou uma risada tossida na direção do capitão Rivaille, logo em seguida ajeitando os óculos sobre o rosto com uma das mãos.
– Tem certeza? — questionou e Levi fechou ambas as mãos em punho outra vez.
– Sim senhor. — respondeu apenas, fechando os olhos. — Confio em suas habilidades e tenho certeza que conseguirá se livrar dessa situação. — Deu uma pausa para organizar os pensamentos, demorando-se mais do que realmente pretendia. — Ponho meu nome e minha reputação em jogo, senhor.
O Marechal ergueu ambas as sobrancelhas, surpreso.
– É uma aposta arriscada, capitão Rivaille. — admitiu, ajeitando a postura antes de continuar. — Mas devo dizer que me deixou curioso. Veremos do que este garoto é capaz.
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