Notas iniciais
Só pra dizer que quem ta de aniversário sou eu, e vcs ganham o presente!?!?! (modo casas bahia) Eu sei, eu demorei pra caralho. Desculpas mesmo, e queria tranquilizar a todos que se um dia eu largar, vcs serão os primeiros a saber, n vou sumir do nada XD Muito obrigada a Shy que praticamente me levou de muleta enquanto eu me arrastava pra terminar o cap, e a MARAIAH que como sempre fica me pilhando S2 S2 Espero que gostem :D PS: Eu e a Shy revisamos mas estamos meio bebadas. Então é naquele selo nice de qualidade, malz qualquer coisa.

We're drowning in our own abyss.
There's so much loneliness.
The void.
It's your choice.

Sleazee- Void

~

~~

Fragmentos de memorias iam e vinham. Sona sabiam que não eram sonhos, mas sim acontecimentos recentes. Depois de beber aquela poção estranha que Layla lhe ofereceu, apagara completamente, mas lampejos de consciência lhe ocorriam.

A dor era agonizante, transformando a dor que sentia agora apenas um mero suspiro do que fora. Sentia o corpo tenso, vozes em volta, falando coisas que não conseguia entender.

A cena muda, já esta deitada na cama. A aflição lhe consumia, e sem conseguir se controlar, arranhava com as unhas a própria garganta, tentando trazer fim ao sofrimento.

Fortes mãos a seguram e a forçam de volta para a cama, e seus braços ficam imóveis.

Mais vozes, uma dor lancinante no pescoço, sente seu corpo relaxar aos poucos, até que perde a consciência.

~~~~

~~~

~~~~

Beatrice dormia tranquilamente em seu ombro, empoleirada em uma garra só. Dessa vez não estava lhe machucando, usava uma ombreira projetada para lhe acomodar perfeitamente. Amanhecia, e a luz fraca dos candelabros se tornava inútil a medida que o sol subia. Recostou-se na cadeira, fechando os olhos. Uma noite se passou, e nenhuma mudança.

Um gemido, leve e curto, fez Swain voltar a observar quem adormecia na cama. A garota dormia, envolta nos cabelos azuis e dourados, agora totalmente inertes. Era uma visão angelical, a luz prateada lhe contornando o rosto, os fios celestes com um brilho místico. A imagem seria digna de ser eternizada num retrato, se não fosse o hematoma horrendo na sua garganta. Uma mancha doentia roxa se alastrava até o queixo, além de marcas ensanguentadas ao longo do pescoço. Algum bom observador veria que as veias, por debaixo da pele fina e pálida, pulsavam num fraco tom violeta.

Sona se remexia, presa em um sonho ruim. Em instantes se acalmou, virando o rosto para o lado esquerdo, mas sua expressão continuava tensa. A franja estava grudada na testa e na bochecha por causa do suor, fazendo sua pele brilhar.

Swain ergueu a mão, com a intenção de afastar o cabelo do rosto da menina, mas a recolheu antes de sequer encostar. De alguma forma, ele sentia como se fosse um pecado toca-la. Não que o conceito de pecado fosse algo que Jericho Swain acreditasse e seguisse, mas ainda assim...

Observa-la dormir era tudo o que restava a ser feito. Ela já não sentia mais tanta dor como antes por causa dos medicamentos, e parecia estar se recuperando lentamente.

O sol já aparecia por completo. Beatrice se remexeu irritada pela luz, se acomodando mais perto do rosto de Swain, esfregando o bico no tecido que lhe cobria o rosto. Ele a acariciou levemente, enquanto continuava sua vigia.

~~~~

~~~

~~~~

Estava escuro, frio e úmido. Sona abriu os olhos, e encontrou-se novamente naquele sonho que tinha desde pequena. No mesmo poço que caíra quando era criança, chorando e desesperada. Já revivera essas lembranças milhares de vezes, mas tudo sempre acontecia sempre da mesma maneira.

Porém dessa vez, tinha algo de errado.

Ela não tinha 10 anos, mas sim sua idade atual. Não usava a roupa simples de sempre, mas um vestido longo, de espartilho e o que pareciam ser milhares de anáguas e armações. Como um dos primeiros vestidos que ganhou quando chegara em Demacia, e fora apresentada a sociedade.

Com a respiração forte, se levantou, olhando para cima. Já era noite, e ela sabia aquele sonho de cor. A qualquer momento Etwahl apareceria, a reconfortaria e a salvaria.

Mas nada aconteceu.

Sona sentia falta de algo, algo que ela não soube identificar de cara o que era, pois sempre estivera com ela, e não fazia ideia se era possível viver sem.

O som, o som de Etwahl. Não havia nenhuma nota, nenhum acorde. Apenas silêncio, um zunido nos ouvidos e só. Nem a floresta que a esperava lá em cima produzia som, era tudo silêncio e vazio.

O tempo começou a passar.

Segundos, minutos, horas... a noção de tempo era confusa.

Durante o que pareceram anos, Sona arranhava, socava e chutava o espaço apertado. Seus dedos estavam com carne viva, rasgava o vestido em mil pedaços, mas parecia que quanto mais o estragava, mais tecido aparecia. A noite era infinita, o buraco negro a cima de si parecia ficar cada vez mais escuro, como que a atraindo para o esquecimento.

O frio a estava congelando, já não sentia os pés. Suas mãos estavam quentes do sangue que não parava de verter de suas feridas e unhas quebradas. Para tentar manter a temperatura, Sona lambuzou o rosto de sangue, mas era inútil. Sentia-se caindo, desfalecendo nas pedras cheias de limo, e tudo o que restava era se deixar levar.

Deitar, e morrer.

Eu vou morrer aqui.

Sua visão estava turva, como se a escuridão a estivesse engolindo.

Vou morrer sem Etwahl.

Fechou os olhos , ignorando as trevas que a encaravam com olhos vermelhos a cima de si.

~~~~

~~~

~~~~

Subitamente, Sona abriu os olhos, e ficou encarando o teto, o azul da íris quase totalmente consumido pela pupila dilatada. Estava claro, tudo branco e os vultos que conseguia enxergar, estavam cobertos como que por uma neblina.

Será que eu morri?

Passado alguns instantes uma voz a chamou, sussurrando rouco:
-Sona.

A garota piscou, e o olhou assustada. Não estava sozinha, o Grão General de Noxus se encontrava presente, a olhando preocupado. E aparentemente, também não estava morta. Ou será que era isso que a aguardava lá? O Swain?

Foi do homem a sua esquerda, ao teto, a janela iluminada, olhou para seu corpo. Sua visão voltava aos poucos. Se encontrava num quarto que não esteve antes.

Estava coberta por um lençol leve, mas suas mãos estavam atadas com lençóis, presos por argolas na beirada da cama. Mas o que mais a assustou foi o estado das suas mãos. Estavam ensanguentadas.

O que estava achando que fora um sonho... Acontecera mesmo?

Engoliu em seco, e foi como se sentisse o arrependimento lhe dar um tapa na cara na mesma hora. Foi como engolir areia, ao mesmo tempo queimando e congelando a sua garganta. Arfou, e fechou os olhos novamente, confusa e tonta.

Sentia como se fosse desfalecer novamente, como se tivesse gastado muita energia apenas por abrir os olhos. Sabia que deveria estar mais preocupada com por quê estava ali naquele estado, mas tudo foi esvaindo novamente, talvez se adormecesse agora poderia descansar de uma vez...

—Sona, não ouse. – Dessa vez a voz foi mais autoritária, e Sona voltou a abrir os olhos repentinamente, dessa vez não os desviando.

Queria falar, perguntar, gritar tanta coisa. Ao tentar se soltar das amarras, sentiu os pulsos doerem. Encarou o homem, em busca de respostas.

— É para o seu bem, não estamos lhe prendendo.- Ele falava tão tranquilamente que parecia uma conversa corriqueira, como quem comenta sobre o clima.

Sona sentiu a pele do pescoço arder. Sua garganta estava em fogo, e uma crise de tosse veio em seguida. Mas ao fazer isso, sentiu algo de diferente.

Algo que não estava ali antes.

Sua voz.

Swain notou a percepção na expressão da garota, e seus olhos escarlates brilharam.

Sona gritou. No começo suave, como que um leve susto, mas depois gritou o máximo que podia, até que achou que iria ficar surda. Gritou, sentindo as lágrimas quentes descendo pelo rosto, de dor e de alegria, mas sem querer parar.

Sua voz – Voz, ela conseguia ouvir sua própria voz.- foi falhando, diminuindo, até sobrar apenas pequenos risos arfados.

Viu o olhar mais suave de Swain , mas ainda assim indecifrável, antes de adormecer de novo.

~~~~

~~~

~~~~

Seu professor havia saído a pouco. Os avanços de Sona com a fala e a recuperação física estavam boas, excepcionais até. Mas ela ainda se sentia exausta e muito cansada, como se muito da energia tivesse sido consumida de vez. Então passava muito dos seus dias de cama, um tanto letárgica, mas ainda assim se empenhava o máximo para melhorar a fala.

Por mais que já tivesse voz, falar era bem mais complicado do que imaginava. Nos primeiros dias não conseguia pronunciar nada , e sua irritação não ajudava nada. Todo dia treinava sua fala e dicção com um professor que a Layla lhe arranjou.

Uma semana depois já estava bem mais avançada e orgulhosa de si mesma, mas a falta de saúde e a ausência de Etwahl não a deixava aproveitar nada o momento.

Poderia finalmente ter a voz e as possibilidades que sempre quis, mas se sentia mais triste que nunca.

Uma batida leve na porta lhe chamou a atenção, e em seguida, sem precisar responder, ela abriu.

Jericho Swain a cumprimentou discretamente, sem falar nada. Beatrice levantou voô quando viu Sona, indo em sua direção e pousando no seu colo, com a cabeça roçando a mão dela pedindo carinho. Na demora, começou a bicar os dedos da garota, que reclamou sonoramente.

— Calma, Beatice. Beatlice. BEATRICE.

Já sentado ao seu lado, Swain sorriu, Sona percebeu. Ele era muito cauteloso com demonstrar qualquer reação, Sona notou durante essa semana. Mas de vez em quando pequenos sinais assim escapavam.

— Como você está? – O Grão General perguntou gentilmente, bem, pelo menos o mais gentil que conseguia.

— Bem. – Ela respondeu, depois de Beatrice a deixar em paz, indo pousar de novo no ombro do mestre. Hoje ele usava vestes menos formais e não tinha a ombreira que geralmente o via usando: a ave o machucava visivelmente.

— Bem...- Sona repetiu, olhando as mãos , claramente cansada.- Não sei. Não me sinto bem. Mas não estou pior que ontem.

— Você evoluiu muito. – Swain disse, obviamente se referindo à sua fala. Ainda enrolava um pouco a língua, mas todas as palavras eram compreensíveis.

— Mas não melho-- mel-- melho-rei.

Passou alguns segundos em silêncio. Sona o olhou, pedindo respostas, mas foi recebida como sempre pelo mesmo olhar incompreensível.

Suspirou, sentindo cada vez mais as forças indo embora.

— Por que? – Ela disse , antes de continuar depois de alguns instantes.- Por que isso aconteceu? A p-poção não deu certo? Eu tenho a minha voz comigo, consigo falar, tenho o que sempe quis... Mas por que não me sinto completa? Por que não me sinto... viva?

— Todo poder adquirido vem com um preço, uma consequência. Principalmente, quando se mexe com magia. – Seu tom era sério, mas sem ser severo. – Lamento que tenha descoberto dessa maneira.

Sona semicerrou os olhos, sem se intimidar com o olhar que recebeu em resposta. Esse era um jogo que dois podiam jogar. Apoiando-se com as duas mãos na cama, inclinando-se na direção dele, declarou:

— Você me disse que iria me instruir. Me deixar poderosa. Faça isso.

Depois de uns segundos tensos, Sona ouviu uma curta risada abafada. Swain desviou o olhar, se divertindo. Sem sair do lugar, ela o olhou intrigada, sem entender muita coisa.

— Tá bom.- Ele disse simplesmente. Deu de ombros, e se recostou na cadeira. – O que você quer saber?

A musicista se recuperou da reação inesperada.

O que ela queria saber?

Por que nada deu certo? Por que o Etwahl não estava mais presente? Afinal, o que era o Etwahl, por que ela o tinha desde sempre? Por que justo ela? O que são esses poderes, quem poderiam ser seus pais, por que ela foi abandonada, por que sua vida estava uma desgraça?!

Porém em vez de escolher uma dessas perguntas, questionou:

— Qual foi... o seu preço?

Um breve lampejo de surpresa passou pela sua feição, mas ele riu novamente. Sona esperou que não fosse ignorada, mas também não tinha tanta esperança de que seria respondida. Para o seu espanto, Swain começou a desabotoar a gola do casaco longo que usava, e Sona pensou por um momento que escolhera a pergunta errada.

Até que o casaco estava aberto até a altura do tórax, e ele retirou lentamente o pano que lhe cobria o rosto e o peito. Sem folego e em choque, Sona não conseguia desviar o olhar enquanto Swain a encarava com um sorriso cruel.

Notas finais
não sei quando vem mais, mas vem , podem ter fé S2