Wishmaster

45 Despertando III


Notas iniciais
Finalmente consegui terminar esse capítulo! Acho que nunca escrevi algo tão complicado, mas ficou bom ao meu ver, pelo menos. Boa leitura!

Não se importava se as pernas estavam fraquejando enquanto corria e desviava dos civis que tentavam se salvar do caos que havia se instalado no interior de Mitras. Precisava encontrar Armin ou Connie para que fosse no mínimo útil naquele momento.

E quando dizia útil, referia-se à ajuda que queria dar à Eren e não podia naquelas condições. Estava extremamente preocupado e seus pensamentos apenas o guiavam para o moreno, que poderia ter um triste fim nas mãos daquele titã ruivo.

O capitão da tropa de exploração trincou os dentes ao se lembrar da verdadeira identidade daquela anomalia que estava agora com as mãos agarradas ao pescoço de Eren em uma investida aparentemente fatal e que precisava impedir à qualquer custo. E, por conta disso, forçou as pernas para que se apressassem, saltando em meio aos escombros e corpos de soldados e cidadãos mortos.

– Droga... Onde aqueles dois estão? – praguejou para si mesmo, finalmente chegando ao local indicado por Irwin. Não havia nada além de morte e destruição, o que de certa forma o fez ficar levemente temeroso pela vida do Arlert, afinal, tinha conhecimento do relacionamento entre o soldado e o comandante.

Balançando negativamente a cabeça, Levi ergueu o olhar e saltou levemente, podendo assim enxergar como andava a situação para com o seu moreno. Arrependendo-se logo em seguida ao ver o estado em que seu rosto animalesco se encontrava, completamente desfigurado e levemente embaçado por conta da espessa fumaça esbranquiçada que indicava a regeneração do local.

Aquilo o fez trincar os dentes mais uma vez e chutar um pedregulho ao seu lado.

– Merda! – Chutou novamente, ignorando por completo a dor que se fez presente em seu tornozelo por conta daquilo. Estava de mãos atadas e não sabia o que fazer.

Poderia esperar que Eren conseguisse escapar do corpo daquele titã e correr em sua direção, mas não saberia se o mesmo estaria enxergando e contar apenas com aquela possibilidade era deveras arriscado, com grandes chances de insucesso.

Seus pés cederam naquele momento, ajoelhando-se forçadamente enquanto se apoiava com ambas as mãos no chão. Apenas em imaginar a possibilidade de perder aquele garoto o deixava com náuseas. Nunca na vida havia imaginado que sentiria por alguém o que sentia por aquele rapaz de pele bronzeada que o conquistou desde a primeira vez em que pôs os olhos sobre ele em Trost.

Rivaille suspirou, recompondo-se minimamente antes de se levantar. Precisava encontrar à qualquer custo Armin ou Connie para que pudesse usar seu dispositivo. E iria voltar a correr naquele momento, não fosse o som da já conhecida explosão da transformação dos titãs bem próximo de onde se encontrava. Precisou fechar os olhos e erguer os braços para proteger o rosto por conta do choque do vento quente em seu corpo, além de algumas pedras que voaram em sua direção.

"Outro?" pensou, trincando os dentes com força o suficiente para que arranhassem um no outro, imaginando se tratar da titã fêmea ou do titã encouraçado, descartando por completo o titã colossal, ou então estaria mordo naquele momento, provavelmente esmagado.

No entanto, os acinzentados se arregalaram ao ponto de se machucarem quando Levi finalmente afastou os braços e se deparou com a figura à sua frente. Não conseguiria calcular o tamanho daquela anomalia, visto que a mesma andava de quatro, porém, não foi o tamanho que o havia surpreendido.

Lembrança

A chuva imprevista caía sem piedade, tornando a visibilidade quase nula e deixando-o à mercê dos titãs que se encontravam ao redor. Era impossível o uso dos sinais de fumaça naquela situação e até mesmo os sinais sonoros não faziam efeito por conta do barulho da chuva, que bloqueava grande parte do som.

Porém, não era aquela situação que o preocupava. Ou melhor, que o desesperava. Estava tão focado em roubar os documentos que lhe foram pedidos que dividiu seu pequeno grupo sem medir as consequências. Aquele era um lugar diferente, um local estranho cujo conhecimento era nulo, e apenas percebeu isso quando encontrou com Elaijia os corpos estraçalhados de alguns soldados que não teve a oportunidade de conhecer, além das pegadas de titãs que seguiam para o local em que havia ordenado que seus amigos se dirigissem.

Disse para Elaijia continuar procurando por Irwin enquanto voltaria para ajudar os amigos que haviam ficado para trás, tentando se reagrupar. E na medida em que se aproximava e observava, mesmo com dificuldades, o rastro de sangue e destruição no caminho, sentia o desespero aumentar. E por mais que tentasse imaginar que eles estavam bem e que sabiam se cuidar com aqueles titãs, não conseguia simplesmente deixar de se preocupar.

– -ãozão!

Distraiu-se por breves momentos com aquele som baixo, o que foi o suficiente para que seu cavalo tropeçasse e o levasse de encontro ao chão. O corpo foi lançado para frente e escorregou alguns metros no solo lamacento.

– Tsc... – resmungou, forçando os braços para se levantar.

Porém, arregalou os olhos quando mirou para baixo, o corpo inteiro congelando imediatamente com a visão dos cabelos ruivos de Isabel grudados em seu rosto manchado com o escarlate do sangue e o marrom daquele solo lamacento. Os orbes esverdeados estavam sujos e opacos, os lábios entreabertos.

Levi sentiu um peso anormal nos ombros, as mãos se fechando em punho trêmulas e teria ficado daquele jeito, não fosse um barulho estranho vindo à poucos metros de onde estava.

Engolindo em seco, ergueu os acinzentados apenas para aumentar o seu choque. Deixou o queixo cair com a imagem do rapaz à sua frente, com metade do corpo sendo literalmente mastigado por um titã que estava de quatro.

– Farlan... – chamou e então o rapaz voltou os azulados para o amigo. Até aquele momento tentava se soltar da boca daquela anomalia, porém, a dor e o cansaço estavam vencendo naquele momento.

O loiro sorriu sincero para Levi, que agora estava ajoelhado observando à tudo completamente catatônico, acenando levemente para o mesmo antes do titã finalmente se movimentar, partindo o corpo de Farlan ao meio, deixando os restos se chocarem contra o chão.

O peso sobre os ombros de Levi aumentaram, até mesmo encurvando-se levemente. Não queria acreditar no que os olhos estavam vendo, não queria acreditar que aquela seria a última vez em que veria os amigos – e que última vez –. Havia feito a escolha errada ao impedir que o acompanhassem.

Naquele momento o titã em questão virou o rosto para si. Os longos cabelos negros realçavam os olhos rubros e levemente cintilantes que contrastavam com o sangue fresco de Farlan. Levi o encarou por breves momentos – suficientes para que aquela imagem ficasse gravada em sua mente – antes de trincar os dentes e se levantar, investindo contra àquela anomalia com tudo o que tinha, sem se importar com as consequências.

Fim da lembrança

"Se virem um titã, fujam e não olhem para trás. "

As imagens e conclusões surgiram níticas na mente de Rivaille. Os longos cabelos negros, os olhos vermelhos e a maneira em que andava de quatro. Era o mesmo titã que matara seus amigos anos atrás e que pensava ter exterminado.

– Nowaki... – Fechou as mãos em punho, trincando ainda mais os dentes antes de se virar bruscamente, acabando por se chocar em algo que não se lembrava de estar atrás de si antes. Ergueu minimamente o olhar, percebendo se tratar de Mike.

– Onde está Eren? – O major perguntou para Levi, que percebeu que o homem alto estava sendo acompanhado por Nanaba.

– Eu quero seu DMT. – disse para a mulher, ignorando por completo a pergunta do loiro à sua frente.

– Rivaille... – Mike voltou a se pronunciar, descansando uma das mãos em um dos ombros do parceiro.

– É uma ordem, Nanaba. – insistiu ao ver a mulher levemente relutante, esta que voltou a atenção para o Zakarius por um momento, que suspirou.

– Eu preciso dele senhor... Estamos sob ataque e ainda somo fugitivos. – disse a mulher, recebendo um olhar nada agradável de Levi.

– Vocês vão para o portão da cidade subterrânea. Mike a escoltará até lá. – Voltou os acinzentados para os titãs, ainda sem saber se iria direcionar sua raiva para Elaijia ou Nowaki.

– Irwin ainda não se pronunciou, precisamos seguir com o plano. – rebateu Mike, o que irritou o capitão.

– Não vou deixar que vocês morram, vão para a cidade subterrânea agora. E Nanaba. – Voltou-se uma última vez para a mulher. – Você vai me dar seu DMT por bem ou por mal.

Mike franziu o cenho, não gostando do tom que Rivaille havia usado com a mulher ao seu lado, que deixou os ombros caírem antes de se desfazer de seu equipamento, que era rapidamente vestido por Levi. O capitão não usava o uniforme, o que provavelmente deixaria à desejar em seu desempenho, mas não era algo com que se importava na verdade.

No momento em que afivelou o último cinto, deu as costas aos dois e ativou o dispositivo de manobras tridimensionais, usando o gás para lançar o corpo à toda velocidade na direção daqueles três titãs.

[...]

Não conseguiu reagir em tempo suficiente para evitar a investida que aquele titã de cabelos negros fazia contra si, acabando por sair de cima de Eren e ser arrastado por aquela anomalia por alguns metros. Elaijia não sabia ao certo como ela havia conseguido se transformar, pensando apenas que havia se machucado por conta da destruição que deveria ter chegado também às masmorras.

Enquanto os dois se enfrentavam, Eren conseguiu se levantar minimamente, sentando-se de pernas abertas no chão e deixando o corpo encurvado. A cabeça ainda se regenerava, lentamente, e não conseguia sequer enxergar. Havia sido um milagre ter conseguido pelo menos erguer o corpo e, enquanto se recuperava, pensava em uma forma de reagir e usar aquele corpo à seu favor.

E mais importante do que aquilo, queria saber como estaria Levi. Temia que o tivesse ferido por conta da transformação repentina e, como não sabia onde ele estava, não poderia simplesmente abandonar aquele corpo e seguir para a cidade subterrânea sozinho.
Dentro do emaranhado de nervos que era o corpo daquele titã, moveu a mão bem de leve, sentindo com aquilo uma reação, provavelmente a anomalia também teria se movido. Fez o mesmo com a outra, obtendo o mesmo resultado.

Foi então que finalmente se levantou, mesmo que a cabeça continuasse se regenerando. Não conseguia enxergar ou ouvir nada, mas não queria ficar parado, precisava fazer algo enquanto o titã ruivo e o titã de cabelos negros se enfrentavam. Porém, foi tirado de seus pensamentos ao sentir um grande incômodo no braço direito e, ao mover levemente os esverdeados para aquela direção, pôde enxergar ali a conhecida lâmina do equipamento que estavam acostumados a usar.

O que o moreno não sabia era que no exterior, mais precisamente em sua nuca, o capitão da tropa de exploração tentava resgatar o corpo do jovem Jaeger, tendo o máximo de cuidado que podia para que não o ferisse seriamente. Porém, Rivaille sabia que de uma forma ou de outra, teria que arrancar os pés e as mãos de seu moreno. Não que fosse realmente um problema, pois cresceriam de novo. Apenas não queria que o mesmo sentisse dor.

Além disso, a questão de Elaijia e Nowaki o estava enfurecendo a níveis absurdos e apenas não avançou diretamente na direção dos dois titãs porque priorizava Eren, que estava indefeso naquele momento.

– Ah... – Arfou ao sentir o ar demasiadamente quente que aquele corpo gigantesco expelia, guardando as espadas e usando do que restava de suas forças para afastar a pele e os ligamentos que cobriam o corpo do rapaz de pele bronzeada, envolvendo sua cintura com um dos braços antes de puxá-lo para fora.

Eren, sentindo os braços se desprenderem, finalmente conseguiu enxergar algo. O corpo estava quente, como se estivesse em chamas. A pele levemente avermelhada pelo calor excessivo. Levi percebeu, visto que sentia o corpo queimando nos locais em que o tocava e, por mais que o próprio corpo implorasse para que se afastasse daquela onda de calor exagerada, não largou o corpo do garoto, segurando-o como pôde no colo antes de saltar e ativar o DMT o melhor que pode.

Evitava olhar para Eren, que havia fechado os olhos quando saltaram. Era possível enxergar as marcas ao redor de seus olhos, provavelmente de queimaduras, que se regeneravam aos poucos. Além da perceptível fumaça esbranquiçada que escapava dos pulsos e tornozelos amputados do rapaz.

Todavia, o que realmente chamava a atenção do homem de baixa estatura era a imagem do titã ruivo agarrando a cabeça da anomalia de cabelos negros, pressionando-a com ambas as mãos e com tanta violência que a estourou rapidamente, fazendo com que os restos de ossos e sangue se espalhassem pelo chão e construções destruídas de Mitras.

No mesmo instante, os olhos em tom cinza claro de Elaijia se voltaram para a figura flutuante de Levi e Eren mais ao longe, mais do que depressa pondo-se a correr na direção que ambos tomavam: o portão principal que dava acesso à cidade subterrânea.

O capitão arregalou os olhos, usando os cabos para tentar alterar seu curso e tentar despistar o titã que se aproximava rapidamente, agarrando o corpo de Eren com mais força. Quando os acinzentados se focaram em uma construção em potencial, sentiu o corpo ser puxado com violência para cima, consequentemente soltando o corpo do moreno, que se chocou contra o chão.

– Argh! – resmungou o jovem Jaeger, arregalando os olhos quando o corpo parou subitamente por conta de um grande pedaço de madeira que havia atravessado seu corpo, deixando-o pasalisado e apenas fazendo com que sangrasse mais. O uniforme da Polícia Militar que usava, já completamente vermelho, deixava o líquido viscoso escorrer pelo chão, criando uma espécie de caminho até alguns escombros mais próximos.

E foi quando os orbes esverdeados de Eren seguiram aquele rastro que deixou um grito apavorado escapar.

Bem na sua frente, os orbes azulados de seu amigo de infância o fitavam opacos e arregalados. Os fios loiros e bagunçados e a parte superior de seu peito eram as únicas coisas que estavam visíveis. O resto fora completamente engolido pelos escombros que o havia soterrado.

– A-Armin... – murmurou, movendo os braços para trás e empurrando o corpo para frente, sentindo uma dor inimaginável por conta da madeira que se movia lenta e dolorosamente para fora de seu corpo. – Não... A-Armin...

Quando finalmente se viu livre, deitou o corpo de bruços e usou os braços para se arrastar até o corpo do amigo, pouco se importando se o enorme ferimento iria se sujar ou não.

Sentia o rosto úmido pelas lágrimas que desciam sem querer, respirando ofegante e com as narinas infladas. Não queria acreditar no que os olhos lhe estavam mostrando, não queria acreditar que Armin estava morto naqueles escombros.

– Armin... – chamou mais uma vez quando ficou bem próximo, erguendo o braço e tocando o rosto do amigo com o pulso amputado, sacudindo-o de leve. – Levanta Armin... Nós... Temos que sair...

Eren fungou alto, engasgando-se com o próprio choro enquanto sacudia o corpo do amigo.

– Diz alguma coisa... Por favor... – Trincou os dentes de leve, o corpo tremendo violentamente por conta da dor e nervosismo. – Qualquer coisa... Armin...

O moreno fechou os olhos, encostando a testa na do rapaz loiro, em nenhum momento deixando de pedir para que dissesse alguma coisa e de afagar os fios loiros do mesmo. Lembrou-se rapidamente da época em que viviam juntos no Abrigo Arlert, ele, Armin e Mikasa, juntos com as outras crianças que o senhor adotava e que ficavam sob seus cuidados.

Eren se afastou minimamente, fungando alto. Não queria que as coisas ocorressem daquela forma dolorosa.

No entanto, rapidamente espantou os pensamentos melancólicos ao ver Levi pendurado pelos cabos do DMT, que eram segurados pelo titã ruivo. O capitão tentava se livrar do equipamento antes que algo pior que uma queda de quinze metros acontecesse. Porém, logo sentiu quando o titã o lançou contra uma construção que ainda estava em pé, usando os cabos como suporte para que o choque fosse violento.

O corpo de Rivaille foi lançado de lado, as costas se encontrando com a parede com tamanha força que a fez rachar. Logo em seguida, a gravidade fez seu trabalho ao puxar o corpo do capitão da tropa de exploração para baixo, que caiu de frente, o rosto se encontrando com o chão com força.

– Ugh... – resmungou Levi, que forçava os braços para tentar se levantar, sentindo dores fortes nas costelas e no braço esquerdo, que estava estranhamente torto. Logo em seguida tossiu compulsivamente, deixando o líquido escarlate escorrer em abundância de seus lábios. Sentia-se tonto e as pálpebras se moviam devagar demais para que pudesse ter algum reflexo significativo. No entanto, percebeu quando a luz ao seu redor de repente ficou fraca, como se estivesse sob uma sombra.

Ao lançar os acinzentados para o alto, visualizou o pé enorme de Elaijia exatamente sobre seu corpo, pronto para esmagá-lo. Aquilo o fez engolir em seco e tremer violentamente. Não imaginava que morreria daquela forma.

Seus olhos correram a paisagem caótica na qual se encontrava, logo encontrando os esverdeados de Eren, que o fitavam arregalados e apavorados. Levi sorriu sincero para o moreno naquele momento, havia falhado em cumprir a promessa que havia feito à ele.

Suspirando pesadamente, o capitão da tropa de exploração fechou os olhos quando o titã acima de si se moveu.

– Não!

.

.

.

Esperou pelo golpe fatal do titã acima de si após ouvir o grito desesperado de Eren ao longe. No entanto, a única coisa que sentiu foi o corpo ser envolvido por braços magros.

Levi abriu os olhos naquele momento, o moreno estava ali, abraçando-o protetoramente enquanto olhava suplicante para Elaijia, as lágrimas descendo de seus belos olhos como cataratas. Percebeu também que a fumaça esbranquiçada que escapava do corpo do rapaz havia aumentado e ao descer o olhar, viu os pés que havia amputado de Eren, ainda sendo revestidos pela camada de pele.

Elaijia havia parado o ataque assim que ouviu o grito do moreno e por pouco não havia esmagado os dois. Os olhos cinzentos fitaram a maneira como o Jaeger abraçava, mesmo sem as mãos, o corpo do capitão de forma protetora, mesmo estando em piores condições. Havia se surpreendido pela forma como o moreno havia acelerado o processo de regeneração para os pés, usando o que restava de forças para correr e proteger aquele homem.

– Por favor... Pare... – Ouviu a voz trêmula dele e então afastou o pé dos dois. Eren continuava a fitar o titã ruivo com os olhos arregalados. – Deixe-nos ir... É tudo o que eu peço...

O ruivo continuou imóvel, observando o moreno que também era observado por Rivaille, que por mais que quisesse correr dali com seu garoto, sabia que não conseguiria se Elaijia não desistisse.

E com a ausência de resposta, Eren berrou:

– Ele é a única coisa que me resta! Por favor, deixe-nos ir! – Tossiu um pouco antes de continuar. – Eu não tenho mais nada! O que mais quer de mim?!

O rapaz de pele bronzeada puxou, desengonçadamente, o corpo de Levi para cima do seu enquanto olhava desesperado para Elaijia. Rezava mentalmente para que ele desistisse daquela ideia absurta e os deixasse ir para a cidade subterrânea. Não queria perder Rivaille, não queria que a única pessoa que ainda tinha e a que mais amava fosse tirada de si.

E, como se ouvisse seus pensamentos, o titã ruivo deu poucos passos para trás, o que foi suficiente para Eren arfar aliviado, sendo pego desprevenido por Levi, que se levantou repentinamente e colocou o braço do moreno em volta de seu pescoço, puxando-o para que saíssem dali apoiados um no outro, em passos curtos, porém rápidos.

O capitão não olhou para trás, temia que Elaijia se movesse para atacá-los mais uma vez, concentrando-se apenas em chegar o mais rápido possível ao portão da cidade subterrânea.

Notas finais
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