Why do you Refuse?
2 Chapter 2 – Fat Ungrateful
Notas iniciais
Why do you Refuse?
Chapter 2 – Fat Ungrateful
O homem de preto ali em minha frente estava com os olhos cansados, com alguns hematomas no rosto. Não... alguns não. Eram vários! Um de seus olhos um tanto inchado, sua bochecha vermelha, arranhada e também um pouco roxa. O canto de seu lábio estava machucado, ainda sangrando, e seu nariz vermelho, não por causa do frio, mas sim, por ter levado uma pancada nele.
O pequeno homem de cabelos negros olhava-me assustado, meio vermelho. Deu os seus passos para trás, tentando de afastar de mim. Obviamente, eu não deixei, segurando-o agora em seus braços fortemente. Percebi-o hesitar, talvez eu tenha o apertado forte de mais. Soltei-o lentamente, e ele, deu pequenos passos, se afastando de mim, e desviando o olhar.
– Ei-
– Esqueça disso. – disse ele, virando de costas, convidando-me a segui-lo. Após passar perto de uma lixeira, jogou a garrafa vazia lá.
Enquanto voltávamos ao banco, percebi que ele parecia mais solitário do que eu tinha percebido de primeira vista. Seus cabelos negros e lisos dançavam vagarosamente ao balanço do vento.
“Por que ele me parecia tão solitário...?”
Observando-o profundamente, tentando descobrir seus segredos apenas ao olhar de suas costas largas, percebi que o olhar que eu lançava era um tanto triste, desgastante. Mas eu ainda não parava de pensar.
“Por que ele está surrado assim...?”
Um suspiro fugiu de meus lábios, trazendo-me um balde de desconforto.
“O que será que esse homem passa...?”
De suas costas, agora olhei a sua mão. Grande, apesar de sua estatura pequena. Fina e delicada. Não estava nem um pouco maltratada, nem mesmo suja.
“Ele me parece ser forte, então por que... ele apanhou assim...?”
Chegando ao banco inicial, nos sentamos e ficamos um pouco em silêncio. Provavelmente, se eu abrisse a boca, eu o pediria para me contar o que aconteceu, fazendo-o estressar, mas eu devo resistir. Não quero perder a chance de... aprender algo com ele.
Olhando tensamente para a rua, eu permaneci sentado, ao seu lado, um tanto distante. Era quase certeza que eu suava frio para me segurar. Percebendo isso, o de preto levou sua mão até meus cabelos.
– Não se preocupe. – Ele me dizia, olhando pra rua também.
E o engraçado, é que quem era confortado ali era eu. E não ele. E isso me deixou um tanto desapontado comigo mesmo. ...Será por eu ser mais novo...? Ou será porque eu sou um idiota...?
– Vamos, desembainhe seu violão. – obedecendo-o, foi o que eu fiz. Logo, ele estendeu a mão – Posso...? – pediu permissão, apontando o dedo ao violão.
– A-ah! Sim, claro!
Cuidadosamente, ele pegou Carla, e a observou durante algum tempo. Sua expressão era ainda distante, mas calma. Não dava pra saber se era triste ou não. Delicadamente, deslizou sua delicada e alva mão no violão, desde o braço, até o corpo, dando um breve suspiro.
Lentamente, retirou a luva preta com a boca, jogando-a em seu colo, deixando essa cena um tanto em minha memória, e posicionou os dedos no braço do violão, na posição do acorde C. Logo, após posicionar a mão direita em frente às cordas, iniciou um breve dedilhado.
Talvez fosse para conferir se estava realmente afinado. Mas de alguma forma... aquele dedilhado tão simples, ecoou em minha memória. Escapando um suspiro abafado de meus lábios, tendo-o sua atenção.
– Está bem? – ele me perguntou, olhando pra mim, parando o tão delicado dedilhado.
– Ah? Ah, heh, sim... – respondi entre um riso sem graça.
O de preto que olhava pra mim de uma forma inexpressível, voltou a olhar Carla, e se pôs a fazer outro dedilhado. Descia com o dedão, duas vezes, e voltava com seus três maiores dedos, algumas repetidas vezes. Um som um tanto calmo. Um tanto solitário. Um tanto... triste.
– Que música... é essa? – em meio aos dedilhados, agora eu também sussurrava, não tendo a intenção de interromper aquele lindo som.
– Nenhuma importante. – ele respondeu, com os lábios um tanto tortos.
Será seu sorriso forçado...? ...Então... esse cara... é tão privado até com um sorriso inexpressível?...
Continuando aquele triste som, ecoando em minha cabeça, o homem ali, ao meu lado, soltou um pesado suspiro, fechando seus olhos, fazendo uma expressão de dor. Observando e escutando tal cena, meus olhos arderam. E logo, quando mal percebi, algumas lágrimas escaparam para minha face, abaixando minha cabeça, elas caíram ao chão, marcando-o de leve.
“Então, aquele cara realmente tem dom.”
“Um dom inexpressível.”
“De passar sua dor para os ouvintes,”
“Sem precisar de palavras.”
Olhei à sua mão esquerda, que antes estava com a luva. Em seu dedo anular, tinha um anel preto, com um brilho no meio, talvez uma pedra. Fazia um belo tom, em sua pele tão alva. Eu não conseguia observar direito, por causa do escuro, mas percebi que em sua mão, tinha algumas cicatrizes.
Tentando recompor minha voz, já que se eu pronunciasse qualquer som, sairia trêmulo, eu resolvi iniciar um assunto. Assim que enxugasse minhas lágrimas.
– Há quanto tempo... que você toca...? – eu o perguntei, ainda sussurrando.
– Não lembro... talvez... vinte e nove...? Ah. Não sei.
– Vinte e nove?! – me assustei juntamente a ele
– Que raios?! Por que o susto? Eu não tinha te falado que era mais velho que você?!
– A-ah, não... não é isso!... – voltei a sussurrar ainda tímido – é que... eu queria saber tocar como você...
– Ah. – ele logo deu um pequeno e baixo riso, parando o dedilhado e voltando sua mão direita a meus cabelos, afagando-os – Não se preocupe garoto. – em sua face, tinha seus lábios curvados no canto, um pequeno e leve sorriso, um tanto gracioso, um tanto tímido – Você aprenderá mais rápido que eu, disso tenho certeza.
Seu olhar direcionado a mim me fez corar, juntamente a suas palavras. Poderia jurar que no momento, meus olhos estavam dilatados por conta da felicidade, e brilhosos.
– E por que você diz isso...? – perguntei-o timidamente.
– Por que, garoto, eu sei. – ele retirou sua mão de meus cabelos.
Por um momento, vi-o hesitar um pouco, mas respondeu apressadamente. Se tivesse acontecido quando eu ainda era mais novo, eu não perceberia, mas agora, sou um adulto. Percebi que para viver no mundo adulto, há de mentir. E esse cara, preferiu não mentir, mas sim, encobrir alguma realidade.
Retirando o meu olhar do de preto ao meu lado, fixei-o ao meu lado direito, abrindo minha boca, para iniciar um certo assunto. Mas, vindo de frente, um vento frio me interrompeu, fazendo-me corar e esquecer o que eu falaria.
Voltando o olhar ao homem, a minha esquerda, o vi estremecer com o forte vento, apertando a base de seu tórax, fazendo uma expressão de dor.
– V-você está bem? – perguntei eufórico, aproximando minhas mãos dele.
– Sim... – ele ainda tinha expressão de dor.
– Dói muito? O que dói? Quer algum remédio? Ou é frio? – ainda eufórico, eu retirei Carla de seu colo, coloquei-a ao seu lado, e retirei meu casaco, colocando por volta dele.
Ele se assustou, e virou seu rosto pro lado contrário, evitando o meu olhar.
– Não... – sua voz estava mais falha – não preciso... veste você... vai ficar com frio. – ele disse retirando meu casaco de suas costas, mas eu o interrompi.
– Não sinto tanto frio, pode usar. – forçando-o a usar, ele vestiu apropriadamente. Como o casaco era maior, ficou com as mangas estendidas, mesmo vestindo corretamente. O vi ficar aborrecido, e eu soltei um leve riso, tendo seu olhar mortal virado a mim, que logo, vir-me-ei ao contrário, por sentir minha morte se aproximando.
– Quer... morrer?
Suei frio. Não acho que o cara pensaria duas vezes em me matar, mas me divertindo com a situação, eu ri, e por minha surpresa, ele também. Sua doce gargalhada baixa e abafada conseguiu minha atenção.
– Então você... também ri... – sussurrei, aproximando minha mão a sua face, tirando alguns cabelos da frente de seus olhos.
Mesmo corando com a situação, sorri de modo gracioso, percebendo que o mesmo corou um pouquinho bem pouco, ainda olhando pra mim.
– Obrigado por hoje, obrigado pelo casaco. – ele disse se levantando e evitando novamente meu olhar – Mas agora, devo ir.
– Ah, espera. – levantei, o acompanhando – Sua casa deve ser longe, não? Há quanto tempo fica daqui até lá?
– Normalmente, duas horas, pra mim.
Duas horas?! Não mesmo que vou deixá-lo assim.
– Minha casa... fica apenas 45 minutos daqui.
– Aonde quer chegar com isso?
– Ahn... ah... é que... – agora fiquei meio sem graça – Não quer passar essa noite em casa?
Ele hesitou com minha pergunta, mas logo se recuperando do susto, se pôs a perguntar.
– Não o incomodaria? – ele desviou novamente o olhar.
– D-de forma alguma! – respondi, um tanto eufórico.
Ele hesitou novamente.
– Não me parece certo.
– Vamos! Ninguém vai se importar! Só está eu e minha irmã, minha irmã já está dormindo! E visitas sempre são bem vindas!
Depois de eu insistir muito, ele aceitou forçadamente. Após pegar Carla já embainhada, tratamos de ir pra lá. Mas sem pressa. Eu iria ao ritmo dele, sem o cansar. O caminho escuro e solitário, já se foi.
Parece que... perto dele, eu me sinto de certa forma... leve. Não sinto preocupações, e se for pra sentir, parece que ameniza. Se algo me incomoda, logo se esconde. É o poder dele?...
Apesar disso, nenhum assunto rendeu, mas não ficamos com clima pesado.
A ‘caminhada’ até minha casa, demorou uma hora e dez. As vezes, ele parava no meio do caminho, pedindo desculpas e se recomponha o fôlego. Sua voz voltou ao normal, mas ainda sussurrava.
Ele me parece... um tanto fraco. Será que ele tem algo, ou é por causa do frio?...
Entrando na minha casa, o guiei, mostrando os cômodos, e o levei até meu quarto.
– Obrigado novamente por aceitar a proposta por dormir aqui. – sussurrando, para não ter chances de acordar Mikasa, o agradeci.
– Não, realmente, eu quem agradeço.
Compartilhei a um sorriso gentil a ele, e o de preto, retirou minha jaqueta.
– Pode deixar em cima da cadeira. – falei abrindo meu guarda-roupa.
– Até que aqui não é tão bagunçado como eu pensei que seria. – comentou ele, fazendo o que eu lhe pedi.
– Acredite, nem sempre é assim. – falei, com um sorriso pedindo para não me subestimar.
– Tss. – ele riu baixo.
– Aqui... você prefere um pijama longo ou curto? – perguntei
– Tanto faz, mas eu agradeceria se a blusa fosse de manga comprida.
– Manga comprida... ok. Não tem costume de se cobrir? – ri juntamente a ele – Já que aqui em casa não é frio nem quente, lhe darei um short.
– Tudo bem.
Do armário retirei o pijama pra ele, assim como informado. As duas peças brancas, entregando-o.
– Enquanto a roupa íntima...
– Ah, não não, não precisa.
– O que? Claro que precisa. – continuei a procurar – Vou pegar uma pequena pra você. – gargalhei alto, tentando abafar com a mão.
Como esperado, ele socou minha cabeça, rindo também. E caramba, como aquilo doeu. Peguei uma cueca boxer branca pra ele, e atirei em seu rosto.
– Ora, seu pirralho, tenha respeito comigo. – ele fez uma cara brava, me assustando, mas logo não aguentou e se pôs a rir, acompanhado de mim.
– Ah sim, precisamos cuidar de seu rosto...!
– Não, não se preocupe com isso. – ele voltou a estar sério.
– Claro que sim!
– Não, já estou te incomodando o suficiente, não precisa mais disso.
– Vou cuidar sim! – continuei com a ideia firme, fazendo estralar a língua.
– Tsc. Tanto faz. – joguei uma toalha azul claro a ele – Estou indo.
– Ok.
Assim que ele entrou pro banho, desci à cozinha, peguei uma caixa medicinal e fiz alguns sanduíches com leite, e voltei ao quarto. Já adiantando as coisas, arrumei a cama que era de casal. Não tem problema nenhum. Só iríamos dormir. E por mais estranho que pareça... Não sei o seu nome, e nem o que ele faz. Não sei nada sobre ele, apenas que ele gosta de tocar violão, e obviamente, gosta de usar preto. Mas... eu sinto como se ele já fosse meu melhor amigo. E também sinto... que já conheço ele há muito tempo.
Assim que a cama foi arrumada, já com dois travesseiros e coberta, ele apareceu no quarto.
– Ah, já aca-
Fui interrompido por um estilingue de cueca, voando em minha cara, me dando um imenso susto.
– Quê isso? – peguei a cueca do meu rosto, ainda assustado, segurando o riso. Era a cueca que eu lhe emprestei.
– Você é magrinho pirralho. Essa bagaça mal entrou em minhas cochas, imagina o quanto apertaria. – ele gargalhou euforicamente – E ai? Quem é o baixinho que é mais musculoso aqui?
– Ora...! isso porque você é um baleia...! – me pus a rir, acompanhado dele.
– Onde eu poderia deixar minhas roupas?
– Ah, qualquer lugar.
– Fala isso não que eu as enfio na sua boca.
Eu gargalhei abafadamente, para não acordar Mikasa.
– Ah, sei lá, deixa em cima da mesa ai. – ele as pôs dobradas – Vou tomar banho agora, fique a vontade, como pode ver, tem lanche pra você. – apontei para o lanche na mesa, enquanto pegava meu pijama e minha toalha.
– Ah, espera. – olhei pra ele – Hm... tem algum caderno e um lápis?
– Ah, sim, na primeira gaveta ai na sua direita tem. Mas o que vai fazer?
– Desenhar.
– Ah, você desenha? Aposto que não ganha dos meus bichinhos de palito.
– Vamos ver. – ele sorriu desafiadoramente, enquanto pegava o caderno e o lápis.
– Só não estraga minhas cifras ai, eu fiquei com preguiça de memorizá-las, então tive de escrever. – falei na porta do meu quarto, ainda falando em um tom divertido a ele.
– Ok.
Ta... bom... confesso que dei umas olhadas a ele. Estranhamente, ele ficou uma graça com meu pijama. E assim mesmo como ele falou, reparei em suas coxas alvas e musculosas. Realmente, não tinha comparação enquanto as minhas. Estou envergonhado. Mas que aquelas coxas eram boni-...
Que raios?! Que bosta. Oh, merda. Não, esquece.
Reparei que em seu tornozelo tinha uma pulseira preta, como esperado. Cara viciado em preto. Ele ainda estava com sua luva e sua touca, mesmo indo dormir. Mas passando por ele, percebi que ele lavou o cabelo, o doce cheiro de shampoo era bem perceptível. E achei que ficou bem nele.
Meu banho foi rápido como sempre. Deixei minha toalha no banheiro, e minha roupa no cesto. Voltei ao quarto, e ele, sentado na cadeira, desenhando. Sem tentar fazer barulho, fui pra trás dele. Ou pelo menos, tentei.
– Estou te escutando, seu pirralho magrela.
– Ixa! – gargalhei baixo – Deixe-me ver!
– Não mesmo. – ele virou o caderno e recusou eternamente a me mostrar.
– Ah, seu resmungão. – enfezei e me joguei na cama emburrado. Só aceitei sem pedir até que ele se cansasse, porque ele deixaria o caderno de qualquer forma, então depois eu veria.
Olhei pra ele novamente, e percebi que ele ainda não tinha comido.
– Ué, seu gordo, ta com dor de barriga? Por que ainda não comeu?
– Ah, preferi te esperar, vai que depois eu não aguentava e comia sua parte também. – nós dois rimos juntos.
– Que gracinha, ele é bem educado.
Sentei-me ao seu lado, e lanchamos. Uma vez ou outra eu falava algo de boca cheia, e ele me batia.
Depois que acabamos ele escondeu o caderno de mim com custo, e o fiz se sentar na cama comigo, para tratar de seus fermentos.
– Ei, tira essa touca pelo menos.
– Tiro não. – ele disse segurando a toca, um tento emburrado.
– Por que não?
– É desconfortável.
– Vai, tira. Desconfortável é o calor que essa droga dá.
Depois de eu insistir muito, ele tirou, desviando o olhar. E logo, entendi o porquê dele usar a touca.
– Caramba! Seu cabelo é ridículo! – eu ri forçadamente, e ele deu um risinho fraco.
– Claro, o cabelo né.
Na verdade, não era o cabelo. No começo de sua testa, tinha um grande ferimento, com alguns pontos, que subiam até seu couro cabeludo. Na verdade, não apresentava nenhuma falha, mas talvez, ele usasse a touca por ter vergonha da cicatriz.
– Ei... desculpe perguntar isso... mas... quem te faz isso...? – perguntei, com um olhar triste, preocupado, desinfetando seus machucados, com um medicamento.
Ele desviou o olhar novamente, para outro lado, tendo no rosto, um sorriso torto, forçado. E assim, permaneci em silêncio, assim como ele. Não vou forçar as coisas. Algum dia ele me fala. Então, depois de tratar de ser ferimentos, escovei os dentes, e ele reclamou por não ter sua escova aqui.
– Mesquinho. – falei, depois de voltar do banheiro.
– Seu pirralho de merda, me respeita.
– Prefere que eu deixe a porta fechada ou aberta?
– Prefiro fechada. Mas você quem sabe.
– Ok, fechada, também prefiro. – sendo assim, fechei a porta, e desliguei a luz, deitando-me na cama juntamente a ele.
Virados pro lado contrário permanecemos ali. Alguns minutos se passaram e percebi que ele ainda não tinha dormido.
– Ei... você ainda está acordado, não é?
Ele continuou em silêncio, virado de costas pra mim.
– Não precisa fingir. Sou filho de médico, e leio livros medicinais por curiosidade. Sei muito bem enquanto a respiração quando dormimos. A sua está bem parecida, mas não tem sincronia.
– O que foi? – ele finalmente me respondeu.
– Eu que pergunto, tem algo te incomodando? É pelo fato de estarmos na mesma cama?
– Hun? Não.
– Então o que?
– Nada. Eu demoro a pegar no sono.
– Ei, vire pra mim.
– Vai dormir, você está com muito sono.
– Não vou dormir antes de uma visita. – com delicadeza, virei seu rosto macio para mim.
– O que foi? – só conseguia enxergar seus olhos, inexpressíveis.
– Me da suas mãos.
– Pra quê?
– Só me dá, por favor. – como meu pedido, ele me deu. Uma nua, outra de luva.
Logo, encostei a ponta de seus dedos aos meus, unindo-as e entrelaçando-as. Ele assustou um pouco, mais logo voltou com o olhar de sempre.
– Se for medo, estou aqui. – eu sorri timidamente, provocando um pouco de irritação a ele.
– Ah, seu idiota. – ele apertou forte minhas mãos, provocando um gemido de dor, mas logo sorriu de canto e fechou os olhos. – Valeu a intenção.
– Eu acordo tarde, então, mais cedo, quando você acordar, esteja à vontade.
Permanecemos em silêncio, e segurei o sono até ele adormecer. Demorou um pouco, mas logo adormeceu, com uma expressão calma. No meio da madrugada, acordei uma vez, e o vi de costas, e eu o abraçando-o. Não parei, estava confortável. E logo me pus a dormir.
Quando eu finalmente acordei, ele não estava dormindo. Olhei no relógio, eram 10:00. Levantei lentamente, e percebi seu lado da cama estava arrumada, suas roupas sumiram e meu pijama também.
Na mesa, vi um bilhete.
“Agradeço novamente, pirralho.
Estou indo mais cedo.
Levo seu pijama comigo, lavá-lo-ei.
Obrigado pelos abraços, seu grudento.
Gordo.
Ps: Dá um pulo lá na praça de novo,
No horário de sempre.”
Tive uma leve e desagradável imaginação de que foi como se ele fosse um prostituto, eu o comido, e ele desapareceu.
Gordo mal agradecido. Logo disparei uma gargalhada doce.
Até.
Continue...
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