Wildfire
4 Capítulo IV - LEO
Notas iniciais
Na semana seguinte, Leo acordou com a típica ressaca da manhã. Tinha ido à uma festa com Jason e Percy na noite anterior. Sua cabeça latejava, seus olhos estavam pesados, seu corpo doía, ele tinha uma vontade enorme de vomitar, mas a lembrança da sexta-feira passada era mais forte que tudo isso.
Ele tinha beijado Spencer. Tinha ficado com a novata mais gata da escola. A memória o fez ganhar o dia, arrumar coragem o suficiente para se levantar da cama e ir tomar um banho. Leo demorou um pouco embaixo d'água quente numa tentativa de esvaziar sua mente e aliviar a dor de cabeça, mas não deu certo. Sua mente só se concentrava em uma coisa e essa coisa tinha nome e sobrenome: Spencer Mitchell. A cena do beijo não lhe saia da cabeça: o sabor dos lábios dela, a pele macia, os cabelos sedosos. Ele podia jurar que sentiu o perfume de frésia da garota misturado ao cheiro do sabonete.
Leo respirou fundo e sacudiu a cabeça, voltando a realidade. Saiu do banho, secou-se e vestiu suas roupas. Ao passar em frente a janela, vislumbrou Spencer saindo de casa e entrando em um BMW M5 V10, provavelmente a caminho da escola. Depois que o carro desapareceu ao fazer a curva no final da rua, ele ainda continuou parado lá. Hoje ela decidiu deixar o cabelo solto, usava óculos escuros, VANS vermelhos, um shorts jeans, uma blusa do Green Day que aparentemente ela tinha cortado as mangas para fazer uma regata e deixava um pouco a mostra as laterais de seu sutiã preto. Isso na cabeça de Leo era a coisa mais sexy do mundo. Spencer tinha o dom de ficar linda sem fazer nenhum esforço. Ele saiu de frente a janela, pegou sua mochila que estava jogada no canto do quarto e desceu as escadas.
O pai estava na sala, sentado no sofá, lendo um jornal e tomando café. Normalmente, Hefesto já tinha saído quando Leo ia para a escola.
–Bom dia, papa! — exclamou o garoto. — Está um lindo dia, não é?
Hefesto olhou por cima do jornal para o filho, levantando uma sobrancelha.
–Que tipo de droga você ingeriu ontem, Leo?
O rapaz riu, foi para a cozinha e pegou uma maçã verde.
–Nenhuma, eu acho. Mas semana passada eu fiquei com uma garota, a não ser que você considere isso um tipo de droga ilícita. — disse Leo, dando uma mordida na maçã e olhando o pai, que estava novamente com os olhos vidrados no jornal. Desde a morte da mãe, apesar do pai ser um pouco recluso emocionalmente, ele entendia Leo e conversavam à respeito da vida do garoto. Ele conseguiu se abrir mais com Hefesto, apesar do pai não compartilhar seus pensamentos com o filho.
–E quem é a doente mental?
–Nossa, papa, muito obrigado, eu também amo muito o senhor! — resmungou o rapaz, revirando os olhos e dando outra mordida na maçã. — Ela estava bêbada, então talvez não se lembre que nos pegamos, mas é a garota nova que veio morar na casa da frente sabe? Com aquela quarentona mau humorada que não tem a vida sexual ativa.
–Tenho pena dessa garota, deve ser difícil aturar alguém como Aliona. — falou Hefesto, bebendo um gole de seu café.
–Pois é. Enfim, até mais tarde, papa! — disse Leo, pegando as chaves do carro em cima da mesinha de centro.
–Espera ai, vou te levar pra escola. — Hefesto se levantou do sofá, andou até o garoto e tomou as chaves da mão do garoto.
Seu rosto tomou uma expressão confusa, pois seu pai nunca o levava pra escola desde... A terceira série?
–Mas você nunca me leva pra escola...
–Depois do porre de ontem, não acho que você está em condições para dirigir.
–Desde quando isso me impediu?
–Anda, moleque! — Hefesto empurrou Leo para fora de casa e ambos foram em direção ao carro.
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Na hora do almoço, Leo saiu da sala correndo para ver se conseguia encontrar Spencer. Não a vira desde que chegou na escola e não arrumou tempo para falar com ela.
Por sorte, ele a encontrou guardando os livros em seu armário antes de ir para o refeitório. O garoto se apoiou nos armários, assustando-a um pouco e Leo percebeu isso.
–Ei, me desculpe. Enfim, como você está? — perguntou ele, dando um sorriso torto. Spencer retirou os óculos escuros, deixando a mostra seus belíssimos olhos castanhos, contornados por lápis preto.
–O que pensa que está fazendo? — perguntou a garota, encarando Leo como se ele tivesse algum problema.
–Tentando conversar com você. — ponderou ele, desfazendo seu sorriso e aderindo uma expressão série. — Algum problema?
Spencer suspirou e encarou o chão por alguns minutos, depois voltando sua atenção à Leo.
–Eu acho que deixei claro naquela noite que aquele beijo nunca aconteceu, Valdez. Só porque ficamos, não quer dizer que eu queira ser sua amiga ou algo do gênero. — a voz da garota era fria e deixava bem claro que ela estava falando sério. — Terminamos aqui. Passar bem.
A animação que Leo sentiu de manhã se esvaiu naquele instante. Tinha acabado de levar um fora de Spencer, que saiu em direção ao refeitório sem olhar para trás, deixando ele completamente sem reação e nem o dando tempo de responder.
E
le queria se enfiar dentro de um buraco e nunca mais sair. Passou a mão pelos cabelos e respirou fundo. Não ia levar um fora desse e ficar quieto. Precisava mostrar a Spencer que ele não era um qualquer. Leo viu Hazel passando no corredor ao lado de Frank e teve uma ideia.
–Licença, Grandalhão, já devolvo sua peguete! — ele puxou a garota pelo braço e a puxou para um lugar menos movimentado.
–O que você quer, Leo? — resmungou Hazel, se soltando dele e cruzando os braços.
–Preciso que convença Spencer a ficar depois da aula. Tenho que ter uma conversa com ela. — falou Leo.
–Não podia ter dito isso na frente do Frank? — disse Hazel, erguendo uma sobrancelha.
–Vai que ele conta pra Spencer.
–Só eu falo com ela nessa escola. E tá, eu te faço esse favor. — ela revirou os olhos, deu um soquinho no ombro de Leo que riu e voltou para a companhia do namorado.
–--
Como Piper era uma das melhores amigas de Hazel (a outra era Annabeth e talvez, Spencer) o tempo que passavam juntas fez a garota aprender a ser persuasiva. Piper não tinha nenhuma ligação com Spencer, então Leo sabia que Hazel era a melhor forma de arrumar uma forma de conversar com a Mrs. Blue Hair. Depois perguntaria a Hazel se fora fácil convencer a garota a ficar depois da aula, mas o importante é que a amiga conseguiu essa proeza.
A garota estava sentada nos degraus da estrada da escola, lendo um livro de Charles Bukowski e pelo o que aparentava, a leitura estava bem interessante. Determinado a não assustá-la novamente, Leo caminhou até a garota. Quando estava bem próximo, ela notou sua presença e fechou o livro, levantando-se, mas o garoto a impediu. A morena pareceu surpresa, pois para ela, a conversa de menos de cinco minutos que tivera com ele foi clara.
–Por favor, me deixa falar com você. — pediu Leo, sentando-se ao lado dela nos degraus. — Spencer, me explica o que foi que eu te fiz.
Ela hesitou antes de responder e pareceu procurar muita paciência para prosseguir com a conversa.
–Seu jeitinho de ser irônico e piadista me irrita, Valdez. Fim da história. Posso ir agora?
–Eu te irrito? Mas você mal me conhece! — ele respirou fundo e olhou nos olhos de Spencer. — Olha, é o seguinte: eu não sei nada sobre você e você também não sabe nada sobre mim. Você pode achar que eu sou só mais um idiota que está tentando se dar bem com uma gata, mas não é. Me dá uma chance que eu vou te mostrar que eu posso ser legal! Você não sai da minha cabeça desde a festa da Thalia e eu vou entender se você não quiser mais ficar comigo. Mas pelo menos me deixa ser seu amigo. Por favor, Spencer. — Leo podia ser engraçado e irônico na maior parte do tempo, mas ele sabia quando falar sério. A garota mexia com ele de alguma forma que ele não conseguia explicar.
E
la olhou para baixo e mordeu o lábio inferior pensativa.
–
Sou o tipo pessoa que você evita se relacionar. — disse ela, dando um suspiro. — Mas você está parecendo sincero, então vamos ver no que isso dá.
Isso fez Leo sorrir.
–Prometo não te decepcionar e mostrar que eu sou um cara muito gente fina, milady! — ele riu, olhando-a. — Quero dizer... Mais fino do que eu já sou!
Spencer gargalhou. O som da risada dela era a coisa mais gostosa que Leo já ouvira na vida.
–Muito bem. — falou ela. Um carro parou junto ao meio fio e o motorista buzinou. Era um rapaz de cabelos castanho claro e olhos verdes. — Meu irmão chegou. Até mais, Valdez. — ela levantou-se e guardou o livro na bolsa.
–Tchau, Mrs. Blue Hair. Te vejo depois. — Leo pegou uma das mãos de Spencer e beijou-a delicadamente. A garota revirou os olhos e foi em direção ao carro do irmão. O rapaz reparou que outra menina entrou no carro, mas não conseguiu distinguir quem era.
Ele deu de ombros e pegou seu celular para olhar a hora. Leo quase teve um ataque cardíaco ali mesmo. Estava vinte minutos atrasado para o trabalho.
–PAPA, CALMA, EU TÔ CHEGANDO! — berrou o garoto, começando a correr desesperado pela rua.
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