Wind Walker - O Mercenário Voador
6 Prólogo - Alyss
Notas iniciais
Espero que esta história corresponda às suas expectativas.
Eu segui seus passos até uma saída para o jardim interno da casa, o local era grande, repleto de grama bem cortada, um balcão se encontrava em um dos cantos deste grande espaço. Neste balcão estavam repousados alguns itens interessantes: Uma grande caixa de madeira fechada, uma espécie de rifle, uma marreta grande e um bloco sólido de metal.
Meu novo amigo pegou o rifle e disse:
–Este é meu mais novo projeto, é um rifle de alta precisão projetado para atirar bolas de vidro – Explicou ele – Usa ar comprimido para disparar, com alcance médio de 250 metros antes de perder a precisão, quer tentar?
Segurei a arma carregada. Seu peso era maior que eu imaginava, quase a deixei cair.
–Quer ajuda? – Perguntou ele num tom de preocupação
Balancei a cabeça negativamente. Segurei a arma com a minha força total e disparei para cima. A bala descreveu uma trajetória reta e sumiu no ar, antes de começar a desacelerar.
–Como você faz isso?
–Se você souber como um rifle funciona – Falou ele – Qualquer um pode fazer
Ele repousou a arma no balcão, segurou a caixa feita de madeira e a abriu, revelando uma coleção muito grande de correntes: algumas douradas, outras prateadas. Umas finalizadas, outras não. Dentro da caixa também existiam alguns pedaços de metais diferentes, provavelmente usados na confecção das correntes.
–Adoro passar o dia todo as fazendo – Comentou ele.
Olhei para a caixa novamente. Cada corrente parecia ter algum tipo de detalhe especial único, e todas elas eram extremamente lindas.
–São lindas, todas elas – Falei exibindo um sorriso verdadeiro.
–Obrigado – Falou ele, um pouco constrangido.
Notei que no meio de todos os pedaços de metal bruto, havia um pequeno pedaço de cristal.
–O que isto faz aqui? – Perguntei apontando para o belo cristal
–Este demora muito tempo para derreter no fogo – Falou ele – Dá muito trabalho, além do mais, estou guardando-o para alguma ocasião especial. É difícil encontrar outro deste por aqui.
Depois de eu terminar de comentar sobre as correntes, meu pai me chamou, me convidando para ir embora. Despedi-me de meu novo amigo e fui caminhando para casa.
Cheguei em casa com uma sensação estranha sobre minha amizade, eu queria ter ficado um pouco mais, queria ter aprendido um pouco mais...
Senti como se tivesse deixado algo de mim com aquele garoto. Lúcio.
Sentei no sofá, na sala de estar, e meu pai sentou ao meu lado, tentando achar algo para fazer com as ultimas horas do meu aniversário. Mas aquele nome não parava de flutuar em minha mente.
–Vamos tentar fazer algo? Qualquer coisa... – Pediu ele
Tentamos fazer muitas coisas, dês de assistir um filme a jogar algum jogo, mas, decorrido três horas eu continuava pensando em passar naquela casa.
Meu pai foi tomar banho, pelo fato de ter chegado de viagem, e minha mãe estava se arrumando no seu quarto quando eu ouvi três batidas na porta da frente.
Como eu estava mais próxima da porta, andei vagarosamente até a mesma e a abri.
–Luke? – Meu coração disparou – Que surpresa!
–Eh... – Percebi seu rosto corar um pouco.
Sua mão esquerda estava oculta nas suas costas.
–Alyssia... – Falou ele – Bem... Minha mãe me falou... Hoje é seu aniversário, certo? – Disse ele, seu rosto estava mais vermelho ainda.
–É sim – Falei para ele, um pouco constrangida.
–Você tem quantos anos? – Perguntou ele, ainda vermelho.
–Acabei de fazer oito, e você?
–Farei nove daqui a duas semanas – Falou – Bem... Eh... Feliz aniversário. Fiz isto para você.
Ele revelou o conteúdo de sua mão esquerda: uma pequena caixa de madeira. Eu segurei o presente e o abri. Dentro repousava uma linda pulseira composta por pequenos elos transparentes e uma pequena placa presa aos elos, formando uma corrente.
Luke segurou delicadamente o meu pulso e colocou a pulseira
Na placa estava gravada em lindas letras a mensagem: “Para minha amiga, Alyss”.
–Que lindo, Luke – Falei enquanto eu o abraçava
De repente veio-me à cabeça uma lembrança:
“-O que isto faz aqui? – Perguntei apontando para o belo cristal
–Este demora muito tempo para derreter no fogo – Falou ele – Dá muito trabalho, além do mais, estou guardando-o para alguma ocasião especial. É difícil encontrar outro deste por aqui.”
–Esta pulseira é feita daquele cristal? – Perguntei
–Você é a ocasião especial que eu estava procurando – Falou ele olhando-me nos olhos
–Meu apelido é Alyss? – Perguntei
–Você é minha amiga agora, tenho que achar uma forma carinhosa de te chamar – Falou – Não gostou? – Falou ele num tom divertido
De repente meu amigo olhou para traz, como se ele tivesse ouvido algo, me pediu silêncio e continuou a escutar. Em seguida pediu-me para abaixar, andando até o pequeno muro que rodeava minha casa.
–Fique abaixada – Falou ele com ar de preocupado – Pessoas estão escondidas atrás daquele arbusto – Continuou ele me mostrando o local através de uma pequena fenda no próprio murinho – Eles estão empunhando armas de fogo de longo-médio alcance
Contei cinco pessoas abaixadas na noite escura, todos empunhando algum tipo de arma longa, armas praticamente irreconhecíveis debaixo do véu noturno. Olhei para Lúcio com o canto do olho e me surpreendi com o que eu estava vendo.
–Tenho dezesseis tiros com uma 40 mm, curto alcance – Comentou ele empunhando uma pistola negra – Alyss, se eu falhar, você pega a pistola, entra em casa, procura seu pai e alerta-o – continuou ele – Não tente usá-la. Prometa-me, pela nossa amizade.
Seus olhos penetravam nos meus assim como a agulha penetra no tecido. Percebi uma pequena hesitação quando ele falou “nossa amizade”, mas, percebi também que esta era a única coisa que ele poderia usar contra mim para me tirar do perigo.
Senti-me como uma inútil, ali, sentada, enquanto uma pessoa arrisca sua vida para me manter fora de risco. Devolvi seu olhar e respondi:
–Juro pela melhor amizade que já tive – deixei fluir o que eu realmente sentia, mas não tudo.
Realmente, nenhum amigo meu tinha posto sua vida em risco para salvar-me de tal forma, assim sendo minha melhor amizade, mesmo que tenha nascido apenas quatro horas atrás.
Ele segurou minha mão, apertou–a e abriu a boca para falar algo, mas, foi interrompido por uma voz feminina macia que caminhava em direção à minha casa.
–Filhinho! – Falou Evalyn, enquanto caminhava em direção à minha casa, totalmente exposta aos atiradores.
O olhar de Luke tremeu, não pude mais ver o interior dos olhos profundos que eu havia conhecido hoje de tarde, seu corpo empalideceu, como se acabasse de descobrir que algo perigoso estava prestes a acontecer.
–Fuja mãe – Gritou ele usando todo o ar preso dentro de seu corpo.
Meu amigo levantou-se do espaço seguro, chamando a atenção dos atiradores, que, um segundo atrás estavam mirando em sua mãe. Ergueu a pistola em posição de disparo e encaminhou uma sucessão de cinco tiros dramaticamente rápida, exterminando o perigo aparente, com incrível precisão, acertando cada disparo no centro da cabeça do alvo desejado.
Após o momento de tensão ele abaixou a arma, cometendo um erro fatal.
Um último atirador ergueu-se com um rifle totalmente diferente dos vistos até agora. Este eu consegui reconhecer. A longa arma não usa balas, mas uma grande concentração de fótons que, quando liberados, se tornam um feixe de luz mortal.
Meu guardião conseguiu erguer e posicionar novamente sua arma para um último tiro.
Minha mente trabalhava rápido. Pude ver, como em câmera lenta, o deslocamento do projétil passando entre os arbustos e errando por míseros dois milímetros. Deixando o portador da potente arma, disparar um feixe de luz fatal que ceifara a vida daquela mãe.
Pude ver uma lagrima escorrer do rosto de Luke e cair em cima da minha mão, mas ele continuava parado, com a arma em posição para disparo.
Outra bala saiu da pistola, desta vez acertando no centro da cabeça do assassino. Meu coração batia fortemente enquanto eu tentava me manter consciente com toda esta explosão de emoções.
Outro tiro escapou da negra pistola, acertando novamente a cabeça do falecido exatamente onde o primeiro tiro acertara. Meu amigo continuava em pé, pálido, trêmulo e traumatizado, mas ainda em pé, com uma base cerrada no chão, disparando inúteis e ritmados tiros que acertavam exatamente no mesmo local espalhando sangue pelos arbustos.
Depois de esvaziar o cartucho por completo ele ficou parado olhando para a cena com um olhar fixo, ainda em posição de tiro, apertando o gatilho inutilmente.
Seu rosto agora estava com uma expressão que transparecia o horror presente naquele momento, os seus olhos procuravam inutilmente algum consolo na noite escura. O seu corpo estava totalmente tenso, suas mãos seguravam a arma com tamanha força que um fio de sangue pingava das mesmas.
Segurei sua mão direita e caminhei para perto de sua mãe que estava balbuciando uma mistura de sangue e algumas palavras:
–Me salva, senhor – Repetia incessantemente olhando para o nada – Identificação A31M5, Portão Z – Finalizou sua enigmática frase com um suspiro. Seu último.
Olhei para o lado esquerdo, ao perceber que uma sombra espreitava-nos ao longe. Tudo o que eu vi antes que tal sombra fugisse foi o vulto abaixado nos arbustos, gemendo silenciosamente.
Logo tal sombra estava de pé, correndo para uma zona escura na floresta.
Virei-me para o corpo abalado de meu amigo, ele também notara a presença da desconhecida silhueta, mas, naquele momento, sua mente concentrava-se em chorar ao sangue derramado.
Passamos um minuto olhando para o corpo que faleceu em um rio de sangue azedo e lágrimas amargas.
=/-/=
Assim foi o dia no qual conheci Luke: Meu vizinho, meu amigo, meu guardião, meu herói, meu melhor amigo, meu companheiro para a vida, em bons e maus momentos.
Em cima do veiculo flutuante, olhei para o horizonte: estávamos chegando.
Apertei um pouco mais a pessoa que fiquei agarrada todo este momento da viagem
–Você é a melhor amiga que eu já tive – Falou uma voz masculina chorosa pelo comunicador do capacete
Senti uma lagrima de Luke escorrer pela minha mão enquanto falava
Assim como aconteceu oito anos atrás, quando ele chorava na frente do corpo sem vida de sua mãe, abracei Lúcio com toda a força e disse para ele a frase:
–Seja forte, Luke. Não chore aqui, senão eu vou chorar também – Implorei com lágrimas em meu rosto – Apesar de não ter a conhecido o suficiente, sei que ela te amava. Além disto, não adianta sofrer pela morte de um ente querido, procure acreditar que ela está em um lugar melhor – Continuei – Eu sempre estarei aqui do seu lado, sendo o mais forte que eu puder, esta é minha promessa.
Esperei por um tempo até que ele se acalmasse, sempre acariciando suas costas tencionadas pelo antigo sofrimento.
–Além do mais, garotos lindos não deveriam chorar – Sussurrei para ele.
–Mentirosa – Murmurou ele entre os soluços
–Eu prometi que iria te descrever para seu diário, certo? – Lembrei-lhe
–Só não fale mentiras – Falou ainda com um tom de tristeza na voz
–Primeiramente vou falar que ele é o garoto mais talentoso e interessante que eu já vi – Falei – Seus cabelos são relativamente longos, e negros como a noite, mas, assim como seus olhos, se você se aproximar o suficiente, verá que eles têm uma tonalidade azul muito escura – Revelei, tentando levantar o estado de espírito de meu amigo – Depois de certo fatídico dia, ele decidiu começar a treinar coisas que provavelmente o ajudariam a não falhar mais, segundo suas palavras. Ele montou um campo de tiro no próprio jardim, proporcionando-lhe, com o tempo, uma invejável precisão e velocidade ao atirar armas de fogo. Ele decidiu também trabalhar o físico, correndo grandes distâncias e levantando cargas pesadas, proporcionando-lhe um corpo prodigioso.
–Mentira – Falou ele em voz de modéstia
–Me deixa terminar – Exigi em tom de brincadeira – Não tenho certeza se isto foi correto, pois, tais treinos levaram no muitas vezes à sobrecarga. Eu já perdi a conta de quantas vezes eu tive de carregá-lo à cama quando cada gota de energia de seu corpo era esgotada, deixando-o inconsciente – Falei tristonha – Um dia em especial, tal sobrecarga foi levada além do limite, fazendo-o quase perder suas pernas...
–Depois de tanto eu insistir para ele desenvolver algum momento de diversão em seu dia – Continuei, desviando-me da história daquele desconfortável acidente – Ele decidiu aprender música, praticando instrumentos como: teclado, violão e baixo. Fazendo-o descobrir algum talento para desenvolver outras músicas, aprender melodias, criar letras, e cantar. Apesar de ele nunca admitir.
–Eu não canto bem – Afirmou
–Vem cá – Falei, ignorando a mentira dita – Por que o alvo daquelas pessoas foi sua mãe?
–Ela era oficial do centro de inteligência e estava trabalhando numa missão contra a resistência oriental, cujos detalhes eu não conheço – Falou ele – Ela sabia demais para ficar viva por muito tempo.
–Mas, antes de ela morrer, ela nos deu algum tipo de código – Falei – Isso pode fazer com que sejamos alvos de tal resistência?
–Apesar de não restar nenhum sobrevivente, tenho quase certeza que eles já devem ter desconfiado de nós – Falou ele com ar pensativo, ignorando propositalmente a aparição da desconhecida sombra – Preocupo-me com isso já faz uns sete anos. O treinamento intensivo que pratico tem dois objetivos: Vingar a morte de minha mãe e manter-nos em segurança.
Enquanto falava, pude ver que ele colocou as mãos na parte interior de sua jaqueta e segurou dois objetos, tirando-os de dentro de seu esconderijo.
Eram duas pistolas prateadas, cujos canos eram pouco mais alongados que o normal.
Estremeci com a ideia da necessidade do uso destas duas armas mortais, nunca gostei de muita adrenalina, mas, o que eu realmente não gostava era de ter que ficar parada escondida, enquanto meu amado melhor amigo batalhava para nos manter a salvo.
–Me ensina a usar? – Pedi enquanto apontava para a arma
Ele deu um longo suspiro e falou
–Depois discutimos sobre isso. Estamos chegando, Pode passar-me o receptor?
=/-/= [Transferência de narrador: Lúcio] =/-/=
Notas finais
Com certeza, sim...
O que pode ficar melhor?
Se oportuno for, postem sugestões sobre o poderia acontecer no conto. Ok?
Fale com o autor