Whirling Crescendo

26 You got what you wanted


You got what you wanted, but you lost what you had

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Draven estava puto. Putasso. Aliás, puto não seria o termo exato, porém nenhuma palavra conseguiria transmitir como ele se sentia. Então puto é como ele poderia se descrever. Aquela mulher, aquela miserável, havia passado de todos os limites. A filha da puta literalmente sumiu na sua frente, de mãos dadas com outro filho da puta, e ela imaginava que estava tudo ok?

Dessa vez ele falava sério. Se ela achava que ele ficaria ali, sentadinho em casa esperando por ela, aquela vagabunda estava muitíssimo enganada.

E ainda assim, Draven se encontrava sentado no sofá de sua sala, de braços cruzados, e muito, muito puto. Amassou a bituca de cigarro no cinzeiro na mesa de centro, na frente do sofá, e em seguida acendeu mais um.

Odiava essa situação. Perguntava-se como havia permitido que isso acontecesse. Quando foi que ele começou a perder o controle da sua vida desse jeito? Nas últimas semanas, aquela demaciana imunda era tudo em que conseguia pensar. Nem sequer conseguiu dormir quando voltou para casa,e ficou esse tempo todo apenas pensando em formas de torturas para fazer Sona sofrer o máximo possível.

Sumir depois de um chazinho com o ditador do império mais brutal de toda Runeterra? Sem problemas, era até o esperado.

Servir de cobaia, voluntariamente, para experimentos suspeitos, feito por uma mulher mais suspeita ainda? Burrice, mas compreensível.

Trocar O Draven, por outro? Um cara misterioso com uma máscara muito estilosa, Draven odiava admitir, mas ainda assim um cara qualquer! Aquele filho da puta estava tão, mas tão morto...

Já era quase meio-dia. Sona disse que só iria voltar para pegar um remedio, tomar alguma coisa, sei lá, não deveria demorar tanto. A irritação crescia cada vez mais, até que Draven chegou a uma conclusão: Não estava esperando ela como um cachorrinho anseia sua dona.

Estava à espera como um carrasco, aguardando o próximo abate.

Ouviu a porta a sua direita abrir lentamente, e primeiro um rosto coberto por uma cortina de cabelos azuis desbotados apareceu , olhando desconfiada para dentro do recinto. Ao encontrar Draven, seu rosto se iluminou, aquele sorriso apaixonante. Ele se levantou e foi em sua direção.

— Ah, você está aqui, pensei que... — Draven a interrompeu, a puxando violentamente para dentro e batendo a porta com força.

— Que merda é essa, Sona?- O sorriso da garota sumiu, deixando espaço para uma expressão confusa.

— D-Draven?

— Quem você pensa... -Uma das mãos segurou forte o rosto de Sona, a puxando para perto pelo queixo, seus narizes quase se tocando. -... Que é... — Seus pulsos eram tão finos que ele conseguia segurar ambos com uma mão apenas. -... Para me tratar assim?

— Eu... eu só-

— Shh...ssshhh..Minha paciência já se esgotou. Você gastou toda ela noite passada.- Draven sorria maliciosamente, mas um sorriso frio e cruel. Segurava ela forte contra si, Sona sentia seus músculos tensos em contato com seu corpo. Draven sentia o cheiro tão familiar de sangue impregnado em Sona,misturado com o aroma adocicado de sempre, e isso só piorava a situação.

— Mas eu-

— Eu não quero saber de conversa.- O carrasco falava entre o dentes.-O que eu quero... é te comer até te quebrar ao meio, e então te foder mais ainda.

Sona lhe encarou, os olhos azuis brilhando. Não mais confusa, mas sim de uma maneira que ele não soube identificar. Ficou nas pontas dos pés, para alcançar o ouvido de Draven, e sussurrou:

— Está esperando o que então?

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Sona já não podia sentir auras. Com todas as outras pessoas eram apenas sensações leves,mas com Draven ela conseguia visualizar, e se sentir afetada com uma intensidade bem maior. Já não era mais capaz de fazer isso, mas sabia que se pudesse, sentiria algo semelhante ao que sentiu naquele dia, na arena.

Aquele dia em que Draven estava sedento por sangue, e sedento por ela. Achava que seria semelhante, mas na verdade sabia que sua aura estaria pior.

As palavras mal saíram da boca de Sona, e a garota só pode ver um lampejo do olhar insano do carrasco, antes de ser virada violentamente de costas, sendo pressionada entre a porta e o corpo de Draven.

— Não tem noção do perigo?- Draven rosnou,arrancando o cachecol que envolvia o pescoço da musicista,o arremessando no chão. Mordia sua garganta, sentindo o sangue pulsar nas veias púrpuras e doentes. Sona arfou, e mordeu o lábio para evitar gritar de dor. Não iria dar esse gostinho para ele tão cedo.

Mantendo fortemente o enlace, o carrasco despiu o vestido de Sona, puxando agressivamente, arrebentando todos os botões. Ela não queria ceder, queria desafiá-lo o máximo possível. Um desejo suicida de provocar a própria morte a sua frente. Forçou seu corpo para ficar novamente frente a frente com ele, porém ele apenas a pressionou mais forte ainda, e dessa vez Sona deixou escapar um gemido.

— Você vai ficar bem quietinha...- Draven disse enrouquecido, passando as mãos e apalpando obscenamente o corpo da garota.- Até se colocar no seu lugar.

— E onde seria?- A voz saiu firme. Se Etwhal ainda tocasse seus acordes na mente da musicista, provavelmente ele estaria ressonando em alerta. Entretanto ela poderia dizer que desde quando tomou aquela poção, Sona estava tomando várias decisões erradas. E talvez instigar o carrasco de Noxus fosse uma delas.

Porém, estava achando tudo aquilo tão excitante.

A resposta veio meio abafada, enquanto Draven escondia seu rosto entre os cabelos de Sona e inalava o seu cheiro:

— Aqui comigo.

Sentindo um calor estranhamente aconchegante, e ao mesmo tempo um peso no estômago, Sona sorriu amargamente.

A coisa que ela mais queria no momento, era nunca mais sair dali. Ficar para sempre ao lado de Draven.

Pensou tanto nele durante essas semanas, em como voltaria para ele, sendo uma pessoa nova e mais forte. Em como o encontraria, o que diria, como se explicaria.

Na noite em que se conheceram, naquela trágica noite, Drave lhe dissera algo que ela achou extremamente prepotente. Porém agora Sona ria, pensando em como ele estava certo desde o começo.

“Eu sou o homem mais importante da sua vida.”

Foi trazida de volta à realidade por um puxão de cabelo, e um grunhido de Draven. Sentindo sua ereção roçando entre suas nádegas, Sona inclinou mais o quadril, o instigando a continuar o que havia começado. Deixou escapar uma risadinha ao perceber a reação que causou, satisfeita. O aperto havia cedido um pouco, e agora ela conseguiu se virar, ficando novamente cara-a-cara.

— Eu já estou no meu lugar. — A garota sentiu a voz falhar, mas sabia que ele havia escutado.

Draven suspirou, ainda irritadiço mas menos furioso. Sona afagou o seu rosto, afastando as mechas do cabelo castanho, e o puxou para um beijo. Ela sentia uma eletricidade a cada toque, a cada puxão,a cada agarrada. Era a primeira vez que ela se sentia viva, no que pareciam eras.

Ele a pegou no colo, Sona entrelaçando as pernas na sua cintura, a levou para o sofá a jogando lá. Ela ficou o encarando, sem fôlego, e uma crise de tosse veio em seguida. Draven pareceu não notar, ou não se importar com o sangue que respingou pelo tórax. Continuou a acariciando, e terminando o trabalho de despi-la. Suas mãos subiam e desciam por seu corpo, apertando com força seus seios, pressionando tão forte que Sona sabia que ficaria com hematomas roxos pelo corpo.

Cada mordida era uma arfada, até que Sona não aguentou a dor e gemeu alto, para o deleite de Draven. Lambendo o rastro de sangue que seguia pelo peito de Sona, até chegar a sua boca, ele lhe mordeu o lábio, observando satisfeito a carranca de dor da garota.

Ela tinha planejando tantas coisas pra ela, tantas coisas horrendas que a fariam implorar por piedade, mas naquele momento…

— Por que eu não consigo te odiar? — Sona abriu os olhos, saindo daquele transe estranho e desconhecido para ela. Se sentia entorpecida pela dor, e demorou uns instantes para registrar as palavras ditas pelo homem que estava por cima dela.

—... Você precisa me odiar? – A pergunta era genuína, e aqueles grandes olhos azuis o encarando, sem a malícia e provocação de antes, o deixava mais inquieto ainda.

— Você fez por merecer. – Seu rosto ficou colado no dela, sem a encarar nos olhos.

Atormentado por esse sentimento tão forte assim, angustiado sem ter certeza do que era. Mas talvez ele realmente estava começando a amar uma demaciana.

— Sona – A chamou, encontrando seu olhar novamente, com o tom de voz mais baixo. – Você me ama, certo?

A garota abriu a boca em protesto, incrédula e indignada com a pergunta. Que na verdade era mais uma afirmação do que uma pergunta. Não conseguia acreditar na petulância daquele homem, mas afinal, era o Draven. Na verdade ela conseguia acreditar sim.

— D-Draven, você não pode sair por aí su-supondo que eu-

— É óbvio que ama. – Bufou, como se fosse a pergunta mais desnecessária e idiota do mundo.

— É claro que não! – Ela se levantou, ficando sentada, tentando se esquivar quando ele se aproximou para um beijo.

— Não minta para mim. – Aproveitou a pausa para se despir, e então a puxou para debaixo de si novamente. – Você não consegue resistir ao Draven, huh?

Sona escondeu o rosto com as mãos, sentindo sua face arder. Parecia que toda a coragem que havia brotado nela minutos atrás, a Sona provocante e sem medo, tudo sumiu.

É óbvio que ela estava apaixonada por ele. Havia se apaixonado no instante em que o viu na arena. No momento em que viu o aclamado Draven, em sua verdadeira glória. E depois, nas sombras daqueles corredores abandonados, veio apenas a confirmação.

Mas isso também dizia muito sobre ela, e era um lado seu que ela não queria admitir nem para si mesma.

Voltou a sentir as mordidas e afagos de Draven, mas dessa vez com menos violência. Aquela eletricidade voltou a correr pela sua pele ao sentir o corpo dele tocando no dela. Suspirando o abraçou forte, se deixar que ele se afastasse. Passou os dedos pelas suas costas, sentindo cicatrizes ali e aqui, algumas bem mais marcadas que outras.

— ...talvez. — Sona falou baixinho. Draven soltou uma risada, e Sona sabia que não precisava falar mais nada.

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Sona acordou com um calafrio. As noites mal dormidas, principalmente a última em que nem dormira, finalmente a pegaram de jeito.

Se encontrava nua, e por um momento nem sabia onde estava. Mas um breve olhar em volta lhe recordou a memória: Na quarto de Draven,sem nem sinal do dito cujo. Não se lembrava de ter ido para lá, então imaginou que ele a colocou na cama.

Sentou-se meio irritada, se sentindo dolorida. Não fazia ideia quantas horas haviam se passado, nem onde estavam suas roupas. Olhou ao seu redor, e nem sinal delas. Esfregou os braços, o ar estava gélido, e já não entrava mais nenhuma luz nas frestas das janelas. Queria um banho e se aquecer logo.

Pensava nas coisas que o Draven disse, e coisas que ela dissera também. O jeito como ele agiu, e o principal: como ela reagiu.Sentiu o rosto queimar só de lembrar de detalhes.

Não sabia por que, mas tinha a sensação de que ele não estava em casa. Fez menção de gritar, chamando-o, para confirmar a teoria, mas mudou de idéia rápido.Estava envergonhada, e agradeceu o fato de não ter que lidar com o Draven agora. Ela com certeza não conseguiria olha-lo.

E sabia que isso o deixaria muito satisfeito.

Porém todos esses pensamentos banais sumiram da sua cabeça ao pisar no chão do quarto. Foi como se recebesse um soco no estômago, uma sensação horrível, a pressão era esmagadora,e ela não conseguia respirar.

Virou a cabeça lentamente, ofegante, sentindo um medo que nunca sentira antes.

Ali, no fundo do quarto, junto com suas bagagens que trouxe de Demacia — com vestidos, jóias e outras coisas fúteis — Ali, se encontrava o bem mais importante e precioso da sua vida:

Etwahl.

Sona achava que havia perdido sua conexão com a cítara para sempre. Chorou dias e noites se perguntando por quê ele a havia abandonado. Implorou para que o trouxessem para ela, mas nunca conseguiram: o objeto parecia pesar toneladas e era impossível de locomover.

E agora ela o encarava cara a cara.

Tentou andar, mas era como se suas pernas tivessem se transformado em chumbo. Seus olhos ardiam de lágrimas, mas elas não caiam pelo seu rosto, em vez disso, elas a estavam cegando.

Com muita dificuldade, ela conseguiu chegar no instrumento. Despencou de joelhos a sua frente, sem forças.

Era ele. Ele estava fazendo isso com ela. Seu Etwahl. No chão, empoeirado, e sem cor, não mais aquele dourado místico, mas sim… morto.

O instrumento parecia apenas mais um objeto inanimado como os outros a sua volta. Porém aquela gravidade estava a puxando, a atraindo como uma mariposa é atraída pela luz…

Ela achou que Etwahl a havia abandonado, sua conexão cortada, mas pelo visto estava enganada. Ela ainda pressentia uma aura e o que sentia era puro ódio. Tremendo, tocou nas cordas, que estavam tão geladas que queimaram sua pele.

Com uma careta de dor, Sona pousou as duas mãos na cítara, sem recuar. Ignorou a dor, tentou respirar fundo, e sacudiu o rosto numa tentativa de afastar as lágrimas. Passou os dedos suavemente sobre as cordas, como tantas vezes já o fez, uma forma de se comunicar com Etwahl. Dessa vez, em vez do calor acolhedor e da leve vibração , o que ela recebeu foi aflição, sofrimento e mágoa.

Ele estava sofrendo, desolado ali sem ela. Sona sentiu tanta dor ao compreender, tamanha angústia que ela pensou que nunca conseguiria sentir, depois de tudo que passou nos últimos dias.

Etwahl não a havia abandonado. Sona que o abandonou.

A garota desmoronou por cima de Etwhal, sentindo o frio lancinante no seu corpo nu. O abraçava forte, tremendo e soluçando. Seus membros estavam adormecendo, e ela já não os sentia.

Etwahl estava morrrendo. E ela também. Os dois eram um ser só, Sona sorria amargamente, enquanto finalmente entendia, depois de todos esses anos. Se esse era o destino dela, ela estava aceitando. Os dois morreriam ali.

Agora tudo o que ela ouvia era as batidas do seu coração, e no instante seguinte…

Silêncio.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.