Wind Broken Wings
6 Ventos Inovadores
Notas iniciais
As semanas se seguiram, sempre com a rotina dos treinamentos e aulas de flauta.
Yasuo havia ido ao vilarejo próximo para um pequeno trabalho, mas que rendeu uma boa quantia como remuneração. Seria o bastante para se divertirem a noite inteira no grande Festival de Ionia, que ocorreria na semana seguinte. Já fazia alguns anos desde que Yasuo fugiu de Ionia, e nunca voltou lá por ser procurado pelo governo pelo assassinato do Ancião. Mas, por Riven, valeria a pena. Será que ela já tinha ido em algum festival ioniano?
Resolveu fazer uma surpresa. Comprou um kimono para ela, clássico nas festas de Ionia, o que os permitira se misturarem aos demais cidadãos, dois ingressos e um kimono para si. Tudo parecia que ia dar certo.
– Riven? — chamou adentrando a cabana — Cheguei. — mas ela não estava em local nenhum.
Ao procurar um pouco do lado de fora, encontrou-a encostada em uma árvore, perdida em pensamentos. Como ela não havia notado sua presença, escondeu-se atrás da árvore e jogou a embalagem do kimono no colo dela.
–Aaaaaaai, meu Kami, que susto!
– Me lembrei de você comentando sobre o Festival Lunar, o que acha de ir ao Festival de Ionia?
–I-Ionia? — tudo estaria bem se Ionia e Noxus não fossem inimigas.
–Vamos, Riven, eu soube que existem tantas atrações legais! — Yasuo media as palavras para não levantar suspeitas sobre sua origem. — Me dê sua resposta depois de experimentar seu presente.
–Certo... — e seguiu para a cabana para se trocar.
Riven olhava boquiaberta seu reflexo no espelho. Seu kimono era branco com detalhes de sakuras na base e no fim das mangas compridas. O obi rosado com detalhes sutis em lilás completava a peça esplendorosa. Por mais perigoso que fosse andar pelas ruas de Ionia, vestida assim talvez pudesse arriscar. Nunca ganhara um presente na vida fora sua espada, se é que isso pode ser considerado um presente. Retornou para onde estava e deu sua resposta à Yasuo.
–Está bem, Yasuo, eu aceito.
–Ótimo! Eu mal posso esperar... — escaneava a garota dos pés à cabeça — Eu sabia que ficaria lindo em você.
– Muito obrigada. — o abraçou, enterrando seu rosto no peitoral dele.
– Por nad... Você está chorando?
–É que... Eu nunca ganhei um presente antes... E esse kimono é tão delicado... Não consigo acreditar que ganhei algo tão fino quanto ele...
– Sabe, Riven, durante toda a minha jornada a única coisa na qual eu pensava era restaurar minha honra perante meu povo. Vaguei por anos em busca disso, obcecado por isso, até eu encontrar você. Meu objetivo permanece, mas você me fez sonhar com outras coisas, muito além do que eu poderia querer sozinho. — Yasuo sentia as lágrimas da lutadora escorrerem enquanto ela lutava para segurá-las, em vão — Você me devolveu a vida que eu perdi quando... Matei... Meu irmão...
As últimas palavras causaram um choque na garota. Como assim ele tinha matado o irmão e ainda chorava por ele? Havia algo muito errado nessa história.
–Enfim, Riven, o que eu quero dizer é que você deve dar mais oportunidades de ser feliz a si mesma, não viver apenas para lutar e lutar para viver. Você me ensinou isso, mesmo que indiretamente, e agora eu quero que você também viva isso. Faça planos diferentes, com foco em outros objetivos. Esqueça um pouco sobre quem você era ou deveria ser e seja apenas você, apenas a Riven que eu conheço. — a abraçou suavemente.
– Yasuo... Obrigada... De verdade — dizia por entre os soluços.
– Vamos, agora dê um basta nessas lágrimas — sorria serenamente enquanto enxugava o rosto dela.
– Elas são de felicidade... Meu amor — sussurrou enquanto pousava a mão sobre a dele em seu rosto.
–Meu amor?
–Ué, não posso?
–Pode sim, você pode tudo, minha branquela encrenqueira. — deu um selinho demorado nela.
– Assim eu fico mal acostumada.
– Eu garanto que atenderei a todos os seus caprichos.
–Ora, ora... Parece que minha tática de sedução funciona mesmo.
–E eu caí feito um Yordle na sua armadilha...
– É, Yasuo, parece que você perdeu sua posição de dominante aqui, hahaha
– Isso nunca! — pegou Riven no colo e a carregou em direção ao lago.
– Yasuo, o que pensa que... NÃO, MEU KIMONO MOLHADO NÃO!! — rapidamente Riven saltou dos braços dele e correu para guardar a peça que vestia.
Enquanto Riven se trocava, Yasuo decidiu caminhar um pouco pela floresta enquanto decidia o que fazer para o jantar. A lua minguante, quase nova, decorava o céu junto de algumas poucas estrelas. Precisava pensar no que faria para o café da manhã, também, já que teriam uma longa jornada até Ionia no dia seguinte.
Riven decidiu dar um mergulho ao notar que Yasuo havia saído, precisava refletir um pouco sobre o rumo que sua vida estava tomando. Apesar da enorme confusão que sua cabeça estava, ela se sentia feliz. A cabana aconchegante lembrava uma paz a muito perdida na sua infância, quando ainda era capaz de sonhar com um futuro brilhante. Yasuo devolvera a si essa capacidade. Queria fazer planos, pensar em como sua vida poderia ser. Nunca lhe passara pela cabeça um casamento, mesmo que por razões políticas. Noxus havia lhe ensinado a arte da guerra e a criara unicamente para servir à arte e dela viver. Noxus... Como será que estava sua terra nata agora? Talvez continuasse a ser a mesma nação corrupta que conheceu. Vontade de voltar? Não, queria distância de todo o sofrimento que bem conhecia. Memórias da guerra lhe vinham sorrateiramente. Pobre Ionia..."Ionia? Putz... Nem tinha me dado conta de que irei visitar a terra que ajudei a massacrar... Isso vai ser bizarro...".
Yasuo retornou de sua caminhada, encontrou Riven boiando distante, resolveu deixá-la imersa em seus pensamentos enquanto preparava uma sopa leve para o jantar. Ao terminar de organizar tudo, chamou-a para a refeição.
–Riven — gritou da beira do lago — O jantar está servido! — esperou que ela se aproximasse para lhe entregar a toalha que segurava.
– Obrigada. — pegou a toalha, se enrolou e foi se trocar.
Durante a refeição, Riven se manteve quieta, com o pensamento focado em Ionia. O que faria se alguém a reconhecesse? E se tivesse de lutar? Mostrar suas técnicas não lhe parecia boa ideia. Como lutar sem se revelar? Impossível, sua capacidade de batalha reduziria consideravelmente. De onde vinha todo esse medo? Essa sensação de que deveria guardar para si a gloriosa lutadora que era...
– Riven, você tá bem? — o lutador estava preocupado com o silêncio — Aconteceu algo? Você me parece calada demais.
– Estou ótima, só um pouco... Ansiosa.
– Eu também tenho grandes expectativas nesse festival.
– Acho melhor irmos dormir, temos um longo caminho amanhã até Ionia, não é?
– Sim, você tem razão — Yasuo terminava de juntar a louça e seguiu para o lago — Vou apenas dar um jeito aqui para deixar o mínimo de trabalho possível para amanhã.
– Certo, estarei te esperando na cabana.
– Me...Esperando?
– Claro, você é meu escravo agora, eu quero que me faça companhia durante a noite~
– Como desejar, milady — disse rindo e fazendo uma reverência.
A noite seguiu tranquila, o casal dormiu abraçado, o que rendeu bons sonhos e um ótimo descanso aos dois. O aconchego, o calor do abraço, a presença dele ali deixava Riven confortável, à vontade, como nem se lembrava de já ter se sentido um dia. A lutadora já havia esquecido o que era sentir o calor de outra pessoa em si. Queria sentir isso novamente todos os dias, até o fim de sua vida.
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