Notas iniciais
Corrigi este conto em alguns aspectos, mas preocupei-me em manter a estrutura, o vocabulário e o tema de acordo com o que escrevi na época.
Espero que esta história corresponda às suas expectativas.

Pronto. Narrando desta forma eu me sinto mais confortável.

Assim que eu terminei de receber o receptor das macias mãos de Alyss o sistema de comunicação do capacete começou a fazer um barulho agudo contínuo, incomum. Logo em seguida ouvi uma voz masculina familiar:

–Já pararam de conversar sobre o passado triste e unido de vocês dois? – Resmungou Douglas – Ou ainda tem romance meloso para discutir?

–Douglas?! – Espantei-me – Dês de quando você estava escutando?

–Dês de sempre – Afirmou ele – Foi fácil implantar uma escuta num comunicador sem fio, você deveria ativar o antivírus – Advertiu-me ele.

Douglas tem talento para ser irritante. Eu queria, não pela primeira vez, mata-lo da forma mais dolorosa possível. Mas meu autocontrole falava mais alto, por enquanto.

–Para onde vamos? – Falou ele pelo capacete – Quero comer algo, estou morrendo de fome.

–Tem um novo restaurante na cidade – Falei – Eu conheço o dono, poderíamos ir neste – recomendei.

–Qual o tipo de comida? – Questionou Alyss

–Segue a antiga culinária do Japão – Falei com carinho

–Já fui num restaurante destes – Meu amigo comentou – Aquele lugar que você come com pauzinhos?

–Hashi – Corrigi – o nome é hashi

–Não passam de pedaços de madeira, difíceis de utilizar, e que são incrivelmente ineficazes – Falou Douglas enquanto aceleramos em direção ao nosso novo destino – Além do mais, não faz sentido aprender a falar Japonês, Português, Latim, Espanhol, Francês, ou qualquer outra língua morta. Não são mais usadas oficialmente.

–Não importa – Arrematei – O nome continua sendo este

–Pauzinho de madeira – Zombou ele

Olhei para o céu por um momento pensando: ”Deus, dai-me paciência”.

–Chame do que quiser – Desisti, contendo minha raiva.

Douglas acelerou para que ficasse do meu lado, olhou para mim, com um olhar malicioso, descuidando-se, fazendo com que fosse de encontro a um poste, no meio de uma rua movimentada pelo comércio.

Não pude deixar de sorrir: “O castigo divino cairá do céu, em forma de poste, sobre os injustos”.

–Será que ele vai nos achar? – Perguntei para Alyss

–Talvez – Falou ela, com um olhar malvado – Vamos ver se ele consegue?

Assenti com a cabeça, parando em seguida no nosso destino. Uns cem metros de distância da conveniente colisão

–Grande Lúcio! – Falou uma voz masculina de idade avançada ao meu lado

Estacionei a motocicleta numa vaga próxima, e saltei com costumeira habilidade para fora da mesma, deixando meu capacete em cima do veículo.

–Olá Michael – Falei sem muita empolgação

Michael é um antigo amigo de meu pai. Já foi militar, mas desistiu desta carreira apostando no ramo da gastronomia. Era uma pessoa de bem com a vida, apesar de eu não ter ido muito com a cara dele.

Aliás, eu nunca vou com a cara de ninguém.

Segurei a mão de minha amiga, estava gelada. Ajudei-a a sair do veículo, tentando aquecer suas mãos com as minhas.

–Quem é esta linda moça? – Perguntou ele

–Ah, bem, desculpe-me – Falei – Esta é minha amiga, Alyssia.

Os dois se entreolharam com sorrisos estampados

–Boa noite Sr. Michael – Cumprimentou-o ela

–Boa noite Srta. Alyssia – Retribuiu a saudação com um sorriso bem-humorado

–Mesa para dois? – Perguntou ele, dirigindo-se a mim.

–Um amigo meu está chegando – Respondi – Ele pode chegar de mau humor

Michael nos guiou para dentro do estabelecimento. O local era bonito e agradável, a decoração era aparentemente fiel à do antigo Japão, o cheiro de comida pairava no ar. O lugar estava razoavelmente calmo, com poucas pessoas, a iluminação era um pouco baixa, comparado com o a noite lá fora. As paredes exibiam uma cor azul celeste, em cada mesa havia um tipo de flor diferente.

Michael nos guiou para um local apropriado, a mesa era retangular com dois sofás dispostos ao redor da mesma.

Alyss sentou-se à mesa parecendo um pouco desconfortável.

–Algo errado meu anjo? – Perguntei assim que Michel saiu, sentando-me em seguida.

Ela olhou para mim e corou levemente

–Nada importante – Falou ela – Eu ainda não tive oportunidade de agradecer pela corrente, então... Obrigada?

Olhei para a mesa e percebi que uma rosa repousava em seu centro. Ignorei este fato, olhando novamente nos olhos de minha amiga.

–Se você tivesse um amigo – Imaginei – Que você ama muito, e quisesse agradecer a ele por tudo o que ele já fez por você, o que você faria?

–Eu... – Pensou ela – Eu faria algo para este amigo, algo que esta pessoa pudesse carregar, para lembrar-se dos bons momentos...

–Então, não precisa agradecer a mim – Completei o pensamento – Afinal, eu estou lhe agradecendo. Além do mais, eu nunca vou conseguir demonstrar minha gratidão a tudo o que você fez, eu posso passar a vida listando, e não conseguirei agradecer tudo – Falei com um sorriso discreto, unicamente destinado à minha amiga.

Ela me olhou nos olhos, com o rosto um pouco corado, aproximou-se de meu rosto e falou sussurrando.

–Pera ai... – Pediu ela – O que você acabou de dizer?

Ela pensou por um rápido momento e perguntou

–Você me ama? – Com uma expressão que indicava nervosismo, e o rosto totalmente vermelho.

–De todas as formas possíveis – Falei, tentando parecer mais confiante do que eu realmente estava.

Ela olhou minha face por um momento e aproximou-se perigosamente.

–Seus olhos são lindos, principalmente de perto – Comentou com um olhar pensativo.

Eu sentia sua respiração um pouco acelerada enquanto continuávamos a nos aproximar,
senti meu coração disparar da forma que apenas Alyssia conseguia fazer. Fechei os olhos enquanto acariciava de leve o rosto de minha amada amiga.

Perto.

Mais perto.

Mais perto.


Notas finais
Algo a melhorar?
Com certeza, sim...
O que pode ficar melhor?
Se oportuno for, postem sugestões sobre o poderia acontecer no conto. Ok?