Notas iniciais
Gente..... GENTE. GENTE. GENTE TÔ MORTA. Mais uma recomendação, cêis tão tentando matar a gente?! UAHSUAHSUAHSUHAUSHA Eu me engasguei e quase faleci. -q Dona Elenor também não ficou muito diferente, mas enfim XD Pra vocês que são lindas, Carol Prior sua linda que deixou recomendação, obrigada *-* E vamos ao capítulo que, só pra contrariar e fazer o forninho cair... Tem treta! -q xoxo

"Clinging to me

Like a last breath you would breathe

You were like home to me

I don't recognize this street."

"Houve um tempo em que as coisas ficaram verdadeiramente sombrias. Eu me lembro de pensar que a ali havia chegado o fim de tudo, mas desisti não era uma opção, porque você ainda estava lá e eu precisava ser forte para você, porque você sempre teve toda a força do mundo e isso sempre me fascinou. Você é meu destino escrito nas estrelas, Tris. Você é amor estrela cruzada e não importava o quanto estivesse escuro e eu estivesse perdido, eu sempre era atraído até você como os planetas são atraídos pelo sol. Você é meu sol."

[Luminous Magazine, Outubro de 2014 — Trecho dos votos matrimoniais feitos por Tobias Eaton para Beatrice Prior.]

[Tris]

"I know it wasn't always wrong

But I've never known a winter so cold

No, I don't want my hands in the cold but I still hope

'Cause this is how things ought to have been."

As coisas pareciam mais quietas aquela manhã, quietas, não calmas. Ainda havia toda aquela tensão e medo, como se a qualquer segundo, as paredes fossem desmoronar me expondo ao terrível perigo que espreita lá fora. Eu sentia os olhos vítreos das câmeras me olhando, esperando um deslize, uma cortina aberta e pá! "Fotos exclusivas de Beatrice Prior tomando chá..." e venderiam tais imagens ao preço de uma nova descoberta científica. Como se me ver de cara inchada e cabelo desgrenhado fosse a cura pro câncer.

Eles estavam lá fora, em seus carros discretos ou não, quase acampados na minha calçada, por essa razão, minha mãe tratou pessoalmente de se certificar de que as janelas ficariam permanentemente fechadas e que ninguém sairia sem permissão. As faxinas foram cortadas e o jardim também foi posto em segundo plano. As revistas e jornais foram cancelados e ela garantiu que os computadores fossem trancados longe do meu alcance, que metade dos canais da TV fosse bloqueados e que só um telefone funcionasse, o da suíte dela. Minha mãe estava paranoica e eu estava sendo contaminada pelo medo dela. Ela acreditava que poderia me proteger daquilo tudo e eu queria acreditar que sim, eu tinha que acreditar. Mas estava sufocando, a cada segundo que passava, a convivência tornava-se mais insuportável. Eu precisava de ar e de liberdade. Eu precisava...

Foi por isso que essa manhã, fui até meu antigo quarto, o mais próximo do sótão, ainda tinha a mesma decoração de antes, de quando eu era só "a garota da série sobre adolescentes grávidas". Era um tempo bom... Muito bom. Fui até a janela, estava trancada, mas isso não era problema. Soltei o fecho e abri-a devagarzinho. O ar era fresco e com cheiro de grama. Ignorei as pessoas na calçada, fossem fãs ou paparazzi. Apenas ignorei-os. Foi um momento bom e por alguns segundos, eu fui apenas a garota grávida de série alguma.

Mas nada dura, não é? Tudo aconteceu muito depressa, num segundo eu estava lá, recostada à janela, sem ser notada, e no outro, câmeras piscavam seus flashes e pessoas gritavam. Eu fechei a janela e me afastei, o coração acelerado. Um segundo depois, o vidro estourou e algo sólido passou voando por mim, os estilhaços do vidro cobriram o chão. Eu caí e gritei. Outra pedra e a segunda janela se partiu. Encolhi-me no chão e protegi o rosto, esperando por mais. Minha garganta fechando pelo pavor. Senti uma ardência em meu braço, apalpei-o e senti que havia um pedaço de vidro enfiado abaixo do meu ombro. Era uma dor rasa, quase dormente. Gritei por minha mãe. Ela estava certa, aquelas pessoas eram monstros.

Senti uma dor lancinante encher meu ventre, como uma cólica vinte vezes mais forte. Encolhi-me contra a parede e chorei alto, apavorada por senti o sangue morno escorrer por minhas coxas. Minha mãe chegou ao quarto em segundos, então tudo ficou turvo e eu só me lembro do Doutor Lahey, me dizendo para ser forte. O Dr. Lahey era uma pessoa boa, nem todos eram monstros.

"DO CÉU AO INFERNO."

Beatrice Prior, atriz protagonista de franquia milionária, conheceu de perto o peso desta sentença. Do topo do mundo ao fundo do poço. A queridinha de Hollywood está agora envolvida em uma terrível trama da qual ela não pode recusar o papel. Após o vergonhoso incidente do desmaio durante a premiação do Oscar, a carreira da jovem estrela entrou numa espiral destrutiva, quando o escândalo da gravidez não planejada tomou proporções maiores e mais problemáticas que uma simples polêmica midiática. O bebê de um bilhão de dólares é uma grande ameaça econômica à duas das maiores produtoras do cinema mundial. Será que Tris, que vem se mantendo reclusa e inacessível pelos últimos dois meses, sabe o preço e peso do seu erro?

[Matéria da Zap Star UK : A queda da Estrela]

"Please don't close your eyes

Don't know where to look without them

Outside the cars speed by

I've never heard them until now."

Abri os olhos devagar, sentindo-me devastada pela claridade, levando alguns instantes para reconhecer a figura preocupada perto de mim: doutor Lahey. Ele estava sério, fazendo anotações em uma prancheta enquanto me olhava vez ou outra.

— Senhorita Prior. — Comentou com um fraco sorriso.

— M-meu bebê... — Eu gemi, abrindo os olhos totalmente antes de tocar meu próprio ventre.

— Está tudo bem, você não o perdeu.

Senti-me aliviada como se mil toneladas fossem tiradas dos meus ombros. Eu queria chorar, chorar de alegria, um equilíbrio para todas as lágrimas tristes que derramei nos últimos dias. Lágrimas de alívio pelo pavor que senti a me ver sangrando como se houvessem me cortado o ventre. O pavor de ver minha pequenina criança escapando de mim como se fosse algo mau que o corpo expulsa. Ele não era mau. O mundo era, ele não.

─ Ela abortou? Diga-me!

Os gritos soaram no corredor e minha cabeça pareceu girar. Eu odiava aquela voz.

Virgínia entrou no quarto, os saltos batendo no chão e fazendo um eco perturbador. ─ Por favor, doutor. Mostre que tem alguma utilidade e diga-me que o feto está morto.

— Por sorte... Não. Ele está bem. E a senhorita Prior também, caso isso lhe interesse depois dos bilhões de dólares. — Richard dissera áspero.

Jeanine não disfarçou sua frustração ao saber que meu bebê estava bem. Tudo que eu queria era estraçalha-la. E esse sentimento foi o mais poderoso que já senti e naquele momento eu soube o que tinha de fazer.

─ Deixe-me a só com ela. Doutor.

Jeanine ordenou com frieza e eu tive medo que ele saísse, não confiava nela.

─ E correr o risco de você tentar asfixia-la com um travesseiro? Melhor não. Eu fico.

As palavras do médico me acalmaram de imediato.

— Muito bem. Tris acha que aquilo vai ser o fim? Não, é apenas o começo, você vai ver coisas ainda piores.

Troquei um olhar com meu médico e me senti confortada por seus olhos escuros e serenos. As palavras de Jeanine me atingiam, mas não tanto.

— Parece que estou carregando o anticristo e não uma criança normal pelo que estou notando. — Falei, dando de ombros.

─ Não se engane. Quando se fala em negócios cinematográficos, o anticristo traria menos problemas que essa criança...

Jeanine dirigiu um olhar enojado ao meu estômago e eu tive receio de que de alguma forma aquilo pudesse atingir meu bebê. Protegi meu ventre com as mãos.

─ Saia! Saia daqui agora e se voltar a me procurar que não seja em ambiente estritamente profissional, eu te processo por perseguição e ameaça. Agora saia!

Gritei e o doutor segurou-me pelo ombro, me impedindo de levantar.

─ Fique calma.

Ele pediu suavemente.

Jeanine ficou parada ali mesmo, sorrindo com desdém por ter conseguido me atingir e o doutor Lahey pigarreou antes de falar suavemente.

— Você já deu sua opinião sem que ninguém tenha requisitado, senhora. Agora saia, ouviu a senhorita Prior.

─ Eu saio. Mas não se esqueça, essa criança não é só sua. Ela tem um pai, que assim como eu, tem pensamentos bem sensatos quanto a isso. Tobias não quer esse bebê. Ninguém o quer. Só você, por puro capricho. Uma criança concebida em meio à euforia de drogas e álcool. Hum... É um castigo e não uma benção.

As palavras dela me atingiram como um soco. Tobias não queria o bebê. Ele não queria. As lágrimas me escaparam e eu me senti zonza.

Os soluços escaparam de minha boca e por um momento o doutor Lahey ficara estático, olhando feio para Jeanine que saíra vitoriosa do quarto. Vitoriosa por me fazer sentir um nada... Apenas um meio de ganhar dinheiro, que estava quebrado e que precisava ser concertado.

— Senhorita... Tris. — Richard dissera crispando os lábios, mantendo as mãos em meus ombros. — Eu... — Ele engoliu a seco por um momento enquanto eu chorava baixo.

Sua mão se enfiara no bolso do jaleco e de lá ele tirou uma folha amassada de sulfite.

— Leia isso, senhorita Prior. Depois me diga o que achou. Não vou deixar aquela mulher vir mais aqui para te importunar.

"NÃO TENHA MEDO"

Nunca pensei que fosse escrever algo tão... Tão óbvio nesses dois anos do Trislovers.com, mas infelizmente é necessário porque ultimamente só estamos vendo a negatividade e o completo descaso com uma pessoa. A pessoa de Beatrice Prior. Tris está sendo tratada como um objeto. Um objeto que está esperando outro objeto que pode muito bem ser descartado para o bem de duas grandes produtoras de cinema. A Lionsgate nos deu muitas oportunidades de visitar os sets de filmagem e até mesmo para fazermos uma matéria no set. Mas nesse momento... Com o perdão da palavra, desejo que vão à falência e que se fodam. O bebê de um bilhão de dólares? Tris sendo crucificada?! É nesse ponto que chegamos? Tris não pode sair na rua porque tem risco de ser apedrejada por uma fãzinha histérica. De ser atacada por papparazis. Mas o que todos esquecem é que... Ela é uma pessoa. Uma PESSOA. Antes de uma celebridade, ela é um ser humano que tem sentimentos, necessidades e neste exato momento, está apavorada. Você que aponta o dedo na cara da Tris, pare. Você que a chama de puta, pare e você que acha que ela precisa morrer... Morra. Já recebemos muitos, muitos e muitos comentários de ódio dirigidos à nós por defendermos Tris no nosso vlog, por dizermos que ela é uma pessoa e que esse ódio é completamente ridículo. Irrita-me saber que a mente é tão pequena e retrógrada que não consegue aceitar nem mesmo uma gravidez de uma celebridade. Tris, não importa o que eles digam pra você. Que tentem te forçar a abortar, a vir a público... Você é forte. Você é dona do seu próprio corpo e pode decidir tudo sozinha. Não tenha medo. Estamos com você.

Equipe Trislovers.com.

Não consigo conter o choro. O Doutor Richard me olha com olhos solenes e sensíveis, uma absoluta oposição ao seu porte bruto e largo. Sorrio em meio ao choro.

─ Viu meu amor? Nem todos te veem como algo ruim. Existem pessoas boas, que te amam, como eu.

O doutor Lahey deixou o quarto alguns momentos depois e eu me senti mais calma, segurando a folha de sulfite contra meu ventre, abraçando-os. A folha e meu bebê. Tudo que eu precisava naquele momento estava perto de mim. Apenas eles e por eles, eu seria forte.

"I know you care I know it is always been there

But there is trouble ahead,

I can feel it

You were just saving yourself when you hide it."

Fiquei ali por um tempo, tentando levar minha mente para longe do caos e da fúria daquele mundo cruel e cheio de ambição. Adormeci em algum momento, ainda com a folha junto ao meu corpo. Não sei quanto tempo se passou, mas quando acordei, me sentia mais leve, quase refeita de todos os danos dos últimos dias.

A janela panorâmica do quarto deixava a luz laranja da tarde entrar, dando ao quarto um ar melancólico e solene. Tudo parecia tão calmo e sublime que por alguns minutos não percebi que estava acompanhada. Virei-me e o vi ali, recostado a parede, alto e forte, de camisa branca e calça social. Lindo e elegante como sempre, sua aura sofisticada e clara era palpável e eu o adorava por isso, olhos escuros e lábios sensuais... Era uma visão deslumbrante, mas agora tudo o que me causava era uma repulsa pesada e ácida.

— Tris... — Meu nome escapou carinhosamente de seus lábios, mas tudo que eu pude fazer foi grunhir. — Ouça, eu...

Ele parecia receoso em se aproximar, mas o fez devagar e um pouco trêmulo. Encolhi-me sobre a cama, tentando aumentar o espaço entre nós.

— Não. Eu não vou ouvir alguém que quer a morte do meu bebê.

Ele recuou alguns passos e seu olhar pareceu triste. Mas eu não acreditava nisso, todo meu corpo só conseguia reagir a um sentimento: Raiva.

— Fique longe de mim!

Ele tentou segurar minha mão, eu queria isso, lá no fundo, eu o queria aqui, seus braços a minha volta, me aquecendo e me protegendo de todo o mal do mundo. Mas isso não era possível, porque ele, e justamente ele, também era uma ameaça.

— Tris, por favor... Deixe-me falar... — Ele tentou novamente, apesar de parecer profundamente magoado.

— NÃO! EU NÃO DEIXO VOCÊ FALAR.

Meu corpo se sacudiu em soluços quase convulsivos. Doía como o inferno. Eu o odiava, odiava Jeanine e tudo que eles representavam.

— Eu sei o que vai dizer. Jeanine foi bem clara e eu também! Isso não é uma negociação. Eu já decidi.

Afirmei num grito. Minha garganta doía pelo tom áspero da voz. Meu corpo inteiro doía por estar dizendo aquilo.

— Eu sei! Não estou aqui pra brigar, Tris... Por favor... Jeanine não tem nada haver com isso. — Tobias passou a mão pelo topo da cabeça, crispando os lábios.

— É claro que você não está aqui para brigar! Você nunca briga, não é? Por nada, talvez pelo seu ego estúpido, talvez... E Jeanine está metida nisso até o pescoço. Não negue!

As palavras escapam de mim sozinhas, já não consigo pensar direito. Só quero gritar com ele. Mostrar sua fraqueza quero despedaçá-lo como queria fazer com Jeanine.

— Tris... O que você tá fazendo? Por favor, me escuta.

Ele sussurra com a voz pesada. Seus olhos estão úmidos.

Eu quero... Eu preciso ser forte. Sinto uma tontura e tento olha-lo nos olhos, mas não consigo...

— Vá embora Tobias. Por favor.

Tobias pareceu sem rumo por um momento, olhando para mim antes de assentir minimamente com a cabeça, afastando-se logo em seguida.

— Isso está tão errado, Tris. Tão errado.

Ele disse a voz entrecortada, ofegante.

— Você não pode estar fazendo isso... Sendo tão cruel, nem ao menos me escuta. Eu sou pai dessa criança...

— Não, você não é. Você é o cara que forneceu o esperma para que ele fosse concebido. Você não passa disso. Eu não preciso de você. E se pudesse voltar atrás, eu voltaria. Não por dinheiro ou qualquer coisa do tipo... Mas porque uma criança não merece ter o sangue de um homem fraco como você. Ninguém merece.

Eu sabia que estava empurrando-o para o limite e isso estava me destruindo, mas era preciso. Eu não quero Tobias perto do meu bebê, não quero que ele pense que tem algum direito sobre essa criança. Ela é minha e deixarei isso claro, nem que isso me custe toda dor do mundo.

— O que aconteceu com você, Tris?

Ele pergunta ainda de costas para mim. Seguro um soluço teimoso e tento ficar forte.

— Você era tão boa e luminosa. Nem consigo te reconhecer... Eu não sei quem é essa mulher insensata e cruel diante de mim. Eu nem sei quem é você.

Ele funga como uma criança, coisa de Tobias. Tão homem e tão menino. Ele estava chorando e talvez eu estivesse sendo má.

Eu não sinto muito, estou triste, queria que fosse diferente, mas não é. Ainda me lembro de Tori, trêmula e corada, gritando com Eric e Jeanine em minha defesa, e lembro-me também de Tobias, omisso e cabisbaixo. Ignorante em seu canto, me dedicando apenas olhares de compaixão egoísta e culpada.

— Quer saber quem sou eu? EU SOU uma mulher grávida, que deveria estar em alguma dessas reuniões de futuras mães ou algo do tipo. — Respiro fundo e continuo. — MAS VOCÊ SABE QUEM SOU EU? Eu sou uma mulher desesperada, carregando um bebê na barriga e o mundo nas costas. Eu sou uma mãe tentando defender seu bebê de monstros ambiciosos e cruéis que querem mata-lo! Matá-lo. Você ouviu? OUVIU? QUEREM MATAR SEU FILHO E VOCÊ NÃO FAZ NADA. Seu covarde!

— Tris! Acha que é a única que está apavorada?! Acha mesmo?! — Tobias esbravejou. — Acha que eu não estou com medo?! Eu estou, estou apavorado! Mas não quero deixar... Deixar você sozinha com isso! O que você esperava que eu fizesse lá? Que entrasse em histeria como a Tori? Não... Eu não sou assim, e você sabe! Se não me quer por perto, tudo bem, mas o bebê também é meu. E eu quero vê-lo, ajudar com o que eu puder!

Talvez aquilo doesse mais em mim do que nele, e quando ele deu um murro na parede, eu solucei mais. Ele ficou de costas para mim, encostando a testa no local que acabara de esmurrar.

— Eu não preciso de você! Meu bebê não precisa de você. Você foi um erro, uma transa qualquer da qual eu nem ao menos me lembro. Você não é nada para mim e nem para MEU BEBÊ! MEU...

Meus gritos são sufocados pelo choro. Meu corpo inteiro treme.

Tobias avança sobre mim e por um segundo vejo-o esmurrando meu rosto como fez com a parede, mas ele não o faz. Para rente a cama e pressiona sua mão em meu rosto, é um toque forte, trêmulo, mas carinhoso.

— Não diga isso, eu imploro. Tris... Eu sei que você lembra, como eu lembro.

Ele fala baixinho. O rosto manchado de lágrimas. Eu sabia do que ele falava e eu lembrava, lembrava-me de tudo... Do corpo dele, quente e firme sobre o meu, dentro de mim, o peso quase incômodo de seu peito sobre o meu, colados, suados e ofegantes... Eu me lembrava de tudo como se estivesse gravado em um filme sob meus olhos. Lembrava-me de tudo, mas negaria até a morte.

— Noites como a que passamos não são transas qualquer... São marcas, como feridas... Você me marcou aquela noite Tris, enquanto eu estava dentro de você, você me dominou, me impregnou com seu cheiro, seu gosto, seu calor... Sua luz. Toda aquela euforia. Eu sei que você lembra. Por favor, não destrua isso.

Ele afirma, ainda afagando meu rosto. Sinto meu peito se dobrar ao meio, apertando e esmagando minhas entranhas. Eu queria que tudo passasse e que toda a dor pudesse ser apagada, mas não podia. Eu não o perdoaria nunca.

— Nós fizemos algo grande aquela noite, não foi?

Ele pergunta e consigo ver o sorriso em sua voz. A baixa em sua autoproteção. Era minha deixa. Respirei fundo e afastei sua mão da minha pele, olhei-o com desdém e nojo simulados, que no fim não eram tão falsos assim, eu estava muito magoada.

— Não sei. Não me lembro, agora se você puder sair, por favor.

Eu disse apenas e ele se afastou, soltou um quase grunhir e andou até a porta.

— Sabe que se eu sair por aquela porta, eu não volto. Nunca mais, Tris. Você sabe...

A voz dele não vacila, está segura. Isso está me quebrando por dentro, mas é necessário. É necessário.

— Espero que isso seja uma promessa.

Falei por fim, com a voz embargada e fria. Coloquei minhas mãos sobre meu ventre e virei o rosto para não vê-lo sair.

"Yeah, I know you care

I see it in the way you stare

As if there was trouble ahead and you knew

it I'll be saving myself from the ruin

And I know you care."

(Ellie Goulding – I know you care)

Verso I:

"Agarrado a mim

Como o último suspiro

Você era como uma lar pra mim

Eu não reconheço essa rua."

Verso II:

"Eu sei que nem sempre foi errado,

Mas eu nunca soube de um inverno tão frio

Não, eu não quero minhas mãos no frio mas ainda tenho esperanças

Porque isso é como as coisas deveriam ser."

Verso III:

"Por favor, não feche seus olhos,

Eu não sei pra onde olhar sem eles

Lá fora os carros passam,

Eu nunca os ouvi até este momento."

Verso IV:

"Eu sei que você se importa

Eu sei que sempre esteve lá

Mas existe problemas adiante, eu posso senti-los

Você só esta salvando a si mesmo quando se esconde."

Verso V:

"É, eu sei que você se importa

Eu vejo no modo que você me observa,

Como se houvesse problemas adiante e você soubesse

Eu estarei salvando a mim mesma da ruína.

E eu sei que você se importa."