Who are you?
45 Operação "Vadia Loira".
Notas iniciais
O resto de dia de natal passou preguiçoso, eles comeram os restos da comida da ceia da noite passada e nem se deram ao trabalho de sair de casa. No meio da tarde se reuniram para ouvir o plano que Kurt tinha para conseguir mais informações de Dani. No começo eles ficaram divididos quanto aceitar ou não, mas no final, acabaram seguindo.
— O plano é bem simples, até porque se for muito complicado, a gente podia se enrolar. Com o celular da Dani nas mãos, a gente pode conseguir muitas informações. Com quem ela fala, que tipos de contatos ela tem, com quem ela troca mensagens. — Kurt estava determinado.
— Por mim está perfeito! Eu faço qualquer coisa pra pegar essa vadia.
— Eu não sei! Essa mulher é louca e se ela te reconhecer Quinn? E se ela fizer alguma coisa? – Rachel ainda era a mais temerosa.
— Mas foi por isso que nós marcamos em um shopping, Berry. Por mais louca que essa mulher seja, ela não fará nada com várias testemunhas em volta. – Puck a acalmou.
— Além do mais, estaremos de olho o tempo todo. – Santana foi enfática. — E se for mesmo ela, não é do tipo que suja as mãos. Quinn não corre risco algum.
— Tudo bem. Então vamos lá, eu vou encontrá-la e você aparece em seguida, Quinn. O meu sinal vai ser quando eu deixar meu lenço cair no chão.
— Certo. – A loira confirmou.
— Olha lá, ela está chegando. – Observou Brittany. — Santana e eu vamos pro carro, pra não correr o risco de sermos vistas. Rachel e Noah vão ficar de olho, caso qualquer coisa dê errado.
— Ótimo! Vamos entrar em ação. Operação "vadia loira" ao ataque. – Kurt caminhou até onde Dani estava o esperando. – Dani, meu bem. Eu estava morrendo de saudades de você.
— E eu de você. – Dani o abraçou. – Como vai tudo?
— Como vai tudo comigo, ou como vai tudo com a Santana?
— Tudo, Kurt. Tudo!
— Ok! Eu conto enquanto comemos alguma coisa, estou faminto! Empresta seu celular pra mim, eu quero ver as opções que temos aqui.
— Onde está o seu? Não quer gastar a bateria pra falar mais com o boy? — Brincou.
— Na verdade eu esqueci! Saí tão atrasado que acabei largando...
— Kurt? Você? Esqueceu o celular?
— Acontece. — Deu de ombros. — Vai me emprestar ou ficaremos enrolando?
Dani desbloqueou o celular e entregou ao amigo, que enquanto fingia analisar as opções de restaurante do shopping deixou seu lenço cair, sinal para que a loira entrasse no jogo. Quinn caminhou na direção deles com uma expressão aflita, uma das mãos estava na barriga para salientar sua gestação e a outra na cabeça fingindo não estar bem.
— Com licença, será que vocês poderiam me ajudar?
— Oh! O que você tem, senhorita?
— Eu estava em um loja muito cheia, acabei me sentindo zonza. Eu me perdi da minha esposa e ela está com minha bolsa. Vocês poderiam chamar a emergência? Acho que eu não estou bem.
— Você me parece pálida mesmo. – Kurt fingiu. — Eu vou ligar, não se preocupe, vai ficar tudo bem.
— Calma, por que a gente não se senta? – Dani deu apoio a Quinn.
— Eu preciso encontrar a minha esposa.
— Olha, por que não me diz em que loja estavam e a gente vai atrás dela? – Sugeriu Kurt, pegando um dos braços de Quinn, enquanto mantinha o celular de Dani na orelha para fingir que fazia a ligação. – Dani, por que você não vai à administração e não pede pra anunciar? Qual é o seu nome mesmo, querida?
— Quinn Fabray.
— Acha mesmo que é necessário? Ela nem me parece tão mal. Vai ser um alarde.
— É uma grávida! Tenha compaixão por ela. – Disse já saindo com Quinn das vistas de Dani.
— Acha que ela engoliu? – Quinn disfarçou ao olhar para trás.
— Eu espero que sim. Vamos, a gente encontra o pessoal e depois eu digo pra ela que eu não encontrei sua esposa, que precisei te levar pra emergência.
— Eu só sei que depois dessa, eu mereço muito um hámburguer e batatas fritas. Rachel sentiria tristeza em ver uma cena tão patética como essa de perto.
— Tudo o que você quiser. E não fale assim! É por ser patético que é bom. Acha que Dani vai desconfiar desse fiasco?
— Pode ser. Agora fique mexendo nesse celular, não deixe a tela bloquear ou de nada vai adiantar.
Não muito tempo depois, estavam todos de volta a casa.
— E então, como foi? – Perguntou Kitty que tinha ficado para trás cuidando dos meninos.
— Quinn mostrou que é mesmo esposa da grande atriz Rachel Berry e Kurt conseguiu pegar o celular. – Celebrou Noah.
— Agora peguem folhas e canetas e vamos começar a traçar nossa teoria de defesa, não vamos mais perder tempo.
— Eu estou com a Brittany, vou no meu escritório pegar tudo e vocês já se organizem na mesa.
Quando Santana voltou, já estavam todos sentados na mesa debatendo as possibilidades.
— Bom, vamos ver as mensagens, ligações e contatos de Dani. Vamos procurar por nomes conhecidos. – A latina pegou o celular da mão do amigo, abriu primeiro a lista de contatos e o primeiro nome pelo qual procurou foi o de seu tio, mas não havia nada.
— Abre o Whatsapp, vai que ela salvou com algum nome diferente. – Kitty orientou.
— Não, não, não, não. – A latina ia falando enquanto ia passando os contatos. – Espera. Esse TCN. Essa não é a foto da...
— Tina Cohen-Chang. – Completou Brittany.
— A amante do Sam? – Estranhou Rachel. – O que ela tem a ver com a Dani?
— Segundo as conversas, Tina orientou Dani a contratar um detive pra confirmar meu envolvimento com Brittany.
— Como assim?- Quinn ficou ainda mais confusa.
— Diz a mensagem de Dani: “Você tem certeza que viu a MINHA Santana se beijando com essa tal Brittany?” e então Tina responde: “Sim, eu já disse. Eu fui entregar papéis para a loira sem graça, como Sam me pediu, e a secretária não estava. Quando eu abri a porta, eu vi as duas se beijando. Mas o melhor a fazer é encontrar um detive que flagre as duas, eu posso te ajudar”.
— Foram elas! Foram elas que me chantagearam com as fotos. – Brittany bateu com força sua mão na mesa.
— Calma, loirinha. Vamos entender essa história até o final.
— Ela está certa, Puck. Acompanhem: “Eu consegui as fotos, não vou deixar isso dessa forma. Eu vou aparecer, eu vou atrás de Santana e é nesse ação de graças.”
— Então, ela foi fria? Por que ela já sabia seu paradeiro bem antes, fingiu que não sabia do seu caso com a minha irmã e ainda usou as fotos pra conseguir dinheiro.
— É, Tina é enfática ao dizer: “Enganei Sam para que ele te levasse pra dentro da casa da Pierce, te ajudei com o detetive, te entreguei um cartão dela e estou passando informações privilegiadas do que se passa aqui dentro, eu mereço uma parte do dinheiro que vai arrancar dela. Quando for entregar a grana pro mecânico, eu vou tirar a minha parte.”
— Eu quero matar essa vagabunda! – Esbravejou Brittany. – Como elas podem se conhecer? Isso é impossível!
— Essa é uma das coisas que teremos que descobrir por fora. — Kurt falou. — Eu nunca vi elas conversando, Dani nunca mencionou que conhecia alguém daquela empresa.
— O importante é que uma parte do que tínhamos imaginado está certa, ele foi pago com o dinheiro da chantagem, mas não por seu tio, latina.
— O que Dani ganha me acusando?
— Ela tira o dela da reta, ela tentou colocar Brittany contra você e se baseou no fato de que ela estaria do seu lado e tentaria te ajudar a chegar na Samara.
— Rachel tem razão. Além do mais, lembra Brittany? Na noite em que eu e você fomos procurar Sam no apartamento da Tina para que ele pudesse salvar Miguel? Ela não estava e não estava porque ela tinha ido fazer a entrega pro mecânico.
— Sim, isso loira. Porque quando eu o encontrei naquela noite, ele tinha dito que tinha acabado de sair da delegacia com uma mulher que o convenceu a se entregar. O convenceu dando dinheiro, claro.
— Então se rastrearmos meu pagamento, vamos chegar a uma conta de Tina ou de Dani, ou alguém relacionado a elas.
— Tudo bem, gente. Tudo bem. Está tudo lindo. Mas ainda não temos a peça principal. Algo que ligue Dani ao meu tio, ou que ligue os dois fatos. Eu ainda posso ser acusada por muita coisa. Se vasa a informação de que meu pai não queria que eu me casasse com a Dani, todos vão pensar que eu me uni a ela pra matar os meus pais e ainda usei a minha irmã pra isso.
— E se forem crimes independentes?
— Kitty está certa. Eu acho verdadeiramente que Dani te amava, de uma forma doentia, com certeza. Adoraria explorar a mente dela. – Observou Quinn. – Então ela matou seus pais e ficou com a certeza de que estaria com o caminho livre pra se casar com você. Mas quando Manuel descobriu que seus pais estavam mortos, ele tentou se livrar da única herdeira que sobrou, quer dizer, única herdeira em condições de assumir a herança. E então, o plano da Dani desandou.
— E aí foi quando ela voltou desesperada pro Canadá. Ela ficou vindo direto pra cá atrás de você e quando descobriu seu paradeiro, ela armou todo um plano, foi me buscar e depois se aproximou de você.
— Perfeito! Eu realmente trouxe pra casa os assassinos dos meus pais! – Santana tapou seu rosto e Brittany passou a mão por suas costas tentando lhe passar apoio.
— Tá, mas e a parte do carro e como Dani se envolveu com Samara? – Rachel ainda tinha dúvidas.
— Eu sei. – Brittany se levantou e puxou uma folha de uma das pastas que continha documentos de tudo o que eles tinham descoberto até então. – Nesse tempo que estou com Santana eu pude observar que ela tem pavor de transito, pavor de dirigir. Tanto é, que mesmo aqui, ela pede pra que eu dirija na maioria das vezes.
— Romântico, mas e aí irmã?
— E aí, que ela não alugou o carro pra ela. Ela alugou o carro pra Dani, pra que ela ficasse a vontade, pois sabia que não teria tempo pra ela.
— Faz sentido, porque naquelas gravações, mesmo tendo a opção de Santana dirigir, ela pegou um táxi pra ir no velório e depois pra ir ao aeroporto.
— Isso, Noah! Assim como Mercedes nos contou, Santana estava ocupada com o pai e Dani tinha que se contentar em sair sozinha ou com a senhora Glória. Outro ponto é que ela estava tentando conquistar os Lopez e se demonstrava bastante solicita com os problemas da Samara. E deve ter dito a sogra que buscaria a filha na clínica pra trazê-la pra casa em um dia de visita. Conforme consta nessa folha aqui, que Santana e eu pegamos no Padre Vita. Eu não tinha dado importância antes porque eu não apostava em Dani, mas a assinatura dela está aqui. Mais de uma vez. Ela não era uma estranha. Ela conhecia Samara e ela tinha permissão pra retirá-la da clínica.
— Agora eu entendo porque a Samara tinha perguntado sobre a Dani, primeiro eu pensei que fosse implicância. Porque ela devia ter conhecido a Dani em uma dessas visitas aqui em casa. Mas foi bem mais do que isso...
— Gente, vocês perceberam o que acabou de acontecer aqui? Nós solucionamos o caso!
— Calma, Kurt. O julgamento ainda vai acontecer, mas temos que entregar todas essas provas pro advogado da minha cunhada e pedir pra que ele adicione as provas e chame as testemunhas.
— Por que eu ainda não me sinto totalmente segura? Ainda podem me relacionar a tudo.
— Mas com isso temos material pra ir até a última instância se necessário. Vamos te livrar, meu amor.
O celular que eles analisavam começou a tocar.
— Eu acho que é do hotel da Dani. Ela deve estar querendo o celular.
— Atende, Kurt. Diz o que combinamos e que vai passar pra entregar o celular dela, para que ela não desconfie de nada. Mas tira print de tudo. – Quinn devolveu o celular a ele.
— Sabem que essas provas não vão ter validade, não é? – Observou Santana. — Elas foram adquiridas ilegalmente.
— Não, mas vão ter peso. – Otimizou Brittany.
— A minha vontade é pegar esse celular e eu mesma ir entregar pra ela, fazer ela confessar tudo na minha frente, isso se eu não a matasse antes dela dizer qualquer coisa.
— Eu sei como se sente, Santana. Mas nós vamos pegá-la, nós vamos pegá-la e vamos fazer justiça por seus pais e ela vai pagar caro.
— Vocês ouviram a Dark Quinn, não é mulherada? E Kurt, claro. A gente vai pegar essa vadia loira e vamos acabar com ela.
— Isso mesmo. Além do mais, vamos anexar tudo ao processo. A justiça não pode ser tão cega. — Rachel alcançou a mão de Santana na mesa e lhe passou segurança.
— Obrigada. Obrigada por vocês estarem comigo.
Já mais tarde estavam todos dispersos pela casa. Santana era a mais afastada e calada. Brittany que brincava com Luca, se aproximou dela pra tentar animá-la.
— Sabe o que ele sabe falar agora? "Dá mãe" e "não". Acha que ele é interesseiro ou não?
— Ele é esperto. — Disse sem tanta animação.
— San, eu posso ver faíscas de fogo saírem de seus olhos. Provavelmente você vai dar um jeito e ir atrás dela, eu te conheço. Mas se você quer que a gente tenha chance de pegá-la, não faz isso. Agora é a hora de você se segurar ao máximo!
— Como? Ela matou os meus pais! Eu quero estrangulá-la com as próprias mãos.
— Eu sei! Se eu pudesse eu ajudava. Mas se fizer qualquer coisa, se ela souber que a gente sabe... Ela pode fugir, ou sei lá. Deixa o advogado chamá-la como testemunha, na hora ela vai ver o jogo virar. Kurt vai tentar convencê-la que só terá que ir depor pra poder te ajudar.
— É que eu estou começando a pensar que cadeia é pouco pra ela.
— Você não é má, Santana. Pensa na sua abuela, ela precisa de você. Não precisa de mais ninguém da família preso.
— E como eu faço pra controlar esse ódio aqui dentro de mim?
— Eu não sei. Isso não vai passar tão fácil. Mas se for pra te impedir de cometer qualquer besteira, eu sou capaz até mesmo de te algemar a mim.
— Se você tá querendo realizar um fetiche, pode dizer, não precisa vim com essa desculpa. — Deu um meio sorriso.
— Essa é a minha latina! — Selou seus lábios aos dela. — Mas não seria uma má ideia. — Riu.
— Essa é a minha loira!
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