Wishing Star
7 Dia Turbulento
Faltavam 30 minutos para acabar a aula e o professor nos deu exercícios e nos deixou conversar baixo. Eu não queria levar lição para casa então acabei a de geografia.
— É, Renesmee você pode me ajudar? – Brian perguntou com uma voz angelical.
Eu o fitei com um pouco de receio e disse:
— Ta. O que você não esta entendendo? – cheguei mais perto dele.
— Eu estou entre a "a" e a "c". – ele me respondeu mostrando seu
caderno.
Por incrível que pareça a letra dele era bem bonita para um garoto.
— Bem, nessa – me voltei para o meu caderno – eu coloquei a letra "c".
Brian foi ver a resposta no meu caderno e ficou bem, mas bem perto de mim mesmo. Eu estava com um pouco de receio, medo de que eu cedesse e o deixasse me beijar, mas aquilo não ia acontecer. "Calma Nessie. Calma"
Comecei a explicar o porquê da minha resposta, porém de repente eu não me ouvia mais, meus olhos fitavam os dele. Seus olhos pareciam a porta de sua alma. Então por um segundo eu quis ter os poderes do meu pai para ler sua mente, mas o cheiro de Brian era uma mistura tão gostosa de creme de barbear e um perfume forte, como um de homem.
Ele inclinou a cabeça um pouco para observar as minhas anotações e como estávamos sentados perto da janela, alguns raios do sol que estava escondido atrás das nuvens e me fez ver que o cabelo dele – jogado de lado — era um pouco loiro. E quando ele me olhou, eu perdi o ar.
— Ah, entendi. Obrigada Renesmee. – ele sorriu.
Ficamos uns minutos em silêncio enquanto toda a sala conversa e Brian disse:
— Renesmee é um nome muito grande, vou diminuí-lo. – se a minha mãe ouvisse isso ela ia ficar bem decepcionada. Eu gostava do meu nome era diferente, único e representava exatamente o que eu era. Uma mistura. Renesmee Carlie Cullen.
— Eu gosto do meu nome. – murmurei.
— É bonito, mas é muito grande. Acho que vou te chamar de Ree. Pode? – ele me fitou com aqueles olhos cor de chocolate.
— Tudo bem... – sorri com certo receio. Ele estava agindo como se fossemos amigos desde sempre. Acho que era porque ele é meio super extrovertido.
Mais alguns minutos em silêncio e ...
— Posso te perguntar uma coisa? – ele disse escrevendo em seu caderno.
— Pode. – respondi enquanto viajava nos meus pensamentos.
Como eu ia explicar que quase levei uma suspensão à Alice a Jasper? Com certeza eles iriam me dar uma bronca, mesmo que eu nunca tenha recebido... Eu tinha meus temores.
— Vocês moram todos juntos mesmo? – ele parou de escrever e me observou.
— Vocês? — eu estava tentando voltar ao planeta Terra
— É você e seus primos e seus irmãos. Vocês moram juntos?
— Sim. — voltei meus olhos pro caderno
— Mas ninguém mora com os primos... – ele disse.
— Bem, eu e meus irmãos não os chamamos de primos. Para nós eles são nossos irmãos. Vivemos juntos desde sempre e adquirimos um vínculo muito forte. – tentei explicar.
— Ah, mas todos parecem casais. – ele murmurou.
— E são. – por que eu estava falando sobre a minha família para o garoto que me atropelou no corredor ontem?
— Sabia – ele disse. – Mas você não tem par? – ele perguntou.
Respirei fundo e eu queria dizer “Bem, eu tenho um par só que ele não sabe que eu o amo...”— eu ia dizer aquilo, mas me contive.
— É. — voltei a observar além da janela.
— Posso te perguntar outra coisa? – ele parecia ter uma lista de perguntas.
— Pode. – respondi calmamente
— Os seus primos e irmãos têm algum problema?
— Hã? – do que ele estava falando? Eles eram perfeitos.
— É... Por que pelo o que eu percebi. Você é a mais sociável deles.
— Ah, sei lá. Talvez eu seja um pouco mais extrovertida... Mas também você tem que entender o lado deles, acabamos de entrar em um escola nova e tudo mais... – tentei arrumar aquele mal entendido.
— É verdade. – ele parecia refletir sobre aquilo que eu havia dito.
Então algo tremeu e eu vi Brian pegando o celular dele. Quem deveria ser?
— Polly. – ele parecia ter lido a minha mente.
— Hum, a namoradinha. – brinquei com ele.
— Se você quer saber. A gente briga mais que cão e gato. Eu to cansando disso... Ela é muito diferente de mim. – Brian Nichols desabafando comigo.
— Ah, faz quanto tempo que vocês voltaram? – perguntei.
— Ontem. – ele disse cabisbaixo. – Mas eu não to aguentando mais esse namoro boomerang.
— Eu acho que vocês combinam. – sorri tentando alegrá-lo.
— Todo mundo diz isso, mas ela não consegue ter uma conversa decente que nem a gente ta tendo. Ela só sabe falar sobre quantos quilos imaginários ela quer perder e sempre fala mal de todo mundo da escola, até da Lisa, sua melhor amiga.
— Bem, eu acho que você deveria dizer isso a ela. E se esse relacionamento está te cansando é melhor acabar logo. – dei minha opinião.
— É isso que vou fazer. – ele começou a digitar compulsivamente no celular.
Voltei a imaginar se algum dia Jake faria isso comigo. Se um dia nós chegássemos a ficar juntos.
— Posso teperguntar uma última coisa? – ele disse de repente.
— Pode Brian. – sorri timidamente. Ele olhou para além do meu ombro e perguntou:
— Quem é o motoqueiro?
— Hã? – Ele estava falando de Jake?
— O cara que te trás pra escola, aquele moreno...
— Ah! É o meu melhor amigo Jacob. – como eu queria dizer: "O meu namorado, Jake." Porém essa parecia uma frase que eu nunca iria dizer...
— Ele também mora com vocês? – bem que eu queria, mas não.
— Não, ele só está de passagem.
— Ah... – Brian voltou sua atenção para a lição.
Mas por que Brian estava tão interessado em Jake? Estranho. Até que o sinal bateu e Brian me questionou outra vez.
— Que aula você tem agora? – peguei minha caderneta e vi. Inglês
— Inglês. – respondi recolhendo meu material.
— Eu tenho Espanhol. – ele disse meu desapontado.
— Então depois a gente se vê. – sorri.
— Claro. – ele saiu da sala.
Passei por aquele bando de alunos e cheguei ao meu armário. Inglês. E corri para não me atrasar.
A professora estava assinando outras cadernetas e eu fiquei atrás de uma garota ruiva. Ela não me parecia estranha.
— Oi. – disse a ela.
A menina se virou e eu pude ver era a garota da aula de espanhol. Christine Dutcher. E ela continuava a usar aquelas roupas
horríveis.
— Oi. – ela respondeu bem baixinho. Então seguiu seu caminho depois que a professora assinou sua caderneta.
Entreguei minha caderneta à professora e observei Christine indo até sua mesa. Estava ocupada.
— Muito prazer, Senhorita Cullen. E seja bem vinda. – a professora disse.
— O prazer é meu, Professora Thorder. E obrigada. – sorri.
Fui andando procurando carteira vazia então viu uma bem na frente. Um garoto de rosto conhecido estava sentado lá. Eu já tinha visto antes... Alex! Isso Alex.
Caminhei até ele e disse:
— Com licença. – e me sentei.
— Toda. – ele murmurou enquanto eu ajeitava meu material –... E, é. Desculpa por hoje de manhã.
— Não, tudo bem. – sorri.
— Pensei que você tava chateada comigo. – Alex continuou.
— Não, não que isso. – me arrumei na cadeira.
— Sabe, porque eu queria muito ser seu amigo – ele disse se aproximando cada vez mais de mim – ou até mais que isso.
Sorri tensa e me afastei. Que dia turbulento hoje.
A professora começou a aula e eu acompanhei, mas eu estava percebendo que às vezes Alex não tirava os olhos de mim... Eu me senti bem desconfortável. Até que o sinal bateu e a professora nos avisou que na próxima aula faríamos um trabalho em dupla.
— Faz comigo? – Alex me perguntou quando eu estava me levantando da cadeira.
— É bem pode ser. – eu senti minhas bochechas corarem.
— Vai ser bem divertido. – ele respondeu com um sorriso confiante.
Eu estava começando a pensar se naquele trabalho tinha uma segunda intenção. Sim. Eu tinha certeza.
Fui para o corredor naquele mar de gente e quando fechei a porta do meu armário dei um grito.
— Ah! – aquela garota havia me assustado, pois seu olhar entediante quase me matou. Ela estava mais loira e mais pálida do que nunca. Lisa parecia estar com um ódio mortal de mim, bem não só parecia. Ela estava.
— Você vai me pagar. – ela me avisou cerrando os dentes.
— Eu não to com tempo pros seus showzinhos. – quase bufei de raiva
— Você é tão... Estúpida. – ela começou a me agredir verbalmente.
— E você é repugnante. – talvez eu tenha exagerado um pouco na palavra.
— Você vai me pagar. – ela me ameaçou e saiu assim que viu Polly passar.
— Você já me avisou, já. – murmurei e ia saindo andando para o refeitório quando Lucy me parou.
— Ei, Ree. – ela segurou meu braço.
— Oi, Lucy... – sorri e vi que ela estava acompanhada
pela menina ruiva de olhos negros.
— Oi Christine.
— Oi – ela respondeu timidamente.
— Vai almoçar com a gente hoje? – Lucy disse por fim.
— Deixa pra amanhã, eu tenho que falar urgente com Alice. – respondi.
— Ahh. Então ta marcado. Amanhã você almoça com a gente.
— Isso. – sorri e sai indo, finalmente, em direção ao refeitório.
Foi então que vi que meu all star estava desamarrado. Droga. E o pior era que eu não podia parar ali no meio do corredor para amarrá-lo. Resolvi andar calmamente. Vi a porta do refeitório, eu estava perto, só alguns passos e eu só pude ver de relance... Eu pisando no meu cadarço até que cai em cima do garoto que saia de uma sala.
— Ah! – eu só pude gritar. Quando nós caímos no chão eu disse em velocidade de vampiro. “Droga”
— Desculpa. Desculpa. – respondi enquanto me levantava e pude sentir que todos que estavam passando pelo corredor pararam para nos observar. Brian balançou um pouco a cabeça e piscou os olhos.
— Agora foi você quem caiu em cima de mim. – ele de um sorriso triunfante.
— Pois é... – respondi encabula e estendi a mão para ajudá-lo a levantar. Ele levantou e continuou a me observar. O espaço entre nós estava bem pequeno assim como na aula de geografia. Eu ia perguntar se ele estava bem, mas uma voz estridente ultrapassou a minha.
— Brian! Você está bem, meu amor? – Polly veio correndo até nós. Ela e suas outras seguidoras.
— Ah, sim. Eu estou bem.– ele era um pouco mais alto que eu, e teve de olhar além do meu ombro para responder Polly.
— Que bom, meu amor. – Polly passou quase levando meu ombro junto com ela e o abraçou dando-lhe um beijo de leve nos lábios. Meu sorriso se transformou em um sorriso amargo e eu disse:
— Bem, me desculpe. Mas pelo menos eu descontei. – tentei brincar com aquela situação tensa
— Desconto o que? – a loira oxigenada perguntou. Será que ela ainda não havia se tocado que ela deveria pintar ou descolorir a sobrancelha quando ela pintasse o cabelo? Porque ficava muito estranha aquela taturana preta em cima de seus olhos cheios de maquiagem.
— Nada, Polly. – ele me encarou e sorriu.
— Bem, então já vou. Desculpa. – sai de lá me xingando. E pude ouvir Polly dizer:
— Tem certeza que está bem, meu amor.
— Estou. – ele respondeu um pouco impaciente. Passei pelo refeitório e fui até Alice e Jasper.
— Desculpa. Eu sou um desastre. – sentei-me e amarrei o meu cadarço. — Os dois. – resmunguei.
— Eu achei que você foi muito bem com o diretor. – Jasper comentou.
— Obrigada, Jasper. Mas meus pais vão me matar quando souberem
disso. – respondi com medo. Já estava até imaginando a cena. Papai em pé me explicando pela bilionésima vez que eu deveria ter cuidado com os humanos e mamãe ao meu lado me confortando.
— Talvez, não. – Alice respondeu — Mas pra minha segurança Tio Jasper vai estar bem pertinho de mim para acalmá-los, certo? – pisquei pro meu Tio.
— Vai sobrar pra mim. – ele reclamou.
— Mas sabe de uma coisa que está na minha cabeça... Qual vai ser
minha punição?
— Eu sei... Mas vou ficar quieta, pois acho que vai ser bem divertido. – Alice disse enquanto tomava seu suco. Foi assim que vi que ela havia pegado dois sucos.
— Sabichona. – reclamei e peguei meu suco de sua bandeja.
— Mas então me responda. Quando os outros vão voltar? — Sua mãe, Rose, Esme e Emmett chegam hoje. O seu pai... Eu não sei. Olhei fixamente pra ela e disse seriamente:
— Tanya não está mal e eu também sei que papai não tem nenhum “compromisso empresarial”. – continuei a fitá-la esperando a verdadeira resposta.
— Acredite no que você quiser.– ela murmurou.
— Tia querida – implorei com os olhos – Me conte.
— Não adianta fazer essa carinha. – ela me avisou.
— Por favorzinho. – implorei.
— Vamos mudar de assunto. – ela respondeu. E eu revirei os olhos
por ter perdido
— Acho que você deveria ir até a mesa dos seus amigos, Nessie. –Jasper disse.
Então ouvi eles sussurrarem sobre mim.
— Eu vou convidá-la para o baile!— Alex disse
— E por que ela iria bem com você, Alex?— Nathan parecia indignado.
— Porque eu sou mais bonito e vou convidá-la primeiro...— ele e sua altíssima confiança.
— Já volto. – disse a Alice e Jasper enquanto me levantava. Andei até a mesa que estava a uns três metros da nossa e disse:
— Oi gente. – sorri e me sentei ao lado de Christine. Ela era a única que eu ainda não havia conversado. Então tentei me enturmar com ela.
— Oi – eles responderam.
— Eu estava contando pra eles sobre a briga que você e Lisa tiveram Ree... – Lucy comentou alegremente.
— Não foi uma “briga”, Lucy. Eu só falei umas verdades pra ela. — Você disse a ela o que ninguém nunca teve coragem de dizer.
— Nathan me incentivou. — Não é pra tanto... – comecei a ficar receosa.
— Olha Renesmee. Eu sei muito bem o que é ser causa de deboche daquelas garotas insuportáveis e o que você fez foi dizer na cara dela tudo o que a maioria de nós, o anônimos, sentimos quando elas nos menosprezam... – Por fim eu consegui ouvir Christine dizer uma frase com mais de seis palavras! Ganhei meu dia.
— Você vai entrar para a história do colégio. – Lucy respondeu mais animada ainda. Eu sinceramente pensei se o suco de uva que ela estava bebendo não fazia mal para o seu cérebro.
— Gente, por favor. Menos. – eu encarei todos eles com um olhar de desaprovação. — Mas qual vai ser o castigo de vocês? – Alex perguntou curioso.
— Não fazemos a mínima idéia. – respondi. — Provavelmente a Professora Gonzáles vai nos passar algum trabalho ou nos obrigar a apresentar alguma peça para a caridade. – Lucy debochou.
Ficamos mais um tempo falando sobre tudo até que...
— Sabe no que eu estava pensando... – Alex começou.
— Você pensa? – Nathan zombou dele e todos riram
— Que engraçado, hein. – ele se zangou.
— Calma pessoal, nós temos que ter cuidado... Pois se o Alex pensou em algo é porque vem besteira. – Lucy comentou.
— Ai gente. Que mancada, deixa o garoto falar. – Chris o defendeu.
— Defensora do amado. – Nathan zombou novamente, mas ninguém riu com ele. Eu já estava começando a perceber algo sempre que Chris olhava Alex.
— Fala logo, Alex – respondi.
— Por que nós não marcamos de sair um dia desses... – Foi impressionante, pois todos se surpreenderam com o que Alex havia dito. Será que ele era tão sem QI assim?
— É, pode ser... — respondi enquanto todos se recuperavam do surto repentino de inteligência de Alex.
— Nós podíamos ir ao parque. – Chris completou a ideia.
— É primavera, quase verão. O parque deve estar lindo. – Lucy comentou.
— Isso. Vamos marcar para semana que vem irmos ao parque. No sábado. – Nathan disse por fim.
Quando todos nós concordamos o sinal bateu e fomos até nossos armários. Foi assim que eu percebi que Chris tinha o armário perto do meu. Ela estava limpando seus óculos quando eu a perguntei:
— Você tem aula do que agora?
— Arte. – ela respondeu conferindo seu horário.
— Eu também. – sorri
— E eu também tenho. – Nathan surgiu na conversa, logo depois Lucy.
— Arte? – e nós concordamos com a cabeça.
— Eu também tenho arte. – Alex surgiu atrás de Lucy.
— Então vamos todos juntos.
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