Whirling Crescendo
25 The Crow & The Butterfly
Notas iniciais
Ser teletransportado não é uma sensação muito boa. Tudo ao seu redor gira, num turbilhão de cores, e você sente seu corpo ser puxado por uma força tão forte, que era como se sua pele fosse se desprender do seu corpo. Tudo durava um segundo, e Sona leu que era tudo questão de costume, um dia ela iria se acostumar. Porém ela não estava muito ansiosa para a próxima vez, muito obrigada.
Em um piscar de olhos, não estavam mais na biblioteca, mas sim no saguão, ao pé das escadas, na mansão Ravenscar. Sentindo suas pernas tremerem daquele um segundo de tormenta, e soltando a mão do homem ao seu lado,Sona se deixou cair ao chão, no carpete fofo.
Recuperando o fôlego, ela notou que Kael parecia inabalado. Talvez por anos de experiência, assim como lhe prometeram, ou apenas pelo fato de que ele, normalmente, não se abalava com nada mesmo. De pé e estático como sempre, Kael olhava o horizonte por trás de sua mascara, parecendo não perceber que Sona caíra.
—Hm... Kael poderia me ajudar? – Sona estendeu a mão buscando um apoio para se levantar.
O movimento veio automático, e ele a puxou. Artificial demais. Sona sempre sentia arrepios perto daquele homem misterioso, quase como que ele não fosse humano. Fora designado como uma espécie de guarda-costas, um protetor e deveria sempre a obedecer, então era uma pessoa útil de se ter por perto.
Mas isso só valia se não fossem ordens contrarias as de Lady Layla. Afinal, ela era sua dona.
—Obrigada, Kael. — Ela sempre agradecia qualquer favor ou ordem que ele obedecia, mesmo que nunca recebesse nenhuma resposta.
Com o impulso, Sona se aproximou dele, e sentiu um aroma suave de canela. O pensamento logo sumiu da cabeça, quando ouviu uma voz muito familiar.
—Sona! Acordou cedo hoje. — Layla exclamou, ao vê-la ao pé da escada, e começou a descer.
Cedo? Sona procurou o grande relógio que havia no cômodo, e se espantou ao ver que já eram 5 horas da manhã. Como ela passou tanto tempo naquela biblioteca com Draven?
Era um horário que para alguns poderia ser considerado “bem cedo”. Mas Sona considerava como um “bem tarde” e tudo o que ela queria era ir para seu quarto e dormir. Pensou em contar que na verdade só havia chegado agora, mas chegou à conclusão de que talvez não fosse uma boa idéia. Layla parecia não gostar muito de Draven, e ela já sentiu que hoje não seria um bom dia de incomodá-la.
Lady Layla não estava no seu humor habitual, sem o sorriso medonho e palavras venenosas. Ela pelo visto também havia passado a noite em claro, estando irritadiça e arrasada.
—Preciso que você leve esses documentos até o Bastião. Agora. — Disse, lhe entregando duas pastas. Uma bem cheia e pesada, lacrada, e outra mais leve.
Sona a encarou mortalmente. É sério isso? Ela acabou de chegar de lá.
—Plecisa ser-
—Precisa.
—Mas são 5 da manhã. – Se Layla percebeu o olhar cansado e as olheiras marcadas no rosto delicado da musicista, ela não comentou nada.
— É uma viagem de quase 2 horas até lá, é bom você chegar cedo para conseguir falar com o Swain.
—Eu tenho que entregar isso pro Swain?! – Sua voz saiu meio aguda, e ela sentiu o rosto arder de vergonha. Sona não estava com paciência pra isso agora. Só queria saber de descansar, juntar suas coisas, e ir de uma vez para a casa de Draven. – Lady Layla, eu...
— Sona, não comece. Não estou em condições de sair de casa hoje. — Sua voz estava cansada, e seu tom não foi gentil. Mas Sona sentiu veracidade nas palavras dela. Olhando com atenção, Layla parecia estar extremamente exausta.
A garota suspirou, deixou os ombros caírem, derrotada.
— Sim, senhora. Porém, eu posso ir um pouco mais tarde? Kael pode me levar com o teletransporte...
— Kael vai ficar comigo hoje. – Em condições normais, Layla teria feito alguma piadinha, lançado algum olhar malicioso para o criado, mas hoje seu olhar estava vazio, e sua voz monótona. Sona estava começando a se preocupar.
— E-então eu vou fazer minhas malas,e já estou indo.- Sona soltou de uma vez. Tecnicamente era uma convidada em Noxus e podia ir para qualquer lugar, mas Layla havia proibido que ela falasse com Draven, para conseguir manter seu disfarce e focar mais nos estudos. Agora que ele já havia descoberto, nada impedia que ela se mudasse pra lá.
— Malas?
— Vou para a casa do Draven.
A mulher encarou Sona por alguns instantes, mas em seguida deu de ombros, se virando em direção ao criado.
— Que seja. Seus estudos comigo continuam todos os dias durante o almoço. Não esqueça seus livros. Kael, me leve ate meu quarto.
O moreno prontamente a pegou no colo, onde ela se jogou de forma dramática. Ao subir as escadas, Layla continuou falando:
— Bastião, Draven, minha casa. Não saia desse trajeto jamais. Se eu descobrir que você está passeando por ai, vai ter sopa de Ioniana com uma pitada de Demaciana pro meu jantar.
Eles já estavam no segundo piso, e estava ficando difícil de entender o que ela dizia, porém Sona ainda ouviu um “Se comportem, e se você engravidar, essa criança vai ser a minha sobremesa.”
Era bom saber que a Layla de sempre ainda estava lá. Reconfortante, de um jeito assustador e medonho, mas ainda assim era reconfortante.
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Depois que entrou em seu quarto e aplicou a injeção – que tinha sido todo o motivo de ter voltado – Sona começa a juntar suas coisas.
Quando Sona disse que ia fazer suas malas, na verdade ela se referia a apenas uma mala, e um monte de livros. Jogou os documentos em cima da cama, e foi até o antigo guarda-roupa. As únicas coisas que pertenciam a ela de verdade ali eram as roupas que estava usando no dia que bebeu a poção. As roupas que usava no dia-a-dia eram todas providenciadas por Layla, todas no estilo militar. Pegou o seu kimono que estava cuidadosamente dobrado, e o abraçou, aspirando o tecido.
Um cheiro tão familiar, tão corriqueiro, que agora traziam a tona memórias tão antigas. Tão antigas que pareciam pertencer a uma vida passada. Ou de uma vida que não era dela.
— Alias, me esqueci de te dizer... — Perdida em pensamentos, Sona deu um pulo, quando ouviu uma voz na porta- Calma, sou eu.
Layla já estava pronta para dormir, de camisola preta e com um chambre incrivelmente bonito, transparente e cheio de rendas por cima.
— O principal motivo de que você tem que levar isso — Layla apontou com a cabeça para as pastas.- É que, sobre o assunto de uma delas, você precisa convencer o Swain.
— Convencer ele do quê?
— Convencê-lo de que fazer um baile de outono é uma boa idéia.
Sona a ficou encarando, sentindo a cabeça vazia de repente. Deveria ser a falta de sono finalmente pesando. Um baile? Por que um baile? Por que a Sona iria querer participar de um baile? De todas as coisas que ela tem que lidar agora, por favor. Por que ela teria que lidar com mais isso? Mas ela teria que convidar alguém? É obvio que ela iria com o Draven. Mas com que roupa? Mas só um baile de outono, é vago demais. Seria um Masquerade? O Draven teria algum traje para isso? E o que seria servido? E o principal, onde seria?
Tudo isso passou na cabeça dela num turbilhão, e depois de um tempinho, ela se lembrou:
— Eu gosto de bailes. — Ela sussurrou, e soou muito idiota em falar isso em voz alta. Ela sempre amou festas, bailes e galas. Por que ela havia esquecido?
— Você é a única pessoa que vai o fazer concordar com isso. É a queridinha dele e... Por que você está me olhando com essa cara?
— Eu tenho a impressão de que eu precisava te contar alguma coisa... Mas não lembro o que é.
— Bem, quando lembrar, coloque um bilhete embaixo da minha porta e não me acorde. — Layla se virou para se retirar, mas parou, e disse por cima do ombro — Eu não permito que Kael use qualquer tipo de teletransporte quando eu não estou presente. Como você sabia que ele é capaz de conjurar algo assim?
Seu mundo inteiro gelou, e a garota sentiu como se todo o seu sangue fosse drenado do corpo.
—A-a senhora me comentou...uma v-vez. Quando líamos soble esse tipo de...- sua voz foi morrendo.
— Hm.- Layla pareceu ponderar um pouco,mas devido ao seu estado de sono, apenas deu de ombros e foi embora.
Sona se sentou na cama. O que aquilo significava? Não sabia o que Kael era, mas sabia com certeza que ele é totalmente obediente a sua mestra. Algum tipo de feitiço de controle mental fortíssimo. Ele estar tomando decisões próprias... O que isso queria dizer?
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Uma audiência com o Grande General de Noxus era algo quase impossível de se conseguir. Sona não sabia disso, na verdade não sabia de basicamente nada sobre esses assuntos. Porém um soldado, que estava de guarda na frente da grande porta dupla do gabinete de Jericho Swain, comentou espantado que era raro ele receber qualquer civil.
Ainda mais uma garota tão nova. Isso fez Sona se perguntar se aquele soldado poderia ficar falando com ela assim, ou se ele apenas era fofoqueiro?
O guarda truculento abriu as portas, e a fechou logo em seguida, mas não sem antes dar um último olhar desconfiado para a moça desconhecida.
O cômodo era enorme, com um pé direito alto, e esguias janelas que iam até o teto. Elas preenchiam todo o lado direito da sala, porém o lado esquerdo era tomado de livros, tão antigos quanto o próprio Bastião Imortal.
A luz prateada da manhã banhava um móvel que ocupava a maior parte do centro da sala. Era com certeza a maior mobília do local, e ainda assim sobrava espaço para acomodar pelo menos 20 pessoas confortavelmente no aposento. Era uma replica massiva de todo o mapa de Runeterra. Com suas montanhas, rios e campos esculpidos em algo que parecia mármore, tinha todas as nações e territórios demarcados, tropas e exércitos posicionados, e muitos, mas muitos marcadores vermelhos. O império de Noxus cada vez maior e mais forte.
Sona não soube identificar a sensação estranha que sentiu ao ver isso, e desviou o olhar para o fundo da sala, caminhando até lá.
Swain se encontrava sentado, atrás de sua própria mesa, que comparada com a monstruosa mesa de estratégia, era espantosamente comum. Diferente das outras vezes que a visitara não estava usando uma roupa informal, mas sim o uniforme completo. Não usava um pano no rosto, mas a gola do casaco militar encobria o rosto. Pelo visto ele já a estava observando desde quando ela entrou na sala, mas a garota não percebera.
Ele parecia entretido com isso.
— Sona. – Seu tom era gentil, daquela maneira estranha de sempre.
—Grande General. — Sona fez uma reverencia, segurando o vestido que usava. Um reflexo da vida passada que as vezes insistia em aparecer. No mesmo instante se arrependeu.
A musicista teve a impressão de ter visto um lampejo de expressão nos olhos do homem a sua frente ao ouvir a formalidade com que Sona respondeu, mas se realmente aconteceu, não durou nem um segundo.
Swain ergueu a mão, e Sona prontamente lhe entregou as pastas.
— Algo mais?- Ele disse voltando a olhar para o papel que ele estava lendo anteriormente, o tom gentil se fora. Ele deixou a papelada de lado, sem olhar para elas, como se não fossem mais importantes do que lixo.
—Ahn...na verdade....- Como é que ela iria convencer Jericho Swain? – É... Sobre um... Baile.
— Baile. — A palavra saiu sem emoção, olhos fixos nas folhas.
— Lady Layla quer fazer um baile... As informações estão todas ali. — Ela tinha começado tudo tão incrivelmente mal, que só queria sair correndo dali e se enfiar num buraco.
Swain assinou mais um papel, colocou de lado, e a olhou.
— A senhorita imagina o que são essas requisições, que eu preciso avaliar e aprovar? – tocou na pilha que ele ainda não havia assinado.
Sona fez que não com a cabeça.
— Pedidos de mais armamento, mantimentos para tropas, exigências de cidades e vilas recém conquistadas,pedidos de mais matéria prima... Tudo isso e muito mais passa por mim. Eu não tenho tempo para algo tão frívolo quanto um baile.
— Eu entendo.- Sona realmente entendia. Era algo fútil demais, e nada disso tinha sido idéia dela, mas ainda assim se sentia uma tola. – E concordo.
— Então por que veio até aqui?
—Por que Lady Layla mandou.
— E a senhorita faz tudo que a mandam fazer, mesmo que não concorde com o que foi pedido?
A menina baixou os olhos, e ficou remexendo o anel de prata que tinha na mão esquerda. Foi o homem na sua frente que lhe deu o anel, na semana passada em uma das vezes que a visitou. Era com a jóia que ela conseguia usar o feitiço de percepção, e passar despercebida por todos.
— Eu tenho escolha? Não devo obedecer a minha mestra?
— Se a sua lealdade falar mais alto que a sua dignidade. Não estou julgando, alias. — deu de ombros, fazendo com que o longo cabelo prata lhe caísse pelo ombro, preso frouxo na ponta.
Pensou em Kael. Em como ele era obrigado a obedecer tudo, sem uma oportunidade de escolha. Até que ele passa a não obedecer tanto assim...
— Senhor...
— Me chame de Swain, por favor.
—... Eu tenho uma dúvida... Sobre os meus estudos.
Swain levantou uma sobrancelha, e se recostou na poltrona de encosto alto, voltando a ficar interessado.
— Não seria mais pertinente perguntar a sua mestra?- a ultima palavra saiu com um certo desgosto, que nem o ditador de Noxus não conseguiu disfarçar.
— Eu não posso. E começo a pensar, que se eu não confio em alguém, essa pessoa não deveria ser minha mestra.
O general pareceu satisfeito. Com um aceno fez sinal para que continuasse.
— Digamos, hipoteticamente, uma pessoa está sendo controlada, por algum feitiço muito poderoso. Algo que dura anos, e o mago nunca perdeu o controle. Seria possível que esse controle... Oscilasse? Desculpa, não consigo pensar em nenhum termo melhor.
O olhar escarlate que Sona recebeu foi tão intenso que ela pensou sinceramente em pedir desculpas, sair daquela sala e nunca mais voltar. Swain já tinha entendido tudo, sabia de quem ela estava falando, e ele sabia exatamente o que aquilo significava.
— Sua vocalização está perfeita, Senhorit—
— Me chame de Sona, por favor.
— Existem muitas maneiras de controlar a mente de alguém – Swain disse, voltando ao assunto, como se ele não tivesse sido interrompido- Esse feitiço em especifico que você fala, não é muito comum em Noxus, pois se trata de uma forma modificada de magia voodoo. Já estudou sobre isso? – Recebendo um aceno negativo, ele prosseguiu:
— O que você precisa saber por enquanto, é que é necessário um ritual, e existe um objeto que é usado para aprisionar a pessoa. Eu digo que é uma forma modificada, por que o ritual original é muito mais complexo, e conhecendo ela como eu conheço...
— Como a pessoa se liberta?
— Quebrando o objeto. Matando o mago. Ou até mesmo se o controlador se desgastar muito, pode perder controle temporariamente.
Sona voltou a mexer no anel. Layla estava exausta hoje mais cedo, e passou a noite fazendo sabe-se lá o que. O que ela estaria aprontando que estaria sugando tanto dela?
Quando Sona abriu a boca para comentar sobre isso, uma crise de tosse surgiu, e ela segurou urgente o cachecol contra a boca. Ultima coisa que queria era sujar aquele lugar com o seu sangue.
—Deixe-me ver. – Swain se levantou, ficando ao lado dela na frente da mesa.
Ela sabia sobre o que ele se referia. Quando teve certeza que a tosse passou definitivamente, desenrolou o cachecol, e desabotoou a gola do vestido, deixando seu pescoço exposto.
O general se aproximou, se inclinando para baixo para observar o hematoma. Com o gesto, a gola que ocultava parte do seu rosto se moveu, deixando exposto grande parte da cicatriz horrenda que lhe seguia da bochecha ate o abdômen.
Era difícil esquecer a primeira vez que ela viu aquela deformação que o marcara para sempre. A pele era retorcida e ferida, quase que como uma queimadura. O canto dos lábios no lado esquerdo estava retalhado, deixando parte dos dentes expostos.
Sona fechou os olhos, tentando não olhar. Mas sua respiração deixou transparecer, e prontamente Swain recuou, puxando a gola novamente para cima.
—Não! Quero dizer... — Sona se sentiu envergonhada. Ela mesma tinha um estigma hediondo, como poderia reagir assim?
— Lhe mostrei aquele dia porque me pediu, e porque achei que seria uma boa lição de moral. Não é necessário que veja algo tão repugnante de novo.
A garota demaciana puxou o tecido da frente do rosto do Grande General de Noxus, revelando um Swain um pouco confuso.
—Não é repugnante.
Jericho Swain começou a rir, e então gargalhar. Por mais que Sona tivesse prometido a si mesma que se manteria firme, aquela visão era monstruosa. Mas ela agüentou, sem desviar o olhar.
— Certo.- Ele disse de repente, mas ainda num tom descontraído. -Agora que você teve que suportar isso- fez um gesto seco para seu rosto — quero te mostrar algo belo para lhe compensar.
Por trás da sua mesa, uma porta pesada e dupla. Swain foi até lá, abrindo-a facilmente. Sona o seguiu, se perguntando como não notou aquilo ali antes. Atravessando a passagem, uma varanda com parapeito de pedra surgiu, e Sona quase não conseguia acreditar na vista que se projetava na sua frente.
Do topo da cidadela do Bastião Imortal, Noxus era uma paisagem sem igual. Sona nunca, jamais havia presenciado o Império dessa forma. Construções alem das barreiras e fortalezas da cidadela, em vários formatos e estruturas diferenciadas, iam até onde o olhar alcançava. O sol estava alto, o vento que trazia o outono era uma benção no rosto de Sona, fazendo seus cabelos esvoaçarem, também fazia os inúmeros estandartes vermelhos que salpicavam a capital ganharem vida.
Ela se apoiou no parapeito, e continuou admirando, maravilhada. Não é a mesma sensação que teve quando viu Demacia. O reino era magnífico, mas era tudo tão.... Limpo. Branco, e nada orgânico. Noxus era tão mais... Vivo e pulsante.
Era muito alto para se ouvir ou realmente ver algo , mas Sona podia sentir a vida acontecendo ali. Além das muralhas, a vida podia ser suja, traiçoeira, empolgante, gloriosa, fracassada, pobre, ou rica. Ninguém poderia negar que tudo isso estava acontecendo ali, naquele momento.
E o homem responsável por tudo isso, estava ali junto dela.
—Swain?
O Grande General se aproximou, ficando ao seu lado.
—Eu quero que você seja meu mestre.
Depois de ponderar por um instante, ele respondeu:
— Creio que possa ser possível.
Sona sorriu, virou-se de costas para o parapeito, apoiando-se e se deliciando com o vento:
— Então, sobre aquele baile...
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