Why do you Refuse?

10 Chapter 10 – Great Sadness


Notas iniciais
Oi gente! Tudo bem? ç.ç desculpem a demora! Tanta coisa acontecendo por esse tempo... Então, acho que alguns de vocês sabem, mas sabe a autora de "As Noites em que Nosso Amor Desabrocha"? Pois é, essa diva mesmo. Nós nos casamos! Não é legal? Estou tão feliz! *u* Somos lindas Senpais. (sim, eu sou o seme. HUHUH) Cara, eu tenho algumas coisas a falar, poderiam ler as notas finais, por favor? Obrigada! O capítulo está grande, mas não acho que esteja cansativo. Tem uma parte ai que fala sobre o Capítulo 6 de Pirralho Idiota, tá em negrito, quem não lembrar, aconselho dar um up lá depois (já que eu estou refazendo de pouco em pouco a fic inteira) Música de hoje, mais uma vez Paramore, Oh Star piano Version https://www.youtube.com/watch?v=beeO_HI_ScQ Boa leitura, e por favor, leiam as notas finaais ~o~

Why Do You Refuse?
Chapter 10 – Great Sadness

Desde quando sinto meu peito doer tanto?
Sempre me pergunto, ao notar que novamente estou ali, sozinho. Recusando qualquer afeto, presença ou qualquer tipo de contato com alguém. Sentindo meu peito doer cada vez mais.

Desde quando vejo meu próprio mundo escurecer-se a cada minuto?
Era inevitável notar que minha visão em relação ao mundo havia mudado de uma forma tão drástica, que se pôs a ser tão obscura, tal que era incrivelmente rápida a forma de cegar meus antigos pensamentos em relação ao mesmo.

Desde quando meus olhos perdiam seus brilhos ao aprofundar nas memórias?
Talvez esse seja o resultado em estar tão solitário ultimamente: tudo em minha volta passa a perder sua cor. E inacreditavelmente, ter perdido essas cores ao meu redor, não me assustava; ver tudo escurecido já estava sendo algo de meu costume.

Desde quando olhava ao espelho e via só um reflexo destruído?
Já era rotina olhar àquele espelho do banheiro e ver aquele reflexo tão morto olhando pra mim; com aqueles olhos sem brilhos, sem aquela intensidade de antes. Eu já havia perdido a esperança de voltar a ser quem eu antigamente era.

Desde quando meus sorrisos passaram a ser forçados, tristes e chorosos?
Tinha-me já esquecido de qual era a sensação de um sorriso verdadeiro. É incrível o quanto isso faz falta. Dói tanto forçar-me a rir, mas eu não tenho mais escolha diante a tudo isso, já que não quero que as pessoas alheias gastem seu tempo preocupando-se comigo ou até mesmo fingindo se preocupar.

Enfim, sobre tudo isso, me lembrava sim. Na verdade, perfeitamente. Todavia era tão horrível, que finjo ter esquecido e sempre... Acabava lembrado por pesadelos, cujo eu tinha seja dormindo ou acordado. Aquele mar de emoções que dia após dia me banhava, ficava cada vez mais decepcionante. A cada dia que passava, mais eu me julgava ter feito tudo àquilo de uma maneira errada, até mesmo julgar ser a coisa errada. Mas eu sempre soube, que referente a isso, nada eu tinha o direito de falar.


A cada dia que se passava, inconscientemente, eu perdia o foco da realidade. E diante a isso, nada eu podia fazer. Às vezes, alguns pensamentos invadem a mim, tais que eu odeio. Simplesmente odeio pensar qualquer tipo de coisa que dê origem à pena. Mas é inevitável de passar ora ou outra algo do tipo. Frustrante? É. Mas acabei por refletir:

O que nessa vida não seria?

Meu peito cria uma dor inacreditavelmente imensa só ao pensar no que tem acontecido até agora. Eu tento inúmeras vezes, ignorar; pensar em outra coisa, como sempre fiz. Porém, por que parece tão impossível? Por que agora, essa possibilidade parece se afastar cada vez mais?

– Fu... Pelo menos... Isso não vem ao caso agora... – praticamente minhas palavras saltaram de minha boca, em um sussurro, acompanhadas de um suspiro bastante alongado – E se tudo isso estiver acontecendo por minha culpa? – um sorriso triste veio sem intenção à minha face.

E naquele sofá, especificamente da sala, eu permanecia sentado. Na verdade, já que estava sozinho em casa, eu apenas dormia ali mesmo. Praticamente ficava ali o dia todo, ora ou outra saindo dali apenas para me tratar obrigatoriamente, sendo higiene ou alimentação; fora as horas em que... Sinto-me praticamente obrigado a me encontrar com... Armin e Jean.

– E nada contribui para me sentir melhor. – conclui a mesma frase pela possível décima quarta vez, só hoje. Outro suspiro cavalgou ao ar, e logo, tive minhas costas escorregadas, até deitar-me de forma desajeitada ao sofá, permanecendo um olhar vazio, lançado ao teto. – Me pergunto uma nova vez, quando finalmente aceitarei tudo isso. – virei lentamente o rosto ao lado, e com a visão meio tampada pelo braço do sofá, avistei meu violão tão delicado escorado na parede, perto das escadas.

Via-me sem vontade de tocá-lo. Talvez... Por que meu medo avançou ultimamente. Sinto medo de novamente dedilhá-lo e acabar em lágrimas... – Que tanto insisto em prender. – Completei minha frase falando, como esperança de desabafar. – Mas claro... Só uma esperança. – Fechei meus olhos, unindo minhas sobrancelhas, uma mordida forte no meu lábio inferior me trouxe o gosto metálico à boca, e logo o lambi.

Era como algo inconsciente, obrigatório, levava minha mão à minha própria nuca e a apertava, com uma tentativa de ser o mais gentil possível, transformando àquele simples toque em uma carícia. Logo abrindo os olhos, umedecidos, imaginando ali em minha frente, nada menos que Heichou. Talvez o Heichou dos meus sonhos... Talvez o Heichou meu ex-professor. Tentava imaginar essa carícia como um de seus carinhos, um de seus confortos.

– Mas eu sei... – fechei novamente meus olhos, mordendo meus lábios ao mesmo local de antes; abaixando lentamente minha mão que ainda pousava em minha nuca – Que não é nada mais que um desejo. – um novo suspiro avançou aos meus lábios, escapando rapidamente ao ar, se afastando acompanhado do vento que entrava nesse cômodo pelas janelas que tinham suas cortinas brancas balançadas. Uma visão solitária ao ver as mesmas naquele ritmo fazia meu olhar entristecer-se um pouco mais.

E de repente, tudo colaborava para esse fator continuar. Agora é normal estar deprimido, ter uma visão pessimista sobre o mundo, acabar assim, deitado ou até mesmo jogado ao sofá, prendendo minhas emoções a mim.

– Mas eu não entendo... – avancei minha mão até minha face, um pouco abaixo de meus olhos – Como essa dor é tanta, que prende minhas lágrimas aos meus olhos... Não deixando as mesmas cair, — fechei meus olhos e ao sentar novamente no sofá, abaixei minha cabeça, com a mão ainda permanecida ao local – como se elas... Não fosse o suficiente para expressar a minha tão imensa dor...

E novamente eu estava ali, sentado ao sofá, com a mão sobre a face, esperando minhas lágrimas caírem, todavia as mesmas negavam a se afastar de meus olhos; como se quisessem que aquela dor não se aliviasse, mesmo que seja temporário.

Isso dói.

●ω●


– Eren. – já que eu ainda permanecia sentado no sofá, Jean entrou em minha casa sem aviso, usando a chave que lhe foi entregue. O mesmo estava escorado à porta de entrada da sala que dá na cozinha – Ei, Eren. – ouvi seus passos, como se ele estivesse se aproximando, e pelo espaço de meus dedos que estavam em frente dos meus olhos, o vi agachar, aproximando o rosto de mim – Me olhe, Eren; O que há? – senti seus dedos levantarem meu rosto após tirar minhas mãos. – Você está vermelho, está com febre? – colocando as mãos em nossas testas, pausou alguns segundos – Parece que não... O que houve Eren?

Uh... Nada... Jean. – respondi, forçando minha voz. A ultima coisa que queria é que ele viesse dar um de psicólogo.

– Você não gosta de desabafar mesmo... Não se sente de alguma forma... Pesado?... – aquelas simples palavras que saíram da boca de Jean fez-me paralisar, meus olhos arderem e senti meu coração dar uma pausa rápida, de uma forma desconfortavelmente dolorosa.

“Há. Jean, não seja imprudente. Essa coisa de desabafo não existe. Nunca existiu; Você sabe muito bem... Sobre isso.”


Não, Jean. Realmente não é nada. – um sorriso veio ao meu rosto, de modo que eu fechasse os olhos – Parece que... Armin não veio com você. – Jean se sentou ao meu lado e o percebi respirar fundo.

– Sobre o Armin... Você acabou se esquecendo do estado que ele se encontra não é? – dobrei meus joelhos, de forma que eu pudesse os abraçar, apoiando meu rosto sobre os mesmos. – Já esperava por isso. – o mesmo suspirou e o vi coçar a nuca – O avô dele está em um estado ruim, Armin optou por ficar ao lado dele, no hospital.

Ah... – perdi-me na visão em minha frente, que na verdade, não era nada de mais. Desde quando eu sou tão ignorante?... Desde quando eu passei a me esquecer das coisas? Desde quando eu passei a ser... Alguém tão deplorável?!

– Eren. – Jean suspirou, se levantando, ainda com a mão bagunçando seus cabelos – Escute... – percebi que o mesmo desviava seu olhar – Vá a um psicólogo... Antes que você cometa alguma besteira.

– Não diga como se eu fosse um louco, Jean. – finalmente levantei-me, mas por ser um movimento rápido, acabei por ter minhas pernas bambas e minha cabeça zonza. O outro me segurou, antes que eu caísse.

– Eren... Eu... Só estou preocupado com você... – senti o mesmo ter sua voz um pouco trêmula, sobre meus braços, senti suas mãos me segurarem de uma forma possessiva – Veja como está fraco Eren... A que ponto foi chegar...?

Por favor, Jean. – tive meu olhar desviado– Não comece...

– Desculpe. Mas... Eu só... – logo me puxou de vagar, até me unir a um abraço, o maior levou sua mão até meus cabelos e os afagou, até encostar meu rosto na curva de seu pescoço – Eu só me preocupo com você, Jaeger...

– Obrigado, — retribui seu abraço apenas fechando meus olhos e pegando levemente sua camisa – Realmente... Obrigado, Kirschtein.

Sua mão direita, das minhas costas, subiu até minha nuca e a acariciou levemente, tal que bagunçasse levemente meus cabelos; e na minha testa, depositou um suave beijo estralado. Sua destra percorreu o caminho novamente até minhas costas e escorregou até minha mão; depois de uma leve prensada, a soltou, de forma bem lenta.

– Está com fome, Jaeger? – sempre, após um ato de carinho, eu e Jean acabávamos a sussurrar.

– Não muito. – respondi, pegando meu braço, meio embaraçoso.

– Vá tomar um banho, verei o que posso fazer para comermos.

– ... Sim, — caminhei até a escada, e após apoiar meu pé destro no primeiro degrau, virei minimamente até ele – Obrigado por tudo que está fazendo Jean. – um sorriso doloroso tornou a voltar em minha face – Obrigado.

O mesmo retratou uma expressão de leve susto, que logo teve o olhar desviado e um sorriso forçado – Não diga como se... Você fosse morrer hoje... Ou até mesmo amanhã.

“Se eu tivesse coragem o suficiente, isso seria de certa forma, bom.” Tornei a subir as escadas, de uma forma lenta, um tanto cansada e logo adentrei o banheiro. Conferi se minha toalha estava ali, e logo adentrei o chuveiro que permanecia na água quente. Em um longo contato com aquela água tão deleitosa, senti minha pele arder levemente pela causa da temperatura. Fiquei ali, parado; a base de só me molhar, tornando-me mais pensativo. Uma nova vez não aguentei: coloquei minha mão destra sobre minha face canhota, e a minha frente, visualizei aquele ser que... Foi praticamente afastado de mim. Naquela imagem diante a mim, um moreno dos cabelos bem escuros tinha seus olhos penetrantes azuis acinzentados sobre mim, daquele jeito misterioso, porém gentil e indecifrável sobre mim. Um sorriso de canto brotado em seus lábios, e suas sobrancelhas levemente curvadas pra cima, como um sorriso típico dele. Um sorriso... Que eu nunca mais veria. Um sorriso... Que me corrói todo por tanta falta sentida...

Um sorriso... Que eu tanto amei.

Com minha pele ardendo mais, desliguei o chuveiro, enfim saindo do banho. Peguei minha toalha pendurada e enxuguei minhas pernas para não molhar o piso, assim que eu saísse.

– Eren, está pronto! – Jean me avisou em um breve chamado e assim, sai do banheiro, com a toalha amarrada na cintura; e lentamente desci as escadas, tendo sua atenção. Ao pisar no chão, já de madeira, passei ao lado do sofá e parei ali em frente, meio vago, sentindo meu olhar... Decair, assim como meus pensamentos. O maior novamente tinha se escorado na porta da sala pra cozinha.

Um suspiro mudo saiu de meus lábios, e logo minhas sobrancelhas juntaram-se brevemente e mordi meu lábio que já estava em ardência pelo machucado que sempre abro em momentos como esse. Acabei por lembrar-me da janela aberta, assim que senti o vento gelar minha pele molhada, fazendo-me arrepiar. Jean caminhou até a mesma aberta e a fechou, e lentamente voltou até ficar diante a mim. Sem dizer nada, compartilhou um sorriso de canto pra mim e desamarrou a toalha de minha cintura, logo a levando até meu tronco e o enxugando, fazendo o mesmo com meus braços, e por fim, meu cabelo, bagunçando-o bastante, até secá-lo.

– Ts... – ele soltou um leve sorriso – Seu cabelo está mesmo longo, Eren. – o mesmo, após colocar a toalha sobre seu ombro, tocou a ponta de meu cabelo e a esticou ao máximo, até confirmar estar um pouco abaixo do rumo de meu ombro — Você pretende cortar?

– Acho que... Prefiro-o assim. – disse, passando lentamente minha mão em cima dos fios bagunçados – Você não gosta?

– Acho bonito, mas te dá uma imagem de desleixado, seu cara de rabo. – Jean começou com suas provocações, bagunçando ainda mais meus cabelos e rindo.

– Ah, seu cara de cavalo...! – estava meio sem ânimo, mas ainda não resistia em xingá-lo. Empurrei-o de leve e o mesmo parou de rir, porém, com um sorriso ainda ao rosto.

– Ei Eren. — Jean me chamou um pouco mais sério — Deixe-me... Fazer... — logo senti seu toque quente deslizar de meu troco até o baixo-ventre, lançando-me um olhar mais profundo, deixou sua mão descer lentamente até meus testículos, assim os acariciando de leve.

Nada respondi, apenas desviei o olhar, com inúmeros pensamentos negativos; deixei-o fazer o que tinha em mente, mesmo eu nunca me sentindo confortável em relação a isso. O maior me guiou até o sofá branco da sala, que estivera ao nosso lado, e ali, me sentou. Com suas longas e quentes mãos, afastou minhas pernas, deixando meu membro mais exposto. Após uma expiração longa, senti o toque de sua mão passear de minha cocha até a virilha, caminhando até meu baixo-ventre, até finalmente chegar ao meu íntimo e envolver o devido local. Com o toque ao meu calor, juntei as sobrancelhas. Jean optou acariciá-lo e rodear minha glande com seu dedão, assim o esfregando, até finalmente estimulá-lo, lentamente.

Privado, com um sentimento negado, em qualquer toque do tipo seja por Jean, por Armin, ou até mesmo pelos dois, eu nego qualquer gemido, qualquer expressão; permanecendo-me assim, somente aos espasmos que não conseguia controlar. Sentia que os dois se incomodavam com isso, mas eu não ligo, pois eu já estou satisfazendo seus desejos.

Arqueei a coluna assim que senti a língua úmida e macia do loiro percorrer minha glande; senti minha respiração pesar, mesmo eu a controlando para não ter tal efeito. Ao sentir sua língua escorregar pelo meu falo, voltando ao começo e assim traçando repetidos caminhos, não pude deixar de desviar o olhar e morder meu lábio para conter algum gemido que fosse ordinário o suficiente para escapar de minha boca.

– Diga-me Jean... – iniciei um assunto que passou a martelar em minha cabeça – Eu me esqueci; pode me lembrar... – dei uma longa pausa, e depois de um suspiro, continuei – Há quanto tempo isso vem acontecendo?...

Tornei a olhar Jean, que não parou as lambidas para me responder. Em seu rosto percebi uma feição de dor, ou até de desapontamento. Mas acabei por não ligar. Sua boca me pegou de surpresa assim que teve a mesma a abocanhar meu membro, fazendo movimentos de sucção fortes, trazendo-me desconforto, por não ser quem eu realmente queria. Um novo suspiro veio à tona, e ali, à minha frente, avistei cabelos negros jogados àquela nuca raspada, e naqueles olhos pequenos e penetrantes, a cor azul, distinta ao prazer. E ao observar aqueles lábios macios e claros, mas de uma forma avermelhada acomodar meu membro tão bem em sua boca fazendo movimentos de vai e vem, não pude me segurar; tive minha respiração mais acelerada, assim como meus batimentos cardíacos, e alguns gemidos mudos vieram ao escape.

– A-ah!

Senti o moreno hesitar, pareceu ter se surpreendido, mas logo retornou a sugar mais forte, fazendo meu íntimo sair e entrar de sua boca, tendo meus espasmos e pequenos gemidos como resposta. E, em um momento, recebi uma visão tão estranha.

Em um quarto, onde eu não reconheci de modo algum, vi aquele moreno dos olhos azulados. Sua pele tão pálida, com suas olheiras tão escuras; seus lábios claros, e o mesmo com uma expressão claramente cansada. O mesmo parecia estar sobre mim. O mesmo parecia... Tão inacreditavelmente triste. Reparando bem, ele, estava sem a blusa e... Eu também... Assim como eu não tinha nada vestido de baixo e...

Estou chorando.

O que é isso?! Que sensação estranha é essa?! É... Ele...? O Heichou...? Por que seus lábios se moviam em uma forma como se estivesse... Me chamando? Seus dedos estavam em minha boca, umedecidos, e-enquanto... Sentia o mesmo...

– A-Ahnn...!

N-não tem comparação essa sensação de prazer com a que Jean me proporcionava...

– A-ah! L-Levi...! E-Eu... Ah!!

Levi...?!

– L-Levi... – meio incrédulo, meio sem nexo, mal percebia que eu sussurrava seu nome – Levi... Levi... – mal percebendo que, de meus olhos, àquelas lágrimas que tanto negaram cair, finalmente desceram, desesperadas, inacreditáveis, pingando ao meu tronco escorregando até meu baixo-ventre. Minhas sobrancelhas curvadas e meus lábios mordidos deixavam claro minha expressão de dor.

– Ei, Eren. – mal tinha percebido que Jean cessou dos toques – Eren! O que há? – o mesmo tinha suas mãos sobre meus ombros, balançando-me freneticamente – Eren! Eren!

Ao olhar em seus olhos, vi minha visão tornar-se dupla aos poucos, enquanto me sentia mais quente, com uma sensação estranha percorrendo em minha cabeça. Uma última imagem de Jean veio aos meus olhos, que logo modificou seus traços, parecendo assim... O Heichou. Logo, não pude mais observar aquele rosto tão belo.

Levi...

●ω●


Um clarão invadiu-me assim que abri meus olhos, até os mesmos acostumarem com a luz forte, lembrei-me que havia desmaiado.

– Eren? – ouvi Armin me chamar. Assim que meus olhos se acostumaram, percebi que eu estava em meu quarto. – Como se sente, Eren? – o loiro me perguntou com seu rosto meio eufórico.

– Normal. – respondi, me sentando com a mão sobre a testa, logo passando sobre meus cabelos que causou um ondulado para trás. – Onde está Jean?

– Ele teve de sair. – o menor respondeu, brincando com a minha coberta em suas mãos – Ele estava bastante preocupado, Eren, parecia triste também.

Suspirei cansado daquilo tudo. Armin sempre acabava por ignorar meu estado psicológico atual; tudo bem que eu me cansava de quando se preocupava de mais, mas gostaria que ele evitasse falar como se eu estivesse bem. – E o seu avô, Armin?

Avistei as bochechas de Armin avermelhar – Ah, ele está bem. – logo ele voltou a encarar forçadamente o lençol e soar – V-você lembrou...

– Jean me relembrou. – corrigi-o suspirando, bagunçando os cabelos e olhando a porta – Sinto muito por ter esquecido.

Ouvi o mesmo suspirar – Não se preocupe.

– Afinal, Armin... – levantei-me lentamente de minha cama, depois de ter notado que eu estava vestido – Que horas são?

– São... – após conferir em seu celular, me respondeu – 10 p.m.

– Ah. – novamente passei a mão sobre meus cabelos – Vou sair, Armin.

– Hun? Pra onde?

– Dar um role.

– Eren, está tarde!

– Não se preocupe Armin.

– Eren? Mas pra onde?

– Não sei. Mas não vou pra muito longe.

Enquanto retirei minha bermuda e coloquei uma calça, colocando uma blusa de frio listrada, o silêncio reinou; mas logo depois Armin voltou a falar – Tudo bem, Eren. Tome cuidado.

– Estou indo. – assim que sai de meu quarto, caminhei pelo corredor, desci as escadas e sai de minha casa, e optei por vagar sem rumo.

Obviamente eu menti ao Armin. Eu demoraria, e iria sim pra longe de casa. Eu queria pensar mais sobre... Aquela visão tão estranha. Por que a mesma parecia tão real? Tão... Intrigante? Com certeza era o Heichou. E... Pensando melhor, era parte de meus sonhos. Que droga... Por que as coisas chegam me abalando quando menos pode?... Por que não colaboram de modo que eu possa amenizar... Pelo menos um pouco dessa minha dor...?

Sentia-me desanimado caminhando por aquelas ruas escuras tendo só a lua e alguns postes de luz a iluminando. Vez ou outra, ao ar, eu abandonava suspiros que acabavam por ecoar à minha tristeza, relativamente alta.

Eu deveria suportar isso ainda mais?

Senti meu celular vibrar no bolso traseiro da minha calça. Logo o peguei, olhando em seu visor, era uma mensagem de Jean:

“Eren, sobre aquela pergunta de mais cedo... Semana passada completou um ano e meio. Agora eu quero saber... Quem é Levi?”

Um ano... E meio...

Incrédulo, voltei meu celular ao bolso de minha calça, já que não tinha a mínima vontade ou até mesmo coragem de responder tal pergunta. Não consigo saber de onde, ou como consegui forças para continuar até agora. Eu sei que... Essa dor que sinto pode não ser das maiores, todavia posso confirmar que não é das menores. Pergunto-me... Até quando isso vai continuar, até quando eu terei de aguentar.

Estou ficando cansado, incrivelmente cansado disso tudo.

Ao olhar à minha volta, percebi estar em frente àquela praça onde eu costumava a encontrá-lo. — O que... Estou fazendo aqui...? — minha voz saiu trêmula, meio tristonha, desgastante. Notei que as árvores tinham mais folhas que antes, assim como estavam maiores. A dor no meu peito tornou-se a crescer acompanhando meus passos que adentravam pouco a pouco aquele espaço.

No fundo eu tinha de admitir que... Eu estava esperançoso, e até um tanto ansioso. Eu realmente queria vê-lo... Mais uma vez, por mais que doa; queria encontrá-lo mais uma vez, queria observar aqueles detalhes tão nítidos que sempre clamavam aos meus olhos. Queria, mais uma vez, observar aqueles pequenos e delicados detalhes que eram incrivelmente belos, tão bonitos que... Me cativaram tanto. Queria outra vez, escutar aquela voz firme, grossa, que tanto era confortante, que tanto pareciam me dominar. Queria ver uma nova vez aquele ser, pedir desculpas ao mesmo pela minha incompetência, pela minha inutilidade que foram tão expostas a ele. Queria ter dito... Um adeus melhor.

E, ao soprar do vento, olhei a diante; Meus olhos se prenderam naquele banco que sentávamos, que se localizava entre grandes árvores que barravam as massas frias de ar. E nele, avistei uma sombra escura, que fez meu coração palpitar dolorosamente forte, me fazendo dar passos curtos e travados em direção à mesma. Assim que eu já estivesse perto o suficiente, comecei a repará-la; o local mal iluminado, cerrando meus olhos forçando a visão, avistei a pessoa vestida de preto, com uma jaqueta, luva na mão esquerda. Estava sentada, com as pernas abertas e os cotovelos apoiados nas mesmas, tinha suas mãos segurando seu rosto, cabisbaixo. Seu cabelo parecia ter a cor escura e... O aspecto que me trazia era um tanto... Depressivo. O vento estava a favor dela, mas as árvores bloqueavam a trajetória de seu aroma até mim.

Balancei a cabeça, meu peito ganhava uma ardência que ao passar dos segundos aumentava cada vez mais; coloquei a mão sobre o mesmo e apertei minha blusa, tendo meus passos travados em direção àquele banco. Estava demasiado perto daquela pessoa, porém a mesma parecia estar perdida em seus pensamentos, não me percebendo. Um pouco mais próximo e... Pude sentir um cheiro forte de remédio, que acabou por me trazer susto, uma grande surpresa. Era um cheiro altamente forte, que ia ao encontro de minhas narinas, trazendo-me náuseas e acabei por franzir minhas sobrancelhas, mordendo meu lábio.

Parei meus passos não acreditando na visão que meus olhos proporcionavam a mim. Aquela pessoa olhou pra frente, com uma mão sobre a testa, seu olhar sem nexo parecia desatento. Sim, era ele. Meu coração falhou uma batida e me senti zonzo, voltando um passo para trás. Senti um clima obscuro me engolir aos poucos, e minhas lágrimas desesperadas rolarem de meus olhos. Minha boca tinha o desejo de transmitir palavras, mas parecia impossível. Meus lábios apenas se movimentavam.

Levi...

Pegando-me de surpresa, o mesmo olhou pra mim, arregalando seus olhos. O moreno dos cabelos escuros ergueu sua coluna e levantou-se lentamente, parecia estar dificultado a fazer tal ação; e assim que a lua agiu a nosso favor, pude visualizar sua face tão pálida quanto um papel, e seus lábios esbranquiçados e roxeados entreabertos que mostravam sua própria surpresa, os mesmos moveram brevemente, todavia não foi possível de eu lê-los.

Em pânico, recuei um passo, e ele, deu um a meu favor. Mordi novamente o lábio, trazendo o gosto metálico ao meu paladar, minhas sobrancelhas curvaram-se e meus olhos cerraram por conta das lágrimas que não parariam tão cedo. Assim que seu rosto tornou-se uma expressão de dor, levantou sua mão, em minha direção.

– Ei... — sua voz, tão rouca e quase falha, veio como uma bomba em minha cabeça, me fazendo entristecer-me em total desespero.

“Não... Por favor...”

Fechei meus olhos, tentando conter minha visão daquela imagem tão dilacerante. E, em um tranco, dei meia-volta, e me pus a correr.

E novamente... Eu estava fugindo da minha própria felicidade.

O vento atingindo-me trouxe o pesar daquilo tudo. E eu já não tinha mais suspeitas: Eu era um idiota.

– Espe... — em um momento rápido ouvi um barulho alto de um estrondo que ecoou em meus ouvidos me fazendo parar e olhar para trás, visualizando o mesmo caído. Uma onda de pressentimentos ruins atacou minha consciência e uma inspiração curta foi feita por meus pulmões.

Estava inconformado, sem saber o que fazer. Ele não estava levantando. Queria voltar atrás, indo até ele e prestar ajuda, mas eu tinha medo.

Medo de fazer a coisa errada.
Medo de me magoar novamente.
Medo de lhe fazer mal.

Eu sou... Horrível, detestável!!

Aos soluços, sentia meu mundo desabar uma nova vez, sem saber o que fazer. Praticamente seria eu... Ou ele.

E a escolha de um imbecil egoísta foi clara.

Aos gritos internos, voltei a correr, tropeçando em qualquer coisa que surgia a minha frente, ou até mesmo, em meu próprio pé. Rapidamente peguei meu celular, e disquei o número de Jean, aos soluços o pedi ajuda, informando o que aconteceu. O mesmo me disse que estava a caminho, e o levaria até o hospital.

●ω●

Um mês se passou depois daquilo tudo. E, se poderia parecer que não dava para piorar, piorou. O avô de Armin tornou a ficar hospitalizado, o loiro não sai mais de lá e eu não o culpo. Jean teve de viajar para ajudar um primo, o mesmo não voltaria tão cedo e eu não o culpo. Meu pai avisou-me que estaria em uma viajem ao exterior e eu não tinha notícias de Mikasa. Depois daquele dia, não consegui parar de pensar em Levi e de me culpar sobre tudo aquilo que aconteceu.

Tudo estava colaborando para eu me sentir aprofundado naquela tristeza.

Assim que percebi que minha geladeira estava vazia, fui obrigado a sair de casa. Vesti-me adequadamente, e assim que sai de minha casa e tranquei a porta, fui assustado por duas mãos em meus ombros.

– Eren! — uma voz conhecida me surpreendeu ainda mais.

– Hanji...?

– Eren! Eu te procurei tanto...! — a mesma me abraçou desesperadamente, acabei por não retribuir – O que houve com você, querido?

– Uh... Nada, Hanji. O que há? Por que estava me procurando?

– Temos muito o que conversar! Venha comigo, Eren! — sem deixar eu responder, a mulher pegou minha mão e me puxou até seu carro.

Hanji me avisou que queria um lugar adequado para conversar e não demorou muito para ela me levar a um local aberto.

– Aceita um refrigerante? — a mesma me perguntou, apontando para a máquina ali perto.

– Não, obrigado.

– Você mudou... — ela comentou, mas ignorei. Passamos um tempo em silêncio.

– O que você quer conversar, Hanji?

– Eu... Quero me desculpar, Eren... Eu fui egoísta.

– Do que está falando?

– Eu... Pensei que o faria feliz, Eren... Mas... Eu estava enganada.

– O q...

Ela me interrompeu, lançando-me um olhar doloroso – Eu não fui capaz, Eren. Ele... Precisa de você.

Senti meu coração palpitar forte, de uma forma doentia.

– Ele... Precisa?... Hanji, eu... Não estou entendendo.

– Eren... — a mesma suspirou, retirando seus óculosVocês são... Destinados um ao outro. Erro meu aparecer e afastá-los. — sua voz veio sussurrada, e suas palavras me fizeram corar, mesmo eu não tendo compreendido perfeitamente.

– Han...

Em seus olhos brotaram lágrimas, que aos poucos se escorriam – Mas Eren... Deixe-me lhe informar... — ela deu uma longa pausa, tendo seus dedos trêmulos massageando suas têmporas – Ele... Não aguenta mais.

– O quê?

– Ele... Está morrendo.


Continue...

Notas finais
--Então, eu mereço apanhar? Obrigada. Enfim, a fic tá acabando, não acham? Ah, sim, como agradecimento às lindas recomendações de minhas divas Jamilly Flora e Lucy, vou fazer capítulos extras. Então vou perguntar por aqui, sobre o que vocês querem? Threesome, Jean e Eren ou Armin e Eren? Eu não coloquei Eren e Levi na opção de vocês porque estou devendo um capítulo extra pra Lae Dragneel que recomendou Pirralho Idiota (eu até faria o extra, mas a fic já está concluída, então farei aqui, já que dá certo). Por favor, me respondem nos comentários :3 --Ah, sobre a qualidade do cap ficou uma bosta né? P.P desculpe, estou tendo muitas dificuldades aqui, espero que entendam. --As pessoas que acompanham "As Noites em que Nosso Amor Desabrocha" devem saber, mas vou avisar pra quem não lê ou não seu as notas finais dela. Eu e a minha marida Mare Senpai resolvemos fazer uma beela de uma lista de coleção de One-shots bem perv :33 Eu espero que apreciem nosso trabalho assim que comecemos a lançá-los! Ah, sim, meus amores, muito obrigada pelos comentários, vocês me incentivam de um modo que nem posso esclarecer! Obrigada! Acho que é só. Kissus