Who are you?

32 Maturidade, Mentiras e Mistério.


Notas iniciais
Olá pra todos! Vocês nem imaginam o quanto eu me diverti com os comentários de vocês, estão cheios de teorias novas com a chegada da Dani. Aliás, obrigada. Bora ler!

Santana passou à noite em claro, ela tentava avaliar sua situação e encontrar uma solução para ela. Mas o amor não é uma ciência exata e não tem como ser controlado ou mensurado, ela estava aprendendo isso da pior maneira possível. Em contra partida, Brittany caiu em sua cama e dormiu ajudada pelo efeito do vinho. Entretanto, na manhã seguinte arrependeu-se de ter exagerado na dose.

Brittany preferiu sair logo cedo com Luca para passear, queria passar o dia fora, deixar sua mente limpa o máximo possível e seu filho era a única coisa que lhe dava força e lhe trazia felicidade quando menos ela tinha esperança. Dessa forma, só voltou para casa quando entardeceu. Santana estava sentada num dos sofás da parte de fora da casa, ela havia passado o dia enclausurada em seu quarto e depois se mudou para a parte externa, nem percebendo como o tempo passou e que a noite começava a cair. Só despertou de seus pensamentos quando ouviu a voz de Brittany chamá-la.

— San? Santana? – A latina finalmente a fitou. – Não está com frio?

— Eu não sei. Quero dizer... Estava distante demais.

— Eu percebi. – Sentou-se na frente da morena e ficou a observando, como se esperasse que começasse a falar.

— Eu passei o dia refletindo sobre tudo, porém ainda estou bem confusa. Mas quero que entenda uma coisa, eu não estou confusa quanto aos meus sentimentos por você. Eu amo você, Brittany. Eu não menti, eu sei que amo você. Em nenhum momento eu te enganei ou quis te magoar.

— Eu acredito nisso, Santana, eu realmente acredito. O que me chateia é a probabilidade de eu perder você. Poxa eu também te amo, amo muito. Eu te amo ao ponto de me assustar só o fato de te não te ter mais na minha vida.

— E eu sinto o mesmo. Eu não consegui me lembrar da Dani ainda, mas algo aqui dentro me diz que ela não é uma estranha. Ver as fotos que ela me mostrou me deixou com uma nostalgia. Eu não posso ignorar isso.

— Eu sei.

— Por que tudo tem que ser tão complicado sempre?

— Eu também queria saber. – Respirou fundo pra poder reunir forças. – Mas eu também pensei muito ao longo do dia e cheguei a uma conclusão. Eu te amo, Santana. E eu tenho que ser madura com esses sentimentos que eu tenho por você. Eu sei, a maturidade é uma droga, mas eu quero que você tenha 100% de certeza do que sente por mim também e isso só vai acontecer depois de você experimentar sua vida com a Dani e ter alguma lembrança de volta, ou sentir algo por ela.

— O que você quer dizer? Você quer que eu fique com a Dani? – A olhou totalmente confusa.

— Quero. É exatamente isso. Você sempre me disse que suas memórias só voltam a partir de uma experiência. E é isso que você tem que fazer. Conte a Dani sobre a gente, seja honesta com ela e peça para que ela te ajude a se lembrar da vida que tinham. Depois disso você vai ser capaz de julgar seus sentimentos, porque do contrário, vamos supor que você me escolha e em um dia qualquer você se recorda do que tinha com ela, ou perceba que aquele sentimento era mais intenso. Isso sim me machucaria de verdade.

— Isso é uma loucura! – Levantou-se e começou a andar de um lado para o outro. – E se eu não me lembrar de nada?

— Eu sei que vai. Porque os sentimentos estão aqui. – Apontou para seu coração. – Não aqui. – Apontou agora para cabeça. – Leve-a com você para Albany.

— Você está terminando comigo?

— Eu estou libertando você. Mas isso não quer dizer que estou te mandando embora da minha vida, eu me preocupo com você. Eu vou querer saber das suas descobertas e te ajudar no que for preciso. Entretanto, se você demorar pra se decidir, eu vou te buscar de volta, azar da Dani. — Ambas riram, mais por nervoso do que por graça.

— Você é a mulher mais incrível que eu conheço, sabia disso? – Santana caminhou até ela e a abraçou com toda força que pode.

— É, eu sei.

No dia seguinte, assim como combinado, Brittany saiu para almoçar com Kitty e Santana foi se encontrar com Dani e Kurt.

— Demorei? – Brittany perguntou ao mesmo tempo em que abraçava a irmã.

— Sim, mas não tem problema. Eu aproveitei pra fazer algumas ligações de negócio. Não vou mexer mais nesse celular até terminarmos nossa conversa.

— Desculpa, eu estava ajudando Santana a terminar de fazer a mala.

— E como vocês estão?

— É estranho. Eu não sei o que eu e ela somos. Quer dizer, não que um dia eu soubesse, eu sou casada e ela tem uma noiva. Mas tínhamos algo e agora não temos nada. Somos amigas, talvez...

— Você está muito mal mesmo. E eu queria poder te ajudar com isso, mas o amor é essa droga que nos deixa hora nas nuvens e outras no chão.

— Tá tudo bem. Eu só tenho que tentar não surtar de ciúmes, de saudade e de dor, mas fora isso. Tudo normal... Vou me focar nos meus problemas. – Deu de ombros. – E vou me focar também na minha irmãzinha. Fala, por que queria tanto esse almoço? Sua voz parecia bem séria quando me convidou. Aconteceu alguma coisa?

Kitty precisava desabafar com a irmã, precisava contar-lhe a verdade sobre muitas coisas. Não aguentava mais guardar pra ela tudo e muito menos mentir, ou continuar a fingir que nada aconteceu. Mas Brittany já estava suficientemente triste, não era o momento ideal para tocar em outra ferida e fazê-la sentir-se pior do que já estava.

— É... E-eu... Eu quero que você use a minha parte na empresa pra pagar a divida. Venda, negocie, faça o que quiser... Pague a divida com ela.

— Que? Você ficou maluca?

— Britt-Britt, eu tenho meu próprio negócio, eu estou confortável com o que ganho. Sem contar, que você é quem mais dá duro naquela empresa, não é justo que use do seu patrimônio particular pra salvar a pele do Evans.

— É mais complicado do que isso, Kitty. Eu estou com medo de usar o dinheiro da empresa, ou o meu próprio e ser considerada cúmplice do Sam. Já vai ser difícil explicar que eu não sabia que meu próprio marido desfalcou aquele dinheirão todo. E ainda usar meu próprio capital ou da empresa pra salvá-lo...

— Bom, pode fazer tudo em meu nome.

— E aí eu estaria envolvendo você. Não é justo, Kitty. A empresa é sua também, eu não permitiria que abrisse mão disso.

— Não é como se eu me sentisse parte da família Pierce.

— Assim me ofende. – Fingiu uma expressão brava.

— Não, você sabe que eu te amo muito. Você é a minha família. Você sabe ao que eu me refiro, seus pais me deram um nome, uma vida confortável e só. Morando na Europa, eu fui até a região da Itália onde mamãe disse que me adotou, mas não consegui nada, nenhuma pista dos meus pais verdadeiros. Parece que eu não tenho raízes. Isso sempre mexeu muito com a minha cabeça, eu sempre fui a filha rebelde. Eu só queria poder arrumar as coisas, arrumar tudo desde o começo... Mas parece ser mais complicado do que eu pensei.

— Você sempre quis isso, não é? Sinto muito por você.

— Tudo bem. Um dia eu vou entender a minha história. E você, vai aceitar a minha proposta? Você me faria me sentir bem melhor.

— Não. Eu vou dar um jeito, mas não vou ser injusta com você. Pode achar que não é uma Pierce, mas é. Você é minha irmã!

— Britt... Ao menos diga que vai considerar. Nem que seja uma parte, mas pense.

— Tudo bem. Só em último caso.

— Já é alguma coisa.

— Agora me conte sobre você. Falou tão profundamente de amor, está apaixonada?

A conversa entre elas tomou outra direção e Kitty achou por bem abafar por mais um tempo a história dela com Sam, pelo menos até a irmã estar um pouco melhor. Mentiras era tudo o que ela podia oferecer para a irmã naquele momento, mas eram mentiras boas, certo? Mentiras do bem são perdoáveis, não são? Kitty não tinha certeza se queria descobrir.

Santana encontrou-se com Dani e Kurt no próprio restaurante do hotel que estavam hospedados. Assim que viu a figura do amigo chegando mais perto, um amontado de flash do rapaz se aproximando empolgado com o mesmo sorriso pra ela vieram em sua mente. Uma alegria inexplicável a preencheu naquele momento.

— Santana! – Ele falou empolgado e a abraçou.

— Kurt! – Sorriu por finalmente abraçar um amigo que a conhecesse há muito tempo.

— Dani me contou tudo o que aconteceu. Estou aqui pra ajudar totalmente.

— Obrigada. – Caminhou até a noiva e abraçou também, sendo recepcionada por braços calorosos. Aquele perfume que a loira tinha lhe pareceu familiar e atraente. Seria um sinal de sua memória? – Eu vou precisar de toda ajuda e compreensão de vocês. Mas antes, eu tenho que contar algumas coisas que aconteceram. Se depois disso vocês me apoiarem, eu quero que viajem pra Albany comigo.

— Estamos todos ouvidos, meu amor.

Santana, assim como Brittany aconselhou, foi sincera com a noiva e o amigo. Ela esperava que Dani chorasse, se sentisse magoada ou traída, mas pelo contrário, ela foi bastante sensata em compreender que a latina não teve culpa de nada do que aconteceu e que não poderia culpá-la, mas pediu que ela fosse honesta quanto seus sentimentos por Brittany e que faria o possível para reconquistá-la, fazendo-a perceber que o que tinham era verdadeiro e sólido. Kurt se impressionou com toda a história da amiga e prometeu ser seu guia para a descoberta da verdadeira Santana Lopez.

Nem tudo estava perdido, pelo menos era isso que Santana quis acreditar. Ela iria se recuperar e iria dar um jeito em sua vida.

Mais a noite, antes de partir para Albany, Santana ligou para Brittany para que pudesse se despedir.

— Eles já estão me esperando, mas eu senti que deveria te ligar antes. Vou fazer isso sempre, te informar de tudo.

“- Por favor, principalmente sobre sua irmã, sabe que eu temo por você.”

— Eu só espero ter forças pra aguentar até amanhã depois do trabalho. O psiquiatra dela confirmou, poderemos conversar e depois vê-la.

“- Isso é ótimo! Eu torço por você.”

— Obrigada. Mas diz pra mim que vai dar tudo certo, que vai ficar tudo bem, que eu não vou fazer nenhuma besteira. Eu preciso te ouvir dizendo isso.

“- San, relaxa. Você é a mulher mais corajosa do mundo! Vai se dar bem na empresa e vai saber enfrentar a sua irmã.”

— Não imagina o quanto sua voz me acalma... – Um silêncio constrangedor se formou.

— Santana? – Kurt bateu na porta estranhando a demora da latina no banheiro. – Vamos nos atrasar.

— Eu já vou! – Gritou pra ele e agora falava mais baixo para que não pudesse ouvir sua conversa ao celular. – Eu preciso ir...

“- Eu ouvi. Vai dar tudo certo, tá? Não se preocupe. E qualquer coisa que precisar, não exite em me ligar. Faça uma boa viagem.” — Santana pode perceber o quanto a voz dela ficou mais triste e ganhou um tom de melancolia.

— Obrigada. Eu te amo. – Ela esperou pela resposta, mas a mesma não veio, apenas o som do final da ligação. Ela então saiu do banheiro e deu de cara com Kurt. – Que susto!

— Era ela?

— Ela quem? – Fez-se de desentendida enquanto agarrava suas bolsas.

— Como quem? Brittany, a outra.

— Não fale assim.

— Desculpe. Eu não a conheço, mas já a admiro muito pela postura dela. Porém, Dani é minha amiga e eu sei o quanto ela sofreu por você e o quanto ela deve estar sofrendo agora pra tentar ser forte e aguentar essa nova barra. Não quero que pense que estou te pressionando, pois não estou. Só peço que pelo bem das duas, seja mais discreta. Se é que me entende.

— Sim, eu entendo. E obrigada por não me censurar.

— Oh, Santana! Se soubesse o quanto já vi das suas loucuras, essa é só mais uma. – Ambos riram e seguiram caminho pra fora do quarto.

Brittany deixou o aparelho telefônico cair na cama e ficou olhando pro mesmo ao seu lado, se sentia perdida. Dessa forma, nem percebeu que Sam a observava da porta.

— Era a Santana? Ela finalmente se foi pra deixar de ser um encosto. — Brittany revirou os olhos.

— Sim, era ela. Você deseja alguma coisa além de ser inconveniente?

— Só estava passando e quis vim comentar. Linda a noiva da Santana, você não achou? Educada, cheia de postura. Essa latina tem mesmo um bom gosto.

— Qual é a sua? Estava esperando poder dar em cima da Dani? Por isso foi tão gentil com ela?

— Eu fui gentil porque ela estava tirando um problema de dentro da nossa casa.

— Então por que você ainda continua aqui?

— Oh, Brittany, Brittany. Um dia você ainda vai me agradecer por abrir as portas pra Dani.

— Não entendo, seja mais claro.

— Espere e verá. — Saiu do quarto com uma expressão de vitória.

Brittany não soube explicar porque, mas esse mistério de Sam fez ela enjoar, sentiu seu estômago apertar com aquele sorriso.

Notas finais
Esse capítulo foi mais sugestivo para as coisas que estão por vim. Prometo que no próximo vai ser mais "ágil". Porém, espero que tenham gostado e não estejam se cansando desse mistério todo haha Até o próximo. Beijos.