Notas iniciais
Heeey people! XD Capítulo novo, espero que gostem

"You say you're going through changes
Everyday it seems your life is up and down
And you say that you're looking for an answer
Everywhere you look it seems
You can't be found."

[Tris]

Eu e Tobias estávamos em uma relação difícil de explicar. Não éramos namorados apesar de estarmos nos portando como tal perante a mídia. Nos primeiros dias, fomos quase estranhos um para o outro e de vez em sempre, fazíamos sexo bom e casual, depois éramos estranhos novamente. Mas ainda havia o bebê e decidimos colocar isso em um parâmetro acima de qualquer outra coisa, antes de tudo éramos pais, o resto vinha depois. Nós só não sabíamos exatamente o que o resto vinha a ser, não estávamos apaixonados e nem caindo de amores um pelo outro, mas ainda éramos mais que amigos...

Brigávamos muito e por motivos estúpidos, a cada nova semana de gravidez, meu humor tornava-se pior e mais insuportável. Mas Tobias ainda estava ali, me beijava com gosto de chá de hortelã e fazia uma deliciosa massagem indiana que me derretia até os ossos. E quando era impossível lidar com meus rompantes, ele saía e me comprava sorvete de pistache orgânico e eu o beijava com lábios verdes e gelados. Ele sabia como me acalmar, sabia como me beijar e fazia o melhor sexo do mundo, com uma delicadeza doce e pura e um calor inebriante. Tobias era o meu prazer culposo.

Estávamos assim, ainda haviam muitas mágoas, mas ele a cada dia, se mostrava um pai carinhoso e até meio doido, ia até minha casa e passava horas a fio conversando com o bebê. Eu tinha de expulsá-lo de casa pra ter paz.

As coisas com as produtoras estavam se amenizando conforme nos adequávamos às suas exigências. Tínhamos que vender uma imagem de namorados apaixonados e futuros pais do bebê mais comentado do momento. Posamos para revistas de moda, cinema e afins. Alguns ensaios foram realmente prazerosos de se fazer, como as fotos Submersas para Vogue Britânica, mas como nem tudo são flores, Jeanine nos arranjou alguns incômodos, como o ensaio terrivelmente fútil para a Vogue EUA.

Estávamos sobrevivendo a cada dia, movidos pelo desejo de proteger nosso bebê. Eu estava disposta a me vender como uma pessoa superficial e frívola se isso fosse o necessário para ter paz o suficiente para ir até a feira no bairro da minha casa sem ser atropelada por fotógrafos. Dávamos entrevistas em programas de TV, sites renomados e nos vendíamos como uma família feliz de comercial de margarina. Promovíamos marcas de roupas e sapatos e meu bebê acabara de ganhar uma possível marca de roupas com seu nome. Eu iria sobreviver... Estava se tornando mais fácil a cada dia.

"I've got the Midas touch
Everything I touch turns to gold or sugar
I've got the Midas touch
Baby, let me touch your body and your soul."

─ Essa é uma das maiores revistas de moda dos 50 estados. Essa capa vai ser o auge da sua gravidez...

Lucy Reigh tagarelava afoita enquanto a maquiadora dava os últimos retoques em minha maquiagem. Ela não era uma pessoa má, fútil às vezes, mas não má. Mas isso não era impedimento para que eu a esbofeteasse nos próximos minutos se ela não se calasse.

─ Lucy... Minha gravidez não é uma carreira profissional, não existe auge nisso aqui... Talvez marcos, mas auge não, não do jeito que você está falando.

Lucy pareceu chatear-se com meu comentário, mordeu o lábio e pediu desculpas tímidas.

─ Eu sinto tanto, Tris. De verdade. Sou uma idiota mesmo.

─ Não, você não é. Está tudo bem.

Ela sorriu parecendo aliviada.

─ Você pode, por favor, passar menos base na minha barriga? Essa é a minha pele e não uma parede a ser rebocada.

Comentei já irritada com a quantidade de maquiagem que a mulher aplicara em minha barriga, além de estar enjoada com toda aquela simulação de beleza fútil e frívola, o pincel sendo esfregado em minha pele esticada e sensível me incomodava profundamente.

─ Talvez se você tivesse menos estrias, eu precisasse passar menos corretivo.

A mulher falou com um ar petulante e eu estava pronta para socá-la no olho quando Jeanine irrompeu pela porta do camarim. "Sério? Essa mulher é meu carma mesmo."

— Beatrice, precisamos conversar. — Jeanine comentou com seu típico ar de superioridade que me dava náuseas.

— Sobre o que exatamente?

Perguntei enquanto acenava para a maquiadora sair. Agradeci friamente e ouvi um resmungo como resposta.

Levantei-me com certa dificuldade, a barriga já estava pesando. Jeanine me olhou com certa repulsa, sentimento especialmente dedicado ao meu ventre. Eu quis esmaga-la por isso.

— Sobre isto.

Jeanine retirou algumas folhas de dentro da sua bolsa e estendeu para mim. Deixei-a esperando por alguns minutos enquanto cobria minha barriga com um roupão de banho. Ela pigarreou impaciente, duas vezes.

— Está com algum problema de garganta, Jeanine? Posso te conseguir uma bala de gengibre, ou de arsênico, quem sabe.

Jeanine bateu os dedos nas folhas de maneira irritada, cruzando os braços logo em seguida.

— Pegue isso logo. Não estou para brincadeiras.

Ela afirmou crispando os lábios.

— Quem disse que estou brincando?

Agarrei o papel da sua mão e vi seu rosto tomar uma tonalidade quase roxa. Xeque vadia!

No entanto, minha satisfação não durou muito quando li a pequena notícia.

"Fãs de Tris Prior são espancadas em café no Shopping Local"

As donas do site "Trislovers.com" foram agredidas por seis garotas ainda não identificadas. Thayla (22) e Claire (23) foram levadas ao Hospital Geral de Nova York com ferimentos leves. Nenhuma das duas veio a público falar sobre o incidente, mas testemunhas afirmam que uma delas sofreu um ferimento grave na cabeça."


Senti uma vertigem turvar meus olhos e tive que me apoiar na bancada de maquiagens para não cair. Meus olhos arderam e eu quis chorar, gritar e esmurrar algo, mas estava trêmula e desnorteada demais para fazer qualquer uma dessas coisas.

Senti minha respiração falhar.

Atacadas... Atacadas e feridas... Por minha culpa. Minha culpa. Não pude conter o choro. Apertei a folha com força em meus dedos. Esse era o limite.

— Onde elas estão? Como estão? — Perguntei fitando o papel amassado diante de mim.

— Não sei.

Jeanine respondeu muito despreocupada.

— Descubra! — Gritei. Meu corpo tremia e eu não conseguia pensar direito.

— Não grite comigo, não sou sua empregada. — Jeanine respondeu com certo divertimento na voz.

— Você é mesmo uma inútil, não é? — Falei enquanto buscava um lugar melhor para me apoiar.

— Pelo visto os fãs não estão muito distantes do ídolo... Quanta baixaria. —Jeanine comentou cheia de sarcasmo e eu quis quebrar seus dentes. — Resolva isso, Tris. Rápido. — Ela afirmou séria, mas logo exibindo um sorriso cínico quando Tobias adentrou o local.

— Ela tem que resolver o que exatamente, Jeanine?

Ele parecia tranquilo quando chegou, mas sua expressão pareceu distorcer-se ao me olhar diretamente. Seu olhar se encheu de raiva e ele avançou contra Jeanine. Agarrando pelo braço com força.

— O que você fez sua maldita? O que você fez?

Sua voz era forte e ameaçadora. Tive medo que ele a agredisse fisicamente.

— Eu? Eu não fiz nada, as fãs da sua queridinha é que foram agredidas por outras fãs histéricas! — Virgínia resmungara indignada. — E agora, a senhorita Prior precisa resolver essa situação.

— Eu não preciso resolver a situação, eu preciso ver como elas estão, só isso! — Falei nervosa — Ajudar com despesas do hospital... A culpa é minha!

— Tris... Tris, não é seguro você ir até elas. Vamos até um programa de TV, dar uma entrevista, comentar sobre isso... — Tobias dissera um tanto receoso.

— Concordo. — Virgínia disse como quem não queria nada.

Eu senti a raiva borbulhar dentro de mim e peguei o primeiro vidro de perfume que vi na frente e atirei nela, ouvindo o som do vidro se espatifando e o cheiro forte da fragrância se espalhar pelo set de fotografia.

— PRO INFERNO VOCÊS DOIS! EU NÃO VOU DAR PORRA DE ENTREVISTA NENHUMA!

— Tris, é perigoso você sair...

— EU ESTOU TENDO UM BEBÊ, NÃO ESTOU COM CÂNCER!

Tobias franziu os lábios.

— Nós sabemos disso, Tris... Se acalme, por favor. Pode fazer mal pra você e pro bebê, nosso bebê, por favor...

Eu respirei fundo, jogando um vidro de base no chão, olhando feio para Jeanine que parecia se divertir com meu descontrole.

— VOCÊ FEZ ISSO!

— Senhorita Prior, é feio fazer difamação.

Tobias teve que segurar com mais força para que eu não avançasse contra Jeanine.

— COMO SE O QUE FIZERAM COMIGO NÃO TENHA SIDO ISSO, NÃO É? SAIA DAQUI AGORA, SUA PUTA!

— Senhor Eaton, é melhor controlar a mãe de seu filho... — Jeanine suspirou pesadamente. — Vou marcar a entrevista, e mesmo esperneando, senhorita Prior, você irá dar essa entrevista, dirá que sente muito pelas garotas e vai manter a imagem que nós criamos pra você.

— Como se atreve a me dar ordens?!

— Tris...

Tobias me segurou com suavidade, colocando-se à minha frente, encobrindo minha visão de Jeanine.

— Ela só vai dar a entrevista se quiser, Jeanine. Agora vá embora, não precisamos da sua presença para tomar decisões.

— Tire suas mãos de mim!

Desvencilhei-me dos braços de Tobias e arremessei a primeira coisa que vi em Jeanine. E lá se vai meu terceiro celular essa semana.

Jeanine rosnara, decidindo largar a notícia e foi embora pisando duro, fazendo-me derrubar tudo o que tinha em cima da penteadeira, apoiando as mãos sobre a mesma.

Tobias ficara a certa distância de mim, e provavelmente estava esperando por mais alguma reação histérica de minha parte, mas... Aos poucos tudo foi se tornando real. A culpa atingiu com força e eu solucei, sentindo lágrimas gordas rolarem por meu rosto.

— Ei... Tris. Está tudo bem.

Tobias segurou meus ombros com suavidade. Suas mãos seguindo o ritmo dos meus soluços.

— Só vai ficar tudo bem quando eu ver essas garotas e implorar por seu perdão. Foi minha culpa.

Afastei-me do seu toque. Às vezes, Tobias era meu único conforto, meu porto em meio ao mar revolto. Era minha segurança e eu me agarrava a ele com unhas e dentes e isso me fazia bem. Mas outras vezes, como esta, estar com ele só me causava mais angústia e tristeza. Nessas horas onde ele novamente demonstrava todo seu egoísmo latente, ele me enojava.

— Tris, não foi sua culpa...

— Como não?! Elas apanharam porque gostam de mim, porque me defenderam publicamente! Parece uma praga. Tudo que eu toque é arruinado... ─ Afirmei ainda trêmula.

─ Você está grávida, não pode sofrer esses sobressaltos.

─ Mate Jeanine e eu te garanto que não terei mais nenhum estresse.

Ele soltou um risinho pelo nariz e me abraçou devagar, como se esperasse a rejeição já comum. Eu não o afastei, encostei meu corpo no seu e senti o bebê se movimentar em meu interior.

─ Sentiu o chute? ─ Perguntei.

─ Senti.

Parecia loucura, mas ela sempre mexia mais quando Tobias estava perto. Abracei seu dorso e aspirei seu cheiro amadeirado e sorri contra seu pescoço.

─ Nossa relação está cada dia mais complicada, não é? ─ Perguntei.

─ É, mas isso nem é de todo ruim. ─ Ele respondeu beijando o topo da minha cabeça.

─ Eu irei à Nova York... Você pode ficar se quiser...

Afirmei sinceramente.

─ Shai, qual parte do "eu nunca mais te deixarei sozinha" você não entendeu?

Ele me olhava com firmeza e eu quis me perder na profundeza dos seus olhos. Tão escuros e fortes. Tão seguros e ao mesmo tempo enigmáticos...

─ Partimos amanhã. Tudo bem? ─ Ele perguntou enquanto beijava minhas bochechas molhadas de lágrimas.

─ Tudo bem.

(Midas Touch — Ellie Goulding)

Primeiro verso:

" Você diz que está passando por mudanças
Todos os dias parece que sua vida é para cima e para baixo
E você diz que está procurando uma resposta
Onde quer que você olhe parece que
Você não pode ser encontrado."

Segundo Verso:

"Eu tenho o toque de Midas
Tudo que eu toco se transforma em ouro ou açúcar
Eu tenho o toque de Midas
Baby, deixe-me tocar seu corpo e sua alma."