Wishmaster

6 Destino Cativo


Notas iniciais
Que capítulo pequeno! Antes tarde do que nunca! Voltamos com mais um capítulo lindo e cheio de emoções! E como eu sei que vocês me amam, a YUMA me deixou falar umas coisinhas aqui! Primeiramente queremos nos desculpar pela demora em atualizar. Estávamos em semana de provas e isso acabou com o nosso tempo livre. Resumindo: não conseguimos escrever. Segundo, a YUMA se esqueceu de mencionar nas notas dos capítulos anteriores uma coisa importante sobre esse flashback enorme aí. Por mais que seja uma lembrança do Rivaille, decidimos colocar vários momentos e narrações com outros personagens também, assim o entendimento da coisa fica melhor e nos poupa um trabalho imenso hehe' Outra coisa, a YUMA vai criar uma página no facebook para divulgar as fanfics, avisar sobre atualizações e divulgar o trabalho dela como mangaká e cosmaker. Iremos avisar aqui quando a página for lançada, mas desde já eu peço a colaboração de vocês! Curtam! Além disso, estamos trabalhando em uma fanfic de SnK que será postada quando estiver concluída aqui na nossa fila de espera. A única coisa que posso adiantar é que ela se passa no Brasil. Portanto, não a julguem antes de ler só porque fala do nosso país, ok? Acho que foi tudo õ/ Se esqueci alguma coisa a YUMA avisa nas próximas notas. Vamos ao capítulo pessoal!

Suspirando pesadamente, o moreno levantou-se em um solavanco, apoiando ambas as mãos sobre a superfície macia do colchão no qual estava deitado anteriormente. Tateou com mais firmeza aquela região, sentindo o fino tecido dos lençóis que cobriam-no e se permitiu relaxar. Levantando a mão e encostando-a sobre o peito, tentava verificar se tudo aquilo era realmente um sonho, o que provavelmente deveria ser.

– O que foi Eren? — Foi tirado de seus devaneios pela voz de sua irmã, fazendo-o saltar levemente sobre a cama.

– Mikasa? — perguntou confuso. — O que está fazendo aqui?
O moreno era surpreendido pelo abraço repentino da jovem Ackerman que o obrigava a apoiar ambas as mãos sobre o colchão para não cair.

– Mikasa!

– Que bom que você está bem Eren. — disse, apertando ainda mais aquele abraço como se a qualquer momento o rapaz pudesse escapar. No entanto, o moreno não entendia o porquê daquelas reações.

– O que está acontecendo Mikasa? — Tornou a perguntar, tateando o corpo da irmã com a mão livre até encontrar um de seus ombros, empurrando-a gentilmente. — Por que não está na base com Armin?

Tal pergunta fez a garota asiática se afastar, olhando fixamente para o rosto do rapaz de pele bronzeada.

– Eren, você está na base de Rose da tropa de exploração. — explicou, observando a forma como a expressão do garoto se alterava, provavelmente surpreso por descobrir sua localização. — Não se lembra do que aconteceu em Trost?

E como se fosse um balde de água fria, a sensação da tensa mão do que aparentava ser um titã ao redor de seu corpo retornava, juntamente com o terror, a adrenalina e, é claro, o desespero. Eren, arregalando os olhos e encostando-se sobre a cabeceira daquela cama, levou ambas as mãos até seus fios castanhos, puxando-os levemente na medida em que as sensações e lembranças voltavam. E como se não fosse suficiente, lembrava-se também de que havia perdido dois de seus membros naquela "batalha", então...

– Eu não perdi o braço? — perguntou, mais para si mesmo do que para a irmã, levando a mão para o braço que deveria estar ferido, tateando-o por completo até encontrar seus dedos. — E a perna...

A garota asiática engoliu em seco, observando a cena de seu irmão completamente confuso sobre o que estaria acontecendo naquele momento. Também não entendia como era possível, porém o cabo recusava-se em responder suas perguntas e, ao se lembrar do homem de baixa estatura, fechou ambas as mãos em punhos. Ainda acreditava que poderia ter salvo o moreno sozinha e sem grandes danos.

– Eren... — A garota era interrompida pelo barulho da porta de madeira. Voltou seus olhos rasgados para a mesma, fitando a imagem do cabo Levi e de um outro homem, mais alto, de fios loiros e olhos levemente azulados. Mikasa, franzindo o cenho, foi obrigada a se levantar e fazer a típica saudação do exército. — Heichou, capitão.

O moreno levantou a cabeça no momento em que ouvira a irmã se pronunciar de uma forma diferenciada e ao mencionar o capitão, tivera a certeza de que estava, realmente, dentro da base da tropa de exploração. O jovem Jaeger engoliu em seco, apoiando ambas as mãos sobre o colchão onde se encontrava.

– Ackerman. — O loiro se pronunciou. — Poderia nos dar licença? Temos assuntos a tratar com o garoto.

A garota fechou os olhos, suspirando levemente antes de começar a caminhar lentamente para se retirar do recinto, aproveitando o momento para lançar um olhar nem um pouco amigável para o homem de baixa estatura que permanecia com os braços cruzados, aguardando a saída da garota.

Ao ouvir o barulho da porta se fechando, Eren sentiu sua respiração falhar por breves segundos. Os dois homens murmuravam coisas que não conseguia compreender antes de se aproximarem. Rivaille, puxando a cadeira onde a jovem Ackerman estava, anteriormente, sentada, cruzou as pernas de forma a acomodar-se melhor, enquanto o loiro alto sentava-se ao seu lado, puxando outra cadeira de um canto qualquer daquele quarto. Os dois homens observavam em silêncio o moreno por breve segundos, este que se manteve atento a quaisquer movimentos dos ali presentes.

Suspirando entediado, Levi foi o primeiro a se pronunciar:

– Acho que nos deve algumas explicações, pirralho.

– Não seja assim tão rude com o rapaz Rivaille. — O loiro se pronunciou, fazendo o menor voltar seus orbes acinzentados para a sua direção.

– Não estou sendo rude Irwin. Sou apenas direto. — justificou, arrancando uma suave risada nasal do loiro que logo em seguida voltou sua atenção para o moreno de olhos esmeraldinos.

– Eren Jaeger, estou certo? — quis saber, recebendo um acenar positivo com a cabeça. — Sou Irwin Smith, capitão da tropa de exploração. — Percebeu quando o garoto enrijecera involuntáriamente os músculos em um claro sinal de nervosismo. — Não precisa ficar assustado, faremos apenas algumas perguntas.

– T-Tudo bem. — respondeu finalmente, arrancando um sorriso de Irwin.

– Então... — começou, apoiando as costas sobre o encosto daquela desconfortável cadeira de madeira. — Você realmente é cego?

– Sim. — respondeu quase que imediatamente.

– Consegue se lembrar do que aconteceu em Trost? — perguntou mais uma vez, fitando com mais atenção o moreno à sua frente, que olhava fixamente para um ponto em específico que não sabia identificar.

– Não muito bem...

Rivaille então se exaltava levemente, pigarreando logo em seguida.

– Não acredito que perder dois membros, ser devorado por um titã e sair com vida sejam coisas fáceis de se esquecer garoto. — alfinetou ríspido, observando o corpo do jovem Jaeger se encolher levemente. — Creio que ainda não compreendeu que não está em uma posição de não dar respostas objetivas.

– Rivaille. — repreendeu Irwin enquanto o cabo apenas continuava fitando as reações do moreno à sua frente.

– Esta conversa pode ser a sua assinatura de morte, lembre-se disso.

Eren sentiu sua respiração falhar mais uma vez enquanto um tremor incrívelmente nostálgico percorria todo o seu corpo. Separou levemente os lábios, que apenas naquele momento percebera como estavam ressecados, tentando procurar as palavras certas. Era como se estivesse percorrendo um labirinto que não possuía saída alguma, afinal, havia se livrado da morte pelos titãs para ser morto pelos humanos. Suspirou derrotado, abaixando a cabeça e fechando os olhos para assim conter as lágrimas que começavam a se acumular.

No entanto, o moreno mal sabia que aquela reação estava a causar um verdadeiro alvoroço de sensações que, até o momento, eram desconhecidas para Levi. Sentia um grande desconforto ao lado esquerdo do peito, era algo quase incontrolável.

– Como você controlou os titãs? — Irwin tornou a perguntar, atraindo a atenção do moreno, que erguia a cabeça mais uma vez.

– Eu controlei os titãs? — perguntou exaltado e surpreso.

– Quando você gritou ao sair da barriga do primeiro titã. — Levi explicou. — Como fez aquilo?

– Eu... Não sei. — respondu pausadamente, levando uma das mãos até os cabelos, puxando levemente os fios castanhos. — Eu só queria sair dali e queria muito. Não sei como aconteceu, quando percebi já estava no chão.

Os dois homens se entreolharam por um momento, era fato que o rapaz não estava mentindo.

– O que aquele titã disse para você? — perguntou Rivaille, voltando o olhar para o moreno. — Antes que resgatasse você, um dos titãs se ajoelharam. O que aconteceu?

Ah... Aquelas palavras.

Lembrança

Estava assustado, muito assustado. As dores de seus ferimentos pareciam aumentar naquele instante, ao mesmo tempo em que podia ouvir um titã resmungando perigosamente perto de seu corpo. Não tinha outra opção, caso se levantasse e corresse um titã poderia esmagá-lo, porém se continuasse ali com certeza seria devorado.

Não conseguia pensar em outra coisa a não ser gritar para ser salvo. Queria viver, precisava de proteção, mas a realidade era que era impossível seres tão pequenos como os humanos derrotarem algo tão monstruoso quanto àquelas aberrações, batizadas de titãs pela humanidade. Resistir foi um erro.

– E... Eren...

O moreno era tirado de seus devaneios, assustando-se levemente. Um titã estaria tentando algum tipo de contato consigo?

– Mestre... Eren...

– O... O que? — perguntou. Porém, antes que pudesse ter qualquer outro contato, uma espécie de queimação intensa fazia sua pele arder como se estivesse em brasas.

O moreno fechou os olhos, encostando-se melhor sobre o que julgara ser uma parede. Aquilo queimava muito, podia até mesmo sentir algo que se assemelhava à fumaça saindo pelos seus poros. Era agonizante a sensação de estar sendo cozinhado vivo.

– Jaeger! — Foi tirado de seus devaneios e torturas pela voz de Rivaille. — Levanta a mão!

Eren, ainda levemente trêmulo, ergueu o braço e sentia seu ombro estalar assim que o cabo o segurava e erguia-o pelo pulso, lançando seu corpo no ar e em seguida voltando a segurar o garoto, no colo desta vez.

– Heichou... — murmurou, suspirando pesadamente e recostando a cabeça sobre o peito do homem que o salvara mais uma vez. — Meu corpo queima...

Fim da Lembrança

O cabo permanecia com o cenho franzido mesmo após o final daquela pequena história. Não seria possível um titã ter raciocínio lógico, certo?

No entanto, visto o que foi descoberto nos últimos anos sobre os titãs, principalmente sobre o titã colossal, a titã fêmea e o titã encouraçado, poderia considerar aquele relato como algo verídico.

Além disso, a questão do poder de regeneração dos membros de Eren era algo, no mínimo, curioso. Para Rivaille existiam apenas duas opções: ou o moreno sofria de algum tipo de anomalia, ou então era mais um dos humanos-titãs. Ao voltar seu olhar para Irwin, considerou que o loiro também chegara a mesma conclusão, o que poderia ser um problema para o garoto.

Foi então que sua mente clareou.

– Jaeger. — chamou, atraindo a atenção do moreno que permanecia em silêncio. — Você seria capaz de dar a sua vida pela humanidade?

Aquela pergunta pegou o rapaz de pele bronzeada de surpresa, ao mesmo tempo em que atraiu o olhar curioso do capitão Smith para o cabo ao seu lado. Perguntava-se mentalmente o que o homem de baixa estatura estaria planejando, sorrindo de canto ao perceber suas reais intenções.

– C-Claro senhor! — respondeu após alguns segundos.

– Você mataria quantos titãs fossem necessários pelo bem da humanidade? — tornou a perguntar, semicerrando os olhos ao ver o rapaz exitar.

Com certeza, essa era a resposta que o moreno deveria dar. Todavia sentia que apenas aquilo não era suficiente, não depois do que aconteceu naquele dia. Eren fechou os olhos e as mãos, enquanto encurvava levemente o corpo. Não queria matá-los, eles mereciam mais do que aquilo. Mereciam...

– Extermínio... — murmurou em um tom de voz que não condizia com a personalidade que o cabo conhecia do garoto. — Eu não mataria os titãs, Rivaille heichou. Eu os exterminaria. — continou, com o mesmo tom de voz que fez o homem de baixa estatura olhar mais firmemente para o rapaz. — Um por um, até não sobrar vestígios.

Irwin soltou uma breve risada, imediatamente se levantando da cadeira e sendo acompanhado por Rivaille. Sentia que já havia coletado informações suficientes para o que deveria fazer a seguir e sabia que o cabo ao seu lado também tinha certeza disso. No entanto, não resistiu a tentação de perguntar-lhe:

– Rivaille, já sabe o que farei agora. — começou, percebendo o rapaz moreno voltar o olhar para si, assim como Levi. — Posso contar com você?

O homem de baixa estatura rolou os olhos em desdém.

– Que tipo de pergunta idiota foi essa, Irwin? — quis saber, soltando um discreto muxoxo ao olhar de relance para o jovem Jaeger. — Diga à eles que ficarei responsável pelo garoto. Deixo o resto em suas mãos, sei que tem competência suficiente para um simples trabalho como esse.

O loiro ergueu uma de suas engraçadas sobrancelhas.

– Está duvidando da minha autoridade Rivaille? — perguntou sarcástico, recebendo um dar de ombros como resposta.

O capitão, balançando a cabeça negativamente, caminhou até a porta de madeira e, antes de se retirar, voltou-se mais uma vez para o cabo.

– Providencie o uniforme do garoto. — avisou. — Quero vê-lo como um verdadeiro soldado quando voltar de Sina.

Sem aguardar uma resposta, o capitão se retirou daquele quarto batento levemente a porta. Eren se exaltou ao ouvir a última "ordem" de Irwin, atraindo a atenção de Levi para si. O homem voltava a se aproximar da cadeira, sentando-se novamente sobre ela e voltando seu olhar para o moreno.

– Parece que essa foi a frase de "boas-vindas" de Irwin. — comentou, observando o garoto voltar o corpo para sua direção. — Quando receber o uniforme, será definitivamente um soldado da tropa de exploração.

Um grande sorriso brotava no belo rosto jovial de Eren e por um momento Levi pode perceber um vestígio de algo se acendendo dentro das orbes esmeraldinas do rapaz. Talvez fosse algum fruto de sua imaginação, mas não conseguia conter a vontade de percorrer os olhos pelo corpo do garoto mais uma vez.

Crispou levemente os lábios ao perceber que o moreno continuava com as mesmas roupas de quando fora salvo em Trost, o que o fazia se questionar se ao menos havia tomado um banho nesse período. Balançando levemente a cabeça em uma tentativa de afastar tais pensamentos, reparava na forma como os lençóis cobriam parcialmente o corpo do adolescente, sentindo-se levemente incomodado pelo excesso de pano que cobria o corpo do rapaz.

Fechando os olhos e levando ambas as mãos a cabeça, massageou com certa pressão suas têmporas enquanto crucificava-se outra vez por estar tendo tais pensamentos por um garoto de apenas quinze anos. Além disso, repudiava o fato de não conseguir se controlar.

No entanto, era tirado de seus devaneios por um resmungo vindo de Eren, que o fazia reabrir os olhos.

– Heichou... Queria perguntar isso à Mikasa, mas não tive tempo. — começou e então Rivaille desceu uma das mãos, reparando na forma como o moreno parecia... Triste? — As crianças... Elas estão bem?

Permitiu-se suspirar antes de erguer uma das mãos e, indo contra todos os seus princípios, aproximou-a dos fios castanhos do jovem Jaeger, afagando-os levemente.

– Não se preocupe. — disse. — A Ackerman certificou-se de que todos saíssem daquele porão com vida.

E então, como se fosse uma espécie de agradecimento divino, Rivaille foi presenteado com uma das mais belas visões que já contemplara em toda a sua vida. O sorriso que Eren esboçava naquele momento era algo único, o misto de sentimentos que aquele simples gesto conseguia demonstrar era monstruosamente encantador.

Por alguns segundos, parecia que Levi estava presenciando a personificação material dos anjos.

Notas finais
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