Who are you?

46 O Julgamento. (Primeira Parte)


Notas iniciais
Gente linda, cheguei! Com um dia de atraso, mas estou aqui. Um mega capítulo pra vocês aproveitarem muito. ;)

Depois das festas de natal, houve a festa de fim de ano da empresa Pierce Evans, onde Brittany compareceu com Santana e a apresentou como sua noiva, o que causou grande alvoroço da imprensa local. Os que não se agradaram foi a família Evans e Rafael, é claro. Mas Brittany fez um discurso empoderado revelando como se sentia como presidente de uma das maiores empresas de comunicação.

— Eu me lembro de quando eu era criança, minha mãe me trazia para visitar Rafael em seu local de trabalho. Recordo-me perfeitamente que eu podia contar o número de mulheres que trabalhavam nessa empresa. Selma, a copeira; Marisa, a secretária e Eliza, a repórter ancora, que servia para "embelezar o jornal", assim diziam. Claro, havia mais, mas nenhuma com grande reconhecimento, sempre tinha um engravatado na frente que levava o crédito por tudo. Numa dessas visitas, lembro-me de meu “avô”, grande fundador de metade dessa empresa, me pegar no colo e depois me colocar sentada em sua cadeira e proferir as seguintes palavras: Um dia, Brittany, tudo isso será seu. Você vai comandar todo esse império e você colocará ordem em todo temporal que passar. E será uma melhor presidente do que eu, ou seu “pai”. Foi muito difícil acreditar nisso quando eu pisei nessa empresa pro meu primeiro dia de trabalho. Os comentários eram diversos, sendo quase nenhum positivo. E eles iam desde: “ela é filha do dono”, “ela se casou pra isso”, “ela é apenas uma figurante”, “ela só quer se sentir útil”, “quer fingir que ganha o dinheiro que gasta”, “daqui a pouco ela cansa e volta a cozinhar”, “ela está cobrando a gente assim porque ela está de tpm”, “se fosse um homem faria diferente”. E por aí vai. Quando eu engravidei, pareceu o maior pecado do mundo, porque disseram que se fosse homem eu não estaria dando prejuízo a empresa ao me afastar. Levaram anos até que meu trabalho fosse respeitado e até que minha credibilidade fosse reconhecida. Eu não tive ajuda do meu pai. Eu não podia me socorrer ao meu marido. Tive que fazer tudo com meus colaboradores, pessoas que acreditaram em mim e acreditaram que podíamos crescer mais. Apesar dos diversos problemas que eu tive, e que todos tomaram conhecimento ao longo desse ano, em nenhum momento permiti que meus problemas pessoais atingissem o meu trabalho. Quando a crise apertou, eu fui apoiada por amigos e por minha noiva que investiu um grande capital para nos salvar. Agradeço imensamente ela por isso e convido todos vocês a saudarem ela por isso. – Santana que estava no canto do palco viu os funcionários aplaudi-la. – É graças a ela que continuamos funcionando e logo retomaremos ao ritmo de trabalho que sempre funcionamos. Mas agora, sem permitir que errem e roubem aquilo que temos de mais importante, o nosso nome e nossa credibilidade diante do mercado. E eu, como presidente, darei o meu melhor pra isso. Não importa quantas pessoas continuem a duvidar do meu potencial, eu estarei aqui, todos os dias, provando o contrário e me alimentando dessa energia para transformá-la em resultados positivos para todos nós. Muito obrigada por mais um ano. Feliz ano novo pra todos!

Após a festa, os dias correram mais rápido do que Santana queria. Aquele era o dia, em que os próximos dias de sua vida começariam a ser traçados, seu futuro ia começar a ser julgado. O Povo vs. Santana Lopez, era isso que os jornais noticiavam. Naquela manhã começaria o seu julgamento e apesar de ter tido muito tempo para se acostumar com isso, ela ainda não estava preparada.

— É hoje! – Disse quando seu despertador começou a tocar, embora não tivesse conseguido pregar os seus olhos durante a noite toda. – É hoje que vai começar o caça as bruxas, é hoje que eu serei apontada como um animal e que pedirão a minha cabeça. – Falava para si mesma, mas Brittany que já havia despertado, também a ouviu.

— É hoje que vamos começar a provar sua inocência.

— Quanto tempo você acha que vai levar?

— Eles querem celeridade. Pode ser dois ou três dias no máximo.

— Ainda dá tempo da gente fugir?

— Santana Lopez está com medo? – Tentou brincar.

— Com medo não, apavorada!

— Então hoje eu vou ser a corajosa e dizer: vai dar tudo certo. – A beijou com carinho. – Eu vou tomar banho primeiro, fica de molho aí, ainda temos tempo.

Brittany entrou no banho e aproveitou para colocar suas ideias em ordem. Lembrou-se do dia em que conheceu Santana, naquela manhã tinha se aborrecido com Sam porque ele havia cedido aos caprichos de sua mãe e contratado uma equipe de festas enorme para o aniversário de Luca. Durante a tarde seu pai tinha chego a empresa enfurecido porque a capa de um dos exemplares de revista tinha sido modificada sem sua autorização. Quando Brittany tentou convencê-lo do melhor, ele começou a ameaçá-la como sempre. Pra terminar, saiu da empresa brigando com Sam, sabe-se lá por qual motivo. Então aconteceu, Santana Lopez, literalmente, entrou em seu caminho.

Santana fazia a mesma retrospectiva. Lembrou-se de ser agarrada a força e quase ser abusada, tendo que usar de sua força e um vaso quebrado na cabeça de seu agressor para se livrar de seus braços. Quase pode sentir a dor das folhas do milharal cortando sua pele enquanto corria sem destino em busca de sua liberdade. Afobada, ao chegar a via foi atropelada, quando deu por si, um par de olhos azul feito o céu a observava preocupada, desde então seu coração não bateu mais no mesmo ritmo. E agora, a partir daquele dia, poderia estar confinada a ver esses mesmos olhos apenas através de um vidro embaçado de uma penitenciária. Essa ideia a assustou, assustou de uma tal forma que ela sentiu seu corpo inteiro estremecer. Santana levantou-se e correu pro banheiro, invadiu o banho de Brittany e a abraçou com força, de camisola e tudo.

— Mas o que é isso? – Brittany envolveu o corpo dela com um braço e com sua mão livre acariciou o rosto. – Está tudo bem?

— Eu quero me casar hoje. Antes de irmos pro tribunal.

— O quê?

— Se formos casadas, você poderá me fazer visita intimas. – A loira não pode evitar de rir.

— Eu tenho uma ideia muito melhor. Vamos gastar nosso tempo com algo que vai te ajudar a relaxar.

Santana não teve tempo de responder, pois logo os lábios de Brittany tomaram os seus e as mãos dela domaram seu corpo. Tudo desapareceu no meio do encontro gostoso entre seus corpos.

Momentos mais tarde, estavam todos reunidos na sala da casa de Santana para dá-la apoio. Brittany foi a primeira a descer e encontrar os amigos. Santana veio em seguida, sua roupa preta discreta contrastava com seus óculos de sol em um dia nublado e o lenço que envolvia seus cabelos.

— Mas o que é isso? Eva Peron gótica? – Debochou Noah.

— Não viu o noticiário? O fórum está lotado de populares. E as placas que eu vi não são amigáveis.

— Você terá proteção necessária, não se preocupe. – Afirmou Quinn.

— Tudo bem. – Ela retirou o óculos e o lenço. – Vamos fazer isso!

Divididos em dois carros Santana, Brittany, Quinn, Rachel, Noah, Kitty e Kurt foram para o fórum. De fato, o local estava cheio, diversos curiosos queriam ver de perto a suposta mulher que tinha assassinado os pais. Já lá dentro, Santana ocupava o banco dos réus. Brittany o das testemunhas e seus amigos estavam nas costas dando apoio junto com alguns populares que tiveram acesso. Era profundamente assustador encarar o seu juri. Em sua maioria eram pessoas de mais idade, entre 55 a 60 anos. Provavelmente pais de família que se comoveriam com a história contada pelo Promotor de Justiça e que se sentiriam na pele dos pais de Santana, ou seja, pessoas perfeitas para condená-la. E a juíza misteriosa, porém com cara de experiente, seria condutora até sua sentença, que aguardava com um pequeno fio de esperança que fosse benéfica.

— O povo chama para depor o doutor Marcos Parker.

O mesmo se apresentou, tomou seu lugar e fez seu juramento.

— Dr. Parker, o senhor confirma que a senhorita Santana Lopez, a ré, chegou ao seu hospital com lesões graves e com quadro de amnésia?

— Sim! A senhora Pierce chegou com Santana na clínica, ela havia acabado de atropelá-la. Em exames para conferir as lesões, a minha equipe e eu podemos perceber que Santana tinha hematomas pelo seu corpo que não eram decorrentes do acidente. Conforme o laudo, ela apresentava marcas de dedos em sua coxa e em seus braços. Suas costas também estavam machucadas e seus pulsos cortados, nitidamente por cordas bem apertadas.

— E esses machucados não poderiam ter sido fruto do acidente ou feitos pela senhora Pierce?

— Como? Eu acredito que Santana não combinou de ser atropelada por uma empresária, certo? E as marcas no corpo de Santana foram feitas por mãos masculinas, maiores. De acordo com o relato da senhora Pierce, ela bateu de lado no corpo de Santana, que com o choque foi ao chão com o corpo pra frente, onde usou seu braço como apoio, mas mesmo assim sua cabeça chocou-se com o chão. O braço ralado ficou sem a pele e a cabeça apresentou um corte do lado direito. Assim que a paciente recobrou a consciência apresentou a perda de memória, o que ficou comprovado com os exames neurológicos.

— Então o senhor afirma categoricamente que a ré não mentiu sobre seu quadro clínico?

— Protesto, meritíssima! Especulação. – O advogado de Santana se pronunciou.

— Mantido! Lembre-se que o doutor Parker está aqui como auxiliar da justiça, esclarecendo o caso, uma vez que Santana foi sua paciente, mas ele se restringirá a perguntas técnicas, assim como os médicos pedidos por esse tribunal.

— Tudo bem, eu reformulo. O senhor pode dizer então, que os exames dizem com certeza que Lopez perdeu a memória?

— Com certeza! Os exames clínicos não mentem. Inclusive, um tempo depois, ela precisou voltar a se consultar comigo após uma crise sofrida com o retorno de sua memória.

— Sem mais perguntas.

— Com a palavra, a defesa.

— Obrigada, meritíssima. – O advogado se aproximou do médico. – Doutor Parker, eu tenho uma única pergunta. O senhor, com todos os seus anos de experiência, pode me dizer se seria possível Santana Lopez causar aqueles ferimentos em si mesma?

— Impossível! Com certeza aquelas foram marcas de um ataque e um acidente.

— Sem mais perguntas.

Após o depoimento de Marcos, foi à vez de médicos imparciais para analisarem os exames apresentados, que confirmaram a versão do doutor Parker. Assim que eles terminaram, para seguir uma ordem, convocaram Brittany para depor.

— Senhora Pierce, antes do acidente a senhora já tinha tido qualquer contato com a senhorita Lopez?

— Não! Eu nunca tinha à visto antes, eu a conheci no acidente.

— E o que a senhora estava fazendo naquela via tão fora de mão?

— Bom, que eu saiba, eu tenho direito de ir e vir e isso me dá a opção de escolher por onde eu quero transitar. Mas respondendo a sua pergunta, era um trajeto normal meu. Eu sempre preferi aquela via mais tranquila, exatamente para fugir do trânsito infernal do centro. Os problemas da minha empresa já são suficientemente caóticos.

— E como ocorreu o acidente?

— Eu me distraí, meu celular caiu e eu me abaixei para pegá-lo, quando eu voltei Santana já estava na minha frente, não deu tempo de frear.

— Qual foi a sua atitude? Você notou algo de estranho naquela moça que surgiu no meio do nada?

— Sim! Assim que bati meus olhos nela eu pude reparar os machucados, não os hematomas. Mas aqueles feito pelo baque. A testa dela estava ensanguentada. Mas o que mais me chamou a atenção é que ela apenas vestia uma calcinha e uma blusa rasgada. Porém eu tinha que socorrê-la. Então a levei pra clínica, onde ela foi atendida e eu soube de seu estado.

— Por que a levou pra sua casa?

— Pelo óbvio? Ela perdeu a memória, sabíamos apenas o seu nome e eu era responsável por ela. Sim, eu tinha a opção de deixá-la em um abrigo qualquer, pagar alguém que cuidasse dela. Mas não faz meu estilo, eu tenho humanidade. Por minha causa ela perdeu a memória. Então a recebi na minha casa e pedi para um amigo detetive ficar responsável por encontrar a família dela.

— Não se preocupou em se envolver com uma estranha? Em deixá-la em sua casa perto da sua família?

— Desculpa? – Brittany se sentiu constrangida com aquela pergunta.

— Protesto, meritíssima! O Procurador está saindo dos limites.

— O senhor será advertido. Não será permitido que testemunhas sejam constrangidas em meu tribunal.

— Vou refazer. Como reagiu ao descobrir o passado da ré?

— Protesto! A senhora Pierce não está sobre julgamento, apenas a senhorita Lopez.

— Assim fica difícil fazer meu trabalho, o senhor quer vir pro meu lugar?

— Adoraria. Faria o meu trabalho de Promotor de Justiça e não de Promotor de Acusação.

— Ordem! Eu peço que os dois se recomponham, ou os dois serão penalizados. Senhor Promotor, por favor, é meu ultimo aviso.

— Ok, senhora Pierce. Como foi Santana recuperar a memória?

— Foi um processo lento, na verdade, ela ainda está no processo. Apesar de ter a maioria de suas lembranças, algumas ainda não foram recobradas. Mas toda memória foi importante para que pudéssemos juntar as peças da vida de Santana. Quando ela descobriu quem era, quis logo voltar pra casa. Desde o principio colaborou com a justiça, prestando esclarecimentos na delegacia. Tanto daqui, quanto de Rochester.

— É certo que a senhorita Lopez investiu uma quantia milionária em sua empresa, com qual finalidade se ambas são de negócios diferentes?

— Santana acompanhou o meu drama e de minha empresa. Nós já nos relacionávamos, ela tinha dinheiro e eu precisava. Tudo fecha. Ela se dispôs a fazer esse empréstimo que tem contrato e será pago aos poucos, de acordo com as possibilidades da empresa. Não foi uma doação ou um jogo. No papel de minha noiva, ela me ajudou. Acho que é esse o papel de um casal, certo?

— Sem mais perguntas.

— Por favor, advogado.

— Obrigada, meritíssima. Senhora Pierce, só pra deixar claro pros senhores do juri. Em algum momento Santana representou alguma ameaça pra senhora ou sua família?

— De forma alguma! Eu sou mãe, meu filho é coisa mais importante que eu tenho na vida. Eu jamais o colocaria em risco. E Santana se adaptou bem a casa, eu até mesmo a envolvi na minha empresa, onde ela trabalhou por curto período no jurídico. Se ela fosse uma ameça, eu não permitiria que isso acontecesse. Mesmo quando surgiram as evidências contra ela, eu fiquei em dúvida, era algo natural. Mas no fim das contas, eu já conhecia o caráter dela o suficiente pra continuar ao lado dela.

— Obrigada, senhora Pierce.

Logo após foi a vez de chamarem à senhora Alma Lopez. Ao ver a avó ali, naquela situação, seu coração se apertou.

— Senhora Alma, a senhora poderia nos contar como era a relação de Santana com a família.

— Santana sempre foi motivo de orgulho para os pais. Boa aluna, dedicada e alegre. Festeira como qualquer adolescente, mas muito responsável. Entrou em uma das melhores faculdades de Direito, pediu um estágio no departamento jurídico da empresa da família. Depois que terminou seu curso, foi escolhida pra trabalhar no Canadá, onde foi efetivada e trabalhou até o ocorrido.

— Alguma vez a senhora presenciou qualquer situação estranha entre sua neta e os pais?

— Não!

— Nem mesmo pela sexualidade da sua neta e o fato dela estar comprometida com uma mulher?

— Eu mesma sempre fui contra, o que levou o rompimento da relação com a minha neta. O pai também não era totalmente a favor, mas ele nunca impôs nada para Santana.

— Nem o fato de que se sua neta se casasse com uma mulher, ela perderia totalmente direito a herança?

— Não. Santana aceitou os termos do pai. Afinal, Roberto já estava disposto a passar todo o controle para ela. Não queria um casamento civil, mas não impediu que as duas continuassem a conviver. Não tinha nenhum interesse de Santana, se é isso que quer dizer. – Santana sorriu ao ver a avó a defendendo.

— Sem mais perguntas.

— Com a palavra, a defesa.

— Senhora Lopez, quantas netas a senhora tem?

— Duas. Gêmeas.

— E o que aconteceu com sua outra neta, Samara Lopez?

— Está internada em uma clínica psiquiátrica.

— Desde quando?

— Desde os sete anos de idade.

— Por qual motivo?

— Ela tem um quadro de psicopatia.

— E como foi descoberto ou isso ficou evidente?

— Ela apresentava comportamento agressivo e sociopático. Por diversas vezes ela lesionou a irmã e chegou a atentar contra a sua vida. Depois de um comitê avaliador, eles decidiram por bem interná-la.

— Em algum momento ela saiu daquela clínica?

— Por dois momentos. Primeiro na adolescência, aos 14 anos e durou cerca de oito meses, mas ela não se readaptou. Houve brigas em casa, confusão com os vizinhos. Era uma época de rebeldia, mais seu grande problema. Ela se sentia excluída e tinha muito ciúmes da irmã. Depois, aos 24. Os pais tentaram novamente, ela estava apresentando progresso e todos acreditavam que com o acompanhamento correto, ela poderia ser ressocializada. Mas houve o acidente e o desaparecimento de Santana, então o processo teve que ser interrompido.

— E como estava sendo a integração dela a família?

— Protesto, meritíssima. Aonde o advogado quer chegar?

— Desenrole a pergunta, doutor. No que se faz relevante esse fato?

— Se faz relevante pelo seguinte fato. A prova principal que recaí sobre a minha cliente é a gravação de uma câmera de vigilância, que registrou o momento em que supostamente Santana entregou o dinheiro ao mecânico que sabotou o carro dos senhores Lopez. Entretanto, temos evidências para acreditar que quem aparece naquele registro, é Samara, a irmã gêmea de Santana. Por isso a relevância de entendermos a história de Samara.

— Pode responder ao advogado, senhora Lopez.

— Era cedo pra dizer, mas eu não acreditava muito. Não era a mesma coisa, apesar da insistência de Glória, não era mais uma família. Se eu acredito que ela seria capaz de um ato cruel? Provavelmente. Dói pensar que uma neta fez algo assim. Mas eu nunca suspeitei de Santana, apesar de todas as nossas diferenças, ela tinha amor demais dentro dela. Venerava os pais. E ela não poderia... – Nesse momento Alma não conseguiu segurar as lágrimas, Santana teve um impulso de se levantar, mas foi segurada pela assistente de seu advogado.

— Só mais uma pergunta e eu te libero, senhora Lopez. O advogado caminhou até sua mesa, pegou um envelope e de dentro tirou uma foto, registro da câmera de segurança. – Essa é a melhor imagem frontal que conseguimos de sua neta. Não sabemos qual delas, dizem ser Santana. É claro que por serem gêmeas idênticas, é quase impossível notar a diferença entre elas. Eu disse quase. A senhora como avó, pode nos revelar o que a levaria distinguir uma neta da outra.

— Santana tem cabelos longos, é mais bronzeada, tem lábios um pouco mais grossos do que o da irmã e o ombro direito mais baixo, devido a uma lesão que sofreu no ensino médio enquanto praticava educação física. Samara tem os dedos das mãos mais longos, era o que nos fazia diferenciar quando eram pequenas, olheiras bem profundas e uma mancha na pele, bem nas costas, na lombar.

— Vendo essa imagem, a senhora poderia dizer qual das netas é?

— É complicado afirmar, a qualidade não é boa. Eu apenas posso julgar pelo ombro correto e talvez cor da pele... Talvez seja Samara.

— Nada mais, meritíssima.

— Eu proponho um recesso de uma hora para que os presentes possam se recompôr e se alimentar, antes de chamarmos o próximo depoente.

Brittany parecia que prendia o ar desde que saíra de seu depoimento e só conseguia respirar de novo com aquela pausa.

— Aquele promotor é carne de pescoço mesmo. Minha vontade era socar a cara dele.

— Ele está tão preocupado em condenar a Santana, que está metendo os pés pelas mãos.

— Rachel está certa. Mas você se saiu muito bem, Britt-Britt.

— Obrigada, Kitty. Mas estou preocupada, porque numa coisa ele foi esperto, ele escolheu um juri de classe média, com acesso a mídia, meia idade e tudo mais... Ninguém pode imaginar o que está se passando na cabeça deles. Eu só vou ficar tranquila quando Dani for depor e conseguirmos pegá-la.

— Aliás, eu imaginei que veria ela aqui hoje. Até estava meio escondida lá no fundo, vai que ela me reconhece do shopping.

— Se quiser, estou com o lenço da Santana no carro.

— Ela vem amanhã. – Afirmou Kurt. – Ela foi chamada pra depor amanhã. Mas eu conversei com ela, e ela está crente que foi chamada apenas para contar como era sua vida com Santana.

— E onde está Santana? – Perguntou Quinn.

— Ela quis ver como a avó estava e o advogado queria orientá-la sobre as estratégias.

— Vamos almoçar então.

— Vão vocês, Rach. Estou com meu estômago embrulhado.

— Nada disso, irmã. Saco vazio não para em pé. Vai com a gente nem que seja pra tomar um suco. Aproveita e liga pra mamãe pra saber como os meninos estão, relaxa um pouco.

— Kitty tem razão, loira. Ficar aqui sozinha não vai ajudar.

O almoço passou com um clima tenso, apesar de todos quererem manter a esperança e o animo para seguir a segunda parte do julgamento, não estava sendo nada fácil. Quando retornaram ao plenário, a próxima testemunha já estava sendo anunciada.

— O povo chama Anthony Torres.

— Quem é esse? – Kitty cochichou para Noah.

— Não faço ideia, loirinha.

— Senhor Torres, por quanto tempo você trabalhou como jardineiro na casa dos Lopez?

— Por um ano e sete meses.

— E o senhor ficou lá até a morte dos Lopez?

— Sim, senhor. Com o desaparecimento da filha e sem ninguém na casa, fomos todos dispensados pela senhora Alma.

— E o senhor poderia nos contar sobre a discussão entre o senhor Roberto Lopez e a filha Santana Lopez?

— A senhora Glória Lopez tinha um grande apreço por seu jardim. Ela tinha feito uma lista de novas plantas que queria para seu jardim e tinha deixado com seu marido. Era responsabilidade minha comprar tudo. Então, eu fui até ele pra poder pegar a lista do que ela queria. Foi então que eu ouvi pai e filha discutindo. Senhor Roberto não tava gostando dessa ideia aí da filha se juntar com outra mulher, entende? Então ele foi direto, disse que deixaria a filha sem nada se ela se casasse. Foi feio, teve grito, teve choro, teve murros na mesa, era coisa de família sério.

— Quer dizer que temos um motivo muito claro aqui. Isso é tudo o que eu precisava saber.

— Mas eu tenho muitas perguntas. Por exemplo, qual foi o final do acordo entre pai e filha? – O advogado chegou de forma severa até a testemunha. – Já que parou para ouvir uma conversa intima de seus patrões, deve ter ficado pra ouvir o final. Santana aceitou o pedido do pai ou se negou?

— Bom... É... Ela aceitou.

— Quer dizer que no fim, ela foi uma boa filha, obediente as vontades do pai, e abdicou de um desejo pessoal para manter a harmônia da família?

— Acho que sim... Quero dizer... Possivelmente.

— Depois disso o senhor ouviu mais brigas entre a família?

— Não senhor.

— Dou por encerrado, meritíssima.

— O povo chama agora Santana Lopez.

O coração de Santana subiu para boca, ela sentiu um frio enorme tomar o seu corpo. Lentamente ela virou seu rosto pra trás e encontrou o olhar preocupado de Brittany. Chegou um dos momentos mais temidos por ela.

Notas finais
Espero que tenham gostado. O que aguarda os próximos depoimentos, hum? Até o próximo. Beijos.