Who are you?

11 Direito ou Esquerdo?


Notas iniciais
Todas curiosas para saber como será o relacionamento delas daqui em diante. Vai ser confuso até elas se adaptarem com essa nova realidade e até compreenderem o que estão sentindo de verdade. Enquanto isso uma boa pitada de ciúmes, charme e provocações a maneira Brittana. HUASH Espero que gostem deste capítulo. Nos vemos lá em baixo. :)

Depois de mais uma sessão de beijos e amassos, agora bem mais “tranquilos” que os anteriores, cada uma se dirigiu para seu banheiro para tomar banho. Foi praticamente uma tortura os dois corpos se separarem, pareciam que estavam ligadas por algo novo que nenhuma das duas sabia explicar.

Assim que caiu na cama, os olhos de Brittany se fecharam, mas um enorme sorriso se abriu com os flashes dos momentos anteriores. Como ela tocou Santana, como Santana a tocou, parecia que ela ainda podia sentir os lábios da latina sobre o seu corpo. Um suspiro carregado de satisfação escapou de seus pulmões. Quando é que ela provaria algo parecido novamente? Aliás, ela provaria de novo?

Seus olhos se estalaram em duvidas. O que afinal tudo isso significava? O que iria acontecer daqui para frente? Foi apenas “um caso”, ou agora Santana tinha se tornado a sua “amante”? Como é que elas se olhariam nos olhos agora? Como elas se comportariam depois de um momento tão intenso como é o sexo? Essas foram as duvidas que bombardearam a cabeça de Brittany, finalmente fazendo com que ela percebesse no que tinha se metido.

“Você é tão impulsiva, Brittany. Pior do que um caminhão desgovernado, pior do que patinar com os pés cheios de manteiga. Espera, o que eu estou dizendo?” – Levou a mão a cabeça e riu de seu próprio pensamento. – “Mas era o que você queria, sua boba. Desde que a viu. Mas não quer dizer que é certo. Quer dizer, tem o Sam... E eu nunca pensei que eu me tornaria igual a ele. Não é porque ele faz isso comigo que eu deva fazer o mesmo. Se bem que eu fiz porque eu...” – A porta se abriu bruscamente e Brittany foi tirada de seus pensamentos, era Santana com seu sorriso incrivelmente meigo que fez até com que a loira se distraísse.

– Eu vim dormir com você. Eu posso? – Disse já se aproximando da cama.

– Mas é claro, vem. – Deu um espaço na cama e bateu na sua frente, o lado que tinha mais espaço, mas Santana foi deitar-se atrás do corpo de Brittany e a abraçou, deixando seu rosto no vão do pescoço dela, ficando assim de conchinha.

– Espero que não vá te incomodar, mas depois dessa noite eu não queria me sentir sozinha. – Ela sussurrava e sua respiração ia contra o pescoço de Brittany fazendo com que ela se arrepiasse.

– Eu também não. – Disse sinceramente enquanto sua mão deslizava o braço da morena que abraçava seu quadril.

“Talvez seja isso. Além da questão carnal, da minha evidente necessidade por sexo, eu me sentia tão sozinha e agora tenho a Santana para cuidar, algo que realmente posso ter o controle e estou me entregando. Ela também se faz de tão forte, mas está mais frágil do que eu com essa situação toda. Estamos apenas juntando as nossas necessidades. Eu quero me sentir querida e relevante para alguém, ela precisa de alguém para se apoiar. Isso não vai dar certo, não pode dar certo. E quando tudo isso se acabar? E quando ela for para casa? O que é que eu vou fazer? E se eu me apegar? E se eu gos... Para, Brittany. Seja racional! Mas como? Como dizer não para o meu corpo? Afinal o que tem de errado eu querer me sentir bem também? O que?”

Ela respirou fundo e apertou seus olhos, Santana a deixava bem, aquela noite havia sido incrível e não iria estragar isso com pensamentos “bobos”. Empenhou-se em dormir, o que não foi muito difícil, pois estava realmente cansada. Santana havia a cansado, e como. Pela manhã ela acordou na beirada da cama, caso virasse mais uma vez iria dar de cara no chão, a latina tinha tomado conta do restante do espaço, durante a noite Brittany era obrigada a empurrá-la de volta para o lado, mas de nada adiantava. Mas quando abriu os olhos, Santana não estava mais ali, apenas seu perfume que invadiu as narinas de Brittany e a fizeram sorrir.

– Qual é o seu problema? – Balançou a cabeça e levantou-se tratando de dar inicio a sua rotina matinal.

Santana estava na cozinha sentada na bancada da cozinha, balançando sua perna num ritmo constante enquanto chupava limões, sim, limões puros. Não sabia explicar, mas apenas acordou com essa imensa vontade de se deliciar com os mesmos.

– Você não deve ser normal. Mas com certeza esses limões não devem ser mais azedos do que o seu veneno. – Berta provocava do outro canto da cozinha.

– Na verdade, limões são apenas o tira gosto. Eu comi uma velhinha que não me caiu bem. Você já ta quase no ponto, até o natal vai estar bem roliça. Delícia. – Passou a ponta da língua entre os lábios e começou a rir em seguida.

– Se eu não te assar primeiro para a Ação de Graças.

– Quem vença o melhor veneno. – Piscou e voltou a chupar os limões, sem deixar de exibir seu sorriso.

Brittany entrou na cozinha com Luca no colo, observando os olhares intimidadores de ambas.

– Está tudo bem aqui?

– Sim, Berta e eu estamos discutindo sobre o cardápio dos próximos feriados. – Brittany arqueou sua sobrancelha e olhou para a senhora idosa que não disse nada.

– Estranho. – Parou em frente a Santana ao achar estranho ver ela com os limões na mão. – Você está chupando limão? Santana, você está bem?

– Qual é o problema?

– Ela é doida, senhora Pierce.

– Acho que sou doida mesmo, porque estou ouvindo vozes e não sei distinguir de onde vem. Tem uma parede reta aqui, a conversa não faz curvas. – Indicou com a mão, logo depois de mostrar a língua, Brittany não podia deixar de rir da infantilidade de ambas.

– Ok, não me meto mais entre vocês. – Balançou a cabeça e foi até o armário pegar alguns biscoitos, deu um a Luca que começou a “chupar” a bolacha, enquanto ela também degustava algumas. — Santana, o doutor Parker me ligou e ele disse que temos uma consulta com ele semana que vem.

– Espero que ele diga que deve interná-la. – Berta voltou a dizer, mas antes que a latina pudesse retrucar saiu da cozinha para servir a mesa.

– Você está vendo, não é? Depois diz que ela é uma idosa indefesa. – Deixou os limões de lado e desceu da bancada. – Pra que eu vou ver o doutor bonitão se eu não tive nenhuma melhora?

– Você precisa de acompanhamento. Além do mais ele tem que ficar de olho nos seus medicamentos.

– Fazer o que? – Movimentou o ombro para trás. – Mas hoje eu quero te pedir que me leve em outro lugar. – Abriu um sorriso maroto.

– Que lugar? Eu preciso ir trabalhar, não posso dar motivos para o meu pai voltar a se irritar.

– Não, não se preocupe. Eu quero exatamente que você me deixe ir com você no seu trabalho.

– Como é? Para que? Santana, eu não vou poder te dar atenção, não tem nada para você lá.

– E que diferença faz aqui ou lá? Eu quero me adaptar, além do mais ontem você disse que encontraria algo que eu pudesse fazer.

– Quando estivesse melhor, no momento certo.

– E qual é o momento certo? – Cruzou os braços a encarando.

– Tudo bem. Eu vou ligar para a Marley e pedir que ela veja com o RH o que podemos ver par você.

– Marley? Quem é Marley? Isso é gente?

– Marley é minha secretária e meu braço direito, se não fosse ela eu perderia a cabeça naquela empresa. – Santana sentiu-se enfurecer com tamanhos elogios, sem nem mesmo saber por que daquilo.

– Nossa, que eficiente.

– Ela é mesmo. É bem nova, mas é dedicada.

– Ela é gostosa? Você já ficou com a Marley? – Deu um tom irônico ao nome e Brittany riu.

– E se eu já tiver ficado? No que isso te incomoda?

– Incomodar? Quem disse que me incomoda?

– Está com ciúmes, Lopez? Admita! – Lembrou-se da forma como a latina falou com ela na festa de aniversário de Luca com respeito a tal ruiva. – Qual é Santana? Já está toda possessiva assim?

– Não seja ridícula, Pierce. Mas não, não ficou com ela, ou não se entregaria daquela maneira para mim ontem. – Se aproximou e deixou o corpo de Brittany encostado contra o armário, sendo que a única coisa que as separava era o pequeno Luca entre elas. – Não é?

– A você eu deixo o benefício da dúvida. – Piscou e deu um beijo na ponta do nariz da morena contendo seu sorriso vencedor. – Agora se quer mesmo ir comigo, vá se arrumar. Temos que sair com Sam.

– Com o Sam?

– Sim, agora nós somos o casal mais amado da América e temos que agir como tal. – Moveu o ombro para trás e deu um passo para se livrar do corpo de Santana, mas a latina a segurou.

– Você está bem?

– Com o Sam no meu pé? – Fez-se de desentendida.

– Não, sobre ontem. Eu não quero que haja uma cobrança em você que vá te afastar de mim.

“Tá, ou ela lê pensamentos ou ela é uma bruxa. Como ela sabe disso?” – Foi o primeiro pensamento de Brittany.

– Por que está me dizendo isso, Santana?

– Você está tensa e eu no seu lugar ficaria bem confusa, além de que eu estou vendo a duvida nos seus olhos.

– E é mais fácil pra você?

– Eu não sou casada, não tenho filho e um mundo de responsabilidade nos meus ombros. É complicado porque eu não sei o que isso significa e gosto de pensar que não é apenas sexual.

– E seria o que?

– Senhora Pierce. – Berta entrou na cozinha as assustando, Santana praticamente correu para o outro canto. – Seu marido disse que a espera em meia na frente de casa.

– Obrigada, Berta. – Lançou um último olhar para Santana antes de sair, as palavras dela ainda rodavam a sua cabeça.

Momentos mais tarde os três chegavam a empresa, Sam tomou o rumo de sua sala e Brittany caminhou com Santana em direção a sua.

– Bom dia, Marley! Alguma urgência para hoje? – Brittany perguntava enquanto checava o seu celular.

– Então essa é a menina do nome de cachorro? – Santana demonstrava toda a sua delicadeza.

– Santana. – Brittany a cutucou com o braço.

– Na verdade sim, senhora Pierce. – A garota tentava ignorar o comentário e a presença intimidante da latina. – O representante da filial de Queens, senhor Medina, está a aguardando na sala de reuniões, ele disse que o assunto é urgente. O senhor Bilson do RH disse que pode atender a senhorita Lopez depois do horário do almoço.

– Ótimo! Então diga ao senhor Medina que já vou me reunir com ele, mas eu tenho certeza que veio me cobrar a visita a empresa de Queens, então pode marcar a minha viagem para semana que vem.

– Sim, senhora Pierce.

Santana apenas observava as duas, assim que Brittany entrou em sua sala a latina a seguiu.

– Sabe o que eu constatei?

– Que você é extremamente sem papas na língua? Eu já havia notado. – A loira reunia alguns documentos de cima de sua mesa enquanto a morena se acomodava na cadeira em frente a mesma.

– Não, que não tinha qualquer chances de você ter algo com aquela garotinha. Ela é muito sem graça. — Brittany não conteve seu riso.

– Foi você quem botou isso na sua cabeça. Acha que eu sou uma mulher de dar em cima de qualquer uma?

– Não e é exatamente isso que eu gosto em você, além dessa sua roupa social que te deixa extremamente sexy. – Passou a ponta da língua entre os lábios, enquanto seu olhar nitidamente percorria o corpo da mulher a sua frente.

– Você é uma safada, Lopez. Eu tenho certeza que era uma pegadora nata, daquela que tinha filas de mulher na frente de casa antes.

– Já não tenho tanta certeza, se não eu acho que uma dessas minhas admiradoras teria vindo atrás de mim.

– Quem sabe estão procurando.

– Azar o delas, porque acabaram perdendo o posto pra você. – Britt parou o que fazia para olhar para a morena.

– Por que eu? O que viu em mim para me provocar desde o primeiro momento? Andando tão sem graça, tão descuidada...

– Sabe qual é o seu problema? Você deixou as pessoas te convencerem de que não é especial, em todos os campos, principalmente o seu marido que não te dá valor. – Ela se levantou e caminhou até Brittany. — Mas eu vejo uma mulher incrível. Vi desde o primeiro momento. E quer saber? Você é como eu. Nós duas temos a cabeça dura, por isso nos desentendemos nos primeiros momentos, o que nos distingue é que meu temperamento é forte e você é tão sentimental. – Levou sua mão para o rosto da loira e acariciou com a ponta dos dedos. — Nos atraímos, temos química e uma boa física. A noite de ontem veio para provar isso. Queria que não se fechasse para essa experiência que eu posso te dar, eu quero tirar de dentro de você à verdadeira Brittany que tem encubado por tanto tempo. Pode ter sido por acaso que eu literalmente cruzei o seu caminho, mas não é acaso essa atração que sentimos uma pela outra. – Deixou seu polegar escorregar pelo lábio inferior de Brittany, enquanto a mesma suspirava profundamente.

Por que Santana mexia tanto com os seus sentidos? Por quê?

– San... – Engoliu em seco e reuniu forças para prosseguir. — Isso é loucura!

– Loucura é eu querer te beijar muito agora. – Sussurrou e foi aproximando seu rosto ao dela, que foi desviado ao soar do telefone.

– Sim, Marley? Diga que já estamos indo. – Voltou o telefone ao gancho. – Bom. – Passou sua mão livre dos documentos entre seus cabelos. – Enquanto ainda não te enquadramos pode servir de minha acompanhante. Tenho uma reunião chatinha agora.

– Tudo bem, senhora Pierce.

– Olha, fica sexy ouvindo isso de você. – As duas riram e seguiram até a sala de reuniões. – Senhor Medina. – A mulher disse deixando os documentos sobre a enorme mesa e estendendo a mão para o homem de cabelos grisalhos. – É sempre um prazer revelo.

– Digo o mesmo, senhora Evans. – Apertou a mão dela. – Pena que em situações tão alarmantes. – Direcionou seu olhar para Santana.

– Essa é a minha... Hã... Assistente, Santana Lopez. – Os apresentou. – E o que é tão alarmante que faz o senhor vir até aqui?

– Muito prazer, senhorita Lopez. – Apertou a mão dela, após tomou seu lugar na cadeira.

– O prazer é meu. – Sentou ao lado de Brittany que estava na ponta da mesa.

– Bom, senhora Evans... – O homem passava expressões preocupadas. — É com muita tristeza que venho lhe dizer que talvez estejamos sendo vítimas de fraude.

– Como é que é? Como assim vítimas de fraude? – Perguntou completamente perplexa com a afirmação do homem.

– A senhora sabe que na região de Queens é onde fica concentrado o maior número de Armazéns Gerais das mercadorias utilizadas na fabricação de nossos exemplares.

– Sei, quero dizer. Essa parte toda de Armazém me confunde, porque é o Sam que toma conta, eu fico com a administração, então o senhor deverá ser mais claro.

– Eu também não compreendo muito bem, deveria ter vindo com nosso contador ou advogado, mas posso lhe garantir que o banco está ameaçando tomar todas as nossas mercadorias que estão no Armazém.

– Medina, vamos por partes. Você começou me dizendo que havia uma suspeita de fraude, veio falar de Armazém e agora que o banco quer tomar tudo? Como? – Demonstrava-se ainda mais impacientes as explicações nebulosas de seu gerente.

– Posso tentar elucidar? – Santana perguntou chamando a atenção dos outros dois. – Armazém Geral é um local que guarda mercadorias para uma determinada empresa por um certo preço. No momento de entrega da mercadoria o Armazém deverá emitir um título de crédito chamando Conhecimento de Depósito. Este documento confere ao seu titular um direito de propriedade sobre determinada mercadoria que está depositada, onde deve constar especificações dos objetos, qual o valor e o prazo de armazenamento. Sendo que a responsabilidade pela perda é do Armazém Geral. Juntamente com o Conhecimento de Depósito é emitido um Warrant, que é dado caso o proprietário queira dar as suas mercadorias como forma de garantia de pagamento de uma divida. O Armazém Geral só pode entregar as mercadorias a quem entregar os dois títulos. Então diz onde está a fraude no meio disso tudo?

Brittany ficou um tempo observando Santana e como ela tinha conhecimento técnico sobre o assunto, mas voltou a se prender a seu representante, pois também precisava entender da onde surgiu a ideia de fraude.

– Pois é exatamente isso que a senhorita explanou. Usaram o Warrant das mercadorias para pedir empréstimos milionários aos bancos, que ninguém sabe onde foi investido, ou para que conta que foi.

– O que você está me dizendo? – Bateu sua mão com tanta força na mesa que até fez Santana dar um pequeno pulo em sua cadeira. — Como alguém usa um título nosso para pedir empréstimos desse porte ao banco e não temos a mínima noção de quem seja? – Brittany praticamente gritava o que deixava o senhor bem assustado.

– Desculpe, senhora Evans. Mas tudo parece ter sido feito dentro da lei, por isso precisamos da presença ou da senhora, ou de seu marido na empresa, para dirigir as devidas providências. Porque agora não temos como cobrir esse rombo sem prejudicar financeiramente as outras filiais e eles estão ameaçando tomar as nossas mercadorias, o que afetaria a nossa produção por pelo menos cinco meses. Tempo suficiente para falir boa parte de nossos exemplares.

– Eu não acredito que isso está acontecendo. – Colocou as mãos entre o rosto. – Meu pai já sabe disso?

– Ainda não, senhora.

– Ótimo! Eu não quero que esse assunto saia desta sala. Está me entendendo? Eu vou pessoalmente a Queens e antes de eu ver a burrada que fizeram não quero nem que meu marido saiba disso. E eu acho bom o senhor ir chamando um auditor porque eu vou querer verificar conta por conta de todos os funcionários. – Disse firme e o senhor a sua frente apenas assentiu com a cabeça.

– Será da sua maneira, senhora Evans.

– Medina, você trabalhou até mesmo com os meus avós, não é por acaso que está no posto que está hoje, então me diz quais são as suas suspeitas?

– Sinceramente? Prefiro não dizer as minhas suspeitas e deixar que a senhora constate por si só.

– Está certo. Então volte imediatamente pra lá e tente entrar em contato com os bancos que foram feitos esses empréstimos, quero saber o valor exato que estamos devendo. Explique a situação de fraude e se podem nos dar um prazo para negociar. Também entre em contato com o jurídico, veja o que eles podem fazer.

– Sim, nós já providenciamos essas primeiras medidas. As orientações do jurídico é notificar a fraude, principalmente a policia para que em inquérito próprio possam pedir a quebra do sigilo bancário.

– Não, ainda não. Eu preciso saber o que está acontecendo antes de deixar isso explodir. Então volte a Queens e deixe tudo pronto para mim em cima da minha mesa, eu vou adiantar a minha viagem para essa semana.

– Tudo bem. Vou fazer as devidas ligações. – Levantou-se de sua cadeira e saiu da sala.

– A vontade. – Apertou os olhos e disse para si mesma. – Era só o que me faltava.

Brittany afundou seu rosto em suas mãos e respirou fundo, mais uma grande dor de cabeça. Se for confirmada a fraude, se houver algum problema com as empresas ela tinha certeza que seu pai não a perdoaria.

Santana delicadamente passou a sua mão esquerda sobre as costas envergadas de Brittany.

– Ei, vai dar tudo certo. Vocês vão investigar e vão chegar a pessoa que está com o dinheiro, não da para se esconder milhões, ainda mais de uma maneira tão idiota como foi feito esse procedimento.

– Eu sei, Santana. Mas como explicar que um golpe desses foi dado de baixo de nossos narizes? Eu estou cercada de incompetentes. O financeiro não poderia ter dado um furo desses, sabe o quanto isso mancha a nossa imagem com os investidores? – Balançou sua cabeça de forma negativa. – Credo, até falei igual ao meu pai agora. Mas ele vai me matar se souber.

– Mas não vai. Você vai dar um jeito nisso e demonstrar sua competência mais uma vez para ele. – Sorriu de forma otimista.

– Você é demais, sabia? – Virou seu olhar para ela. – Mas vem cá, como é que você sabia sobre esse Armazém e os títulos?

– Não sei, apenas me veio a cabeça. – Movimentou o ombro. – Vai ver eu trabalhava com isso, ou já li sobre...

– Ok, então venha comigo. – Levantou-se da cadeira sobre o olhar curioso da latina.

– Pra onde?

– Vou te apresentar ao nosso grupo de advogados, vou pedir que eles analisem seus conhecimentos, quem sabe já tenhamos um lugar para você na empresa.

Assim como foi dito, Brittany deixou Santana com sua equipe jurídica e voltou para sua sala para adiantar todo o trabalho que precisaria para então poder viajar para Queens tranquilamente sem levantar qualquer suspeita, principalmente de Sam que já se fez presente no escritório dela ao saber que ela se reuniu com Medina sem a presença dele.

– O que ele queria aqui? – Sam balançava na cadeira enquanto apertava a caneta fazendo um barulho irritante com a mesma.

– Me passar alguns balanços.

– Só isso?

– Sam, eu não vou na sua sala perguntar o que você está fazendo. Então o que quer aqui além de encher o meu saco?

– Eu sou presidente dessa empresa como você e quando tem algum problema com alguma de nossas filiais eu devo ser notificado.

– Eu não disse que havia problemas. – Arqueou sua sobrancelha.

– Ele vem nos cobrando visita a filial já tem algum tempo, acho que é hora de eu ir.

– Não se incomode, eu já marquei minha viagem e você tem que receber os novos patrocinadores.

– Mas Brittany...

– Qual é o problema? Fez alguma burrada em Queens e não quer que eu descubra? – Cerrou os olhos ao notar a preocupação dele sobre o assunto.

– Pensei que havia dito que não tem problemas.

Ela estava pronta para responder quando Santana entrou na sala.

– Interrompo?

– Jamais, minha cara Santana. – Sam ironizou.

– Que bom que não. – Debochou sem dar muita importância a ele. – Bem, ao que parece eu sou uma legitima bacharel em Direito.

– Você? Tem certeza que não fez esquerdo, não?

– Olha, eu não me lembro, mas com certeza eu devo ter me cansado de ouvir essa piadinha sem graça ao longo do meu curso.

– Nossa, mas como ta azeda. Ta passando muito tempo com a minha esposa. Cuidado em? Você é quente demais para se tornar uma frigida como ela. – Jogou a caneta com que brincava em cima da mesa e se levantou indo para fora da sala.

– Não liga para ele, seu marido é um mané.

– Eu não me importo com o que ele diz. – Balançou a cabeça. – Eu já me acostumei. Agora estou feliz por você, quer dizer que fez Direito? Meu Deus! Que cargo será que exercia? Com certeza as pessoas deveriam ter medo de enfrentar você em uma contestação, ou sei lá como chamam isso... – Elas riram.

– Estou feliz também. Ao que parece eu não era uma pobre coitada. Eu fazia alguma coisa.

– Vou ligar para o Noah, mais uma coisa para sua lista senhorita Lopez.

– Sim, mas não se incomode em ligar para o Puck, eu aviso ele no jantar de amanhã.

– Jantar? Que jantar?

– Ele me convidou para sair, lembra? E já que você vai me abandonar amanhã para sair com seu querido marido, eu vou aproveitar e sair com ele também.

– Mas Santana, você sabe que o Noah não quer só sair com você, quero dizer, ele não é esse tipo de encontros e saídas como amigos.

– E? — Sorriu ao ver um certo tom de ciúmes na voz dela.

– E nada, espero que se divirtam.

Santana deixou um sorriso seu transparecer enquanto Brittany desviou o olhar para seus documentos, era coisa demais para ela pensar em um só dia.

Notas finais
Mais uma revelação sobre o passado de Santana. Gostaram? Até o próximo. Beijocas.