Wishmaster

33 Falecido em Silêncio


Notas iniciais
É estranho atualizar no meio da semana, porém... Resolvi fazê-lo. Estava realmente inspirada e, mesmo que o capítulo tenha saído menor que os anteriores, creio que esteja com informações suficientes rs' Não quero estragar as surpresas. Por favor, não me matem. rs' Escrevi o capítulo ao som de While Your Lips Are Still Red - Nightwish e a música aqui mencionada é a Nightwish - Nightwish. Deixarei o link nas notas finais! Boa leitura!

Oh, sol poente

Teus raios vermelhos fizeram-me chorar

Eles relembram-me alguém

Cujo amor aguarda-me no céu

Não se importava em caminhar em passos perdidos naquele momento enquanto sua mente o levava aos mais variados pensamentos. Não sabia ao certo qual caminho havia tomado quando saiu daquilo que parecia ser o quarto de Elaijia, ainda não conseguia processar toda a informação que lhe fora oferecida.

– Será que tudo se resume à isso? – murmurou para si mesmo, parando de caminhar enquanto segurava a bengala com firmeza com uma das mãos. Céus, qual seria o sentido de tudo aquilo? Mesmo que agora tivesse a melhor das intenções, o que poderia fazer para mudar aquela situação?

Não queria que mais pessoas morressem por sua causa, não queria mais causar sofrimento à ninguém. Tudo o que queria era que as pessoas que mais estimava continuassem seguras e iria fazer de tudo para que isso fosse possível. Nem que precisasse sair ferido para tal.

Fora surpreendido pela rajada de vento que de repente se fazia presente, chocando-se contra seu corpo e fazendo seus cabelos esvoaçarem. Permitiu-se fechar os olhos e respirar profundamente aquele ar fresco, sentindo-se relativamente mais leve, como se aquilo fosse responsável por remover de si todas as suas preocupações. No entanto, Eren sabia que, ao mesmo tempo, havia selado ali uma espécie de promessa consigo mesmo.

A cama nupcial espera por nós dois... Depois da paisagem de morte que atravessei... Diante de minhas tristezas eu devo morrer... Desejo noturno que envio pelo céu estrelado... – cantarolou, suspirando pesadamente quando o vento de repente cessara.

A voz de ventos noturnos me despertou... Em meio à toda aflição eles me abraçam com alívio... Sob meus sonhos e desejos... Eu almejo tuas carícias... – Ouviu uma voz conhecida completar e então voltou a expor suas esmeraldas. – Desejo Noturno. É uma canção dolorosa demais, não acha?

– Levi... – comentou tétrico, franzindo levemente o cenho antes de voltar o rosto na direção daquela voz, em seguida ouvindo seus passos se aproximando cada vez mais.

– Não gosto de canções tristes demais. Porém... Essa tem um espaço em especial. – continuou até que estivesse em frente ao moreno. – Minha mãe costumava cantá-la para mim antes de dormir e quando ficávamos preocupados quando meu pai passava dias fora de casa acumulando dívidas.

Eren nada comentou, continuando com seu tão conhecido olhar fixo para um ponto em específico. Não queria ter se encontrado com Rivaille naquele momento, visto que apenas cooperava para que se sentisse ainda pior pelo o que estaria prestes a pôr em prática.

Já Levi, estranhando a ausência de palavras de seu subordinado, perguntou:

– Como você está?

O Jaeger mordeu levemente o lábio inferior. Era claro que não estava bem e não saberia dizer se algum dia aquela agonia iria ter um fim. No entanto, não poderia dizer tudo o que sentia ao seu superior, visto que apenas o deixaria cada vez mais preocupado.

Eren suspirou cansado. Céus, aquele homem se preocupava tanto consigo e apenas o retribuía com preocupações e desgostos.

– O que aconteceu com o seu rosto? – Levi perguntou outra vez ao perceber alguns cortes sobre a pele bronzeada de seu garoto, erguendo levemente a mão a fim de tocá-los quando Eren se afastou com um passo.

– Eu estou bem senhor. – cortou rapidamente, apoiando a bengala sobre o chão mais uma vez e o pequeno barulho fez com que os acinzentados do homem de baixa estatura fossem voltados para baixo. Rivaille imediatamente estranhou aquele objeto, afinal, Eren havia perdido a bengala quando ainda estava em Trost.

– Onde conseguiu isso? – quis saber, rapidamente segurando o pulso livre do rapaz quando este ameaçou se afastar mais uma vez. – Eren-

– O senhor Elaijia que me presenteou. Acho que se preocupou com o fato de estar sem nenhum meio de locomoção em um lugar estranho. – interrompeu, resolvendo não entrar em detalhes enquanto tentou puxar o pulso, que ainda era segurado com firmeza. – Se o senhor me der licença, gostaria de fazer uma visita à Armin.

Naquele momento Eren ergueu o olhar e então Levi pôde vislumbrar com perfeição o rosto levemente inchado em conjunto com os olhos avermelhados do garoto.

– Seus olhos estão vermelhos... Andou chorando? Eren-

– Eu preciso ver o meu amigo, senhor! – interrompeu, respondendo em um tom mais elevado que fez com que Rivaille recuasse por alguns segundos, afrouxando levemente a mão que segurava o pulso do jovem Jaeger, que rapidamente a puxou.

Com aquela oportunidade, Eren rapidamente começou a caminhar, usando de sua bengala para não tropeçar ou pisar em nada, sendo observado por um par de acinzentados surpresos pela sua explosão tão estranha e repentina. Era um fato que o garoto não estava nem um pouco bem, sabia perfeitamente que estaria sentindo tantas perdas. No entanto, jamais imaginara que fosse agir dessa forma.

Talvez Petra estivesse certa, deveria dar o espaço necessário para que o mesmo refletisse sozinho sobre tudo o que havia passado. Todavia, não conseguia simplesmente deixar de se preocupar.

– Irei te levar até o quarto do Arlert. – disse por fim, levando ambas as mãos à cintura, preparando-se para caminhar.

– Não é necessário, eu conheço o caminho. – Eren rejeitou ríspido, parando e usando da bengala para tatear um degrau de um lance de escadas ali próximo. Sabia que se arrependeria profundamente das palavras que iria dizer a seguir, porém, deveria fazer aquilo. – Posso caminhar sozinho. Deveria se preocupar com coisas mais importantes a ficar flauteando dessa forma.

– Estar preocupado com você não é algo irrelevante. – retrucou, franzindo profundamente o cenho. Algo de muito errado estava acontecendo. – Eren, sei que está sentindo por causa do que aconteceu em Rose e, acredite, eu entendo e é por isso que me preocupo.

O moreno fechou uma das mãos em punho, parando de movimentar a bengala. Céus, por que ele fazia tudo ser tão mais complicado?

– Nem minha tristeza e muito menos a sua preocupação os trarão de volta. – devolveu, sentindo um aperto no peito com aquelas palavras. – Não preciso de sua compaixão para entender isso. Não sou um pobre coitado que merece um sentimento desses.

E então se seguiu um silêncio perturbador entre os dois, onde Eren subiu aquele lance de escadas deixando Rivaille sozinho com seus pensamentos.

Aquilo havia doído profundamente no capitão, que continuou em silêncio enquanto observava o moreno subindo lentamente degrau por degrau. Sabia que não deveria levar a sério as palavras que lhe fossem dirigidas no momento. Entretanto, não conseguia evitar aquela sensação dolorida ao lado esquerdo de seu peito, como uma estaca que estivesse sendo cravada ali.

Quanto à Eren, este terminou de subir aquele lance de escadas o mais rápido que conseguiu, encostando-se sobre uma parede ali próxima antes de suspirar pesadamente, sentindo o canto de seus olhos úmidos. Aquilo doeu imensamente em si, o que o levou a pensar no quanto havia machucado o homem que deixara para trás. Não conseguia encontrar palavras que descrevessem o que estava sentindo naquele momento, porém, era como se existisse um peso em suas costas que estivesse apenas aumentando.

Fungou com força antes de levar a mão livre aos olhos, enxugando quaisquer resquícios de lágrimas que poderiam estar ali. Se quisesse que aquilo desse certo, deveria parecer indiferente e irredutível, o que de certa forma era engraçado, afinal, jamais se imaginou agindo daquela forma antes, magoando pessoas para protege-las de si mesmo.

Oh, sol poente... Teus raios vermelhos fizeram-me chorar... Eles relembram-me alguém... Cujo amor aguarda-me no céu... – cantarolou outra vez, sorrindo triste em seguida. – Talvez tenha que ser realmente assim.

– Do que está falando? – Outra voz conhecida se fez presente e então Eren saiu de seus devaneios, exaltando-se levemente. – Oh, desculpe. Não queria assustá-lo.

– P-Petra? – murmurou, ainda levemente surpreso pela abordagem repentina.

– É lógico que é ela. Quem pensou que fosse, o bicho papão?

– Auruo! – A ruiva exclamou, repreendendo o colega, que resmungou algumas coisas antes de morder acidentalmente a própria língua.

– O que estão fazendo aqui? – Eren quis saber, atraindo a atenção dos outros dois para si outra vez.

– O comandante Irwin está nos chamando. O esquadrão de operações especiais. – explicou, amigável como sempre e sorrindo abertamente ao ouvir a interrogação estampada no rosto do mais novo. – Ele foi “promovido” à comandante pelo Marechal.

– É claro que um pirralho como você seria o último a saber. – comentou Auruo, recebendo uma cotovelava de Petra como resposta enquanto Eren então abaixava o olhar, cabisbaixo.

– O que foi? – A mulher perguntou assim que percebeu o emanar depressivo do outro.

– Queria falar com Armin primeiro... Ainda não o vi desde que voltamos. – explicou.

– Provavelmente quer fugir da reunião. – comentou Auruo, aproximando-se intimidador.

– Que olhos vermelhos são esses? – notou Petra, erguendo ambas as mãos e ficando nas pontas dos pés para conseguir tocar o rosto do moreno, que não respondeu. – Andou chorando?

– Maricas... – Auruo provocou outra vez, recebendo um olhar reprovador de Petra, cruzando os braços em seguida.

– Está assim por causa dos seus amigos, não? O capitão Rivaille nos contou que eram próximos. – Eren resolveu ignorar o título de seu superior, visto que era mais do que lógico que ele ocuparia o posto de Irwin. – Mas não fique assim, eles não iriam gostar de te ver tão triste.

O Jaeger então assentiu e logo em seguida fora surpreendido mais uma vez por um abraço afobado. Os braços de Petra rodearam lhe o pescoço confortavelmente ao mesmo tempo em que a mulher dava a permissão que queria para ver o amigo e que se encarregaria do resto. Eren agradeceu por isso, mas em momento algum retribuiu o abraço da ruiva, que lhe dizia palavras doces e de conforto. Aquilo era a última coisa que gostaria de ouvir no momento.

– Não faça isso... – murmurou sem querer, fazendo a mulher se afastar e fita-lo confusa.

Antes que pudesse, porém, questioná-lo a cerca disso, distraiu-se com a voz de Auruo, que fez a conhecida saudação do exército e exclamou:

– Capitão!

Logo em seguida Petra fez o mesmo e ambos esperavam que Eren também o fizesse. No entanto, estranharam o fato do moreno apenas abaixar a cabeça e lhe dar as costas, possivelmente caminhando até o quarto do Arlert.

Levi, no entanto, não conseguiu simplesmente ignorar aquilo e continuou acompanhando seu trajeto com os olhos enquanto ouvia Auruo dizer algumas trivialidades sobre a ousadia de Eren que apenas ignorava como sempre fazia. Não queria que aquela conversa tivesse terminado daquela maneira, porém, não podia ir ao seu encontro na presença dos dois.

O capitão então suspirou, voltando-se para as escadas mais uma vez, descendo-as e deixando para trás os dois soldados confusos.

[...]

A morena ajeitava os óculos, observando tanto Mike, que parecia exausto depois de duas operações como aquela, quanto Armin, que resmungava incessantemente de dor já que a droga que haviam lhe oferecido havia feito seu trabalho há algum tempo. Esperava que o mais novo melhorasse o quanto antes e que agora estivesse fora de quaisquer riscos fatais.

Percebeu quando o Zakarius se levantou subitamente, alisando os fios loiros e coçando os olhos, onde um par de olheiras profundas descansavam. Não sabia se o amigo havia descansado desde que chegaram à base da Polícia Militar central e foram imediatamente cuidar do Arlert. Afinal, mesmo que o tivesse ajudado com a operação, não era uma especialista nesta área da medicina. Portanto, as tarefas mais complicadas ficaram por conta do major.

– Vá descansar Mike. – disse por fim, recebendo sua atenção em seguida. – Posso ficar aqui vigiando. A operação pode não ser minha especialidade, mas de resto eu entendo.

O loiro sorriu antes de fungar algumas vezes.

– Esse cheiro está me matando. – comentou baixinho e a mulher riu. – Acho que vou aproveitar para fazer o favor que Rivaille havia me pedido.

– Que favor?

– Examinar os olhos de Eren. – explicou e então a mulher se levantou, eufórica.

– Nada disso! Eu preciso estar presente nesse momento! – disse animada, tentando controlar o tom de voz por conta de Armin. – Não sabe como quero examinar aquele garoto apropriadamente!

– Desculpe, mas prometi à ele que não iria sequer estar na mesma sala quando o fizesse. – devolveu bem humorado, arrancando uma carranca decepcionada da mulher.

– Que injusto! – exclamou, fazendo um leve biquinho antes de cruzar os braços atrás da cabeça. – Mas está tudo bem, a oportunidade irá surgir mais cedo ou mais tarde.

Mike balançou a cabeça negativamente, quando ouviu batidas na porta que o fez voltar o rosto para trás. Por estar mais próximo, resolveu abri-la, deparando-se com o protagonista do diálogo anterior.

Eren imediatamente perguntou quem era e o Zakarius respondeu com um sorriso cordial, chamando Hanji com uma das mãos para que se aproximasse.

– Não esperávamos que viesse hoje. – A morena comentou com um grande sorriso sobre os lábios, apoiando-se sobre o batente da porta.

– Precisava vir visita-lo. – disse apenas, crispando levemente os lábios ao ouvir um gemido vindo de Armin.

– Entendo. – disse Mike, levando uma das mãos à nuca. – Se não se importar, poderia fazer companhia à ele? Precisamos de um tempo para descansar.

– Você não precisa de um tempo, precisa de uma semana inteira! – Hanji encarnou, rindo em seguida e sendo acompanhada pelos outros dois. – Então Eren, irei deixa-lo dormindo, descansarei um pouco e depois venho aqui. Poderia nos fazer esse favor?

– Claro. – respondeu e a tenente sorriu outra vez, avançando sobre o corpo de Eren, apertando-o entre seus braços.

– Obrigada querido! – Foi obrigada a soltá-lo quando o mesmo reclamou. – Vamos Mike!

A dupla se despediu do moreno, que deu espaço para que passassem e então entrou naquele quarto. Usou de sua bengala e de seu braço livre para se movimentar o mais silenciosamente possível para não perturbar o amigo. O que de nada adiantou, visto que Armin logo se pronunciou:

– Eren, é você?

O moreno não respondeu, preocupando-se apenas em encontrar um lugar onde pudesse se sentar antes de qualquer coisa. Não tardou em encontrar uma cadeira próximo de onde estava e logo se sentou, sem perceber que estava sendo observado por seu amigo, que ainda aguardava uma resposta do mesmo.

Após se sentar Eren suspirou outra vez. Não sabia ao certo por onde começar um diálogo, não gostaria de lhe perguntar se estava ou não bem. Afinal, era mais do que óbvio que responderia que não estava.

– Vai ficar parado em silêncio? – Ouviu o loiro comentar em uma entonação bem humorada.

– Não sei o que dizer. – resolveu ser sincero, ouvindo em seguida uma risada de Armin, que gemeu por causa dos ferimentos recentes. Aquilo fez o moreno franzir o cenho.

– Ah... Que inferno! – Armin resmungou, fechando o olho livre antes de crispar os lábios. – Como eu vou seguir em frente depois disso? Sem as pernas e um dos braços... Céus, minha vida no exército acabou Eren!

O Jaeger engoliu aquele comentário em seco, remexendo-se na cadeira.

– Não diga isso, você é forte Armin. É capaz de superar isso.

– Eu não sou como você Eren... Mesmo sendo cego conseguiu fazer tantas coisas e conquistou sua independência quando ninguém achava que fosse possível. – comentou, balançando a cabeça negativamente quando tentou erguer o braço amputado, logo desistindo por conta da dor. – O que você acha que vai acontecer comigo quando sair daqui? Como vou olhar para Irwin depois disso? Não vou passar de mais um aleija-

Armin então se interrompeu imediatamente ao perceber o que iria dizer, logo voltando sua atenção para Eren, que não tinha uma expressão muito satisfeita com aquilo.

– Desculpe... Eu não queria dizer isso. – rapidamente se corrigiu.

– Não tem problema. – respondeu fechando os olhos antes de se encostar apropriadamente sobre a cadeira. – Sei que deve estar sendo difícil para você aceitar essa situação. Mas também sei que o comandante Irwin não irá deixa-lo desamparado. Ele já deve ter providenciado algumas próteses.

O loiro então franziu o cenho.

– Comandante? – estranhou e Eren balançou a cabeça.

– É uma longa história, posso explicar depois. Agora quero ouvir o que você tem a dizer, Armin. – Resolveu voltar ao assunto inicial e então ouviu o irmão suspirar.

– Estou revoltado por ser tão fraco. – comentou rindo, arrancando também uma risada do moreno. – Se eu não houvesse agido impulsivamente naquele momento poderia ter evitado isso. Mas não consegui ficar parado quando vi a titã fêmea encurralando Irwin em sua sala.

– Entendo. – disse e então Armin negou com a cabeça, aparentemente querendo dizer algo, mas resolvendo deixar somente em pensamentos.

– Mas também não foi apenas isso... – Levou a mão livre até o rosto, tapando os olhos. – Ah... Ela não deveria ter feito isso comigo depois de tudo o que passamos! – Eren franziu o cenho com aquilo. – Eu relutei em ataca-la apesar de tudo... Droga Annie...

– Annie? – Eren então perguntou, levemente exaltado quando Armin prendeu a respiração por alguns segundos. Havia falado demais. – O que a Annie tem a ver com isso?

Notas finais
While Your Lips Are Still Red - Nightwish: https://www.youtube.com/watch?v=smiFk6KHr_8 Nightwish - Nightwish: https://www.youtube.com/watch?v=iCieoD_jy-8 Comentários?