William
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Notas iniciais
Acordei com um doce aroma no ar, abri meus olhos levemente e me encontrei encarando William, sua pele pálida fazia contraste com seus cabelos negros, que estavam bagunçados, suas feições eram finas, porém masculinas, ele dormia calmamente enquanto sua boca formava um leve sorriso que deixavam suas bochechas rosadas mais volumosas, ele parecia tão delicado quanto um boneco de porcelana.
Com minha mão esquerda, acariciei seu rosto delicadamente, sua pele era tão macia, porém ainda estava roxa em algumas partes, e seu ferimento na bochecha começara a cicatrizar, foi ai em que seus olhos tremularam e em seguida se abriram, revelando um azul tão vivido quanto o azul da água em alto-mar, nos fitamos por alguns segundos até alguém tomar a iniciativa.
Sem muita pressa, me aproximei dele, passei minha mão em seus cabelos enquanto mordia meu lábio inferior levemente, o que fez ele sorrir, assim mostrando seus dentes brancos, aproveitei essa oportunidade para abraça-lo e selar nossos lábios, então a valsa dentro de nossas bocas começou, nossa sincronia era perfeita, até parecíamos ser apenas um ser.
Enquanto nossas linguás dançavam em nossas bocas, nossos corpos também aproveitavam o momento, Will havia se posto em cima de mim, fazendo nossas pernas se entrelaçarem, enquanto isso, eu percorria toda a suas costas e nuca com minhas mãos, tentando puxa-lo para perto de mim cada vez mais. Com o fim do beijo Will apoiara sua testa e sorria enquanto respirava ofegante, podia sentir sua respiração junto a minha, e meu estado não era muito diferente do dele.
– Bom dia, Leo — Disse ele quando sua respiração voltou um pouco ao estado normal.
– Bom dia, Will — Então ele saiu de cima de mim e ficou ao meu lado na cama, com as mãos entrelaçadas olhamos para o teto — Hoje... — Falei meio receoso — Seu pai... ele...
– Leo — Chamou ele por meu nome, me cortando — Se você estiver comigo, está tudo bem. — William sorriu novamente e me deu um leve selinho
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Eram duas e meia da tarde, William e eu estávamos deitados no sofá retrátil da sala, assistíamos ao filme "A Origem dos Guardiões", sim eu sei, é um desenho infantil e blá blá blá... Mas eu gosto! E ele também gosta! Porém, tudo mudou quando o interfone tocou, senti o corpo de William ficar mais tenso, nos sentamos no sofá e desliguei a TV.
Minha mãe, foi calmamente ao interfone, mas podia a tensão nela, o clima tinha ficado tenso, após alguns pequenos diálogos pelo interfone minha mãe apertou o botão e senti o barulho do portão sendo destrancado até na alma, então minha mãe foi atender receber nosso "convidado", William segurava minha mão com força.
Quando ele entrou na sala, me surpreendi, esperava que ele fosse um homem gordo, com cheiro e álcool ou coisa do tipo, mas me enganei feio. O pai de William era alto e magro, seus cabelos negros e curtos eram penteados para trás, enquanto seus olhos azuis como o do filho eram cobertos por um óculos, e vestia um terno preto com uma gravata vinho.
– Boa tarde — Disse ele se sentando no sofá a nossa frente, ele parecia tão calmo, tão frio.
– Qual o nome do seu pai? — Sussurrei no ouvido de William, o que fez ele dar um leve sorriso, o que acabou chamando a atenção de seu pai
– Harry — Sussurrou ele de volta no meu ouvido
– Harry, não é? — Falei como se não tivesse certeza do nome dele, ele consentiu com a cabeça — Espero que você entenda, William e eu estamos em um relacionamento serio, somos namorados e nos amamos, não importa o que você faça, isso não ira mudar.
– Leo — Falou ele calmamente — Eu so vim aqui para busca-lo
– Eu não vou
– Eu sou seu pai, e você vai!
– Não! — Gritamos juntos — Você não pode obriga-lo a ir! — Protestei
– Eu vou processa-los por sequestro!
– E nós te processamos por violência infantil, pois você espancou seu filho apenas por ser gay, não é mesmo? Acho que isso também é homofobia — Retrucou minha mãe, que ate agora permanecia calada — Olha Sr. Snowblack, eu entendo que você possa demorar a aceitar, mas ele é seu filho, aceite-o como é, e se você deixa-lo morar aqui, eu prometo não fazer nenhum depoimento contra você. Tudo que preciso são das coisas de William.
Após um grande tempo calado, o mais velho soltou um suspiro, se levantou e se virou para a minha mãe.
– Está bem, mas você que pagara as contas dele, se vier comigo eu entrego as coisas dele- Então sem esperar nenhuma resposta, ele apenas se retirou.
– Desculpa, Fernanda, eu vou fazer você gastar seu dinheiro — Falou William cabisbaixo.
– Não tem problema William, agora você é da família — Respondeu minha mãe sorrindo — Agora eu vou indo buscar as suas coisas, por que não passeiam com a Mell?
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Seguindo o pedido/conselho da minha mãe fomos passear com a Mell, era um dia quente, quente até de mais para um dia de outono, eu odeio dias quentes. Mas com William ao meu lado tudo era perfeito, falando assim até pareço uma garotinha apaixonada, não gosto disso.
Andávamos sem nenhuma pressa enquanto conversávamos sobre coisas aleatórias, com a minha mão esquerda eu segurava a coleira de Mell e com a direita sua mão, recebíamos alguns olhares de reprovação, mas eu não ligava. Estávamos chegando perto da praça onde iriamos "descansar" um pouco quando eles apareceram para estragar tudo.
Lucas e seus dois "capangas" Henrique e Gustavo tinham acabado de virar a esquina e caminhavam em nossa direção, quando eles nos viram sorriram e em seus olhos eu pude ver uma certa maldade.
– Eae, se não é o casal de viadinhos, gostou da agenda, Leo? — Falou Lucas se aproximando, pude sentir Will apertando a minha mão.
– Até que gostei, mas quem precisa de uma é você, já que você não faz um para casa, acho que... — Fui interrompido por um soco na boca de estomago, por um tempo fiquei sem respirar, senti a dor se espalhar por todo o meu corpo, me curvei para frente e acabei soltando minhas mãos tanto de Will quanto da coleira de Mell
– Ei! — Protestou Will, dando alguns casos para frente.
– Ih, olha lá! O bâmbi ta querendo briga! — Disse o Gustavo se aproximando de Will e dando um empurrão, fazendo o cair de bunda no chão, na hora meus olhos se arregalaram ao lembrar de sua fragilidade nos ossos.
– De-deixem ele em paz — Falei tentando erguer meu corpo, enquanto ainda me recuperava do soco, porém acabei levando outro, com o choque, cai no chão.
– Cala a boca, sua gazela! — Gritou Lucas pronto para um chute em mim. Me encolhi pronto para receber o chute, mas o que veio em seguida foi muito diferente disso. Em um instante Mell avançou na perna de Lucas, que acabou recuando por um tempo — Mas que merda! A cadela veio salvar a donzela em perigo. — Após o choque Lucas avançou de novo, Mell rosnava para o garoto e rangia os dentes — Sai da minha frente! — Disse ele chutando a cachorra com toda a sua força.
Mell, foi arremessada ao ar pelo chute, um ganido forte pode ser ouvido quando ela bateu suas costas no poste, o choro dela era frequente e agoniante, nunca irei me esquecer daquele som, entrei em desespero. Sem ligar para os garotos corria até Mell, ela estava deitada no chão perto do poste, sangue podia ser visto escorrendo no chão, tentei pegar ela, mas só a vez ganir mais alto.
– Não! Não! Não! — Repetia essa palavra sem parar, não a aguentava vela sofrer, não queria que ela morresse, ela era melhor amiga desde os meus cinco anos de idade, não queria vê-la ir.
Os garotos devem ter entrando em panico, pois saíram correndo por onde vieram, Will, que felizmente não havia se machucado, ligara para o meu pai pedindo ajuda, depois me abraçou o mais forte possível até a ajuda chegar.
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