One short day

Depois do caso onde Scorpius e Rose resgataram um pequeno furanzão e o soltaram na floresta, os dois se aproximaram como amigos. Conversavam vez ou outra e até mesmo assistiam aulas juntos, como dupla de estudos.

Malfoy ainda mantinha o seu relacionamento com Dominique, e apesar de não demonstrar, Rose sentia-se incomodada, já que gostava do garoto. Contudo, sabia que aquela no lugar de Domi nunca poderia ser ela, e que os dois formavam o casal perfeito da escola.

Apesar disso, a Granger-Weasley conseguiu melhorar bastante o seu relacionamento com seus colegas de Hogwarts, Dominique havendo, realmente, ajudado bastante nisso. Não voltou a usar mais a sua trança desajeitada, uma vez que, agora, sabia como arrumar seus cabelos, mas também não se arriscou a usar maquiagem ou pegar emprestado os acessórios da amiga. Era como Scorpius lhe havia dito há dois anos: aquela não era ela. Maquiada, Rose parecia mais com Dominique do que consigo mesma.

Apesar de todos os seus defeitos, a ruiva gostava de se sentir singular. Afinal, era ela e toda a sua singularidade que havia chamado a atenção do Ministro, que, logo após os seus NIEMs, mandou um recado através da professora Martin, dizendo que queria conhecê-la.

No momento em que recebeu o convite, foi como se aquela Rose Granger-Weasley de quatro anos atrás tivesse voltado. Sem preocupações com provas ou ciúmes do relacionamento de seus melhores amigos, Rose era somente aquela garota frágil e descontrolada que havia sido transferida para tomar conta de seu irmão. Uma menina, jovem e sem esperanças, que havia acabado de descobrir sua verdadeira importância, tudo por causa de um talento que ela julgava ser impróprio e perigoso.

Assim que aceitou o convite, correu para o Salão Principal, onde sabia que encontraria Hugo e Dominique e poderia lhes dar a notícia. Como esperado, os dois estavam lá, também acompanhados de Alvo, que Rose sabia que não gostava dela.

— Vocês não vão acreditar! – anunciou Rose, assim que alcançou o trio de amigos.

O Potter retorceu o nariz imediatamente, tudo por causa de sua presença, mas a garota já estava acostumada e sequer se importou.

— O Ministro quer me conhecer – disse aos amigos, arrancando uma expressão surpresa de Domi logo em seguida.

Hugo sorriu, parecendo verdadeiramente feliz por sua irmã, e segurou suas mãos, chamando a atenção dela.

— Parabéns, Rose! Eu sabia que um dia você conseguiria trazer orgulho. Estou muito orgulhoso de você, e aposto que o papai também ficará quando souber – pronunciou ele, sabendo as palavras exatas que ela queria ouvir.

A Granger-Weasley fitou o seu irmão, esperançosa e ainda mais animada depois de sua fala. Iria dizer algo, um agradecimento, muito provavelmente, quando Dominique tomou a frente.

— Não só você, Hugo, todos nós estamos muito orgulhosos de você, Rose! – afirmou a loira, abraçando a amiga em sequência.

O Potter bufou, frustrado, e retirou-se do salão sem parabenizar a garota. Aparentemente, a fala de Domi o incomodou e ele preferiu sair, ao invés de ficar ouvindo sobre as conquistas de alguém com quem ele não simpatizava.

— Alvo, espera! – chamou Hugo e girou sua cadeira, indo atrás do garoto.

— Sabe, Hugo, talvez Alvo não seja o cara certo para você – disse Domi, antes do ruivo se afastar.

Tendo ouvido o comentário da colega, Hugo olhou para trás uma última vez, para encarar a garota que havia os juntado como amigos – ou, talvez, algo mais.

— Na verdade, Domi, Alvo é sim o cara certo. Eu que sou o cara errado – falou e não lhe deu aberturas para respostas, partindo corredor afora.

— Hugo! – chamou Rose, tentando impedir o irmão de ir embora, mas foi interrompida por Dominique, que segurou seu braço.

— Deixa ele, Rose. Hugo já está bem grandinho e sabe se cuidar. Inclusive, ano que vem você não estará aqui e ele terá de aprender a se virar sem você – disse, e a Granger-Weasley acabou cedendo e se sentando no banco da longa mesa de Grifinória, onde os quatro estavam reunidos anteriormente – Todos vamos.

— Você nem vai sentir minha falta ano que vem, Domi! É cheia de amigos, e tem um namorado. Também manteremos contato. Não iremos mais conviver todos os dias, mas continuaremos sendo amigas e conversando, não tem o porquê você pensar assim – assegurou Rose, sem entender muito bem onde Dominique queria chegar.

A Weasley soltou um longo e profundo suspiro, e sentou-se ao lado de Rose.

— Honestamente, você é minha única amiga, Rose. Todo o resto só se aproxima de mim com intenção de ter algo em troca, e você não tinha motivos para gostar de mim, já que eu só te destratei em seus primeiros anos em Hogwarts, então acredito que seja minha primeira e única amiga verdadeira – admitiu e tomou fôlego antes de continuar – E eu também não tenho mais tanta certeza se eu e Scorpius ainda somos um casal.

— Como assim? — indagou, confusa.

Rose definitivamente não esperava por aquela confissão de Domi, já que ela e Scorp sempre se mostraram um casal mais do que perfeito. Talvez fosse esperado que ela se alegrasse com a informação, já que nutria sentimentos pelo Malfoy, mas a Granger-Weasley somente se permitiu sentir-se preocupada com sua amiga.

— Scorp está cada dia mais distante e esquisito. Os primeiros dias foram perfeitos, os beijos na festa da Vic e o fim de semana que veio logo em seguida. Não poderia imaginar nada melhor, mas logo na semana seguinte tudo começou a ficar diferente. Ele começou a ter ideias estranhas e a pensar, sabe? Fica medindo suas falas e ações, não se interessa mais por festas...

— E isso é ruim? – questionou Rose, reconhecendo, naquele Scorpius que Dominique acabou de descrever, o mesmo que ela havia conhecido mais profundamente na Floresta Proibida.

— Eu acho! Se eu quisesse alguém que fosse ficar pensando e sendo esquisito o tempo todo eu namoraria você – afirmou, como se estivesse falando algo óbvio – Parece que tudo começou quando ele ficou sabendo da demissão do professor Firenze. Eu nem sabia que ele gostava tanto de centauros!

Como se pressentisse que falavam sobre si, Malfoy surgiu pela enorme passagem do Salão Principal e procurou pelo grande salão por alguém conhecido.

Rose não havia notado, mas Dominique sim, e mudou completamente sua expressão no minuto em que o avistou. Abriu um grande sorriso e parou de falar sobre ele, deixando a Granger-Weasley sem entender. Scorpius sorriu também, e Domi imaginou que fosse para ela, então o chamou.

— Scorpius! – gritou, enquanto acenava para que ele a achasse com mais facilidade.

— Rose! – ele falou, em um tom igualmente alto, fazendo com que Dominique abaixasse sua mão imediatamente e desfizesse o seu sorriso.

Sem se importar com a reação de sua namorada, Malfoy correu em direção à Granger-Weasley e a abraçou, surpreendendo-a com a sua presença.

— Estava na aula de feitiços e madame Martin nos contou sobre você e o ministro, meus parabéns! – exclamou, deixando Rose sem reação e levemente constrangida, principalmente pela presença de Dominique, que não sabia da amizade dos dois.

Ao notar a outra garota ali, Scorpius afastou-se de Rose e abraçou também Domi, para que a situação se tornasse menos esquisita.

— Fui a Hogsmeade nesse fim de semana e comprei alguns doces para mim, mas acho que você merece este aqui como um presente pela conquista – disse Scorpius, entregando a Rose uma pequena caixa transparente com uma gorda e recheada chocobola em seu interior.

Rose agradeceu, é claro, pois era o seu doce preferido. E o Malfoy sabia disso.

— Vim também para me despedir de você, Rose. Madame Martin me disse que vocês irão para Londres na sexta, e ficarão lá até segunda, e eu fui contratado essa semana, partirei no sábado para treinar na Irlanda.

— Não tinha me dito isso, Scorpius – Dominique intrometeu-se – Pretendia ir embora sem se despedir de mim?

— Não, Domi. Só vou embora daqui dois dias, e provavelmente não irei mais ver Rose, por isso estou me despedindo dela primeiro, você, ao contrário dela, permanecerá em Hogwarts até o meu último dia aqui – respondeu, sendo direto e grosso de uma maneira desnecessária.

Dominique havia acabado de dizer a Rose que Scorpius vinha agindo de maneira diferente, mas isso não tornava menos desconfortável assistir àquele diálogo.

— Que tipo de treinamento você vai ter na Irlanda? – Rose interrompeu a cena, curiosa pela fala do Malfoy.

— Fui contratado pelos Morcegos de Ballycastle, vou começar o treinamento antes mesmo do resultado dos NIEMs, aparentemente tinha um olheiro na última partida em que joguei – revelou, parecendo envergonhado agora que a atenção das duas garotas estava nele, e não em Rose – Acho que vou indo, tenho aula de Herbologia com o professor Longbottom agora. Bom almoço para vocês!

Sem mais delongas, Scorpius se retirou, tornando a deixar as duas melhores amigas sozinhas.

— Viu só o que eu quis dizer? Ele está esquisito! – reclamou Domi assim que Scorp se afastou o suficiente para ela poder conversar sem que ele a ouvisse – Ele nem é tão perfeito como eu gostaria que fosse, mas ainda assim eu gosto dele!

— A vida não se resume apenas ao Malfoy, Domi. Todo mundo ainda te ama, você não precisa dele – Rose tentou confortar a amiga, puxando-a para que as duas se sentassem no banco.

— E daí? Eu não quero que todo mundo me ame, eu só quero que ele me ame – lamentou, ameaçando chorar enquanto desabafava.

Rose, que não era acostumada com amizades e não levava jeito para aconselhar, viu-se então em um impasse. Sem saber o que fazer. Dominique jogou-se em seus braços, chorando em seu ombro, deixando-a ainda mais sem reação.

— Você deveria vir comigo, Domi – disse, afagando os cabelos loiros da amiga.

— O quê? – perguntou, desencostando de Rose e revelando sua maquiagem borrada, que agora manchava suas bochechas.

A Granger-Weasley esforçou-se para não rir da situação de Dominique. Era errado, ela sabia, mas o seu sofrimento parecia tão teatral que chegava a ser cômico. Domi não era intencionalmente daquele jeito, porém não havia como negar que ela era, sim, um bocado dramática e exagerada.

— Você deveria ir comigo conhecer o ministro. Madame Martin geralmente aceita tudo que eu peço, e eu tenho certeza que ele gostaria de você, afinal, quem não gosta?

— Mesmo? Você acha que é uma boa ideia? – perguntou Domi, em dúvida se deveria ou não aceitar – Eu sempre sonhei em trabalhar no Ministério...

Não foi necessária muita insistência por parte de Rose, pois Dominique logo cedeu. Conhecer o Ministro e trabalhar diretamente com ele era algo de grande prestígio, e ela não poderia deixar a oportunidade escapar.

Rose tinha razão, não foi preciso pedir duas vezes para a professora de feitiços e vice-diretora de Hogwarts, pois ela logo permitiu que as duas fossem juntas ao encontro do Ministro. Acreditava que Dominique havia mudado bastante nos últimos anos e era uma aluna muito dedicada – talvez não tão poderosa quanto sua prima, mas isso não vinha ao caso.

Os dias seguintes em Hogwarts passaram-se medíocres, não fugindo do normal. No entanto, a viagem que veio em sequência, na qual ficaram alguns dias no centro de Londres e passaram dois dias conhecendo todo o Ministério, fez tudo valer a pena, e serviu para que as duas amigas se aproximassem ainda mais.

Dominique e Rose, então, já não eram apenas amigas ou primas. Tornaram-se irmãs de pais diferentes.