Wicked
4 Ódio
Dominique odiava o fato de não ter um quarto somente para si e sentia que em Beauxbatons era muito mais bem tratada, mas isso não era motivo para desistir de Hogwarts. Não mesmo. Ela era filha de Fleur Delacour – agora Weasley – e Bill Weasley, e era insistente e dedicada. Dizem que os filhos do meio sempre são os mais esquecidos pelos pais, mas aquela não era ela, visto que Domi era boa, popular e bonita, e todas as pessoas que obtiveram sucesso em suas vidas eram assim.
Durante as suas primeiras semanas, dedicou o seu tempo tentando destacar-se nas turmas. Acreditava que aquela garota, Rose Granger-Weasley, era superestimada e na verdade não era tão boa quanto os professores diziam. E, se ela fosse realmente tão inteligente quanto falavam, ela conseguiria ser melhor. Afinal, ela sempre conseguia tudo o que queria e sempre foi a melhor de sua turma.
Mesmo que Rose passasse a maior parte de seu dia calada, sempre que interagia com alguma das companheiras de dormitório era para responder com grosseria. A irmã mais velha de Hugo parecia simplesmente desgostar das garotas com quem ela dividia o quarto sem motivos, mas não era bem assim que funcionava.
A ruiva sabia que sempre que começavam cochichos e risadinhas, ela era o assunto. Por isso não gostava das meninas, afinal, quem gosta de pessoas que brincam e fazem piadas a respeito de suas inseguranças? A pior de todas elas sem dúvida era Dominique. Por Merlin, como Rose odiava Dominique e seus cabelos loiros perfeitos, e seus dentes perfeitos e toda a sua vida perfeita.
Weasley – não a Granger, a outra – não fazia brincadeiras só com suas amigas a respeito de sua prima, ela fazia questão que Rose ouvisse, como se gostasse de promover sua imagem em cima de todo esse massacre que a ruiva sofria por parte das estudantes. Não satisfeita em ser o alvo principal de Domi, Rose nunca ficava calada por muito tempo, o que resultava em frequentes discussões.
Ao final do mês, Dominique isolou-se por uma tarde, pois havia prometido trocar correspondências mensais com seus pais, para atualizar-lhes sobre sua estadia em Hogwarts, visto que eram muito próximos. Com o quarto em silêncio e estando sozinha, deitou-se de bruços sobre sua cama, escolhendo ali mesmo para escrever. Não se importava com a superfície desregular, pois priorizava o seu conforto sempre.
Queridíssimos mamãe e papai,
Tudo está bem por aqui e Hogwarts é maravilhosa, como sempre me disseram, porém confesso que me decepcionei um pouco com meu quarto. Estou tendo de conviver com uma certa cidadã tão complicada de descrever que me recuso a colocar em palavras.
Mas é claro, vou superar este fato e me reerguer, pois sei que é o que esperam de mim. Amo vocês.
Com amor, Domi.
Ao finalizar a sua carta, a loira dobrou o papel com carinho e guardou-o em um delicado envelope branco, que selou com cera de cor azul, pois acreditava que aquela era a sua cor. É claro, gostava muito de rosa e branco, inclusive os trajes que usava naquele dia eram de tom rosa claro, mas azul simplesmente lhe dava um destaque inexplicável. Beijou o seu envelope, ansiosa para enviá-lo para seus pais. Estava prestes a sair do quarto e ir em direção ao corujal quando Rose Granger-Weasley apareceu na porta, impedindo sua passagem.
Não era intencional atrapalhar Dominique, mas Rose sentia que sempre estava no lugar errado, na hora errada. Sempre. A Weasley rolou os olhos, impaciente com a presença da ruiva ali, parecia que toda a sua essência era feita somente para irritá-la.
— Dá para sair da frente? Não aguento ficar nem mais um minuto olhando para o seu nariz. – Reclamou Domi, enquanto encarava Rose com sua melhor expressão de desprezo.
O nariz da Granger-Weasley realmente a irritava, e a loira não sabia explicar exatamente o porquê. Todos os Weasley possuíam narizes longos e retos. Dominique não, é claro, afinal, era um oitavo veela e era bem mais parecida com sua mãe do que com o seu pai, com o nariz pequeno, fino e delicado, com a ponta levemente arrebitada como o de uma fada. Enquanto isso, o de Rose era achatado e parecia meio redondo, formando quase uma bolinha no meio de seu rosto, além de todo manchado de sardas.
— Perdão, majestade, não percebi que estava atrapalhando. – Retrucou a ruiva, imitando o tom de voz agudo de Dominique, que não se atreveu a responder. Rose não era digna de seu precioso tempo.
Frustrada, Domi passou pela porta, batendo ombros com Rose.
Mal sabia que sua prima havia ido para o quarto com a intenção de fazer o mesmo que ela fizera há alguns minutos: escrever uma carta para casa. As duas eram tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão iguais em alguns aspectos, somente se recusavam a enxergar.
Diferentemente de Dominique, que havia escrito sua carta sobre a cama, Rose se sentou na cadeira que ficava em frente à cômoda que tinham no dormitório. A cômoda era apenas um pouco mais alta que uma mesa de escrivaninha, então poderia apoiar ali para escrever, e assim o fez.
Meu caro pai,
Sinto informar-lhe que as coisas aqui em Hogwarts não têm sido como o planejado. Houve uma confusão quanto à seleção de casas e eu passei pelo teste do chapéu antes de Hugo, portanto não pude escolher uma casa e acabamos ficando separados.
Estou tendo que morar com uma garota loira e não nos batemos muito bem, mas prometo que apesar de tudo farei o melhor para cuidar bem de Hugo, portanto não se preocupe.
Sinto muito por qualquer coisa.
Atenciosamente, Rose Granger-Weasley.
Rose, então, enviou a carta, usando sua própria coruja, através da janela de seu próprio quarto, sem esperanças de obter uma resposta.
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