Why do you Refuse?
4 Chapter 4 - More than Attraction...?
Notas iniciais
Why do you Refuse?
Chapter 4 – More than Attraction...?
De repente, tudo parou. Só consegui sentir o balanço do vento mexendo meus cabelos. Um aperto bruscamente forte foi sentido em minha consciência. Meus olhos arderam.
Suas palavras ecoaram em minha cabeça. A sua voz sussurrante, rouca e confortável... tão triste e desesperada, me deixou imobilizado. Seus suspiros abafados e quase inaudíveis tão deprimentes e inexplicáveis, com um significado tão além de minha imaginação destruíam o meu próprio ser.
... “Será que eu vou sobreviver?” ...
Como assim... o... o-o que diabos...ele quis dizer com isso?!
Eu tive uma vontade imensa de levantar e forçá-lo a me explicar. Mas logo minhas conclusões vieram à tona. E se ele recusar?... Não... é claro que ele recusaria... mas o que aconteceria... se ele ficasse bravo por eu ter perguntado... ou até mesmo por eu ter fingido dormir...? E se ele responder? E se o motivo... e se ele... não... por favor...
Por favor...! Diga-me... diga-me que é mentira...! Por... favor...
Inconscientemente, um filete de lágrimas escorreu pela minha face. Lágrimas quentes, salgadas, tão desesperadas. Espera... Lágrimas?! Não... Por quê?!... Qual seria o motivo... de eu estar chorando agora?! ...Eu já tinha me prometido... eu jamais choraria novamente! Então... porque... saiu tão facilmente por apenas ouvir essas palavras... tão... desesperadoras...?
Levei lentamente minha mão que já estava próxima ao meu rosto para limpar o fino filete, sem que ele perceba. Senti que sua mão fria voltou a acariciar meus cabelos, e as vezes, acariciava de leve minha face.
Ali estávamos. Eu, um extremo inútil que nem consegue ao menos perguntar o nome dele. E ele, um ser misterioso que já mexe comigo sem nem precisar de palavras. E usando-as, mesmo sem dar explicações, consegue me fazer alcançar o desespero.
Eu sentia meu coração pulsar aumentando gradativamente. A cada minuto permanecendo ali, mais ele aumentava. Mesmo estando tão frio, estava tão quente... E eu, particularmente, desejava ficar ali, pra sempre.
De pouco em pouco, senti a carícia em meu cabelo parando, até chegar a quietar os dedos. Ele tinha dormido...? Lentamente, peguei sua mão, e me levantei. Agora sentado, com os pés sobre o banco, olhei-o. Sim, ele tinha sido entregue ao sono. Uma expressão calma encontrava-se em seu rosto. E agora, era minha vez.
Sentei direito, ao seu lado. E com minha mão esquerda, puxei levemente seu pescoço, até depositar sua cabeça ao meu peito. E automaticamente, ele colocou a mão sobre meu tórax, e deixou sua mão pousada lá, quieta. Pousei minha mão também sobre sua cabeça, acariciando seus cabelos.
Tão lisos... tão macios... e com um cheiro tão bom...
Senti-me corado ao pensar que aquilo parecia uma bênção divina. Minha mão direita surgiu, indo até sua face, acariciando-a também.
Caramba...! Como é... macia... parece ser tão fininha e está tão geladinha... de leve, sem resistir, apertei sua bochecha duas ou três vezes. É tão lisa... Que vergonha... é tão bom acariciá-lo... A cada carícia, eu me corava mais e mais.
Ao abaixar meus olhos, observei seus lábios, curvados. Parecia um de seus tímidos sorrisos. Era tão confortável vê-los... mas percebi que eles estavam um tanto roxos. Provavelmente estava com frio. Parei com as carícias e coloquei meus braços envolta dele, abraçando-o.
Tão confortável... tão cheiroso... senti ele retribuir, mesmo ainda estando dormindo. Parece que ele tem muito sono... seria melhor se eu o levasse pra minha casa. Coloquei-o em meu colo, e após pega-lo de um jeito mais confortável para ambos, me levantei. E lentamente, fui a caminho de casa, com ele ao colo. Uma mão minha estava em suas costas, perto de sua nuca, a outra, abaixo de suas nádegas, enlaçando suas pernas abertas que agora, estavam presas a mim. Seus braços em torno de meu tronco, abraçando-me também.
Caramba... que quentinho estava ali. Minha real vontade ela permanecer assim, e não parar mais. O caminho de casa era longo. Mas por que então... passou tão rápido, mesmo eu estando indo tão de vagar...? Ah... meu coração está tão... maluco... O que é isso...? Ao adentrar minha casa, fui direto ao meu quarto. Ainda tendo-o em meu colo, arrumei a cama.
Só agora fui perceber que ele não usava uma touca hoje. Retirei nossos sapatos e meias e deixei ali perto da cama. Tentei separá-lo de mim, sendo quase impossível. Tendo-o ainda me abraçando, pendurado em mim, subi na cama e estando acima dele, o empurrei cuidadosamente, até ele se despregar de mim, deitando-o confortavelmente, fechando suas pernas.
Eu estava um tanto com sono, então resolvi não colocar um pijama nem em mim, e nem nele. Apenas retirei nossas blusas de frio. Olhando seus braços, percebi que tinha algumas faixas. Parecia ter sido machucado. Isso é tão desconfortável... quando ele me dirá quem é que faz isso...?
Só para confirmar, antes de desligar a luz, levantei sua franja, deixando sua testa à mostra. Seu machucado anda era visível, mas estava bem mais claro, e com o cabelo, ajudava a não ser perceptível.
Levantei-me da cama, fechei a porta e desliguei a luz. Voltando agora pra cama, ao seu lado, me deitei. Retirei a coberta que estava um pouco por baixo dele, e nos cobri. E sem me segurar, abracei-o, sendo abraçado de volta. Ele colocou uma perna ao meio das minhas, e a outra, em cima das minhas.
Permaneci olhando ele, mesmo estando no escuro, sentindo seu doce e agradável aroma. Pergunto-me... Por que estar perto dele é tão bom...? Por que eu me sinto tão feliz, tão bem...? Pensamentos assim vieram até mim até juntamente a ele, dormir.
...
Quando acordei, percebi que, assim como antes, eu estava sozinho. Isso me deixou um pouco desapontado. Demorei um pouco, mas logo levantei. Confirmando que ele tinha levado seus sapatos. Após arrumar a cama, olhei à mesa, percebendo que ele não tinha deixado nenhum bilhete.
Por um momento, me passou na cabeça de tudo ser apenas um sonho. O que eu não deveria duvidar. Afinal... meus sonhos costumam a parecer reais, eu não deveria subestimá-los. Ao descer as escadas, vi Mikasa sentada no sofá.
– Bom dia. – me aproximei dela
– Ah, bom dia. – ela sorriu pra mim
– Quantas horas?
– São 10:12 am.
– Ah, e já foi caminhar?
– Não, hoje eu não fui.
– Não? Por quê?
– Tive de ficar de olho nele.
– Hm? Nele? – ela apontou o dedo à cozinha. E segui caminho até lá.
Ao chegar perto da porta, senti um cheiro de produtos de limpeza. Ao cruzar a porta, vi o meu ‘professor’ limpando desde o cômodo, até os objetos.
– Caramba... você num tem nada pra fazer não? – perguntei, escorando-me na porta.
– Eu que me pergunto como vocês conseguem, viver numa cozinha tão suja! – ele exclamou com brutalidade na voz.
– Mesquinho.
– Metido a besta.
Ok, poderíamos ter acabado de ter uma pequena troca de elogios, mas eu não poderia negar que estava feliz ao saber que ele ainda estava aqui.
Ele usava um pano sobre os cabelos, e outro tapando a área do nariz e da boca. Estava agachado, entre um dos armários e do fogão. Provavelmente estava tirando a gordura precisamente.
Quando ele queria alcançar o fundo, com seus braços longos em comparação a si, mas curtos em comparação ao local desejado alcançar, ele se inclinava.
E digamos que... meus olhos foram atraídos, como se tivesse um imã... nele... Ah, cara. Caramba... meu Deus...! Meus olhos travaram naquela visão tão... privilegiada. Sim. Eu olhava pro seu traseiro. Pequeno e redondinho. E caraca! Que nádegas! Meus olhos adoraram ver essa visão tão satisfatória.
Senti meu rosto corar a cada movimento que ele fazia. Que pedaço de mau caminho... que vontade de apertar... de morder... de lam-
– Eren, o que está fazendo? – Mikasa me interrompeu, sussurrando pra mim
– N-nada! – falei um pouco alto, tendo a atenção do vicio em limpeza.
– Ei, seu gordo. – Mikasa o chamou.
Ah, quer dizer que ela também pode chamar...?
– Que foi, babuína? – ele voltou a limpar.
Vi ela parada, tentando raciocinar, olhando pra ele. É claro que aquela visão tão... magnífica não ajudava.
– Esqueci. – ela disse olhando pra nádegas do menor, corando-se um pouco.
Ah, sua safada.
– Ei. – ela voltou a falar
– É comigo? – perguntei, voltando o olhar pras redondinhas ali em frente.
– Sim...
– O que foi?
– Ahn... espera. – ela tentava se lembrar – Ah. Papai ta reclamando que você não faz nada o dia todo.
– Ah.
Sim, pai. Eu sou um vagabundo de classe.
– “Ah.”? Só isso que tem a dizer?
– Ah, mas quando eu falei que queria arrumar o emprego ele recusou a me ajudar a arrumar.
– Se for questão de emprego... – o dono do avião bonito se pôs a falar, quando acabou a limpeza – Sabe cozinhar? – ele virou pra nós e fez uma cara não muito agradável – Ei, o que vocês estão olhando?
– Ah. Nada. – eu e Mikasa respondemos rápido, desviando o olhar pro mesmo lugar, ao mesmo tempo. Lógico que ele não acreditou, mas não falou nada.
– A-ah, eu sei cozinhar sim, por quê? – perguntei a ele
– Eu trabalho dentro de casa, e não tenho tempo pra cozinhar pra mim.
– O quê?
– Estou falando, seu imbecil, que preciso de um cozinheiro.
– A-ah! S-sim! Eu posso ser!
– Ah, mesmo? Que bom. – ele disse com um tom meio desinteressado, virando o rosto pro lado contrário. Mas vi que ele se corou um pouco.
– Quando ele começa? – Mikasa perguntou, parecendo um pouco contente, mas olhando um pouco entediada pro menor.
– Hoje mesmo. – ele respondeu desinteressado, olhando pra ela também.
– Ótimo.
– Ótimo.
Dito isso, cada um virou pra um lado. Mikasa retornou a sala.
– Ahn... que lindo da amizade... de vocês... (?) – comentei, tendo a atenção dele.
– Ah, sim. Claro. – ele rolou os olhos, mostrando mais desinteresse ainda. – Ah dependendo do gosto, seu salário pode ser uma maravilha.
Não respondi nada. Na verdade, eu nem preciso de salário. Foi esse um dos motivos do meu pai não ter me ajudado na escolha de um trabalho. Se eu pudesse comer o que eu cozinho, já seria ótimo.
– Oy pirralho, sai da frente, sai. – ele disse abanando a mão em forma de “xô”, com uma vassoura na mão.
Obedecendo a ordem, fui até Mikasa, que voltou pro sofá, e agora, estava lendo.
– Quer dizer que você também gosta de redondinhas? – perguntei a ela, num tom sarcástico, me apoiando no sofá ao seu lado.
– Redondinhas? – ela perguntou nem prestando muita atenção.
– Sim. Aviões.
– Hã? Mas não era Redondinhas?
– Pequenas e redondinhas. – falei fazendo uma cara sarcástica, me aproximando dela, fazendo-a corar.
– M-mas que besteira, Eren! – ela gritou sussurrando – Posso dizer que não fui só eu que vidrei naquelas nádegas. – agora nossa conversa era sussurrada.
– É... pequenas... e redondinhas...!
– Meu Deus, você é tarado até com bunda de homem?
Corei até as orelhas. Inconscientemente desejei a bunda de um... homem...!
– Caraca... – fiquei boquiaberto
– Isso só prova que aquelas nádegas têm poderes!
– Podeeres...!! – nós dizíamos como retardados com as mãos pra cimas balançando como se fosse João Bobo, rindo bastante.
Mikasa colocou seu livro em cima da mesa, e ainda rindo um pouco baixo, me puxou pro sofá, e me fez deitar em cima dela, com cabeça apoiada em sua barriga. Ambos olhando pro teto.
– Neeh, Eren... – ela ainda sussurrava, e aos poucos parou de rir – Ele me falou que você vai tocar em uma premiação.
– Hm? É, vou sim.
– Que legal. Eu fico feliz por você.
– Obrigado, Mikasa. – ela abraçou meu pescoço.
– E que música você vai tocar?
– Ah.
– O quê? Não pensou nisso? – ela me perguntou, surpresa
– Hm... na verdade, não...
– Que tal Wind, de Akeboshi? Aquela do Naruto...
– Mas ela é em piano.
– Passa pro violão.
– Ah... não sei...
– Só uma dica. – ela disse se sentando, juntamente a mim, me abraçando novamente, colocando sua cabeça em meu ombro.
– Ahh... que lindos. Isso é tão incesto. – o gordo falou ironicamente, rolando os olhos, apoiado na porta da sala.
– O quê? Nós somos só irmãos, seu besta! – me levantei me desfazendo do abraço de Mikasa.
– Besta? Eu? Seu pirralho imbecil, mais respeito. – ele me olhava com um olhar fuzilador enquanto desamarrava os panos de seu rosto. – Eu já acabei de arrumar a cozinha. – era como se no fundo, tivessem brilhos e rosas, de emoção – Estou indo pra casa agora. Você vem agora, ou na hora do almoço você vai?
– Aan... e-eu vou na hora do almoço... tudo bem?
– Ok. Já sabe onde é. Estou indo, até mais, magrela, babuína.
– Até, seu gordo.
– Já vai tarde. – Mikasa pegou seu livro novamente. Parecia estar com raiva. Mas apenas ignorei.
Fui até a cozinha e peguei cereal e me sentei ao lado de Mikasa. Ligando a televisão, estávamos assistindo a algum seriado que nem prestávamos atenção. Eu comendo cereal, e ela, voltando a sua leitura.
Já eram 10:40. Lembrei-me que a casa dele era bem distante, então deixando a tigela de cereal na pia, fui direto pro quarto, me trocar, desci rapidamente às escadas, passando pela sala e despedi-me rapidamente de Mikasa, e fui até a varanda, pegar minha bicicleta e com o endereço já decorado, fui a caminho do condomínio.
Pelo caminho, tive de perguntar a algumas pessoas pra me ajudarem a chegar, e assim como ele falou, a casa dele era realmente bem longe. Mas logo, me sentindo vitorioso, eu cheguei 11:34. Digamos que a casa dele... era bem enorme. Um enorme e longo muro de mármore em frente, com uma portaria ao lado de um portão imenso. Aproximei-me de lá, e pude avistar um cara que lia a um livro que logo deu sua atenção a mim.
– Posso ajudar? – o mesmo sorriu de uma maneira simpática
– Ahn... eu fui contratado... sou o novo cozinheiro... – eu disse receoso, sem saber se esse era o certo a se dizer.
– Ah! O mestre me falou de você! – ele respondeu nostálgico com um sorriso de orelha a orelha – É o garoto que o vai acompanhar durante a apresentação do Oscar, não é?
– S-sim. – eu falei um pouco tímido, mas não posso negar que eu estava me sentindo bem.
– Por favor, por favor! Queira entrar! – ele estava empolgado quanto nunca – O mestre sempre nos fala de você! Fique a vontade! – ele dizia quase pulando da janela pra ir a mim, enquanto abria o portão com um controle
Ao abrir o portão, me maravilhei com a imagem. Uma piscina imensa incrivelmente limpa, jardins bem cuidados, Uma casa grande ao lado direito da piscina, provavelmente uma casa de ferramentas, mas olhando pela janela parecia uma cozinha externa. Logo em frente à piscina, seguido de um caminho de grandes pedras, dava a entrada de uma mansão linda, de cor mármore assim como portão, portas e janelas de vidro que davam à visão de uma sala de visita incrivelmente bem arrumada e com móveis incríveis.
Uma mulher vestida de empregada se aproximou de mim, me cumprimentando docilmente.
– Bom dia. Você deve ser o novo cozinheiro, não? – assim como o porteiro, a mesma tinha um sorriso de orelha a orelha.
– Sou sim. – respondi com um sorriso tímido.
– Por favor, mestre, acompanhe-me.
– M-mestre? Não... sou apenas um cozinheiro...!
– Mas você é muito amigo do mestre, ele fala bastante de você. – a mulher seguia até o caminho à mansão, guiando-me e apresentando os cômodos tão bem decorados, limpos e arrumados.
A ideia de adentrar aquela mansão me fazia ficar envergonhado, sem ter como reagir. Depois que descobri que ele era escritor, eu imaginava que ele fosse rico, mas não esperava tanto assim...! E mais: Ele falou de mim...? Realmente falou de mim...? Por que eu sinto minhas bochechas arderem...?
A empregada me guiou até a sala, subindo as escadas, adentramos a um corredor cheio de pinturas incrivelmente lindas com algumas flores espalhadas, seguindo a uma porta isolada. Ao entrar lá, avisei inúmeros quadros pintados. Quadros de paisagem, de pessoas... Alguns empilhados, outros pendurados, alguns pelo chão. Entre eles, alguns não pareciam estar acabados. Parecia uma bagunça... arrumada (?).
Seguindo a porta semi-aberta daquele quarto, a mulher me mostrou um quarto claro de paredes brancas com uma parede azul clara. Havia uma estante cheia de revistas e alguns livros. Pareciam ser de imagens.
– Entre e fique a vontade. O mestre está ai, um pouco ocupado. Peço para que aguarde por algum momento até ele acabar. Vou me retirando, tenho alguns trabalhos a terminar. Com licença. – com uma reverencia gentil, a dama se retirou.
Abrindo mais a porta, avistei a parede diante a porta com janelas imensas. Dando-me a visão de um imenso jardim incrivelmente belo, com uma fonte ao meio. Ao adentrar mais ao quarto, vi que uma bela figura estava em frente à janela.
Corei-me ao ver que ele estava apenas com uma boxer branca, com algumas partes de seu corpo enfaixadas. Ah... aquelas nádegas, mesmo parecendo ser impossível, conseguiram ser mais bonitas que antes. A incrível boxer dava a visão perfeita de suas redondinhas tão sexys.
– Pirralho. – sua voz serena me chamou, relaxando um pouco minha tensão.
– Olá...
– Entre mais. – ele parecia atento aos seus atos, mal percebeu que fui até seu lado, o olhar por cima de seu ombro.
Ao notar a figura que ele desenhava, não pude deixar que um “Wooow!” saísse de meus lábios. Quando eu pensava que o cara tinha dom, eu estava totalmente enganado! Ele... ele é um ser divino! Um ser divino!! Como o cara consegue ser tão perfeito assim?! É incrível ao dom do violão, é escritor, pintor, tem uma voz sexy, o rosto é lindo, o corpo bem formado e nádegas... pequenas e redondinhas! Caramba vou surtar com esse cara...! Ah, claro. Não que eu esteja... reparando de mais.
Naquela média tela, onde ele depositava pinceladas de tintas, ele estava dando origem a uma incrível imagem de natureza. Uma árvore larga e alta, com um imenso porte de folhas, uma cachoeira imensa e brilhosa, que dava origem a um riacho com peixes. Alguns nadando, outros pulando. Contornando desde a cachoeira até o riacho, inúmeras rochas. A imagem se encontrava ao tom de prateado, cinza, preto, branco e alguns detalhes azul claro e ora azul escuro.
Eu tinha uma sensação de já ter visto aquela bela imagem. Naquelas exatas cores. Mas onde...? Eu não me lembro...
– De onde você tirou essa imagem...? – sem ter noção do que eu fazia, apoiei meus braços em seus ombros.
– De um sonho.
Paralisei. D-de um sonho...?! Em meus pensamentos, algumas imagens vieram à tona, me deixando um pouco tonto. Uma imagem de uma loja de prataria se aproximando... não, era a minha visão se aproximando, adentrando a loja, dando-me a visão do vendedor usando uma roupa formal e antiga. Uma mão apoiada no vidro e a outra apontando o dedo aos objetos ali dentro. Essas mãos pareciam ser minhas.
Mas por que eu estava ali?... Por que eu agia sem querer...? Apontando para alguns objetos, o vendedor retirou todos, para que eu pudesse observá-los melhor. Toquei primeiro a um relógio de bolso prateado com uma corrente, rico em detalhes. O relógio era lindo, como aqueles antigos que os ‘importantes’ usavam. Ao reparar mais o relógio, deparei-me com uma imagem de uma árvore perto de uma cachoeira linda, cheio de peixes e rochas ao lado. Parecia muito com a pintura dele.
O que será isso?... Por que eu tenho uma impressão tão forte, tão estranha...?
Uma imagem turva voltou aos meus olhos. Uma moça provavelmente da minha altura, dos cabelos castanhos parecidos ruivos conversava comigo.
– Hanji, será que... depois da missão... você poderia entregar isso ao......?
Agora que falou... reparei que essa mulher parece com a Hanji da banca...
– Claro, meu querido. Mas por que você mesmo não o entrega?
Tem até a mesma voz, e o mesmo jeito de se dirigir a mim...
– Não sei... parece estranho... mas tenho a impressão de que algo acontecerá.
– Impressão? Do que você está falando, Eren?
– Você sabe... em uma missão, é impossível dizer que todos voltarão vivos.
Senti uma certa fraqueza nas pernas, voltando a minha consciência, me afastei antes que caísse sobre seus ombros e fizesse com que ele errasse na pintura.
– Oy, Pirralho. – ele tinha sua atenção voltada a mim. – O que você tem?
Em um movimento rápido, ele deixou seus itens de pintura ao chão e me segurou antes que eu caísse.
– Oe... você está bem...? – ele me perguntou, preocupado, abaixou até se sentar no chão, e me deitou em seus braços, colocando sua mão sobre minha testa, retirando minhas mechas de sua visão.
– Me sinto... só um pouco tonto.
– Quer se deitar um pouco? Aceita água?
– Não... obrigado. Não seria bom você tratar seu cozinheiro assim. – sorri timidamente, retirando sua mão um pouco gelada de minha testa. Eu tinha quase certeza que eu estava completamente corado.
– E por que não seria? Você é meu cozinheiro, e não um escravo. – sua sobrancelha se levantou, ele parecia um pouco irritado.
Sentei-me aos poucos, sendo ajudado por ele.
– Está se sentindo melhor? – ele perguntou
– S-sim, obrigado. – respondi timidamente, olhando pra baixo. Notei que ainda segurava sua mão. Mas por algum motivo, eu não a soltei.
Pus-me a olhar aqueles olhos azuis acinzentados que me miravam. Tão belos... Sentia-me quente, sem reação. Estávamos bem próximos, e eu sentia claramente sua respiração, um pouco alterada, assim como a minha. Abaixei meu olhar aos seus lábios, inconscientemente, reparando que ele se aproximava lentamente. Nossa respiração se embaralhou, não dando para saber de qual era a minha, e qual era a dele.
Ouvia claramente os sons cardíacos vindo de mim, altos e acelerados. O que é isso...? E antes de eu sentir o doce gosto de seus lábios, não sei se seria um caso para usar “infelizmente” ou “felizmente”, mas simplesmente fomos interrompidos pelo barulho de meu estômago roncando. Tirando-nos da transe e voltando a realidade.
Rapidamente nos separamos, desviando o olhar pra outro lugar. Pus-me a rir forçadamente, meio sem graça.
– F-farei o almoço. – me levantei rapidamente e me virei pra porta, meio sem reação ou consciência do que dizer. Ouvi-o levantando lentamente e caminhando para perto de seu roupão, pendurado perto das janelas de vidro. Ele somente passou por mim, dando-me a chance de ser guiado. E em silêncio, sem olhar um pro outro, fomos à cozinha.
E se... aquele momento tivesse continuado...?! R-Realmente acabaríamos nos... beijando...? ... Não... acho que foi só minha imaginação. Ele... não faria... né?... Deus... por que raios meu coração está tão maluco...?! Por que eu estou tão sem graça...? Por que eu me sinto tão desapontado...?
Será que... eu sinto algo a mais que admiração...?
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