Why do you Refuse?
3 Chapter 3 - Why do you say that...?
Notas iniciais
Why do you Refuse?
Chapter 3 — Why do you say that?
Duas coisas que eu reparei no caderno foram:
1- O filho de uma gorda obesa levou os desenhos, e nas páginas traseiras não tinham folhas marcadas. Talvez fosse um ótimo desenhista a ponto de controlar devidamente sua força no lápis.
2- O gordinho simpático tinha feito algumas alterações nas cifras. Ele provavelmente conhecia, e as concertou.
E assim como ele pediu no recado, eu compareci novamente naquela madrugada, naquela hora da noite. Seus inchados e arranhões já haviam desaparecido, só restava o machucado no canto da boca.
Dessa vez, ele compareceu apenas alguns minutos atrasado, ele apareceu com meu pijama agradecendo. No meio do pijama, achei um bombom com uma embalagem que eu nunca vi.
"Um bombom?"
"Sim, de agradecimento."
"Que estranho, nunca o vi."
"Eu fiz."
"Sério? Que legal! Isso não está envenenado, né?"
"Tenta a sorte."
Esse foi a única conversa aleatória que tivemos. Logo falamos de algumas músicas, e levei o caderno, haviam umas cifras as quais ele concertou, que eu não conseguia fazer. Com jeito, ele me ensinou. Pacientemente. Mas as vezes me chamando de lerdo ou de retardado.
Aprendi as três cifras que eu escolhi. Sempre que eu aprendia uma, ele afagava meus cabelos.
"É isso ai, pirralho."
Estranhamente, a cada elogio que ele me fazia, me deixava cada vez mais feliz, mais satisfeito. Parecia que o meu maior prêmio ali, não era, de fato, aprender uma nova música, mas sim, receber um elogio dele.
E assim, os dias foram passando. Todas as madrugadas o encontrando, no mesmo lugar. Inconscientemente ele me ensinava. Inconscientemente virávamos mais e mais amigos. Mesmo não sabendo nada sobre o outro.
Eu dormia de manhã, e a tarde, passava o dia ou tocando Carla, ou saindo com os amigos, ou se não, passava o dia assistindo filmes, séries ou qualquer outra coisa com Mikasa, ou com meu pai, quando ele chegava de viajem.
Me pegava, em horas a toa, pensando no gordinho de preto. Não que ele fosse, é claro. O cara é muito mais musculoso que eu...! Eu me lembrava daqueles olhos azuis acinzentados...
1- ...Olhos azuis acinzentados?
2- ...Baixa estatura?
3- ...Pele alva?
4- ...E ainda cabelos negros?
5- ...Juntando com aquela expressão inexpressível?
Esse cara... não é o Heichou... do meu sonho, né?
Há! Essa foi boa...! Não... ele não é...
...Né?
– E ai Jaeger. Por que a cara de bobo apaixonado?
– Ei Eren!
– Ah? Jean, o que você ta fazendo aqui? Ah, oi Armin!
Jean Kirstein é meu melhor amigo, juntamente com Armin. É um pouco mais alto que eu, e também tem 18 anos. Tem cabelos raspados escuros, e castanhos claros jogados por cima. Seus olhos são castanho mel. Tem pele clara e rosto longo. Vive discutindo comigo, e eu, parcialmente o chamo de Cara de Cavalo.
– Vim te chamar pra ir pra banca conosco. Mas vejo que você ta ocupado ai, babando.
– To babando? — passei a mão na minha boca, e eu estava, um pouco.
– No que a princesinha ta pensando? — começou.
– Ah, vai se foder, seu cavalo.
– Cavalo a sua bunda.
– Ahh, cai dentro, palhaço.
– Ah, não! Parem vocês dois! — Armin nos separou ficando entre nós. — Que enjoamento que vocês arrumam! Vamos logo! Nossos mangás chegaram algumas horas atrás, vamos nos adiantar antes que alguém compre-os na nossa frente!
–Ta bom, vamos nos apressar. Vamos Armin, vamos montar no Jean, assim chegamos mais rápido.
– Ah, seu merda. — ele colocou seu braço em volta do meu pescoço e com o punho, bagunçou os meus cabelos, rindo com Armin. — Vamos logo.
Fomos a caminho da banca cantando o caminho todo. Foram algumas músicas de Linkin Park e outras de Red Hot Chilli Peppers, mas claro, às vezes, interrompíamos para eu e Jean discutir.
A banca que fomos é junta a uma cafeteria. E isso atrai muita gente. Pensa só? Quem não curte comprar aquele mangá/livro/revista favorito e ler tomando um Milkshake dos bons? Eu, Armin e Jean vamos tanto nessa banca, que já somos conhecidos por todos os trabalhadores no local e temos nossa própria mesa.
Ao chegar à banca, notei que estava um pouco cheio, mas como sempre, nossa mesa estava vazia. Mal entramos e já fomos cumprimentados e os vendedores principais já nos deram uma lista, informando quais mangás chegaram.
A lista básica estava ótima. Todos os nossos mangás — exceto um tinham chegados! Pena que o que eu mais queria, não pode vir. Dividindo o preço dos mangás em três, compramos todos os que queríamos, foram por volta de 15.
Armin e Jean foram anotar os pedidos, e eu, com a parte pesada, caminhei com a pilha de mangás nas mãos, em rumo a nossa mesa. Para a minha infelicidade, a pilha encobriu minha visão, me fazendo esbarrar em uma pessoa, derrubando a mim e aos mangás, que por sorte, estavam ainda encapados, então não amassaram ou se sujaram.
– W-Waah!
– Opa!
Ao cair no chão, olhei primeiramente à pessoa a quem esbarrei. Era uma mulher mais velha que eu, mas não parecia ter mais de 25. Pelo menos eu acho. Ao julgar sua altura... diria que seria mais ou menos do meu tamanho. Tinha seus cabelos castanhos escuros que eu achava, parecido como ruivo, assim como de Sasha. Estavam amarrados em um rabo de cavalo alto, com a franja partida ao meio, com algumas mechas caídas aos olhos. Usava ósculos quadricular um tanto grande. Seus olhos castanhos escuros e pele clara.
Mesmo sendo uma trombada um tanto brusca, ela teve um sorriso animado em seu rosto.
– Opa, opa, meu rapaz! — logo ela se levantou, me ajudando também — Me desculpe, querido, eu lhe machuquei?
– Ah! Não, de forma alguma! Eu quem deveria desculpar! — compartilhei um sorriso um pouco tímido
– Haha, que isso! Eu estava distraída! — ela se ajoelhou comigo, e me ajudou a recolher meus mangás — Aqui está!
– Obrig-
– Óh! Que legal, você também curte Samurai X! Ah, ah! Hunter x Hunter também! Ai meu Deus, Soul Eater, Level E, Resident Evil, Wolfs Rain, Yu Yu Hakusho, Ragnarok! Também tem shoujo! Estrelas Cantam? Que gracinha, também adoro! Kimi ni Todoke! Ai meu querido, tantos! Que ótimo gosto que você tem...!
Aquela mulher me assustava, e me deixava ansioso também. Que mulher maluca, e um tento divertida!
– Ora... Posso dizer o mesmo sobre você...
– Escuta aqui, fofo. — ela colocou meus mangás ao nosso lado, e ainda agachados, ela agarrou minha mão — Não quer se casar comigo?
– O qu-
– Ah, perdão, meu querido! — disse ela se levantando, e me ajudando também — Desculpa pela confusão! Mas estou com pressa, nos vemos por ai! Temos muito a que conversar! — ela se foi, andando rapidamente e acenando euforicamente para mim.
Que mulher maluca...! Mas de certa forma, eu já a vi em algum lugar...
Peguei os mangás e coloquei acima da mesa marcada. Ao retornar o olhar a cafeteria, notei que tinham alguns atendentes me olhando, assim sendo, notei que fiquei um pouco quente, envergonhado.
Logo Armin e Jean chegaram, com os pedidos nas mãos e já pagos. Refrigerante e salgados pra eles, e Milkshake pra mim.
– Eren, quem era aquela mulher? — Armin perguntou
– Ela era maluca! — Jean comentou, Armin confirmou
– Nem sei, mas ela tem gosto. Gostou de todos os mangás que compramos, e ela é bem bonita.
– Ah é? — Jean num tom interessante procurou a mulher pelo olhar
– Ah, Jean, como se ela fosse ficar na sua. — Armin olhou Jean com uma cara de reprovação
– Claro que vai! Ninguém resiste ao meu charme!
– Ah, claro. — comentei irônico, olhando ao lado e bebericando meu doce e gostoso Milkshake de Blue Ice.
Ouvindo os chamados e reclamações de Jean, percorri meu olhar à banca inteira, tentando achar algo de meu interesse que fizesse esquecer-me daquele retardado a minha frente. Até que, ao encontrar a porta com o olhar pela quinta vez, notei uma figura impressionante.
Um garoto baixo, de pele alva acaba de entrar. Com uma touca preta, óculos escuros, blusa preta, jaqueta de couro, jeans escuro e tênis preto passa naquela porta.
Um único chamado veio a minha cabeça: ... Heichou...? Não... é uma coincidência...!
Ah! É mesmo, se parece com o gordinho... mesmo estando a usar uma peruca ruiva com uma trança longa.
– Eren...?
Ah! Ele ainda está com o machucado no canto dos lábios.
– Ei Eren!
Ah! Ele ainda usa a luva preta!
E infelizmente, senti alguma coisa estragando minha cara, interrompendo meus pensamentos. O que era? Mangás! Mangás voadores que bateram fortemente em meu rosto!
– Seu tapado, estou falando com você! — Jean chamou minha atenção, estressado.
– E-ei, Jean! Assim você machuca o Eren! — Armin gentilmente se preocupou, levantando-se de perto de Jean e se sentando ao meu lado.
Olhei pro loirinho perto de mim, pegando os mangás que voaram até mim, e colocando-os de volta a pilha, voltando a me olhar. Aproximou sua mão de minha face, e tocou de leve em minha pele. Um abafado gemido saiu de meus lábios.
– Ei, Eren... ta tudo bem...? — Armin tinha o rostinho corado e preocupado.
– Está sim, obrigado, Armin — toquei em suas mãos calmamente, as afastando de meu rosto.
– Ta vendo, Armin, precisa se preocupar com essa princesinha vermelha não! — comentou Jean, um tanto desinteressado.
– Vermelho?
– Sim, Eren, você estava vermelho. Está realmente bem? — Armin me perguntou, ainda ao meu lado.
– A-ah! Sim! — peguei o refrigerante de Jean forçadamente e levei até minha boca.
– Eei! Seu guloso! Não vem fazendo isso! — ele reclamou estressado, um pouco corado, tentado pegar a garrafa de minha boca.
Pra se vingar, Jean me roubou meu Milkshake e se pôs a beber, tendo minha raiva. Então nos pomos a discutir. Mas, na verdade, enquanto discutíamos, eu tinha minha atenção naquele homem. Eu queria conversar mais com ele, não só na madrugada. Eu queria sair a encontros divertidos assim como os amigos fazem. Eu queria... estar mais à convivência com ele...
– Ei... Eren... Está tudo bem mesmo? — Armin me perguntou, pegando minha mão esquerda e a apertando.
– Ah? Ah, s-sim. Por quê?
– Você está tão distante... — Armin tinha uma expressão preocupada e tristinha. Jean atrás também parecia preocupado, mesmo bravo.
– Ahn, eu já volto, Armin, ok? Vou ver se acho um livro que Mikasa comentou que estava querendo. — me levantei, separando minha mão da dele. E me pus a andar. Senti os olhares dos dois sobre minhas costas.
Que livro de Mikasa o quê...! Eu queria saber o que ele estava fazendo. Queria ver que tipo de livro ele gostava, e queria saber com quem estava.
Continuei a andar meio sem rumo naquela banca tão grande. Estava escutando uma voz eufórica aumentando a cada passo. Parecia com daquela mulher de antes. Em meio às estantes perto daquela voz, eu me escondi. Não foi um escondido legal, mas tudo bem. Acho que ela não perceberia. Logo, entre os livros, eu observei-a.
Ela pulando euforicamente com um livro na mão, com um sorriso gigante. E ao seu lado, estava a figura pequena de preto, com uma expressão estressada.
– Quatro-olhos, quer fazer o favor de ficar quieta?! — ele estava com uma posição ereta, com as pernas juntas e pés unidos pelo calcanhar. Lembrou-me de uma posição de uma bailarina. Ele estava com a mão apoiada no rosto, e com o cotovelo apoiado no braço. Sua voz firme e grossa, tão nervosa, me confirmava que era realmente ele.
– Mas olha só! Seu livro lançado teve mais compras que qualquer outro!! — a mulher dizia em voz gritada com um sorriso imenso no rosto.
Então ele é um escritor...?
– Quer calar a boca?! Quer que os fãs reconhecem-me e venham tumultuar?!- o homem já tirava a mão do rosto, e olhava pra mulher como se fosse uma nojeira.
– Ah, é mesmo.
– Que bom que notou, sua bixa loca. — ele dizia dando as costas.
– Aaah! Le- Ahn Kristoppher! Como é que você fez um livro tão bom quanto esse em?
Kristoppher...? Não... ele não tem cara de Kristoppher. Será que é um nome artístico?...
– Está duvidando da minha criatividade?! — o homem voltou a olhá-la, abaixando os óculos, tendo uma expressão medonha. Certamente, era ele.
– D-de modo algum...! — ela hesitou uma expressão de medo, mas logo passou a um sorriso eufórico — Mas é que você é um gênio em livros de suspense ou de drama...! Mas os de romance você evita... E esse, você, por conta própria veio fazer!
– Dou o que os fãs querem.
– Da a merda! Você ta pouco se lixando pros fãs!
– Vai se foder, Hanji!
– Hahaha! Eu adoro quando você se estressa assim! — a mulher se jogou nas costas do homem, abraçando-o — Você me deixa orgulhosa, Kris-chan!
– Deixa disso... — ele, desinteressado, a arrastou até uma mesa usando apenas as costas que ela estava apoiada. Passando pela estante que eu estava, tentei esconder meu rosto numa revista de culinária.
Conferindo para ver se eles me olhavam ou não, corri para o outro lado da estante, e cacei apressadamente um livro parecido com que Hanji tinha em mãos. Honestamente, não precisei nem passar o olho direito, ali tinha inúmeras cópias daquele livro. O livro era uma cor branca, vermelho rosado em volta, e tinha uma figura pintada de uma praça com grandes árvores. Na verdade, aquela bela pintura, parecia com aquela bela praça que nos encontrávamos a noite.
O título era Assovio da meia-noite com 352 páginas, algumas ilustrações. O livro parecia interessante, e, checando novamente se eles estavam me olhando, percebi que não estavam mais ali.
– Hum?...
Quando me levantei, senti uma mão grande e forte em meu ombro, me assustando. Rapidamente olhei pra trás pra ver quem era.
– E ai, seu magrela. Parece que nos encontramos novamente.
– Ooi querido! — a mulher também me comprimentou
Senti meu rosto arder e minhas palavras não saiam.
– Ta tudo bem? — o de preto me perguntou, aproximando sua mão dos meus cabelos.
– S-sim... — percebi que eu estava muito vermelho, e ele, estava acariciando meus cabelos.
Olhei pra ele timidamente, e ele estava com uma expressão calma, me fitando, me fazendo corar ainda mais. Era como se aquele momento pausasse. O tempo pausado, somente pra mim, sentindo aqueles toques confortáveis e quentes, acariciando meus cabelos, e olhando aquele ser tão incrível em minha frente, com os lábios curvados timidamente.
– Ah! Aqueles olhos... Aqueles olhos tão lindos e reluzentes olhando aos meus... Uma vontade imensa tomando conta de mim... Eu gostaria de poder reunir forças para poder dizer que te amo... Oh! Que romântico!
Minha atenção e a do gordinho se voltaram à mulher encenando ali ao nosso lado, fazendo implicância conosco.
– Que merda você tá falando, sua capirota? — o homem na minha frente se revoltou, se afastando de mim.
– Estou recitando uma das partes do seu livro. — ela dizia com uma expressão satisfatória, com um sorriso largo voltado a nós. — Mas sinto dizer, meu caro amigo. Eu já flertei este lindo garoto à sua frente.
Com uma pancada na cabeça vinda do de preto, a mulher caiu dura no chão.
– Então quer dizer que se interessou por um livro meu? — ele comentou, me convidando para sentar-se à mesa onde ele estava, sentando-se juntamente a mim.
– A-ahn... Sim... Na verdade queria mostrar à minha irmã, talvez ela gostasse... também...
– Hm? Sério? — ele dizia sem interesse, apoiando o queixo em sua mão — Olha, eu te recomendo pegar outro livro...
– Por quê?
– Esse livro é idiota, não vale à pena ler. — ele dizia com os olhos em outro lugar.
– N-não fale assim de algo de sua autoria! — ele voltou seu olhar pra mim — Eu tenho certeza... Que está ótimo...
– Ah é? E por que diz isso? — ele me perguntava ainda sem interesse.
– Porque... Vem de você... — falei timidamente.
Ele levantou lentamente seu rosto, com os olhos arregalados, um pouco corado e com os lábios entreabertos.
– Eu sei que... Você se esforça em tudo que você faz... Estou certo...? — perguntei-o, ainda tímido
– Acho que todos se esforçam, como um dever. — ele ainda corado, desviava o olhar.
– N-não! Não são todos...
– De qualquer forma, garoto... Mudemos de assunto. — ele ainda tinha seus olhos desviados, de pouco em pouco, voltava em sua cor normal — Terá uma premiação semana que vem. Lá, irei tocar.
– Sério? Que legal!
– Não quer ir? — ele falou, voltando seu olhar a mim.
– O quê?
– Lá eu poderia te apresentar às pessoas, e você, mostrar o seu dom no violão. Assim, se der certo, você pode ter início a uma carreira.
– N-não! Eu não acharia... Apropriado...! E-eu... ahn...
– O que foi? Não acho que você tenha vergonha de tocar em público.
– Não, não é isso! É só que...
– Não se preocupe, arrumarei você.
– Hã?
– Sábado que vem, compareça as 6:00 pm, por favor. — ele pegou de sua bolsa um papel e escreveu rapidamente o endereço, me entregando. — Espero por você.
Ele se levantou.
– Ah, sim. Até mais tarde, magrelo.
Ele chamou por Hanji, e se afastou, com um sorriso de canto, me olhando, deixando-me boquiaberto.
Olhando o papel, ainda com a boca aberta, me corei mais. Eu estava nervoso, e ansioso. Sua caligrafia é muito bonita. E alguns pensamentos passaram pela minha cabeça: Ah. Vou vê-lo ao sábado., Estou... Feliz..., Isso é como... um encontro...? logo balancei a cabeça, tentando retornar à minha consciência, levantando-me e caminhando até o caixa, pagando pelo livro e fui sentar ao meu lugar, juntamente ao Armin e Jean.
Eles me fizeram perguntas básicas e tal. Respondi o que eu deveria responder. E disse, que o meu professor de violão me convidou a fazer uma apresentação.
Voltando pra casa, não consegui parar de pensar no próximo domingo. Já era por volta das 7:00 pm, então tomei um banho, e fui lá fora de casa, sentar-me na cadeira e olhar do quintal o movimento da rua, sem movimento algum. Apenas o frio me acompanhando. Ficar ali estava bem confortável, até Mikasa veio se sentar perto de mim, observar a rua tão calma. Ouvíamos o doce som do vento, balançando levemente nossos cabelos.
– Ei Eren...
– Sim, Mikasa?
– Quem era aquele cara que veio aqui aquele dia?
– Que dia?
– Não sei, faz alguns dias. Mas esqueci de perguntar.
– Ah... Você deve estar falando do meu novo professor de violão.
– Ah é? E como ele chama?
– Hm? Sei lá... — fingi desinteresse de minha parte, olhando ainda a rua. Mas na verdade, aquilo me deixa muito aflito. Quando será que ele me contará?... Não, melhor... Quando será que terei coragem de perguntá-lo?...
– Isso é estranho. — Mikasa voltou a olhar para mim — Isso me parece suspeito, Eren.
– Suspeito? Por quê?
– Não sei... Intuição.
– Deixa disso, Mikasa...
– Bom, por enquanto, vou ignorar isso. Trate de perguntar o nome dele!
– Sim, sim... — falei olhando ainda a rua, desinteressado no mandato dela, mas claro, curioso da resposta do meu professor.
Ao mesmo tempo, um suspiro saiu de ambos os lábios.
Neh... Mikasa...
– Hm? O que foi, Eren?
– Ahn... Não que eu esteja... Mas... Você já se apaixonou... Por alguém...? — perguntei recusando o olhar dela, sentindo-me corado e fingindo estar desinteressado.
– A-apaixonada? — pelo seu tom, percebi que ela se corou — J-já sim, por que a pergunta, Eren?
– E... Quando sabemos que estamos apaixonados...? — falei numa tentativa de desinteresse, mas rapidamente olhei a ela, com os olhos brilhosos, corado. Logo revirando as pupilas.
– Hm... Talvez quando você não para de pensar na pessoa... Ou quando nota cada detalhe...? Não sei explicar, Eren... Mas... — Ela sorriu de canto pra mim — Quando estamos perto da pessoa, parece que... O tempo para...
– Mikasa? Você está apaixonada?... — perguntei só por perguntar.
– Ahn? Ah... sim...
– Sério? E por quem?
– Nah... Eren... um dia eu te conto. — ela disse se encolhendo nas pernas sobre a cadeira.
– Ok.
O tempo se passou, uma eternidade. Por que demorava tanto quando estamos ansiosos?
No momento, eu já estava à caminho da praça, logo eu veria o meu professor. Mas eu estava com um pouco de sono, pra minha infelicidade. Só que meus pensamentos, não me davam sossego.
Como será o nome dele...? ... Hm... qual letra inicial?... Eu gosto de Z! Que tal Zaphire?... Não... não tem haver com ele... E se for Zero? Ha, Megaman?... E Lysandre?... Oh, parece, um pouco. Mas eu acho que um nome curto seria mais o tipo dele. Que tal... L-
Nesse momento, encostei meu pé direito ao chão, e senti uma sensação estranha, como se a minha visão se embaçasse, e ficasse trêmula. Logo ali em frente, avistei duas pessoas.
Um homem caído, com os cabelos morenos e curtos, bagunçados, uma pele clara, estava corado. Seus olhos verdes azulados tristonhos e sem vida olhavam à figura em sua frente. O segurando, estava um homem pequeno, com um olhar triste e distante, com os olhos um tanto acinzentados. O mesmo tinha pele alva como a neve, e estava corado. Ambos com um uniforme de uma tropa, ambos... ensanguentados.
O homem de olhos acinzentados estava às lágrimas, assim como o homem dos olhos azulados.
– Eren... Eren...
Eu...? O que tem... Eu? Espera, aquele... Era eu! Haha, que estranho!...
Eu estou... Morrendo?...
Ainda no meu lugar, observei-os.
O acinzentados miravam profundamente os azulados, e com sua mão direita, deslizou seus dedos na face do homem em seu colo. Os dois, tinham expressões de arrancar a alma. O que tinha... acontecido...?
– Eren... Eu... Me desculpe... Isso é... Culpa minha...
– Não... Heichou... isso aconteceu... porque eu sou fraco...
Ele estava com um sorriso aos lábios.
Heichou...!
– Eren... Por favor... Deixe-me lhe dizer... Pelo menos agora...
– Sim...?
– Eren... Eu... Eu... Eu te amo... Eren...
Com um toque aos lábios, a imagem desapareceu, trazendo-me novamente à realidade. O lugar em que se tocaram, estava quente, em mim.
O que foi isso...? Era como o meu sonho...
Espera...! Agora... Eu não tenho dúvidas...! O gordinho é mesmo o Heichou...! tendo meu rosto corado, continuei aos pensamentos- Ah, por que... eu me sinto tão feliz... Mesmo depois de ver uma cena tão triste...? Por que eu me sinto tão feliz, ao descobrir que o Heichou é o meu professor que veria logo?... E se um dia, eu lhe fosse contar que sonhava com ele...? Que palavras devo usar?... Como ele vai reagir...? Por que eu me sinto... Tão inseguro...?
Continuando o caminho, depois de alguns minutos eu cheguei ao ponto de encontro. Pra minha surpresa, ele já tinha chegado.
– Ei magrela.
– Ei gordinho.
– Cadê o violão?
– Hã? — olhei pras minhas costas, e logo percebi que não havia pegado Ah, merda!
– Tss... — ele gargalhou abafadamente, com os olhos fechados e com a mão tampando a boca, uma visão bastante fofa — Estava com tanta pressa de me ver assim? — logo sua boca virou um sorriso malicioso
– O-o que? N-não! D-desculpe, eu já volto, vou buscá-lo! — vir-me-ei de costas, mas rapidamente, fui interrompido com sua mão no meu pulso. Um ato rápido e surpreso.
– Não se preocupe. — com um sorriso tímido e gentil de canto nos lábios, ele me levou até o banco, fazendo-me sentar — E então... Vai aparecer mesmo lá, no domingo?
– S-sim. — eu respondi corado, olhando pra baixo, sentindo sua grande mão, em compensação ao seu próprio tamanho, segurando meu punho.
– Realmente? — sua voz saiu um pouco diferente, olhei pra ele, e ao ver seus olhos um tanto brilhosa, coramos juntos. E eu, acenei positivamente, confirmando — Estou contente. — Ele desviou novamente o olhar, passando a mão no meu cabelo.
Ficamos silenciosos novamente, até que percebeu que eu bocejava disfarçadamente.
– Ei, já que você ta com sono pode dormir. — ele tinha uma voz suave e calma, um tanto deleitosa.
– O quê? Não, eu tenho a manhã pra dormir.
– Vamos, não se incomode. — era meio impossível recusar com ele usando essa voz tão gostosa.
– Tudo... bem... — respondi timidamente, me apoiando ao banco, no lado esquerdo.
Fechando os olhos lentamente, só observando as pálpebras escuras e fechadas, concentrei-me em ouvir sua respiração, calma e lenta. Alguns minutos se passaram, e eu ainda não tinha dormido, eu estava concentrado em ouvir aquela respiração calma, sentir aquele cheiro doce, e ouvir o balando de seu pé.
Até que, lentamente, senti um toque em meu pescoço do lado contrário do seu, levando meu rosto até seu colo, depositando-me ali. E em meus cabelos, ele fazia um cafuné gostoso e lento, trazendo-me uma posição tão confortável como nunca.
Aquele cafuné tão gostoso... me trazia boas lembranças...
Até que, de seus lábios, o ouvi pronunciar certas palavras que me assustaram.
– Eu acho que... Eu não te disse... Mas você me parece com alguém que vivia em meus sonhos...
Em seu tom, eu sentia uma tranquilidade, um tom calmo e feliz. Mas por que... sua próxima frase... me trouxe tanto arrependimento de ouvir?... Por que... a próxima frase, sendo acompanhada de suspiros tristes... Soou tão desgastante...?
– Ei... Garoto...
Ele continuou.
– Será que... Eu vou sobreviver...?
Continue...
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