Wicked Game

12 Spin off, Capítulo 3 - Where is my mind?


Notas iniciais
Oi geeente! Capítulo novo, espero que gostem.

Where is My Mind?

Try this trick, spin it, yeah
Y
our head will collapse
But there's nothing in it
And you'll ask yourself

[Thayla]

Já passava das duas da manhã e as garotas permaneciam a postos, em uma prontidão inabalável. A pequena Amy foi mandada para cama lá pelas nove horas. Lá pela meia noite, Claire já havia devorado três pacotes de batata e Thayla todas as unhas da mão. A espera era uma tortura. Todos os sites de fofoca haviam sido atualizados às pressas dando notícia do aguardado pronunciamento. Lahey chegou às uma e meia e depois de um banho, decidiu que a insônia e Thayla não lhe deixariam dormir, resolveu assistir a bendita coletiva que lhe tomara a mulher e até o sono.

Quando o relógio bateu três horas em ponto, o link especial do YouTube começou a exibir ao vivo a coletiva. As garotas despertaram depressa e grudaram os olhos atentos à tela. A coletiva estava sendo transmitida direto de Atlanta. Uma sala espaçosa fora equipada com uma mesa longa e as seis cadeiras para o elenco e representantes. Garrafas de água e microfones posicionados. A coletiva seria aberta para vinte e cinco pessoas. Jornalistas variados. Donos de sites, colunistas de revistas. Todos acomodados abaixo do palco. De frente para a mesa e de costa para as câmeras que focam apenas na bancada principal.

Os primeiros a chegar foram Jeanine Matthews, representante da Lionsgate, era uma mulher magra e alta, por volta dos 40 anos, parecia uma cobra em riste. Os cabelos bem presos num coque na nuca. Eric parecia uma serpente atenta a qualquer movimento falho. Sempre com um sorriso de canto. Logo depois veio Tori, Niel (o diretor dos filmes) e para fechamento em grande estilo, Tris entrou de mãos dadas com Tobias.

Richard soube que havia algo errado ali, mas guardou qualquer comentário para si. A ética jamais lhe permitiria tal ação. Tris tinha um sorriso pálido e até frio. Mas todos estavam extasiados demais com a primeira aparição pública dela que só conseguiam ver o ventre já redondo da garota. Tobias também sorria, também sem sinceridade.

— Tem algo muito errado nisso tudo ou é só viagem minha?

Thayla perguntou para Claire e viu através da janela do Skype, a ruiva franzir a testa.

— Isso está muito errado.

No vídeo Tris sorria quase que automaticamente. Parou um pouco antes de sentar-se e fez pose para as câmeras, exibindo a barriga para os flashes, aquela garota coberta de maquiagem e claramente exibindo a famosa marca de seu belo vestido não era a Tris Prior de antes, nem ao menos era ela. Thay a conhecia demais para saber que aquilo era um personagem.

— Tem algo podre aí.

Thayla afirmou com segurança, Claire limitou-se a um sério acenar de cabeça. A amiga estava certa.

A coletiva correu bem. Primeiro os avisos práticos, o filme adiado por um ano, o que acarretaria simultaneamente no adiamento das outras duas produções da mesma franquia. Comic -Con de San Diego ainda confirmada, apenas com a alteração de que Tris, então com 8 meses de gestação, não estaria em todo o evento, comparecendo apenas na primeira coletiva e depois nas entrevistas fechadas. Depois de mais alguns informativos. Tris falou de sua gravidez, Tori e Niel declararam seu total e verdadeiro apoio a Tris. A surpresa fora, além do silêncio de Tobias, as afirmações de Jeanine que desmentiam os boatos sobre pressão com relação ao aborto. E o pior de tudo foi ver Tris confirmar que não houve pressão nenhuma dentro da Lionsgate ou Paris filmes.

— Isso tá errado... Desde sempre a Lionsgate não escondeu o desejo que a Tris abortasse! — Protestou Thay indignada.

— Eu sei... Talvez... Talvez tenham visto que o bebê realmente é uma mina de ouro e status pra eles, por mais horrível que isso soe. — Claire torcera os lábios em resposta, abrindo seu quarto saco de batatas fritas. — A Tris está...

— Interpretando. Não é ela ali de jeito nenhum.

— E o Tobias está de figura decorativa. — A ruiva suspirou longamente. — Eu tenho medo do que esses cretinos vão fazer com ela a partir de agora.

— Bem... Eles claramente vão investir nela, na imagem de grávida. Só espero que a Tris aguente tudo isso.

— Eu também, Thay.

A coletiva durou mais ou menos duas horas, e quando finalmente terminara, as teorias de Claire e Thayla prosseguiam exatamente as mesmas: estavam brincando com a imagem tanto de Tris quanto de Tobias.

— Nós precisamos sair amanhã. Pra gravar um vlog. E... Lembra-se daquele nosso problema no diário das celebridades? — Thayla comentou.

— O que tem?

Thayla deu uma risada. — Digamos que a Wanda vai ter uma surpresa quando for abrir o site amanhã... Enfim... Vamos nos encontrar depois do almoço, ok? Umas três da tarde lá no shopping?

— Okay então... Boa noite, Thay.

A morena desligou a chamada, virando-se divertida ao ver o noivo dormindo de bruços na cama com o travesseiro sobre a cabeça para abafar os sons. Deixou os fones sobre a escrivaninha e fora sorrateira até Richard, passando a mão por suas costas.

— E então, como terminou a coletiva? — Ele perguntou num bocejo.

— Muito estranha. Achamos que agora eles vão usar a imagem da Shai até cansar. — Thayla torcera os lábios.

Lahey suspirou longamente. — Pobre moça...

— Pois é.... Vamos ter que esperar agora pra ver o que acontece... — Thayla comentara. — Pode voltar a dormir, eu vou apagar as luzes.

O médico assentiu, observando a noiva ir até o interruptor de luz, deixando o quarto às escuras, voltando para perto da cama para se deitar próxima a ele. Richard sorriu, beijando-a na nuca e Thayla se virou, pressionando seus lábios nos dele num beijo carinhoso.

— Boa noite. — Ela sorriu.

~*~

Thayla chegou a gargalhar como uma bruxa má que acabara de descobrir que seu plano maligno tinha funcionado quando viu que a página do Diário das Celebridades não funcionava em lugar nenhum, além dos comentários nada alegres de Wanda no twitter, Facebook sobre seu lindo site que estava fora do ar. Era Natal, Thayla riu com gosto. Graças a uma espécie de guerra civil que montaram no Facebook, o site fora derrubado, com a ajuda de muitas fãs de Tris, de Tobias... Fora uma união completa do fandom que até mesmo algumas que gostavam de Peter aderiram à causa.

Naquele dia em questão, apesar de ainda estar desconfiada por conta daquela coletiva de imprensa muito suspeita da Lionsgate, ela iria encontrar Claire no shopping para conversarem sobre mais uma edição do vlog. Desde a queda do site de Wanda, o número de acessos do Trislovers tinha crescido consideravelmente, além é claro, dos haters que eram educadamente ignorados e depois banidos. Sorriu ao ver a amiga a esperando na porta do shopping, jogando-se em cima da mesma num abraço de urso.

— Vamos falar a verdade... Essa coletiva de imprensa foi muito estranha. — A morena dissera, pegando no braço de Claire para que seguissem até a pequena loja do Starbucks para tomarem um lanche.

— Bota estranha nisso, parecia que eles estavam lendo um roteiro. Especialmente a Tris. E aquela Jeanine não me desce. — A ruiva torcera os lábios levemente. — Tobias estava meio de... Figura decorativa, não acha?

— Sim! Muito, ele mal abria a boca! — Thay pedira um café expresso e Claire um cappuccino com chantilly. — Ele estava ali de vaca de presépio.

— Verdade... — A ruiva suspirou assim que a moça colocara os pedidos à frente das duas, que seguiram até uma das mesas vazias, já que o local era aberto. — Mas sério... Com certeza eles combinaram tudo.

Thayla assentiu enquanto bebericava seu café, olhando de lado quando notara um grupo de seis garotas apontando para elas e a loira com cara de nojenta se aproximara da mesa onde estavam.

— Vocês são as donas do Trislovers?! — Ela perguntou com um sorriso que Thayla julgou ser falso.

— Somos sim, por quê? — Claire respondera levemente confusa.

— São elas! — A loira dissera.

Tudo acontecera rápido demais. Num minuto Thayla tinha sido derrubada de sua cadeira e a garota loira aproveitava a deixa para dar-lhe alguns chutes e puxões de cabelo enquanto as outras se aproximavam para ajudar.

Claire tinha ficado paralisada, olhando assustada já que ninguém vinha ajudá-las, o que a fez se levantar para ir socorrer a amiga, no entanto, ela sentiu duas mãos empurrando-a com força, lançando-a diretamente sobre a quina de uma das mesas, seu rosto acertou a madeira, na região da testa, fazendo-a cair no chão desorientada enquanto as garotas riam sem parar.

— Isso é por terem tirado o site da Wanda do ar, suas vadias!

Thayla dera uma rasteira na loira, que gritou ao cair no chão e apesar do esforço de suas amigas, a morena conseguira torcer o pulso da mesma até ela gritar de dor.

— Suas loucas! Saiam daqui! Socorro! Alguém! — Thayla berrara, vendo que os seguranças do shopping vinham correndo apartar a briga e algumas pessoas olhavam um tanto assustadas para a cena que se desenrolava. — Claire... Claire!

Claire estava no chão, olhando desorientada para todos os lados porque não conseguia ver absolutamente nada além daquele branco total. Sentia algo úmido em sua testa que, ao passar a mão, se espalhara pela pele.

— T-Thay eu n-não tô vendo nada...

— MERDA! ALGUÉM CHAMA A AMBULÂNCIA, PELO AMOR DE DEUS!

~*~

Quando o doutor Lahey escutou sua namorada gritando a plenos pulmões corredor adentro, ele sentiu o coração falhar uma batida ou duas, largando tudo o que estava fazendo para ir até ela.

— Thay?! Querida, o que houve?! — Perguntou nervoso ao ver duas enfermeiras empurrando uma maca com uma garota ruiva deitada com a cabeça sangrando.

Thayla queria chorar, abraçando o noivo com força. — Umas loucas nos atacaram... E-elas...

Richard beijou o topo da cabeça da noiva, suspirando longamente. — Você está machucada? — Perguntou ao segurar o rosto dela com as duas mãos, notando alguns hematomas.

— Só no meu ego, mas... Eu vou deixar as enfermeiras me examinarem... — A morena suspirou. — Só depois que a minha amiga estiver bem, é claro... Ela disse que não estava enxergando nada...

— Enfermeira, cuide dela, por favor. Eu já volto pra te ver, ok? Vou ver como a Claire está.

Thayla assentiu, deixando que a enfermeira a conduzisse até a sala dos curativos.

[Claire]

Mexeu-se na cama com a impressão de que conseguia perceber a rotação da Terra, apesar de saber que isso era impossível, Claire tinha essa impressão. Lentamente, sua visão tornava-se menos branca, mais nítida como se tivessem ajustando as luzes que a cercavam. Notou então, que estava deitada em uma cama de lençóis brancos e um cheiro de éter invadira seus pulmões. Um hospital, talvez?

— Oi Claire.

Ela ouviu uma voz masculina e rouca, virando devagar o rosto somente para ver um borrão branco, moreno e negro no topo que lentamente formavam a pessoa que estava ali: Richard.

— Como está sua cabeça?

— Er... Doendo... — Ela respondeu baixo. — Eu estou no hospital?

— Sim. Lembra-se do motivo?

Claire pensou por alguns momentos. — E-eu... Saí com a Thay... Fomos até o Starbucks e.... E.... Acho que alguém gritou.

— Vocês foram atacadas por seis garotas por causa de um site. — Richard explicara. — E você caiu e bateu a cabeça na quina de uma mesa.

Claire piscou devagar, forçando um pouco a memória. Lembrava-se do grito de Thay, da bagunça de cadeiras caindo e depois de estar no chão, com um clarão impedindo-a de ver, apesar de estar ouvindo tudo ao redor. Um grito agudo, depois alguns carros e murmúrios.

— Não se force. Você vai se lembrar de tudo depois. — O médico recomendou, virando-se ao ver um homem parado perto da porta do quarto, parecendo transtornado. Provavelmente era o pai de Claire. — Senhor White.

O homem suspirou resignado. — Doutor, quero conversar com a minha filha. À sós, por favor.

Richard assentiu de leve, respeitoso. — Sim, tudo bem. Estarei pelo corredor caso precise de algo. — Olhou para a garota deitada, que concordou brevemente.

Quando o médico deixou o quarto, o senhor White fechou a porta, torcendo os lábios de maneira nervosa antes de puxar uma cadeira para ficar perto da cama.

— Você apanhou? — Perguntara.

— Eu acho que não... Só bati a cabeça... Pelo que eu entendi... — A ruiva respondera de maneira breve, tocando o curativo que fora feito em sua testa.

— Hum. — O mais velho disse baixo. — Eu já devia ter tido essa conversa com você desde que saiu da escola e se enfiou naquela caverna que você chama de quarto. Não está na hora de seguir com a vida? De ter uma vida, pelo menos. Uma vida normal, com um trabalho normal... Amigos normais.

A garota piscou, mas não respondera imediatamente.

— Foi um erro ter te dado aquele computador. Ele levou minha filha embora e deixou... Essa pessoa que eu mal reconheço como filha. Claire, você tinha sonhos, pelo amor de Deus! Essa tecnologia comeu tudo o que você era!

Novamente, a garota não respondeu, especificamente por ter perdido um pouco a noção do que o pai estava dizendo.

— Mal conversa conosco, só vive enfiada nesse computador falando com aquela garota tão alienada quanto você! Ou nem tanto, porque ela já mora sozinha e pelo que entendi tem um noivo... E quanto a você? Quando vai ter o controle da sua vida?! Nós não duraremos pra sempre, você sabe disso! — Ele levantou um pouco o tom de voz. — Mas não! Não é como seus primos, você prefere viver nesse mundo de fantasia com essa mulher que nem sabe que você existe!

— Pai... — A voz de Claire saiu meio enrolada porque ela não entendia muito do que ele falava.

— Isso é coisa de criança, e você já deixou de ser criança! Assim que eu chegar em casa vou me livrar daquele maldito computador e você vai sair pra encontrar um trabalho, vai ser como todos nós! Chega dessa vida!

Claire olhou confusa para a expressão irritada do pai, sentindo que o mais velho diminuiu a distância somente para segurá-la pelos ombros com alguma força, sacudindo-a.

— VOCÊ ESTÁ ME ENTENDENDO?! ESTÁ?!

Sua cabeça doía, girava e ela tinha a impressão de que seus ouvidos zumbiam.

Tudo se tornou distante num momento. Ela viu o doutor Lahey entrar, mas não entendeu absolutamente nada do que ele falava. Seu pai gesticulava nervosamente e Richard tentava contê-lo. Afundou a cabeça no travesseiro devagar, sentindo os olhos pesarem até fechá-los completamente.

Onde Está Minha Mente? (Yoav & Emily Browning)
Experimente este truque, gire-a, sim
Sua cabeça vai colapsar
Mas não há nada nela
Então você vai se perguntar: