Wishmaster
18 Sangue de Maria
Notas iniciais
Lembrança
– Não acha estranho o fato de ele nunca lhe ter revelado o sobrenome? — Ouviu o ruivo perguntar, encostando-se sobre o tronco da árvore atrás de si.
– Como assim? — quis saber e o outro suspirou, fechando os olhos.
– Você precisa ter cuidado Francis. — alertou, atraindo a atenção do outro para si. — Não sabemos do que os Jaeger's são capazes de fazer contra nós.
Os olhos acinzentados de Rivaille voltaram-se então para o jovem moreno de orbes esmeraldinas que treinava ao lado dos demais soldados de seu poderoso exército. Estava dividido entre confiar em seu melhor amigo e confiar na pessoa amada. Além disso, sabia que, caso seu cavaleiro estivesse certo, deveria tomar providências imediatas.
[...]
Encurralou o mais novo na parede do próprio quarto, desferindo um forte golpe contra a superfície próxima do rosto do rapaz que, com os esmeraldinos arregalados de pavor, tentava controlar o corpo trêmulo. Nunca havia visto aqueles sentimentos estampados sobre os acinzentados de Sua Majestade e aquilo o assustava.
– Por que, David? Por que não me disse antes? — perguntou com a voz arrastada, sentia aquele calor característico fluir por todo o seu corpo, o que apenas fazia com que se irritasse mais.
– F-Francis e-eu-
– Não me chame pelo nome! — gritou, golpeando a parede ao lado do garoto outra vez enquanto se alterava mais a cada segundo. — Por que mentiu para mim?!
– E-Eu não...
– Para com isso David! — gritou novamente, dessa vez afastando-se do rapaz de pele bronzeada, que permanecera estagnado enquanto observava, horrorizado, o homem de baixa estatura caminhar cambaleante pelo quarto, derrubando todos os seus bens pelo caminho. — Elaijia! Elaijia, venha aqui agora! — chamou alterado, voltando os acinzentados para o garoto, que prendeu a respiração por breves momentos. — Jaeger... — murmurou, rouco, trincando os dentes em seguida. — Você vai me pagar, Jaeger... Eu não vou parar, garoto.
Francis deu um passo, o que fez com que David se exaltasse levemente, tateando a parede em busca de algum apoio. Estava apavorado, nunca havia visto aquele homem com tamanho ódio exalando de seu corpo.
– Eu não vou parar até ver o último de vocês ser morto.
[...]
– Foi você quem fez aquilo com o garoto nas masmorras?
O homem, sentado encolhido no canto do quarto, soluçava audivelmente enquanto era observado pelo seu cavaleiro, que o fitava preocupado. Não sabia o que fazer, ou melhor, não conseguia acreditar no que havia feito. Amava aquele garoto acima de qualquer coisa, entretanto, seria provavelmente morto caso não fosse capaz de fazer aquilo. Rivaille ergueu o rosto completamente úmido pelas grossas lágrimas insistentes, fungando vez ou outra antes de ouvir o outro continuar:
– Eu li o que escreveu nas costas dele. O que quer que eu faça? — O ruivo franziu o cenho com a ausência de resposta. — Francis.
– A-Ajuda... — respondeu vago, encostando a cabeça sobre a parede enquanto tentava normalizar a respiração. — Elaijia... Tire-me daqui, por favor... Eu não aguento mais isso...
Fim da lembrança
Com as pernas bambas, o cabo encontrava o chão enquanto uma dor aguda, de repente, fazia-se presente, obrigando-o a largar uma de suas espadas e levar a mão livre até os fios negros em busca de algum alívio. Céus... Eram tantas as imagens que percorriam sua mente naquele momento que mal conseguia se concentrar no que, de fato, estaria acontecendo ao seu redor.
–
Parando de correr, a garota voltava sua atenção para os soldados, que preparavam-se para quaisquer brechas que pudessem existir para atacar. Além disso, também estava preocupada com o movimento em solo. As coisas estavam paradas demais, o que era demasiado estranho, visto que conhecia as habilidades do cabo que, provavelmente, estaria atacando aquele titã naquele momento.
Ouviu o irmão chamá-la, sabia que deveriam chegar em Shinganshina o quanto antes, no entanto, queria descobrir o por que de tamanha estagnação, esta que também era protagonizada por aquele titã ruivo, que apenas erguia os braços ao lado do corpo e abria ambas as mãos. Era perceptível que a preocupação com o irmão não permitia que raciocinasse como deveria. Foi quando dois clarões dourados, seguidos da característica fumaça espessa da transformação dos titãs, fez com que a garota asiática arregalasse os olhos enquanto a figura de um titã com aparência feminina e outro que aparentava vestir uma armadura desenhava-se diante de suas orbes ônix.
– Não... Eles não...
– Mikasa! — Foi a última coisa que a garota ouviu antes de partir em disparada, novamente, para aquele local. Deveria fazer alguma coisa, afinal, por mais que confiasse nas impecáveis habilidades de combate do cabo, sabia que seria deveras complicado lidar com aqueles três ao mesmo tempo.
–
Ofegante, Rivaille segurava firmemente sua espada enquanto tentava se recompor. Mesmo com aquela dor indescritível, conseguiu distinguir com perfeição quando o conhecido som da explosão da transformação chegou aos seus ouvidos. Trincando os dentes, seus acinzentados observaram furiosos a cabeleira loira da titã fêmea e a estranha anatomia do titã encouraçado que, naquele momento, portavam-se ao lado daquele misterioso titã ruivo, que deu-lhe as costas logo em seguida antes de começar a caminhar na direção de seu subordinado, que ainda se encontrava contra o chão.
Sem opções, a única coisa que poderia fazer naquela situação seria tentar, mesmo que fosse impossível, fugir com o garoto para o portão mais próximo usando do pouco gás que ainda possuíam. E, como se todo aquele conjunto não fosse o suficiente, aquelas imagens insistiram em retornar mais vívidas do que nunca, como se apenas a presença daquela anomalia ruiva causasse aquilo. O que também o fazia se questionar a cerca de seus motivos para perseguir Eren, especificamente.
Foi tirado de seus devaneios ao obrigar-se a desviar de um ataque que fora desferido contra si por um daqueles titãs, que, aparentemente, estavam ali apenas para impedir sua passagem para ajudar o garoto. O que apenas aumentava sua curiosidade.
Desviando de outro ataque, dessa vez protagonizado pelo encouraçado, Levi acionou seu DMT contra o corpo da titã fêmea, conseguindo perfurá-lo à uma altura favorável antes do gás entrar em ação, erguendo-o o suficiente para que recolhesse os cabos do equipamento, impulsionando-o para o ar de forma a deixá-lo em um posicionamento perfeito para um ataque, que fora interceptado pelo braço da titã, que atrapalhava o seu movimento. O Rivaille trincou os dentes e, irritado, segurou uma de suas espadas pelo lado contrário, conseguindo assim fincar sua lâmina contra o pulso daquela anomalia para, logo em seguida, usar de sua velocidade para golpeá-la o máximo possível. Apenas precisava de tempo o suficiente para se aproximar de Eren.
No entanto, percebeu quando a titã começou a caminhar, mesmo que lentamente, para longe da muralha Maria, o que o obrigou a saltar de seu corpo. Ainda no ar, usou de seu gás para se desviar desajeitadamente de um golpe que o encouraçado desferia em sua direção, deixando-o vulnerável para qualquer outro que pudesse vir a seguir. Foi quando uma bala de canhão entrou em seu campo de visão, tendo como destino o corpo daquele titã. Sabia que apenas aquilo não iria pará-lo, mas era a distração de que precisava.
Lançou novamente os cabos de sua DMT contra do corpo da titã fêmea, usando do gás para tomar impulso e pousar perfeitamente sobre o chão. Tendo feito isso, Levi imediatamente começava a correr na direção de Eren, franzindo o cenho quando avistara o titã ruivo abaixado fitando o moreno, que naquele momento estava sentado no chão, com a cabeça levantada na direção daquela anomalia.
Todavia, o jovem Jaeger, naquele momento, ainda estava completamente desnorteado pela dor repentina que lhe pegara desprevenido, tanto que mal percebeu a aproximação daquele titã. Lembrava-se perfeitamente da última vez que a havia sentido, o que fez com que algumas imagens de seu passado voltassem à tona em sua mente.
No entanto, ao mesmo tempo em que sentira um pulsar estranho na sua cabeça que o obrigou a fechar os olhos, também sentira os enormes dedos daquele titã começarem a rodear-lhe o corpo e, como um impulso, levou ambas as mãos até o seu equipamento tridimensional, porém sendo impedido de usá-lo como deveria ao sentir a forte pressão daqueles dedos contra o seu corpo.
A sensação que percorreu-lhe o corpo após aquele toque se assemelhava à um choque elétrico e então, Eren abriu os olhos, surpreendendo-se ao perceber que estava, mesmo que completamente embaçado, enxergando aquele titã. Exatamente como naquele momento em que Levi o havia beijado.
Seus esmeraldinos se arregalavam na medida em que seu corpo era erguido, ao mesmo tempo em que, felizmente ou infelizmente, sua visão ficava cada vez mais nítida, dando ao jovem Jaeger o privilégio de finalmente descobrir a aparência daquele titã. O que apenas serviu para apavorá-lo ainda mais.
– Não... — O menor murmurou, sentindo as lágrimas acumularem-se sobre o canto de seus olhos enquanto, de certa forma, começava a entender o porque de se lembrar daquele dia em Shinganshina. — V-Você não...
Os olhos acinzentados daquela anomalia fitavam-no arregalados, quase como se transmitissem alguma ansiedade, ao mesmo tempo em que a pressão sobre o corpo de Eren aumentava, fazendo com que o garoto grunhisse vez ou outra de dor.
Porém, tanto Eren quanto o titã voltaram suas atenções para a muralha, de onde uma série de tiros de canhões eram disparados na direção daquela anomalia ruiva, que apenas ergueu o braço livre em forma defensiva enquanto criava ali, em um piscar de olhos, uma superfície parecida com o que cobria todo o corpo do titã encouraçado, fazendo aquelas tentativas de ataque se tornarem completamente inúteis.
O moreno queria gritar, no entanto, resolveu morder a própria língua e pensar em uma forma de reagir enquanto aquela anomalia se distraía. Balançando a cabeça de um lado para o outro, seus esmeraldinos encontraram, mesmo que por uma fração de segundo, o corpo do cabo correndo na direção do titã ruivo que o mantinha preso, este que era seguido por dois outros titãs.
Céus, o que poderia fazer? Caso simplesmente ficasse parado, poderia por em risco a vida de Levi e não queria que isso acontecesse. De forma alguma permitiria que alguém machucasse seu superior.
Foi quando sua mente clareou. Ao olhar novamente para o titã ruivo, percebera que apenas parte de seu corpo estava coberta por aquela camada protetora. Se conseguisse mover as mãos amassadas contra seu corpo, talvez conseguisse acionar seu DMT. Não seria uma tarefa tão difícil, visto que havia segurado os propulsores antes de ser pego. Sorriu ao perceber que conseguiria mover os dedos o suficiente e então, franzindo o cenho, disse:
– Hey! — Usou um tom alto para chamar a atenção do titã, que voltou o rosto para o moreno, que aproveitou o momento para ativar seu equipamento.
Pego completamente de surpresa, a anomalia ruiva não conseguiu tempo o suficiente para enrijecer o corpo, tendo a mão que segurava o jovem Jaeger perfurada pelos cabos da DMT que, consequentemente, também acabaram por perfurar seus olhos, cegando-o. Eren sorriu pela sorte que tivera, percebendo como aquele ser cambaleava levemente para trás e baixava sua guarda.
Logo em seguida, sua atenção fora tomada pelo som de outro equipamento trabalhando e, guiando as esmeraldinas para a direção daquele som, conseguiu presenciar uma das cenas mais fantásticas de sua vida: o cabo Levi Rivaille em ação. O homem de baixa estatura estava surpreso e, ao mesmo tempo, orgulhoso pela iniciativa do garoto, logo usando se seu equipamento para levar seu corpo até a mão daquele titã ruivo. Mesmo estranhando o fato daquela anomalia não ter endurecido o corpo, resolveu movimentar-se e, usando as lâminas contra a carcaça considerada, em seu ponto de vista, normal, fez com que aquele titã abrisse as mãos, libertando o moreno, que abriu ambos os braços a procura de algum apoio para não cair, em seguida tendo o pulso firmemente apanhado pelo seu superior.
– Tsc, quantas vezes mais terei que salvá-lo, pirralho? — resmungou, arrancando uma risada nasal do outro, que envolveu o pescoço do homem de baixa estatura com os braços. Por mais que soasse autoritário ou ríspido demais, Levi estava aliviado por saber que o garoto estava bem.
Com um impulso, o mais velho saltava do corpo daquele titã usando novamente do gás para alcançar uma maior distância. No entanto, não percebeu o ataque que o encouraçado desferia, sendo obrigado a lançar os cabos contra a parte mais próxima da muralha, que se encontrava distante dos portões. Porém, mesmo com aquela desvantagem em termos de distância, ainda poderiam se livrar daqueles três caso conseguissem lançar os cabos da DMT à uma altura maior.
Todavia, um forte golpe contra a muralha fez com que um dos cabos se soltassem, acidentalmente fazendo Levi soltar Eren que, imediatamente, segurou-se nas pernas de seu superior que, por uma fração de segundo, sentiu como se fosse desmaiar apenas com a ideia de ver o garoto nas mãos daqueles três outra vez.
Rivaille segurou o único cabo que os prendia à muralha, transformando-o em uma espécie de apoio para que conseguisse encolher o corpo o suficiente para conseguir voltar a ter o garoto nos braços. Mas congelou ao sentir o mesmo escorregando de suas botas.
– Heichou... — Eren chamou e então Levi voltou seus acinzentados para ele, deparando-se com um par de esmeraldinas reluzindo em sua direção, o que o fez tremer por breves segundos. — Não me deixe cair...
O coração de Rivaille se apertou naquele momento.
– Não vou deixar. — respondeu de imediato, esticando o braço livre na direção do jovem Jaeger. — Vamos, pegue a minha mão.
Mesmo relutante, Eren afastou uma das mãos das pernas de seu superior, esticando seu braço o máximo que podia enquanto sentia seu corpo escorregando rápido demais. No entanto, foi quando outro ataque contra a muralha fez com que o moreno se soltasse que Rivaille se moveu, largando o cabo que lhe servia como apoio e sentindo o corpo girar 180°, ficando de cabeça para baixo. Ao esticar, ao mesmo tempo, os braços, conseguiu pegar ambas as mãos do garoto antes que este saísse de seu alcance.
Porém, o baque daquele movimento repentino fez com que o cabo da DMT se desprendesse da muralha, surpreendendo aos dois, que começavam a cair novamente. Eren fechou os olhos quando sentiu seu corpo ser puxado para cima, logo sentindo uma das mãos de seu superior envolver sua cintura antes de ouvir, outra vez, o equipamento trabalhando. Curioso, o garoto abriu os olhos, surpreendendo-se ao perceber que Rivaille havia acionado o seu equipamento, evitando assim a queda de ambos. O jovem Jaeger sentiu o corpo se chocar contra a dura superfície da muralha Maria, logo sentindo o corpo de seu superior se chocar contra suas costas.
– Ahgr! — grunhiu, sentindo uma dor aguda nas costas, onde julgara que o joelho de Rivaille havia se chocado.
Quanto ao mais velho, este se mostrara preocupado ao ouvir o grunhido vindo de Eren. Céus, havia machucado o garoto justo em um momento como aquele! Como conseguiria atravessar para o outro lado daquele jeito? Tentou usar o gás do próprio equipamento na esperança de conseguirem encontrar uma melhor posição quando sua concentração fora interrompida por outra forte dor de cabeça.
Lembrança
Deitado sobre a margem daquele riacho cristalino, o homem fechava os olhos enquanto sentia os raios do sol matinal esquentarem sua pele. Sempre gostou de passar longos minutos naquele lugar em silêncio, apenas pensando em como seria uma vida sem as responsabilidades de um Rei.
Sentiu o familiar toque em sua mão direita e então abriu os olhos, voltando os acinzentados para o lado e encontrando a imensidão esmeraldina do jovem ao seu lado, que sorria sereno para si.
– O que foi? — O homem quis saber, erguendo uma sobrancelha quando o outro aproximou a outra mão de seu rosto.
– Havia uma folha entre seus cabelos. — respondeu, retirando aquele intruso esverdeado e aproveitando para afagar os fios negros de Sua Majestade, que suspirou, confortável. — É bom ficar assim, não é?
– Hm... Sim. Eu gosto. — admitiu, mantendo os olhos fechados mesmo com a aproximação do outro, que deitava a cabeça sobre o ombro do homem, que apenas aconchegava-o em seu corpo. — David, pensou naquela proposta?
O rapaz ergueu a cabeça, fitando o rosto do Rei ao seu lado.
– De aprendiz à cavaleiro? — O outro confirmou com a cabeça. — Mas... O que os outros aprendizes irão pensar?
– Não me importo com isso. — respondeu direto, reabrindo os olhos e voltando-os para David. — Basta me dizer qual a sua vontade.
O moreno abaixou o olhar por breves momentos, fazendo um pequeno biquinho com os lábios que o outro julgara como adorável.
– Sim senhor. — respondeu, fazendo Sua Majestade erguer uma sobrancelha.
– "Sim" o que? — perguntou, sorrindo levemente pela estonteante risada que o outro lhe havia dirigido.
– Interprete como quiser, senhor.
Fim da lembrança
Por que estava pensando naquelas coisas em um momento como aquele? Ou melhor, por que, justo naquela situação, essas imagens estavam voltando a perturbá-lo?
Não percebeu quando o gás de seu DMT chegara ao fim, sendo obrigado a segurar o corpo do garoto firmemente com ambos os braços para não deixá-lo cair. No entanto, estavam pendurados e completamente vulneráveis sobre a muralha. Rivaille suspirou nervoso, aquilo não podia estar acontecendo. Não poderia morrer em um momento como aquele, precisava salvar Eren que, misteriosamente, havia conseguido ativar seu equipamento para distrair aquele titã ruivo a tempo suficiente para conseguir resgatá-lo.
Segurou firmemente sobre o cabo da DMT ao sentir um ataque sendo desferido contra a muralha, na intenção de atingi-los. Estava sem opções, deveriam sair dali o quanto antes, mas sua única opção...
Suspirou, voltando os acinzentados para os esmeraldinos, que, para sua surpresa, o fitavam com um brilho diferente e, então, recolheu o cabo de seu equipamento, deixando a gravidade fazer o seu trabalho. Talvez conseguissem correr a tempo de chegar aos portões, ou talvez...
– Cabo Levi! — Ambos ouviram a voz de um adolescente logo acima e então voltaram a atenção para o mesmo que, sendo segurado por um dos cabos de seu DMT, corria na direção dos dois que caíam.
O garoto, cujas madeixas ruivas contrastavam com seus olhos castanhos, ativava seu outro cabo, que atingia o braço de Eren, perfurando-o, que grunhiu mais alto antes de mover a mão e segurar aquele braço, fazendo com que não precisassem mais cair e se aproximar daqueles três titãs, que investiam freneticamente contra a muralha, fazendo com que a mesma vibrasse.
O jovem Jaeger piscou algumas vezes em uma tentativa de conter as lágrimas de dor que insistiam em escorrer pelos seus olhos, visto que a dor na coluna apenas piorava naquela situação. Percebeu também que o uniforme daquele garoto era diferente. Se sua memória não falhasse, aquele era o uniforme da brigada de cadetes.
Mais do que depressa, o adolescente ruivo começava a recolher os cabos da DMT, fazendo com que conseguissem subir a muralha, mesmo que lentamente. O que era demasiadamente tranquilizante para Levi e Eren.
Entretanto, um golpe sobre a muralha fez com que o cabo que prendia o jovem Jaeger balançasse, fazendo com que tanto o seu corpo quanto o corpo de seu superior se chocassem com violência contra a superfície dura de Maria, o que fez com que Rivaille se soltasse do corpo de Eren que, ao perceber que seu superior voltava a cair, ignorara por completo a dor na coluna e se movia a tempo o suficiente para segurar com a mão livre o pé do mais velho que, com aquela parada brusca, chocava a cabeça contra a muralha, que abria um corte em sua testa.
– Heichou, argh! — grunhiu Eren ao sentir o cabo da DMT daquele cadete ruivo começar a rasgar sua pele e carne devido ao peso.
Quanto à Levi, mesmo zonzo por conta da batida, conseguia enxergar seu sangue escorrendo pela sua testa até o chão e manchar o rosto do titã ruivo que, para a surpresa do cabo da tropa de exploração, endurecera todo o seu corpo novamente e, com os dedos moldados em um formato pontiagudo, começava a escalar a muralha, continuando a persegui-los.
– Hey... Pirralho ruivo... — chamou a atenção do garoto ruivo, que parecia em transe enquanto observava o titã ruivo subindo, o que aguçou a curiosidade de Rivaille. — Tire-nos daqui, é uma ordem!
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