Wishmaster

20 Segredos Parcialmente Revelados


Notas iniciais
Bom pessoal, primeiramente quero me desculpar pelo atraso na atualização. Acabaram por acontecer algumas coisas que me impossibilitaram de escrever. No entanto, espero que consiga recompensá-los com esse capítulo! Trabalhei a semana inteira nele e terminei quase agora de escrevê-lo. Espero mesmo que vocês gostem! Fiquei ouvindo Flying Over The World - Denis Maidanov e Mizerable - Gackt para escrever esse capítulo inteiro. Caso estejam interessados, os links estarão nas notas finais! Boa leitura a todos!

Rivaille levou uma das mãos até a nuca de Eren, pressionando-a levemente enquanto aprofundava aquele solene contato, permitindo-se explorar com mais curiosidade a cavidade do outro, que correspondia ao ato um tanto atrapalhadamente, mas esforçava-se.

O moreno relaxou os ombros, levantando levemente o corpo, percebendo Levi se movimentar a fim de se acomodar melhor naquela estranha posição que estava a causar-lhe algumas dores nas costas. No entanto, apenas tentava ignorar tal detalhe, visto que a sensação de beijar os lábios tão convidativos do mais novo não merecia ser interrompida por um capricho como aquele.

Os lábios do cabo se afastaram por breves segundos e moveram-se para o olho esquerdo e fechado de Eren, onde ali fora depositado um pequeno beijo, que seria seguido de uma sequência que fazia uma espécie de caminho de volta aos lábios entreabertos do jovem Jaeger que, afobadamente, voltava a selar os lábios de Levi, que não recusou o beijo, permitindo-se sorrir levemente com aquilo. Sentia-se um idiota ao se lembrar de como vinha agindo desde quando conhecera o garoto, porém, não conseguia se irritar tanto com aquela situação quanto no início. Na verdade, poderia admitir que gostava de se sentir dessa forma estranha.

No entanto, ainda deveria terminar seus trabalhos pendentes, obrigando-se a por um fim naquele contato com o garoto, afagando levemente seus fios castanhos antes de selar rapidamente os lábios do outro.

– Preciso me arrumar Eren. — avisou, levantando-se e esticando os braços antes de caminhar até o armário. — Ainda tenho trabalho a terminar.

– Quando poderá voltar? — quis saber.

– Em breve, espero eu. — respondeu, retirando do armário uma nova muda de roupas. — Passarei alguns dias fora, preciso ir até Sina. Com a morte dos comandantes da tropa de exploração e da Polícia Militar, será necessária uma nova organização de patentes e apenas o Marechal poderá resolver isso. — explicou, voltando os olhos para Eren. — Também tentarei negociar com Mike quanto à sua visão.

Levi voltou o olhar para o espelho à sua frente, afrouxando seu cravat logo em seguida. Sabia que o Zakarius era sua única opção, visto que não confiava nos métodos medicinais de Hanji. Além disso, não poderia mencionar a estranhas visões e eventos que aconteciam consigo à morena, afinal, a mesma imediatamente os associaria aos seus livros sobre titãs. Mesmo sabendo que não poderia descartar tal hipótese, gostaria de, ao menos, evitar tocar no assunto.

– Levi, não precisa fazer isso. — retrucou, atraindo a atenção do outro. — Quer dizer... Minha visão não é algo que seja relevante...

– Isso se tornou algo relevante e de meu interesse desde o momento em que você enxergou por segundos e depois voltou a ficar cego. — devolveu, aproximando-se da cama outra vez, sentando-se ao seu lado enquanto desabotoava a camisa. — Estou fazendo isso por mim. Afinal, de que adiantaria arriscar minha vida para poder conhecer o mundo se você não poderá contemplar sua beleza?

Eren sentiu as maçãs de seu rosto esquentarem violentamente e apenas naquele momento Rivaille percebera o que havia dito, crispando os lábios e em seguida crucificando-se por deixar algo do gênero escapar.

– Obrigado Levi. — disse Jaeger, expulsando os devaneios de seu superior.

– Por que está agradecendo, pirralho? — quis saber, cruzando os braços.

– Por que você se preocupa comigo. — começou. — Eu sei que não sou forte e que provavelmente trarei problemas para o senhor. E mesmo assim continua se preocupando comigo... — Deu uma pausa, sorrindo levemente em seguida. — Isso me deixa feliz.

O cabo engoliu aquilo em seco, levando uma das mãos até os fios negros, afagando-os antes de se sujeitar a dizer qualquer coisa. Não conseguia entender o por que do garoto dizer aquelas coisas, era como se ele...

Foi quando um flash clareou sua mente. Não sabia se aquilo era verídico, no entanto, levando-se em consideração o fato de estar em uma situação enrolada com o rapaz, talvez pudesse estar certo.

– Você gosta de mim Eren? — perguntou direto, observando quando o adolescente engasgara com a própria saliva.

– O-O que? — questionou, sentindo todo o rosto esquentando por conta daquela pergunta repentina.

– Só responde, pirralho. — disse ríspido. Não queria repetir a pergunta, visto que também se sentia levemente constrangido por dar início àquela conversa.

Enquanto isso, o jovem Jaeger, ainda demasiadamente encabulado, tentava formular alguma resposta para aquela pergunta. Ou melhor, o moreno sabia a resposta, todavia, assumir aquilo em silêncio e assumir em voz alta eram dois desafios diferentes. Não imaginava que Rivaille fosse tocar naquele assunto tão cedo, havia sido pego desprevenido.

– B-Bom... — começou, abaixando a cabeça. — Eu gosto muito de estar com o senhor... Q-Quer dizer, eu sempre o respeitei e admirei desde criança e isso aumentou quanto nos conhecemos em Trost... Mas depois do que aconteceu no treinamento as coisas mudaram.

– Como assim? — perguntou, erguendo uma sobrancelha ao mesmo tempo em que o receio de ter forçado o garoto a alguma coisa brotava em seus pensamentos.

– Eu... B-Bem... Mudaram como se... Bom, não acho que o que eu sinto pelo senhor seja respeito. — Ouviu quando seu superior resmungou em um tom confuso, logo tratando de explicar aquela frase. — Não que eu tenha deixado de respeitar o senhor! — exclamou, balançando ambas as mãos enquanto sua expressão facial denunciava o quão enrolado estava. Inconscientemente, Rivaille descobrira que aquilo poderia ser divertido. — Eu quero dizer que, agora, as coisas estão diferentes.

– Diferentes como? — continuou, estava se divertindo com aquilo. — Não estou entendendo Eren, seja mais claro.

O jovem Jaeger fazia uma carranca que obrigava o cabo a se forçar para não sorrir.

– Eu... Eu... — murmurou, levando ambas as mãos ao rosto, escondendo-o, visto que provavelmente estaria completamente vermelho. Céus, como contaria aquilo com as palavras exatas para o homem à sua frente? Aquele que era conhecido como o mais forte da humanidade e que sempre admirou. Era deveras constrangedor. No entanto, Eren suspirou pesadamente e, ainda com o rosto escondido pelas mãos, resolveu acabar com aquilo. — Sim! Eu gosto de você!

Levi ergueu ambas as sobrancelhas com aquilo, continuando a fitar o moreno, que imediatamente lançava o peso do corpo contra a cama antes de afundar o rosto sobre o travesseiro. O cabo não sabia se considerava aquela cena algo cômico ou fofo.

– Ah... É tão estranho dizer isso em voz alta! — resmungou, agarrando com ambas as mãos o travesseiro, abraçando-o enquanto murmurava palavras abafadas pelo mesmo que não alcançavam os ouvidos de Rivaille, que balançou a cabeça negativamente com aquela atitude tão infantil.

Tentou se levantar, sendo imediatamente impedido pelas mãos de Eren que, repentinamente, agarravam-se em suas pernas em um abraço desajeitado. O cabo sentiu uma veia em sua testa saltar com aquela reação, voltando os acinzentados para o jovem Jaeger em seguida.

– Deixe-me trocar de roupa garoto. — pediu, suspirando ao sentir os braços apertarem suas pernas. — Tenho que terminar meu trabalho, vamos!

– Fica mais um pouco... — pediu, a voz trêmula por conta da timidez. Levi, por sua vez, estava extremamente tentado a atender o pedido do garoto.

Como não obteve resposta imediata, Eren inflou as bochechas antes de puxar o corpo do homem de baixa estatura para cima do seu, consequentemente perdendo o equilíbrio e caindo deitado contra o colchão, tendo o corpo de Rivaille sobre o seu, que estava surpreso pela reação tão repentina do garoto.

– Ei Eren! — exclamou irritado, tentando se desvencilhar dos braços do outro, que subiram agora para suas costas em um outro abraço. — Isso não tem graça, solte-me agora!

– Por favor... Fica só mais um pouco. — pediu com a voz manhosa, ouvindo o cabo trincar os dentes em seguida.

– Tsc. Por que eu deveria ficar aqui agora? — questionou mal humorado, sentindo os braços que envolviam seu corpo afrouxarem aquele aperto.

– Porque... — começou e então virou o rosto avermelhado para o lado, o que atiçou a curiosidade de Levi. — Eu... Queria saber se o senhor também gosta de mim...

A respiração de Rivaille falhou por uma fração de segundos, ao mesmo tempo em que a feição irritada que lançava à Eren transformava-se em uma surpresa. Por um momento, arrependera-se por ter levantado aquela questão inicialmente, visto que seria óbvio e até natural que o outro também iria querer alguma resposta. No entanto, se mal conseguia organizar seus pensamentos a cerca do que estaria acontecendo com sua mente e com aquelas estranhas visões que insistiam em perturbá-lo, como conseguiria responder com total convicção àquela pergunta?

Suspirando, resolveu descer levemente o corpo até que seus lábios tocassem o pescoço exposto do rapaz, selando um leve contato ali que arrepiara a pele bronzeada do mais novo.

– Você já sabe a resposta, garoto. — disse por fim, rezando para que apenas aquilo fosse o suficiente.

Eren moveu os lábios algumas vezes, mas sem proferir palavra alguma. Imaginava que o outro poderia responder daquela forma e também tinha um palpite quanto ao que o outro sentia para consigo. No entanto, gostaria de ouvir dos próprios lábios de Levi alguma afirmação.

Rindo nasalmente, o jovem Jaeger resolvera deixar aquela questão de lado. Talvez não valesse a pena insistir em algo que pudesse apenas irritar o outro. Afinal, o clima que se instalara entre os dois naquele momento era confortável demais para simplesmente ser quebrado dessa forma. Com isso em mente, o moreno ergueu ambas as mãos, tateando o corpo sobre o seu a procura do rosto do outro que, ao perceber sua intenção, rapidamente guiou as mesmas ao seu destino, arrancando um sorriso de Eren.

– Levi... — chamou, recebendo um resmungar como resposta.

O moreno nada disse, apenas fechou os olhos enquanto acariciava o rosto de seu superior, que observava àquilo tudo com demasiada atenção. Às vezes se perguntava como podia gostar das ações tão repentinas e infantis do outro, como aquela, por exemplo, de simplesmente chamar seu nome antes de relaxar o corpo. Jamais se imaginara em uma situação como aquela. Na verdade, até mesmo repudiara aquilo. No entanto, era engraçado como as coisas simplesmente mudavam.

Com isso em mente, Rivaille aproximou outra vez seus lábios dos de Eren, iniciando ali um outro beijo, diferente do anterior no entanto. A língua do cabo percorria sem pressa alguma a cavidade do outro, vez ou outra encontrando-se com a do rapaz, tratando de entrelaçá-las algumas vezes. Ah, nunca se cansaria daquilo.

Tomando a iniciativa, Levi apoiava uma das mãos sobre a cama enquanto a outra era repousada sobre a cintura do mais novo, que resmungou algo desconexo ao sentir a pressão que era exercida sobre aquele local, o que arrancou um sorriso do mais velho, que repetiu o ato. Gostaria de sentir mais daquela pele bronzeada desde o momento em que o vira com o corpo úmido pela água na qual lavara o rosto no Abrigo Arlert e aquela era a oportunidade perfeita para tal.

Permitiu-se mover a mão da cintura do garoto até a barriga, levantando a camisa do mesmo no processo, que resmungou outra vez ao sentir a mão gélida de seu superior a tocar aquele local. Aquilo servia apenas como motivação para o cabo, que interrompia o beijo apenas para descer os lábios até a tez bronzeada do mesmo, depositando ali beijos, lambidas e leves chupões que faziam com que Eren precisasse morder o lábio inferior para impedir a passagem de quaisquer sons constrangedores. O que não agradou em nada a Levi, que voltou sua atenção para os lábios do outro, lambendo-os vagarosamente até que se separassem. No entanto, aquilo fora o suficiente para que a ética voltasse a perturbar sua mente.

– Eren... — chamou ao se afastar do outro, fitando o rosto deveras corado do jovem Jaeger, que abria levemente os olhos. — Você já fez isso antes?

O moreno piscou algumas vezes com a pergunta, levemente desconfortável.

– S-Sim, mas... — E então se calou, assumindo uma expressão que deixara Rivaille confuso.

– Apenas com mulheres? — arriscou, recebendo uma resposta negativa do outro. — Fez isso com outro homem também?

De repente os olhos de Levi se arregalavam, ao mesmo tempo em que levava uma das mãos até o rosto de Eren, acariciando-o delicadamente na medida em que, com o polegar, enxugava seu rosto das misteriosas lágrimas que começavam a escorrer pelo seu rosto. O moreno não resmungava, apenas olhava fixamente para frente com o cenho franzido enquanto as grossas lágrimas insistiam em rolar de suas íris esmeraldinas.

– Não... Não me faça lembrar disso... — murmurou para si mesmo, levantando um dos braços e levando-o ao rosto, escondendo os olhos na medida em que trincava os dentes. Céus, por que deveria se lembrar daquelas coisas justo agora? — D-Desculpe Levi...

O cabo estava preocupado e, também, sentia-se culpado por ter causado as lágrimas que agora adornavam a face do moreno. No entanto, aquilo aguçara sua curiosidade de certa forma, afinal, como um assunto como aquele poderia entristecer o jovem Jaeger ao ponto de fazê-lo chorar?

– Não precisa se desculpar. — adiantou-se, erguendo levemente o corpo apenas o suficiente para que conseguisse fitar o garoto abaixo de si com mais precisão. Continuou a movimentar o polegar sobre a face do outro, que se umedecia cada vez mais com as lágrimas que insistiam em rolar pelo seu belo rosto. Com a outra mão, Levi afastou o braço de Eren de seu rosto, deixando as íris esmeraldinas que tanto admirava expostas outra vez. — Foi uma experiência ruim?

O garoto movimentou negativamente a cabeça, rapidamente lançando o corpo contra o do homem de baixa estatura imediatamente acima do seu, enlaçando o pescoço de Rivaille com ambos os braços. Tal atitude obrigou o outro a abaixar novamente o tronco, em seguida levando uma das mãos ao topo da cabeça de Eren, afagando seus fios castanhos ao mesmo tempo em que ouvia o outro fungar ao pé de seu ouvido.

– É... Complicado... — murmurou, a voz trêmula e embargada pelo choro. — Muito difícil heichou...

– Quer compartilhar? — sugeriu, afinal, às vezes era melhor compartilhar seus problemas e pensamentos com as outras pessoas. — Estou aqui para ouvi-lo.

No entanto, apenas recebeu uma resposta negativa enquanto a pressão sobre seu pescoço aumentava significativamente.

– Heichou... Levi... — Eren suspirou, afastando-se levemente antes de continuar. — Eu quero, mas... É tão difícil...

O cabo da tropa de exploração franzia ainda mais o cenho, decidindo por fim permanecer por mais algum tempo no quarto com o garoto, até que, pelo menos, o mesmo se acalmasse e pudesse continuar com o seu trabalho. No entanto, mesmo sabendo que o garoto possivelmente se acalmaria, ainda não conseguiria deixar de se sentir preocupado. Principalmente pelo motivo daquela reação estar relacionado com a conotação sexual imposta pela questão levantada por si próprio.

Rivaille então se aconchegou ao lado do garoto, trazendo-o para perto, de forma a fazer com que a cabeça e parte do corpo do jovem Jaeger permanecessem sobre o seu. O moreno imediatamente aconchegava-se, usando de um dos braços para se apoiar sobre o abdômen definido do cabo, que pousava uma das mãos sobre as costas do garoto. Não sabia explicar o porquê, mas aquela posição transmitia certa segurança à Eren.

[...]

Seus passos ecoavam pelo longo corredor que levava à majestosa sala do capitão da tropa de exploração. Os demais soldados o cumprimentavam com a clássica saudação do exército na medida em que acabavam trombando consigo. Por mais que admirasse o respeito que os outros sentiam para consigo, ainda não conseguia se acostumar.

Suspirando, a mente do homem de baixa estatura voltava para Eren, que naquele momento estaria procurando por algum de seus amigos. Era, de certa forma, revigorante para Levi ver que o garoto conseguia interagir com os demais soldados sem muitos problemas. Possuía o total conhecimento da maneira como a maioria tratava os deficientes, por isso, agradecia à Irwin por ter conseguido fazer com que o Marechal o deixasse sobre seus cuidados, visto que era perceptível como agiam quando apenas mencionavam seu nome em algum lugar. Isso, de certa forma, o tranquilizava.

Parando de caminhar e repousando seus acinzentados sobre a porta de madeira escura à sua frente, Rivaille levou uma das mãos à maçaneta da mesma, visto que não era de seu feitio simplesmente bater na porta da sala do outro antes de abrir e o capitão Smith sabia disso. No entanto, rapidamente conteve seus movimentos ao ouvir um barulho estranho vindo do interior daquela sala, barulho este que podia interpretar como alguma coisa se chocando contra uma parede ou uma superfície dura.

Levi ergueu uma de suas delineadas sobrancelhas com aquilo, o loiro provavelmente estaria com algum problema, visto que a maioria das responsabilidades sobre a tropa acabaram por cair em seus ombros com a ausência de um comandante. No entanto, imediatamente descartara tal hipótese ao ouvir uma voz desconhecida vinda daquele recinto.

Desconfiado, o cabo ergueu a outra mão em punho, chocando-o três vezes contra a superfície de madeira. Esperou alguns segundos antes de ouvir a permissão para entrar, segundos esses que foram antecedidos por um movimentar duvidoso. Dando de ombros, Levi abriu a porta, deparando-se com o amigo capitão sentado sobre sua mesa — que, diga-se de passagem, não se encontrava nem um pouco organizada — e com o jovem loiro que Eren considerava como irmão, Armin Arlert.

O cabo estranhou aquela situação, estreitando os olhos para Irwin e para Armin, cujo corpo permanecia trêmulo ao lado do corpo do capitão Smith, em um claro sinal de nervosismo. Além disso, nunca vira as madeixas loiras de seu superior e amigo tão desalinhadas daquela forma.

– O que diabos é isso? — perguntou sem rodeios, cruzando os braços quando o loiro mais novo perdia a postura por alguns segundos.

O capitão voltou seus orbes azulados para o soldado ao seu lado, que retribuíra o olhar com um misto de insegurança e desespero, visto que não sabia o que poderia vir a acontecer.

– Armin estava me ajudando com alguns planejamentos para a nossa próxima exploração fora das muralhas. — disse Irwin, sendo imediatamente seguido pelo jovem Arlert, que assentia freneticamente.

Não estava satisfeito com a desculpa dada pelo seu superior, no entanto, resolvera ocultar seus pensamentos, pelo menos, na presença do soldado. Afinal, não queria constrangê-lo sem motivo aparente, visto como estava óbvio o que estaria acontecendo antes de sua pequena interrupção.

– Poderia nos deixar a sós, Arlert? — disse Rivaille, voltando os acinzentados para os azulados do garoto, que pareciam relaxar naquele momento.

– S-Sim senhor! — respondeu, saudando-o como todos os outros soldados. Voltou-se para Irwin em seguida, realizando o mesmo processo. — Senhor! — disse, observando o outro gesticular algo que significava a permissão para se retirar, o que fora feito imediatamente. — Com licença.

Os acinzentados acompanharam o jovem loiro até que o mesmo fechasse a porta, em seguida permitindo-se finalmente se aconchegar sobre a cadeira disposta ao seu lado, erguendo ambas as pernas e apoiando os pés sobre a mesa de trabalho do capitão, que erguia uma das sobrancelhas com os modos que o outro fazia questão de deixarem transparentes.

– Você, mais do que ninguém, deveria obedecer as regras. — começou Rivaille, cruzando os braços enquanto fitava o outro, esperando uma resposta.

Irwin ergueu uma das sobrancelhas, lançando um largo sorriso para o cabo à sua frente.

– Como se você fosse o melhor exemplo disso. — respondeu irônico, arrancando uma carranca do outro. — Pode me acobertar?

– Minha boca é um túmulo. — respondeu, dando de ombros. Tinha conhecimento das regras quanto à relacionamentos dentro do exército e o mais velho estava certo, não era o melhor exemplo disso, levando-se em consideração seu atual relacionamento com Eren e sua antiga tentativa com Petra.

Levi suspirou, sentindo-se levemente incomodado de repente. A sensação de saber que estava em algo que se assemelhava com um relacionamento ainda parecia um tanto quanto surreal para si.
Levantou o olhar para o seu superior outra vez, deixando de pensar naquelas coisas. Ainda deveria ter uma longa conversa com o loiro.

– Vamos direto ao assunto Irwin. — disse sem rodeios, encostando-se melhor sobre a cadeira de madeira. — Ainda não terminei o relatório do treinamento fora das muralhas com o Jaeger. No entanto, assim que resolvermos todo o assunto com o Marechal, tratarei de adiantá-lo.

O loiro assentiu, apoiando ambos os braços sobre sua mesa.

– Não irei te pressionar quanto à isso, sei que gosta de cumprir o quanto antes com suas obrigações. — adiantou, descendo os olhos para os papéis dispostos desorganizadamente à sua frente. — Mas gostaria que me adiantasse sobre algumas coisas. Por exemplo... — Os azulados repousaram sobre um papel em específico, segurando-o com uma das mãos enquanto a outra buscava pela caneta. — Como fora seu desempenho no treinamento?

– Digamos que ele tenha demorado para se adaptar. — Levi relaxou os ombros, voltando sua atenção para um ponto qualquer do quarto. — Fora isso, o treinamento rendeu bons frutos. Consegui fazer com que ele lutasse e se defendesse com mais facilidade.

– Oh, e ele consegue golpear perfeitamente o oponente mesmo sendo cego? — O outro ergueu ambas as sobrancelhas pela resposta positiva vinda do outro. — Impressionante.

– Tsc. Por um acaso duvidava de minha capacidade? — resmungou mal humorado, fazendo o outro rir. — Você me conhece Irwin, sabe muito bem quais são os métodos que uso em ocasiões como essa.

– Sim, de fato eu sei. Não precisa ser tão agressivo! — respondeu, levantando ambas as mãos em um sinal de rendição, o que apenas irritou o cabo. — E quanto ao DMT?

Rivaille suspirou antes de responder:

– Não consegui treiná-lo para o manuseio do equipamento. — Crispou os lábios por alguns segundos, lembrando-se da peculiar queda que o outro sofrera durante o treinamento. — No entanto, consegui iniciá-lo no treinamento de equilíbrio. O garoto é um completo desastre.

O capitão Smith encostou-se novamente sobre sua poltrona, curioso com aquela afirmação convicta de seu subordinado.

– Não deve ser assim tão mal. — tentou, tendo como resposta um rolar de olhos.

– Acredite, nunca presenciei quedas tão excêntricas em todos esses anos. — foi sincero, o que arrancou uma curta risada de Irwin. — O pirralho não é um caso perdido, mas precisaremos treinar bastante com o equipamento.

O loiro deu de ombros, fechando os olhos. Confiava cegamente nas habilidades de Levi, portanto, não se preocuparia com aquilo no momento. Todavia, ainda existiam questões em aberto que gostaria de tratar com seu subordinado como, por exemplo, como seria feita a visita ao Marechal. Poderia deixar a tropa sob os cuidados de Hanji, no entanto, sabia muito bem que Rivaille não aprovaria aquilo.

Irwin balançou a cabeça negativamente enquanto escrevia qualquer coisa sobre a folha que segurava naquele momento. Por mais que o outro desconfiasse da tenente por conta de suas obcessões e peculiaridades, nunca abria mão do laço que criara com a mesma. O que o fazia se questionar a cerca dos reais motivos que faziam com que aquela amizade permanecesse indestrutível, independente do que viesse a acontecer.

Aquele pensamento acabou lembrando o capitão de um assunto que gostaria de tratar com Rivaille, este que era mais urgente e que deveria ter tratado desde antes de sua saída.

– Ainda precisamos resolver alguns assuntos pendentes. — começou, atraindo a atenção do cabo. — Pensei que seria melhor se esperasse o seu retorno, mas temo que tenha me equivocado quanto à isso.

– Vá direto ao ponto. — disse impaciente, fazendo o outro suspirar.

– Lembra da nossa conversa na manhã em que partiu com o Jaeger? — Reabriu os olhos, voltando-os para a face carrancuda do outro, que assentia. — Lembra também que, quando fui até Sina negociar com o Marechal, seu amigo, Elaijia, também estava lá?

Levi revirou os olhos, desdenhoso.

– Ainda desconfia de alguma coisa? — perguntou, os acinzentados se fixando sobre os azulados uma outra vez. — Irwin...

– Eu não disse tudo naquele dia. — cortou, atraindo novamente a atenção do cabo. — Depois que nos despedimos do Marechal, Elaijia me disse algo que me deixou levemente curioso.

– E o que seria? — quis saber, observando seu superior voltar a apoiar ambos os braços sobre a mesa.

Irwin explicou tudo, desde o momento em que entraram na sala do senhor que chamavam de Marechal e da maneira como o capitão da Polícia Militar agira antes e depois de ouvir o nome completo de Eren. Deixou-o à par também do relatório que havia feito sobre o incidente em Trost, avisando ao mesmo que também estava trabalhando no relatório sobre o incidente em Sina, mais especificamente no distrito de Stohess.

Levi ouvia tudo atentamente, não deixando de ponderar sobre o que o outro dizia, levando-se em consideração as estranhas atitudes que o ruivo tivera para com o jovem Jaeger. Inicialmente, pensara se tratar de alguma implicância de Irwin, entretanto, quando o homem loiro mencionara a irônica frase do outro em relação a igreja, sua mente rapidamente interligava aquela nova informação com os livros que Hanji havia começado a ler para si, que foram confiscados pelo próprio Elaijia.

– O que acha? — O loiro quis saber.

– Tsc. — Rivaille resmungou, fechando os olhos e levando uma das mãos às têmporas a fim de massageá-las por conta da leve, mas repentina, dor de cabeça que começava a incomodá-lo. Todo aquele mistério o estava deixando confuso e, principalmente, preocupado. — Não estou gostando disso, Irwin.

O capitão deu de ombros. Nada podia fazer quanto à isso, afinal, era seu dever vasculhar todas as possibilidades de uma possível ameaça a humanidade, não importando o quão absurdas estas poderiam ser. Levi sabia disso, no entanto, por mais que sua mente insistisse em interligar as histórias que lera sobre os titãs com o amigo de longa data, simplesmente não conseguia acusá-lo de traição ou algo parecido.

No entanto, sabia que deveria compartilhar seus pensamentos com o outro, principalmente naquele momento, que descobrira a possível relação de Elaijia com a igreja. Assim como Irwin, também gostaria de receber respostas.

Com isso em mente, o cabo decidira então contar ao seu superior o que realmente acontecera em seu quarto no dia em que o capitão Savage apreendera os livros de Hanji. Não omitiu o que antecedera aquele encontro, informando também ao seu superior o que havia acontecido com Eren enquanto estavam no campo de treinamento daquela base. Disse também sobre a associação que a tenente Zoe fizera daquilo com os titãs, o que apenas reforçava a teoria de que o garoto poderia ser um humano-titã. Omitiu apenas as estranhas visões que estava a ter desde que conhecera o garoto, visto que aquela informação não parecia relevante naquele momento.

Irwin ouvia àquilo tudo com demasiada atenção, processando cada informação com cuidado. Aquelas eram preciosidades que deveriam ter sido reveladas há mais tempo, no entanto, relevara tal fato, visto que o forte laço de amizade que um nutria pelo outro era deveras forte e, provavelmente, estaria nublando os pensamentos de Rivaille.

Suspirando, o capitão batia a caneta algumas vezes sobre a superfície de madeira da sua mesa.

– É muita coincidência. — disse por fim, percebendo quando seu subordinado se movimentava sobre a cadeira, trocando levemente de posição. — No entanto... Ainda não é o suficiente para que consigamos tomar alguma providência.

– O que quer dizer? — Levi ergueu uma das sobrancelhas quando o capitão Smith espalmava uma das mãos sobre a mesa.

– Nós vamos até a sede primária da igreja quando chegarmos em Sina. — anunciou, determinado. — Quero averiguar pessoalmente essa história e você virá comigo.

– Não podemos ir em alguma igreja aqui próxima? Com certeza os líderes religiosos responsáveis por elas poderão nos dar informações úteis. — palpitou, afinal, significaria ficar mais tempo afastado de Eren caso realmente precisassem investigar a sede primária da igreja em Sina.

Rivaille crispou os lábios com aquele pensamento, irritando-se consigo próprio por cogitar a hipótese de deixar seu trabalho em segundo plano por conta do garoto.

– Temo que eles escondam alguma coisa de nós. — explicou, voltando a relaxar sobre a poltrona. — Em Sina temos mais autoridade, superando até mesmo a Polícia Militar. Além disso, os Sacerdotes estão concentrados em Hermiha. Como precisaremos passar por aquele distrito para chegar à base militar, não teremos tanto trabalho.

Ponderando sobre aquilo, Levi concordou com o capitão. No entanto, teriam trabalho caso realmente estivessem dispostos a arrancar alguma informação daqueles Sacerdotes.

– Creio que nossa única dificuldade seria fazer-los falar. — disse Rivaille, atraindo a atenção de Irwin outra vez. — Dizem que eles têm um pacto quanto à assuntos que envolvem os titãs.

– Eles não têm escolha. Qualquer reação duvidosa poderá colocá-los em maus lençóis. — explicou. — Além disso, essa crença é misteriosa até mesmo para os membros mais antigos. Caso eles se recusem a nos dar informação, podemos interpretá-los como inimigos da humanidade. A tropa de exploração tem potencial para isso, até mesmo na corte.

Levi deu de ombros, sendo obrigado a concordar uma outra vez.

– Tudo bem, pode contar comigo. — disse por fim, retirando os pés da mesa de Irwin, pousando-os sobre o chão de pedra da sala do mesmo. — Apenas diga-me quando partiremos.

[...]

Nunca havia ficado tão tenso em toda a sua vida como ficara no momento em que o cabo os surpreendera. Não saberia como reagir caso acabasse o encontrando por entre os corredores da base da tropa de exploração. No entanto, tentaria agir naturalmente. Afinal, sabia que Irwin o aconselharia a fazer o mesmo.

Suspirando, o loiro tentava se acalmar na medida em que caminhava pelo corredor que levava aos estábulos. Não era saudável se preocupar demasiadamente com aquilo e deveria ocupar a mente com outras coisas para espantar seus devaneios. Porém, sentia-se angustiado apenas com a hipótese de ter prejudicado o capitão de alguma forma.

Armin trincou os dentes, batendo-os vez ou outra por conta do nervosismo. Sabia o quanto o Marechal era ríspido quanto às regras e o fato de estar burlando uma das mais importantes o deixava louco. O loiro estava tão absorto em seus pensamentos que apenas percebeu que estava caminhando afobadamente pelos corredores quando trombara com um corpo inicialmente desconhecido. Armin cambaleou algumas vezes antes de ir de encontro ao chão, levando uma das mãos até a coluna, que estava dolorida pela queda.

– Ah... — resmungou, erguendo os azulados para a figura à sua frente, que massageava o peito com ambas as mãos. — Eren?

– Armin? — O jovem de orbes esmeraldinas se exaltou. — Desculpa, eu não ouvi os passos, estava distraído conversando com a Christa.

– T-Tudo bem Eren. — disse o loiro, ainda um tanto desnorteado. O irmão ergueu uma da mãos e então o jovem Arlert a segurav, levantando-se logo em seguida. — Obrigado... Tudo bem, Christa? — cumprimentou logo após.

– Sim Armin, obrigada. — A garota respondeu, sorrindo cordial antes de se voltar para o moreno. — Posso te deixar aqui, Eren?

– Ah, claro. Muito obrigado Christa!

Após os agradecimentos e a curta conversa que, para Armin, não fazia o menor sentido, a garota se retirou, acenando por breves segundos antes de seguir definitivamente o seu caminho. O loiro iria também se retirar, mas fora impedido pela vos do irmão, que dizia:

– Armin, precisamos conversar.

O soldado engoliu aquilo em seco, imaginando que o assunto não deveria ser um dos mais agradáveis, levando-se em consideração o tom de voz que fora empregado àquela frase.

O moreno estava deitado sobre o impecável gramado daquele local, com os olhos fechados e com um sorriso estampado no rosto. Segundo Armin, a expressão tranquila sobre o rosto do jovem Jaeger era algo admirável de se presenciar.

No entanto, o loiro estava extremamente tenso com o tema da conversa que teriam dentro de alguns minutos. E se o cabo tivesse contado sobre o ocorrido de momentos atrás? O Arlert balançou negativamente a cabeça, logo descartando tal hipótese. Afinal, fora algo recente e, provavelmente, Levi ainda estaria resolvendo o que quer que fosse com Irwin. Além disso, não acreditava que o homem mais forte da humanidade se sujeitaria à um papel como aquele. Não parecia ser de seu feitio.

Foi tirado de seus devaneios por Eren, que resolveu quebrar aquele silêncio:

– Armin, você é a pessoa mais inteligente que eu conheço. — Os azulados do amigo e irmão foram voltados para o moreno. — Preciso de alguns conselhos... Pensei em falar com Mikasa primeiro, mas não acredito que ela iria aceitar isso bem.

– Como assim? — perguntou, observando os esmeraldinos do outro serem expostos.

O jovem Jaeger suspirou pesadamente, movimentando-se apenas para conseguir uma melhor posição. Por mais que confiasse no irmão, ainda sentia-se relutante em dizer abertamente ao outro o que estava acontecendo entre ele e seu superior. Todavia, enquanto conversava sobre coisas banais com Christa, a mesma tocara no assunto de que relacionamentos dentro do exército eram proibidos. O que, de certa forma, o incomodara, visto que estaria arriscando a carreira de Rivaille ao burlar as regras daquela forma.

Sentiu o rosto esquentar levemente com isso. Saber que estava em um pseudo relacionamento com o outro fazia com que um calor confortável crescesse em seu peito.

– Ouvi dizer que relacionamentos são proibidos no exército. É verdade? — resolveu usar uma abordagem diferente, visto que, dessa forma, não se sentiria tão constrangido.

Armin ergueu uma das sobrancelhas. Seria possível que o cabo não deixara o outro a par das regras? No entanto, a preocupação de que o irmão suspeitasse de algo acabou por nublar aqueles pensamentos. Curioso, resolveu debater aquela pergunta com uma outra, apenas para confirmar se suas suspeitas estavam corretas.

– Por que quer saber? — Percebeu o rosto de Eren adquirir uma coloração avermelhada com aquilo, o que aguçou sua curiosidade.

– C-Christa me disse algo parecido... — respondeu, o que era verdade afinal. O que foi um alívio enorme para o jovem Arlert, que suspirou pesadamente antes de esticar as costas sobre o chão gramado.

– Ah... Sim, isso é verdade. — confirmou finalmente, voltando os azulados uma outra vez para o irmão, franzindo levemente o cenho pela expressão que o outro nutrira naquele instante. — Eren? Aconteceu alguma coisa?

O rapaz de pele bronzeada suspirou pesadamente, no entanto, não fora de alívio como o do irmão. Então o cabo estava realmente burlando as regras e arriscando sua carreira por alguém como ele. Por um lado, sentia-se especial por aquilo, mas por outro lado, preocupava-o o fato de alguém não confiável descobrir sobre aquilo. O jovem Jaeger foi tirado de seus devaneios pelo amigo, que chamou-o em um tom mais elevado ao mesmo tempo em que balançava levemente o corpo moreno.

– Eren, aconteceu alguma coisa enquanto estava fora das muralhas? — Armin foi direto, fazendo o rapaz piscar algumas vezes seguidas. — Não minta para mim.

O Jaeger crispou os lábios, arrependendo-se por ter tocado naquele assunto para início de conversa. Sabia que Armin era extremamente inteligente, portanto, deveria saber também que o outro deduziria rapidamente quando alguma coisa estava errada. Entretanto, aquela situação era tão complicada...

– Ei, Armin... — chamou após alguns segundos de silêncio. Sabia também que não conseguiria esconder nada do irmão por muito tempo. — Eu preciso que você guarde um segredo para mim. Precisa prometer que não vai contar isso para mais ninguém.

O loiro fitou o mais alto com certa preocupação, aceitando as condições no entanto. Analisaria a informação que lhe seria fornecida e, caso fosse necessário, iria repassar apenas para as pessoas necessárias. Caso não seja algo de muita relevância, apenas guardaria o segredo do irmão.

Já Eren, ainda levemente relutante, começara a contar todo o ocorrido para Armin. Desde o primeiro beijo no dia em que partiram, da visão que ambos partilharam no mesmo dia, até o ocorrido de alguns minutos atrás, onde o cabo o havia deixado no quarto para terminar seu trabalho, mas acabara resolvendo sair e esticar as pernas.

Ao término do relato veio o silêncio. O rosto do jovem Jaeger nutria uma coloração que não mais deveria ser classificada como alguma vertente do vermelho. Esperava, realmente esperava que o amigo loiro quebrasse aquele silêncio de uma vez por todas, estava ansioso pela resposta do mesmo, que apenas separou os lábios para permitir que as altas risadas escapassem por eles.

– O-O que foi? — perguntou, extremamente constrangido pela reação tão repentina de Armin, que levantava-se e começava a caminhar de um lado para o outro, arqueando levemente o corpo quando o ar faltava por entre aquela crise de risos. — O que foi tão engraçado, Armin?!

– Ah... Eren... — tentou dizer entre os risos e os ofegos. Deus, como pôde desconfiar que o irmão soubesse de algo, quando ele próprio estava passando pela mesma situação? — É que... Essa é uma grande... Coincidência!

– O que? — disse sem entender e ainda levemente chocado pela reação tão repentina do irmão. — O que é uma grande coincidência Armin?

O loiro, ao se recuperar parcialmente da crise de risos, abaixava-se para segurar o pulso do irmão que, ao perceber o que o outro queria, rapidamente se pôs de pé.

– Vamos... Tem muitas pessoas nos olhando. — disse, começando a caminhar, sendo seguido de perto por um Eren indignado.

– Armin! Eu quero explicações! — exclamou, levemente enraivecido pelo mistério do irmão. — O que foi aquilo tudo?

O jovem Arlert esboçou um leve sorriso antes de responder.

– Quando você começou com a conversa, pensei que tinha descoberto algo sobre mim e estava morrendo de medo! — começou, em um tom de voz mais baixo para que os demais soldados não escutassem. — E quando descobri que você também estava com medo... Céus! Quanta coincidência!

– Não estou entendendo todo esse falatório... — reclamou, fazendo um leve bico enquanto entravam em um dos largos corredores da base.

– Eu estou com o capitão Irwin. — disse Armin, em um fio de voz.

Silêncio. Eren imediatamente parou de caminhar ao ouvir aquilo, ao mesmo tempo em que uma onda de choque parecia percorrer todo o seu corpo. Será que havia escutado direito? O Armin realmente...

– Você o que?! — Praticamente gritou, sendo imediatamente calado pelas mãos pequenas do irmão, que olhava de um lado para outro, apreensivo.

– Fale baixo Eren, pelo amor de Deus! — praticamente suplicou, o que fez com que o irmão finalmente compreendesse a gravidade da situação.

O jovem Jaeger se acalmou, logo afastando as mãos de Armin e voltando a caminhar, sendo acompanhado pelo mesmo, que, assim como ele minutos atrás, começava a explicar como as coisas haviam começado, não se esquecendo de mencionar também o fato de Rivaille praticamente os terem pego naquele mesmo dia. Aquilo fez o moreno rir ao imaginar a reação do cabo.

O garoto admitia ter sido pego se surpresa, mas sentia-se feliz em saber que não era o único a correr riscos daquela magnitude por conta de um sentimento maior. Agora, sabendo que Armin também partilhava dos mesmos problemas que os seus, poderiam conversar o quando quisessem sobre isso.

– Precisamos apenas ter cuidado para que Mikasa não descubra. — disse o loiro. — Principalmente no seu caso.

Eren ergueu uma das sobrancelhas, confuso.

– Por que? — quis saber.

– Bom... Ela g- O Arlert era interrompido por uma voz feminina imediatamente atrás deles, o que o fez parar de caminhar para dar a devida atenção para sua dona.

– E-Eren!

– Sim? — respondeu, parando de caminhar quando sentiu uma mão sobre seu ombro.

– Lembra de mim? — A dona da voz feminina quis saber, continuando a fitar a expressão confusa do outro. — Sasha Brause.

– Ah, a garota das batatas. — disse, finalmente se lembrando. — O que foi?

– Preciso da sua ajuda! — A morena comentou, colocando-se de frente para Eren, determinada.

– Mas como eu posso ajud- Foi interrompido ao sentir a mão da outra segurando seu pulso, começando a correr e puxando-o consigo. — E-Ei! Armin, ajude-me!

O loiro apenas riu nasalmente enquanto observava o irmão sendo arrastado pela morena, que segurava firmemente um pedaço de pão com a mão livre. Não se surpreendia mais com a quantidade de comida que a garota conseguia ingerir, mas lembrava-se perfeitamente de ficar horrorizado com Sasha quando ainda treinavam na brigada de cadetes.

No entanto, seu sorriso desaparecera no mesmo instante ao fitar, mesmo que de longe, a dupla esbarrar acidentalmente sobre o corpo pequeno do cabo Rivaille, que lançava um olhar de poucos amigos para os dois e, como se não fosse suficiente, percebeu quando seus acinzentados foram lançados na sua direção assim que a dupla se desculpava e se retirava. Armin engoliu aquilo em seco, permanecendo estagnado enquanto o outro se aproximava de si em passos lentos e calmos. Aquilo apenas servia para deixá-lo mais ansioso.

Quando o homem estava próximo o suficiente, o loiro fazia a clássica saudação do exército, sentindo um filete de suor escorrer pelo canto de seu rosto por conta do nervosismo. Levi percebera o tamanho desconforto de seu subordinado, no entanto, resolveu ignorar aquilo por completo.

– Acompanhe-me, Arlert. Precisamos ter uma conversa séria. — disse e logo em seguida voltou a caminhar, passando pelo corpo completamente estagnado de Armin, que engoliu em seco enquanto seguia o cabo, visto que não teria outra escolha.

Apenas esperava que não precisasse temer pela sua vida por conta daquele pedido.

Notas finais
Flying Over The World - Denis Maidanov: https://www.youtube.com/watch?v=CLk5ZvtSfnI Mizerable - Gackt: https://www.youtube.com/watch?v=CGn2RTqf12o Comentários?