Why do you Refuse?
1 Chapter 1 – Why was he so familiar?
Notas iniciais
Why do you Refuse?
Chapter 1 – Why was he so familiar?
Ali estava eu, em meio da rua à noite. O local escuro apenas iluminado pela lua, e pelas lâmpadas. As ruas vazias e solitárias, frias e obscuras, eu andava lentamente no passeio, olhando o escuro, ali presente.
Eu seguia uma trilha de flores de cerejeira, tentando notar de onde elas haviam caído. E sem rumo, com meu violão nas costas, eu tentava encontrar um lugar quente onde eu poderia me sentar e apreciar aquela grande lua minguante.
Enquanto eu andava seguindo a trilha de flores, eu me afogava em meus pensamentos. Já tinha um bom tempo, que eu sonhava com um garoto, com cabelos negros e olhos azuis acinzentados. Sua pele alva como neve, e sua estatura um tanto baixa. Sua expressão distante e tão inexpressível tomava conta de sua face. O seu nome? Não... eu não sei. Mas eu lembro que eu o chamava de Heichou. Seus amigos por algum nome curto.
É tão estranho... eu não consigo lembrar-me de seu nome, mas eu me lembro claramente de sua aparência tão formal e elegante, sua postura firme e esbelta. E de sua voz grossa e rouca. Lembro-me de seu jeito. Mas além de seu nome, eu também não me lembro de nada que de seu gosto.
Meus sonhos? Eles são estranhos, parecem ser de uma era tão passada. O que acontecia? Eu não sei. Somente sei que o garoto me treinava duramente e que tinha tamanha dominância por mim. Faz alguns anos que venho sonhando com isso, mas há alguns dias, que parei de sonhar. Foi quando, na sequência do sonho, eu tinha morrido.
Como aconteceu minha morte? Eu não sei. Mas sei que não foi tão agradável. Em todo lugar encontrava-se sangue. E as ultimas palavras que ouvi no sonho, foram chamados tristes e distantes por mim, vindo da voz do garoto dos cabelos negros. Ao despertar do sonho, encontrei lágrimas aos meus olhos, o que foi uma surpresa enorme pra mim.
Continuando o caminho das flores, virei à esquina, em um lugar um pouco mais escuro. O rastro sumiu dali, mas logo pude avistar um parque de descanso. Resolvi ficar por ali, sentando-me em um banco, abaixo de grandes árvores.
Como era escuro, eu não consegui avistar o parque direito, mas percebi que as coisas mais comuns ali eram enormes árvores.
Abaixo daquelas árvores, estava quente, elas bloqueavam a corrente de ar frio. Como ali perto não tinha casas, resolvi desembainhar o violão de sua capa e tocá-lo até amanhecer, observando a noite escura e bela, iluminada pela lua e inúmeras estrelas.
Eu simplesmente não tenho motivo certo pra estar aqui, mas simplesmente estou porque achei necessário. Meu pai está de viajem de trabalho, e entre minha irmã e eu, ouve um desentendimento, e após ela dormir, eu vim relaxar um pouco.
Comecei por tocar músicas calmas, e um tanto tristes, como 21 Guns e Wake Me Up When September Ends de Green Day. Não por eu estar triste, mas simplesmente, porque elas vêm diretas em minha cabeça.
Após algumas músicas, por volta de alguns 20 minutos, alguém de preto surgiu à direita. E ele, andando lentamente, se sentou no mesmo banco que eu, com as pernas cruzadas, mas um tanto afastado.
Não estranhei, já que provavelmente esse banco era o mais quente por si.
– Estou te atrapalhando? – perguntei educadamente.
– Não.
Ele respondeu olhando pra frente. Ele vestia uma touca e um casaco com uma calça jeans escura, uma luva na mão esquerda e tênis preto, como suas roupas.
Eu acho que já ouvi esta voz em algum lugar, mas não estou recordando. E sua aparência talvez me pareça familiar.
Continuei tocando algumas músicas, como algumas de Sum 41, outras de Green Day, Paramore, Panic! At The Disc e assim vai.
Ele ainda olha pra frente, e às vezes olha pro meu violão. Qual será o motivo dele estar aqui?
Notei que ele era um tanto baixo. Será uma criança?...Mas é estranho ele se vestindo assim.
– Ei... por que você está aqui? Sua mãe não está preocupada? – perguntei
– Tsc. Ora seu... eu sou mais velho que você, pirralho. – ele respondeu com um olhar furioso.
– O quê? – minhas palavras saíram sem eu perceber, acompanhado por uma careta
– Que raios de reação foi essa?! – o cara se estressou me fuzilando com o olhar
– S-sinto muito! – ele me assustava.
Pude perceber que o ar ali presente mudou. Ficou pesado e... medonho. Sinto que a qualquer momento eu seria morto.
Como eu estava assustado, continuei a tocar para descontrair, e ele, parecendo um pouco mais calmo, voltou a olhar o violão.
Permanecemos ainda no silêncio, até que ele me perguntou, meio sem interesse.
– Há quanto tempo que toca?
– Hã? Ah! Alguns anos... por volta... de três... – um pouco tímido, respondi.
– Tss... o que foi? Está com medo? – ele me olhava sarcástico
– O-o quê? Não!
– Hm. Certo. – ele descruzou as pernas – Até que você não é tão ruim.
“Tão ruim?!”
Quem era ele pra falar isso?!
– Talvez você ainda tenha futuro.
– E-ei! Quem é você pra dizer isso?!
Ele me olhou por alguns segundos.
– Ah. Então não me reconhece. Tudo bem. – ele se levantou lentamente e deu alguns passos – Encontra-me aqui amanhã, no mesmo horário.
– Hã? Pra quê?
– Só apareça. – ele continuou a caminhar em direção oposta que eu vim. Passos lentos e curtos, de forma elegante.
Minha concentração do violão foi para ele.
“Ei... eu já o vi antes...”
Essa ligeira impressão me tirou do tempo. Quando me dei conta, já vi que eram 4:00. Sendo assim, após guardar o violão na sua capa, parti em direção à minha casa.
Ao chegar lá, 4:45, percebi que minha irmã ainda dormia e fui direto a um banho.
“Será... que eu vou...?”
Eu discutia comigo mesmo. Eu deveria ir? Não sei... Ele é um tanto desagradável. Mas e se eu aprender algo com ele?... Afinal... ele parece bem confiante.
Após o banho, já que eu estava sem sono, fui buscar cifras de algumas músicas pra estudar depois. Afinal, tocar violão agora, já é um vício. Para não acordar minha irmã, eu me segurava para não tocar Carla. Meu violão. Sim, eu o nomeei, afinal, foi quem me deu.
Depois de algum tempo, ouvi passos. Minha irmã descia a escada.
– Bom dia, Eren. – ela disse, séria como sempre, alongando o braço direito.
– Bom dia. – a respondi, sem olhá-la.
Se ela acordou agora, são provavelmente 6:00, o horário exato que ela acorda. Incrivelmente sem necessitar de despertador. Apenas por ela ter pouco sono e ‘ter o que fazer’ da vida
– Está com fome? – ela me perguntou passando por mim, indo até a cozinha.
– Estou. – respondi, já com as cifras memorizadas, fechando o notebook e me levantando do sofá largo da sala. – O que vai fazer?
– Carne.
– Ahn... Carne não é exatamente apropriado a esse horário... Mikasa.
– Sim, não exatamente. Isso não exatamente me faz não comer a esse horário. – Mikasa tem uma certa queda sobre carne.
– Mikasa... faz panquecas, vai. No almoço você faz carne...
Ela me olhou durante alguns segundos e voltou a olhar a carne que já tinha tirado da geladeira.
– Mas Eren... eu já até tirei ela...
– Não tem importância, Mikasa... pode colocar ela de volta, tá?
– Hm... Mas você vai comer carne no almoço né?
– Sim, vou sim.
Ela olhou pra mim novamente, com os olhos brilhando e um pouco corada, mas com a mesma expressão de sempre.
– Tudo bem. Vou fazer panquecas.
Mikasa Ackerman. Minha irmã adotiva. Possui cabelos negros assim como os olhos, pele alva e lábios rosados. Seu físico é perfeito. Seus pais faleceram por um homicídio ainda não identificado. Não sabe como, e nem quem os matou. Já que meus pais eram tão chegados aos dela, adotaram-na. Ela é bem legal, mas um tanto obsessiva. Ama carne, maneja bravamente facas. Teria um ótimo futuro como açougueira, mas depois de uma longa conversa com o pai, ela optou por aproveitar suas notas perfeitas e enfrentar a carreira de uma médica cirurgiã. Mikasa costuma a me tratar como um filho, o que me irrita. Mas tudo bem, é o jeito dela.
Após comer as panquecas feitas por Mikasa, fui pegar logo Carla.
– Neh... Eren. – Mikasa me chamou, apoiando-se ao sofá, depois que me sentei com Carla ao meu colo.
– Sim?
– Você passou a noite fora de novo né? – ela perguntou por auto confirmação.
– Ah... sim. – eu disse, posicionando os dedos nas casas do violão.
– Que hora você voltou, Eren?
– Deixa disso... Mikasa.
– Você pelo menos dormiu? — pelo incômodo de suas perguntas, estralei minha língua. – Ei Eren... Não acha que está precisando dormir descentemente?
Ignorei-a.
– E sério, Eren! Antes você era tão dorminhoco...! Só porque você agora está adulto, não quer dizer que não possa dormir! – Mikasa começou com seu sermão – O que te faz falta de sono? O fato da mãe ter morrido?
– Para de besteira Mikasa! – comecei a interrompê-la, aos gritos – Que besteira é essa que você vem me dizer?! É claro que eu já superei!
Nunca gostei do fato de Mikasa, ou qualquer outra pessoa, tocar nesse assunto. Mamãe morreu e pronto. Ela quem escolheu. Quem sou eu, pra guardar rancor de um suicídio? O que eu ganharia com isso? Por acaso ela voltaria? ... Mas é claro... Minha mãe faz falta sim... Principalmente seus doces e delicados gestos de preocupação. Mas isso não vem ao caso. A propósito, foi ela quem me deu o meu tão precioso violão, há sete anos. Pena que depois de sua morte, só depois que se passaram dois anos, corri atrás do sonho dela. Ver-me tocar e cantar.
Às vezes me vem pensamentos chatos... como...
“Será que mamãe estaria orgulhosa de mim?”
“Será que mamãe tem raiva de mim, por eu ter começado a tocar só depois da sua morte?”
Nomeei meu violão de Carla, não só porque foi o meu presente de aniversário de 11 anos, mas também, porque eu me simpatizei com a aparência tão delicada e elegante, assim como minha mãe. E também... eu queria tê-la por perto, por mais difícil que seja.
– Eren! Então por quê?
– Por nada, eu simplesmente não tenho sono!
– Será por causa daqueles sonhos estranhos que você comentou com o pai?
– O quê?! Quem te dá o direito de escutar minhas conversas com o pai?! – perguntei por direito, estressado. Essa garota me tira do sério
– Você me prometeu contar sobre tudo, Eren! Mas você não conta! Eu ouvi sim, e também, o pai veio me contar, caso você saísse de si para sair pra procurar o baixinho!
– Que raios...! Eu nunca faria isso, Mikasa! Eu não te conto porque você vem se metendo no que não pode!
– Eren!
– Sai daqui, Mikasa! Vai caminhar! Deixe-me tocar Carla!
– Eren! Idiota! – ela saiu aos bufos em direção ao quarto. Como sempre, ela foi se trocar para caminhar.
Aqui de baixo, ouvi sua conversa rápida pelo celular. Provavelmente com Sasha, chamando-a para caminhar e para passar em uma cafeteria. Ao falar em cafeteria Sasha já aceitou, já que é tão faminta.
Logo o interfone tocou, abri a porta pra ela.
– Bom dia, Sasha.
– Bom dia, Eren!
– Como vai?
– Bem, e você?
– Também!
Logo a acompanhei até a escadaria de ida ao segundo andar, o local dos quartos.
– Ei Eren. – me chamou a morena com os cabelos ruivos em contato a luz, no segundo degrau da escada – Mikasa só está preocupada, não a culpe.
– Ah, ela te falou?
– Não é preciso, dá pra saber apenas no tom de voz dela, e quando ela não está aqui em baixo, te ouvindo tocar.
– Ela só falou algo que não deveria.
– E você está com raiva?
– Não mais.
– Então a desculpe. – Sasha sorriu gentilmente e subiu as escadas.
A princípio, Sasha Blouse, é apenas uma garota comilona um tanto medrosa, mas logo, quando você a conhece bem, continua a pensar que é uma comilona. Porém, não é tão medrosa quanto parece. Ela é um tanto voada, mas é bem gentil com as pessoas próximas a ela. Assim como eu e Mikasa, tem 18 anos. Possui cabelos castanhos que ao meu ponto de vista, são um pouco puxado ao vinho, seus olhos castanhos pouco esverdeados caem bem com sua pele clara.
Ela é uma ótima companhia, de todas as amigas de Mikasa, ela é a que me dou melhor. Vice e versa.
Sasha já tinha subido, e agora, ela descia juntamente a Mikasa.
– Divirtam-se vocês duas. – falei, pousando o violão ao meu colo, e apoiando o braço no sofá, olhando a elas e dando um sorriso.
– Sim! Até logo Eren! – Sasha disse animada, como sempre.
– Sim. Já voltamos, Eren. – Mikasa afirmou calma como sempre.
Minhas brigas com Mikasa são sempre assim. Uma discussão longa, e logo depois de alguns minutos, nos acalmamos. Assim como a maioria dos irmãos.
Assim que elas saíram, voltei a tocar violão, tocando as cifras das músicas que eu pesquisei e memorizei. Como sempre, aprendi rapidamente. Mas claro, sempre revisava uma ou duas vezes para não confundir uma nota ou outra.
Eu tocava violão, mas a cada pausa, seja para mudar de música, ou coçar minha cabeça, eu voltava a me lembrar da figura de preto, hoje mais cedo.
“Por que ele me era tão familiar?...”
Eu ainda imaginava se eu voltaria ou não. Mas logo, uma resposta me veio à mente.
“E o que eu perderia seu eu fosse?”
Então, simples assim, resolvi ir.
Logo o almoço chegou, Mikasa fez o almoço, com bastante carne, e Sasha nos acompanhou, comendo por nosso pai.
O almoço foi animado, bastante conversa e risos, cheguei até a engasgar com um pedaço de brócolis.
Como sempre, é sempre bom almoçar de trio. Às vezes, eu e Mikasa não temos assunto, e acaba tendo um clima não satisfatório. Mas não chega a ser pesado.
Sasha continuou em casa, até umas 2:00 pm. E depois, foi pra sua casa, junto de Mikasa. Parecia que seu pai precisava de uma ajudinha delas.
Aproveitando a saída das duas, Armin invadiu minha casa. E logo batemos um papo enquanto comíamos besteiras e jogávamos Xbox.
Os nossos papos eram quase sempre sobre as famílias, burradas que cometíamos, sobre músicas, jogos, filmes e séries, de vez enquanto das vizinhas. Quase nunca batíamos um papo sentimental, mas se fosse pra conversar, que conversemos.
Armin é meu melhor amigo. Um pouco baixo, com grandes olhos azuis, cabelos loiros, e pele alva. É muito gentil e confiável. Corajoso, mas não tanto forte. É um ótimo amigo. Conto sempre com ele. Também tem 18 anos. Ele vive com o avô, já que seus pais faleceram em um acidente.
– Ei Eren.
– Oi?
– Aconteceu algo que esteja tirando sua atenção?
– Ah, você percebeu.
– Sim. O que há? Quer conversar?
– Ah, na verdade, não é nada.
– Certeza? Parece que você está voltando a não dormir apropriadamente.
– Ah, percebeu isso também?
– Sim, você está com olheiras.
– Ah... Bom, é que hoje, eu fui tocar violão em uma praça na madrugada, pra relaxar.
– Continue. – Armin sorriu graciosamente pra mim, brincando com o botão de minha jaqueta, neste momento, Mikasa chegou e nos cumprimentou, indo até seu quarto.
– Um cara baixo vestido de preto apareceu lá.
– Um cara baixo?
– Sim... ele me é muito familiar. Mas esse não é o caso. Ele me mandou ir pra lá de novo, amanhã de madrugada.
– Pra quê?
– Ele não falou, só pediu para aparecer. Mas provavelmente, ele me ensinará.
– Ah... E você pretende ir?...
– Bom... sim... Afinal, o que eu perderia?
– Ah, realmente...
Depois de algumas horas, Armin foi embora, levando alguns livros meus para ler ou reler. Faltava exatamente uma hora até a ‘esperada hora’. Sim, às vezes, Armin fica aqui em casa e vai embora de madrugada mesmo, seu avô não se importa.
De certa forma, estou bastante ansioso. Será mesmo que ele vai me ensinar? Será que ele é mesmo muito bom?... Não sei. Só sei que agora, vou tomar um banho.
O banho foi demorado, fiquei imaginando no quão bom ele era. Eu tinha gastado por volta de meia hora.
Logo, me vesti com uma roupa quente e confortável, pegando Carla já embainhada e me dirigindo às ruas escuras e frias, tentando me lembrar do caminho anterior, mas sem pressa, ele me disse para aparecer, e é isso que estou fazendo, e ele, não foi específico em dizer o horário.
Andando por mais alguns minutos, reencontrei as flores de cerejeira, e me pus a segui-las. E lentamente, ali, naquela rua escura, fria e solitária, fui capaz de reencontrar também a praça.
E no mesmo lugar, eu sentei-me ali, e rodei o meu olhar ali perto. Queria checar se eu estava mesmo atrasado, olhei no meu celular, e vi que não. Era ele mesmo. Peguei Carla e a desembainhei-a cuidadosamente, e me pus a tocar as músicas que tinha memorizado ontem, depois que eu encontrei o garoto de preto.
Eu já estava ali esperando há quanto tempo? 1 hora? 2? O cara me enrolou? Bom, pelo menos, não perdi nada com isso.
Levantando-me lentamente, e quase colocando Carla na capa, uma voz reconhecida me parou.
– Ah. Desistiu... de me esperar, ... garoto?
Eu olhei assustado a ele, como ontem, ele estava de preto, com uma touca, blusa de frio, luva na mão esquerda, tênis e calça jeans. Sua voz estava mais rouca que o normal, um tanto trêmula. Ele estava ofegante.
“Ele veio correndo?”
Seus passos rápidos quase inaudíveis me deixaram surpreso também. Quem ele era? Ele tinha poder de aparecer de repente assustando os outros?
– Está tudo bem? – minhas palavras escapuliram de minha boca, fazendo-me perceber que ele estava de certa forma... diferente.
Ele hesitou durante alguns minutos. Logo desviou o olhar, sentando-se no banco. Resolvendo me ignorar.
Sentei-me também, e logo preservou um silêncio entre nós. Percebi que sua respiração ainda estava ofegante.
“Ele correu tanto assim?...”
Levantei-me lentamente, ainda olhando pra ele, e ele, me olhou no canto dos olhos.
– Vou comprar uma água pra você. – ofereci, de boa vontade.
– Ah... não, ...não precisa...
– Precisa sim. – em um meio sorriso gentil, peguei Carla e vir-me-ei novamente a ele – Venha também.
Ele me olhou de um jeito estranho, e logo olhou pro local iluminado, onde estava a máquina. Agora percebi, não conseguia ver seu rosto claramente, mas percebi que ele tinha um olhar distante, um tanto triste.
– Não... vou ter que recusar... – ele me respondia, ainda olhando pro local iluminado, ainda arfando.
– Vamos, por favor.
Logo ouvi um estralo de língua, talvez por desgosto, mas se levantou, como se fosse uma resposta “Ta bom, eu vou, se isso fizer você calar sua boca”.
Andávamos lentamente, eu o acompanhando, para não cansá-lo mais. Quando nos aproximamos da máquina, ele parou e eu continuei, indo até comprar uma água pra ele.
Ele se virou de costas para mim, e após eu ter comprado a água, fui até ele.
– Aqui está. – estendi-a a ele.
– ... Obrigado. – de costas, ele pegou a garrafa, abrindo-a e levando até a boca.
Sem ele perceber, eu dei alguns passos ao seu lado, até ficar em sua frente, e com um susto, logo peguei seu rosto.
– E-Ei... o que aconteceu com você?!
Continue...
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