Notas iniciais
Hey gente, segunda parte do especial para vocês, o capítulo ficou enorme mas eu espero que gostem. Quero agradecer aos comentários e fico feliz que tenham gostado da surpresa, prometo responder todos até hoje! Para quem gosta de confusão, o capítulo está cheio dela hahaha Espero que gostem até as notas finais.

“200 dólares, era isso que eu ganhava. Ou melhor, era esse o preço a ser cobrado. 200 dólares por programa em uma média de 600 por noite onde nem cem eram meus. As regras eram claras; eu deveria pagar ao dono do bordel uma parte – grande por sinal, de cada programa ficando com um valor significativo para mim, mas com o passar dos anos o fundo falso da minha gaveta de lingeries se tornou o cofre mais secreto. Não era algo muito controlado, Meredith nunca contara quantos homens cada garota ficava por noite, sua única preocupação era receber uma boa quantia de verdinhos no final do mês – que de fato acontecia. Mas o problema era seu irmão Logan, o verdadeiro dono do bordel, que independente de quanto recebia nunca era o suficiente e claro que minhas "malandragens" não o deixava nada satisfeito. Normalmente a cada "dia de pagamento", como eu e Caroline costumávamos a chamar, eu variava o valor sempre oscilando uns trezentos dólares ou mais para que ele não desconfiasse de meu "furto" mas a cada dia ficava mais evidente que eu escondia dinheiro, assim como os roxos e hematomas pelo meu corpo."

– Pronto pequenino, já está cheiroso para o Natal! – disse enrolando uma toalha nos pequenos ombros de Ian, cobrindo todo seu corpo molhado com ela – Agora grite bem alto para seu papai vir lhe vestir.

– Papaaai! – gritou Ian com aquele habitual sorriso malandro que mostrava sua fileira perfeita de dentinhos brancos – Mas mãe, eu quero me vestir sozinho!

– Tudo bem, papai só irá lhe ajudar, ok? Chame-o mais uma vez que eu acho que ele não escutou!

– Papaai!

Mais uma vez Ian chamou alto o pai, com um sorriso arteiro puxando a toalha para si como se estivesse se protegendo de Damon que parecia aproximar-se a passos largos. Junto com as passadas pesadas, eu e Ian conseguíamos ouvir aquela gargalhada contínua de bebê e sem demora, cruzando o quarto, Damon praticamente corria com Lauren no colo imitando um avião enquanto a garotinha de bruços e braços abertos ria descontroladamente.

Vruuum uma princesa chegando para o banho mamãe!

Em meio a giros e mais giros com a filha no colo, Damon fazia uma péssima imitação do barulho de um avião até colocar a garotinha risonha em meu colo e virar-se para Ian que observava o pai brincar com a irmã com um sorriso singelo e quase que enciumado.

– Então, tem um passageiro pronto, mamãe? – disse Damon, colocando o dedo na orelha como se fosse um microfone para virar-se para o garotinho todo enrolado na toalha.

– Tem sim, esse é passageiro especial, papai!

– Certo comandante, preparar para embarque!

Sem que Ian esperasse, Damon pega-o no colo com os dois braços como fizera com Lauren, fazendo o barulho de decolagem e o leva até o quarto rodopiando o garotinho que já se contorcia com uma crise de risos fazendo Lauren bater palminhas e pular em meu colo. Damon era de longe o melhor pai que eu pudesse escolher para os meus filhos, mesmo quando era preciso ser mais duro com os dois ele conseguia fazer cautelosamente sem ser extremamente rígido e sua paciência e carinho com os três me fazia ter a certeza de que se houvesse algum prêmio de “melhor pai do mundo” Damon certamente seria o vencedor. Claro que isso não era nenhuma novidade, afinal ele praticamente criou Emily sozinho e vê-lo cuidar e se preocupar com sua filha no início de nosso relacionamento já me dava uma amostra de que seria um bom pai novamente, mas tê-lo cuidando de nossos filhos era ainda mais apaixonante.

– Esse seu pai é um bobo, não é filha? – disse com riso deslumbrado, beijando demoradamente a bochecha gorducha de Lauren.

Enquanto no quarto Damon e Ian brincavam e riam, eu banhava Lauren em sua banheira cantarolando uma música para acalmá-la me encantando com seu jeitinho de balançar a cabecinha e o corpo no ritmo que ouvia, para em seguida tentar fazer a mesma coisa que fizera com Ian. Tentar, é claro, uma vez que a passageira do avião de Damon se transformara em uma lutadora nos braços da mãe por não querer sair do banho.

– Mamãe, olha só, veja se eu estou bonitão igual ao meu pai!

Sorrindo daquele jeito galanteador que Damon o ensinara, aquele sorriso que sequer chegava a mostrar os dentes e formava uma covinha no canto de uma de suas bochechas, Ian cruzou os braços para me mostrar sua roupa para noite de Natal. Com um colete social cinza por cima de uma pequena camisa azul clara de gola, uma calça confortável que imitava jeans, meu garotinho já não parecia tão pequeno como eu costumava a vê-lo, deixando a mãe coruja quase aos prantos com o fato de que ele estava crescendo rápido demais.

– E então mamãe, como estou? – perguntei ele mais uma vez, pegando na mãozinha de Lauren que havia parado de chorar para olhar o irmão.

– Maravilhoso, querido, está mais do que bonitão! – respondi um tanto chorosa entregando a meu marido nossa filha enrolada na toalha.

– Estou mais bonito que meu pai? – perguntou ele, surpreso.

– Está maravilhoso assim como seu pai!

– Ouviu papai? – sorriu o garotinho com um sorriso de orelha a orelha, olhando para o pai.

– Ouvi sim, filho, e ela tem toda a razão! – assentiu Damon, sorrindo carinhosamente para Ian e em seguida para mim – Agora porque você não pergunta a sua avó e a Emily o que acharam de sua roupa?

– Boa ideia! – Ian respondeu e saiu correndo a procura da avó e da irmã mais velha.

Assim que Ian saiu do quarto, eu voltei ao banheiro para organizar a pequena bagunça que meus filhos faziam enquanto tomavam banho, ouvindo a voz de Damon conversar com Lauren.

– Meu anjo, será que você poderia me ajudar a colocar essa meia calça na Lauren? Cada vez que eu coloco um pezinho ela chuta a meia para ficar sem e começa a fugir ou chorar! – Damon pediu com um tom pensativo e envergonhado, segurando Lauren apenas de fralda em um braço e na outra a fatídica meia calça.

Eu costumava a falar que Lauren era o oposto de Ian, enquanto meu filho dificilmente chorava ou fazia as costumeiras artes de criança, Lauren era o oposto disso e mesmo com oito meses a garotinha já demonstrava um gênio forte, cheia de energia e claro que uma criatividade enorme para fazer suas artes. Emily costumava a dizer que Damon iria sofrer com Lauren e sua personalidade forte e de fato minha enteada tinha razão, Lauren causaria cabelos brancos em meu marido muito antes do normal.

– Venha, eu vou lhe ajudar, ela faz isso comigo também. Para que ela pare quietinha você pode dar algo a ela que a distraia, veja só! – enquanto falava, eu procurava no quarto algo que pudesse ser de interesse a garotinha para poder distraí-la tempo o suficiente para que Damon conseguisse vestir a meia calça nela – Olhe só Lauren, segura esse chocalho para a mamãe, por favor?

Assim que ela se distraíra com o brinquedo barulhento, Damon conseguiu terminar de arruma-la com um vestido rosa claro rodado para então entrega-la pronta e sonolenta em meus braços.

– Pronto, meu anjo, os dois estão arrumados! Conseguimos! – meu marido sorriu satisfeito e um tanto cansado pelo esforço com os dois.

– O que acha de depois que Lauren dormir nós colocarmos em pratica a ideia do banho juntos? – com um sorriso malicioso, eu sussurro perto de Damon enquanto aninhava a garotinha em meus braços para fazê-la dormir novamente.

– Eu acho que seria uma excelente ideia mas são quatro horas e eu preciso ir buscar Annabelle no aeroporto... – Damon respondeu com pêsames, contorcendo seu rosto em uma careta entediada – Maldita hora que minha irmã decidiu vir visitar!

Annabelle... Eu praticamente havia me esquecido dela enquanto cuidava de meus pequenos. Praticamente, é claro, até porque as perguntas de Margareth, a senhora que assumira o lugar de Jenna, sobre os lugares a mesa não me deixavam esquecer do fato de que teríamos três visitas a mais naquela noite, duas delas completamente inesperada. E confesso que indesejada.

– Tudo bem, amor, teremos a noite para nós, certo?

– Claro! – ele assentiu sorrindo para mim, lavando sua mão ao meu rosto para fazer um carinho reconfortante.

Lauren já piscava os olhinhos lutando contra o sono e eu continuava a nina-la em meu colo enquanto Damon nos olhava sorrindo docemente, como se admirasse a cena em silêncio como eu fazia com ele quando estava em meu lugar. Com delicadeza para não despertar a pequena, meu marido pegou nossa filha de meu colo e com todo o cuidado a colocou no berço com a chupeta em sua boca para que ela não acordasse, para só então me tomar em seus braços em um abraço caloroso.

– Porque você aproveita esses últimos momentos calmos enquanto eu vou buscar Annabelle, para tomar um banho relaxante para descansar um pouco? – ele sugeriu fazendo um carinho reconfortante em minhas costas enquanto ajeitava meus cabelos bagunçados para fora do coque– Ian pode ficar com a minha mãe enquanto isso...

– É uma ideia tentadora...

– Então faça, depois poderá dar atenção a Ian! – disse ele parecendo ler meus pensamentos.

Com carinho meu marido estreitou seus braços em minha volta fazendo-me erguer o rosto para que pudesse alcançar seus lábios, levando minha mão a sua nuca para emaranhar meus dedos em seus cabelos. Assim como acontecera em meu escritório, Damon selou demoradamente nossos lábios para dar início a um beijo calmo, sem a mínima intenção de intensifica-lo, apenas uma doce carícia que trocávamos sempre quando conseguíamos ficar sozinhos... E que sempre éramos interrompidos na melhor hora.

– Ei, que nojo, parem os dois! – a vozinha indignada e nauseada de Ian chamara nossa atenção nos fazendo rir enquanto nos separávamos antes de selarmos nossos lábios em provocação – Parem, parem!

– O que foi pequeno mandão destruidor de momentos? – Damon perguntou brincando com Ian, que aproximava-se de nós com a cara fechada.

– Sem beijos! – disse ele ainda com um tom bravo, erguendo seu indicador para repreender eu e seu pai – Vovó disse que eu estou ainda mais bonito que você, pai!

– Ah, vovó disse isso?

– Sim, ela disse e Emily concordou!

– Mas elas estão certas mesmo, eu e sua mãe caprichamos na hora de te fazer! – Damon riu, piscando maliciosamente para mim me fazendo fuzila-lo com o olhar.

– Como vocês me fizeram? Eu não era uma sementinha?

– Damon!

– Outro dia eu explico como se fazem os bebês, filhão, quem sabe quando você ficar mais velho!

– Mas, mas... – interviu ele cutucando o cantinho de suas unhas, ansioso – Eu quero saber, pai!

– Porque você não pergunta para sua vovó e para Emily? Elas vão lhe explicar direitinho! – Damon sugeriu, apoiando seu queixo na curvatura de meu ombro.

– Mas eu queria que você me explicasse, pai!

– Papai explica outro dia, filho, eu juro! – meu marido garantiu, fazendo nosso filho revirar o nariz em desgosto e sair pela porta para voltar a sua avó – Agora eu realmente preciso ir...

Ele disse com desgosto, fazendo-me virar de frente para ele com um sorriso provocador, arrastando minhas mãos pelo seu peitoral até chegar aos seus cabelos da nuca.

– Tudo bem então, enquanto você sai nesse frio para buscar sua queridíssima irmã, eu tomo um banho bem quente e... Sozinha... Apenas eu naquele banheiro enorme... – ainda com aquele sorriso provocador, eu sussurro ao pé de seu ouvido, acariciando seu peitoral.

– Isso é jogo baixo – ele resmungou baixinho, pressionando-me contra seu corpo – Eu preciso ir...

Em uma tentativa de fuga de meus métodos baixos de sedução, Damon tenta se desvencilhar de meus carinhos mas antes mesmo que ele pudesse se afastar, eu o puxo novamente para ainda mais próximo a mim.

– Nunca saia sem se despedir, Doutor, lembra-se disso?

Com um sussurro próximo ao seu rosto e com aquele sorriso malicioso, eu selo nossos lábios mais uma vez em um beijo intenso que o fizera cambalear até a cômoda do quarto de Lauren, onde o encostei para aprofundar o beijo.

(...)

Positivo... Era isso, dois risquinhos e um baque que nunca imaginara que fosse sofrer. Ou melhor, cinco baques, já que em todos os exames em minha frente estava presente os dois riscos. Eu encarava aquilo atônita, a cada tubinho era um pensamento em minha cabeça, um bem me quer e mal me quer sem pétalas e no caso sem a flor também; " vou tirar, não vou tirar, vou tirar, não vou tirar, vou tirar". Eu não podia ter aquele filho quando sequer acreditava que um ser crescia dentro de mim, era impossível que eu estivesse grávida! Porém os resultados positivos me mostravam que o meu impossível era de fato muito possível.

Grávida, eu estava grávida de Matt... Como eu havia sido tão imbecil a esse ponto? Como diabos eu iria criar um filho? Sem pai, sem trabalho, sem lugar onde morar? Em minha mente ponderava os prós e os contras de fazer o aborto mas ao mesmo tempo em que eu não tinha condições de ter aquele bebê, eu não podia acabar com uma vida inocente por causa de meus problemas. Se ele estava ali, crescendo dentro de mim certamente havia um motivo e quem sabe esse motivo era um estímulo para que eu mudasse de vida.

E com esse pensamento decidi não interromper minha gravidez... Claro que não fora uma decisão fácil ou bem aceita, todos no bordel me criticaram (com exceção de Caroline) e também não fora fácil atender os clientes sabendo que estava grávida mas havia algo dentro de mim, uma força que crescia junto com o meu bebê que incentivava-me a continuar. Nem mesmo quando Matt descobrira da pior forma que eu estava grávida minha mente mudou, eu iria ter aquele filho.

Mas infelizmente não fora o que o destino queria que acontecesse e meu bebe simplesmente criou asas virando meu primeiro anjinho.”

– Tia Anna!

Sentada ao chão do quarto dos brinquedos junto com Ian e Lauren, era possível ouvir de longe a recepção um tanto quanto calorosa da nova visita em minha casa, que havia chego mais rápido do que eu esperava. Após seguir o conselho de Damon e tomar um longo banho, eu, Ian e Lauren nos juntamos ao quarto onde eles costumavam a brincar a pedido de meu filho mais velho enquanto nossas companhias para noite de Natal não chegavam.

– Emily?! Meu Deus, o que aconteceu com a minha garotinha?! – aquela voz enjoada e final que eu tanto detestava me fizera revirar os olhos entediada, eu praticamente havia me esquecido o quão irritante a voz de minha cunhada conseguia ser.

– O tempo passou, não é? – respondeu minha enteada, me fazendo sorrir com o tom desaforado de Emily com a tia mas que obviamente passara despercebido.

O encanto de Emily com a tia diminuía cada vez mais com o passar dos anos... Primeiramente fora há oito anos quando Emms finalmente descobrira que sua tia não era o anjo que ela julgava e que conseguia ser uma verdadeira víbora quando queria, a princípio eu e Damon achávamos que tal revolta seria passageira e que Emily voltaria a se dar bem com a tia, mas ao longo dos anos após Annabelle ter ido embora, e que nem ao menos um telefonema ela fazia para a sobrinha, Emily passou de revoltada à decepcionada para só então realmente desgostar da tia. E aquele sentimento estava longe de ser passageiro.

– Passou! Você está uma mulher linda, querida!

Oh céus, como ela conseguia ser tão falsa?

– Obrigada! – agradeceu Emily, educadamente – Ah, esse aqui é Jesse, tia, meu namorado!

– Wow, namorado?! Como seu pai permitiu isso?

– Tia, por favor... – ela resmungou envergonhada e eu podia imagina-la rolar os olhos como sempre fazia – Eu não sou mais uma garotinha!

– Hm que história é essa dona Emily? – no meio das duas, a voz grossa e séria de Damon me fizera rir alto. Ele continuava o mesmo ciumento protetor com a filha, isso nunca mudaria.

– É, ele continua o mesmo ciumento de sempre! – concluiu Annabelle –Prazer em conhecê-lo Jesse, você deve ser um bom garoto para meu irmão ter deixado namorar minha sobrinha.

– Fico feliz que pense isso Annabelle, espero que o Senhor Salvatore pense o mesmo! – respondeu Jesse com aquela educação que eu nunca havia visto em nenhum rapaz de sua idade (que foram muitos nos longos anos de bordel).

Emily definitivamente tirara sorte grande com Jesse e apesar das

discussões era visível o quanto os dois se gostavam de verdade.

– Mãe... Mamãe, me escuta! – exigiu Ian, cutucando meu braço e tirando-me de meu devaneio. Ou melhor, desviando minha atenção do que acontecia na sala de estar.

– Oh, desculpe-me filho, eu estava distraída... Acho que Annabelle chegou, quer ir conhecê-la? – perguntei sem a mínima convicção ao garotinho que brincava com sua coleção de carrinhos no chão.

– Sim mamãe!

– Vamos Lauren? – perguntei dessa vez a garotinha sentada ao lado do irmão que mexia em seus brinquedos barulhentos e coloridos.

– Deixa ela ai mamãe, ela não entende mesmo... – Ian respondeu com descaso, me puxando pela mão em uma atitude clara de ciúmes. Ainda que fosse uma criança extremamente doce, Ian tinha um grande ciúmes da irmã, o que era extremamente normal já que durante quatro anos ele fora o único bebe na casa e o centro das atenções, não apenas minha e de Damon como de todos em “nossa” família.

– Não filho, não podemos deixar sua irmãzinha aqui sozinha, é claro que ela entende.

– Mas mãe ela é só um bebê! – resistiu ele.

– Você já teve essa idade, Ian, você pode não se lembrar mas também foi bebê como ela e eu cuidava de você assim como faço com Lauren. Não é mesmo, Lolo? – enquanto conversava com Ian, Lauren ainda brincava distraída mas assim que me ouviu falando com ela, a garotinha ergueu a cabeça e abriu um grande sorriso, deixando a mostra apenas os dois dentinhos de baixo – Viu só filho como ela gosta de você?!

Sensibilizado com a irmã, Ian coloca-se em pé e então vai até a menininha que ainda sorria para nós e nos encarava com aqueles grandes olhinhos azuis.

– Tudo bem Lauren, você pode ir com nós!

– Ah muito bem querido, assim eu fico muito feliz e sua irmã também! – sorri orgulhosa de meu homenzinho.

Antes que eu pudesse pegar Lauren no colo para irmos até a sala, Ian deposita um beijo demorado na testinha da irmã que soltara um gritinho de excitação e assim que peguei minha filha nos braços e segurei a mãozinha de seu irmão, nós três seguimos em direção a sala para encontrar com a nossa não tão querida visita.

E lá estava ela, sozinha, usando um grande casaco de frio com um cachecol e luvas de couro preto, um pouco mais magra do que eu me lembrava mas com aquela aparência que chegava a me enojar. Lentamente eu me aproximava dela mas com a vontade de dar meia volta e voltar para onde estava com meus filhos, sem me importar se fosse falta de educação ou não.

– Papapa! – Lauren sorriu esticando os bracinhos e chamando seu pai com as mãozinhas assim que vira Damon ao lado da visitante.

– Princesa do pai! – sorriu Damon encurtando a distância entre ele e a filha para pega-la em seus braços.

– Elena, olá, como vai? – Annabelle disse ao me ver entrar em seu campo de visão me aproximando deles, olhando-me dos pés a cabeça com um sorriso forçado.

– Boa tarde Annabelle, tudo certo e com você? Como foi de viagem? – respondi educadamente.

– Estou bem, a viagem foi tranquila, obrigada! – com a mesma cordialidade, e falsidade, Annabelle respondeu.

Ela continuava a mesma biscate de anos atrás. Um pouco mais velha mas ainda assim biscate, e sem o perdão da palavra.

– E o seu namorado não veio junto?

– Não, Cameron teve que ficar porque surgiu um imprevisto no hospital onde ele trabalha e o médico que ia substituí-lo não pode ficar então sou só eu...

– Ah sim, uma pena não é!

– Uma pena mesmo mas assim que ele puder ele vem, ficarei uns dias a mais por aqui para aproveitar minhas férias – ela explicou, fazendo aquele meu animo e consolo de que eu teria que atura-la apenas naquela noite descer ralo abaixo.

Sem conseguir demonstrar nenhuma reação àquela notícia, eu apenas assinto brevemente de cenho franzido e logo Annabelle desvia sua atenção de mim para o garotinho que segurava minha mão e observava a tia de longe, um tanto escondido em minhas pernas

– E esse garotinho ai eu imagino que seja o Ian!

A pequenina mão de meu filho apertou com mais força a minha e ele balançou positivamente a cabecinha em resposta.

– Meu Deus como você é grande, quando eu o vi você era um bebezinho, o que fez para crescer tão grande assim? – ela perguntou tentando puxar assunto de Ian.

Onde diabos essa mulher havia visto meu filho quando bebê se ao menos visitar o sobrinho ela se prestou?

– Eu fiz aniversários, é claro! – Ian respondeu amargamente fazendo todos ao redor rir de sua resposta, inclusive eu, porém, Annabelle parecera não gostar da resposta.

– Oh sim, entendi! E você não vai me dar um abraço? – ela se agachou na frente de Ian para ficar a sua altura e assim como da primeira vez, meu filho respondera com um acenar de cabeça, porém, negativo daquela vez – Tudo bem, quem sabe mais tarde então.

Um tanto envergonhada, Annabelle colocou-se novamente em pé dirigindo a atenção para Damon que segurava Lauren no colo e como era de se esperar, minha filha fora o próximo alvo.

– E essa boneca deve ser... – disse ela disfarçadamente semicerrando os olhos como se tentasse lembrar o nome de minha filha.

Era claro que ela não sabia o nome da própria sobrinha...

– Lauren, ela é Lauren! – respondi seca.

– Lauren, isso! Você é muito linda, Lauren!

– Fale “obrigada, tia” – disse Damon com um tom infantil enquanto a irmã aproximava-se dele para olhar minha filha melhor.

Assim que Annabelle tentou mexer com ela e conversar, Lauren escondeu o rostinho no pescoço de Damon com vergonha envolvendo o pescoço do pai com os bracinhos curtos em um abraço forte. Mesmo que soubesse que era errado, não podia deixar de sorrir vitoriosa pela reação de meus filhos, era esperado que nenhum dos dois fosse reagir bem com a presença da tia, afinal, ela era uma completa estranha para os dois mas o fato de eles sequer terem simpatizado com ela me deixara ainda mais presunçosa. Eu tinha consciência de que não deveria projetar para eles esse desgosto por Annabelle porque bem ou mal ela era tia e ninguém no mundo deveria não gostar de uma tia (claro que nenhuma tia deveria fazer o que Annabelle fazia) mas seria minha maior derrota ver meus filhos se darem bem com a tia que sequer ligava para a existência deles.

– Você não vai olhar para tia, querida? – Annabelle insistiu, fazendo Lauren resmungar contra gosto – Quem sabe mais tarde... Onde está mamãe?

“Quem sabe mais tarde” quem sabe nunca.

– Elena, meu anjo, você já pode respirar e quem sabe largar a mão de Ian... – a voz aveludada de meu marido sussurrou baixinho em meu ouvido para que apenas eu ouvisse enquanto sua mão acariciava o vão de minhas costas em uma carícia reconfortante – Ela não está mais aqui...

Com um suspiro fundo eu larguei a mão de meu filho e recostei a cabeça no ombro de meu marido, como se padecesse sob ele, e enquanto eu tentava controlar o leve tremor de raiva em meu corpo o toque suave de uma pequena mãozinha em meus cabelos acalentou-me, me fazendo sorrir maravilhada com minha filha.

– Perdoe Annabelle, querida, da próxima vez que ela não souber diga; “Lauren é meu nome, Lau-ren!” – disse pausadamente enquanto acariciava a bochecha gorducha de minha filha, recebendo um grande sorriso em resposta.

– E Ian é o meu! – adicionou o garotinho que ainda estava perto de mim e Damon – Agora será que podemos voltar a brincar?

– Claro, filho! – assenti sem conseguir deixar de sentir um grande alívio para poder voltar ao quarto onde estávamos.

Com o passar do tempo aos poucos as pessoas foram chegando e minha casa que tinha apenas as seis habituais pessoas chegou a um total de dezessete, contando com as cinco crianças que já brincavam animadamente juntas. Diversos enfeites de Natal decoravam a sala junto com as luzinhas típicas daquela época do ano, as almofadas dispostas pelos sofás eram vermelhas em harmonia com a decoração e no canto da sala, próximo ao local onde as crianças brincavam, a grande árvore completava o cenário da nossa véspera de Natal. Todos conversavam animadamente, sentados aos sofás e poltronas da sala ao redor da lareira que aquecia o ambiente, provando os vinhos escolhidos a dedo por Damon para ocasião. Tudo estava perfeito até porque Annabelle não havia dirigido uma palavra sequer a mim e com a presença de meus amigos, aturar minha cunhada não era a pior coisa principalmente pelas piadas de mau gosto que Marquinhos fazia dela.

– Ah como é lindo ver essa casa cheia de crianças! – Pearl comentou com um sorriso deslumbrado, olhando ao longe as quatro crianças brincarem juntas – Me diga que em breve esse número irá aumenta, não é mesmo Elena?

– Oi? Perdão? – pigarreei alto, sem estar esperando tal comentário.

– Imagino que você e Damon tenham planos de ter mais filhos... – explicou-se.

– Mais filhos?

– Eu acho que seria uma ótima ideia! – Damon respondeu presunçoso, sorrindo.

– Mas Lauren tem apenas oito meses, não consigo pensar em ter outro filho ainda – expliquei-me sutilmente, ainda tentando codificar o que haviam me perguntado.

– Eu acho que um terceiro irmão seria demais – Emily intrometeu-se com animação, depositando um beijo demorado na bochecha de Lauren que brincava com uma mecha de cabelo da irmã mais velha.

– Eu sempre quis ter vários filhos mesmo... – Damon adicionou com descaso.

– Ué Elena, não era você que tanto queria filhos? – Annabelle interveio com aquele tom prepotente e sarcástico que me fazia ferver de raiva, acabando com minha felicidade de alguns segundos. Como ela ousava em se intrometer em um assunto como aquele?

– E eu tenho, dois por sinal! – respondi com frieza a fuzilando com o olhar – O que eu estou falando é que minha filha tem apenas oito meses de vida e que requer muitos cuidados para que eu pense em engravidar novamente, não que eu deva explicações a você sobre isso...

E claro que havia outro grande fator que ainda me deixava hesitante quanto a uma próxima gravidez; a grande possibilidade de sofrer outro aborto espontâneo. Minha médica havia deixado claro que Ian e Lauren foram um grande milagre e que uma quinta gestação seria extremamente arriscado principalmente ao levar em consideração minha idade. Como Pearl sempre fora muito sozinha seu plano de fuga e distração sempre fora os netos e eu realmente compreendia seu desejo de ter uma casa cheia de crianças, mas meu medo de perder um terceiro bebê perseguia-me mais do que pudesse explicar e com isso todas as possibilidades de eu ter outro filho eram descartadas.

– Sempre quis uma casa cheia de netos, Stefan e Megan vocês poderiam dar essa felicidade a essa velha viúva, não é mesmo?

– É, quem sabe daqui uns anos... – riu Stefan – Annabelle também está namorando, mãe, ela pode te dar netos também!

– Eu? Você está louco Stefan? – Annabelle respondeu com revolta – Você sabe que eu nunca quis ter filhos, agora eu quero menos ainda...

– Por isso mesmo que eu pedi a você, Stef! – Pearl sorriu ao filho, praticamente ignorando a frieza da filha sobre o assunto.

– E eu digo que esses dois – Stefan apontou para mim e Damon – Irão ter mais um filho e acho bom vocês acreditarem em mim porque da última vez eu disse a Elena que estaria no casamento dela com meu irmão... E adivinhem quem estava de padrinho?

Em meio a toda a conversa era impossível não sentir o desconforto entre Stefan e eu, independente dos anos que haviam passado e de que nós dois já havíamos superado o acontecido, nada mudava o fato de que eu e Stefan já havíamos ido para cama e que meu cunhado havia me conhecido em meus piores momentos. E eu era extremamente grata por ninguém mais além de Damon, Stefan e eu saberem daquele passado. Principalmente Annabelle.

– Quem sabe não é, meu anjo? Enquanto isso vamos treinando bastante... – provocou Damon, beijando minha bochecha demoradamente.

– E eu acho que no próximo Natal quem estará com uma criança no colo te chamando de papai será você Stefan! – respondi em provocação ao meu cunhado.

– Mas para quê tanta pressa, cunhadinha?

– Espero que seja mais um garotinho para fazer companhia a Ian! – Pearl refletiu sem conter a animação em sua voz, sorrindo abertamente com a ideia.

– Olha só, meu filho vai se dar bem quando crescer, vai viver rodeado de mulheres lindas! – Damon brincou encarando as crianças brincarem juntas no canto da sala.

– Contanto que o seu filho seja gay eu vou adorar tê-lo ao lado de minha Mariah – Marquinhos interviu, fuzilando Damon com o olhar.

– Não é por nada não Marcos mas olhe só com quem Ian mais brinca, é com Camila e Mariah, os três não se separam! – Damon continuou a provocar meu amigo, com aquele tom convencido que fazia Marcos ficar ainda mais furioso.

– Olhe bem o que fala Marquinhos, porque você era um dos primeiros a levar Elena e eu ao mal caminho! – Caroline riu em defesa – Será mesmo que você quer que sua filha tenha amigos como você?

– Eu levei vocês para o mal caminho? Será que eu preciso mesmo te relembrar de onde eu conheci vocês, vadias? – Marcos disse indignado.

– Hey, não estávamos de acordo de que iríamos passar a eles a ideia de que eles são todos primos e família e que não podem namorar? – fora a vez de Klaus falar em repreensão ao meu marido – E de que o seu filho iria proteger as meninas?

– Como se eles não fossem descobrir que não são primos de sangue e aproveitar a primeira oportunidade que tiverem – Damon prosseguiu com a provocação.

– Primeira oportunidade de que, Damon Salvatore? – instigou Klaus.

– Você sabe Niklaus! – Damon riu com malícia me fazendo cutuca-lo forte com o cotovelo.

– Damon eles são apenas crianças, olhe só a inocência deles, é cedo demais para vocês três estarem discutindo isso! – me intrometi, repreendendo não apenas meu marido como Marquinhos e Klaus.

Assim que olhamos em direção as crianças, meu filho jogara ao alto a boneca que elas brincavam fazendo alguma brincadeira com o brinquedo que fizera as duas garotinhas gargalharem alto, para só então entregar novamente a boneca as duas que ainda davam risada.

– É, de acordo com as circunstâncias, acho que Ian fará sucesso entre elas... – concluiu Emily fazendo Marcos e Klaus olharem a cena instigado.

Mais uma vez, as meninas deram a boneca a Ian que a colocou dentro do carrinho que brincava para, ao que eu julgava, levá-la a passear daquele jeito que corria com o carro na mão e imitava o barulho do carro como se fosse uma corrida, fazendo Mariah e Camila gargalhavam ainda mais alto enquanto meu filho sorria presunçosamente, ciente de que divertia as amigas.

– Esse garotinho é muito convencido, olhe só a forma como ele se gaba na frente de minha filha – Klaus disse nervoso.

– Até parece o pai... – disse com descaso.

– Eu sou convencido?

– Um pouco pai, as vezes parece que tem o rei na barriga mas é apenas as vezes... – Emily respondeu com sarcasmo, fazendo o pai encara-la surpreso.

– Ás vezes? Emms você está sendo bondosa com seu pai! Damon é extremamente convencido e isso é inquestionável – Stefan adicionou.

– Fique quieto Stefan, não sou eu que passo horas na frente do espelho e gasto um frasco de gel para fazer esse penteado ridículo! – Damon xingou o irmão com divertimento.

– Seus argumentos já foram melhores irmão, uma coisa não tem nada a ver com a outra e pode ter certeza que você faz o mesmo, ou você quer que eu acredite que esse seu cabelo é engomadinho naturalmente?

– Isso eu vou ter que me intrometer, Damon é convencido e sempre fora... Principalmente quando o assunto é mulher, ou melhor, Elena... – Alaric comentou, dando de ombros e automaticamente recebendo um olhar gélido do amigo.

– Como é a história? Então você é convencido quando o assunto é mulher Damon Salvatore? – fora a minha vez de perguntar, cruzando os braços para encarar meu marido furiosa.

– Mulher que no caso é você, meu anjo, você, Lauren e Emily! Além de eu ter uma mulher maravilhosa eu fiz duas mulheres maravilhosas, você entende? – Damon tentou se consertar, acariciando meu braço tentando me consolar.

– Oh céus e depois você quer nós acreditemos que não é convencido! – Stefan riu do irmão o fazendo revirar os olhos.

– Eu não engoli essa história, Damon Salvatore, quero explicações! – continuei com aquele tom furioso para provoca-lo.

– Quem sabe mais tarde eu lhe dê enquanto você me conta como eu sou convencido! – ele responde com malícia, sorrindo para mim e entrando em minha brincadeira.

– Quem sabe mais tarde eu lhe conte, Emily está me devendo uma noite com a criança para nós.

– Algo me diz que essa noite ninguém dorme, vocês dois não perdoam nem o Natal! – Marquinhos nos repreendeu.

– E deveríamos? – perguntei com descaso.

– Pobre Emily! Ela é sempre testemunha da safadeza de vocês! – adicionou meu amigo.

– Como sempre, não é mesmo Emily? – Annabelle se intrometeu, provavelmente lembrando-se da cena que ela e Emily flagram há alguns anos.

Baixa, como sempre, baixa!

– Como se você fosse imune as situações constrangedoras, não preciso te lembrar da cena que presenciei em seu escritório quando ainda trabalhava aqui com certa pessoa... – da mesma forma sarcástica que Annabelle usara, eu disse a encarando fixamente, como se não houvesse mais ninguém na sala além de nós e meu ódio por aquela mulher.

Da mesma forma que ela se lembrava da cena constrangedora que eu e Damon fomos flagrados, eu me recordava perfeitamente de seu caso com Bart e de como toda aquela confusão repercutira. De como ela se vendera (literalmente) por um cargo na empresa. Era impossível se esquecer de como ela agira como uma prostituta quando tanto me criticou pela forma com que eu ganhava dinheiro.

– Enfim... – de forma apaziguadora, Marquinhos intrometeu-se entre nós duas, acabando com o silêncio que havia se formado entre todos ao redor – Além de sempre querer o telefone do cabelereiro dessa garota, sempre quis também o número do terapeuta dela porque pobre Emily deve ser traumatizada com tudo o que escuta e presencia.

Daquela forma descontraída Marquinhos continuou com o assunto como se nada tivesse acontecido, encarando-me de um jeito repreensivo que eu reconhecia de longe e que mandava eu me controlar. “Controle-se Elena, controle-se”. E eu realmente precisava me controlar, havia prometido a Damon que tudo daria certo mas minha promessa estava longe de ser cumprida, uma vez que a vontade que eu tinha era de simplesmente voar nos cabelos de minha cunhada e expulsa-la a tapas de minha casa. Com um suspiro fundo eu encaro Marquinhos extremamente agradecida e então volto ao assunto em questão.

– Que mentira! – defendi-me.

– Ah Elena nisso Marquinhos tem razão! – Emily comentou.

– Sua pequena traíra! – acusei-a incrédula.

– Mas o que eu posso fazer se é verdade, você e meu pai são tudo menos discretos!

– E cuidadosos... – adicionou Annabelle mais uma vez, me fazendo respirar mais uma vez fundo para não dar outra resposta a ela.

– Eu não sei porque mas isso me lembra de uma vez que você me falou há alguns anos; eu e Damon somos cuidadosos e não transamos quando Emily está em casa... – Marquinhos disse com descaso fazendo Emily rir alto.

– Até porque quando Emily não estava eles transavam no sofá da sala, não é mesmo?

Eu sinceramente não sabia quais eram as intenções de Annabelle com aquilo, além, é claro, de me provocar e me atingir. Se seu intuito era me ver fora de si, perdendo a cabeça na frente de todos meus familiares e amigos, ela estava prestes a ser bem sucedida. E claro que como bônus, além de ouvir algumas verdades, ela ganharia alguns arranhões naquela pele pêssego.

A mão quente de Damon acariciou levemente minhas costas tentando me reconfortar e como sempre, apenas o contato e o apoio de meu marido fizera meu corpo relaxar. Pelo menos ele estava a par das provocações da irmã.

– Desnecessário se lembrar disso Annabelle, totalmente desnecessário! – Damon a repreendeu friamente, a fazendo erguer as mãos em rendição como se pedisse perdão para em seguida dar as costas a nós com seu celular em mãos.

– Ainda bem que eu não sou vingativa dona Emily Pierce! – encarei minha enteada com cumplicidade, a fazendo sorrir de forma ingênua e agradecida para mim.

– Porque ein Elena Salvatore? – Damon perguntou instigado.

– Porque obviamente ela estaria em ar puros se você soubesse que ela leva sua filha ao sex shop e que possivelmente coloca em prática as dicas que eu e Elena passamos a ela... – Marquinhos comentou com descaso, que obviamente fora fingido, uma vez que após terminar de falar ele leva sua mão a boca a cobrindo com um sorriso levado.

Maldito. Não havia nada que Marcos e Damon mais desfrutassem fazer do que se provocarem e naquela noite em que os dois estavam um tanto alterados estava saindo do controle. Claro que tudo não passava de uma brincadeira e tanto Damon quanto Marcos sabiam que nada do que acusavam era verdade (a não ser a parte do sex shop que realmente acontecera) mas ainda assim meu amigo insistia em pisar em um dos calos grandes de Damon que era o ciúmes da filha.

– Marcos!! – repreendi o severamente – Seu traidor master!

– Oh céus, tem mais isso ainda? – a voz seria de Damon fizera meu corpo gelar.

– Eu vou matar você, Marcos!

– Olha ali Mariah está me chamando, um segundinho, certo? – meu amigo saiu de fino, caminhando em direção a filha que sequer lembrava-se da existência do pai.

– Eu sinceramente não sei o que falar, minha filha e minha esposa armando em minhas costas e minha mulher deflorando minha filha! – Damon disse atônito, com aquele olhar repreensor que vagava entre Emily e eu.

– Em minha defesa fora ideia dela ir até lá – acusei – E a parte das dicas é mentira, Marcos é um mentiroso de marca maior você sabe disso!

– Fora minha ideia mesmo, mas em minha defesa quem saiu cheia de compras fora você, Elena, eu apenas a acompanhei! –Emily me incriminou de olhos semicerrados, com as bochechas coradas devido aos olhares maliciosos que ela e Jesse recebiam.

– Apenas eu, mocinha?

– Sim, apenas você Elena! – defendeu-se, enfatizando a palavra que a encobria de suas compras na loja erótica.

Aproveitando-se de minha ideia quanto ao presente de Julianne, Emily insistira em me acompanhar ao sex shop e mesmo que eu tivesse resistido a sua ideia, minha enteada possuía argumentos e técnicas de persuasão tão baixas quanto ao seu pai e quanto percebi ela já estava entrando comigo naquela loja. O que a princípio eu julgava ser apenas um de nossos passeios juntas, daqueles que Emms oferecia sua companhia amigavelmente, passou a ser um passeio cheio de segundas intenções onde Emily, ainda que um tanto desconfortável, mostrava-se curiosa com tudo que tinha naquela loja. Porém, Damon não podia sequer sonhar que sua filha tivera tal reação em um sex shop e que de lá saíra com óleos para massagens e alguns outros produtos.

– Oh céus como eu adoro Natais em família... – Caroline riu em melancolia, suspirando fundo.

– Elena...

– Pai, por favor, sem crise, só fui para acompanhar Elena, discutam isso outra hora, é noite de Natal!

– Teremos muito para conversar essa noite, Senhora Salvatore! – Damon encarou-me um misto de repreensão e brabeza que independente de serem direcionados a mim, faziam-me vacilar por dentro.

– Vocês estão muito baixos hoje, digo, vocês são normalmente baixos mas hoje estão se superando cada vez mais, será que tem como mudarmos de assunto? – pedi.

– Como se você não fizesse ou não falasse, Elena! – Marquinhos disse, voltando para onde estava sentado junto ao Mike.

– Acho bom mudarmos de assunto mesmo, Claire está vindo! – Klaus, como sempre protetor, concordou ao ver sua filha aproximando-se de onde estávamos com uma folha em mãos.

– Mãe, olha o que eu desenhei – ela disse sorrindo sutilmente, mostrando o desenho a minha amiga –É a casa da tia Lena!

– Que lindo filha, você desenhou isso agora?

– Sim! – ela assentiu envergonhada – Pai, você gostou?

– É maravilhoso filha, você sabe que eu gosto de tudo o que você desenha! – Klaus respondeu docemente, apertando a ponta do nariz da filha.

– Mostre a Elena, querida, tenho certeza de que sua tia irá gostar! – Caroline sugeriu;

– Olha tia Lena, eu desenhei sua casa – seguindo o conselho da mãe, minha sobrinha aproximou-se de mim trazendo a folha em mãos e assim que ela me alcançou pude ver a cópia quase que perfeita de minha casa.

Com a grande porta frontal e as escadinhas em meio a um gramado que guiavam até a varanda da frente, Claire tentou passar para o papel a parte da frente de minha casa, onde aparecia as janelas e uma parte do telhado. Desde muito cedo minha sobrinha possuía uma habilidade imensa com os desenhos e nós não cansávamos de nos surpreender como ela desenhava bem para uma garotinha de apenas oito anos.

– Gostou tia?

– Eu amei, querida, é lindo! Você é ótima Claire!

– Obrigada... Eu fiz para você, tem meu nome no canto.

– Oh meu anjo, com certeza irei guarda-lo e aos junto aos desenhos de Ian! Você tem talento, sabia disso?

– Eu posso ver? – sem que esperássemos, a voz irritante que me tirava aos poucos do sério naquela noite soou atrás de nós – Olha só, Elena tem razão, você realmente é boa menina.

– Obrigada! – respondeu Claire, mais uma vez com timidez.

– Sabia que eu desenho casas também? Só que eu as desenho para as pessoas morarem...

– Oh, isso parece legal! – minha sobrinha adicionou pensativa.

– É sim, quem sabe quando crescer você não faça o mesmo que eu, você tem talento pequena.

Sem que pudesse evitar, semicerrei os olhos com a última palavra dita e com a intimidade que Annabelle se dirigia a minha sobrinha.

– É, pode ser, mas eu queria ser médica...

– Médica? Mas ser médica é tão chato e você desenha tão bem!

– Ser médica não é chato, eu vou poder cuidar de pessoas doentes igual ao tio Damon e igual minha mãe faz comigo e minha irmã, além disso, eu posso continuar a desenhar mesmo sendo médica! – Claire respondeu um tanto quanto amarga, me fazendo sorrir internamente.

Definitivamente as crianças daquela casa não gostavam de Annabelle.

– Ai que você se engana querida, pergunte ao tio Damon. Você estará tão ocupada cuidando de suas pessoas doentes que nem terá mais tempo para desenhar...

– Eu acho que se você quer ser médica, Claire, você deve ser independente de suas outras habilidades – Damon respondeu encarando a irmã severamente – Não é mesmo, Klaus?

– Concordo com Damon, querida, e você é muito nova para pensar nisso, terá muito tempo para decidir! – Klaus adicionou.

– Ok, tudo bem, foi apenas uma ideia! – Annabelle pestanejou, erguendo as mãos em rendição.

– Mamãe... – vindo do mesmo local onde Claire estava, Ian correu em minha direção com aquele tom manhoso que eu bem conhecia – Mamãe eu estou com fome, será que podemos comer agora?

– Ah, que ótima ideia filho! – respondi com um suspiro aliviado pela proposta de meu filho que eu esperava que fosse acabar com aquelas confusões.

Notas finais
Bom, nao sei se vocês perceberam mas nao era minha intenção fazer hot no especial porem contudo todavia entretando alguns leitores me pediram hot e eu queria saber se voces querem hot ou nao... E então gostaram? Será que essa noite de natal vai acabar sem uma confusão elena e annabelle? Comentem amres.