Whirling Crescendo

7 Sinful Succulence


Notas iniciais
Resolvi postar hoje mesmo, mesmo sendo capitulos mais curtos do que o planejado... acho q vale mais a pena postar alguns menores, do que esperar muuiiito e postar algum grande e mais cansativo :D Nesse não acontece muita coisa, mas prometo que no próximo muita coisa vai rolar :D

As ruas de Noxus eram imundas e precárias, mesmo estando numa zona não tão pobre da cidade. O calor e o mormaço do verão só pioravam a experiência de caminhar entre as ruelas esquecidas, coisa que Sona já não fazia de bom grado. Se Draven não se encontrasse junto dela, com certeza não teria pisado para a rua por vontade própria.

Estava agradecida por ter vestido uma roupa leve. Usava uma longa saia azul celeste, que ficava gradualmente transparente na barra, e uma blusa branca simples tomara-que-caia. O vento morno esvoaçava o tecido leve, e mesmo que ela não estivesse flutuando, lhe dava a impressão de deslizar pelos paralelepípedos. O calor estava realmente insuportável, e ela tentava o máximo manter o bom humor.

Prendera o indomável cabelo num coque apertado, esperando não chamar muita atenção. Agora ficara feliz em não ter a cascata de fios lhe causando mais calor.

“Então... o que você estava falando com aqueles homens?” Sona tentou puxar assunto. Estavam a alguns minutos andando pelo o que lhe parecia ser um labirinto de becos e ruas, sem trocarem uma palavra. O que é estranho, porque Draven não fica 5 minutos sem se gabar de como é ser Draven.

–Hã?- Ele diminuiu o passo, olhando para trás na direção da musicista. Carregava o estranho machado apoiado nas costas, e Sona percebeu que era algo natural para ele. — Com quem?

“Quando saímos da casa de ópera... eu vi que conversava com aqueles...soldados? Não pense que não notei que parou de falar com eles assim que me viu.”

Draven a avaliou dos pés a cabeça.

–Não é assunto da sua conta. — Voltou a andar no ritmo anterior, Sona diria que até mais rápido.

“Eu sei do que vocês estavam falando,é meio óbvio. O que infernos aconteceu ontem a noite? Você não acha que eu tenho direito de saber de alguma coisa?”

–Você, como uma Demaciana, não teria direito nem de permanecer viva aqui. Agradeça que estou sendo bonzinho com você, e não force a barra. Não vou falar nada.

“Não é justo...” Sona bufou, cruzando os braços.

–Sabe o que não é justo? — ele parou de andar, apoiando-se num muro próximo, na sombra de um grande casebre com aparência abandonada. — Se, e apenas se, tudo sair como você planeja na sua cabeça de contos de fadas, você volta para casa, feliz. De volta para Demacia, você pode ser uma ótima fonte de informações. O que você poderia ter visto e ouvido por aqui, não é? E digamos que você realmente não seja uma espiã Demaciana, e não pretenda falar nada para ninguém... Me diga, como você reagiria, quando Garen colocasse uma lâmina no seu pescoço, e a obrigasse a falar tudo o que sabe?

Sona o encarou, engolindo em seco. Silêncio reinou durante alguns segundos, até que finalmente Draven ouviu a voz suave ressonando em sua mente:

“Garen não faria isso. As coisas não são assim em Demacia.”

Que bom querida, mas é assim que as coisas são aqui em Noxus. Te recomendo cuidar bem o que ouve e vê, senão quem vai estar com a lâmina no seu pescoço vai ser o Swain. Ou melhor, a putinha dele, Darius.

Virando as costas, ele continuou a caminhar. Cabisbaixa, Sona demorou alguns instantes para continuar seguindo-o, pensando no que ele disse. Sempre tentava pensar positivo sobre as coisas, mas ele não estava ajudando. Quando levantou o rosto, avistou a sua direita uma confeitaria, com alguns doces muito convidativos na vitrine.

Desviou automaticamente do caminho, e ficou babando por todos aqueles bolos, tortas, pudins e pãezinhos doces. Sentiu a barriga roncar. Ela ainda não havia almoçado, e já passava do meio dia.

Demorou alguns instantes até Draven notar o sumiço dela, voltar e a encontrar salivando na frente das guloseimas.

–O que está fazendo aí? Você está... babando? — Ele a encarou com a sobrancelha erguida.

Ela limpou o canto da boca rapidamente, e o olhou com olhos pidões.

“Eu não almocei ainda...”

–E nem eu. -Ele avaliou o interior da confeitaria, que era escura e mal se conseguia ver alguma coisa. Dando alguns passos para trás, olhou para cima, procurando a fachada. “Sinful Succulence ” se encontrava escrito na madeira antiga e gasta.

–Certeza de que você quer realmente algo daqui?

A garota assentiu positivamente, com os olhos brilhando.

Draven suspirou.

–Ok,então.- Abriu a porta com força, sendo seguido por Sona logo atrás. Ela ouviu um sininho tocar em algum lugar na pequena loja. Demorou alguns segundos para se acostumar com a fraca iluminação do ambiente, e sentiu um cheiro agridoce logo que entrou.

–Só um momento! — Uma voz feminina foi ouvida de uma porta a esquerda, de trás do balcão.

Sona se abaixou, observando alguns dos doces expostos no balcão. Sentiu salivar especificamente para uma torta de limão, com uma decoração um pouco suspeita,com pequenos pedaços de biscoitos arroxeados. Ouviu um xingamento vindo da cozinha, e se levantou, a tempo de ver a dona da voz surgir pela porta, irritada e retirando furiosa as luvas térmicas que usava. Fumaça e cheiro de queimado invadiram a sala, fazendo Sona franzir o nariz.

A aparência da confeiteira a assustou um pouco a principio. Seus longos cabelos roxos, adornado no topo da cabeça com um grande chapéu de chef, emolduravam o rosto irritadiço da mulher. Usava um avental branco, e pelo que Sona conseguiu ver, a parte de baixo era composta por uma longa saia azul. Mas o que mais lhe espantou não foram as orelhas compridas e pontudas,ou os olhos brilhantes e ardentes; mas sim as asas negras enormes que pendiam de suas costas, se mexendo desconfortavelmente no pequeno espaço.

–Ah.... é você. — Seu humor conseguiu piorar ainda mais, ao ver que Draven estava do outro lado,apoiado com o cotovelo no balcão e sorrindo para ela.

–E aí, Morgana? Vejo que está radiante, como sempre.

–Meu dia estava indo muito bem até ver esse seu sorriso cretino, Draven. — respondeu entre os dentes,o encarando mortalmente. — Seu irmão ainda não me pagou todo aquele chocolate, me deu um prejuízo absurdo.

–Isso é problema de vocês dois, não tenho nada haver com isso. — voltou-se para Sona, que observava ainda as gloriosas asas de Morgana. Notara que em vários pontos as penas estavam falhas e desgastadas, e ficou imaginando quem seria essa mulher. — Escolhe logo o que você quer e vamos embora.

Morgana virou a cabeça na mesma direção, e percebeu pela primeira vez que a garota estava ali. A avaliou por um instante, e disse com malícia:

–Ora Draven, mais uma? E trouxe ela justamente aqui, me sinto lisonjeada.

Sona sentiu o veneno nas palavras da confeiteira, e corou levemente. Mas em seguida sentiu um pouco de raiva: ela não era “mais uma” coisíssima nenhuma! Olhou indignada para o homem ao seu lado, esperando alguma resposta.

–Essa sua espelunca seria o último lugar que eu traria alguém, e sinta-se mais grata porque foi ela que insistiu para entrar nesse lixo. — Draven respondeu com tanto veneno quanto Morgana, que olhou desconfiada para Sona.

–Hm... então, o que vai ser?

Ainda brava, Sona apontou para a torta de limão que a estava seduzindo minutos atrás. E também para alguns bolinhos, pãezinhos salgados e doces.

–Tudo isso?- ao se virar para a garota, Draven viu que ela o olhava brava. — Espera, você tá brava comigo?Por que, eu to pagando tudo isso que você pediu, não seja ingrata você também!

Sem responder, Sona saiu a passos largos da confeitaria, e o esperou no lado de fora. Se sentia bem infantil e tola, se irritando com algo tão bobo. O calor na rua estava pior do que se lembrava, então ficou escorada na sombra, tentando abstrair.

Ficara tão afetada ao ouvir alguém dizendo em voz alta,o que ela já sabia: Ela era apenas mais uma diversão de Draven,um cara qualquer que nem ela conhecia direito. Isso era mais do que óbvio, mas o fato de que ficou abalada com isso, a preocupava.

Isso estava indo longe demais. Estava tão desamparada naquele lugar, que estava criando laços com um estranho egomaníaco, com um gosto estranho para bigodes. Se bem que ela estava começando a gostar do bigode...

–Toma. — Ela foi puxada de volta para a realidade, quando sentiu o saco de papel pardo que Draven jogou em sua direção. Ela a segurou com cuidado, esperando que a torta ainda estivesse intacta. — Essa cara emburrada pra que, não gosta de doces? Se é isso, por que você pediu...

“Eu gosto de doces.”–Olhou dentro do pacote, e encontrou tudo inteiro, por um milagre. — “Obrigada.”

Depois de um momento de silêncio, ele finalmente respondeu:

–Hm..certo. — Ele voltou a andar,sem perguntar mais nada.

“Eu nem sequer perguntei se você tinha como pagar, realmente não tenho nada comigo... Quem cuidava de tudo isso era a Tirzah, e ela levou tudo...”

Sentiu o estômago embrulhar, e de repente o bolinho de menta em sua mão já não era mais tão apetitoso. Tentava esquecer o fato de que fora literalmente abandonada e roubada na mesma noite, mas estava sendo difícil. Apesar de tudo, ele a estava ajudando a se distrair ao menos.

–Não pense que essa é a minha função aqui.

Sona deu um salto ao ouvi-lo. Será que ela havia, de alguma maneira, pensado aquilo alto demais, e transmitido para ele? Isso ainda era difícil para ela, mas sempre que se comunicava era preciso de muita concentração.

“Perdão...o que?”

–Ficar pagando todos os seus caprichos. Pelo menos, não sem nada em troca.

Ela suspirou aliviada.

“Sim, perdão...estou ciente disso, não vou me--Espere, como assim 'sem nada em troca' , está achando que eu sou mais uma qualquer que você pega na rua...!”

Com força, bateu com a bolsa no braço de Draven, mas ele pareceu não se importar. Ao contrário, gargalhou e se virou para ela, dizendo:

–Então você realmente ficou bolada com a Morgana te chamando de “mais uma” ? Sona, achei que era mais segura de si...

“Mas... é claro que sou segura de mim! Sou Sona Buvelle, Mestra das Cordas, maior prodígio musical de Demacia no ultimo século, aplaudida e idolatrada por milhares!Eu posso ser tudo, Draven ... Mas não sou apenas mais uma. Nem para você, nem para ninguém.”

Sona percebeu que esmagara o restante do bolo na mão, e lamentou pelo desperdício, estava delicioso. Mas antes mesmo de conseguir completar o pensamento, sentiu seu rosto sendo puxado, e os lábios de Draven nos seus. Respondeu o beijo, Draven sentiu o hálito de menta da garota, e sorriu, a enlaçando num abraço apertado.

–Estou começando a entender isso, senhorita Sona Buvelle.- ela ainda estava surpresa, e não respondeu nada. Apenas correspondeu o abraço, fechando os olhos e ouviu com atenção suas palavras, que tinham um toque de sarcasmo na voz – Faça valer a pena, e não seja apenas mais uma , ok?

Notas finais
Então, o que vocês preferem, capitulos um pouco mais curtos, mas mais seguidos... oooou capitulos grandes, mas demorados? :D respondam, S2 obrigada a todos pelas reviews, e fico realmente feliz de ver que tem tanta gente curtindo esse casal meio inesperado XD