Wishmaster

2 Abençoe o Desconhecido


Notas iniciais
Olá humanidade, é o Genesis. Sou eu quem irá postar esse capítulo maravilindo, então sente-se, pegue a pipoca e divirta-se. O capítulo iria sair no Domingo, mas como estávamos felizes com o resultado desta fanfic no Nyah! [sim, no Nyah!] resolvemos adiantar essa bagaça linda aqui. Esperamos que gostem do capítulo.

Não gostava de precisar passar por aquela parte da cidade para chegar à zona comercial de Trost. A poeira proveniente das carroças e as poças de lama constantemente sujavam suas impecáveis botinas, cujo material era deveras complexo de ser limpo. Além disso, era obrigado a desviar vez ou outra das crianças que insistiam em cruzar seu caminho correndo afobadas por conta de uma brincadeira qualquer.

Suspirou irritado, contendo a vontade de voltar para a base de Rose com as mãos abanando. Por mais que sentisse orgulho de ser um filho de Trost, definitivamente odiava precisar atravessar aquelas vielas onde a classe baixa vivia. Não por preconceito, mas sim pela higiene tanto das ruas quanto dos próprios moradores de local. O homem de baixa estatura entortou o nariz, adentrando em outro dos muitos becos que ainda precisaria cruzar para chegar ao seu destino. Aquele lugar estava definitivamente perdido.

Cruzando os braços, tentava ignorar os olhares nada indiscretos que os comerciantes do local lhe dirigiam. Era engraçado como apenas o fato de andar pelas ruas usando a farda obrigatória da tropa de exploração parecia incomodar algumas pessoas, ao mesmo tempo em que parecia ser motivo de admiração para outras. O homem riu nasalmente, nunca iria entender o que se passava na mente daqueles cidadãos.

No entanto, era tirado de seus devaneios por algo que parecia ser uma discussão. Normalmente teria ignorado se não fosse o caso de cerca de três adolescentes aparentando terem entre dezessete e dezenove anos estarem cercando uma única pessoa, que parecia estar agachada enquanto os outros três desferiam socos e pontapés contra a pobre vítima. O homem franziu o cenho, aproximando-se silenciosamente daquele pequeno aglomerado. Por mais que repudiasse tais atos e evitasse envolver-se com tais devaneios, não conseguia simplesmente sentar e assistir um ato de covardia como aquele.

– O que vai fazer agora, hein, aleijado? — Um deles se pronunciou em alto e em bom som, rindo em seguida. Tal pergunta fez o homem franzir o cenho, parando logo atrás do pequeno grupo.

– S-Só... Eu só quero ir... Por f- O rapaz do meio era interrompido por um garoto loiro que estava entre eles, que desferia um chute contra o rosto do rapaz que se ajoelhava ao chão, levando ambas as mãos até a região afetada enquanto um viscoso líquido escarlate começava a escorrer por entre os dedos do rapaz.

– Calado escória! — O rapaz loiro voltava a se pronunciar, enquanto um outro menor de cabelos ruivos segurava a suposta "vítima" pelos cabelos, erguendo seu rosto. — Gente como você deveria morrer! Por que não se mata de uma vez?

De repente todos os três meninos começavam a rir escandalosamente, sacudindo o corpo do garoto ajoelhado ao chão de um lado para o outro, antes de empurrá-lo de encontro ao chão. "Tsc... Já vi o suficiente" pensou o homem, entortando novamente o nariz antes de coçar a garganta, chamando a atenção dos três garotos para si, que viravam-se para trás e arregalavam os olhos antes de virarem completamente o corpo na direção do outro.

– Deveriam ter vergonha do que estão fazendo. — O homem se pronunciou, aproximando-se do grupo em passos lentos. — Três contra um não é nada ético.

– C-Cabo Levi?! — O adolescente ruivo exclamou, fazendo o garoto ajoelhado também se exaltar levemente, mas ainda sem se levantar do chão.

O homem dirigia seu olhar indiferente para os três garotos que ainda permaneciam estagnados a frente do garoto ferido.

– Saiam. — ordenou em alto e em bom som. — Não seria nada justo para vocês se brigassem comigo. — O cabo continuou a se aproximar do grupo, que aos poucos se afastavam do garoto ferido. Levi franzia o cenho ao notar o estado em que o garoto se encontrava, voltando a olhar de canto para o trio ao seu lado. — Não quero que isso se repita e caso fique sabendo de qualquer atitude inadequada de vocês três, podem ter a certeza que receberão uma calorosa visita da Polícia Militar.

Os três garotos então arregalavam os olhos, começando a correr rapidamente para a saída mais próxima daquele beco, deixando o cabo e o garoto sozinhos. Levi murmurou algumas palavras de descontentamento, não sabia que aquela região estava tão podre. Suspirou profundamente, fechando os olhos por breves momentos e ponderando seriamente se deveria continuar com aquilo ou não.

– Ei, pirralho. — chamou assim que reabriu os olhos, voltando-os para o rapaz que tateava o chão desesperadamente como se estivesse procurando algo. Tal reação fez o cabo erguer uma das sobrancelhas. — Está tudo bem?

O garoto então parava com os movimentos, abaixando a cabeça e apoiando uma das mãos sobre a bochecha esquerda.

– S-Sim senhor. — respondeu de imediato. Tal resposta não agradara a Levi nem um pouco, que se aproximava do garoto logo em seguida, ajoelhando-se ao seu lado e segurando o rosto do rapaz com a mão esquerda enquanto retirava um lenço do bolso da jaqueta da tropa com a mão direita.

– Deixe-me ver isso pirralho. — pediu, puxando o rosto do garoto para a sua direção com certa força, fazendo o menor fechar os olhos e gemer em dor. — Tsc, está todo sujo. — Pigarreou mais algumas palavras antes de usar o próprio lenço para limpar o rosto do rapaz, ao mesmo tempo em que se perguntava o motivo para que aquele jovem entrasse em uma confusão como aquela. A julgar pela sua aparência e altura, deveria ter algo em torno dos dezenove ou vinte anos. Era velho demais para se envolver em confusões do gênero.

Todavia, era tirado de seus devaneios quando o rapaz abria seus olhos, revelando um par de grandes orbes esmeraldinos. Por um momento, Levi pausava os seus movimentos enquanto olhava diretamente para os olhos daquele rapaz. Nunca, em toda a sua vida, contemplara um tom de verde tão intenso quando eram os olhos daquele garoto. Poderia compará-los até mesmo aos dos anjos que sua colega de trabalho Hanji tanto falava.

Permitiu-se apenas naquele momento contemplar toda a beleza que lhe estava sendo oferecida. Não eram apenas os olhos, mas sim todo o conjunto que o encantaram ainda mais. O rosto delineado do rapaz, os cabelos castanhos que caíam sobre seu rosto e sua pele queimada pelo sol. Todo aquele conjunto resultava em tamanha beleza que o cabo não saberia descrever em palavras.

No entanto, rapidamente tirava tais pensamentos de sua mente. No que estava pensando, afinal? Estava admirando descaradamente o moreno a sua frente que estava assistindo a tudo e, provavelmente, estaria se constrangendo com tamanha ousadia. Porém, ao voltar a limpar o rosto do rapaz, percebera que em momento algum havia demonstrado sinais de desconforto. Além disso, o moreno olhava fixamente para um ponto em específico que Levi não sabia identificar.

E, como se não fosse suficiente, apenas naquele momento percebera que, por mais incríveis e intensos que aquele olhos eram, eles não possuíam o brilho. Aquele simples "quê" a mais que todo ser humano tem devido a captação da luz pela retina. E foi com esse pensamento que o cabo franziu novamente o cenho, lembrando-se do que aqueles três garotos o estavam chamando.

Com um rápido movimento Levi colocava-se de pé, segurando o garoto pelo pulso e o ajudando a levantar. O cabo crispou os lábios logo em seguida, sendo obrigado a levantar a cabeça para olhar no rosto do garoto que acabara de salvar. Não sabia que era tão alto assim.

– Já pode ir para casa garoto. — disse, guardando o lenço sujo novamente sobre o bolso da jaqueta para descartar corretamente. Deveria se lembrar também de lavar a jaqueta quando voltasse para a base. — Garanto que aqueles três não irão te perturbar tão cedo.

– Obrigado senhor. — O garoto agradeceu, fazendo uma leve mesura antes de encostar uma das mãos sobre a parede completamente coberta de lodo daquele beco. — Senhor... Não teria visto por aqui a minha bengala-guia?

O cabo ergueu uma sobrancelha, lembrando-se vagamente de ter visto um daqueles três rapazes correr daquele local com algo que parecia ser uma bengala.

– Acho que o garoto ruivo levou. — respondeu, virando-se de costas para o rapaz.

– Ah... — murmurou, parecendo levemente preocupado. O moreno voltou a tatear a parede, desta vez com ambas as mãos. — Cabo Levi, senhor. — chamou e então o homem voltava o rosto para o rapaz. — Hm... O senhor poderia me ajudar a voltar para casa?

Levi continuou fitando o moreno por alguns segundos antes de responder. O rapaz, de costas para si, tateava e vez ou outra socava levemente a parede, provavelmente certificando-se se poderia caminhar sem problemas.

– Ainda tenho trabalho para fazer garoto. — respondeu simplesmente, olhando para frente e voltando a caminhar.

– Ah... Tudo bem, desculpe senhor. — O moreno respondeu, abaixando levemente a cabeça em seguida. — Eu só pensei... Que o senhor ajudasse as pessoas.

E então o cabo parou de andar, sentindo a respiração falhar levemente com aquilo. Ora, sua função era ajudar as pessoas, essa ajuda sendo direta ou indiretamente. Ajudando ou não o garoto atrás de si, mais cedo ou mais tarde provavelmente iria ajudá-lo de uma outra forma.

Levi voltou seu corpo para a direção do moreno mais uma vez. O rapaz estava desta vez com ambos os braços abertos tateando o ar enquanto batia firmemente com os pés sobre o chão, ao mesmo tempo em que os arrastava pela superfície de terra batida daquele beco, levantando certa poeira. O cabo ponderou seriamente entre apenas ignorar o rapaz e ajudá-lo de uma vez. No entanto, ao vê-lo tropeçar em uma pequena pedra e cair perigosamente contra o chão, fora rapidamente de encontro ao rapaz.

[...]

Definitivamente, era demasiado desconfortável o cabo da tropa de exploração caminhar de mãos dadas com um adolescente, mesmo este possuindo deficiência visual. Apenas o fato de ser conhecido por todas as regiões influenciava tal reação, mas as pessoas simplesmente não conseguiam segurar a vontade de apontar e tirar suas próprias conclusões. Não que Levi se importasse com o que poderiam estar comentando. O que o incomodava era a falta de educação da maioria.
Ignorando totalmente o resto das pessoas que caminhavam por aquela pseudo-avenida, voltou sua atenção para o moreno ao seu lado, que caminhava com cuidado.

– Como se chama pirralho? — perguntou, voltando o olhar para frente.

– Eren Jaeger, senhor. — respondeu de imediato com um suave sorriso sobre os lábios levemente inchados do incidente de minutos atrás. — O senhor se chama Levi Rivaille, certo? — perguntou, mas não obtendo resposta.

O cabo parou de caminhar por alguns momentos, voltando os olhos para um pequeno armazém daquele lugar. O jovem Eren também parava de caminhar ao sentir um leve puxão, o que o fez erguer levemente ambas as sobrancelhas em um claro sinal de confusão.

– Senhor?

Levi, entretido em seus próprios pensamentos, puxou Eren pela mão na direção daquele pequeno armazém. Não acreditava muito, mas poderia encontrar comida de boa qualidade e com um baixo custo naquele lugar. Deveriam economizar mais do que nunca naquele momento já que, por mais que estivessem em um período de prosperidade, nunca teriam como imaginar quando a próxima tragédia poderia acontecer.

Com a mão livre, abriu a porta daquele simples estabelecimento, ouvindo o som de uma sineta assim que entravam. Eren murmurava algo que o cabo não conseguiu entender e logo em seguida uma senhora que aparentava estar entre os cinquenta anos surgia por entre as bancadas do local.

– Oh, Eren! — A senhora exclamou, rapidamente passando pelas bancadas para chegar à entrada onde os dois estavam esperando.

– Olá senhora Lockwood. — Eren respondeu com um grande sorriso no rosto, erguendo a mão livre para tocar a testa da senhora, que erguia o corpo para que o moreno conseguisse alcançá-la.

– Sua sacola de compras já está pronta rapaz. — anunciou com um sorriso suave sobre os lábios. No entanto, o sorriso que Eren esboçava morria ao ouvir aquilo. — Hm? O que foi?

– S-Sinto muito senhora Lockwood. — O rapaz começou, atraindo tanto a atenção da mulher quando de Levi, que permanecia apenas ouvindo todo o diálogo. — Mas eu fui assaltado no caminho em que fui pegar o dinheiro com a Mikasa...

O cabo olhava de canto para Eren, reconhecia aquele nome. Na verdade, Mikasa fazia parte de sua tropa de exploração e era um dos melhores soldados da base. Perdia apenas para o próprio Levi, que era melhor no combate corpo a corpo e no manuseio das DMT's.

Além disso, também surpreendera-se com o que o rapaz dissera. Não imaginava que pudesse ter sido assaltado naquele momento. Crucificou-se mentalmente por não ter verificado antes.

– Oh, que pena rapaz. — dizia a mulher, unindo ambas as mãos. — Mas você está bem?

Levi suspirou, afastando-se de Eren e adentrando o simples estabelecimento. Estava mais do que óbvio que aquela senhora conhecia o moreno, não deveria se preocupar tanto naquele momento. Resolveu correr os olhos pela mercadoria do local, mas não deixava de prestar atenção na conversa que se desenrolava a poucos metros dali. Admitia estar surpreso pela qualidade dos alimentos e pelo preço, as coisas eram bem baratas.

Voltou os olhos novamente para os dois, que agora encontravam-se sobre o balcão principal. O moreno tentava se esquivar da dona do estabelecimento, que insistia em fazer o garoto levar as compras sem pagar. O cabo estreitou os olhos, havia algo diferente naquele garoto que não sabia dizer o que. Qualquer pessoa em seu lugar aceitaria aquela condição de bom grado, no entanto, Eren insistia em negar. Além disso, algo naquele diálogo chamou a sua atenção, o fato do garoto ter cidado outras crianças. Se ouvira bem, o moreno havia prometido levar carne para algumas crianças que pareciam morar com ele.

– Oh, os pequenos ficarão desapontados. — disse a senhora Lockwood, ouvindo o suspiro pesado de Eren em seguida.

– Eles vão entender senhora. — respondeu com um meio sorriso. — Eu posso abrir mão da minha parte por eles, não vejo problema nisso.

– Mesmo assim. Poderia levar a mercadoria que acertaria com Mikasa ou com Armin depois.

– S-Senhora...

– Eu pago.

Tanto Eren quanto a senhora Lockwood se surpreenderam. A mulher voltava sua atenção para o homem que aparecia atrás do moreno naquele momento. Seus olhos se arregalaram por um breve momento, abaixando um pouco a cabeça para que pudesse olhar no rosto daquele homem fardado com o uniforme da tropa de exploração de baixa estatura, esboçando um sorriso em seguida.

– Cabo Levi? — perguntou levemente surpresa. — O que traz o senhor ao meu armazém?

O homem baixinho voltou os olhos para Eren, desinteressado, enquanto segurava um sorriso ao observar o rosto do rapaz enrubescendo.

– E-Então... Senhor, não precisa fazer isso. — contradisse, abaixando a cabeça enquanto levava desajeitadamente ambas as mãos até a cabeça, coçando os fios castanhos.

– Não vejo problema algum. — O cabo respondeu, voltando-se para a mulher. — Temos carne fresca aqui?

– Sim senhor! — disse a mulher eufórica, abaixando o corpo e retirando duas sacolas de papel que estariam provavelmente guardadas sob a bancada. — Meu armazém tem a melhor carne do centro de Trost!

– Estamos no centro de Trost? — perguntou mais para si mesmo do que para a mulher responder, balançando a cabeça negativamente em seguida. — A que ponto esse lugar chegou...

Enquanto terminavam de acertar o valor das compras, Eren mantinha-se em silêncio. Não gostava quando as pessoas eram gentis consigo somente por causa de sua deficiência e sabia que era exatamente por isso que o cabo estava fazendo tais ações. Normalmente não aceitaria, porém, estavam realmente sem comida e era inadmissível pensar em seus caprichos no lugar das crianças.

Suspirou cansado, às vezes gostaria de poder enchergar apenas para não precisar passar por tais situações.

[...]

Era a terceira vez que sua queda era evitada pelo cabo ao seu lado que, mesmo com uma sacola de compras em mãos, conseguia puxá-lo pela gola da camisa toda vez que tropeçava em alguma coisa. Eren abaixava a cabeça levemente ao ouvir o homem alertá-lo sobre ter mais cuidado e para caminhar mais devagar.

– Onde você mora pirralho? — quis saber. Claro, caso quisesse levá-lo em segurança até sua residência deveria saber onde esta ficava.

– Abrigo Arlert senhor. — respondeu.

Levi ergueu ambas as sobrancelhas, fazendo mais pressão contra o pulso do moreno ao seu lado. Pela conversa que tiveram minutos atrás com a senhora Lockwood conseguia formar uma imagem semelhante do lugar onde o garoto vivia. Todavia, não entendia o motivo de o terem mandado para um lugar tão longe do centro de Trost. Provavelmente teriam mais crianças ou até mesmo responsáveis que poderiam ter feito tal trajeto em segurança. Olhou em volta mais uma vez, não estavam longe do caminho para o abrigo. Na verdade, aquele local lhe era bastante nostálgico. Lembrava-lhe de sua infância. Não que fosse uma coisa boa.

Por pior que fosse o estado do centro de Trost naquele momento, Levi agradecia mentalmente por finalmente estar naquele local. Era mais amplo e limpo que suas vertentes e as pessoas eram mais educadas ao seu ver, por mais que conseguisse identificar uma ou outra que os olhavam de maneira estranha, não eram de sua maioria.

Porém, era obrigado a parar quando duas crianças corriam na direção contrária a que estava caminhando com Eren. O cabo crispou os lábios impaciente, preparando-se para puxar o moreno para desviá-lo das crianças quando as ouviu chamarem pelo garoto, que parava de andar imediatamente e esboçava um grande sorriso sobre os lábios. As duas crianças, um menino e uma menina com idades entre cinco e seis anos saltaram na direção do moreno, que deu alguns passos para trás evitando assim mais uma queda enquanto as suas crianças chamavam as demais, que cruzavam a porta de um casebre simples de madeira que havia passado despercebido por Levi.

– O Eren chegou! — Todas as crianças gritavam ao mesmo tempo, rindo e brincando enquanto agarravam-se ao corpo do moreno que segurava firmemente sobre a mão do cabo para não ir de encontro ao chão.

– E-Ei meninos, vocês vão me derrubar! — exclamou, tentando chamar a atenção das crianças.

– C-Cabo Levi?! — Uma das crianças exclamou assim que percebeu a presença do outro entre eles, fazendo as demais afastarem-se de Eren e voltarem suas atenções para si. — S-Senhor?

– Tsc. — O cabo resmungou ao perceber que cerca de onze crianças o estavam encarando. Algumas maravilhadas por poderem ver seu ídolo de tão perto e outras levemente assustadas.

– Ah... O Cabo Levi estava apenas me ajudando meninos. — cortou Eren, atraindo a atenção das crianças para si. — Ele me trouxe até aqui já que perdi minha bengala.

Naquele momento todas as crianças voltavam a olhar para Levi, que sentiu sua pálpebra tremer involuntariamente quando os onze, de uma só vez, saltaram ao seu encontro a fim de abraçarem sua cintura. Levi soltou a mão de Eren enquanto resmungava coisas que faziam o moreno rir discretamente e faziam Rivaille fuzilar o moreno com o olhar ao mesmo tempo em que tentava se equilibrar e afastar as crianças de seu corpo.

– Que bom! Que bom! — Um garotinho loiro gritava, erguendo a cabeça e fitando o cabo com seus enormes orbes negros. — Ainda têm pessoas boas no exército! — Tal comentário pegou o cabo de surpresa.

– Luke! — chamou Eren e o garoto loiro que abraçava Levi se afastou, correndo na direção do moreno outra vez. — Poderia levar as compras para dentro com os outros?

– Claro Eren! Emi, quem chegar por último lava os lençóis do Roger! — brincou o loiro, pegando nos braços a sacola de Eren enquanto a garota Emi pegava a sacola de Levi, correndo na direção do casebre junto com as demais crianças que afastavam-se do cabo.

O homem, agora livre, aproximava-se novamente de Eren com certa curiosidade. Além do comentário do pequeno Luke que o havia intrigado, o fato de não ter visto pessoas mais velhas no local o estava incomodando. Ao perceber a presença do outro, o moreno rapidamente se pronunciava:

– Obrigado por me trazer até aqui senhor.

– Hm. — respondeu apenas, cruzando os braços. — Onde está o responsável pelo local?

– Ah... Sou eu mesmo senhor. — Eren respondeu, o sorriso morrendo em seus lábios em seguida. — Fiquei sendo o único responsável quando meus irmãos foram para o exército.

Levi franziu o cenho com isso. Não conseguia imaginar como um rapaz cego conseguia cuidar de onze crianças sozinho.

– Não recebe ajuda de ninguém? — perguntou, observando o rapaz acenar negativamente com a cabeça.

– Aprendi a me virar sozinho senhor. — completou. — E as crianças também cooperam muito comigo. Não é tão difícil.

O cabo permaneceu em silêncio apenas fitando o moreno por alguns segundos, alternando o olhar entre o rapaz e o casebre onde as crianças corriam eufóricas. Aquilo, por mais estranho que podia parecer, trazia-lhe uma sensação de nostalgia tão forte que o causava certa vertigem. Não sabia dizer o porquê, mas sentia-se incomodado pela forma como o moreno vivia. Não achava aquilo certo.

Levi era expulso de seus devaneios novamente por Eren, que tentava caminhar e tropeçava mais uma vez. Suspirou, segurando sobre a mão do rapaz enquanto guiava-o para dentro daquele casebre, sentando-o sobre uma cadeira de madeira enegrecida do local, mas permanecendo de pé.

– Estou indo agora, ainda tenho trabalho na base a resolver. — disse, virando-se de costas para o rapaz e começando a caminhar.

– Senhor, espere! — Eren chamou e Levi parou automaticamente, estranhando tal reação repentina de seu corpo. — Por favor, eu preciso retribuir este favor de alguma forma!

Rivaille respondeu, ainda de costas:

– Não é necessário.

– Pelo menos volte aqui quando tiver tempo senhor. — insistiu, espalmando ambas as mãos sobre as coxas cobertas pela calça. — Posso preparar alguma coisa para retribuir o favor.

O moreno aguardava a resposta com um olhar determinado que era voltado para a parede. O cabo permitiu-se sorrir levemente pela frustração em saber que o garoto não conseguia enxergá-lo e por isso olhava sempre fixamente para frente, logo voltando a sua expressão indiferente de sempre.

– Vamos ver.

Notas finais
#Diálogo entre os autores# Genesis: Why am I loved only when I'm gone? Gone back in time to bless the child (8' Genova: Rapaz, sua voz não é bonita. Genesis: Foi mal criatura. Não é todo mundo que nasce com o talento para ópera igual certas pessoas. Genova: Olha a indireta, seu recalcado. Genesis: Mas você humilha cantando Bless the Child. Por que eu não posso me revelar nessas horas? Genova: Porque você é parte da minha mente e sou eu quem controlo as coisas por aqui. Genesis: Você é uma vaca miserável. Genova: E você uma pseudo-personalidade. -------------------------- Ignorem isso, apesar de tudo nós dos amamos sz' Comentários?