Notas iniciais
Olá pessoal! Conseguimos terminar o capítulo mais cedo dessa vez! Mesmo com as aulas no Pré-Vestibular. Além disso, conseguimos trazer um capítulo bem maior que os anteriores, para aqueles que gostam de um momento mais, digamos, de "chamego" entre o Levi e o Eren rs A propósito, aqui é a YUMA. Era para o Genesis estar postando essa semana, mas estamos com uns probleminhas didáticos e ele pediu para que eu postasse enquanto organizava nosso conteúdo de estudo. Acreditem, não é pouca coisa. Aconselho a vocês a colocarem uma música em especial quando chegassem na passagem de tempo da fanfic. Eu as represento com o símbolo "[...]", então, quando virem esse símbolo, parem de ler, abram a aba do youtube e digitem: Forever Yours - Nightwish. Não vão se arrepender de lerem ouvindo essa música. Bom, vamos à tracklist desse capítulo: Angels Fall First Full Álbum - Nightwish, Oceanborn Full Álbum - Nightwish, Forever Yours - Nightwish, Ocean Soul - Nigthwish, Feel For You - Nightwish. Não sei, mas eu acho que vocês vão ficar viciados em Nightwish de tanto que eu ponho músicas da banda aqui rs' Ah, mais um aviso: Perceberam que troquei a capa, pois? Então, digamos que essa tem um significado mais profundo em relação à fanfic, talvez alguns de vocês consigam descobrir qual seja depois de lerem esse capítulo. Contem-me! Enfim, vamos à leitura e espero que gostem!

O rapaz se desviava outra vez da sequência de golpes que eram desferidos na sua direção antes de suas costas se chocarem contra uma superfície sólida que julgara ser de uma árvore. Era deveras complicado conciliar os golpes juntamente com sua audição, e como seu superior não se importava nem um pouco com a intensidade dos socos e chutes, a única coisa que lhe restava era a sorte em conseguir evitar os ataques. Todavia, naquele dia em específico, estava mais distraído que o normal, o que não passou por despercebido pelo cabo que, franzindo o cenho em raiva, desferiu um único chute contra o estômago de seu subordinado, fazendo-o se chocar com mais força contra a árvore em questão.

– Preste mais atenção pirralho. — disse em seu tom monótono de sempre, cruzando os braços em seguida. — Seu desempenho estava bem melhor na semana passada. Se continuar assim, não poderemos avançar para as DMT's.

Eren então crispou os lábios, apoiando uma das mãos sobre a barriga, sentindo aquela região later em demasia. Estava se esforçando, porém, haviam coisas que nublavam seus pensamentos. E uma delas era o "caso" não resolvido do beijo que seu superior havia lhe roubado antes de partirem na semana passada. Não se surpreendera pelo silêncio e indiferença do homem quanto à isso, entretanto, esperava um melhor posicionamento.

Fechou os olhos, balançando a cabeça negativamente antes de endireitar a postura. Talvez estivesse criando expectativas demais, estas que mal sabia existirem até aquele momento. Era um fato que sempre admirou o cabo Levi Rivaille desde muito antes de seus irmãos entrarem no exército, apenas não imaginava que tal sentimento fosse se transformar em outra coisa. Esta, que também descobrira no mesmo momento em que os lábios do outro tocaram os seus. O que o levava à outra questão que o estava distraindo: aquela estranha visão. Seria como seu irmão Armin o havia lhe dito quando eram crianças? Que a teoria das vidas passadas e da reencarnação seriam verdadeiras? Se assim fosse, então também seria possível que tivesse vivido em uma época distinta ao lado de Rivaille?

Resolveu espantar aqueles pensamentos, eram perguntas demais para poucas ou nenhuma resposta. Ao respirar fundo, voltou a expor suas íris esmeraldinas, ficando na posição que lhe fora ensinada quando chegaram àquela cidade: braço esquerdo na defensiva com a mão fechada em punho próximo ao queixo; braço direito na ofensiva com a mão também fechada em punho, um pouco mais afastado do corpo; pernas separadas e levemente arqueadas para dar mais impulso. Estava pronto para mais uma série de socos e chutes que não tardaram em começar.

O cabo, também na mesma posição que o garoto, voltava a se movimentar. Aproximando-se rapidamente e desferindo um soco na direção do rosto de seu subordinado, que rapidamente erguia o braço esquerdo na direção do som que aquele golpe fazia, defendendo-se com perfeição. Em seguida, Levi tomava impulso com a perna esquerda a fim de golpear a cintura de Eren com o joelho, que ergueu ambas as sobrancelhas antes de abaixar o braço direito, segurando com força o joelho de seu superior, deixando assim o resto do seu corpo vulnerável para outro golpe que sabia que o cabo não desperdiçaria. Resolveu empurrar Rivaille pelo braço e pela perna, tendo dessa forma tempo suficiente para voltar à posição inicial.

Já o cabo sorriu discretamente de canto, dando poucos passos para trás a fim de recuperar o equilíbrio. Estava gostando do desempenho de Eren em lutas corpo a corpo, visto que aprendera rapidamente como usar os braços, o que era ótimo. Caso continuasse com o mesmo desempenho, em breve poderia passar para o treinamento com as DMT's, visto que era a parte mais importante que todo soldado deveria dominar com perfeição.

– Agora você me ataca Jaeger. — avisou, entrando em posição mais uma vez enquanto esperava pelo primeiro movimento do rapaz.

Eren franziu o cenho, dando um pequeno passo para o lado enquanto era acompanhado pelo cabo. Dessa forma conseguiria escutar o barulho de seus passos e, pelo menos, tentar adivinhar a que distância Rivaille se encontrava de seu corpo. Sempre sentia mais dificuldade quando precisava tomar a iniciativa.

Mesmo percebendo isso, Levi manteve-se em silêncio, apenas esperando um movimento. Aquela era a sua intenção, ensinar ao garoto a ouvir o mundo à sua volta e fazer daquilo sua vantagem. Se o rapaz de pele bronzeada provasse que conseguia enxergar a paisagem à sua volta através do som, estaria um degrau mais próximo da escada para se tornar um verdadeiro soldado.

Então, de repente, era surpreendido por um movimento repentino vindo de Eren, que corria rapidamente em sua direção com o punho direito erguido em um ataque direto. Levi ergueu uma de suas sobrancelhas, segurando o punho do rapaz com a mão direita e preparando-se para golpear o rapaz que, movimentando-se com mais rapidez, esticava a perna direita e abaivaxa levemente o corpo antes de girá-lo, dando uma rasteira que fez Rivaille se desequilibrar. No entanto, antes que fosse de encontro ao chão, o cabo esticou o braço livre, conseguindo então segurar o pescoço de Eren e puxá-lo consigo, fazendo o moreno cair ao seu lado, grunhindo um pouco. Havia caído de mal jeito.

– Minhas costas... — reclamou, tendo a atenção dos orbes acinzentados de Rivaille, que suspirou por breves segundos.

– Não pense que terá um descanso por causa disso. — Se adiantou, voltando o rosto para a direção do moreno, que crispou os lábios. — Francamente... Será que terei que te ensinar a cair também?

Observou Eren resmungar algumas coisas antes de erguer o corpo, sentando-se sobre o chão, resolvendo levantar também a fim de esticar as pernas. Deveria avançar para um próximo exercício, porém, não fazia ideia de qual começar primeiro. Suspirou uma outra vez, insatisfeito, detestava quando não sabia por onde começar.

Correu os olhos pelo local de campo aberto, pousando-os sobre as mochilas que haviam trago com comida e água, imediatamente se lembrando de algo que lhe deu uma ideia.

– Levante-se Jaeger. — ordenou, sendo prontamente atendido pelo moreno. — Você vai correr vinte passos, virar a esquerda, contar mais vinte passos e assim sucessivamente, entendeu?

– Sim senhor... — respondeu em um tom desanimado. — Por quanto tempo?

– Até eu me cansar de ver você correr. — disse simplesmente, fitando a expressão incrédula do mais novo, ignorando-a totalmente. — E nem ouse em diminuir o ritmo. Caso perceba isso, será castigado. Entendeu?

– Sim senhor. — respondeu ainda incerto, mas resolvendo acatar a ordem de seu superior e começar a correr, afinal, não queria arriscar descobrir seus métodos de castigo.

Rivaille cruzou os braços quando Eren começava com o exercício, logo voltando sua atenção para as mochilas, aproximando-se delas. Mais especificamente, da sua própria. Lembrava-se de ter guardado o envelope que Hanji havia lhe entregue dentro dela antes de saírem da pensão, caso conseguisse uma oportunidade em meio ao treinamento de ler seu conteúdo. Ao abri-la, rapidamente pegava o tal envelope e se dirigia para uma árvore próxima, sentando-se sobre suas raízes e se encostando sobre o tronco.

Voltou os acinzentados para o que jazia por entre as mãos, rapidamente abrindo-o e retirando de dentro uma quantidade generosa de papéis velhos que, anteriormente, pertenciam aos livros que seu amigo Elaijia havia confiscado. Estava extremamente curioso. Por isso, aproximou a primeira folha de suas íris acinzentadas, começando a leitura.

"Quando um anjo é corrompido em meio à um propósito, ele não pode retornar ao Paraíso enquanto não resolver seus assuntos inacabados. Por isso, os deuses estavam preocupados com o desempenho de seus dois anjos, agora encarnados. O domínio das forças do Demônio sobre as terras antes dominadas pela força das divindades era grande demais para que seus anjos especiais pudessem interferir entre os humanos. No entanto, o que mais os preocupava era o fato de que o temido Mestre dos Desejos estava a ser completamente corrompido pelas forças maléficas que adornavam a índole dos humanos terrenos. E por isso, continuaram a adiar o envio de Cristal à Terra.

Como um último ato de desespero, os deuses resolveram interferir na trilha de Índigo quando este completara exatos dezessete anos terrenos, fazendo com que seu caminho se cruzasse com o caminho do Mestre dos Desejos para, dessa forma, tentarem fazer com que seu anjo corrompido voltasse a seguir seu propósito inicial. No entanto, o que menos esperavam aconteceu. Os deuses perceberam seu erro tarde demais, pois a aura do Mestre dos Desejos estava tão corrompida que Índigo não conseguia alcançá-lo. E, por conta de um ato de crueldade, o anjo Índigo liberava seu imenso poder contra o Mestre dos Desejos, iniciando assim uma batalha por vingança que ultrapassava o controle dos deuses. Não existiam palavras suficientes para que os humanos que presenciaram aquele terrível acontecimento o descrevessem com detalhes. No entanto, relatos do antigo livro de ECO diziam que Índigo havia se transformado em uma criatura que conseguia tocar os céus e, sozinho, havia acabado, momentaneamente, com a tirania do Mestre dos Desejos. No mesmo livro, Índigo fora referido diversas vezes como 'a única esperança da humanidade' e como 'An chéad Tíotán', que significa 'O primeiro Titã'.

Quando os deuses pensaram ser seguro enviar Cristal para a Terra, outro imprevisto acontece. Índigo se mostra mais poderoso do que imaginavam, visto que havia liberado toda a sua força de uma vez, desencadeando assim no rompimento da ligação Paraíso-Terra que ainda fazia com que os deuses mantivessem o mínimo de controle sobre o anjo. E, como resultado, a Lei Natural da Vida que faz com que os encarnados retornem ao Paraíso passa a não atingir Índigo, congelando-o na idade terrena de dezessete anos.".

Rivaille engoliu aquilo em seco, rapidamente passando para a segunda folha, que aparentava estar mais amarelada e danificada que a anterior. Não sabia dizer o por que, mas aquila história estava lhe soando familiar demais, o que o levava a se lembrar da cena que viera em sua mente quando Hanji lia as passagens do livro para si. Aquele adolescente ruivo que aparecera em seu delírio aparentava estar na faixa dos dezessete anos.

Sacudiu a cabeça negativamente, voltando os acinzentados para seu subordinado, este que parecia levemente cansado, mas ainda assim não diminuia o ritmo de sua corrida. O que era algo bom.

– Mais rápido Jaeger. — disse em um tom de voz mais elevado.

– Sim... Senhor! — respondeu arfante, fechando os olhos com pressão antes de forçar mais as pernas para aumentar o ritmo.

Feito isso, o cabo voltava sua atenção para a segunda folha que jazia por entre as mãos, precisando semicerrar os olhos para ler com mais nitidez seu conteúdo.

"No entanto, o antigo livro de Elvenpath* relata que Índigo, ao mesmo tempo em que era a única esperança da humanidade, estava caminhando para se tornar o pior carrasco da humanidade. Para evitar que acontecesse o mesmo que acontecera com o Mestre dos Desejos, os deuses resolveram enviar Cristal ao mundo terreno a fim de guiar Índigo, que na época, estava com vinte anos terrenos.

Cristal encarnou como filho ilegítimo de uma poderosa família na região central da Escandinávia, onde fora obrigado a trabalhar quando completara quatro anos de idade terrena. Sua família era a maior rival da família onde o Mestre dos Desejos encarnara, e como Índigo continuava a procura de sua vingança, seus caminhos se cruzaram.

Índigo resgatou Cristal de sua vida de escravidão, tomando-o como filho e, devido à ligação espiritual, passou a protegê-lo de quaisquer males que o mundo dos humanos poderia oferecer. Dessa forma a aura de Índigo, aos poucos, regressou para o seu estado de origem. Todavia, o instinto protetor de Índigo começava a se revelar como sendo demasiadamente exagerado quando Cristal se aproximava do Mestre dos Desejos, revelando assim uma ligação tão forte que nem mesmo os deuses conseguiam entender.

Na medida em que Cristal se aproximava, o temido Mestre dos Desejos começou a demonstrar sinais de purificação, o que agradou em demasia os deuses. Porém, ao mesmo tempo, um novo sentimento se formava em Índigo enquanto a sede por vingança retornava mais poderosa do que nunca. Índigo encontrou ali uma oportunidade de concretizar aquilo que os deuses não queriam que acontecesse.

Aproximou-se também do Mestre dos Desejos, usando de sua capacidade de persuasão para atraí-lo cada vez mais para si. No entanto, quando Índigo descobriu...".

Sua leitura fora interrompida pelo barulho de algo que se chocava contra o chão e então Levi levantou o olhar, fitando o corpo cansado de seu subordinado há alguns metros de distância desfalecido sobre o chão imundo daquele lugar. Suspirando levemente, o cabo deixou aqueles papéis de lado, levantando-se e se aproximando do local onde havia deixado as mochilas. Imaginava que Eren estivesse com sede, visto o tempo em que estava treinando sem ingerir uma gota d'água.

Abriu a mochila e retirou de lá um copo e uma garrafa mediana onde se encontrava o líquido transparente. Após abrir a garrafa, despejou seu conteúdo dentro do copo e a guardou novamente após fechá-la.

– Levante-se garoto. — disse, caminhando na direção do rapaz que demorava para obedecer. — Tsc. Anda logo pirralho, ou então vai ficar sem água.

O jovem Jaeger ergueu a cabeça, ainda com os olhos fechados e com uma expressão de poucos amigos, levantou-se, permanecendo sentado enquanto sentia uma das mãos de seu superior em seu pulso, erguendo-o, sentindo logo em seguida a superfície firme do copo, que agarrava quase que imediatamente antes de levá-lo aos lábios. Mas não sem antes sentir o rosto esquentar levemente devido à aproximação do corpo de seu superior, afinal, conseguia sentir sua respiração se chocar contra seu rosto.

– Por que está vermelho, pirralho? — quis saber assim que a coloração rubra adornou a face de seu subordinado, permitindo-se se sentar ao seu lado.

– C-Cansaço senhor. — respondeu encabulado, em seguida ingerindo uma grande quantidade de água.

Levi ergueu uma de suas delineadas sobrancelhas enquanto os olhos percorriam, contra sua vontade, o corpo completamente suado do rapaz ao seu lado. Em uma ocasião normal, sentiria repulsa de estar próximo do corpo de alguém naquele estado, cuja sudorese era tamanha que pequenos pedaços de folhas ficavam grudados na pele bronzeada pelo sol de Eren. Porém, aquela situação apenas o tentava a observá-lo.

– S-Senhor... — chamou e Rivaille resmungou algo, instigando-o a continuar. — Queria perguntar uma coisa.

– Pergunte. — permitiu, apoiando uma das mãos sobre o chão enquanto esticava o outro braço, espreguiçando-se. — E vá direto ao ponto.

Eren tossiu algumas vezes, nervoso, segurando o copo com as duas mãos enquanto sentava-se na posição flor de lótus. Não sabia como perguntar aquilo, o que acabava o deixando deveras encabulado com aquela situação. Havia tido permissão para ser direto, no entanto, como fazer isso sem parecer estranho?

– S-Senhor... — começou, suspirando pesadamente enquanto sentia o rosto esquentar com mais intensidade, sendo fixamente observado pelo cabo, que continha a vontade de sorrir naquele momento. — Por que o senhor... B-Bom... Por que me beijou naquele dia?

O rapaz abaixava a cabeça enquanto Levi piscou algumas vezes por ser pego desprevenido, não esperava por aquela pergunta. Na verdade, ainda não havia parado para se perguntar acerca do motivo de ter feito aquilo naquele momento. Apenas sentiu a necessidade de sentir aqueles lábios juvenis próximos aos seus.

O cabo suspirou, aquele, definitivamente, não era o motivo. Como responder àquela pergunta?

– Não sei. — deixou escapar, fitando a reação surpresa de seu subordinado, que não esperava por aquela resposta. Crispando os lábios, Levi sentou-se na mesma posição que Eren, levando uma das mãos às têmporas, massageando-as. — Desde o dia em que conheci você, não tenho certeza de mais nada.

– C-Como assim? — perguntou confuso e, apenas naquele momento, o cabo percebera o que havia dito, trincando os dentes em seguida.

– Eren, quero que me responda sinceramente. — alertou, voltando os acinzentados para os esmeraldinos que fitavam um ponto aleatório. — Já nos conhecíamos antes daquele dia em Trost?

O rapaz de pele bronzeada então franziu o cenho, surpreso em saber que não era o único em ter essa impressão.

– Não que eu saiba senhor. — respondeu. — O senhor... Também tem essa impressão? De que já nos conhecíamos.

– Não é apenas uma impressão, mas sim tudo o que envolve a nós três e essa história idiota. — deixou escapar mais uma vez, levantando-se enquanto usava da mão que se encontrava sobre as têmporas para alisar os fios negros.

– Três? — O garoto questionou e Rivaille trincou os dentes outra vez, percebendo ter dito mais do que realmente deveria.

– Esquece garoto.

– O senhor incluiu o capitão Savage? — disse Eren, atraindo outra vez a atenção de seu superior. — E que história?

Levi fechou os olhos por breves momentos.

– São histórias idiotas sobre titãs que Hanji me convenceu a ler. — Franziu o cenho ao se lembrar de algo, voltando-se para Eren e reabrindo os olhos. — Isso me faz lembrar... Você também sentiu essa, digamos, familiaridade, quando conheceu Elaijia?

– Sim, mas... Foi também algo mais além disso. — respondeu sereno, ocultando os esmeraldinos sob as pálpebras. — Eu fiquei com medo.

– É normal soldados sentirem-se ameaçados por seus superiores. — concluiu Rivaille.

– Não foi esse medo que quis dizer, senhor. — continuou, fazendo o cabo franzir mais o cenho. — Eu não sei explicar bem, mas... — Eren encolheu as pernas, abraçando-as em seguida. — Acho que o que senti se assemelhava ao pavor que senti quando aquele titã me engoliu. Não... — Apoiou o queixo sobre um dos joelhos, pensativo. — Aquilo foi diferente, como se eu já conhecesse o que ele é capaz de fazer...

Rivaille imediatamente associou aquilo à história que estava a ler minutos atrás, sentindo também certa vertigem ao se lembrar de ocasiões em que também tivera receio de estar ao lado do amigo. Seria possível que estivessem interligados durante as encarnações? Ou pior, seria possível que um deles sejam a reencarnação de um dos seres referidos nas páginas daquele livro?

Se assim fosse, quem seria o que? De acordo com seus pensamentos, Eren, com sua personalidade encantadora, encaixava-se perfeitamente no papel de Cristal. Elaijia, com sua hiperatividade aparente e avidez, poderia ser encaixado no papel de Índigo. Enquanto a si próprio...

Levi arregalou os olhos com o que acabava de descobrir. Não tinha provas e a única pessoa que talvez fosse ajudá-lo a descobrir se aquilo era verídico ou não seria Hanji. Além disso, a imagem de Irwin também lhe veio em mente ao se recordar da conversa que tiveram antes de partir com Eren na semana anterior. O loiro sabia de alguma coisa que não havia lhe contado.

Foi tirado de seus devaneios pelo seu subordinado, que soltou uma espécie de risada nervosa antes de levar uma das mãos à cabeça, coçando-a.

– Desculpe senhor. — disse logo em seguida, sorrindo. — Disse coisas estranhas, não é?

– Não precisa se desculpar. — adiantou-se, fitando a expressão surpresa e confusa do rapaz. — Apenas parei para pensar sobre uma coisa... Além disso, precisamos conversar depois.

Eren ergueu uma das sobrancelhas, sem entender o rumo dos pensamentos de seu superior, que se aproximou de seu corpo em passos lentos e desferiu leves tapas sobre a parte de trás de sua cabeça.

– Levante-se, vamos voltar para a pensão. — alertou. — Você precisa de um banho e eu também.

[...]

O cabo estava incrivelmente irritado, caminhando enquanto puxava sem cuidado algum seu subordinado pelo pulso na direção do banheiro. O sol havia se posto há cerca de trinta minutos e a noite fria exigia um demorado e relaxante banho quente. No entanto, um dos responsáveis por recolher a lenha da pensão durante o dia não havia feito seu trabalho e, caso ainda quisesse se deitar com o corpo em uma temperatura aceitável, deveria partilhar o banheiro com o garoto, que tentava recusar a todo o momento o banho quente.

– Não quero ser obrigado a cuidar de um pirralho gripado. — disse Levi mal humorado, sem deixar de puxar o moreno por um segundo apenas. — Apenas mexa essas pernas e vamos logo com isso.

Eren resolveu se calar e apenas acompanhar seu superior. Nunca imaginaria vê-lo perder a paciência com algo que julgava ser tão insignificante como um simples banho. Não que não gostasse de se sentir limpo, mas quando era criança e morava em Shinganshina não podia desfrutar de banhos diários, visto que a água era um bem caro e escasso demais para ser desperdiçado com outra coisa que não fosse o consumo.

Ao atravessarem a porta de madeira Levi largava o pulso de Eren para trancá-la e, logo em seguida, voltava os acinzentados para as duas grandes bacias que se encontravam sobre uma bancada de barro. Provavelmente a água já fervida se encontrava em seu interior, portanto, dirigiu-se até elas, segurando a toalha branca que estava ao lado e usando-a para carregar uma das bacias e não se queimar.

– Tire a roupa e entre na banheira Jaeger. — ordenou ainda mal humorado enquanto despejava o conteúdo quente da bacia dentro da banheira que se encontrava com a água gelada. Ouviu seu subordinado resmungar algumas coisas e, deixando a bacia de lado, continuou. — Estamos entre indivíduos do mesmo sexo. Eu tenho tudo o que você tem, então não precisa ficar com vergonha.

A tentativa de acalmar o moreno não deu certo, visto que este sentia seu rosto esquentar em demasia com aquele comentário. No entanto, resolveu acatar àquela ordem e começou por retirar a camisa esverdeada, visto que havia se desfeito das amarras que prendiam as DMT's ao seu corpo antes de Rivaille arrastá-lo para o banheiro. Em seguida desfazendo-se da calça branca do uniforme e de sua roupa íntima. Estava mais encabulado do que nunca, visto que estava totalmente nu na presença de seu superior que, naquele momento, encontrava-se apenas sem a camisa e o cravat.

Havia perdido totalmente a concentração no que fazia no momento em que pousara os olhos sobre o corpo do jovem Jaeger. O rapaz ainda não possuía músculos, o que apenas acentuava suas curvas joviais e o contraste com aquela pele bronzeada e aquele olhar completamente encabulado deixava o cabo da tropa de exploração hipnotizado.

Não desviou o olhar quando este começou a se mover na direção da banheira em passos lentos, com cuidado para não esbarrar em nada. Rivaille então se aproximou, segurando o mais novo pelo pulso a fim de guiá-lo até a banheira. Sabia que o moreno conseguiria caso insistisse, entretanto, a vontade de ajudá-lo havia falado mais alto. Percebeu quando Eren prendeu a respiração, nervoso, o que apenas o divertia. Quando este já estava em segurança, Levi se apressou em livrar-se do resto das roupas, em seguida juntando-se ao moreno.

– Tsc. A banheira ficou menor do que imaginei. — reclamou, apoiando os braços sobre a beira da banheira. — Encolha as pernas Jaeger, também preciso de espaço.

– D-Desculpe senhor. — E assim o fez, sentindo que os joelhos ficavam levemente para fora da água. O cabo rolou os olhos em escárnio, esticando um dos braços para pegar o sabão em barra que usariam para se limpar.

Era perceptível o desconforto do moreno quanto àquela situação. Todavia, pensava ser melhor que passar a noite com o risco de contrair algum resfriado por conta de um banho gélido. Rivaille então voltou-se para Eren, dizendo:

– Comece a se ensaboar primeiro e se lave direito.

– Sim senhor. — respondeu, esticando um dos braços a fim de segurar o sabão, que lhe foi prontamente entregue.

– Não precisa me tratar com tanta formalidade assim agora. Estamos no banho, não em um campo de treinamento. — reclamou, o que apenas fez com que o moreno se encolhesse mais naquela banheira.

– Eu sinto muito senhor. — Levi rolou os olhos, apoiando as costas sobre a beira da banheira enquanto relaxava o corpo, observando o jovem Jaeger umedecer o sabão antes de passar a esfregá-lo pelo corpo bronzeado.

O homem de baixa estatura apenas acompanhava todo o trajeto que a água e o próprio sabão faziam pelo corpo de Eren, deixando-o levemente brilhante sob a luz do lampião que se mantinha aceso acima deles. Era incrível como não conseguia resistir a tentação de observar aquele corpo jovial e de ressaltar a maneira somo seus pelos se eriçavam ao entrar em contato com a água quente. Rivaille engoliu em seco, ainda sem desviar os acinzentados. O que aquele garoto conseguia fazer consigo era assustador. No entanto, era tirado de seus devaneios por uma visão que não o agradara nem um pouco.

– É assim que você lava o seu cabelo? — resmungou, fitando a expressão confusa de Eren para si. — Quase não vejo espuma, o que é sinal que não está totalmente limpo.

– Desculpe senhor. — disse a contra gosto. Às vezes o cabo exagerava demais. — Mas é difícil saber quando está suficientemente limpo quando não enxergo.

– Tsc. Venha aqui. — chamou e então o rosto do rapaz se esquentou, enquanto o mesmo abaixava os braços.

– Oi? — perguntou, não tinha a certeza de ter ouvido com clareza.

– Anda logo pirralho. — disse levemente irritado, sendo prontamente atendido pelo garoto que, mesmo relutante, começava a se mover com cuidado sobre aquela banheira. — Vire-se de costas.

Eren engoliu em seco, em seguida sentindo as mãos calejadas de seu superior sobre seu corpo, uma sobre um dos braços e a outra sobre as costas, ajudando-o a movimentar-se com mais facilidade, ao mesmo tempo em que movia o próprio corpo a fim de acomodar melhor o garoto e a si próprio. Levi abriu as pernas e puxou o corpo do rapaz contra o seu, sentindo suas costas levemente ensaboadas apoiar-se sobre seu peito.

– Onde está o sabão? — quis saber e, mesmo com o corpo trêmulo pelo nervosismo, Eren ergueu uma das mãos, entregando o objeto em questão para seu superior. — Ótimo. Agora feche os olhos.

O jovem Jaeger obedeceu, ocultando seus esmeraldinos no mesmo tempo em que as ágeis mãos do cabo, já ensaboadas, tocavam seus grossos fios castanhos. Ao contrário do que havia imaginado, Rivaille massageava seu couro cabeludo com certo cuidado, sem a brutalidade na qual estava habituado, o que o surpreendeu por alguns segundos.

Todavia, ainda sentia-se deveras encabulado com aquela situação. Estar próximo demais de Levi quando não sabia ao certo o que se passava consigo era, no mínimo, perigoso. Ainda mais por conseguir sentir algo misterioso roçando em suas costas.

Quanto à Levi, este apenas permanecia a massagear o couro cabeludo de seu subordinado enquanto observava as caras e bocas que o mesmo fazia em silêncio, tentando adivinhar o que o mesmo estaria imaginando. Deveria admitir que achava aquele aspecto infantil e inocente deveras atraente. O cabo suspirou, sentindo um palpitar diferente ao lado esquerdo do peito ao qual não deu tanta importância, visto que estava confortável demais com aquela situação.

Afastou as mãos quando percebeu que as madeixas castanhas do mais novo estavam suficientemente ensaboadas, levando-as até a água da banheira e juntando o que conseguia por entre as mãos antes de despejá-la sobre a cabeça do menor, fazendo a espuma correr pelo corpo e rosto do mesmo, que crispou os lábios. Rivaille suspirou, fazendo o mesmo processo cerca de três vezes antes de concluir que havia terminado seu trabalho por ali.

No entanto, ao invés de pedir para que Eren se afastasse, resolveu apoiar ambas as mãos sobre os ombros do moreno, que levantou a cabeça até encostá-la sobre o ombro do cabo, expondo suas orbes esmeraldinas para Rivaille, que voltou seus acinzentados para o rapaz. Aqueles olhos estavam diferentes daquela vez, pareciam transmitir-lhe uma tranquilidade e nostalgia que, de certa forma, o assustava, pois o faziam se lembrar das visões que começara a ter quando o conhecera.

– David... — deixou escapar em voz alta, fazendo com que Eren arregalasse os olhos enquanto o cabo os fechava antes de aproximar seu rosto da testa do rapaz, deixando com que seu nariz roçasse sobre aquela região, o que surpreendeu o rapaz, que apenas pensava em como seria possível que seu superior o chamasse pelo mesmo nome que havia sido chamado quando tivera aquela visão. Será que Levi também havia presenciado aquilo naquele dia?

Tendo isso em mente, resolveu arriscar:

– Francis... — disse ainda encabulado, fechando os olhos.

Como uma reação em cadeia, o que aconteceria depois era apenas o começo do que havia se repetido durante milênios. Rivaille envolvera o corpo de Eren com seus fortes braços enquanto este encolhia o corpo, aconchegando-se melhor sobre o corpo do homem atrás de si, que abaixava ainda mais a cabeça a procura dos lábios daquele garoto, que não tardou em procurar os de seu superior quando percebera a intenção do mesmo.

Quando se encontraram, mais uma vez aquele misto de sentimentos passou a apoderar-se de seus corpos. Na medida em que as línguas dançavam ao ritmo de uma melodia serena, Eren também movia o corpo apenas o suficiente para poder atacar os lábios de seu superior com mais conforto, apoiando uma das mãos sobre o peito do mesmo, surpreendendo-se ao sentir as batidas descompassadas do coração daquele homem.

Já Rivaille desceu uma das mãos até a cintura de Eren, pressionando aquele local com força enquanto a outra subia até o rosto do mesmo, a fim de acariciá-lo. Nunca sentira tal necessidade de fazer com que o outro se sentisse bem, porém, com aquele garoto as coisas eram tão diferentes... Não saberia explicar o por que e também não queria pensar nisso naquele momento. Apenas queria aproveitar aquele momento maravilhoso ao lado do dono daquelas hipnotizantes orbes esmeraldinas.

O tempo que fosse necessário.

Notas finais
*Elvenpath: Esse livro não existe. Na verdade, isso é uma música no Nightwish que resolvi colocar na fanfic como sendo um livro, visto que a estava ouvindo enquanto escrevia tal passagem. Comentários?