Assim que chegamos à sala de arte, nos sentamos em mesas de cinco pessoas e esperamos os outros alunos se arrumarem.

- Boa Tarde. – a professora gorducha do cabelo castanho encaracolado disse na frente da sala e começou a nos entregar algumas folhas.

Quando a professora chegou à nossa mesa, ela murmurou:

- Dutcher e Cullen, depois que eu acabar de entregar as folhas vamos conversar fora da sala. – Lucy engoliu seco e eu concordei com a cabeça.

Ela fez a mesa coisa com Lisa e a garota nos fuzilou com o olhar. Lucy não se conteve e teve de atiçar a cobra dando-lhe um “tchauzinho”.

Então quando a professora acabou nós nos levantamos e fomos para fora. A professora encostou a porta e disse:

- Vocês estão até com sorte. Todas iam levar suspensão, mas a professora Miller teve uma idéia que eu achei perfeita – ela chegou até a sorrir – Vocês vão me ajudar com as coisas para o Baile de Primavera.

Baile? Eu nunca havia ido a nenhum, mas também estava duvidando muito se eu ia... Se Alex me convidasse eu não iria, mas se Jake me convidasse. Eu iria.

- Mas como Professora? – Lisa perguntou preocupada.

- Bem, eu preciso de alguns conselhos sobre a decoração, preciso que me ajudem a arrumar tudo. O orçamento preciso que me ajudem a vender os convites, a escolher os alimentos... Bem, tudo. – ela sorriu

- Vai ser divertido. – na hora a professora um pouco mais baixa que me fitou dizendo:

- Senhorita Cullen, isso é uma tarefa. Se for divertido, ótimo. Porém não se esqueçam isso é uma obrigação. Vocês vão ficar mais um tempo na escola depois das aulas e irão me ajudar.

- Mas Professora... – Lisa começou a reclamar, mas Professora Gonzáles estendeu sua mão e tampou a boca de Lisa.

- Eu não quero saber. Quero vocês a partir de hoje ficando depois das aulas para me ajudarem. Vocês tem quinze minutos para avisarem seus pais depois que o sinal tocar e depois quero ver as três no auditório. – ela então entrou na sala e eu e Lucy a seguimos, só depois Lisa entrou.

- O que aconteceu? – Nathan perguntou impaciente.

- Vamos ter de ficar depois das aulas para ajudar na montagem do Baile de Primavera. – respondi reclamando.

- Falando em Baile... – Alex começou, mas eu o interrompi.

- Só de raiva, eu não vou vir nesse baile. – deitei minha cabeça na mesa.

Depois dessa aula entediante, tive mais duas ainda piores. Meu humor estava terrível depois daquela notícia. Eu iria ter de perder o tempo que eu passaria com Jake pra ficar fazendo trabalho da escola. Ótimo.

Quando bateu o sinal encerrando as aulas daquele dia, eu quase morri de desanimo ou me lembrar que eu teria mais uma aula.

Caminhei pelo estacionamento indo em direção ao Porshe e disse a
Alice:

- Eu já disse que eu odeio Arte? – e ela riu.

- Querida, vá e depois nós conversamos em casa. – ela beijou o alto da minha testa e entrou no carro. E eles partiram.

Quando voltei minha visão para o lado vi meu Jake. Fui até ele e o abracei.

- Desculpa não ter te avisado, mas eu tenho que ficar na escola. – murmurei.

- O que você fez? – ele perguntou preocupado.

- Uma menina brigou verbalmente comigo e depois tentou ferir a minha amiga com uma tesoura. Já viu isso? – prendi minhas mãos
envolta dele e me afastei para olhar seus lindos olhos.

- Você não foi a vítima?

- Fui. Mas eu não quis nem discutir sobre isso... Falei com o
diretor e ele e a professora nos deram apenas uma “punição”.

- Hum... Será que eu não posso ficar ai com você? Prometo ficar quietinho.

- Vamos ver com a professora. – sorri ao concordar.

Ele prendeu a moto com uma corrente prata no poste perto da escola. Olhei o relógio e vi que eu só tinha cinco minutos.

- Vamos rápido. – puxei Jake escola adentro.

Chegando ao auditório, eu me surpreendi. Era um lugar enorme. Aquele palco era tão lindo, o lustre que havia no meio, as milhares de cadeira, o clima calmo do teatro.

- Ah! Cullen. Venha! – a professora gritou da beira do palco. Eu segurei a mão de Jake e ele sussurrou dando uma risadinha de deboche:

- Cullen... – eu tinha que admitir, era estranho alguém me chamar de Cullen.

- Professora Gonzáles – ela arrumou alguns papéis e me observou – Bem, este é meu amigo Jake, ele não estuda aqui, pois já acabou o colégio, mas ele pode ajudar no que a senhora quiser... – Jake me fitou assustado rapidamente para que a professora não percebesse.

- Obrigado, hein. – ele disse em alta velocidade para um simples humano ouvir.

- Foi a única maneira que eu pensei pra que ela deixasse você ficar. – respondi na mesma velocidade.

- Ótimo. Vamos precisar de alguém forte para nos ajudar a carregar os enfeites e tudo mais. – ela piscou em nossa direção e se voltou para seus papéis, mas eu não sabia descrever se era pra mim por ter trago mais alguém para nos ajudar ou se ela estava se atirando para cima de meu Jake.

- Professora. – Lucy saiu de trás das cortinas carregando uma prancheta e parou no meio do caminho ao nos ver. Acho que ela devia estar encantada com a beleza de Jacob.

- Oi Lucy. Este é meu amigo Jake – segurei a mão dele o levei comigo para o palco para conhecer Lucy. — Jake está é Lucy. – sorri.

- Prazer. – ele sorriu e estendeu a mão.

- Finalmente conheci você. – ela sorriu. E eu a olhei assustada.

- Finalmente? – ele perguntou.

- É. A Ree fala muito de você – ela parecia estar hipnotiza pelos olhos de Jake que nem percebeu que eu estava a fuzilando com o olhar.

- Ela fala é? – ele soltou a mão dela e se virou para mim. Minhas bochechas deviam estar vermelhas, me entregando.

- Pois bem, onde está a Senhorita Smith? – a professora perguntou
impaciente.

Nenhum de nós soube responder.

- Vou esperar só mais cinco minutos por ela. – a professora se sentou em umacadeira bufando de raiva.

- Eu vou lá no fundo beber água, quer Jake? – perguntei.

- Não, vou me sentar ali e esperar. Tudo bem? — ele piscou pra mim.

- Claro. – sorri e fui andando para trás das cortinas e Lucy me seguiu.

- Garota, ele tem um irmão? Diz que tem! Se tiver, por favor, me
apresenta pra ele. – Lucy implorou e eu ri.

- Não, ele é único. – sorri e então encontrei o bebedor.

- Como você tem sorte. – ela disse

- Fala baixo! – respondi e fui beber água.

- Honestamente minha amiga, você tem sorte grande. Eu queria ter um amigo desses. – “Jake não está ouvindo isso...” — imploreimentalmente.

- Lucy – parei de beber água e tentei fazer com que ela falasse mais baixo, pois eu não queria de maneira alguma que Jake descobrisse que eu gostava dele, já havia me bastado aquele beijo pela manhã. Outra rejeição, não.

- Ree... Estou sem palavras. – “mas vocês está falando pelos cotovelos.” – pensei.

- Lucy, foco. Você gosta do Nathan. Vamos lá... Nathan. – eu incentivei.

- Mas eu queria ter um amigo que nem o seu, eu queria. – ela resmungou e eu repeti mil vezes o nome dele enquanto voltávamos para o palco:

- Nathan. Nathan. Nathan...

Quando sai de trás das cortinas eu vi a professora conversando com Jake. Parecia que ele não teve tempo de ouvir nossa conversa. Que bom! Porém ele me olhou com uma cara de desespero, como se quisesse que eu o ajudasse fugir de um torturador, nesse caso “a torturadora” era a minha professora de arte.

- Professora. A Lisa chegou. – falei em alto e bom tom enquanto descia para ficar ao lado de Jake. Eu conhecia Lisa o suficiente para dizer que ela ia ficar toda saidinha pra cima dele.

- Defenda seu homem. – Lucy murmurou quando passou ao meu lado. Eu fiquei vermelha de novo, pois dessa vez Jake havia escutado.

Lisa veio desfilando pelo auditório, passou por Lucy e parou a alguns metros de mim e de Jake. Ela o analisou de cima a baixo. Como ela era... Nem tenho palavras pra descrever qual era o tamanho da minha vontade de matá-la!

Não me contive e o abracei para que ela soubesse que desse garoto ela não iria tirar nenhuma casquinha. Ele já tinha uma dona. Ele era o MEU JACOB.

- Bem, por onde vamos começar professora? – Lucy cortou o silêncio mortal.

- Vocês terão que me ajudar a escolher primeiro o tema. – ela foi caminhando para o palco e se sentou na beira dele. Nós nos posicionamos nas cadeiras, logo abaixo. Lisa, Lucy, eu e Jake. Era melhor eu mantê-lo longe de qualquer garota que não fosse a mim.

- A senhora não decidiu nada? – Lisa perguntou ignorante como sempre.

- Bem, eu escolhi vários estilos... Poderíamos fazer estilo anos 60 ou 70.

- Poderíamos fazer estilo Romeu & Julieta. – Lucy comentou.

- Quando eu penso em “Baile de Primavera” me vem logo em mente as roupas que os gregos usavam. – Lisa comentou.

- Acho que os garotos ficariam meios desconfortáveis com aquela roupa. – eu comentei me ajustando na poltrona do auditório.

- Eu tenho certeza. – Jake confirmou me apoiando.

- Então tenham uma idéia melhor.– ela cerrou os dentes.

- Simples, por que não fazemos um Baile de Primavera a fantasias? Por que cada um pensa em um estilo de roupa quando pensa nesse Baile.
Seria mais liberal, por exemplo, você professora. Você poderia muito bem vir de anos 60 ou 70, a Lucy poderia vir como a Julieta, Lisa poderia vir com sua roupa grega... Cada um a seu gosto. – dei minha opinião.

- Ótima idéia Cullen! – a professora disse contente.

- É tenho que concordar. – Lisa disse meio amarga.

- Acho que vai ser demais, amiga. – Lucy tentou contagiar a todos
com sua felicidade.

- Então mãos a obra garotas... E garoto. – a professora respondeu.

Quando todos se levantaram para começar suas tarefas um barulho estrondoso abriu a porta do auditório. Todos pularam de susto, todos os humanos — é melhor separar as pessoas que tomaram susto e as que não tomaram.

- Professora, aqui está sua bolsa. – era apenas Nathan correndo afobado.

Ele atravessou o auditório correndo com aquela enorme bolsa verde
abacate.

- Pronto. – ele entregou a bolsa à professora Gonzáles. – Cheguei muito atrasado? – Na verdade o que o Nathan estava fazendo aqui? Ele não havia levado uma punição. Havia?

- Não. – sorri. – Mas... Nathan me desculpe se eu for um pouco grossa, mas o que você está fazendo aqui? – fiz uma cara de ponto de interrogação no final.

- Eu me ofereci para ajudar no comitê do baile. – ele sorriu enquanto subia as escadas do palco. Até parece que eu havia acreditado naquela história... Muito estranho um menino querer participar de um comitê de baile.

- Então como eu estava dizendo... – a professora pego o mar de papéis que estavam espalhados ao seu lado e nos entregou.

Nathan sussurrou no meu ouvido e eu senti Jake ficar tenso ao meu lado:

- Preciso me garantir em Arte. – agora tudo fazia sentido.

- Quero agora fazer uma lista para sabermos o que vamos utilizar, pois tenho que entregar até amanhã para o Diretor Lish... – a professora nos explicou.

Todos nos sentamos ao lado da professora e esperamos.

Ouve uma batida na porta do auditório e ela logo depois foi aberta, um carrinho cheio de fitas coloridas, cartazes, plumas, papéis coloridos, materiais de arte, tudo estava sendo carregado naquele carrinho e quem era empurrando aquele trambolho era nada mais nada menos do que Brian Nichols.

- Ótimo Nichols. Ainda bem que você o trouxe logo. – a professora estendeu a mão e fez um gesto para que ele viesse logo – Venha, venha.

Brian correu um pouco com o carrinho e quando chegou à berrada
do palco Lisa perguntou:

- O que você fez pra estar aqui?

- A professora me viu mexendo no celular na aula. – ele confessou.

Eu observei a professora e ela parecia contente com isso. Muito estranho. Então tentei voltar ao foco do nosso trabalho.

- Nós vamos fazer a festa na escola professora?

- Não sei, acho que sim. – ela respondeu organizando a pilha de papéis.

- Acho que deveríamos procurar um lugar mais espaçoso do que a quadra de basquete ou o pátio central. – Lisa comentou.

- Existem vários salões pela cidade toda. – Nathan comentou.

- É, mas temos que ver preços e a localização e tudo mais. – Lucy respondeu.

- Acho que isso vai demorar mais algum tempo. – Brian comentou "super otimista".

- Professora. Onde aconteceram os outros Bailes da escola? – perguntei tentando achar uma solução.

- Alguns foram na escola, outros os alunos conseguiram outros
espaços.

- Acho que sei onde pode ser. – Lisa respondeu.

- Onde? – todos perguntaram ao mesmo tempo.

- A quatro quadras daqui tem um salão. É enorme e o preço é muito acessível. Eu fui visitar o local para fazer minha festa de 16 anos, apesar do lugar ser super espaçoso é muito abandonado. Teríamos que pintá-lo novamente ou colocar uns enfeites muito bons. – ela concluiu.

- Eu vou conversar com o Diretor sobre isso. – a professora anotou em sua prancheta.

- Mas, professora... Nós temos que ver isso logo, por que não podemos fazer nada sem saber como vai ser o local da festa.– Lucy disse tranquilamente.

— Bem, já decidimos o tema: A Fantasia. E agora façam a lista do que vamos utilizar na festa e amanhã mesmo eu já pergunto tudo ao Diretor. – a professora respondeu com felicidade.

Ela entregou uma folha para Lisa e se levantou indo em direção ao fundo do palco, de trás das cortinas. Eu olhei Jake que parecia meio perdido.

- Você está bem, Jake? – encostei-me ao braço dele e sorri.

- Sim, estou. – ele sorriu.

- Está pensando em que? – ele parecia triste.

- Nada, só pensando. – aquela resposta não me pareceu muito convincente, mas eu não pude perguntar mais nada, pois Nathan me chamou no canto do palco.

- Sim. – fui até ele.

- Oi Ree... É que eu queria lhe falar sobre o baile. – ele parecia nervoso.

Eu tive uma leve e enorme impressão de que ele iria me convidar e se isso acontecesse Lucy nunca mais iria falar comigo na vida! Então pensei rápido e disse:

- Eu sei, acho que vai se divertido... Mas posso te dar um conselho Nathan?

- Claro. – ele pareceu confuso.

- Tudo bem que eu só entrei na escola há pouco, mas sei lá... Eu
venho percebendo que você ta a fim de chamar a Lucy pra ir nesse baile. – ele tentou me interromper.

- Não, eu... – mas eu não deixei.

- Se eu fosse você perdia esse medo e ia lá falar com ela, ela vai adorar o convite. – sorri e o deixei lá.

Pronto, desse eu tinha conseguido fugir. Eu ai até Jake para conversar com ele, mas Brian já estava fazendo isso... Talvez Jacob estivesse se enturmado – o que seria bem legal, pois assim eu poderia sair com ele e com os meus outros amigos.

Percebi que as garotas estavam indo bem, separando o que iria ser necessário para o baile, então fui até a professora, pois eu estava com uma dúvida enorme no meu peito. Ela estava parada anotando algumas coisas perto da porta e eu disse:

- Professora. Posso falar com você um minuto?

- Claro Cullen. – ela persistia em me chamar pelo meu sobre nome. Impressionante.

- É que eu queria saber se nesse baile meu acompanhante não pode ser alguém que não fosse da escola.

- Está pensando em ir com seu amigo, ali? – fiquei com vergonha.

Nossa como ela havia percebido assim... Tão rápido? Eu quase nunca dava bandeira...

– Eu já tive a sua idade, sabia? – eu tentei imaginar a professora mais nova, com menos rugas e talvez um pouco mais magra... Ela devia
ser bonita.

– Bem, eu vou conversar sobre isso também com o diretor e depois te aviso.

- Tudo bem, obrigada. – sorri e voltei para o palco.

- Pronto. – Lucy quase gritou de felicidade.

- Acabamos a lista de coisas. – Lisa avisou. E a Professora apareceu novamente

- Que ótimo. Então vou dispersá-los 20 minutos mais cedo. – ela sorri e desceu do palco com todos nós.

Todos foram para o estacionamento e Nathan disse:

- Acho que devemos comemorar.

- É, vamos? – Lucy sorriu.

- Não dá, eu vou pra casa da Polly. – Lisa avisou e foi em direção ao seu carro

- Eu vou sair com meu pai. – Brian foi até o carro dele.

- E você Ree? – Lucy perguntou timidamente.

- Não posso. Tenho que ver se meus irmãos chegaram bem... Mas
deixa pra semana que vem no parque. – sorri.

- Então, ta. – Lucy murmurou.

- Então vamos nós dois, Lucy – Nathan disse.

Sorri internamente, acho que Nathan estava seguindo o meu conselho. O que seria muito bom pra minha amiga. Eu vi os olhos de Lucy brilhar quando Nathan falou aquilo, foi como se Lucy sempre quisesse ouvir ele dizer aquilo.

Quando chegamos à moto, Jake a destrancou e se sentou em silêncio.

- Tem certeza que você está bem? – perguntei seriamente preocupada.

- Sim. – ele disse secamente.

- Olha, se você quiser, eu vou a pé... Sem problemas. – respondi.

- Não, venha Nessie. Por favor, me acalme. – ele quase implorou.

Eu me sentei atrás dele e deslizei minhas mãos pelos seus braços tentando o fazer relaxar e beijei sua nuca. Talvez eu tivesse sido atrevida demais ao fazer aquele tipo de carinho, mas ele parecia ter aceitado com naturalidade.

- Vai ficar tudo bem, viu. – deitei minha cabeça no pescoço dele e fechei os olhos, tentando confortá-lo e me confortando.

- Vai ficar tudo bem, você está comigo. – sussurrei em seu ouvido.

Mas de repente a moto parou, foi então que percebi que já havíamos chegado em casa e eu nem havia percebido.