Who are you?

44 Feliz Navidad!


Notas iniciais
Gente, gostaria de notificar que agora restam apenas mais cinco capítulos e eu já estou sofrendo por pensar no fim. Falta pouco pra nos despedirmos. ):

Santana acordou pesada naquela manhã, tudo o que ela havia descoberto no dia anterior ainda fazia um nó dos mais complicados em sua cabeça. Seria possível que ela tivesse errado tanto com Dani assim? Será que ela própria tinha levado a assassina de seus pais pra dentro de sua casa?

"Santana, como você vai conseguir sobreviver com essa culpa? Eu devia me sentir melhor por saber que eu não fui capaz de matar os meus próprios pais, mas não é muito diferente tê-los apresentado a quem o fez."

Santana foi roubada de seus pensamentos ao sentir o braço de Brittany lhe envolver o corpo.

— Bom dia! – Brittany disse com a voz completamente rouca de sono. – Você dormiu bem? – Beijou o canto do rosto dela.

— Sim, até despertar às cinco da manhã e não conseguir dormir mais.

— Eu imaginei ao te ver com essa carinha. Queria poder dividir esse peso com você e te fazer sentir melhor.

— Você já tem feito muito por mim. – Santana beijou o topo da testa de Brittany. – Mas eu te fiz uma promessa, que vou me concentrar no natal. Então por que não descemos, tomamos café e depois terminamos de decorar a árvore de natal antes que as meninas cheguem?

— Eu acho ótimo! E queria aproveitar pra te dizer que eu convidei a minha irmã. Não estamos num clima muito bom, mas eu não queria que ela passasse sozinha. É natal e... Miguel merece.

— Vai ser um prazer recebê-la. Eu também gostaria muito de ir visitar minha irmã e minha avó, mesmo sabendo que não seria bem recebida por ambas. Quer dizer, eu comprei um presente pra Samara, mas depois de tudo que eu descobri...

— Se quiser, a gente pode ir juntas. Eu vou estar ao seu lado. Quero dizer, te esperando, porque não sei se sua avó ficaria muito feliz em me ver.

— Você é a melhor! – Girou seu corpo na cama, deitou sobre o de Brittany e enchou o rosto dela de beijos.

Depois de arrumarem a árvore de natal, deixaram Noah responsável por Luca e pela casa, caso Quinn e Rachel chegassem antes do previsto, enquanto elas foram aos destinos previstos por Santana. A primeira parada foi na casa de Alma, Brittany ficou no carro enquanto Santana foi conversar com a avó.

— Desculpe, senhorita Lopez. Mas a senhora Alma está cuidando de sua estufa e ela se recusa atendê-la.

— Pode ao menos me dizer se ela está bem? Eu não tenho recebido notícias dela, me preocupa.

— Ela está bem, ela é muito forte e ativa. Mas se for tranquilizá-la, posso mandar notícias sempre que possível.

— Por favor. – Santana pegou um cartão seu de dentro da bolsa e entregou a mulher. – Meus números pessoais ou da empresa. Obrigada. – Suspirou fundo e caminhou cabisbaixa de volta para o carro. – Ela não quis nem me receber dessa vez.

— Eu vi mesmo ela passar, saiu de trás da casa e foi pra lá.

— Ela está na estufa, cuidando das plantas.

— E você não vai até lá?

— Pra quê? Não vou estragar o natal dela.

— Então me dá aqui. Vou ser a mamãe Noel, vou entregar o presente dela. – Pegou o embrulho das mãos da latina.

— Brittany...

— Confie em mim! Ousadia, latina. – Disse já saindo do carro.

— Você teve uma excelente professora. – Gritou rindo.

Brittany caminhou até a estufa, mas ficou com um pouco de medo de entrar. Ela queria, mas ainda não estava no mesmo nível de ousadia e coragem do de Santana. Mas agora era tarde demais, ela foi vista pela senhora latina.

— Quem é você? O que faz aqui?

— Meu nome é Brittany Pierce, a senhora já deve ter ouvido falar de mim, eu sou a mulher que atropelou a sua neta.

— Eu não tenho neta!

— Claro, claro. Mas Santana tem uma avó, uma avó que ela ama muito. E ela escolheu esse presente especialmente pra senhora.

— Eu não quero saber!

— É um álbum muito lindo que ela comprou, com fotos maravilhosas que ela selecionou da senhora e dela. Desde a infância até a adolescência. Ela passou alguns dias dedicada nisso, ajudou muito nas memórias dela. Pra senhora ver como mesmo de longe ainda é importante pra ela. Então, você pode pegar e jogar no lixo, ou pode devolver, não sei. Mas eu vou deixar aqui. – Colocou o presente em cima de um balcão. – E caso a senhora se sinta muito sozinha em passar o natal sem ninguém, estaremos na casa dela, que é sua também. Sua neta vai amar te dar um abraço. Mas se não for, tudo bem também. Vamos rezar para que tenha um dia iluminado como tem que ser. – O silêncio se manteve por alguns segundos. – Ok! Foi um prazer, senhora Lopez. – Brittany deu as costas.

— Menina. – Brittany voltou a se virar. – É você quem tem cuidado dela? Você e ela...

— Sim! Sou eu. E eu e elas estamos juntas. E eu tenho que te agradecer, porque cada dia ao lado dela eu descubro uma pessoa maravilhosa. Sei que grande parte disso foi porque ela teve uma mulher como a senhora ao lado dela. – Sorriu sincera e voltou para o carro.

— E então? Ela te maltratou muito?

— Não dei oportunidade. Mas acho que ela vai gostar do seu presente.

— Obrigada.

Elas seguiram até a clínica de repouso Padre Vita. Mas Santana não tinha a mínima vontade de ver a irmã, por isso foi falar com o médico dela.

— Acho muito triste tudo que me contou da sua irmã. Se confirmar, ela não terá chances de sair daqui. Tipo, nunca...

— Dói mais em mim, doutor. Mas eu não posso permitir que ela fira mais ninguém.

— E com certeza o alvo dela seria Santana.

— Eu vou conversar sobre isso com a equipe médica, Samara tem pleiteado uma oportunidade de nova avaliação e ela está crente que em janeiro será feito.

— Eu peço que o senhor segure o quanto puder.

— Com certeza.

— Mas bem, eu vim aqui pra trazer um presente pra ela. O senhor pode entregar?

— Claro! Mas antes a gente vai ter que abrir, revisar.

— Sem problemas!

— No que eu puder ajudá-la será um prazer, senhorita Lopez. Ainda mais porque tem a preocupação de trazer algo pra Samara mesmo talvez ela não merecendo.

— É só uma lembrança pra ela, doutor. – Entregou a pequena caixa ao médico e se levantou sendo seguida por Brittany. — Uma lembrança da nossa família, pode dizer exatamente isso pra ela.

— Pode deixar comigo. Boas festas!

— Boas festas! – Elas começaram a traçar o caminho pra fora da clínica.

— O que você comprou pra sua irmã?

— O presente que eu comprei, eu joguei fora. Estava com raiva e joguei contra a parede. Então, eu resolvi dar um relicário. Na verdade, ambas já tínhamos desde meninas. Eu os encontrei guardados nas coisas de minha mãe. Eu apenas renovei as fotos. Tem uma minha de um lado e uma dos meus pais no outro. Vai servir de recado pra ela saber que eu já sei de tudo, pelo menos quase.

— Ui! Essa é minha latina atrevida. – Ambas riram.

Quando voltaram pra casa, Quinn, Rachel, Kurt, Kitty e Miguel já tinham chego a casa. Brittany temeu que o clima ficasse bem estranho entre ela e Kitty, mas Kurt era uma pessoa divertida que acabou tomando todos com suas histórias com Santana. Noah também sugeriu que fizessem jogos pra manter todos entretidos até a hora da ceia. A meia noite, depois da troca de abraços, todos se juntaram pra jantar.

— Eu ainda não acredito que seus pais abriram mão de passar o natal com você, Rachel. – Comentou Brittany.

— Eles ficaram felizes! Disseram que vão poder fazer um cruzeiro de fim de ano que eles vem planejando há anos. Tudo para se preparem psicologicamente para serem avôs.

— Eles acabaram perdendo a surpresa.

— Que surpresa? Vem uns trigêmeos aí, loirinha? – Brincou Noah.

— Sim! – Todos largaram seus talheres e fizeram uma cara de surpresa para Quinn. – É brincadeira gente! – Todos voltaram a respirar. – É que já sabemos o sexo.

— É uma menina! – Anunciou Rachel mais afobada.

— Meus parabéns! Até que fim uma menina pra essa nova geração. – Disse Kitty.

— Sinto que eu estou ficando velho, que só eu estou ficando pra trás. – Lamentou Noah.

— Eu não consigo imaginar você como pai, Puck. – Riu Santana. – Se bem que um menino com seu cabelo... – Todos riram.

— Imagina uma menina com sua língua. – Retrucou.

— Céus! Que língua! – Suspirou Brittany e todos riram.

Depois do clima descontraído do jantar, todos foram se acomodar próximo a árvore de natal onde continuaram a conversa. Kurt parecia o mais distante naquele momento.

— O que foi? – A latina parou ao lado dele e bateu seu ombro ao do rapaz. – Tá com saudades do boy?

— Muita! – Confessou. – Mas é que eu acabei de receber uma mensagem da Dani e eu não consigo nem responder. Se ela for culpada...

— A gente precisa tirar a dúvida, Kurt. Mas eu não consigo pensar como.

— Eu tenho uma ideia, mas vou precisar da sua amiga grávida. – Santana olhou desconfiada pra ele. – Confie em mim, não vai oferecer risco nenhum pra ela e ainda vamos tirar algumas duvidas.

— Se você fizer isso, eu nem saberei como agradecer.

— Você é minha melhor amiga, Santana. E é isso que amigos fazem. Eu apenas espero que não tenha mais dúvidas sobre mim. – Eles se abraçaram forte.

Brittany e Kitty subiram juntas pro quarto para colocar os filhos para dormir em seus quartos, quando estavam de saída, se encontraram no corredor.

— Eu estou feliz que você tenha aceito o convite.

— E eu estou feliz que você o fez.

— Eu tenho um presente pra você. Fica aqui. – Ela voltou pro quarto e não muito depois saiu com dois embrulhos.

— Não precisava ter se incomodado. – Kitty começou abrindo o embrulho menor, dentro havia um conjunto de pincéis e tintas, além de diversas telas com desenhos infantis, embalado a parte uma manta azul bordada com o nome de Miguel. – É lindo!

— Acho que ele vai ser um artista como a mãe. E a manta é tradição, você e eu tínhamos, Luca teve, achei que Miguel também devesse ter.

— Você é a melhor irmã e tia do mundo! – Disse enquanto começava a abrir o embrulho maior.

— Eu sei disso. – Fez uma expressão convencida e depois riu.

— Não pode mais nem elogiar... – Em um pacote havia CD’s, em outro uma caneca, blusa, colares, mas o que mais chamou a atenção da caçula foi uma caixa cheia de reportagens com matérias sobre ela e seu trabalho.

— Durante todos esses anos que passamos sem nos ver, pra todo lado que eu ia, se eu via algo que eu achava que combinasse com você, eu comprava e guardada esperando a oportunidade de poder te encontrar pra poder te entregar. E as reportagens fazem parte da minha coleção pessoal. Tudo que saia sobre você eu lia e guardava, ficava morrendo de orgulho da minha irmãzinha.

Sem dizer nada, com cuidado, Kitty pegou os presentes e os colocou no chão ao seu lado, deixando os seus braços e os braços de Brittany livres para poderem se abraçar.

— Esse é o meu melhor presente!

Já bem de madrugada, todos foram se recolher em seus quartos. Brittany e Santana tiveram seu momento em paz.

— Eu estou tão cansada. – A morena se jogou na cama e soltou um suspiro forte.

— Eu também, mas foi bom, não foi? – Perguntou curiosa, pois passou o dia preocupada com os sentimentos de seu amor.

— Foi! Eu me diverti bastante. Mas confesso que estava louca pra estarmos só você e eu. Não sei o que você fez comigo, mas definitivamente acabou com meu espírito baladeira e louca por festas de varar a noite. Eu só quero ficar encolhidinha com você na cama.

— O nome disso aí é velhice, meu amor. Não tem nada a ver comigo não.

— Que desaforada! – Jogou uma almofada no rosto de Brittany que se divertia com a situação. – Continua rindo que vai ficar sem presente.

— Um presente? Pra mim? – Perguntou empolgada. – Onde está?

— Primeiro eu quero um beijo e um pedido de desculpas, você me ofendeu. – Fingiu uma expressão triste.

Brittany passou uma perna de cada lado do corpo de Santana e se sentou um pouco acima dos ossos de seu quadril, apoiou suas mãos na cama e se abaixou, ficando com a cabeça próxima a da latina.

— Me desculpe, meu amor. Você não está velha, pelo contrário. Você é a mulher mais linda. – Deu um beijo no queixo dela. – Mais gostosa. – Deu outro beijo agora na bochecha. – E mais maravilhosa do mundo. – Selou seus lábios. – Não há ninguém como você. – Mordeu o lábio inferior e arrancou um suspiro de Santana.

— Ok. Quem resiste? – Segurou o rosto de Brittany com as duas mãos e lhe deu vários selinhos seguidos. – Seu presente está no meu bolso.

— Outro anel? – Santana fez uma cara de mistério e Brittany enfiou a mão no bolso dela, remexeu até encontrar um objeto e tirou de dentro pra poder se certificar do que era. – Aqui só tem uma chave. – Olhou confusa.

— É esse seu presente!

— Uma chave? – Arqueou a sobrancelha. – E o que abre? Um baú? Um cadeado?

— Não. Abre a porta da nossa futura casa. Eu comprei. Do jeito que você sempre sonhou, espaçosa e com bastante luz. Localizada num lugar tranquilo e arbores... – Brittany não deixou Santana terminar e a beijou com carinho.

— Obrigada! Vai ser um sonho ter um lugar só nosso. Onde vamos viver juntas e passar os melhores anos da nossa vida.

— Valeu a pena só por esse beijo e sorriso. Mas a ideia de ter uma vida com você, é ainda mais recompensador.

— Bom, meu presente não é tão extraordinário... Mas eu comprei pensando em nós.

— E o que é?

Brittany se esticou na cama e pegou um envelope dentro do criado mudo, depois voltou a se acomodar no corpo de Santana. A latina aceitou o envelope e o abriu, de dentro retirou duas passagens.

— Nos tempos mais difíceis que passamos, a única coisa que eu queria era pegar você e Luca e sumir no mundo, viajar, fugir de tudo. Então, pra comemorar sua o exito no julgamento, porque você será inocentada. A gente pode viajar pelo mundo e começar a fazer as nossas lembranças juntas, ou melhor, aumentá-las.

— Eu não vejo à hora desse julgamento passar.

As duas ficaram em mais uma longa troca de carinhos e carícias até que adormeceram esgotadas. Na manhã seguinte, já era tarde quando Santana despertou, mas mesmo assim foi à primeira. Ela desceu pra se servir de uma xícara de café e depois se colocou sentada no sofá que ficava de frente para árvore de natal. Contemplando o adereço natalino, ela se lembrou de seus natais em família, a maioria de suas lembranças eram felizes, em que passava com seus pais e avó, ou com amigos de seus pais. Poucas eram tristes, como Samara brigando com ela pelos presentes, ou seu primeiro natal sem a irmã, como foi difícil para a família. Mas deixou se envolver pela lembrança que mais gostou, a de sua mãe acariciando seus cabelos, enquanto ela tinha sua cabeça deitada em seu colo, olhando pras luzes de natal brilhando em sua frente.

Ela estava tão submersa em suas lembranças que nem viu quando Brittany chegou por trás dela, apenas saiu de seu transe quando os braços brancos envolveram seu pescoço.

— Sinto um ar de nostalgia. – A loira beijou o topo de sua cabeça.

— Mas é boa, muito boa! – Tocou os braços com carinho.

Elas estavam em uma troca de energia gostosa, mas foram interrompidas pelo soar da campainha.

— Eu atendo. – Brittany caminhou até a porta e ao abri-la teve uma surpresa. – Senhora Alma! – Santana levantou-se assustada ao ouvir aquele nome. – Entre, por favor. – Deu passagem para que ela entrasse.

— Eu só vim trazer isso. – Estendeu uma forma e Santana foi ao seu encontro. – Brownie com muito chocolate. – Santana aceitou a forma, e ainda aproveitou a oportunidade para abraçar a avó, que para sua surpresa não recusou e a abraçou.

— Feliz navidad, abuela!

Brittany sentia uma imensa vontade de chorar ao ver aquela cena, era o verdadeiro milagre de natal.

— Feliz navidad! – A senhora se afastou do abraço. – Eu preciso ir.

— Tudo bem. – Santana tinha que admitir que aquele já tinha sido um grande passo. – Obrigada.

Alma saiu e Santana correu pros braços de Brittany.

— Eu não acredito!

— Meu amor, eu disse que esse natal seria especial!

Notas finais
Amores, esse foi um capítulo mais tranquilo. No próximo espero vocês com o mistério revelado. Então, aguardem por surpresas. ;) hahah Até o próximo. Beijos.