Wicked Game
2 High for This
Notas iniciais

Open your hand
Take a glass
Don't be scared
I'm right here
Even though you don't roll
Trust me, girl
You wanna be high for this
Havia algo em festas de celebridades que me incomodava profundamente, ou melhor, em festas no geral. Pareciam tão... Fúteis e entediantes. As pessoas se aglomeravam, riam e bebiam sem motivo como se aquilo lhe trouxesse uma sensação de tranquilidade, onde deixavam suas vidas e problemas de lado, onde patrões fingiam ser amigos de funcionários para que estes se sentissem acolhidos e não acuados. E era esse o objetivo ali. Que todos se sentissem bem-vindos, ou pelo menos aquele seleto número de convidados. As mulheres em vestidos apertados com decotes demais e pano de menos, os homens com seus ternos iguais como se fossem aqueles bonequinhos todos dentro das caixas. O mundo Hollywoodiano não é glamouroso. Ele é, na verdade, uma eterna competição.
Quem é a mais bonita? A mais polêmica? Quem levava mais mulheres e homens para a cama... Tudo isso estava em jogo. Atuar, pelo que eu compreendia quando olhava aquela festa, era o de menos, o que realmente importavam eram os cachês e a popularidade, numa versão distorcida do colegial. Suspirei, sorrindo sem graça para um grupo de mulheres que cochichava ali perto, dando um gole em meu drink laranja neon, ou seja lá que diabo de cor era aquela. Era um pouco amarga, mas não era de todo ruim.
Suspirei, posando com um sorriso falso quando um fotógrafo se aproximou e o flash de sua câmera me cegou momentaneamente. Já tinha virado costume minha falta de sinceridade para com paparazzis, porque apesar de serem pessoas que estavam trabalhando para se sustentar, eles me irritavam com aquela necessidade de estarem fotografando qualquer ação de uma pessoa famosa.
Passei os olhos pelo salão de festas. As luzes fortes vibravam e enchiam o lugar com uma sensação torpe de caos e aquelas pessoas pareciam realmente desesperadas por essa promessa. Caos.
O DJ anunciou que as garrafas de champagne haviam chegado e um burburinho histérico encheu o lugar. A chegada do champagne é o ápice de uma "boa" festa de celebridades. Era um ritual de ostentação e luxúria vulgar, sempre por volta da meia-noite, dúzias de belas garotas em vestidos mínimos adentravam o salão carregando uma fortuna em garrafas de champagne. Então tudo se amplificava por mil, a euforia, o delírio e a minha irritação.
Uma música muito agitada anunciou o início do espetáculo. Um zumbido agudo atingiu meus tímpanos, era quase doloroso.
─ Merda!
Saí do bar e tentei me afastar do palco, mas isso era quase impossível, já que me colocava na contramão de todos ali, todos queriam chegar mais perto. Tomar do champagne de 50.000 dólares e se encher daquele frenesi vazio. Eu só queria ir pra longe. Tenho certeza de que acotovelei umas dez pessoas na minha tentava de fuga, não propositalmente, mas não digo que foi algo indesejado.
Depois de muito esforço, consegui chegar à área das mesas, onde estava relativamente mais calmo que o resto do espaço, mas não totalmente, antes que pudesse pensar em qualquer coisa, um corpo atingiu o meu com brusquidão, quase me mandando para o chão, eu estava pronto para gritar um grande xingamento quando vi de quem se tratava, Tris.
─ Oh meu Deus. Eu... Eu machuquei você? Desculpe-me, por favor.
Ela parecia confusa com o que tinha acontecido, pedia desculpas afoitas enquanto gesticulava de maneira afetada, me encarou por alguns minutos e só então pareceu compreender tudo.
─ Tobias? ─ perguntou a voz quase coberta pela música alta.
Ela se afastou alguns passos e soltou uma risada eufórica e desconcertada. Cambaleou um pouco e se apoiou em meu braço, segurando com firmeza, como se realmente fosse cair se não o fizesse.
─ Tris, você está bem? ─ Eu perguntei sinceramente preocupado.
─ Ehhh... Eu?
Ela perguntou com um sorriso meio estúpido, as palavras soando arrastadas, soltou um muxoxo e franziu a testa, apertando os olhos num longo momento de concentração. Aguardei sua resposta com paciência, mas já sabia que ela não estava bem, isso era claro.
─ Não muito... Estava procurando o banheiro quando o champagne chegou. Então eu pensei em pegar uma, sabe? Eu sempre quis...
Ela respondeu por fim, gesticulando muito enquanto falava, mas parou no meio da frase e deixou as palavras morrerem na garganta, como se tivesse voltado atrás do que ia dizer.
Cambaleou mais uma vez e desta vez eu me antecipei, levei minhas mãos a sua cintura e segurei com firmeza. Ela sorriu e segurou meu braço.
─ Sempre quis o que? ─ Perguntei.
─ Uma dessas champagnes...
Ela se desvencilhou dos meus braços e apontou para o palco onde as garotas distribuíam as garrafas.
─ Eu sempre quis, mas nunca consegui pegar. ─ Completou e cruzou os braços sobre o estômago, como uma criança birrenta.
Eu sorri, um sorriso nervoso e antinatural. Tris Prior, defensora de causas ecológicas e afins. Fazendo birra por uma garrafa de champagne. Tinha de ser uma piada.
─ Está rindo de mim? ─ Ela franziu a testa e me encarou com uma versão cômica de um olhar bravo.
─ E tem como não rir?
Eu não tinha intenção de magoá-la, mas ela reagiu de uma forma inesperada. Me olhou com um misto de ódio e infantilidade e bateu em retirada, tropeçando nos próprios pés, esbarrando nas pessoas e pedindo desculpas a todos e a ninguém especificamente. Eu poderia ter deixado pra lá. Esquecido dela. Poderia ter ido até o bar da entrada, pedido um táxi e em alguns minutos, estaria no hotel e logo na minha cama muito confortável. "O que de tão ruim poderia acontecer? Ela é adulta, sabe se cuidar." uma parte de mim queria ignorá-la e ir embora.
“Ela é sua amiga. Precisa de você." Mas a outra parte dizia que ela poderia cair e quebrar um braço poderia ser atacada ou roubada... Uma infinidade de coisas terríveis que poderiam acontecer, ela mal se mantinha de pé. Era meu dever protegê-la. E foi o que eu fiz.
Corri até o meio da multidão, empurrando pessoas, abrindo caminho e ouvindo xingamentos em resposta, não dei atenção. Encontrei Tris já bem próxima ao palco, mas ela parecia ter desistido de sua empreitada, estava recostada em uma das figas de iluminação e tinha uma expressão frustrada e triste, uma tristeza que claramente não era genuína.
─ Tris? Ai está você. Estava te procurando, me desculpe por ter rido de você, Ok?
Eu falei sinceramente, apesar de saber que ela provavelmente não me compreendia. Ela sorriu quando me viu, um sorriso largo e ébrio.
─ Você está bem?
─ Alguém pisou no meu pé. Está doendo.
Ela tinha um olhar vago, disperso, como se estivesse olhando para tudo e nada ao mesmo tempo. Fez um bico e veio mancando até mim. Envolvi meus braços em sua cintura e a apoiei em meu ombro. Ela me olhou com gratidão e aquilo pareceu real pra mim.
─ Vamos embora. Você precisa descansar.
─ Mas eu quero um Champagne. ─ ela fez cara de choro e eu tive que me segurar para não rir.
─ Se eu conseguir um Champagne para você, você vai pra casa comigo?
─ Vou a qualquer lugar que você quiser, Senhor lobo. ─ Ela sorriu e abraçou meu pescoço, beijando minha bochecha em seguida.
Ela me chamava assim às vezes, dizia que eu tinha um olhar de predador e que parecia sempre propício a devorar alguém. Eu ria muito dessas estranhas analogias dela, mas fazia sentido às vezes. Ultimamente, eu estava muito propício a devorá-la. Em todo sentido pecaminoso que isso possa ter.
─ Então Chapeuzinho, prepare-se para ir. Eu já volto com sua Champagne.
*** ***
Então, foi o que eu fiz. Depois de deixá-la na área das mesas, onde era mais seguro, eu fui até o bar e paguei 100 dólares de suborno ao Barman que em menos de cinco minutos, estava de volta com uma garrafa de Champagne. Os olhos de Tris brilhavam para a garrafa quando saímos da Boate, tive um imenso trabalho para convencê-la de que era melhor abri-la no Hotel. Ela fez bico, mas cedeu. O táxi chegou mais depressa do que eu esperava. O taxista, um homem calvo e de meia idade, me dirigiu um olhar severo e estranho, como se soubesse de algo que eu não sabia. Como se estivesse cometendo um crime e ele houvesse me descoberto.
Tris riu alto de algo inespecífico e quase caiu quando tropeçou nos próprios pés. Cambaleou e voltou para meus braços como uma criança busca colo após um erro.
*** ***
Eu tive que me desdobrar para enfia-la no táxi, vi que o motorista já estava impaciente e tive que ameaçá-la para que ela me atendesse. O caminho fora longo e Tris parecia estar disposta a me deixar louco. Fez gracejos irritantes com o motorista, gritou obscenidades a alguns pedestres e por fim, após receber uma bronca raivosa, deitou-se no meu colo e ficou quietinha, com os olhos fechados, parecia estar dormindo, mas não estava. Observei seu rosto por alguns instantes e como que por um impulso involuntário, sussurrei em seu ouvido: "Você é linda, Tris." Ela não respondeu, mas sorriu, o primeiro sorriso genuíno da noite. Eu a conhecia o suficiente para saber. Eu sabia.
*** ***
Chegamos ao hotel em 20 minutos. Tris saltitou pelo estacionamento e tive que pagar o táxi às presas para não deixá-la sozinha. Disse ao motorista que ficasse com o troco, ele agradeceu com um sorriso torto e antes que eu pudesse sair, ele segurou meu pulso e disse:
─ Dê à moça uma boa xícara de café forte e um banho frio. Mas não a deixe sozinha, isso aí não é coisa de álcool. É coisa pesada, droga de estelionatário. Eu sei das coisas, meu rapaz. ─ As palavras do homem me atingiram como um choque. "Droga de estelionatário". Isso quer dizer que Tris foi drogada por algum golpista.
─ Acha que devo chamar a polícia? ─ perguntei.
─ Acho que não. Se o golpe não se concretizou, não há o que denunciar. ─ Ele respondeu sério.
─ Mas... Alguém naquela festa, deu algo pra ela. Isso é muito grave.
─ Ou ela pode ter se drogado sozinha... — Ele afirmou e eu enrijeci meu corpo. Tris nunca faria isso, mas ele prosseguiu seu discurso calmo e cheio de certeza. ─ Não quero ofendê-lo, mas entenda que a polícia não gosta do seu tipo. Sempre arranjando problemas com drogas e rachas... Eles provavelmente usarão a saída mais lógica. Dirão que ela se drogou e sua amiga provavelmente estará nas revistas de domingo por isso. ─ Era horrível admitir, mas ele estava certo.
Seria impossível dizer quem foi e Tris seria exposta por nada. Por pior que isso pudesse parecer, era melhor deixar as coisas como estavam. Tris estava bem e era isso que importava.
Eu acenei e agradeci, principalmente pelos conselhos. Pensei enquanto o táxi saía do estacionamento.
O meu momento de reflexão durou menos do que eu desejava. Tris gritou por mim e gargalhou alto feito uma maníaca. Me chamou de Senhor Lobo e pediu ajuda. Segui até ela o mais depressa que a minha já quase esgotada paciência permitiu.
─ Mas o que diabos aconteceu aqui?
Tris estava no chão, tinha tirado os sapatos e havia um rasgo e seu vestido e um arranhão na coxa.
─ Eu caí. Fui tirar os sapatos e caí.
Ela fez beicinho e olhou para o arranhão em sua coxa. Não pude conter o riso. Ela parecia mesmo uma criança que caiu e esfolou os joelhos.
─ Isso está doendo. Pode me ajudar a levantar? O mundo está dando voltas.
*** ***
Tive que carregá-la até o elevador, já que além de seu estado alterado, agora havia também as insistentes reclamações sobre o arranhão na perna.
Ela agarrou meu pescoço e balançou as pernas no ar. Agora, tendo seu rosto tão perto, as palavras do taxista faziam cada vez mais sentido, Tris não cheirava a álcool. Não estava bêbada.
─ Me deixa descer...
Ela saltou para o chão e se desequilibrou por um segundo, mas logo disparou numa corrida desengonçada e só parou quando chegou ao elevador. Apertou o botão do nosso andar, a cobertura, e esperou que as portas se abrissem. Ela riu enquanto entrava no elevador, quase caindo no processo. Adentrei logo depois dela. Tentando manter meus pensamentos organizados e ao mesmo tempo evitar que ela quebrasse o nariz ou algo assim.
*** ***
Tris cantarolou uma canção infantil e eu logo percebi que era a música da Chapeuzinho Vermelho, aquele era um jogo perigoso para mim e eu queria que Tris entendesse isso. Tudo que ela fazia ou dizia me levava a pensamentos impuros e se autointitular Chapeuzinho Vermelho enquanto me chamava de Lobo Mau não era uma boa coisa a se fazer.
─ Cante comigo, Senhor Lobo.
─ Nem morto. E você tente não ter um traumatismo craniano antes de chegarmos ao quarto.
Tris fez cara de choro e sentou-se no chão. O movimento brusco fez com que o rasgo em seu vestido crescesse um pouco mais. Deixando à mostra sua virilha coberta pela Lingerie. "Não olhe. Não. Olhe!" minha consciência gritou.
─ Você é mau e eu odeio esse vestido.
Ela enfiou os dedos entre o tecido e num movimento firme, rasgou-o até rente aos seios, ali uma costura horizontal impediu-a de prosseguir. Eu agradeci por isso.
─ Tris... O que você está fazendo?
─ Estou ficando nua, Senhor Lobo.
Ela se levantou e caminhou até mim, ficando a um metro de distância, ou menos. Arrancou um pedaço do tecido e jogou longe.
─ Para que você possa me ver melhor.
Seu dorso estava completamente exposto. Da barriga às coxas. Tentei afastar meu olhar do seu ventre, mas fora impossível. A lingerie era preta e transparente, o relevo ali era suave. Aquela delicada curva era a minha perdição.
“Controle-se! Controle-se!"
─ Para que você possa me cheirar melhor, Senhor Lobo.
Ela passou a língua pelos lábios e me beijou suave e rapidamente. Enfiou as mãos em meu cabelo e me puxou até rente o seu pescoço. Aspirei com força. Cheirava a sálvia e maracujá. Mordisquei sua pele suave e a ouvi ofegar.
─ Você pode me comer se quiser, Senhor Lobo.
Ela deslizou as mãos por minha barriga e parou ao chegar a minha virilha.
─ Pode me devorar...
Seus dedos abriram meu cinto com extrema destreza, o que me fez acreditar que ela já não estava tão chapada. Ou talvez eu quisesse acreditar nisso para diminuir minha culpa por querer possuí-la ali mesmo. Beijar entre suas coxas, me enterrar em seu sexo e fazer isso até desmaiar de cansaço. Ela segurou meu membro com firmeza, seus dedos delicados mandando mil correntes elétricas por todo meu corpo.
─ Tris... Por favor.
As portas do elevador se abriram e todo o nosso êxtase se partiu. Ela se afastou e me olhou confusa. Encolheu-se ao perceber sua nudez e saiu do elevador. Senti um peso horrível se instalar em meu estômago. "Ela estava fora de si."
─ Tris... Espere.
Estava sentada no corredor, recostada da parede. Tinha os olhos marejados e fazia beicinho.
─ Não sei onde fica meu quarto.
─ Não importa. Essa noite você dorme comigo. ─ Afirmei e ela me olhou assustada ─ Oh... Quero dizer, no meu quarto... Certo?
Tirei meu paletó e entreguei a ela, ela o colocou sobre os ombros e o enrolou no corpo. Cobrindo seu ventre, mas ainda deixando as coxas de fora.
─ Certo. Pode me ajudar?
Ela estende a mão para mim e eu a ajudo levantar.
*** ***
O meu apartamento era dividido em quatro áreas. Havia um hall de entrada que levava a uma sala de TV, uma copa bem equipada e a suíte com um banheiro do tamanho do meu quarto na faculdade.
Tudo era amplo e requintado, mas sempre me incomodava muito pela simetria e impessoalidade. Tris também não gostava de quartos de Hotel, me disse isso no dia em que nos conhecemos. Mas algo me fez acreditar que hoje ela não se importava muito com o lugar. Logo que adentrou o "AP", ela jogou os sapatos em um canto e se atirou no sofá, ficando quieta por um tempo, tão quieta que pensei que tivesse adormecido.
─ Tris?
─ Aqui.
Ela respondeu com um quase miado. Estava quase apagando.
─ Vou fazer um café pra você. ─ Afirmei indo até a copa.
─ Cadê meu Champagne?
Foi então que eu me lembrei da bendita garrafa. A última vez que a vi, Tris estava com ela. No elevador. "Droga!"
─ Tris... Acho que você deixou a champagne no Elevador.
─ Ah! Eu vou lá buscar.
Ela parecia mais afetada a cada segundo. Saltou do sofá e correu até o hall. Eu tive que correr para impedi-la de sair.
─ Não. Eu vou. Você fica aqui e tenta não se matar até eu voltar.
Tris fez uma careta debochada e correu de volta para o sofá.
─ Traga minha garrafa de volta. Ou não volte!
Ela gritou antes que eu fechasse a porta.
─ Ok, minha rainha.
*** ***
Resumindo meu drama. Eu não encontrei a bendita champagne e tinha certeza que não podia voltar para o quarto sem ela, se o fizesse, era provável que Tris me atirasse da sacada. Então, fui até o restaurante do hotel, que a esta altura da madrugada já estava fechado. E acordei um dos chefes, que dormia no hotel, e implorei para que ele me conseguisse uma garrafa de Dom Perrion da adega do hotel, e modéstia a parte, Eu consigo ser bem convincente quando quero.
*** ***
─ O melhor champanhe do mundo para...
Eu não consegui completar a frase. Eu sequer conseguia lembrar o que ia dizer. A cena que eu encontrei foi tão absurda que imaginei que a loucura dela era transmissível. Tris estava completamente nua, esticada sobre o tapete da sala, sob a janela da sacada. Parecia mesmo um fantasma, olhando daquele ângulo. Banhada pela luz branca da lua.
─ Tris... O que você acha que está fazendo?
─ Estou tomando banho de lua. Não é óbvio?
Não. Não era óbvio. Tris Prior estava nua e chapada no meu tapete. Isso era tipo uma música do 50 Cent. Ela não se incomodou com minha presença, revirou-se e ronronou como uma gata. Girou o corpo, ficando de bruços e apoiando o queixo nas mãos. A luz pálida da lua só dava ao corpo dela mais suavidade, uma delicadeza quase angelical. "Pare de olhar para a bunda dela!"
─ Você quer vir até aqui? Dizem que os lobos ficam mais selvagens durante a lua cheia.
Eu tive que me controlar para não avançar sobre ela. Meu Deus como eu queria foder aquela mulher! Isso mesmo, "foder". Sexo forte e duro. Tris tinha esse poder sobre mim, despertava meus desejos mais animalescos. Mas aquela não era a hora, nem o lugar. Ela estava chapada de "Deus sabe o quê", e eu não iria me aproveitar de uma mulher drogada. Mesmo que essa mulher fosse meu maior desejo e estivesse ali, completamente acessível e entregue. "Pare com isso! Você tem quase trinta anos! Pode resistir a isso."
**** ****
Tris Prior era uma febre e eu estava delirando. Tudo nela me levava a ter pensamentos pervertidos. Eu sempre a desejei mais do que tinha. Quando a conheci, quis beija-la. E quando isso aconteceu, mesmo que profissionalmente, eu quis mais que um beijo técnico e eu fiz, enfiei minha língua em sua boca e provei do seu gosto real, e ela, inesperadamente, me correspondeu. Foi quente e eu fui ao céu, mas ainda não era suficiente. Eu queria mais. Muito mais. E agora, ela estava aqui e eu posso ter tudo que sempre quis. Mas isso é tão errado que eu me sinto mal até por olhá-la.
─ Seu Champagne.
Dizer aquilo foi um erro e eu soube disso no exato momento em que as palavras me escaparam. Tris abriu um sorriso largo e se levantou. Os seios pequenos e firmes, de bicos rosados e delicados, palpitando pela agitação. Ela tinha o corpo de uma adolescente. Curvas discretas e o baixo ventre liso, como não era típico das mulheres americanas. Mas Tris não era uma mulher típica, isso era óbvio.
─ Abra-a, por favor.
Eu o fiz. Meus dedos tremeram quando girei o abridor e ela veio até mim, tão próxima que pude sentir o calor do seu corpo. Suor escorreu por minha testa e nuca. "Isso não vai ficar bom."
─ Está nervoso, Senhor Lobo?
Ela tinha a voz lenta e rouca. Imaginei se tudo aquilo não era proposital. A Champagne estourou e ela soltou um gritinho eufórico.
─ Eu vou buscar as taças...
─ Não. Pode deixar. Nós vamos beber assim, direto da garrafa.
Ela tomou a garrafa das minhas e deu um longo gole, depois outro e outro. O líquido escorreu por seus lábios e molhou seus seios, desceu pela barriga e... "Se existe um Deus... Ele está zombando de mim agora."
─ Você gosta de Champanhe, Senhor Lobo?
Tris estava jogando comigo. Tinha de ser um jogo. Ela deslizou as mãos pelo pescoço, seguindo o caminho do champagne até a virilha. O líquido escorria por suas coxas.
─ Você quer beber, Senhor Lobo?
Ela deu outro gole da garrafa.
─ Não brinque comigo, Tris. Eu não sou um adolescente... Por Deus.
─ Deus? Deus não tem nada com isso, Senhor Lobo. Apenas eu, você e essa garrafa.
Eu estava ferrado, Oh como eu estava. Iria para o inferno por isso, mas eu tinha que fazer. Tomei a garrafa de seus dedos e dei alguns goles, até não conseguir respirar. Atirei a garrafa contra a parede e o estrondo fez Tris ri ainda mais. Avancei sobre ela, segurando-a pela cintura, o choque entre nossos corpos fez com que ela arfasse surpresa. Juntei nossos corpos o máximo que consegui.
─ Você foi uma menina má, Tris. Você tem que aprender a não brincar com um lobo.
Mordi seu lábio com força, até sentir o gosto de sangue em minha boca. Ela gemeu entre o riso e agarrou meus cabelos, inclinando minha cabeça para trás.
─ Pode me punir Senhor Lobo. Eu fui uma menina má.
*** ***
Nosso primeiro beijo real aquela noite tinha gosto de sangue e Champagne. Foi um beijo desesperado, faminto e ansioso. Tris mordeu a pele do meu pescoço e se irritou por não conseguir abrir minha camisa. Eu fiz isso por ela. Ela fez uma trilha de beijos pela minha garganta e ombros, indo até a altura do meu estômago. Tive que me apoiar no aparador para não sucumbir aos meus joelhos trêmulos. "Quantos anos eu tenho mesmo?”
Ela tinha a boca suave e a língua quente. Os arrepios em minha espinha triplicaram quando ela ajoelhou-se diante mim e beijou a linha do meu umbigo até minha virilha. Praguejei por ainda estar de calças.
─ Tem roupa demais, Senhor Lobo.
Ela sussurrou, marcando a última palavra com um frisar de lábios que só meu enlouqueceu mais ainda.
Tris Prior tinha uma agilidade impecável com os dedos, em segundos, ela tinha desabotoado minha calça, baixou-as lentamente até os tornozelos e em seguida, a cueca boxer. Eu não pude conter o gemido de êxtase que escapou de mim quando ela envolveu seus dedos delicados em meu membro. Eu estava duro, chegava a ser doloroso. Ela umedeceu os lábios, mas eu a impedi de continuar o que pretendia. Segurei-a pelo braço com firmeza e a coloquei de pé. Ela me olhou surpresa.
─ Você não quer que eu te dê prazer, Senhor Lobo?
Ela me olhou manhosa, encenando uma falsa mágoa por minha ação.
─ É claro que eu quero, mas antes eu quero me enfiar em você e te foder até você gritar de prazer.
─ Isso é uma promessa?
**** ***
Tris Prior era suave e delicada. Como uma ninfa, exalava atração e desejo. Tinha cheiro de maracujá e seios macios que cabiam perfeitamente em minha boca. Eu os suguei e mordi. Ela tinha lágrimas nos olhos quando implorou para que eu prosseguisse. Eu parei. Queria vê-la desesperada.
Deixei um rastro de chupões vermelhos, que mais tarde ficariam terrivelmente roxos, do seu pescoço até a base dos seios. Marquei suas coxas com meus dentes e quando beijei seu sexo, que tinha gosto de Champagne caro, ela abafou os gritos com as mãos.
Arranhou meus braços e mordeu meus lábios até ver sangue. Aquela noite, quando penetrei seu sexo com meus dedos, seus líquidos escorreram por minha mão e eu sabia que era a hora exata de consumar tudo. O desejo de um ano. As fantasias noturnas, os sonhos quentes. Ela era minha agora, inteiramente minha e eu a possuí ali, no chão, sobre o tapete e sob a lua cheia. Ela enlaçou suas pernas em meu quadril e implorou para que eu fosse mais fundo e mais... Mais. E o som de carne contra carne era quase uma melodia, se não fosse estrondoso. Ela gemeu e gritou. Chamou meu nome em seu ápice.
Aquele resto de noite se estendeu até a manhã, eram quase 06h00min quando Tris, que dormia no tapete enroscada a mim, se arrastou, literalmente, até a cama, as nádegas marcadas por minhas mãos e minha semente escorrendo pelas coxas. Eu dormi ali mesmo. Nu e exausto. Sabia que aquela noite ficaria marcada pra sempre em minha vida, mas nunca imaginei que as marcas seriam tão profundas.
(High for This — Ellie Goulding)
Abra sua mão
Pegue um copo
Não se assuste
Eu estou bem aqui
Mesmo que você não deixe rolar
Confie em mim, garota
Você quer estar alucinada nisto
Fale com o autor