Who are you?

12 Jantar para Quatro.


Notas iniciais
Todo mundo amou a profissão de Santana, também adoro quando ela demonstra algo forte assim. HAUSH Em certo momento do capítulo de hoje vão se perguntar o que tem a ver a lembrança de Brittany, mas afirmo que será importante mais pra frente.

Era quarta-feira, o mais novo dia de terror para Brittany, na verdade, ela não sabia ao que dar sua atenção, se a seu jantar com Sam naquela noite, o que certamente renderia uma boa discussão e quem sabe um vexame público; se ao problema da filial em Queens e a possível fraude; ou então a Santana e seu novo relacionamento com ela, o que envolvia estar inexplicavelmente incomodada com a saída dela com Noah.

– Sabe Luca? Espero que você aproveite muito a sua infância e quando for maior faça um favor a si mesmo? Se case com a mulher que verdadeiramente amar, mas se mude pra bem longe de mim, ok? Porque eu sou muito ciumenta e não quero me tornar uma sogra ruim. — Fez um pequeno bico e pegou o filho no colo, que brincava com um ursinho em sua cama distraidamente, enquanto ela falava sem parar e se arrumava para sair. — Mentira, nunca me abandone, você é a única coisa que eu tenho. Terá que cuidar de mim até eu estar velhinha e terá que me aguentar mimando seus filhos. — Beijou a bochecha do pequeno e o segurou por baixo dos braços para que seu rosto ficasse na altura do dela. — A não ser que queira um homem.

– Quem quer um homem? — A latina perguntou invadindo o quarto e indo direto para frente da penteadeira de Brittany que continha toda a sua maquiagem.

– Homem? Querer? Quem? — Disse um tanto sem graça.

– Você. Eu ouvi você dizendo quando eu entrei. — Fez uma careta e começou a se maquiar.

– Acho que está ouvindo mal. — Colocou o filho de volta na cama. — Aliás, que mau costume o seu de entrar sem bater.

– Me sinto em casa já. — A olhou pelo espelho e fez uma careta.

– Eu podia estar pelada.

– Nada que eu não tenha visto e tocado. — Brittany sentiu suas bochechas esquentarem, sinal de que tinha que mudar de assunto.

– Você está muito bonita, Santana. — Assunto errado, talvez.

– Obrigada. — Virou-se de frente para ela com o rimel na mão. — Estava esperando uma oportunidade que pudesse usar esse vestido preto, me apaixonei assim que o vi.

– Ele é lindo, mas não curto e colado demais para um jantar? — Levantou sua sobrancelha e obrigou seus olhos fitarem os dela para não serem pegos nas exuberantes pernas a mostra.

– Você achou? — Olhou seu próprio vestido. — Mas é que depois do jantar o Puck vai me levar para dançar. Noite ao estilo Puckerman, ele disse.

– Ao estilo Puckerman, não é?

FLASH BACK.

– Droga, droga, droga. Primeira semana da Kitty na faculdade e ela se perde em uma festa. – Andava de um lado para o outro deixando sua amiga evidentemente bêbada ainda mais tonta.

– Ela deve estar bem, melhor do que nós. Finn me deixou, ele me deixou. — Rachel demonstrava-se uma bêbada chorosa, o que naturalmente Brittany acharia graça se não estivesse preocupada demais com sua irmã.

Na verdade, Kitty foi adotada ainda pequena pela família Pierce. Ninguém soube explicar ao certo da onde surgiu essa súbita vontade do casal em adotá-la, mas após uma viagem prolongada eles retornaram com a criança nos braços. Brittany que no período vivia sobre os cuidados da avó foi a que menos entendeu. Seus pais não tinham tempo nem para ela, quer dizer, nunca se importaram com ela verdadeiramente, para que adotar mais uma menina? No começo ela até mesmo chegou a rejeitar aquele bebê, mas a medida que a criança crescia ela percebeu que seria mais uma sozinha, sua única opção foi se tornar uma irmã mais velha protetora e amiga. Agora ela estava no último ano de faculdade e Kitty em seu primeiro, seus pais fizeram questão que Kitty se instalasse no mesmo quarto de Brittany para que pudesse ficar de olho na irmã, a contragosto de Quinn, colega de quarto de Britt. Logo no primeiro final de semana, primeira festa do campus a casula havia desaparecido após muitas rodadas de bebidas.

– Talvez Finn só tenha te deixado porque ele te viu beijando a Quinn, quero dizer, metade da faculdade viu e você fez questão de gritar que sempre a amou. – Moveu os ombros.

– Eu fiz isso, não fiz? – Secava suas lágrimas com um lenço. – Mas e a Quinn? Onde está a Quinn? Eu digo que a amo e ela some. – Voltou a chorar para desespero da loira.

– Rachel, não chora. Nós nos perdemos da Quinn, aliás, nós perdemos de todo mundo. Olha, eu preciso achar a minha irmã, por que você não deita na cama da Quinn e descansa? Ela não deve demorar a chegar.

– Eu já fui pra cama com a Quinn, sabia? Eu já fui. – Dizia com a voz embaralhada enquanto se jogava de qualquer maneira no colchão.

– É? Não sabia. – A ajudava a se livrar dos sapatos e a blusa mais pesada.

– Eu fui, quer dizer, na minha cama. Eu fui.

– Eu também.

– Você também foi pra minha cama? – Levantou-se um pouco e Brittany a conteve com as mãos fazendo-a voltar a se deitar.

– Eu também fui pra cama com a Quinn. – Puxou a coberta pra cima do corpo da morena.

– Mas não vai mais né? Porque a Quinn e eu nos amamos.

– Não, Rach. Ela é sua agora. – Beijou a testa da amiga que apenas deu um sorriso de aprovação, logo pegando no sono.

Brittany rapidamente pegou a sua pequena bolsa de festa, mas que na hora de encontrar seu celular parecia uma mala de viagem, pois não conseguia encontrar nada e jogou tudo o que tinha dentro da mesma em cima da cama até conseguir achar o aparelho, deu uma boa olhada na amiga na cama e saiu para mais uma caçada a loira rebelde. Ela batia de quarto em quarto das novas amigas de Kitty, mas nenhuma sabia dizer o seu paradeiro. Voltou a festa e a única coisa que sabiam dizer é que a viram sair com um homem de moicano, seria Noah? Ela cansou de ligar para o mesmo, em seu quarto ele não estava, já não tinha mais ideia de onde procurar. Em sua mente formava uma desculpa sensata para dizer aos seus pais sobre o desaparecimento da irmã, pois apenas: “Oi, pai. Oi, mãe. A Kitty sumiu, possivelmente alcoolizada demais, com um cara. Nada de se preocupar, ta?”, não lhe parecia uma boa opção.

Já havia desistido, o dia começava a raiar e ela estava esgotada. Sentou-se num banco do hall central que dá para os quartos das garotas, apoiou seus braços em suas pernas e escondeu seu rosto nas mãos. Quinn que chegou ao dormitório apenas naquele horário, assim que viu a loira naquela posição deprimente foi até ela.

– Britt-Britt, o que foi? O que faz aí? – Sentou-se ao lado dela e passou seu braço pelas costas da amiga.

– Quinn! – Suspirou após afastar seu rosto das mãos. — Kitty sumiu e eu estou preocupada, ela nunca fez isso antes, quero dizer, ela sempre me dá um sinal de vida, nem que seja para eu encobri-la e agora nada.

– Kitty? Kitty não sumiu. Eu vi ela saindo da festa com o Noah e o Sam, eles disseram que iam para uma festa particular no quarto de um garoto da história, acho que era Victor o nome dele, algo assim...

– Quinn, você é um anjo sabia disso? – Deu um beijo na bochecha da garota ao seu lado e se levantou de pressa.

– Aonde você vai?

– Buscar a minha irmã.

Brittany tomou o caminho até o dormitório masculino, após pedir algumas informações com um pessoal estranho da filosofia conseguiu chegar até o quarto do tal Victor. Já estava tão impaciente com a situação toda que a porta quase veio abaixo com as batidas insistentes que dava.

– O campus ta pegando fogo? – Uma voz masculina que ela reconhecia muito bem, disse antes de abrir a porta. – Brittany?! – Noah disse um pouco assustado ainda mais pela expressão de fúria na melhor amiga.

– Que diabos aconteceu com você? Sabe quantas vezes eu te liguei? O quanto eu rodei atrás de você?

– Desculpa, loira. Eu chapei demais, além do mais não faço a mínima ideia da onde meu celular esteja, noite ao estilo Puckerman, diversão sem fim. – Passou a mão na cabeça de forma desajeitada. – Além do mais eu acabei de che...

– Poupe-me de suas desculpas, eu só quero saber onde está minha irmã.

– Kitty? Bem...

– Puck, o que aconteceu com ela? Não me diga que ela não está com você.

– Não... Quer dizer... Está. Eu só não sei se ela está muito bem.

– Como assim não sabe se ela está muito bem? – Fechou suas expressões e começou a tentar ver pelo vão da porta.

– Bom, ela bebeu pra caramba, deu aquele show na festa e saiu brava quando você brigou com ela, nos encontramos no estacionamento e ela insistiu em vir, eu pensei que seria mais prudente trazê-la do que deixá-la naquele estado sozinha. Tava rolando uma festinha, ela quis experimentar a erva...

– Você deixou a minha irmã usar maconha? – Levou a mão no rosto cada vez mais nervosa.

– Olha, eu não deixei nada, ok? Mas se nem você a segurou, imagina eu. Mas no meio da madrugada, quando eu vi ela já tava jogada na cama, Victor acabou indo pro quarto da namorada e eu caí ali no sofá, e o...

– Não, para. Só cadê ela? Vou levá-la embora. – Passou trombando no ombro dele na porta e invadiu o quarto, podendo ver a cabeleira loira de Kitty esparramada no travesseiro. – Kitty. Kitty, vamos acordar. – Moveu o corpo da irmã na cama, mas seu sono era pesado. – Kitty, acorda, anda logo. – Se demonstrava ainda mais nervosa e a garota apenas resmungava na cama. – Chega, vai. Chega de moleza e vamos embora. – Puxou a coberta com força revelando a garota sem roupa e o lençol manchado de sangue por baixo dela. A boca de Brittany se abriu em indignação e os olhos de Puckerman em sinal de surpresa. – Você transou com a minha irmã chapada?

– Não, Brittany... As coisas não são como você está pensando.

– Quer saber? Eu estou cansada. Eu passei a noite inteira em claro, preocupada e vocês na maior festa da uva. – Jogou a coberta de volta em cima da irmã. – Tanto faz. – Saiu batendo a porta.

– Mas que carnaval é esse? – Sam que terminava seu banho saiu assustado com a brutalidade que a porta foi batida.

– Brittany, que iria te matar se te visse aqui também.

Um mês e meio depois, Kitty se encontrava curvada de frente ao seu vaso sanitário vomitando enquanto Brittany gentilmente segurava seus cabelos em sinal de apoio a irmã.

– Você precisa contar aos nossos pais.

– Mamãe já sabe, ela encontrou o meu teste de gravidez. – Disse chorosa enquanto se recompunha, tentava agora se manter de pé segurando na pia. – Ela disse que vai contar para o papai, ele vai me matar Brittany. Ele vai me matar.

– Que bom que você sabe disso. Porque eu não sei se te dou um tiro de uma vez, ou arranco a minha cinta e te dou uma coça como nunca antes na vida. – O Sr. Pierce poderia matar qualquer um apenas com seu olhar raivoso. – Damos tudo o que podemos, criamos com toda integridade pra mais tarde os filhos virem manchar nosso nome com um filho bastardo.

– Isso é tão anos 70.

– Kitty!

– E você deveria ser grata, ser ainda mais grata por tudo e no mínimo ter dado valor ao que fazemos por você, mas ao contrário disso, ganhou um pouco de liberdade e já arrumou problemas.

– Eu deveria ser grata? Vai jogar na minha cara o favor de ter me adotado? Porque sim, vocês me deram muito, muito conforto, bons estudos... Mas eu nunca tive uma família, sabia? Quem sabe eu tenha agora com meu filho. Vocês criaram filhas para serem suas marionetes. Eu fui criada pelos empregados, pela minha avó e pela minha irmã. Então eu acho que o senhor não tem muito que me exigir sobre valores, porque nós nunca sentamos à mesa juntos e conversamos sobre isso. Olhe só pra Brittany, ela deveria estar planejando a sua formatura, mas ao contrario está planejando o seu casamento pra te agradar.

– Eu não estou vendo a Brittany reclamar. – Os dois direcionaram seus olhares para ela que ficou quieta.

Brittany não tinha o que dizer, apesar de concordar com Kitty de que era muito nova para assumir um compromisso como o casamento, ela era apaixonada por Sam e os dois tinham vários planos juntos, inclusive o de saírem em viagem pelo mundo depois que os cinco anos de casamento passassem. Iludidos demais? Jovens demais? Talvez, pois toda a inocência foi-se embora muito cedo.

Ao contrário, Kitty era rebelde e todos tentavam compreendê-la dizendo que o que ela fazia era motivado pela revolta de ter sido abandonada por seus pais biológicos, mas ela sabia que não. Apesar dessa magoa, ela já não mais se martirizava por isso, ao contrário, odiava se fazer de vítima. Ela era forte e não aguentava de cabeça baixa o que era fora de sua vontade. Nesse ponto Brittany desejava ser igual a ela, o único problema de Kitty era que ela tentava demonstrar sua independência de forma errada. Enquanto Brittany tentava ser a aluna aplicada e perfeita, Kitty ia constantemente parar na sala do diretor por uma briga, ou alguma travessura.

– Porque ela é a filha legitima, a escolhida para herdar o seu posto. Mas eu não, eu sou a escolha errada que vocês fizeram.

– Acho melhor você moderar as suas palavras, mocinha. Já passou de todos os limites, ou eu...

– Ou você o que, senhor Rafael Pierce? – Interrompeu a fala dele. – Vai me devolver pro orfanato? Um pouco tarde, o senhor não acha?

– Já chega, sua menina insolente. Eu vou te ensinar a me respeitar. – Abriu o fecho de sua cinta, puxou a mesma e a dobrou em duas, sem perda de tempo foi para cima de Kitty.

– Não, o senhor não pode bater nela, papai.- Brittany entrou na frente sentindo a dor assim que o coro acertou a sua perna.

– Saí da frente, Brittany!

– Saí Britt. Deixa ele me bater. Nada vai mudar, é o meu corpo, a minha vida e o meu filho. – Tentava empurrar a irmã, mas Brittany insistia em protegê-la com seu corpo.

– Vagabunda! Eu criei uma vagabunda!

– Pelo amor de Deus, Rafael! Eu acho que a vizinhança inteira está ouvindo os seus gritos. – A matriarca entrou no quarto e ao ver o marido com a cinta na mão e a posição de suas filhas pode compreender o que se passava. – Solta isso, querido. Elas não são mais crianças.

– Mas quando crianças deveriam ter levado, pois não estariam assim hoje. E a culpa de tudo isso é sua. – Virou-se para a mulher. – Incompetente! – Passou a mão nos cabelos e saiu completamente transtornado, sendo que a mulher saiu logo atrás.

Kitty livrou-se do corpo de Brittany e correu para seu guarda-roupa, pegou uma mochila e dentro colocou o máximo de roupas que conseguiu.

– O que pensa que vai fazer?

– Eu vou voltar para casa da vovó, Brittany. Da onde eu nunca deveria ter saído, eu sinceramente não sei como você aguenta, mas eu não vou deixar que ele fique me ameaçando, muito menos o meu filho.

– Se você se casar ele vai sair do seu pé. Sabe que o que ele não quer é um escândalo, uma filha grávida solteira para ele é o fim. Podemos ajeitar tudo, Noah é um cara legal.

– Noah? Pra que vamos envolver Noah nisso?

– Ele é o pai do seu filho, Kitty. Você precisa ligar para ele.

– Não, não... Eu tenho 18 anos, eu não quero me casar agora e estragar a minha vida como você quer fazer com o idiota do Sam. – Falou em disparado e sem pensar em suas palavras, lentamente fechou os olhos e respirou fundo. – Me desculpa, eu não quis dizer isso. É só... É só que... — Soltou a bolsa em cima da cama e olhou para a irmã. – Escuta Brittany, não vamos envolver o Noah, ok? Esquece ele.

– Mas Kitty, ele...

– Não, Britt. Olha, muito obrigada por tudo o que você fez, mas eu sei tomar conta de mim sozinha. – Aproximou-se da irmã e a abraçou apertado. – Obrigada por tudo que fez por mim e me desculpe.

– Sabe que eu sempre vou cuidar de você. – Beijou o topo da cabeça da menor. – E eu tenho que te desculpar pelo que?

– Só me desculpa. – Soltou-se finalmente e se afastou. – Da um beijo na Berta por mim, você e ela são as minhas verdadeiras mães. – Abriu um pequeno sorriso, pegou a sua bolsa e saiu.

Brittany olhou para o local de sua coxa que estava latente pela dor, pode ver o sinal roxo da marca da cinta, mas se preocuparia com isso mais tarde. No momento, tinha que ligar para Puck e informá-lo sobre a situação, mesmo que isso fosse enfurecer Kitty posteriormente.

– Alô? Noah? Temos que conversar. Kitty está esperando um filho seu.

Semanas mais tarde chegou a notícia de que Kitty havia perdido seu bebê, ela trancou a faculdade e afastou-se de todos.

FIM DE FLASH BACK.

– Britt. Brittany. – Santana chamava sem parar vendo que a loira estava perdida em suas lembranças. – Brittany, planeta Terra chamando. Alguém aí? – Sinalizava com a mão na frente dela.

– Hã? Me desculpe. Eu me distrai... – Levou a mão a testa.

– Eu percebi mesmo. – Deu uma pequena risada. – Eu já terminei de usar a maquiagem, vou deixar você terminar de se arrumar. Usa aquele seu perfume novo, Sam vai ficar louquinho por você como eu fiquei. – Se aproximou um pouco e afastou uma mexa de cabelo caído no rosto da loira. – Seu cheiro é maravilhoso.

– É e com certeza eu vou pedir para ele sentir de pertinho. – Revirou os olhos e disfarçou que iria experimentar algumas roupas que estavam sobre a sua cama para se afastar da tentação que estava a latina.

– Só não deixa ele querer te dar umas chupadinhas, com aquela boca é capaz dele te engolir toda e aí o que sobra pra mim?

– San... Por favor. – Fingiu querer um pouco de privacidade para trocar de roupa, mas na verdade não estava no clima para brincadeiras.

– Tudo bem. – Levantou suas mãos em sinal de rendição e após saiu do quarto.

Agora a duvida cruel: Como sair mais sexy do que Santana Lopez? Será que isso era realmente possível?

Já que a latina iria de preto, ela vestiria branco, um vestido social branco com transparência entre os seios e a cima da linha de seu colo até atravessar seus ombros e chegar nas costas, que realçava ainda mais seu busto, com um comprimento razoável na coxa que salientava a vontade de subi-lo mais. Scarpin num tom de púrpura e uma bolsinha de mão. Cabelos presos em um coque enriquecendo seus traços. Tudo devidamente equilibrado para um jantar, mas ao mesmo tempo atraente.

Ao começar a descer as escadas pode ver que Noah conversando sobre assuntos aleatórios com Santana, enquanto Sam se mantinha calado de lado. O homem de moicano foi o primeiro a avistá-la, chamando a atenção dos demais para a loira.

– Mas minha nossa! Acho que eu vou trocar a minha acompanhante por você, está muito linda! – Ofereceu a sua mão para ela nos últimos degraus e após a abraçou.

– Muito obrigada! Mas Santana não está fazendo feio, ao contrário, está lindíssima. – Virou o seu olhar para a latina que já a olhava, na verdade, a secava sem nenhum pudor.

– Nisso eu concordo, mas não deixa ela saber que estou te achando mais gata. – Brincou com a amiga.

– É e eu concordo, tudo isso pra mim. Agora vamos que eu não quero me atrasar, quanto mais rápido formos, mais rápido isso acaba. – Sam demonstrava-se impaciente, mas na verdade por dentro tinha que concordar que a esposa estava impecável.

– Evans demonstrando como ser um cavalo e não um homem. – Santana ironizou. – Se fosse minha mulher eu não sentiria nem vontade de sair de casa, me trancaria num quarto com ela. – Seu olhar se encontrou com o de Brittany e a loira pode sentir um arrepio subir seu corpo.

– Você disse certo “se fosse sua”, mas é minha. – Para quem visse poderia até dizer que ele estava com ciúmes? – Vamos. – Estendeu o braço para ela.

– Sei ir sozinha. – Recusou-se segurar. – Divirtam-se e juízo vocês dois.

– Esse é o meu nome do meio, gatinha. – Puck riu com Santana.

Já dentro do carro, Sam resmungava sem parar pela presença de Puckerman.

– Sabe que eu não o suporto, não sei como ainda o convida para minha casa.

– Primeiro que eu não o convidei, foi Santana, mas é nossa casa e ele sempre será bem-vindo nela. – Olhava distraída pelo vidro do automóvel sem querer dar muita importância ao assunto, mesmo sabendo que seria longo.

– Ele é um galinha. Sempre deu em cima de você, mas como não conseguiu nada fica a espreita com essa de “bons amigos”, agora está se consolando na Lopez.

– A já entendi. – Virou seu rosto para ele.

– Já entendeu o que?

– Qual é a sua bronca, está nervosinho porque ele conseguiu o que você não conseguiu.

– Do que você está falando? – Olhou rapidamente para ela aproveitando que estavam no farol fechado.

– Santana me contou que você deu em cima dela, mas ela te deu um fora porque é lésbica. Agora você está nervoso porque o Puck conseguiu sair com ela e você não.

– O que você entende de mulheres como Santana? – Brittany o encarou bem, por um momento sua vontade era começar a gargalha na cara dele, com certeza de Santana Lopez ela estava entendendo muito bem. – Nada. Com certeza o que ela o fará morrer de desejos durante toda noite e acabou. – Assim Britt esperava.

– É... Pode ser, senhor especialista em mulheres. – Zombou. — Mas nós não temos nada a ver com isso, não? Então acelera esse carro antes que passem por cima de nós. Você disse que tinha pressa que tudo isso acabasse logo, eu também.

Momentos mais tarde eles já se encontravam no restaurante, mas discutiam até sobre o vinho que iriam pedir para acompanhar a refeição.

– Você é muito ridículo, infantil, desnecessário. – Dizia irritada assim que o garçom se fez ausente da mesa depois de acompanhar uma pequena discussão do casal.

– Desnecessária é essa sua cara, sabia que não adianta nada se você ficar assim?

– E quer que eu sorria como? Estou cansada, cheia de problemas para resolver e você era a última pessoa que eu gostaria de estar jantando agora.

– Eu também, mas fazer o que se você fez burrada? Então aproveite o jantar por conta do seu papi, só se controla no vinho e sorria.

– Minha vontade vai ser jogar tudo na sua cara.

– Faça isso e verá as consequências com seu pai. – Moveu o ombro para trás e ela bufou. – Brittany, sério, colabora. Você está bonita demais, essas feições não combinam. – A loira arqueou a sobrancelha estranhando tal comentário.

– Ok, e nem começou a beber.

– Estou sendo sincero. Eu devo admitir! Você está sexy, atraente da forma como eu te conheci. Tem tempos que eu não conseguia te ver assim. – Ela estranhou muito mais, onde ele queria chegar.

– Tudo bem, Sam. Já pode cortar essa, não tem ninguém nos gravando.

– Porra, acredita em mim. – Estendeu a sua mão e segurou a dela sobre a mesa. – Lembra como éramos antes? Fazíamos qualquer programa juntos, nos divertíamos pra valer.

– E você jogou isso fora com outras. – Tentou puxar a sua mão, mas ele a impediu.

– Você mudou, eu mudei. A verdade é que a pressão do casamento e de nossos pais acabaram com a gente, mas éramos um bom casal.

– Não tente justificar suas falhas com essa desculpa. Além do mais nós só éramos jovens e apaixonados, duas coisas que acabam muito rápido.

– Mas olhando você assim posso ver a garota pela qual eu me apaixonei.

– Isso é só o visual, você deveria amar a mulher que tem dentro de mim.

– Eu estou tentando. – Aquela frase a confundiu ainda mais. – Mas você deveria tentar ver o homem que eu me tornei.

– Eu vejo e não me agrada, aliás, eu sinto até medo de tentar ver mais. – Por fim conseguiu puxar a sua mão de volta e a recolheu no colo.

– Por quê? Por que eu te traí?

– Sim, por isso. Mas há muito mais coisas nebulosas por cima de você agora.

– Como o que?

– Como o problema da filial em Queens. Você tem algo a me dizer sobre o transtorno financeiro que eles estão sofrendo?

– Então eles estão com um transtorno financeiro?

– Não se faça de bobo.

– Eu não sei Brittany, você não me conta nada.

– Se quisesse realmente saber já teria ligado para lá para se informar, mas a verdade é que você não quer mexer com isso. Mas quer saber, Sam? Não tem problema, eu vou para lá amanhã e descobriu tudo.

– Só posso te desejar uma ótima viagem, querida. – Serviu-se de sua taça assim que o garçom a encheu. – Olha só quem vem aí, o casal vinte. – Mudou rapidamente de assunto ao ver Noah e Santana entrarem no salão.

Brittany discretamente se virou para trás para poder olhar e ao vê-los juntos de braços enganchados soltou um suspiro, tudo o que ela precisava, ser atormentada por aquela imagem. Puck e Santana assim que os viram se aproximaram da mesa.

– Que mundo pequeno! – Disse Puck.

– Querem se juntar a nós? – Sam falou num tom nada convidativo.

– Adoraríamos aceitar seu convite, mas se eu pedir peixe eu ficaria com uma enorme duvida se ele está no meu prato ou se a truta resolveu pular pra sua boca. – Noah e Brittany não puderam evitar de rir.

– Está tão engraçada hoje, Santana.

– Não é?

– Vamos San, não quero ter uma indigestão. Bom jantar, Britt linda. — Puck piscou para ela que apenas respondeu com um aceno.

– Não quero mais vir neste restaurante.

– Mas é o meu favorito, Sam.

– A gente encontra um novo favorito.

Santana e Noah foram rindo para outra mesa.

– Você viu a cara daquele otário?

– Sinceramente? Se eu fosse casada com alguém como ele eu juro que eu me mataria. Admiro a Brittany por ser tão forte.

– Ou tão fraca. Ela já devia ter metido o foda-se e se mandado com o filho pra longe.

– Com um pai como o dela? Eu vi pouco, mas vi o suficiente para saber que ele não tem escrúpulos.

– É... Às vezes, eu acho que eu poderia ter evitado ela se casar com ele. — Direcionou seu olhar pra mesa em frente a sua.

– Como? — Ele voltou seu olhar para Santana com a pergunta da mesma.

– Nada, deixa pra lá. Não vamos falar disso, vamos falar de quão animada vai ser a nossa noite. Pronta para se divertir?

– Meu corpo clama por isso, baby.

– Assim que eu gosto.

De sua mesa, Brittany se pegava observando o casal, vez ou outra, eles pareciam animados e conversavam como dois amigos de infância. Enquanto que sua mesa era silenciosa e tediosa.

– Se você olhar mais um pouco assim quando o prato deles chegar é capaz que a comida deles caia. — Sam disse num tom zombeteiro.

– Estou com um pouco de inveja, vou admitir, por isso eu não consigo parar de olhar.

– Desculpa.

– Pelo que? — Brittany o olhou confusa.

– Por tudo. — Ele levou a mão ao rosto dela e acariciou.

Santana que se servia de uma taça de suco quase engasgou quando viu a cena.

– Santana? Hei latina, você está bem? — Dava pequenos tapas nas costas dela.

– Eu engasguei, mas estou bem. Estou bem. — Olhou com raiva pro casal a frente. — Quer saber? Por que não pedimos para que sirvam o nosso jantar na mesa dos nossos amigos? Estou com vontade de me divertir com Sam e a Brittany parece deprimida com ele.

– Você não presta, gosto disso. Vamos lá.

Chamaram o garçom e pediram que o jantar fosse servido na outra mesa, Puck levantou-se e esperou que Santana fizesse o mesmo para abraçá-la pela cintura, a latina não se importou, ao contrário, fez questão de ir animada com ele até mesa de Brittany e Sam.

– Resolvemos aceitar o convite de vocês. — A morena foi logo que sentando ao lado de Brittany, ficando assim entre ela e Sam, sendo que dessa forma o homem loiro foi obrigado a soltar o rosto da esposa e manter-se reservado.

– É, decidimos que seria uma pena para vocês ficarem sem a nossa companhia.


– Isso é fantástico! — Britt abriu um sorriso.

– Sabiam que convites de gentileza não foram feitos para serem aceitos? Estou tentando ter um jantar com a minha esposa.

– Corta essa, Sam. Sabemos que não vê a hora de ir embora, por que não aproveita e já vai? Qualquer coisa nós dizemos que te deu uma dor de barriga terrível, com essa sua cara enjoada não fica difícil de acreditarem. — Santana fez uma expressão inocente e sorriu.

– Não te daria tal gosto de ficar sem minha presença, Lopez.

– Que pena! Nós ficamos muito bem a vontade sem você. — Ela retrucou enquanto sua mão discretamente passeava pela perna de Brittany por baixo da mesa, que apenas lançou um olhar a latina, sabendo que aquele jogo não daria certo.

Foi questão de tempo para que Brittany e Noah embarcassem em contar histórias de sua juventude o que divertia Santana e emburrava Sam, ainda mais quando em momentos dessas histórias os dois encontravam meios de narrar algum momento constrangedor do loiro. O melhor momento para Sam foi quando finalmente decidiram pedir a conta. Já na parte de fora, Noah e Santana caminharam em direção da área para pedir um táxi, enquanto Brittany e Sam aguardavam trazer o carro.

– O que foi Puckerman? Trocou seu carro por drogas? — Sam deu uma risada.

– Sou um motorista consciente, Evans. Sei que posso extrapolar, não vou colocar a vida da minha acompanhante em risco. Você deveria começar a aprender comigo, que existem limites que não se ultrapassam quando estamos bêbados.

Brittany cerrou os olhos notando a hostilidade e uma certa ambiguidade na frase do amigo.

– Querem uma carona? — A loira ofereceu.

– Não, não, obrigado.

– Vamos, eu faço essa gentileza. Não por você, pela Santana. — Sam completou.

– Quando foi que se tornou um cavalheiro? – Santana perguntou.

– Vamos, por favor, eu insisto. – Brittany disse de uma forma meiga que nenhum dos dois viu como recusar.

A corrida até a tal boate em que eles iriam foi silenciosa, vez ou outra Puck e Santana trocavam risadas sobre algo que sussurravam que fugia do entendimento de Brittany. Quando o carro parou Noah foi o primeiro a sair, Santana ficou com um pé para dentro e outro para fora.

– Não querem vir com a gente? Vai ser uma noite divertida.

– Não, obrigada. Eu preciso viajar amanhã cedo.

– Qual é Britt? Você sempre inventa desculpas para não sair comigo, agora estamos com o pé na balada, não pode recusar.

– Desculpe, Puck, péssimo dia.

– Olha, você nem precisa beber, me acompanha na água. Mas entra, vai. – Santana insistiu.

– É uma noite com Sam, se meu pai souber que eu desviei vai me matar.

– Ele pode vir também, não é Sam? – A latina olhou direto para ele. – Só um pouco.

– Tudo bem. Pra dizer que não fiz nada hoje.

Brittany bufou, ela não queria aceitar, mas Santana foi pedir justo para seu marido que adora uma gandaia. Por que isso não lhe parecia uma boa ideia?

Notas finais
Espero que gostem, amores. Nos vemos no próximo. :)