Wishmaster
28 Um Ato Com Consequências I
Notas iniciais
Levi despertou de repente, levantando-se tão rapidamente que suas costas reclamaram em dor, soltando então um gemido involuntário que não passou por despercebido por Irwin, que voltou os azulados para seu subordinado enquanto depositava os papéis novamente sobre sua mesa.
– Está tudo bem? — O loiro perguntou, observando o homem de baixa estatura à sua frente lhe lançar uma expressão carrancuda.
Não sabia dizer se estava bem ou não. Na verdade, mal se lembrava de adormecer sobre o sofá da sala do comandante e isso o irritava.
Levou as mãos aos olhos, coçando-os enquanto sentia o corpo pesar novamente enquanto ponderava seriamente em voltar a se deitar. Estava extremamente cansado, levando-se em consideração a quantidade de trabalho que recebera naquela semana. Não apenas por conta da visita dos comandantes e do Marechal, mas também por conta do número de baixas que tiveram desde a última invasão dos titãs à Sina. A população ainda estava assustada e, para aumentar seu trabalho, os operários que estavam encarregados pelo término da construção da nova cidade fora do território das muralhas não queriam deixar a suposta segurança que elas lhe proporcionavam.
Suspirou pesadamente, levantando-se e balançando a cabeça negativamente antes de se levantar. Não poderia se dar ao luxo de descansar em um momento como aquele.
– Por que me deixou dormir? — perguntou mal humorado, sentando-se sobre a cadeira em frente à mesa de Irwin e ocupando-se com alguns papéis. — Temos trabalho demais para ficarmos deitados sem fazer nada.
O loiro riu nasalmente, apoiando ambos os cotovelos sobre a superfície de madeira à sua frente.
– Você parecia cansado. — respondeu. — Suas olheiras não negam. Tem dormido bem durante à noite, Rivaille?
O capitão parou de respirar por alguns segundos, fitando o documento em suas mãos fixamente com aquela pergunta. A verdade era que depois daquele desentendimento com Eren suas noites tranquilas haviam desaparecido repentinamente. Não conseguia relaxar sem que pesadelos e imagens terríveis viessem em sua mente, fazendo com que acordasse repentinamente e completamente suado pelo nervosismo. Aquele momento em que dormia no sofá não fora exceção.
– Estou com insônia ultimamente. — Por fim, resolveu mentir. O comandante Smith então ergueu uma de suas sobrancelhas.
– Deveria tomar algo para aliviar isso. — comentou, voltando os azulados para os papéis espalhados sobre a mesa. — Um chá talvez, sei que gosta disso.
Levi ergueu o olhar, ponderando seriamente sobre aquilo. Geralmente se sentia melhor após uma pausa para tomar chá, no entanto, não o faria desta vez por conta do trabalho que precisava adiantar. Irwin balançou a cabeça negativamente, voltando sua atenção também para os inúmeros documentos que deveriam ser assinados e validados o quanto antes.
Todavia, foram atrapalhados uma outra vez pela porta que se abria repentinamente, o barulho da madeira se chocando contra a parede ecoou pela sala por alguns segundos. Os dois se voltaram na direção daquele estardalhaço, observando com certa curiosidade um homem loiro e alto, com a barba por fazer ali parado, apoiado com uma das mãos sobre o batente enquanto respirava descompassadamente.
– Mike? — murmurou Rivaille, descansando os papéis sobre as pernas, virando parcialmente o corpo na direção do companheiro de trabalho. — O que está fazendo aqui? Pedi para que desse uma olhada em Eren.
Os orbes em tom caramelado se encontraram com os acinzentados de Levi, que imediatamente franziu o cenho, desconfiado.
– Eu sei, mas... — começou Mike, respirando profundamente antes de continuar. — Nos encontramos com Elaijia no meio do caminho para a enfermaria.
– Elaijia? — murmurou Irwin, voltando o olhar para Levi, que respondeu com um dar de ombros. — Quando foi que ele chegou?
– Parece que acabou de chegar, Irwin. — O Zackarius respondeu, trincando os dentes em seguida. — Ele agarrou o Eren de repente e o levou para algum lugar. Tentei segui-los, mas quando percebi os havia perdido de vista.
O capitão abaixou o olhar, levando o polegar próximo aos lábios, roendo levemente sua unha enquanto tentava formular em sua mente alguma desculpa no mínimo lógica que justificasse aquela ação tão repentina de seu amigo, infelizmente não conseguindo pensar em nada e, ao voltar os olhos para seu comandante, percebera que o mesmo provavelmente havia caído no mesmo dilema que o seu.
Rivaille então levantou de repente, ignorando os papéis que caíam de seu colo e sendo prontamente acompanhado por Irwin, que contornou sua mesa até estar ao lado de seu subordinado.
– Obrigado por avisar Mike, e- O comandante foi interrompido por Levi, que começou a caminhar afobadamente, parando apenas por alguns segundos ao lado do major, tocando-lhe no braço levemente.
– Venha procurar conosco. — disse Levi, voltando a caminhar em passos rápidos e sendo seguido pelos outros dois loiros.
– Você falou com mais alguém antes de nos encontrar? — Quis saber Irwin, dirigindo-se ao Zackarius, que permanecia com o cenho franzido.
– Encontrei com Nanaba no caminho. — disse, entortando levemente o nariz. — Pedi para que ela nos reportasse caso avistasse Eren ou Elaijia.
– Fez bem, major. — O capitão respondeu, atraindo a atenção dos outros dois pela velocidade na qual suas pernas trabalhavam, como se estivesse quase em ponto de sair em disparada.
Tal preocupação não era sem fundamento, afinal, admitia que o amigo de anos estivesse agindo de forma estranha desde o ingresso de Eren à tropa de exploração e, somando com as estranhas lembranças que se acumularam com o tempo em que esteve com o garoto, faziam com que sua preocupação apenas aumentasse. Irwin não compartilhava das mesmas imagens, no entanto, sabia que iria acompanhá-lo caso pudesse provar que o outro estava fazendo uma espécie de "trabalho sujo".
No entanto, antes que pudessem ao menos se dividir para irem em busca do moreno, um contratempo surgia. Por pouco Rivaille não se chocava contra o corpo robusto de um homem que aparecia tão repentinamente na sua frente. Por um momento o capitão rogou-lhe mentalmente mil e uma pragas, logo retirando todos aqueles pensamentos maldosos de sua cabeça ao regular a vestimenta e as infindáveis medalhas que adornavam a farda do homem à sua frente.
– Marechal Darius Zackly? — perguntou Mike, logo em seguida fazendo a saudação, sendo acompanhado por Irwin e Levi em seguida, mesmo que o segundo ainda estivesse levemente atordoado com o encontro repentino.
– Major Zackarius. — cumprimentou o homem com um simples acenar de cabeça, logo voltando-se para os outros dois. — Comandante Smith, capitão Rivaille.
Mike franziu o cenho, olhando de relance para o loiro ao seu lado por conta daqueles postos estranhos nos quais o homem à sua frente se referia, recebendo como resposta apenas um prolongado suspiro.
– Espero que não se incomodem de ter trago mais dois convidados. — O Marechal continuou e então a atenção do trio era voltada para outras três pessoas atrás de seu superior. Além do comandante das tropas estacionárias, Dot Pixis, ali também se encontrava um homem loiro com o uniforme cujo brasão era adornado em rosas, e outro que era bem conhecido pelo trio, com cabelos negros e vestido com o uniforme da Polícia Militar.
– Este é Hannes, o capitão das tropas estacionárias. — disse Pixis, entortando os lábios de forma a fazer com que seu grosso bigode ficasse mais volumoso. Seus olhos enrugados repousaram sobre o comandante da tropa de exploração antes de continuar. — Assim como quando o era, Irwin, é necessário que os comandantes estejam acompanhados por seu subordinado de maior patente. Espero que isso não seja um incômodo para você.
– De forma alguma, senhor. — O Smith respondeu sincero, não era realmente um incômodo a quantidade de pessoas que viriam ou não. Os azulados então repousaram sobre o outro capitão ao lado de Hannes que, pessoalmente, incomodava-o de certa forma. — Presumo que esteja acompanhando o comandante Savage, Nile.
O moreno crispou levemente os lábios, apenas ignorando aquela alfinetada de seu velho conhecido. No entanto, algo não se encaixava na mente de Rivaille, afinal, caso o quarteto tivesse chegado naquele momento à base, significaria que Elaijia havia se adiantado quanto à viagem.
– Acho estranho o fato do capitão chegar depois do comandante. — comentou Levi, cruzando os braços em seguida. — Devo concluir que o comandante Savage não os acompanhou durante a viagem, capitão Dawk?
Nile franziu o cenho pelo tom que o outro usara consigo, apoiando uma das mãos sobre as amarras do uniforme antes de responder.
– O comandante nos acompanhou até o distrito de Utopia, onde decidimos descansar por algumas horas. — explicou. — No entanto, o comandante resolveu seguir em frente pois haviam assuntos de sua parte ainda inacabados.
Tanto Mike quanto Levi e Irwin sentiram a respiração falhar naquele momento, então entreolhando-se discretamente. Teriam esses "assuntos" alguma relação com Eren?
– Vamos para a sua sala, Irwin. — disse o Marechal, começando a caminhar calmamente por aquele longo corredor. — Precisamos decidir isso de uma vez, com ou sem Elaijia.
Rivaille observou como em câmera lenta o homem velho passar ao seu lado, acompanhado de seus convidados. Fechou ambas as mãos em punho, por que eles deveriam ter chegado naquele momento tão importante? Queria procurar por Eren e ter certeza que o garoto estava bem.
Percebendo a preocupação do amigo, o major então se abaixou levemente, de forma que seus lábios ficassem bem próximos da orelha do capitão, e então sussurrou:
– Minha presença não é necessária. Irei procurar pelo garoto enquanto você e Irwin estão ocupados.
Levi suspirou pesadamente, extremamente grato por aquilo e então assentiu, resolvendo seguir seus superiores enquanto deixava aquela responsabilidade nas mãos de Mike, que imediatamente voltava a seguir seu caminho, usando seu olfato apurado para tentar localizar o garoto com mais rapidez.
[...]
O ruivo largava o pescoço do garoto, que escorregava pela parede até se encontrar sentado sobre o chão. O moreno levou ambas as mãos aos fios castanhos, puxando-os agoniadamente enquanto as grossas lágrimas insistiam em rolar pelos seus olhos, deixando seu rosto ainda mais molhado. Os olhos eram fechados com força enquanto murmúrios desconexos escapavam de seus lábios, o corpo trêmulo encolhendo-se cada vez mais na medida em que aquelas imagens apareciam em sua mente e o sentimento de nostalgia se fazia mais forte.
– C-Chega... — suplicou entre os murmúrios, a voz saindo em frangalhos. — Eu não quero mais ver... Por favor...
– Veja, criança! — exclamou Elaijia, com o cenho franzido enquanto andava de um lado para o outro. — Veja e entenda como tudo isso começou!
Outro flash de imagens iluminava a mente de Eren, que gritou baixinho enquanto o cenário de uma pequena vila ao redor de um castelo se fazia presente. Conseguia enxergar um garoto muito parecido consigo, imundo, sentado sobre o chão lamacento daquele lugar. Ao seu lado se encontrava um homem ruivo e extremamente alto que lhe empanturrava de pão e frutas, além de lhe oferecer bebidas dos mais variados tipos.
O moreno grunhiu uma outra vez, deixando o corpo tombar para o lado enquanto outro flash começava a correr, dessa vez em uma época diferente. Outro flash surgiu, onde conseguia se vislumbrar nos braços de um outro homem de baixa estatura que usava uma coroa extravagante. E então surgiu mais um, que o mostrava erguendo uma espada para o ruivo que o havia ajudado na infância. Outro, que deixava clara a diferença entre os três... E assim sucessivamente. Todos os fragmentos de lembrança que estavam reprimidas até então estavam, agora, sendo mostrados ao garoto que se retorcia de agonia no chão.
– Eu... Fiz isso? — perguntou Eren para si próprio quando viu outro fragmento de memória. — N-Não... Aquelas pessoas... — Fungou profundamente quando outro flash se formava. — Meu... D-Deus...
Elaijia parou por um momento, aproximando-se do garoto em passos lentos, dessa vez agachando-se em frente ao seu corpo encolhido e trêmulo. Sabia que não havia revelado toda a verdade à ele, porém, sentia-se infinitamente melhor em saber que pelo menos, em partes, Eren se lembrava das coisas.
O ruivo se permitiu, por alguns momentos, regular o corpo fragilizado à sua frente. A familiar aura indefesa que o havia conquistado ainda era a mesma, deveria admitir. Além disso, assim como naquela época e em todas as que a sucederam, o garoto o fazia lembrar de alguém extremamente importante e que fora um dos motivos para fazer o que fez até aquele momento.
Fechou os olhos, coçando a cicatriz sobre a ponte do nariz antes de levar a mesma mão até os fios castanhos de Eren, afagando-os levemente e se afastando logo em seguida, observando como o corpo do garoto relaxava imensamente logo após aquilo. Agora as imagens já não inundavam seus pensamentos, o que o permitia se tranquilizar um pouco.
– Agora você sabe. — Elaijia comentou após alguns minutos em silêncio, levantando-se logo em seguida.
Eren arfava bastante e estava cansado, extremamente cansado. Todos os sonhos que tivera durante toda a sua vida, além das imagens que passara a compartilhar com Rivaille eram verdade e faziam parte de um passado marcado pela crueldade e pelo sangue de muitas pessoas queridas.
Os olhos se abriam levemente. Agora lembrava-se também de Elaijia, o homem que fora tão bom consigo durante tanto tempo... Sentiu o coração apertado ao se lembrar das imagens e do que havia feito o ruivo passar. Não apenas ele, mas também Levi, que nas épocas anteriores tivera tantos outros nomes... Darcy, Lucius... Até chegar em Francis... Fora mesmo tão... Mau?
Além disso, agora que se lembrava também das longas conversas que tivera com aquele homem em outras vidas, perguntava-se mentalmente a idade que o ruivo deveria ter. Afinal, pelo o que o mesmo lhe havia dito naquelas lembranças, estava vagando por aquelas terras há muito, muito tempo.
Fazendo certo esforço, conseguiu se sentar novamente e, com os olhos bem abertos, dirigiu-se para o ruivo:
– Eu... Sinto muito... — Sentiu os lábios tremerem com aquilo. — Eu queria... Poder dizer isso olhando nos olhos do senhor, mas...
Elaijia ouviu aquelas palavras com o cenho franzido, pressionando com certa força os lábios.
– Você pode enxergar se quiser. — comentou, cruzando os braços. — Basta você querer.
Eren também franziu o cenho com aquilo, afinal, do que aquele homem estaria falando? Não havia nada que mais desejasse além de ter sua visão de volta.
O Savage suspirou ao perceber a confusão do garoto, crispando levemente os lábios antes de se levantar novamente e se voltar para a porta daquela sala, iria sair daquele local, afinal, já havia feito o que havia planejado, mesmo que parcialmente.
– Sabe qual foi a última coisa que você disse à Francis antes de morrer? — comentou novamente, parando em frente à porta e apoiando uma de suas mãos sobre o batente. Aquilo chamou a atenção do jovem Jaeger, que sentiu o corpo estremecer levemente ao se lembrar das cenas que havia compartilhado com Levi há alguns dias atrás. — Você disse que não queria mais ver a crueldade que as pessoas desse mundo eram capazes de fazer umas com as outras. Parece que suas preces foram atendidas, garoto, mas você tem total controle sobre isso. — Os acinzentados foram voltados para o moreno outra vez. — Sei que você não nasceu cego, mas, por um momento, sei que desejou isso. Basta desejar o contrário.
Eren engoliu em seco enquanto ouvia os passos do homem se distanciarem e, como em um impulso, levantou-se rapidamente, caminhando ainda cambaleante até se chocar contra outra parede, onde tateou a mesma a fim de encontrar o batente da porta. Ainda estava confuso quanto à questão de sua cegueira, afinal, sabia que voltar a enxergar era a coisa que mais queria na vida.
Foi quando algo o fez parar para pensar. Seu corpo se estagnou momentâneamente com aquele pensamento. Sua prioridade seria, realmente, voltar a enxergar, ou haveria outra coisa que desejava mais do que sua visão? Admitia que as coisas que passaram a acontecer nos últimos dias influenciaram em suas vontades, mas desde quando havia influenciado nisso também?
O moreno então se lembrou dos momentos em que, mesmo por poucos minutos, havia visto o mundo ao seu redor. Todas elas ao lado de seu superior, Levi Rivaille, em momentos em que gostaria que ficassem marcados no fundo de sua alma. Naqueles momentos ele realmente queria ver.
No entanto, como explicaria as dores de cabeça terríveis que tomaram conta de sua mente tanto na infância quanto no mais recente ataque daquele titã ruivo? Em ambas as ocasiões, sentira tonturas e perda de força antes que sua visão fosse ou retirada ou devolvida para si. Teria aquele titã alguma ligação com suas vontades? Ou seria...
Não conseguiu concluir seu pensamento, sendo interrompido pelo barulho de uma explosão terrível não muito longe de onde se encontrava. Os esmeraldinos se arregalaram na medida em que seu corpo trabalhava mais rápido para encontrar a porta. Aquele barulho lhe era extremamente familiar, caso sua memória não falhasse, era o mesmo barulho que ouvira quando foi atacado por três titãs quando voltava para Maria com Levi.
– N-Não pode ser... — murmurou ao finalmente encontrar a porta, sentindo o chão tremer e ouvindo o barulho dos passos pesados daquilo que temia. — Titãs... Aqui...
[...]
Usou de sua velocidade para se afastar rapidamente da sala onde até aquele momento conversava com Eren. Estava satisfeito com os resultados de seu plano, afinal, a reação do moreno estava saindo melhor do que havia planejado. Optou por não alertar o garoto quanto ao fato de avisar ou não à Rivaille sobre as lembranças que agora nutria, afinal, não afetaria significativamente o andamento de seus desejos.
Estava agora caminhando em passos lentos pelo corredor principal da base, este que servia de ligação para os demais corredores e locações. Os soldados da tropa de exploração passavam correndo afobados pelo mesmo, provavelmente por conta da possível chegada dos demais convidados do Marechal.
Elaijia não conseguiu esconder o sorriso que adornou-lhe a face. Era a ocasião perfeita para dar início ao que estava planejando há um bom tempo e, como se lessem seus pensamentos, duas pessoas em especial chamaram sua atenção. Sem parar de caminhar momento algum, os acinzentados repousaram sobre um dos corredores mal iluminados daquele lugar, onde conseguiu distinguir dois seres encapuzados da cabeça aos pés. A única coisa que fez foi balançar a cabeça discretamente em um sinal positivo e voltar sua atenção para frente e logo as duas figuras desapareciam de seus campo de visão.
Ah... Se não soubesse disfarçar, provavelmente a excitação estaria estampada em sua face naquele momento. Conseguia sentir o calor de seu corpo aumentando gradativamente a cada passo que dava para o interior daquele corredor. Caso sua memória não falhasse, ele terminaria exatamente no hall principal da base da tropa de exploração, que seria um lugar perfeito.
O ruivo então parou de caminhar ao ouvir um barulho de explosão à oeste de onde estava, os acinzentados capturando o momento exato em que o trovão amarelado descia dos céus acompanhado pela espessa fumaça da típica transformação dos titãs. Em seguida, ao sul de onde estava, outra explosão era ouvida e logo a imagem de dois titãs de quinze metros se fazia presente, seguido por uma ventania que se chocava contra o corpo do comandante da Polícia Militar e dos demais soltados que ali se encontravam.
Um sorriso crápula foi estampado sobre o rosto de Elaijia, os olhos brilhando em expectativa. O ruivo voltou a seguir seu curso, observando ao seu redor alguns soldados caídos, ainda atordoados pelo vento repentino que os havia derrubado. Um deles ergueu uma das mãos em sua direção, dizendo em seguida:
– S-Senhor... Titãs...
O Savage ergueu uma de suas sobrancelhas, mordendo o lábio inferior em seguida.
– Eu sei. — respondeu apenas, ainda com o sorriso nos lábios. — Estão apenas seguindo minhas ordens.
O soldado então arregalou os olhos, incrédulo com aquela resposta.
– C-Como?
Elaijia não respondeu, apenas levou uma das mãos ao bolso da calça de seu uniforme, tirando dali um material metálico que se assemelhava ao gilete. O soldado caído observava incrédulo como os acinzentados do comandante fitavam aquele instrumento cortante e, ao mesmo tempo, sentia uma estranha onda de calor emanando do corpo do ruivo.
– Adeus, pirralho. — disse apenas e então pequenas fumaças esbranquiçadas começavam a surgirem de seu corpo. Era a tão conhecida fumaça da transformação.
O Savage cortou o polegar da outra mão com aquele gilete e então a terceira explosão surgiu.
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