Whirling Crescendo
4 Pianoforte
Notas iniciais
Já era a quarta porta que ele tentava abrir. Trancada. Pra que tanto segredo, era só um prédio velho, não poderia ter nada demais guardado ali. Naquele corredor, todas as portas se encontravam trancadas, exceto a do quarto de Sona.
Draven já havia perdido a paciência,e estava pegando impulso para tentar derrubar a porta. Antes de se jogar com todo o peso, ouviu uma voz no começo do corredor, e parou.
–Essa porta é mais velha que você, filho, mostre algum respeito.
Um senhor de aproximadamente 50 anos, vestido impecavelmente, estava parado a sua frente. De estatura mediana, tinha cabelos com mais fios brancos do que loiros, e olhos claros. Sua expressão não era muito amigável.
–Pois é, mas acontece que rolou um massacre agora a pouco, não sei se ficou sabendo. E o assassino pode estar por aí, então, desculpe dona porta – Draven dirigiu um olhar magoado para a porta,- mas eu vou ter que te derrubar.
–Vocês só sabem resolver as coisas na base da violência- O homem se aproximou, e o carrasco não soube exatamente pra quem aquele “vocês”se referia. — E eu sei muito bem o que acontece no meu próprio teatro.
Ele balançou um molho de chaves, e o afastou da porta. De primeira achou a chave certa,e a abriu com um rangido. A sala se encontrava escura e poeirenta, lotada de instrumentos musicais velhos, escondidos com grossos panos brancos. Draven entrou no cômodo, e percebeu que a planta era a mesma do quarto de Sona, onde estivera a poucos minutos. Um grande piano de cauda se encontrava abandonado ali, junto com outras caixas e formas irreconhecíveis.
Terminando de averiguar o quarto, Draven se dirigiu a saída, com o desapontamento estampado no rosto.
O senhor o esperava no lado de fora, com expressão inalterada.
–Satisfeito? Gostaria de verificar os outros quartos?- Mas a pergunta foi ignorada por um Draven irritado. Ele bufou e passou reto, indo em direção as escadas.
Ele não sabia exatamente o que estava o incomodando. Aparentemente não havia sinal nenhum dos assassinos no prédio, então tudo fora uma perda de tempo.Descia as escadas girando o machado, algo que sempre o relaxava. Além de todo o tédio que isso estava sendo, Darius ainda conseguiu o excluir de toda a parte legal da coisa.
As pessoas se afastavam de Draven enquanto ele continuava o seu caminho pelo saguão, esquivando do machado. Ele continuava perdido em pensamentos e não ouviu quando uma mulher o xingou, muito menos quando uma velha cochichou para outra, falando que era bem possível que ele poderia ter sido o assassino.
É claro, ele tinha que ser a babá da garota mimada, óbvio que era pra isso que Darius disse que precisava dele. A garota, Sona. Ele se lembrou de instantes atrás, quando estava naquele quarto, ela sentada em seu colo. Havia sentido o toque da sua pele, e o aroma do cabelo dela era doce, até demais. Se fosse qualquer uma, a teria tomado a força naquele momento, mas resolveu deixá-la ir. Ele não soube explicar o por que, mas isso o deixou intrigado. Só fez a curiosidade e seu interesse aumentar, e decidiu, com um sorriso, que iria insistir até tentar descobrir o que fez ele agir assim.
Após subir os pequenos lances de escada que ligavam o foyer até o auditório, Draven entrou pela porta central, a procura de alguma noticia ou novidade. Parado no meio dos assentos vazios da plateia, ele viu próximo ao palco o carpete manchado de sangue, mas o corpo já não se encontrava lá.
Andou até o local, e analisou com mais calma ao redor. Tudo parecia calmo,e a multidão lá fora estava se aquietando, embora não menos tensa. Olhou para os camarotes, apenas um estava com a luz fraca ainda acessa, e era justo o de Swain. Isso tudo fedia, e Draven tinha certeza absoluta de que o Grão General estava metido nisso. Deu meia volta e resolveu ir até lá, para esclarecer essa história de uma vez por todas.
Subiu a escada na lateral do auditório, de dois em dois degraus. Passou pelo camarote nº 8, bloqueado por guardas. Olhou de relance e viu os corpos sendo recolhidos, sem muito cuidado. Foi quando ouviu uma voz feminina irritada:
–Você pensa que engana quem com suas conspirações? Isso foi tão obviamente armado que chega a ser ridículo, até uma criança vê isso. Guarde minhas palavras Swain, eu vou descobrir o que diabos foi isso, e até onde você está metido!
Assim que passou pelo portal baixo, Draven esbarrou em Katarina, que estava espumando de raiva. Ela tinha os cabelos rubros soltos como sempre, e um vestido longo preto colado, que delineava bem o seu corpo. Ela se assustou pela trombada repentina, e olhou para ele, surpresa por alguns instantes. Mas em seguida seus olhos verdes o fitavam com raiva, e ela tentou desviar dele indo para sua direita. Ele deu um passo para a direita também, a acompanhando.
–Some da minha frente, Draven! — Ela gritou, após ser barrada pela terceira vez. Tinha vontade de arrancar aquele sorrisinho irritante do rosto dele com as próprias mãos.
– Não consegue achar a saída sozinha,Kat? — Draven a provocou, dando espaço pra ela sair. Bufando, a ruiva passou em passos firmes por ele, e só então Draven percebeu que Talon a acompanhava. Ele ainda ria da cara de brava dela quando se virou para o interior da sala, fechando a porta atrás de si.
Swain se encontrava de pé agora, observando alguns soldados vasculharem o auditório abaixo deles. Darius estava encostado na parede, visivelmente irritado e cansado. Nenhum dos dois se mostrava muito abalado com as ameaças de Katarina. Aliás, o ocorrido nem parecida ter acontecido naquela sala.
–Escoltou a senhorita Buvelle até seus aposentos,Draven?- Swain perguntou, assim que ouviu a porta fechar atrás de si.
–Sim, já que agora eu virei babá de criança. Acharam algo?
–Não. — A resposta curta veio do seu irmão, a irritação cada vez mais visível. — Vasculhamos tudo, mas não encontramos nada. Ainda.
–Algo me diz que o plano não ocorreu como o planejado, não é...? — Draven se divertia com a raiva do irmão mais velho, mas ao receber o olhar frio de Swain, se endireitou e parou de sorrir.
–Até então,Carrasco, está tudo conforme o planejado. Não pretendíamos capturá-los aqui.
Draven ergueu a sobrancelha, e olhou para Darius. Este suspirou, e continuou a explicação de Swain:
–Tínhamos informações de que haviam agentes Ionianos já infiltrados em Noxus.- Foi interrompido por um muxoxo de desaprovação de Draven, que já havia entendido a situação. Ele odiava essas conspirações e manipulações, era um cara mais direto. Se sabiam que haveria um ataque, não entendia por que já não haviam planejado capturar de vez os assassinos. Era certo que havia um motivo e um plano muito mais complexo por trás de tudo isso. Mas não cabia ao carrasco saber desses detalhes.
– Eu só quero saber quando eu vou poder trabalhar de verdade. Sem sentenciados, Draven não pode brilhar. — Se dirigiu a porta, mas parou e se voltou sorrindo pra eles – Mas vocês não esperavam que teriam um banho de sangue tão grande assim não é? Aqueles corpos foram decepados depois de mortos, apenas para o prazer daqueles doentes. Temos no minimo 3 psicopatas por aí soltos por sua causa, aaaah mermão eu não queria tá na tua pele hahahahahahah.
– Draven, onde você pensa que vai--
–Não vou fugir, tem uma coisa nessa história que ainda me interessa. Será que o bar tá aberto ainda? — Comentou casualmente,e saiu do camarote.
Darius fez menção de ir atrás do irmão, mas Swain deu um passo a frente, o impedindo.
–Deixe-o. Ele não me preocupa em nada agora. Temos que lidar com um problema de cada vez.
~~~~~~~~
Fazia um bom tempo que Sona estava imersa na banheira, perdida em pensamentos. Seus dedos já estavam a muito enrugados, e a água estava fria. Havia pensado em ficar ali até amanhecer, mas concluiu que não seria possível.
Uma batida apressada na porta a acordou dos pensamentos, e ela olhou assustada em direção da origem do som. A batida continuou, mas dessa vez ouviu uma voz familiar do outro lado:
–Sona?! Sona você está ai? Por favor abra essa porta!
Tirzah! A garota se levantou de um pulo da banheira, se enrolando na toalha e cuidando para não escorregar na superfície lisa. Abriu a porta e Tirzah a abraçou forte, sem parar de falar :
–Finalmente te achei Sona alguns homens mal encarados não deixavam eu subir até aqui então eu te procurei por todo lado que me deixavam ir obvio mas muitos disseram que te viram vir para cá com um tal de Draven--
A fala sem pausas da amiga estava deixando Sona tonta, e quando ela ouviu o nome “Draven” , deixou de escutá-la completamente. Isso, esse era o nome do homem do cabelo estranho. Lembrou que o outro homem alto havia chamado-o assim. Ela na correria deve ter esquecido provavelmente.
Sorriu gentil para Tirzah, a abraçando forte e dando-lhe tapinhas nas costas. Em língua de sinais disse que estava tudo bem, para ela não se preocupar. A produtora ainda estava transtornada, mas havia parado de falar tão rápido.
–Que tragédia, que tragédia. Eu disse que não era uma boa ideia aceitar esse convite, eu disse.
A musicista voltou para o banheiro a procura de roupas. Ainda estava só de toalha e não se sentia muito a vontade assim, naquele lugar. Na pilha aleatória de peças de roupa que ela havia pego, achou um vestido longo cinza,sem mangas. O vestiu, e prendeu o cabelo numa trança longa, mesmo molhado. Voltou ao cômodo, e Tirzah continuava falando sozinha,aparentemente sem notar que Sona havia saído do quarto:
–Precisamos ir embora desse hospício o mais cedo possível Sona, amanhã de manhã, o mais cedo... Não quero que pensem que nós temos algo a ver com isso, porque pode apostar que é o que todos acham, a situação entre Noxus e Demacia nunca foi boa, você sabe disso...
Sona sabia, todos sabiam. Noxus nunca teve relações muito boas com outras nações, exceto talvez Zaun. Como uma Ioniana e Demaciana, ela entendia isso muito bem.
–ALIÁS.- O grito de Tirzah assustou Sona, que a encarou espantada – Devemos ir embora agora mesmo. É um absurdo nos manterem presas aqui, eu vou agora mesmo falar com eles, vou sim, e dar um jeito nisso.
Sona nem teve tempo de impedir a mulher, e lhe avisar que achava que assim as coisas complicariam ainda mais. Afinal, ficaria realmente muito suspeito elas quererem sair tão cedo de lá, não é? Talvez fosse melhor esperar até amanhã. Mas Tirzah estava na porta já, quando Sona a alcançou.
Mas ao abrir a porta, toda e qualquer motivação a abandonou.
Parado na frente das duas, se encontrava o Grão General de Noxus, Jericho Swain.
Fale com o autor