Wishmaster
16 Coração de Cisne
Notas iniciais
Balançou a cabeça negativamente outra vez quando o moreno se desequilibrava das amarras da DMT e chocava a testa com força contra o chão, fazendo com que suas pernas ficassem suspensas. Não conseguia entender o motivo de não conseguir ter o mínimo de equilíbrio com algo tão simples como aquilo.
O cabo suspirou pesadamente, aproximando-se antes de se pronunciar:
– Achei que não conseguiria cair em uma pose mais bizarra, mas vejo que me enganei. — Fitou quando Eren crispou os lábios, apoiando ambas as mãos sobre o chão a fim de erguer o corpo e afastar o rosto do chão.
Abaixou-se apenas o suficiente para desfazer o nó que as amarras faziam sobre a cintura do jovem Jaeger, que sentava-se sobre o chão e levava ambas as mãos à testa assim que se via livre. Levi não conseguia entender o por que do garoto não conseguir aprender algo tão simples, visto que seu desempenho havia melhorado em demasia nos últimos treinos. Talvez estivesse se equivocando em avançar tão rapidamente para o manuseio do dispositivo de manobras tridimensionais.
Livrando-se desses pensamentos, voltou os acinzentados para o rapaz, percebendo que um filete rubro escorria pelo seu rosto ao mesmo tempo em que uma fina fumaça branca escapava por entre seus dedos, estes que cobriam sua testa. Mais do que depressa Rivaille ajoelhou-se, imediatamente à frente do moreno, levando ambas as mãos até seus pulsos a fim de afastar as mesmas do local.
– Deixe-me ver isso. — pediu e logo Eren o atendeu, deixando visível o ferimento em sua testa que fez o homem de baixa estatura semicerrar os olhos por breves segundos. Seriam necessários alguns pontos, não fosse as estranhas habilidades de regeneração do garoto.
Suspirando, Levi retirou um lenço branco do bolso da jaqueta de seu uniforme, limpando o sangue do rosto do garoto, que fechou os olhos e sentiu o rosto enrubescer pelo contato levemente carinhoso do outro. Os últimos dias haviam se resumido em constantes treinamentos com algumas pausas para descanso, que eram usadas para se alimentarem, conversarem sobre coisas banais e trocarem algumas demonstrações de afeto, o que agradava em demasia à Eren, que sentia-se feliz e confortável com a situação em que se encontravam.
O mesmo não podia ser dito de Rivaille. O cabo também sentia-se estranhamente confortável ao lado do garoto e gostava quando tocavam-se de forma mais "íntima". Porém, a atual situação não o estava agradando nem um pouco, visto que as teorias que estivera ponderando durante aquele tempo, por mais assustadoras e absurdas que aparentavam ser, mostravam terem sentido. A única coisa que ainda não havia conseguido entender era a maneira como os titãs se espalharam pelo mundo. Afinal, caso Índigo tenha realmente sido o primeiro, isso significa que ele próprio fora o responsável por sua disseminação.
Seus pensamentos foram interrompidos por uma risada quase lírica vinda do moreno à sua frente, que sorria divertido com os olhos fechados.
– O senhor vai tirar a pigmentação da minha pele de tanto que a limpa, heichou. — comentou bem humorado, fazendo com que o cabo percebesse apenas naquele momento que estava a limpar o mesmo ponto há alguns minutos.
– Tsc. — pigarreou, afastando o lenço do rosto do garoto. — Não reclame por fazer o meu trabalho direito. — Levantou-se e então guardou o lenço dentro do bolso de sua jaqueta novamente, franzindo o cenho em seguida ao voltar os acinzentados para o céu. — Hora do almoço garoto. Vamos voltar.
– Sim senhor. — respondeu, levantando-se logo em seguida, esticando um dos braços para que Levi o guiasse até os cavalos, o que fez o homem desfazer por breves momentos a carranca anterior. Não conseguia deixar de pensar em como a cegueira do rapaz fora adquirida de uma forma tão estranha. Nunca ouvira falar de algo relacionado àquilo, o que o preocupava de certa forma, visto que não sabia se Eren poderia voltar a enxergar ou não.
[...]
Tentava enxugar os cabelos o máximo possível, visto que iria se deitar logo em seguida e não queria correr o risco de contrair algum tipo de resfriado. Seus acinzentados pousaram sobre a janela daquele quarto, fitando a escuridão daquela gélida noite chuvosa. Deveria vestir algo que o aquecesse mais do que uma simples calça folgada.
Com tal pensamento, sua atenção fora tomada por uma figura, no mínimo, excêntrica. Apoiou o corpo sobre a parede mais próxima enquanto fitava seu subordinado sentado, encostado sobre a cabeceira de sua cama e com o corpo completamente envolto por um cobertor de coloração azulada. Levi permitiu-se sorrir com aquela visão, visto que os fios castanhos de sua franja eram a única parte visível do corpo do jovem Jaeger.
– Admito que esteja frio, mas isso é um exagero. — comentou, atraindo a atenção do mais novo, que virava o corpo em sua direção. Rivaille terminava de enxugar seus fios negros, dobrando a toalha antes de procurar por uma escova. — Como está a testa?
– Ah... Parece ter cicatrizado. — respondeu, levantando uma das mãos.
Dando de ombros, o cabo concentrava-se em desembaraçar seus cabelos, visto que havia encontrado a escova enquanto distraía-se com aquele pequeno diálogo. Resolveu pentear suas madeixas para trás, deixando toda sua testa visível. Isso facilitaria seu trabalho no momento de dividir as mechas no dia seguinte.
Ao término, largou a escova sobre sua cama antes de se dirigir para a janela, contemplando a visão da cidade completamente dominada pela chuva. Conseguia enxergar algumas pessoas correndo pelas ruas, provavelmente para chegar ao conforto de suas casas e se aquecerem na frente de uma enorme lareira. Tal pensamento fez o homem rir nasalmente antes de fechar os olhos. Lembrava-se de Hanji dizer o quanto gostava de se unir com seus pais e irmãos na frente de uma em uma noite fria como aquela e no quanto aquilo a fazia se sentir bem. Felizmente ou infelizmente, nunca teve a oportunidade de desfrutar de algo como aquilo, sendo fadado a apenas imaginar como seria a sensação caso sua infância fosse marcada pelo carinho fraternal.
Levi reabriu os olhos, suspirando pesadamente em seguida. Às vezes imaginava se sua vida ou personalidade não seriam diferentes caso seu passado também fosse diferente.
"Anseio constante pela alma perfeita.".
Franzindo o cenho, o cabo voltou seus orbes para seu subordinado que estava agora apenas com a cabeça exposta. Fora pego desprevenido por aquela música que o garoto cantarolava enquanto movia-se sobre a cama a fim de se deitar.
– Que música é essa? — quis saber, atraindo a atenção do moreno para si.
– Minha mãe costumava cantá-la para mim antes de dormir. — explicou, terminando de se deitar. — Ela me ajuda a relaxar e ter bons sonhos.
– É uma canção de ninar? — perguntou outra vez, aproximando-se da cama de Eren, sentando-se sobre a beirada enquanto fitava os esmeraldinos do rapaz.
– Não. — respondeu. — Mas eu gosto do significado dela.
Rivaille suspirou mais uma vez, voltando os olhos para um ponto aleatório enquanto sua mente insistia em trazer-lhe lembranças que não lhe faziam bem. Por exemplo, quando corria desesperadamente por entre as vielas imundas da cidade subterrânea enquanto fugia da Polícia Militar.
Trincou os dentes antes de balançar a cabeça negativamente. A cada dia que se passava conseguia ver como Hanji tinha razão ao dizer que dias chuvosos trazem à mente pensamentos indesejáveis.
Iria se levantar, porém, fora impedido ao sentir uma mão segurar firmemente seu pulso e puxá-lo de encontro àquela cama. Levi franziu o cenho, carrancudo, fitando Eren, cuja face estava extremamente enrubescida.
– Heichou... Tem algo o incomodando? — Aquela pergunta havia pego o cabo de surpresa.
– Por que?
– B-Bom... — começou, escondendo a cabeça no travesseiro antes de continuar. — O senhor está estranho... Distante.
Desfazendo a carranca, Rivaille moveu-se a fim de se deitar mais confortavelmente sobre aquele colchão de palha, ficando de frente para Eren, cujos esmeraldinos estavam agora abaixados.
– Não é nada importante. — respondeu, deitando a cabeça sobre o travesseiro do moreno, que encolheu levemente o corpo assim que sentia a respiração do cabo se chocar contra seu rosto.
– Tem certeza senh-
– Levi. — interrompeu, rolando os olhos pela expressão confusa do mais novo. — Pode me chamar de Levi e me tratar por "você" quando estivermos sozinhos e não estivermos treinando.
Eren arregalou levemente os olhos, em seguida sorrindo em um misto de timidez e felicidade que não passou por despercebido, visto que Rivaille havia separado levemente os lábios, surpreso por perceber um brilho diferente estampado sobre os anteriormente opacos esmeraldinos do rapaz de pele bronzeada. Não sabia que um simples gesto como aquele poderia deixá-lo contente daquela forma.
– Então... Levi. — pronunciou, sorrindo bobo ao pronunciar novamente o nome de seu superior, assim como no passado, quando se conheceram em Trost. — Tem certeza que não é importante?
O cabo suspirou pesadamente antes de responder.
– É incrível como você consegue sentir essas coisas. — comentou, fechando os olhos, relaxando. — Apenas me lembrei de algumas coisas do meu passado que não me agradam.
– Se quiser compartilhar... Às vezes, quando nos abrimos com outras pessoas e dividimos o peso de nossas angústias, acabamos percebendo que elas não eram assim tão pesadas. — disse, arrancando um olhar incrédulo do homem de baixa estatura ao seu lado.
– Onde aprendeu essas coisas? — perguntou, mais para si mesmo do que para o rapaz responder. Levi levou uma das mãos às têmporas, massageando-as levemente antes de fechar os olhos e esfregá-los com a mesma mão. Não estava acostumado com ações como aquela, o que acabou por deixá-lo superficialmente constrangido.
Eren apenas sorriu com aquilo, arriscando aproximar mais seu corpo do corpo de seu superior, fechando os olhos por breves momentos antes de continuar:
– O que quer que anda no meu coração, vai andar sozinho. – Resolveu cantarolar, atraindo novamente a atenção de Levi para si, que abriu os olhos. — Minha mãe cantava essa parte da música para mim bem baixinho, como se não quisesse que a escutasse. — O cabo abaixou levemente o olhar. Aquela passagem lhe era bem familiar. — No entanto, eu sempre me esforçava para ouvi-la.
– Por que? — quis saber, levantando uma de suas mãos e pousando-a sobre os fios castanhos do jovem Jaeger, que sorriu outra vez.
– Porque o que quer que ande em seu coração, nunca andará sozinho. — explicou, permitindo-se encostar a testa sobre a clavícula do cabo. — Por mais que as pessoas construam muralhas à sua volta, um dia, elas irão perecer. Enquanto elas estiverem firmes, as pessoas à sua volta tentarão ultrapassá-las e isso não é ruim. — Rivaille engoliu aquilo em seco, mas não interrompeu o garoto. — Mas você não deve lutar o tempo inteiro para afastá-las de si. Pois no momento em que essas muralhas desmoronarem, você estará realmente sozinho por ter-las afastado quando deveria se abrir.
Trincando os dentes e tencionando os músculos, o cabo fechou os olhos enquanto sentia seus pulmões falharem por breves segundos. Como era possível aquele garoto possuir tamanha... Inocência? Como era possível ainda existirem pessoas como Eren Jaeger, portadores de tamanha bondade que apenas com algumas trocas de palavras, faziam com que todos os seus problemas desaparecessem? Talvez, o que mais o impressionasse fosse o fato de que, com aquela simples frase, o moreno pudesse mostrar aspectos de sua personalidade que nem mesmo ele conhecia.
Todavia, o cabo não era o único que estava a se sentir deveras incomodado. Haviam inúmeras dúvidas que insistiam em perturbar a mente do rapaz de pele bronzeada e gostaria que todas fossem aclaradas. No entanto, se mal conseguia formular uma pergunta adequada quanto àqueles assuntos, como explicaria para o homem à sua frente o que estaria se passando em sua mente?
Resolveu, então, retornar à um assunto há muito esquecido e que também lhe causava algumas dúvidas.
– Levi, por que você me salvou daquele ataque em Trost? — Foi direto, fazendo o cabo resmungar confuso. — Quer dizer... O senhor se arriscou muito para me salvar...
Rivaille voltou a expor seus acinzentados, pensativo.
– Também queria saber o motivo. — respondeu sincero, suspirando em seguida. — Aquilo foi muito instintivo.
O garoto fez um bico infantil involuntário, por mais que o deixasse levemente contente saber que, mesmo que se conhecessem há pouco tempo na época, o cabo pudesse ter esse tipo de atitude impensada por sua causa.
No mesmo instante Eren encolhia o corpo ao se lembrar do que acontecera na noite que antecedera aquele inferno, o que chamou a atenção de Levi, que imediatamente questionou o rapaz acerca daquela atitude.
– É que... Na noite anterior àquele incidente em Trost, houve uma patrulha da Polícia Militar e-
– Uma o que? — interrompeu, pegando o outro de surpresa pelo tom que havia usado.
– Uma patrulha. — repetiu, levemente relutante pela reação de seu superior. — Elas são muito comuns em Trost...
– Nunca ouvi falar de algo assim. — Levi franziu o cenho com aquela nova informação. — O responsável por patrulhar os distritos que se encontram dentro das muralhas é a tropa estacionária. A Polícia Militar não pode atuar fora das terras do Rei, a não ser que seja para cobrança de impostos.
– Mas... Eles patrulhavam. — Eren abaixou o tom de voz aos poucos, expondo seu nervosismo ao cabo, que assistia àquilo com certo interesse e curiosidade. — Quer dizer... Que eles faziam aquilo para nos matar sem nenhum motivo?!
– Matar? Desde quando a Polícia Militar vem matando civis? — Aquilo parecia um total absurdo na mente de Rivaille, visto que sempre manteve contato com representantes daquele ramo do exército e nunca ouvira falar dessas misteriosas patrulhas. A única explicação para isso seria que os comandantes estavam a esconder algo do resto do exército e, provavelmente, seus capitães também.
Imediatamente lembrou-se de Elaijia e de sua estranha atitude, aparentemente bipolar, em relação ao jovem Jaeger que se encontrava agora em segurança ao seu lado. Nunca sequer imaginou que um dia desconfiaria tanto de seu amigo mais próximo, mas dadas as circunstâncias, deveria ponderar seriamente em rever suas amizades e relações com as outras pessoas. Ainda mais naquele momento, que estava a descobrir sobre o passado dos titãs.
Então sua mente o levou para uma outra lembrança que apenas fez com que suas desconfianças aumentassem em relação ao capitão ruivo que considerava seu amigo. O momento em que Hanji lhe dissera sobre o que se tratavam aqueles livros e a reação de Elaijia não foi uma das melhores.
Era incrível como tudo se encaixava.
– Eren. — chamou, atraindo a atenção do garoto que ainda se mantinha encolhido, acanhado. — Irei averiguar isso pessoalmente quando voltarmos para a base. Provavelmente Irwin não está sabendo desse pequeno detalhe em relação à Polícia Militar. — Percebeu quando o moreno engoliu em seco, resolvendo então envolver a cintura do mais novo e trazê-lo para mais próximo do seu corpo. — Não é necessário ficar assim, irei esclarecer tudo isso o quanto antes.
[...]
Acordou alguns minutos mais tarde que o habitual, o que, combinado com as dores das bolhas que estouravam em seu peito devido à queimadura de dias atrás, rendera-lhe uma manhã mal humorada. Nem mesmo os remédios naturais que os médicos da tropa lhe entregaram antes que saísse com Eren pareciam resolver alguma coisa.
Estava sentado à grande mesa da pensão, sozinho, visto que de seu corpo emanava uma aura tão negativa que parecia atingir os demais residentes daquele lugar. Segurando uma xícara de café â sua maneira, perguntava-se mentalmente onde estaria seu subordinado. Não o encontrara em lugar algum daquela pensão, deduzindo que o mesmo havia saído. Apenas esperava que estivesse na companhia de alguém, afinal, não queria que o moreno se perdesse naquela cidade tão desconhecida para si.
Bebericou do líquido escuro que se encontrava em sua xícara, suspirando entediado. Detestava, mas deveria admitir que havia se acostumado com a companhia do moreno.
– Cabo Levi? — Ouviu ser chamado e então voltou seus acinzentados para frente, fitando uma mulher com os cabelos completamente descoloridos pela idade e cujos olhos realçavam sua descendência asiática. — Bom dia. Quer que prepare algo para comer?
– Bom dia sra Tamashiro. — respondeu cordial, pousando a xícara sobre a mesa. Finalmente alguém o havia cumprimentado desde que acordara. — Um pão seria ótimo.
– Está com sorte senhor, acabei de levar uma grande leva ao forno nesse momento! — respondeu animada enquanto Rivaille apenas erguia uma das sobrancelhas.
– Sabe onde está meu soldado? — quis saber, atraindo a atenção da mulher que havia se distanciado um pouco para pegar alguma louça que não havia identificado.
– O jovem Eren? Ele saiu com minha filha. Pedi para que ela comprasse algumas coisas e ele acabou se oferecendo para ajudar. — respondeu, voltando-se para o cabo e se sentando à sua frente, do outro lado da mesa. — Desculpe, isso deve ter atrapalhado o senhor, não?
O cabo suspirou, cruzando os braços antes de encostar-se melhor sobre a cadeira de madeira.
– Na verdade não. — explicou. — Apenas fico preocupado com ele andando por uma cidade desconhecida sozinho. Mas como está acompanhado, não vejo problema.
Fitou a mulher à sua frente sorrir, o que acentuava suas linhas de expressão, adquiridas pela idade.
– É muito bom mesmo vermos como ainda existem pessoas boas no exército. — A mulher comentou, o que fez com que Rivaille prendesse a respiração por um ou dois segundos. Novamente aquela frase... Da última vez que a ouvira, estava ajudando Eren a voltar para o Abrigo Arlert quando uma das crianças que, caso sua memória não falhasse, chamava-se Luke, havia lhe dito a mesma coisa.
Isso o fazia se questionar quanto à real visão que a humanidade tinha do exército.
–
Conforme caminhava, Eren sorria vez ou outra pelos comentários da garota de longos cabelos negros e olhos azuis ao seu lado que o ajudava a caminhar pelas ruas daquela cidade enquanto carregava as sacolas da mesma. Ao que podia perceber, aquelas ruas não eram tão movimentadas e pelo considerável peso em seu braço, os alimentos ainda não eram tão caros quanto em Trost.
Haviam subido uma pequena ladeira que, segundo a garota, era uma rota de atalho para que chegassem mais rapidamente à pensão. Tal situação agradava em demasia o jovem de orbes esmeraldinas, que esperava ansiosamente para que seu superior não ficasse bravo consigo por ter saído sem avisar.
Em meio à agradável conversa que os dois desenrolavam, a questão do desempenho do jovem Jaeger como soldado foi mencionada, o que resultou em alguns segundos de silêncio por parte do moreno.
– Desculpe, não deveria ter mencionado isso. — A garota prontamente se desculpou, arrancando um sorriso de Eren.
– Não tem problema Clarice, sei que não é apenas você que está curiosa quanto à isso. — respondeu cordial, piscando algumas vezes devido à uma rajada de vento que levava alguns ciscos aos seus olhos. — O treinamento é duro, já que não enxergo. Mas... Acho que estou conseguindo aprender alguma coisa.
– Mesmo? — Clarice observou o outro assentir. — Mas deve ser dureza ter o cabo Levi como treinador.
– Nem me fale... — Ouviu a garota rir com seu comentário. — Ele apenas faz o trabalho dele.
– Vocês dois parecem como a história do guerreiro e do discípulo. — comentou, o que atraiu a atenção do moreno. — O guerreiro acolheu o discípulo e passou a treiná-lo. Com a ajuda de uma bruxa, eles descobriram que se conheciam há mais tempo do que imaginavam. Desde vidas passadas. O que explicava como eram leais um ao outro.
Aquele comentário fez com que Eren desfizesse seu sorriso. Lembrava-se que Rivaille comentara algo sobre já terem se conhecido em algum outro momento que não fosse em Trost. No entanto, por mais que pensasse e tentasse se lembrar, não possuía quaisquer lembranças de um encontro anterior.
– Um mensageiro? — Foi tirado de seus pensamentos por Clarice, que observava à sua frente um rapaz com vestes azuis, tradicionais de mensageiros vindos de Sina, correndo na direção do centro daquela pequena avenida.
Eren também franziu o cenho, geralmente quanto mensageiros apareciam em Trost ou Shinganshina, geralmente traziam notícias ruins.
– Atenção! — O rapaz gritou, chamando a atenção das pessoas que caminhavam tranquilamente por aquela avenida. — Titãs atacaram Sina! Dois comandantes foram mortos! — O rapaz de pele bronzeada logo arregalou os olhos com aquela notícia, sendo obrigado a fechar uma das mãos em punho para conter a vontade de correr naquele momento. — O número de civis e soldados mortos ainda não foi divulgado! Mas parece circular a casa dos trezentos mortos!
Clarice voltou os olhos para Eren, não conseguindo identificar se a expressão do mesmo seria de choque ou pavor. No entanto, no momento em que iria dizer alguma coisa, o moreno se adiantou:
– Leve-me o mais rápido possível para a pensão! — exclamou, logo ouvindo os comentários apavorados da população daquela cidade, que variavam entre a incompetência do exército e a segurança das muralhas. — Preciso informar isso ao heichou o mais rápido possível!
Fale com o autor